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Arquivo de Shows  

Palco destinado às bandas no Tribaltech vê público se espremendo na grade

2009-08-25 18:18:00.0

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22/08/2009 – Piraquara/PR – Fazenda Heimari

 

 

Meu primeiro Tribaltech foi inesquecível, não apenas sob o ponto de vista musical, mas também social, pois participar de um evento dessa magnitude é simplesmente indescritível.

 

Embora a organização tenha se esmerado em colocar diversas informações e contado com linhas de vans diretas para o festival que ocorreu em Piraquara (distante cerca de uns 20 km aproximadamente de Curitiba), na estrada foi bem difícil encontrar a entrada para o festival, e quem foi de carro se atrapalhou um pouco, mas nada que prejudicasse.

 

Com filas rápidas, uma organização poucas vezes vista antes (esse festival deve ter sido o de número 50 ou 60 que eu já participei, falando em festivais em geral), a credencial saiu em poucos segundos, impressa pelo guichê eletrônico. E a rapidez e organização não foram de longe o que mais me chamou a atenção.

 

Eram pelo menos uns três palcos secundários, um campo lindo e gramado (exceto pela lama, mas que não estava presente em todo o local) e uma área de mais ou menos uns 25 mil metros quadrados (segundo um dos organizadores presentes no palco coberto por este veículo), um palco central, dezenas de banheiros químicos, muito álcool em gel próximo aos banheiros (em tempo de gripe A, o evento foi nota dez em limpeza), mas com preços bem salgados no que se referia a bebida e alimentação.
Mesmo com a rapidez na entrada, por conta das inúmeras voltas, perdemos os primeiros shows do palco Organic Beat, pela ordem: Karina Buhr, Tamborim e GEM. Com pouco público no espaço destinado às bandas que iam ainda passar pelo local, não chegava a uma centena quando B Negão e os Seletores de Freqüência entraram no palco.

 

Com um frio de cerca de 12 graus, o sopro do trompete chamou a atenção de quem não estava na tenda e logo os curiosos e fãs foram se agregando. A turba crescia e as coisas iam esquentando na mesma medida. Sob os últimos raios de sol escondidos sob as pesadas nuvens cinzas de agosto, entrava o carioca B Negão e o recado começava a ser dado. Mal a segunda canção era cantada, e B Negão já arregimentava dezenas de pessoas e a tenda tinha a cara de show, um ótimo publico se divertindo e músicas na medida; o vazio anterior agora era digno de um baile funk carioca, mesclado a um terreiro de rap, praça  dub, era tudo isso com o rock, a ironia e a picardia de B Negão. Com “Funk Até o Caroço” conquistava de vez os mais céticos e levava a transgressão ao festival eletrônico. Puro deleite da turma que a essa altura se espremia em frente ao palco. Após mais de uma hora e meia de show, a apresentação se encerrava com canções mais conhecidas e também a clássica “Dança do Patinho”, uma mordaz e inteligente crítica ao momento atual da política brasileira. Show para entrar na história!

 

Com o público devidamente esquentado, era a hora do Cordel do Fogo Encantado continuar a incendiar no palco Organic Beat, tarefa mais que grata para uma das bandas mais virulentas no palco. Com uma fumaça azulada e outro sopro de trompete (o sopro está pegando entre as bandas), a noite entrava de vez em Piraquara e o CDFE começava seu já tradicional xamanismo comandado por Lirinha, o vocalista, poeta e compositor da banda. Não é exagero afirmar que depois de assistir a um show da banda as coisas mudam de perspectiva. Se as músicas, em sua grande maioria, não eram inéditas, a banda brindou os presentes com pequenas amostras do que virá a ser seu quarto disco, ainda sem nome, como na canção “Trabalhador Brasileiro”, uma bela amostra do que vem por aí. A novidade também vem com o naipe de metal acrescido nesse show, arrebatando de vez os fãs, público e qualquer um que por ali passasse. O som do Cordel entupiu a tenda. Lirinha é o Antonio Conselheiro do século XXI, em busca de novas conquistas sonoras, amparado por seus asseclas de banda. É algo inteiramente perturbador, até mesmo ouvir uma singela poesia ser declamada, uma pequena história ser contada, nada é normal em uma apresentação da banda, nunca é igual. Embora as músicas sejam mais que conhecidas, o Cordel ensina, empolga e rouba a cena.

