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Festival Outside Lands entra de vez para lista dos melhores do mundo

2009-10-02 16:59:00.0

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28 a 30/08/2009 – São Francisco – Golden Gate Park

 

 

São Francisco é o berço da cultura hippie dos anos 60 e uma cidade muito musical. Tão musical que seria muito injusto se ela continuasse sem um festival de grande porte e que durasse mais de um dia.

 

Felizmente, desde o ano passado, com a primeira edição do festival Outside Lands no Golden Gate Park, São Francisco agora está de volta à cena cultural e musical com uma produção e um line up de dar inveja.

 

Neste ano, o Outside Lands contou com presenças de bandas de diversos estilos e também dando espaço para as bandas pequenas. E este justamente é o ponto forte de tais eventos: muitas vezes você poderá se surpreender com bandas que nunca tinha ouvido antes.

 

E foi com esta perspectiva que eu saí de Sampa com uma amiga para conhecer a cidade e, principalmente, ver bandas como Pearl Jam, Dave Matthews Band, Incubus, The National e muitas outras.

 

Sete palcos foram montados pela enorme área do parque, com uma distância de mais ou menos 15 minutos de caminhada entre eles. Tudo organizado, com diversas opções de comida (até açaí tinha), caminhões de Heineken para os cervejeiros e uma tenda com alguns dos vinhos da região de Napa. 

 

Como uma das preocupações da organização era o meio ambiente, os visitantes eram estimulados a separar o seu lixo para a reciclagem e se quisessem beber água, poderiam simplesmente pagar para encher a sua própria garrafinha ao invés de comprar uma nova. Havia também um estacionamento de bikes para os mais esportistas.

 

No primeiro dia, chegamos cedo e conseguimos ver a primeira banda em um dos palquinhos pequenos: Duke Spirit. Havia pouca gente para ouvi-los, mas os poucos por lá estavam curtindo bastante, especialmente porque a vocalista tem uma boa presença de palco.

 

Depois, uma banda brasileira de que nunca tínhamos ouvido falar estava tocando em um outro palquinho. Sambadá me pareceu uma daquelas milhares de bandas brasileiras que só fazem sucesso na gringa. Ver os gringos dançando ao som de “Marinheiro Só” é algo impagável. O The National também se apresentou e agradou muito. Set list perfeito e com uma ótima apresentação.

 

Built To Spill certamente foi a surpresa da noite. A banda de Seattle pareceu ser bem famosa por lá e reuniu muita gente no palco principal. Incubus também tocou no mesmo palco, e, apesar da rouquidão do vocalista Brandon, conseguiu animar a galera com um set list que misturou músicas antigas e novas.

 

Para fechar a noite, duas horas de Pearl Jam. A banda continua grande e com fãs de todo o mundo. Eddie Vedder também estava rouco e até pediu para o público cantar “Better Man” por ele. Surpreso com a quantidade de vozes, ele até agradeceu. Noite perfeita e com o clima perfeito – tão perfeito que o calor de 30 graus só acontece uma ou duas vezes no ano.

 

No segundo dia – muito mais pop e com um público bem diferente do primeiro dia – tivemos a oportunidade de ver uma banda de música africana chamada Extra Golden. Dia ensolarado e com muita gente dançando com a voz do vocalista queniano.

 

Logo em seguida, a nova banda de Tom Morello. O Street Sweeper Social Club agitou a galera e pôs muita gente pra pular. A maioria das pessoas não sabia as letras, mas saber que era o ex-integrante do Rage Against The Machine fez com que o público curtisse ainda mais.

 

Jason Mraz também se apresentou neste dia, com direito a uma camiseta com o símbolo da paz e tudo. Mesmo assim, não agradou muito a galera, que estava lá era para ver o Black Eyed Peas.

 

Os Mutantes também se apresentaram com um repertório de músicas do novo CD e das antigas. Uma das cordas da guitarra de Sérgio Dias estourou logo no começo e – provavelmente por não haver outra guitarra – o líder do grupo teve que trocar na hora mesmo. Foi engraçado, principalmente porque ele não conseguia enxergar direito e teve que pedir ajuda da nova vocalista Bia Mendes.

 

O grupo Black Eyed Peas de fato tem uma presença de palco marcante e que chama todo mundo pra dançar. Muita gente cantando as músicas e Fergie até deu uma palhinha de seu trabalho solo. Não me emocionou, mas emocionou muita gente por lá.

 

Pra fechar a noite, duas horas e meia de show com Dave Mattews Band. Com um set focado no último álbum do grupo, deixou de lado os grandes sucessos como “Crash Into Me” e “#41”. Dave Mattews estava bem animado, brincou com a platéia o tempo todo e dançou bastante. A mulherada foi ao delírio.

 

No último dia, a nova banda de Jack White, The Dead Weather, subiu ao palco com um público bem curioso para vê-lo, sem muito se importar com a sua música. A banda tem uma pegada mais pesada, mas que não botou muita gente pra pular.

 

Logo em seguida, foi a vez do Modest Mouse subir no palco principal. Mesmo com um set que não incluía a famosa “Float On”, a banda conseguiu agradar aos ouvidos dos que estavam por lá.

 

M.I.A. também cantou neste mesmo palco. Foi o show que eu mais vi gente de tribos diferentes. Havia muita gente simplesmente a fim de dançar e se divertir, apesar de o show não ter sido um dos melhores.

 

A Band Of Horses foi outra grande surpresa. Com uma pegada meio country, eles conseguiram agradar e segurar o público até o fim do show. Eles até extrapolaram o horário e acataram aos pedidos de “mais uma música”.

 

Para fechar o festival de uma maneira bem triste, ao invés de termos os Beastie Boys – por conta do câncer de garganta do vocalista Adam Yauch –, o Tenacious D subiu ao palco. Jack Black é bem engraçado, mas a decepção de não ouvir o trio, me fez ir embora mais cedo.

 

Finalmente São Francisco tem um evento tão grande e tão importante quanto outros espalhados pelos Estados Unidos. A cidade ainda tem uma pegada hippie que se pode ver pelas diversas camisetas em tie-dye que puderam ser vistas.

 

Muita gente com criança e com lençóis para esticar no gramado e ver o show bem sossegado. Havia também os que decidiram levar cadeiras dobráveis para um pouco mais de conforto. Tudo muito agradável e sem o empurra-empurra dos shows aqui no Brasil. Outside Lands 2009 vai deixar saudade.

 

 

Texto: Deise de Oliveira
Fotos: Deise de Oliveira e Jacqueline Conrado





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