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Atração de abertura, Adam Green faz valer o preço do ingresso para o Little Joy em 20 minutos

2009-08-19 16:34:00.0

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15/08/2009 – São Paulo – Via Funchal
 

 

Aconteceu na última semana, no Via Funchal, em São Paulo, o show do Little Joy, aquela bandinha de brincadeira que reúne o melhor do Los Hermanos (ficar longe do Camelo fez bem para o Amarante) e dos Strokes. Showzinho agradável, que você assiste tranqüilo, tomando uma cerveja, sem dar muita importância. Este não durou apenas 20 minutos e nem paguei os R$ 100,00 por isso. Portanto, não é sobre o Little Joy que falarei.

 

O que valeu mesmo o preço foi a abertura de Adam Green. Aqui ele é mais conhecido como o cara que criou junto com aquela outra mina a música que o Michael Cera e a Ellen Page cantam no final do filme Juno. E se sua banda antiga, o Moldy Peaches, já era muito mais que essa música, ele também é.

 

Sua entrada no Via Funchal, com danças esquisitas e maquiagem pesada nos olhos, lembra Iggy Pop novinho, no começo de carreira. Sua voz forte, de barítono, que vai do grave a gritos agudos, também lembra Iggy. Arrancar a roupa, se jogar na plateia, pular o tempo inteiro com uma calça jeans quase justa, lembra quem? Sem falar da origem judaica (Iggy Pop, para quem não sabe, é James Newell Osterberg) – Adam se apresentou com uma espécie de “terço” com estrela de David no pescoço.

 

Mas Adam Green não é cópia de Iggy Pop. Longe disso. Sua banda, o Moldy Peaches, criou o que se rotulou de anti-folk. Trata-se de, basicamente, um folk desconstruído, e certamente foi um dos movimentos mais criativos dos anos 90. Em sua já rica carreira solo, com cinco álbuns lançados, Adam consegue ir além, e misturar cantores de cabaret dos anos 40, com rockabilly dos 50, iê-iê-iê, punk, folk, e tudo em uma roupagem única, com letras espertas e perfomances no palco de tirar o fôlego.

 

Com qualquer banda ou cantor essa mistureba não daria liga, mas com Adam Green dá. Uma pena apenas o desleixo dessa mini-turnê (se é que dá pra chamar assim) do cantor por essas terras. Primeiro, porque veio sem sua banda de apoio – tocou com o Dead Trees (a outra banda de abertura da noite), de improviso. Entrou antes do horário marcado, e as luzes da plateia não foram nem completamente apagadas. No set list – se é que também dá para chamar assim, poucas pérolas: “Emily”, “Nat King Cole”, “Friends Of Mine”, “Tropical Island”, uma música que ele tocou na guitarra sozinho que não consegui identificar (acho que nem ele), “Jessica”, “Dance With Me”, “Morning After Midnight”, “Baby´s Gonna Die Tonight”...

 

E com tudo isso, dá para se dizer que quem esteve no Via Funchal presenciou um show histórico. Sim, valeu os R$ 100,00 por vinte minutos, mas, como ele anunciou que volta em janeiro, que toque por duas horas e, quem sabe, por um preço ainda mais em conta.

 

 

Texto e fotos: Daniel Waismann





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