 

Após o caos, a calma. Mesmo antes de começar, o Pedra Branca teve seu início propositalmente adiado (com direito a um bis generoso do Cordel), para continuar com o deleite e sensação de sonho em meio ao verde e músicas, mais transgressão e loucura. Pedra Branca é um rasgo na normalidade sonora, um combo que incluía dançarinos, DJ’s, programações, clarinete, e, pasmem, cítara. O Pedra Branca incorpora generosas doses de lisergia e música instrumental, tudo isso incorporado em um grande telão atrás da banda, onde imagens eram sincronizadas com a música. Uma viagem de proporções acachapantes. Estranho, absurdo, e completamente envolvente, talvez seja a única explicação para o que o Pedra Branca causou em todos, em especial nesse pequeno aprendiz. Vale a pena deixar a tristeza de lado e “viajar” no disco mais louco dos últimos tempos, “Organismo Eletrônico”, lançado pela banda, que consegue condensar em CD o que é um de seus shows.

 

Mal acabava o show da Pedra e ao lado adentrava e já colocava o povo para dançar a poderosa Nação Zumbi, divulgando seu último álbum, “Fome de Tudo”. Com um set list baseado num repertório mais contagiante e menos experimental (talvez devido ao frio), a banda foi outra que incendiou a platéia. Antes amortecido e inebriado pela Pedra Branca, o público agora estava desperto e esfuziante com a Nação e seu maracatu pesando uma tonelada. Só não deu para entender por que os pernambucanos, com pelo menos dois CD’s inteiros de músicas conhecidas, tiveram que cantar “Quando a Maré Encher”, dos conterrâneos da Eddie, a próxima atração, já que a banda ainda labuta na tentativa de conseguir outros hits.

 

Talvez nem o cansaço e nem o frio fossem capaz de tirar o público dali, e muita, mas muita gente ficou e presenciou um bom show da Eddie, que veio mostrar seu “Carnaval no Inferno”. O CD novo foi bem recebido. A bela bateria ora cadenciada, ora sincopada de Kiko, seu irmão Rob no baixo, a voz sempre marcante de Fabio Trummer na guitarra, Urêa na percussão e Andret no metal, são a garantia de um belo e correto show. Mas na metade do jogo o Eddie soa quase idêntico às primeiras músicas apresentadas e deixa faltar um pouco de agressividade e inovação. Não quero ser mal interpretado, pois acompanho a banda há bastante tempo, mas no que eu pude sentir, ao contrário de seus conterrâneos, a Eddie faz um som muito bacana, mas talvez sem a devida coragem de arriscar e inovar. Não é um erro manter-se fiel às origens, sendo assim foi um belo show, que também trouxe, além de canções novas, a arrasa quarteirão “Quando a Maré Encher”.

 

E para quem pensou que havia acabado, passavam das duas da manhã quando a prata da casa Copacabana Club subiu e daria por encerrado os trabalhos no espaço, tenda ou palco Organic Beat, entendam como quiserem. Mas depois de uma maratona de mais de nove horas de música, a Copacabana Club cumpriu com louvor o fato de ter que encerrar uma noite bela. Com bem menos gente presente, a banda entrou com o pé no acelerador e engatou todas as marchas possíveis. Ainda é uma banda que vai dar muito o que falar. Já está, aliás, ocupando espaços importantes, mas a platéia acostumada a tanta informação contínua, gostou, mas não se empolgou a ponto de ir para a frente do palco e “se jogar”, como se costuma dizer. Foi uma pena, pois o Copacabana é uma daquelas bandas que tem todas as ferramentas para chegar longe, ocupar o coração dos modernos e começar a se preparar para engatar uma carreira internacional, pois não falta tesão, atitude e entrega no palco.

 

E assim, sem ver algumas atrações, vendo muitas outras, um corpo cansado foi se arrastando para a saída. Sem ter visto as atrações e medalhões da música eletrônica, este que vos escreve, amparado pela bela fotógrafa, se despediu do Tribaltech, esperando pelo próximo, com tanta diversidade quanto teve nesse.
Aproveito para agradecer à bela produção do evento, à assessoria de imprensa e às bandas.

 

 

Texto: Luciano “Carioca” Vitor
Fotos: AK Miranda





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