Dynamite

Sobre Brett Anderson, magos pop e tals (atualizado em 25/8/2008)

Adicionar comentários

E continua a batalha pela normalização do blogão zapper, né? Enquanto isso não acontece totalmente, vamos postando uns textinhos aqui, no último post publicado antes da "invasão". Post este que será atualizado a todo momento até que o blog volte a funcionar normalmente e a todo vapor.

Pois então: o charmoso, estiloso e pintoso Brett Anderson, o homem que um dia cantou à frente do Suede, lançou um fodaço segundo álbum solo - quer dizer, "Wilderness" já está na rede dando sopa há mais de mês, mas seu lançamento, hã, "físico" será agora, em 1 de setembro. O disco é tão lindo e triste que leva qualquer um às lágrimas: só pianos, alguns violões e violinos ocasionais e Anderson cantando baladas melancólicas como nunca. Numa fase em que o autor destas linhas zappers anda mergulhado em crises existenciais de todo tipo, não há trilha sonora melhor.

Daqui a pouco a gente fala melhor do disco e também de alguns outros assuntos, como o festival Varadouro 2008 (que está com uma programação de shows também fodona, sendo que Zap'n'roll vai, mais uma vez, lá pro distante Acre pra acompanhar tudo beeeem de perto), mais Bloc Party, Dandy Warhols, os cinco anos da Zap'n'roll, mais infos que ainda serão aproveitadas aqui do post que não foi ao ar quando o blog começou a enfrentar problemas.

Até já!

(enviado e atualizado por Finatti em 25/08/2008, às 0:20hs.) 

--------------------

* Entonces, quase um mês já sem postar, né??? E vocês podem acreditar no maloqui bloggi aqui: ele está com uma saudade danada de vocês todos! Mas o foda é que isso enfrentou problemas sérios – e continua enfrentando. O portal Dynamite é um dos mais acessados do Brasil, na praia do rock alternativo e da cultura pop. E Zap’n’roll é um dos três blogs também mais acessados do país, no divertido e pantanoso terreno do rock alternativo e da cultura pop (os outros dois, claaaaaro, são o nosso mui amado Popload, publicado no iG, e o Ilustrada no Pop, que "embeleza" a Folha online). Tamanha exposição, óbvio, traz suas glórias e também suas encrencas: nos últimos meses aconteceram nada menos do que oito (!!!) ataques de hackers ao site. Coisa de gente que não tem o que fazer, que tem inveja de quem faz algo e por aí vaí. Nos últimos ataques, constatou-se que a parte vulnerável do portal (por onde os "invasores" estavam atacando) era justamente o sistema de blogs – por isso, ele foi desativado temporariamente.

Mas parece que agora, finalmente, as coisas irão voltar ao normal. Segundo o nosso webmaster Daniel (que não tem medido esforços para resolver o problema), se tudo der certo, até o final desta semana vocês já poderão se deliciar com a volta definitiva de Zap’n’roll. Tá precisando né? E, afinal, um pouqinho mais de paciência não irá fazer mal a ninguém. Pois se até dear Luscious andou enfrentando "problemas técnicos" no iG, por que a gente não pode enfrentar também?

Colaê até sexta que a Zap deve voltar com o noticiário quente de hábito, mais prêmios, promoções, o diabo. Enquanto isso, o blogueiro doidão e saudosista vai curtindo a madrugada vendo o MTV Lab clássicos, com Beck ("Devi1’s Haircut"), Nirvana ("In Bloom") e Gargabe ("Only Happy When It Rains", óbvio. Ah, a bocetuda, louca, junkie e estilosa Shirley Manson, a garota que era o modelo de mulher do querido "tio" Pomba, e razão de muitas punhetas tocadas pelo sujeito aqui nos idos de 1995, quando ele dançava à toda chapado de álcool e padê na pista do Retrô da Fortunado, ouvindo o quarteto americano). E aquecendo os dedos pra sentar a mão no teclado a partir desta quinta-feira.

Até já!

* E assim que o blog voltar ao normal, iremos colocar o texto integral do último post, que era pra ter entrado aqui quando começaram os problemas técnicos do site. Apenas pro nosso dileto leitorado se situar sobre o que iríamos comentar na época, há umas três semanas.

