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Festival PIB começa com viagens para todos os gostos
2009-07-14 03:44:00.0
08/07/2009 – São Paulo – CB Bar
A segunda edição do festival PIB (Produto Instrumental Bruto) começou na quarta, véspera de feriado. O evento é dividido em temas baseados nos quatro elementos da natureza. O primeiro dia foi reservado aos Aéreos, “mais psicodélicos, mais viajados”, como bem definiu Inti, a idealizadora do projeto, em sua abertura. E as viagens promovidas pelas bandas selecionadas para essa edição agradavam tanto aos apreciadores de gêneros mais clássicos quanto os entusiastas de novidades.
Após um coquetel de confraternização, subiu ao palco o Aerotrio, de Campina Grande/PB. A banda – um trio, obviamente – é formada por um tecladista, um baixista e um baterista, que chamam a atenção pelo talento com que tocam cada um seu instrumento. O jazz do Aerotrio cativa pelo contraste entre os fraseados de teclado, mais agudos, e as ótimas linhas de baixo, bem graves, além da bateria bem quebrada. Por falar em bateria, o baterista da banda, num dos poucos momentos ao microfone, falou que estava acostumado a climas bem mais quentes do que o que estava fazendo na capital paulista, o que lhe deixava as mãos dormentes, e ainda brincou, dizendo que estava fazendo um “Aerofrio”. Além das qualidades do som do Aerotrio já descritas aqui, a música da banda ainda surpreende com desconstruções rítmicas e alternâncias de andamento. Show bacana, que deu pra esquentar legal o público.
A segunda atração da noite, o Tigre Dente de Sabre, de Bragança/SP, não mostrou similaridades em relação à banda que tinha acabado de se apresentar, a não ser pelo fato de também ser instrumental. Do jazz, o festival de repente deu um salto para algo como uma rave. Não, o Tigre Dente de Sabre não é uma banda de música eletrônica. As músicas até têm umas bases eletrônicas, disparadas por um laptop, mas elas servem apenas para contextualizar o que o trio, com formato bem tradicional (guitarra, baixo e bateria) faz no palco. A música da banda tem cara de eletrônica, mas soa como rock; é isso. As bases programadas dão um sabor dançante extra. O mesmo faz um efeito de baixo, que o faz soar como um sintetizador bem típico do poperô dos anos 90. O visual, com guitarrista e baixista de óculos escuros e o baterista com uma faixinha na cabeça, foi a cereja do bolo.
A última banda concorrente a se apresentar foi o Malditas Ovelhas!, de São Carlos/SP. Mais uma viagem diferente. O sexteto se reveza entre guitarra, baixo, bateria, instrumentos de percussão, synth, escaleta e mais, resultando numa sonoridade psicodélica com toques de música regional. Se fosse para classificar, arriscaria dizer que a banda faz uma espécie de mangue beat um tanto mais ousada. Não tem como não lembrar o Hurtmold aqui e ali, mas com guitarras menos “cabeçudas”, talvez. As constantes mudanças de instrumentos vão criando sutis variações nas músicas pela maneira característica que cada um tem de tocar, e é curioso acompanhar o trajeto de cada integrante no palco. Acho que apenas o baterista se manteve em seu posto durante toda a apresentação. Ao final do show, quando eu já pensava ter visto toda a sorte de instrumentos, um dos caras ainda sacou um sax soprano, e fez muito bom uso dele, por sinal.
Chegava então a hora de votar. Cada pessoa presente recebia na porta uma cédula com o nome das três concorrentes e tinha agora que fazer um picote ou uma marca com caneta na sua favorita. Enquanto os votos iam sendo apurados, apresentava-se a banda madrinha dos Aéreos, que venceu a primeira edição do PIB nesse tema. A banda paulistana Labirinto estarreceu o público com uma avalanche sonora progressiva. Já tinha ficado muito claro para mim que a banda faria uma puta barulheira quando contei três guitarristas em cima do palco. Por um breve momento até pensei ter contado errado ou que tinha abusado demais no coquetel, mas não; eram três mesmo. Mas o barulho que a banda faz é difícil de se imaginar e bem difícil de descrever também. E não é só barulho, é claro. O Labirinto sabe equilibrar muito bem momentos de calmaria e de fúria. Encerramento perfeito para esse ótimo dia de abertura do PIB.
Após a apresentação do Labirinto, foi anunciada a banda vencedora, que levou para casa o troféu, um prêmio de incentivo em equipamentos, e garantiu uma vaga na próxima edição do evento: Tigre Dente de Sabre.
O PIB continua hoje com o tema Aquáticos, com as bandas concorrentes Retrofoguetes, Reverba Trio e The Violentures, além da banda madrinha Gasolines. Os shows do PIB no CB Bar vão até sábado. No domingo ainda rola um dia de atividades extras na Casa das Caldeiras, com oficinas, debates e feira cultural, de graça e para todas as idades.
Texto: Bruno Palma
Fotos: Livia Buchele
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