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THE XX - xx
Nota: 8
Em seu primeiro disco, o The XX apresenta uma sonoridade suave, doce, bucólica e algo melancólica às vezes. Melodias oníricas, engendradas por guitarras esparsas e de frases econômicas (sem muitos solos ou distorções) projetam luzes, sombras e ambiências contemplativas em quem ouve o disco. Os vocais masculino e feminino, divididos entre Romy Croft e Baria Qureshi, são invariavelmente dolentes - sussurrados muitas vezes. É como se, ao ouvir as canções, você se sentisse em Londres em algum momento do final dos anos 80, início dos 90, e caminhasse por ruas escuras e gélidas de madrugada, de capotão preto, tomando doses de whisky barato e pensando que o tempo poderia parar naquele instante e nunca mais avançar, tal como Dorian Gray almejava a eterna juventude enquanto sua imagem em uma tela, conspurcada pela degradação moral, definhava. 11 músicas, 11 momentos de plena satisfação. Da faixa instrumental que abre o álbum, passando pela dolência de “Islands”, pelos eflúvios de Portishead em “Fantasy” (com seus vocais estranhos, processados em eco), pelas timbragens pós-punk de “Shelter”, e até chegar às sombrias emanações oitentistas de “Basic Space” e “Infinity”, o disco de estreia do quarteto (que ainda é completado por Oliver Sim e Jamie Smith) mostra que o XX resgata com prazer e perfeição a musicalidade de um tempo em que o rock inglês tornava nossa existência menos dolorosa. (Humberto Finatti)

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