* E, na boa, não deu pra resistir a esta observação: não deixa de ser engraçado vermos no moderníssimo blog Popload, um banner com propaganda do... Dire Straits! Uia!

(enviado por Finatti em 20/08/2008, às 4hs.)

-------------------- 

* Yep, as coisas estão quaaaase voltando ao normal por aqui. Descontando-se o fato de que o blogger maloqui quase quebrou seu pé direito no último sábado, enquanto discotecava no clube Outs, em Sampa (o que obrigou novamente a, hã, paralisação dos trabalhos de atualização do ultimo post, que acabou ficando apenas naquilo lá mesmo), o resto está pela ordem, obrigado. Assim, vamos nelson, já em novo post, para animar a quinta-feira de nosso dileto leitorado zapper.

* O "acidente" sofrido pelo blogueiro doidão foi bizarro. Zap’n’roll discotecando à toda na cabine, às três da matina. A pista cheia e fervendo, ao som de Arctic Monkeys, Dandy Warhols, MGMT, Klaxons (que o blog, na boa, acha uma merda, mas fazer o quê, quando se discoteca em uma casa noturna você não pode se pautar pelo seu gosto pessoal, tem que tocar novidades, ainda que algumas delas meia-boca, para a molecada saber o que tá pegando no circuito pop/rock alternativo), Strokes, Franz Ferdinand, The Kooks e muitos etcs. O dj, já com a cuca bastante dopada de vodka com energético, botou uma música mais longa pra tocar e resolveu ir até o bar da pista pegar mais uma breja. Ele estava com sua indefectível bota de couro, de salto. O degrau da cabine de djs da Outs é meio altinho, em relação ao nível da pista de dança. Não deu outra: ao "aterrizar" na pista, o pé direito deu uma torção homérica que obrigou este blogueiro rocker a parar no PS, no domingo à noite. E aí... injeção de antibiótico na veia e uma semana de repouso, sem por o pé no chão. Tudo bem, já estamos no quarto dia pós acidente. Faltam só mais três. No finde, já estaremos na putaria noturna novamente, tomara! E sai pra lá, vodu!

* E o post anterior, mesmo não tendo sido concluído, bateu recorde de mensagens até agora, desde que estas linhas zappers se transformaram em blog. Vinte e quatro comentários debatem, criticam, xingam ou defendem o que é publicado aqui, hihi. Zap’n’roll se diverte muito lendo tudo aquilo. E ri muito também com quem acha que o autor deste espaço rocker está por trás dos posts enviados pelo leitor Fábio Sousa (que existe, frequenta o circuito indie da rua Augusta, e se tornou um querido amigo do autor deste blog). No mais, estas linhas zappers são amigas do jornalista Dum DeLucca (autor da Jukebox), e jamais cometeriam a deselegância ou o despautério de atacar verbalmente o colega de site, utilizando para isso o expediente de postar mensagem aqui no blog em nome de um leitor fake. Isso é delírio da turma que quer ver sempre o circo pegar fogo por aqui.

* Ah sim, para esclarecer ao também querido Marco Txuca, um dos leitores inclusive que o blog Zap mais considera: estas linhas rockers online não apenas conhecem bem o grupo Golpe De Estado, como são amigas pessoais de seus integrantes há séculos. Zap’n’roll já participou de baladas históricas ao lado dos caras (neeeé, Nelson Britto?) e – surprise! – considera os primeiros discos do grupo (os gravados pelo selo Baratos Afins e com o Catalau nos vocais) muito bons, instrumentalmente falando (nas letras, nem tanto).

