Anuncie | Publicidade


Arquivo de Shows  

Primal Fear mostra por que é uma das maiores bandas de metal do mundo em Nova York

2009-10-01 18:21:00.0

imprimir

12/09/2009 – Nova York – Blender Theater at Gramercy

 

 

Os primeiros a tocar foram o Martyrd (não confundir com Martyr nem com Martyred – sim, a criatividade está em falta há muito tempo no metal), uma banda recente, o que fica aparente pela pouca idade de seus membros. O som deles tenta reviver o thrash metal clássico, só que o mais puxado para as bandas mais técnicas, como Testament e Megadeth. Ou seja, nada de novo, mas pelo menos foge do lixo atual. No que diz respeito à performance, parecia que eles estavam na garagem de casa ensaiando. Entretanto, se por um lado o show não foi aquela coisa profissional, por outro não foi ruim, porque eles conseguiram levar este espírito de naturalidade ao palco, e quando sentimos que a banda está se divertindo acabamos nos divertindo também. Músicas como “Blue & Black”, “Harvest” e “Pressure”, do CD “Maniac”, deixaram a pequena galera que estava agrupada na frente feliz e isto é o que importa. Kevin, o vocalista de origem indiana, tem uma voz que não agradará a todos (como eu), mas compensa sendo um sujeito muito carismático e fala com o público como se fossem velhos amigos. Antes da música “Casualties” ele disse: "Esta eu dedico às mulheres aqui presentes. Sim, vocês quatro!". Depois, mudou: "Ok, para todos os caras gordos e suados também". Aí corrigiu: "Não, agora ficou mal. Para as garotas também". Uma figura. Parece que estão sendo notados, uma vez que já abriram para Sonata Arctica, The Misfits, Testament, Overkill e Yngwie Malmsteen.

 

A segunda banda, Arctic Flame, foi exatamente o oposto da primeira. Os caras entraram com pinta de profissionais, tinham até um monstrinho de fundo à la Eddie, do Iron Maiden no início de carreira, que soltava fumaça e tudo (o tal monstrinho é o mascote e também habita as capas e artes da banda). Só que na tentativa de serem muito profissionais, acabaram sendo amadores. Em primeiro lugar, cada um tem um visual totalmente diferente, parecendo serem pessoas de bandas diferentes. Os únicos que combinavam com o som e entre si (tirando o baterista, Mike Paradine, que estava escondido atrás da bateria) eram o vocalista Dave Lowe e o guitarrista John Blicharz (Annunaki, Bloodfeast), emprestado, porque o original, Rod Mariani, está ausente por problemas familiares. O outro guitarrista, Sebastian Garcia, tinha uma aparência tão poser que parecia que estava gravando o comercial do perfume francês Chanel #5. E o baixista, Jon Norberg, era tão jovenzinho que de tão cheio de energia descia do palco o tempo todo pra tocar no gargarejo e dava cervejas para o público o tempo todo (muito provavelmente porque não tinha idade suficiente para bebê-las). Esta disparidade visual, somada ao fato de serem duros no palco e saírem do tempo algumas vezes, fizeram com que um som e uma musicalidade superiores (comparados aos da primeira banda) não fossem tão aproveitados. O som deles é metal melódico (um bom aquecimento para o Primal Fear), puxando forte nas influências da NWOBHM (só que deixando bastante a desejar, na minha opinião, o que não é muito difícil) e dividiram bem o set entre músicas do primeiro CD (“Primeval Aggressor”), como “Kingdom Of Illusion”, “Steel Angels” e “Battle Of Heaven And Hell”, e do segundo, e mais recente, “Declaration”, como “Desert Moon”, “Hammer Down”, a música-título (esta muito Iron Maiden). Para o tipo de música que tocam a banda deve ter um bom vocalista e Lowe se sai bem nos graves, mas mais ou menos nos agudos; sua performance geral é às vezes boa, às vezes ruinzinha, mas, sendo sincero, creio que ele está no caminho de ser um bom vocalista ao vivo, se dedicar a isto com afinco.

 

Quando entrou o Primal Fear esqueci de imediato tudo o que havia ouvido antes. Claro, a banda principal tem direito a uma melhor qualidade de som, mas a qualidade das músicas, dos músicos, da técnica e das performances estava anos-luz de distância do que havia passado antes naquele mesmo palco. O Primal Fear detonou os pobres coitados e mostrou porque é uma das melhores bandas do metal mundial.

 

A intro é tocada no P.A.’s enquanto a banda entra no palco. Por ela sabemos que a primeira música do show é “Under The Radar”, do excelente último álbum “16.6 (Before The Devil Knows You’re Dead)”. Ralf Scheepers é o último a entrar – e seu som também, uma vez que os vocais estão muito baixos e ele não consegue escutar o retorno (isto fica óbvio quando depois de um tempo ele os arranca das orelhas e joga para o backstage). Tudo é arrumado a tempo e uma gloriosa noite de heavy metal se inicia.

 

“Battalions Of Fate” e “Killbound” abrem espaço para a velocidade da clássica “Nuclear Fire”. Neste ponto o público já está delirando e canta furiosamente o refrão de “Six Times Dead (16.6)”. “Angel In Black” entra rasgando e precede um interessante duelo de guitarras entre Henny Wolter e Magnus Karlsson, que termina com os dois detonando em uníssono.

 

A banda volta completa ao palco e “Sign Of Fear” mostra o lado mais robhalfordiano de Ralf. Logo ele é acompanhado por Pamela Moore (sim, a mesma que canta como Sister Mary em “Operation Mindcrime” 1 e 2, do Queensrÿche) para cantarem juntos a balada “Fighting The Darkness”, considerada a música mais comercial da banda, mas não menos bela por isso.

 

De qualquer forma, "Riding The Eagle" entra com tudo e não deixa pedra sobre pedra. Após a breve introdução fantasmagórica, “Final Embrace” continua o massacre que é completado por um dos maiores hinos contemporâneos do heavy metal: "Metal Is Forever", dedicada pela banda a todos os fãs de metal.

 

O bis foi interessante, uma vez que a banda nem deixou o palco – eles se despediram, e, como viram o pessoal pedindo mais, simplesmente voltaram a tocar. Pegaram cadeiras e tocaram a semi-acústica "Hands Of Time", com os membros da banda se revezando nos vocais. É interessante que a voz de Scheepers é tão poderosa que os outros soam ruins (na verdade, não deixando a desejar em relação aos vocalistas das bandas de abertura). A introdução com teclado trouxe “Seven Seals”, uma vez que já estávamos em “território mais calmo”. Só que a coisa não ficou assim não: a noite foi fechada com “Chainbreaker”, a primeiríssima música que a banda compôs lá atrás, em 1997, e não surpreendentemente bem no estilo do Judas Priest.

 

As únicas coisas lamentáveis deste show foi o set list curto (tocaram menos músicas que no Brasil), devido ao pouco público. Claro, o local não estava vazio, mas estava com metade da sua capacidade; só que para um local daquele tamanho (não muito grande) o Primal Fear merecia casa lotada. Tudo bem, perdeu quem não foi!

 

 

Texto: Micki Mihich
Fotos: Simone Mihich Bueno





Comentários



Comente esta notícia (para participar é necessário ser cadastrado! cadastre-se aqui)


Username*
Senha*
Comentário
Exibir e-mail? Sim Não

RSS