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Arquivo de Shows  

Primeira noite do Rockingá é encerrada com muito agito em pouco espaço

2009-10-25 16:04:00.0

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13/09/2009 – Maringá/PR – Fernandes Bar

 

 

13 e 14 de setembro de 2009 – dois dias com o melhor do rock independente de Maringá, consagrando a cidade como a nova Seattle do Paraná em termos de rock independente. Não é de hoje que muitos jornalistas, rádios, sites, produtores, músicos e artistas comentam, discutem, debatem sobre a originalidade e grande volume musical que a cidade oferece, e não é a toa que Maringá é agraciada com o título “a cidade da canção”.

 

Começamos bem o primeiro dia de festival num esquenta de brejas e aperitivos em uma visita ao famoso Bar do Sr. Nicola. No início da noite rumamos para o Fernandes Bar, com capacidade para 80 pessoas, com entrada na faixa, para a largada do Rockingá, iniciativa do produtor e jornalista Andy Iore, do blog e programa de rádio Zombilly, apresentado na rádio UEM.

 

Antes das bandas se apresentarem, ocorreu um debate bastante acolhedor e caloroso, com um público que participou em peso no Fernandes Bar, um dos novos points da cena independente local, fugindo dos tradicionais bares e botecos onde se ouve sertanejo ou pagode (estilos com forte presença na cidade também). O debate contou com as participações da Dynamite, mais uma vez, além de Adriane Perim, do jornal do Estado de Curitiba, e do articulador e produtor Thiago Soares, do blog Espora de Galo.
Dentre os principais assuntos discutidos: a cadeia de festivais independentes e os principais eventos na cena atualmente, bandas covers, organização de shows, processos de produção, divulgação, distribuição, CD’s e mp3, Abrafin, internet, expectativas e o tal sucesso a ser alcançado pelas bandas. Pontos em comum levantados por mim, Adriane, Thiago e Andy, após o debate no outro dia, as leis de incentivo, editais e recursos junto ao primeiro e segundo setor sequer foram mencionados. Seria falta de informação por partes dos amigos roqueiros? Burocracia demais nas composições das leis e criações? Descaso, talvez, ou simplesmente os mesmos e velhos problemas que permeiam a tal das fogueiras da vaidade cultural local, que estamos fadados a ver e vivenciar sempre? E isso não acontece só lá, é meio nacional mesmo.

 

A primeira atração da primeira noite foi a menina prodígio Nina Nóbrega, minha próxima aposta no rock’n’roll. Nina ainda tem pouca idade (apenas 13 aninhos), mas muita atitude e técnica. Não é a toa que a garota estuda música desde os quatro anos: tem muito profissionalismo, deixando bandas de marmanjos no chinelo. Nina é uma musicista completa. Suas letras são divertidas, e as canções convidativas, ora estranhas, mas com muita sofisticação na levada. Na apresentação, mostrou total segurança e muita alegria, conquistando a todos.

 

Na sequência veio o N.O.V.A., que me tomou de assalto antes mesmo do show, devido à história de seus integrantes. É como um registro histórico de membros de uma antiga cena rock da cidade. Oriundos do punk maringaense, eu acredito, seu trabalho flui com muita particularidade entre o punk, pós-punk e o eletrônico. As letras, cantadas em português, dão o tom soturno numa atmosfera dark por meio da guitarra e os recursos eletrônicos (samplers e synths), numa união de influências novas e antigas por parte de seus integrantes.

 

Os ex-cabeludos d’Os Bandidos Molhados, uma das bandas mais novas desse novo circuito/cena na cidade, foram a terceira banda a se apresentar, com um surf music cheio de técnica, dignos de mestres como The Jordans, The Rebels e Beach Boys. Com atitude e muita energia contagiaram o Fernandes Bar, que ficou pequeno pra eles. Eles ainda querem aumentar a família, inserindo instrumentos de sopro, e estão abertos a audições. Quem estiver interessado e for da região, está aí o convite. Ficamos agora aguardando o lançamento do CD, prometido para o ano que vem.

 

O Professor Astromar & Os Criadores de Lobisomem, que veio depois, faz um punk e rock nacional cantado em português, despretensioso e cheio de humor ácido. O power trio é composto pela união dos amigos Renato, Gótico e o novo baterista, Josué, que ainda estava em teste durante a apresentação, mas que arrebentou. A banda vem, chega e marca a galera com as letras enérgicas e uma pegada bastante interessante. O nome incomum – parece ser mais uma marca registrada de Maringá e suas bandas independentes – vem da famosa novela Roque Santeiro. É uma homenagem a um dos seus personagens.

 

Um dos shows mais esperados e performáticos da noite era o do Betty By Alone, banda do frontman Rafael que já abriu shows para o Nada Surf. A banda fechou em grande estilo a primeira noite do festival com seu indie pesado, músicas cantadas em inglês, riffs de guitarra fortes e uma galera agitando muito, apesar do pouco espaço.

 

 

Texto e fotos: Everton “Pardal” Soares





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