--------------------

* OBAMA É POP! – E como! O já mundialmente notório candidato democrata à eleição presidencial deste ano nos Estados Unidos, Barack Obama, está aí, na ordem do dia. Capa da última edição da Rolling Stone brasileira (em ótima entrevista traduzida da matriz da publicação, sendo que a matéria foi conduzida pelo publisher da RS em pessoa, mr. Jann Wenner), o senador de 46 anos de idade também acabou de fazer comício/palestra em Berlim, na Alemanha, para 200 mil pessoas. Isso mesmo, você não leu errado: Obama falou para esse povaréu todo em Berlim, onde não é candidato a nada. Fica muito claro que, após a desastrosa era Bush na presidência americana (um reinado horrendo de oito anos), onde o país mais poderoso do planeta colecionou sentimentos de ódio e repulsa em escala mundial à sua política externa agressiva que, em nome de combater o terrorismo, invadiu países e passou por cima dos conceitos mais elementares de democracia, agora os EUA possuem a chance de se redimir e colocar na Casa Branca um presidente moderno, jovem, liberal e avançado em termos de ideário político. Obama é inteligente, articulado, negro (e se for eleito, será o primeiro presidente negro daquele que foi, um dia, um dos países mais racistas do mundo), fã de música pop e rock. Na entrevista à RS, deixa claro seu amor e admiração por Bob Dylan e Bruce Springsteen (que já declararam que irão votar nele), por Stevie Wonder e Rolling Stones. Ou seja, ele é o cara e, se morasse lá, Zap’n’roll votaria no sujeito. Aliás, por que tocamos nesse assunto aqui no blog? Ora, porque política também é algo pop, sempre.

Jovem, negro, fã de rock, liberal: será ele o futuro presidente dos EUA? 

--------------------

* Mas moramos (e nascemos) aqui mesmo, nesse velho e bom – e tantas vezes maltratado – Brasil. Aqui também teremos eleição este ano, para prefeito e vereadores. O autor deste blog respeita totalmente as convicções e preferências políticas de todo mundo. Por isso mesmo, não tem pudor algum em declarar publicamente seu voto em Marta Suplicy, em Sampa (e adoraria que ela tivesse na sua chapa, como vice, a Soninha), além de torcer pela vitória de Fernando Gabeira no Rio (fora Crivella!). Claaaaaaaro, o amado "tio" André Pomba (publisher deste portal), tucano histórico e fanático, já está envolvido até seu pescoço na campanha de Geraldo Alckmin, por quem estas linhas rocker virtuais até possui simpatia, mas não ao ponto de querer vê-lo na cadeira de prefeito. Marta, em que pese seus erros e deslizes, fez muito por São Paulo, criou a porra do bilhete único (que o Kassab, agora espertamente e em ato explicitamente eleitoreiro, ampliou o período de utilização para três horas) e merece voltar a comandar a maior cidade do país. Quem for liberal de pensamento e comportamento, leitor deste blog e fã da mãe do boa praça Supla, que aceite o convite: vote nela!

* Voltando à música, a semana vai ser agitada no circuito rocker paulistano e lá em Brasília também. Aqui em Sampalândia, o trio inglês Muse começa sua primeira gig pelo país nesta quinta-feira (ou seja, hoje), no HSBC Brasil – e se o pezinho do blogueiro já estiver em ordem, ele vai lá conferir, claaaaaro. Depois, o Muse segue pra capital do país, onde irá tocar no já tradicional festival Porão do Rock (e sobre o qual o blog fala mais logo mais abaixo). Ainda aqui em Sampa vai ter também show dos veteranos e queridos Pullovers, no StudioSP, além do Cérebro Eletrônico, que também vai dar as caras lá na rua Augusta. Mas isso você confere mais detalhadamente lá embaixo, nas indicações de baladas do blog.

* Frase da semana: "O rock’n’roll não tem nada a ver com cheirar pó e usar calças de couro. Isso não é rebeldia. Rebeldia é seguir o que você acredita e não ligar para o que os outros dizem". (Chris Martin, vocalista do Coldplay, na ótima entrevista dada por ele à última edição da Rolling Stone brasileira)

* Cotação pop da semana: o Big Mac brazuca é o sétimo mais caro do mundo. Uia! E você ainda perde tempo indo ao McDonald’s???

--------------------

REM EM POA: VERDADE OU BLEFE?

