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Rockingá encerra com bandas de grande prestígio em Maringá
2009-10-25 21:35:00.0
14/09/2009 – Maringá/PR – Fernandes Bar
O que eu pude perceber em Maringá, é que existe na cidade uma cena de rock independente bem grande, com grandes bandas e artistas mobilizados, muito profissionais, mas que atuam de forma fragmentada, o que é uma pena. A proposta da Zombilly, como eu volto a afirmar, é louvável. Andy Iore é amante do que faz, assim como o brother Thiago Soares. Ambos já perderam muita grana com o lance de produção e eventos, mas amam o que fazem.
Andy viu nesse projeto a possibilidade de unir os potenciais de cada um desses artistas e fortalecer a cena, fazendo com que todas as bandas trabalhem num bem comum e muito maior, e não realizando festas com as bandas hypes do momento ou fazendo associações do tipo panelinha. Todas as bandas que participam do festival acreditam nele de verdade e participam ativamente dele. Não posso deixar de lembrar também o apoio de Leandro Fernandes, proprietário do Fernandes Bar, que acreditou no projeto desde o início, mesmo com um pouco de receio, pois achava que ia acabar aparecendo um bando de “punks e baderneiros”, que poderiam acabar com o bar, segundo ele mesmo. Mas nunca aconteceu nada do tipo, e Leandro, que prefere deixar o bar fechado a tocar sertanejo ou pagode, viu a oportunidade de se reestruturar nos dias de baixo movimento com os roqueiros.
Essa mobilização resulta na diminuição das barreiras entre os próprios músicos independentes de Maringá e suas vertentes, multifacetadas e subdivididas, dentro do mesmo estilo, que é o bom e velho rock’n’roll, e também na impulsão da cidade junto ao circuito regional na próxima onda que vem por aí, as chamadas Vilas Culturais e seus circuitos de integração de cidades do interior do Estado e capital, uma espécie de free way entre artistas, produtores e articuladores, tema para uma próxima conversa.
O clima contribuiu para o bom andamento dos dois dias do festival, que rolou com muito o profissionalismo, qualidade técnica por parte dos artistas, identificação, improvisação e carisma para com público, que encheu o Fernandes Bar.
A primeira banda da segunda noite foi o Tiny Cables Ink, que fez uma apresentação bastante intimista, lembrando bastante Radiohead e Coldplay. A banda comove com suas melodias. Assim como Betty By Alone e Hospital Doors, o Tiny Cables investe nas canções em inglês, visando o mercado internacional, o que já rende bons frutos, como participação de uma produtora do exterior na composição de seu novo EP.
A segunda atração foi o Brian Oblivion e Seus Raios Catódicos, banda do circuito surf music e uma das mais tradicionais da cidade. A banda tocou desfalcada de seu baixista. Em compensação, o guitarrista Gustavo e o batera Paulo mostraram competência e muita técnica, e aqui podemos registrar mais uma apresentação dessa enigmática banda que não liga muito para esse lance de MySpace e site, sendo o under do under, sem pretensão, como eles mesmo dizem. Isso é o que dá um toque a mais em saber sobre eles e seu longo tempo na estrada: mais ou menos 15 anos. Já mais tradicionais em relação ao estilo, têm como influências Dick Dale, The Ventures, The Chantays e The Surfaris, entre outros. Foi uma apresentação contagiante, memorável e bastante envolvente.
Umas das bandas que mais me chamou atenção pelo requinte e qualidade técnica, e a única a anunciar a venda de CD’s durante o evento – e que, por sinal, parou no meio a sua apresentação para executar uma venda – foi o Hospital Doors.
Mandando super bem na apresentação, com destaque para as guitarras dissonantes e o vocal com boa entonação e muito marcante, a banda faz um indie rock bem dançante e que pode agitar as pistas e festas alternativas. Com músicas cantadas em inglês, o Hospital Doors reconhece também querer garfar o mercado exterior e, a meu ver, estão prontos para isso.
Assim como a banda Professor Astromar & Os Criadores de Lobisomem, o José Ferreira e Seus Amigos também estavam fazendo teste com o novo baterista, e nada melhor do que um festival para tal. A banda mostrou no Rockingá suas músicas cheias de requintes, vivências e histórias pessoais. José Ferreira e Seus Amigos são um prato cheio, tem muito amor e se apresentaram com uma ótima performance.
A Inimitável Fábrica de Jipes, que encerrou o evento, executou a prévia do DVD gravado no SESC Vila Mariana, em São Paulo, e o vocal Rafael Souza o dedicou a todos da cena de Maringá logo no inicio de sua apresentação. A banda é uma das que mais desfrutam de prestígio na região, muito comentada entre os veículos e meios independentes. A Inimitável Fábrica também se apresentou desfalcada. A banda, na verdade, tocou em trio, com um batera tocando cajon. Mas não fizeram feio. Aliás, tiraram onda com um indie pop que contagia de verdade, com muita qualidade técnica e criatividade e letras cantadas em português, com uma simplicidade poética e um estilo pé na estrada todo especial.
Texto e fotos: Everton “Pardal” Soares
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