No embalo do agitadíssimo segundo semestre que se anuncia no país, em termos de festivais e shows gringos, já circula há dias em sites e blogs pop que uma rádio gaúcha anunciou, semana passada, que o fantástico trio americano REM tem um show acertado para o dia 6 de novembro, em Porto Alegre, em um tal estádio São José, onde cabem vinte mil pessoas. O REM dispensa apresentações: o grupo liderado pelo amado vocalista Michael Stipe é uma das cinco bandas da vida do autor deste blog e não apenas Zap’n’roll mas milhares de fãs brasileiros aguardam com ansiedade a volta deles ao Brasil – onde tocaram uma única vez, no dia 13 de janeiro de 2001, na terceira edição do festival Rock In Rio.

Mas essa história da volta do REM ao Brasil ainda está muuuito nebulosa. No site oficial da banda, a última data que consta na tour 2008 (a que promove o álbum "Accelerate") é 18 de novembro, quando o conjunto tem um show agendado na Cidade do México – o que pode até ser um bom indício, pois indica que eles estaria cumprindo a "etapa" latino-americana da turnê. Sim, há também a já célebre história do recente concerto realizado na Alemanha e onde, ao ver uma bandeira brasileira tremulando no meio do público, Stipe disse alto e bom som: "pode avisar aos brasileiros que nós estaremos por lá no final deste ano!".

O que intriga estas linhas rockers virtuais, no entanto, é que nenhuma grande produtora de shows brasileira (como a Time 4 Fun ou a Mondo), até o momento, deu qualquer sinal no sentido de estar armando uma gig do REM por aqui. E além disso os gaúchos têm-se especializado, nos últimos tempos, em "anunciar" atrações gringas de peso em Porto Alegre, em shows que acabam não acontecendo. Foi assim, por exemplo, com o Cure, que iria "tocar" na capital gaúcha em abril deste ano e até hoje...

De qualquer forma, a expectativa é enorme. E se o show se confirmar mesmo, é obvio que o REM também irá tocar em São Paulo e mais alguma capital. Com show anunciado para 6 de novembro em Porto Alegre (uma quinta-feira), de repente seria plausível um segundo concerto do grupo, por exemplo, no dia 8, sábado, em Sampalândia. REM no festival Planeta Terra (que já tem Jesus & Mary Chain, Kaiser Chiefs e Bloc Party)? Será? Será???

* E EM 2001, NO ROCK IN RIO... – Daria quase pra fazer um diário sentimental aqui, sobre a importância que o REM teve e continua tendo na vida deste jornalista quarentão e agora blogueiro. Banda formada em Athens, na Georgia, em 1980, pelos colegas de faculdade Michael Stipe, Mike Mills, Peter Buck e Bill Berry, o REM se tornou um dos heróis do college rock americano dos anos 80’ e, na sequência, um dos maiores e mais respeitados nomes de todo o rock planetário, graças às ótimas letras escritas por Stipe, e ao poderoso instrumental engendrado pelos outros músicos, que combinaram com maestria absoluta nuances de rock’n’roll, country e folk com acelerações e minimalismo punk. Isso resultou em discos fenomenais, como a estréia com "Murmur", em 1983 (antes, em 1981, eles tinham lançado um primeiro EP, chamado "Chronic Town"), ou ainda "Fables Of The Reconstrution" (de 1985 e o primeiro a ser lançado no Brasil, no mesmo ano em que foi editado lá fora), "Document" (de 1987), "Green" (lançado em 1988), "Out Of Time" (de 1991) ou "Automatic For The People" (a obra-prima de 1992, que continha "Drive", "Everybody Hurts" e "Man On The Moon"). Ao longo de sua existência rocker e jornalística, Zap’n’roll foi vivendo amores, aventuras e desencontros amorosos e existenciais ao som do REM. E planejou muitas vezes viajar pro exterior pra assistir a um concerto da banda, já que ela não dava sinais de que iria tocar no Brasil. Até que, no final de 2000, tudo mudou: a terceira edição do Rock In Rio havia sido anunciada e nela, finalmente, estaria o REM, em show único. O autor destas linhas zappers, então escrevendo para a extinta revista da rádio Transamérica, não teve dificuldades em descolar um par de credenciais para ir ao festival, acompanhado do xoxotão animal que ele namorava na época, a deusa Vanessa, uma arquiteta campineira louca por ácido e marijuana (ela fumava pelo menos quatro baseados por dia, todos os dias). Vanessa era assim: louca, inteligente, cabelon enorme, gostosa pra caralho e fodia horrores, de todas as formas possíveis. Como também era fã de caras esquisitos e tortos (por isso dizia gostar do maloqui aqui) e adorava rock’n’roll, se mandou pro Rio junto ao namorado jornalista, num bate-volta maluco que durou o tempo necessário pra chegar à cidade do rock (em Jacarepaguá), assistir aos shows e voltar pra Sampalândia. Zap’n’roll nunca vai esquecer: era aniversário de Dave Grohl, dos Foo Fighters, e ele comemorou no palco, sendo que o show foi sensacional. No intervalo entre FF e REM, o zapper doidão já estava sem voz, de tanto que havia berrado no show anterior. Vanessa, a gostosa (vestindo uma mini-saia tesuda, que deixava seu belo par de coxas morenas beeeem à mostra), partiu pro ataque: enfiou metade de uma "bicicleta" na goela do namorado e também acendeu uma "bomba" de cannabis, para ambos degustarem. Não deu outra: na metade do show do REM a coisa começou a "bater" e a blusa vermelha de Michael Stipe, mostrada no enooooorme telão, estourava com tudo nos olhos de Zap’n’roll. Fora o gigantesco cone da America Online (que era a principal patrocinadora do festival e depois acabou falindo no Brasil), que parecia avançar em direção ao jornalista doidão e chapado de ácido e maconha. Foi um show inesquecível: o set começou com a esporrenta "What’s The Frequency, Kenneth?". Depois, enquanto cantava "Everybody Hurts", Stipe se debruçou sobre o microfone e ficou fitando, por longos segundos, o público de 200 mil pessoas que estava no local. Em "Losing My Religion" todo mundo cantou junto. E o zapper, já completamente alucinado pelos efeitos das músicas, do som, do jogo de luzes e do cérebro turbinado por doce e beck, assistia a tudo com devoção quase religiosa. Tudo isso aconteceu há quase oito anos e as recordações, agora que o REM ameaça voltar ao Brasil, se fazem mais generosas e alentadoras da alma do que nunca. A torcida fica para que Stipe, Buck e Mills voltem mesmo. E se voltarem, o blog estará lá. Não mais junto com Vanessa (que casou, teve filhos etc.). Mas com certeza ao lado das queridas Eliana Martins e Adriana Ribeiro, que amam REM tanto quanto este blogui maloqui, que continuará rocker e nada careta até seu último suspiro.

REM AO VIVO NA GIG 2008

Aí embaixo, um dos muitos grandes momentos da turnê deste ano do trio fantástico:

REM – "Supernatural Superserious", ao vivo na Alemanha, no último dia 15 de julho

--------------------

DOIS DISCOS LEGAIS, DAQUI E DE FORA

"Como te Llama?", o segundo solo do Albert Hammond Jr. (um dos guitarristas dos Strokes) e a estréia em cd do trio paulista Capim Maluco, andam frequentando bastante o sound system do blog nas últimas semanas.

O disco do Stroke guitar dificilmente deverá ser lançado "fisicamente" em edição nacional, o que pouco ou nada significa nestes tempos de internet. Pois então, nestes tempos velozes de mp3 e tals e onde nunca se sabe até quando irá durar o prazo de validade de uma banda (será que o prazo dos Strokes já está vencendo?), Hammond vai cuidando da sua vida fora do quinteto nova-iorquino da melhor maneira possível. Ele não é nenhum gênio das seis cordas e canta, diríamos, de maneira razoável. Mas entrega riffs que colocam seu disco como sendo um compêndio de canções bem mais "indies" do que o seu grupo principal consegue ser atualmente. Há faixas algo estranhas no álbum (como "Bargain Of A Century", que abre o cd) mas também há uma grande "indie song" nele: "GfC", que não faz feio em nenhuma pista alternativa que se preza.

Já o Capim Maluco, trio de Paraguaçu Paulista, integrado por Rafael Laguna (vocais e guitarras), Rodrigo Mazza (baixo) e Gustavo Santos (bateria), tenta a sorte há algum tempo no circuito rock alternativo da capital paulista. Velhos chapas destas linhas zappers, chegaram a lançar um cd artesanal há uns dois anos, que pecava pela falta de qualidade na gravação e mixagem. Mas neste "Flamingo" a situação muda bastante: a qualidade sonora está quase impecável e as canções estão muito mais melódicas e menos esporrentas, ainda que as guitarras de Rafa (que também está cantando melhor) flertem bastante com a agressividade e uma certa "sujeira" indie, que remete em muitos momentos à Sonic Youth e a uma certa psicodelia. Há letras bizarras espalhadas pelo cd e uma das melhores é a da canção "As moscas" ("As moscas transam no seca-louça/Para elas tanto faz/As moscas transam no seca-louça/Para elas qualquer lugar"), que pode se tornar um "hit" alternativo, dado os eflúvios meio psicodélicos que envolvem a melodia. Já em "Fííí" (homenagem "involuntária" a um conhecido jornalista rocker e maloqui de Sampalândia?), o grupo canta "Ohhh Fííí´, pára de cheirar!!!/Eu me sinto estranho/Mas eu quero de novo". Uia! De quebra, tem a participação de Sérgio Serra (do Ultraje A Rigor) na faixa "A revolta do vizinho". Uma boa estréia, enfim, para a banda e para o novo selo que está lançando o disco, o Objeto Sonoro.

Capim Maluco: do interior de SP, guitarras indies em fúria 

* Mais sobre o Capim Maluco? Vai lá: www.capimmaluco.com

* Quer conferir o CM ao vivo? O trio faz show de lançamento do álbum "Flamingo" neste Sábado, dia 2, na festa do site Urbanaque (www.urbanaque.com.br) na Funhouse (rua Bela Cintra, 567, Consolação, região central de São Paulo). Vai lá!

O MOVEIS COLONIAIS PERIGA NÃO DECOLAR

Ninguém discorda de que uma das bandas mais interessantes surgidas nos últimos anos no novo e emergente rock brasileiro é grupo brasiliense (formado por dez integrantes!) Moveis Coloniais de Acaju. Fazendo um ensandecido mix que abarca mpb, rock, pitadas de ska e um quê de Los Hermanos, o MCA enfeixa, em uma única melodia, guitarras e naipe de sopros, tudo com bom gosto e apurado senso melódico e musical. Ao vivo, então, o conjunto cresce horrores, fazendo sempre sets animadíssimos que empolgam com tudo quem está na platéia.

Mas algo periga dar errado na trajetória deles. A bordo de apenas um disco lançado até o momento (o homônimo cd editado já há mais de três anos), o MCA se prepara apenas agora para começar os trabalhos do novo álbum. Estiveram há duas semanas no programa "Altas Horas" (do Serginho Groismann, que continua abrindo um ótimo e bem-vindo espaço para a cena indie brasileira) e deram a boa nova: devem entrar em estúdio em breve para começar a gravar. Só que estão cometendo dois equívocos que, a médio prazo, podem ser fatais para o futuro da banda:

  1. o vocalista André Gonzales está com o salto altíssimo e se achando uma espécie de "deus" do novo rock brasileiro. Nem Helinho Flanders, cantor do Vanguart e que muitos consideram como sendo "arrogante", tem o nariz tão empinado assim;
  2. o novo disco vai ser produzido por Carlos Eduardo Miranda, na opinião do autor deste blog um dos mais notórios escroques do rock independente brasileiro. Superestimado como produtor, considerado por muitos como "gênio", Miranda (figura pela qual este blog não nutre simpatia alguma e não tem pudor em dizer isso publicamente), na verdade, consideraZap'n'roll, não passa de um truqueiro dos mais oportunistas, que se deu bem produzindo alguns discos e tendo de fato uma única e "genial" idéia, a de ter criado o site Trama Virtual. Mas ninguém comenta que foi ele um dos responsáveis pela derrocada do selo Banguela, dos Titãs, na década de 90’, onde foram contratadas dezenas de bandas péssimas, que torraram uma grana preta da gravadora Warner (e dos próprios Titãs), em gravação e promoção, e não deram em absolutamente nada – o único "hit" do selo, todo mundo sabe, foram os Raimundos. Enfim, é nas mãos deste sr. que está a produção do novo disco do MCA...

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos envolvendo a trajetória do grupo brasiliense.

É TEMPO DE FESTIVAIS AQUI E LÁ FORA

Entonces, a temporada de festivais de rock, aqui e na gringa, promete ser agitadíssima agora no segundo semestre. Tudo já começa neste finde, com Lollapalooza nos States e Porão do Rock em Brasília. Aí embaixo, um resumo rápido do que vai rolar de bão nestes eventos, pra quem vai até eles ou só acompanhar de longe, via sites, blogs, tvs, Youtube etc.

* Lollapalooza 2008: a edição deste ano do venerável e lendário festival criado pelo loucaço Perry Farrell (ex-vocalista do inesquecível Jane’s Addiction) acontece neste finde no Grant Park, em Chicago, e entre as zilhões de atrações imperdíveis estão CSS (yep, o "nosso" CSS), Love & Rockets, Wilco, Raconteurs, Bloc Party, Nine Inch Nails, Rage Against The Machine e Radiohead. Todas as infos do Lolla podem ser encontradas em www.lollapalooza.com.

Sim, ele também vai estar no Lollapalooza 2008 

* Porão do Rock 2008: também neste finde, mas em Brasília, o grandão Porão do Rock recebe mais de quarenta grupos de todo o Brasil no estacionamento do estádio Mané Garrincha. E também vai receber atrações gringas, como os ingleses do Muse, sendo que tudo estará sendo acompanhado de perto pelo portal Dynamite, através do texto sempre bacana do Bruninho Palma. Para quem vai estar lá ou para quem não vai, as infos completas sobre a edição deste ano do Porão estão em www.poraodorock.com.br

Os ingleses do Muse: hoje em Sampa, no finde em Brasília 

* Calango: Cuiabá, capital de Mato Grosso, se prepara para sediar mais uma edição do Calango, que é hoje um dos grandes festivais independentes do Brasil. E a edição 2008 sai no capricho, com 44 bandas de todo o país, atrações gringas (como o grupo argentino El Mato A Un Policia Motorizado) e a ousadia bem-vinda de encerrar uma das noites do evento (a de sábado) com dois shows instrumentais, a cargo dos grupos Macaco Bong e Hurtmold. Também estarão em Hell City ótimos nomes da indie scene nacional, como Cérebro Eletrônico, Jumbo Elektro, Filomedusa, MQN, Pata de Elefante, Cascadura,

12 respostas para “Sobre Brett Anderson, magos pop e tals (atualizado em 25/8/2008)”

  1. Marco Txuca Disse:
    Bravo, Sr. Finatti!

    Música com colhão tb é da hora, né? (Ñ tem hora q música indie cansa? Ou nem?). Mas o "Nem Polícia Nem Bandido" é dos 10 maiores discos da minha vida, muito foda!!
  2. Mrlips Disse:
    O show do REM foi o segundo melhor do festival,o primeiro sem duvida foi do gênio das guitarras enlouquecidas de efeitos "sujos" Neil Young.
    Não tive o prazer de assistir o festival in loco, mas pirei coma transmissão ao vivo da Sky.


    E parabéns pelo post...
    ...simplesmente Fodástico!
    È maravilhoso quando vc guarda suas energias para fazer o que sabe melhor: falar de música.
    Desse jeito vou torcer para que voce "torça " ooutro tornozelo.
    hahahahhaa
  3. Hamas Disse:
    Rock de Cabo a Rabo e de Fio a Pavio, o começo do fim : isso significa que a foto de M. Stipe com a cabeça dele tomada de um certo angulo, como esse exemplo que encima o blog Zap"n Roll dessa semana, faz pensar de repente que seria Daniel Belleza e os Corações em Furia. Numa fina ironia , sem querer nem por sombra fazer um trocadilho com o nome do dono da festa, quando ele afirmou que o maior nome do novo rock brasileiro é o Vanguarts, mas isso nem de longe pode ser verdadeiro; exatamente porque o maior nome do novo rock continua sendo Daniel Belleza e outro motivo mais concreto é que o Vanguart é apenas uma experiencia folk no mundo pop, não é mesmo?
    Sem comentarios, a frase da semana é o tipo do trinado que enche as gaiolas das loucas dos roqueiros bonzinhso e quem lança a verve contra o metal, elogia os hard rocks da vida.
    Quem gosta de chama-los de filhos da Martaxa, vai dizer pra votar nas putas, porque nos filhos não dá mais...?
    E aí , vai ser gauche na vida? (hehehehe) ...mofa!!!
    ONDE HOUVER INJUSTIÇA, HAVERÁ RESISTENCIA!!!(AL-JIWAH)
  4. dr. jatene Disse:
    porra, finas, vc tomou antiinflamatório, não antibiótico.

    desde quando o cara torce o pé e toma antibiótico, caralho?
  5. Alexandre Disse:
    Ae, sem querer dar uma de nerdzão chato, mas o REM abriu o show do rock in rio com finest worksong!!! a q vc falou foi a segunda, alias continua até hj sendo sempre a segunda ou a terceira musica dos shows deles...
  6. Jacob Disse:
    Dois pitacos: "Como Te Llama?" é um erro gramatical (deveria ser ou "como te llamas" ou "como se llama"), mas é esse mesmo o título, antes que venham dizer que foi o Finas que errou. Quem errou foi o Hammond Jr. lá. Mas também, quem se importa? Strokes é 2001 demais, coisa de velho.

    Em segundo lugar, eu que não sou muito de concordar com o Finas tenho que admitir que ele falou uma verdade neste texto: o Miranda não só é um dos maiores escroques, como é uma das influências mais nefastas do rock brasileiro. Das duas principais bandas que ele lançou, ajudado pela cumplicidade burra da Bizz, as duas mudaram o paradigma do rock brasileiro para pior. Os Raimundos porque moldaram o rock mainstream na forma de uma música burra, feita por adolescentes burros (de todas as idades) para adolescentes burros (de todas as idades). E o Mundo Livre S/A porque moldou o rock independente na forma de uma choradeira esquerdista de "pobre oprimido do terceiro-mundo", o que se tornou a ideologia subjacente à atividade dos picaretas do rock independente brasileiro, que adoram reclamar dos imperialismos culturais mas não se negam a sugar dinheiro do governo pra fazer suas festinhas particulares.

    Veja bem, não estou dizendo que antes do Miranda as coisas eram maravilhosas, mas depois dele ficaram piores. E eu acho que nós ainda não vimos a pior desgraça inspirada pelos Raimundos (há quem creia que nada pode ser pior que o Charlie Brown Jr., mas eu tenho ampla confiança na mediocridade humana).
  7. Hugo Morais Disse:
    A Arena do Imirá, aqui em Natal, é na Via Costeira que não tem praia badalada não. Badalação é ao lado em Ponta Negra, badalação de gringos e putas. óóóótimo.
  8. Gleidson Rodrigues Disse:
    Perguntas:

    1. Por que você não foi cobrir o Lolla? Por causa dos pés?

    2. Procurei, procurei e procurei mas não achei aquele mega trabalho que você tava fazendo pra mega revista de música. Onde tá?

    Abração!
  9. André Pomba Disse:
    Na real eu tinha até simpatia pela Marta, tanto que fiz campanha pra ela em 2000, mas a tática dela e do PT é a mesma: Pega um mote pro povão (bilhete único ou bolsa família), e daí quebram a cidade e o país gastando adoidado, empregam toda a máfia do partido e fazem negócios com todos empresários 'simpatizantes'. Saliente-se que não estou na campanha do Geraldo Alckmin (mas vou votar nele) e sim ajudando a elaborar o seu plano de governo, o que são duas coisas bem diferentes. No mais parabéns pela coluna, vc sempre se dá melhor quando não tenta desancar outras pessoas ou mesmo competir na velocidade de informação e sim na qualidade do seu texto, sem dúvida, um dos melhores do país, na área de jornalismo musical.
  10. The Joker Disse:
    Graforréia, Mundo livre e Little Quail, essa bandas "horríveis" que foram do cast da Banguela dão de um milhão a zero nas porcarias descoladas de que você tanto gosta.

Mandar uma resposta



Powered by Mango Blog. Design by N.Design Studio