Dynamite

Dependência e Independência

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* Foi maus aê. O blogão que sempre cumpre suas promessas quando diz que vai voltar com maaaais, desta vez falhou miseravelmente, rsrs (não, você não está lendo a querida e superpop Popload, hihihi). Sabe como é, feriadon, preguiça batendo na porta, gripe enchendo o saco, Zapinha tinha discotecagem na Outs na madruga de sábado pra domingo e aí... resolvemos deixar tudo pra um novo post, começando a semana. Melhor, né? Então vai lendo que este aqui vai sendo escrito "em progresso". E vai ter sim e finalmente nossa "humirde" opinião sobre a discussão aberta sobre a possível "dependência" dos festivais independentes brasileiros.

* Aliás a Outs estava infernal no sabadon. O show dos Vangs foi ótimo, como sempre. Quer dizer, a banda fez um set meio "alterado" etilicamente falando, rsrs, pois havia uma garrafa de pinga de ótima qualidade sendo "degustada" no camarim, antes de o grupo subir no palco, o que no entanto não empanou o brilho de mais uma grande apresentação dos meninos. Que ainda brindaram a casa lotada no final com um cover de "The End", o clássico imortal dos Doors, quando o querido vocalista Helinho Flanders aproveitou para chamar o blogueiro zapper aqui no palco, para fazer backing vocals na música. Não foi possível desta vez: o gonzo journalist e dublê de dj estava incendiando a pista no andar de cima com sua discotecagem que, modéstia às favas, deixou o povo maluco.

* Não é por nada não, mas o blog tem ouvido bastante e curtido pacas "Konk", o segundo álbum dos ingleses do The Kooks, que já ganhou edição nacional. E como Zap’n’roll detesta ouvir música na net e precisava fazer a resenha do disco pra próxima edição daquela nossa mega revista de música e cultura pop, o que ele fez? O óbvio: pediu um exemplar do cd pra assesoria de imprensa da sua gravadora no Brasil. A assessora, bem mala e arrogante, disse que enviaria uma cópia no dia seguinte para o autor deste blog. Bom, o disco não chegou até hoje e cansado de esperar Zap’n’roll foi até a Sensorial Discos e comprou uma cópia – importada, vale frisar – do dito cujo. Pois é, isso porque as majors do disco estão faturando horrores, vendendo milhões de cds, ninguém ouve música na net nem copia cds e elas, as gravadoras, não precisam de jornalistas musicais, oh dor!

* "Konk" é bem legal. Como escrito na resenha que ainda vai ser publicada lá na..., estas linhas zappers consideram que por trás daquelas carinhas bonitinhas dos integrantes do Kooks, se esconde uma banda que compõe melodias contagiantes, além de entregar ótimos riffs de guitarras. E Luke Pritchard também manda bem nos vocais.

* Kooks merece, pelo menos, ter vida mais longa (artisticamente falando) do que aquela bobagem chamada Santogold. Mas isso o blog comenta melhor mais aí embaixo.

Os ingleses do Kooks: os garotos são bonitinhos, mas a banda é boa.

* Dear Luscious (sempre ele!) está dizendo que Muse e Hives vem aí. Será? Será??

* Tá certo. E enquanto não se confirma nem um nem outro, você pode ficar sabendo como foi o festival Bananada no último finde em Goiânia, através do sempre ótimo texto do fofo Bruno Palma que já está na página de notícias do portal e segue reproduzido mais abaixo aqui no blog.

* Também haverá no blogão zapper outro texto sobre o Bananada, escrito pela nossa deusa do jornalismo indie rocker brazuca, a lindaça e meiga Adreana Cobain. A reportagem da mineira boa de texto rocker entra provavelmente amanhã ou quarta neste mesmo post, visto que Dre ainda deve estar na viagem de retorno para sua amada Uberlândia.

* Sim, a viagem demora porque boa parte dos jornalistas que cobrem os festivais indies são igualmente de veículos menores e/ou alternativos (como a Dynamite), e eles têm que bancar sua própria passagem (a produção do evento banca hospedagem e alimentação) e, por conta disso, ir de avião muitas vezes torna-se inviável por conta da tarifa aérea. Aí acaba-se apelando para o velho busão mesmo. O nosso querido Brunolo Palma foi de avião, com os custos da passagem bancados pela redação da Dynamite.

* Moral da história: festivais como o Bananada já trataram melhor a imprensa alternativa do país, que tanto apoiou estes festivais quando eles ainda não possuíam a visibilidade que possuem hoje na grande mídia. Aliás, este tema já foi exaustivamente debatido por estas linhas bloggers, no tópico "Os festivais indies contra Zap’n’roll", publicado há alguns posts. O que sucede é claro: agora que têm atenção de veículos como FolhaSP, Veja, Rolling Stone, Multishow etc, produtores espertalhões alegam que precisam priorizar determinados órgãos de imprensa em detrimento de outros, pois não haveria – em tese – dinheiro suficiente pra levar toda a imprensa alternativa que importa a estes eventos. Mas é bom lembra que: a) a produtora Monstro, de Goiânia, foi uma das beneficiadas com a verba que a Petrobrás destinou a vários festivais independentes brasileiros que serão realizados este ano. Sim, a produtora do Bananada e do Goiânia Noise recebeu com justiça e honestidade esta verba, visto que desenvolve de fato já há mais de uma década um trabalho fodão em prol do desenvolvimento da cena indie nacional. Mas, no final das contas, dinheiro não deve ter faltado à Monstro para que ela levasse jornalistas do meio alternativo a Goiânia no último finde. Mas...; b) para realizar seminários, debates etc, a Monstro não se furtou em levar pra Goiás, por exemplo, um conhecido crápula da pseudo grande mídia (pois, na verdade, o sujeito mais late e vomita bílis de prepotência na comunidade "oficial" da revista Bizz no famigerado Orkut, do que propriamente escreve regularmente em algum grande veículo); e c) grande exemplo continua dando o produtor Jomardo Jomas, do gigante festival Mada em Natal que, mesmo tendo verba da Petrobrás e hoje realizando um evento anual para um público total de mais de 20 mil pessoas (público que o Bananada NÃO tem, nem em sonho), continua valorizando sim o trabalho de mídias alternativas e levando estas mídias ao Mada pois sabe, com reconhecimento e agradecimento, que se o seu evento está hoje onde está, isso em grande parte se deve ao trabalho de cobertura e apoio dado por sites e revistas menores ao Mada quando ele ainda estava engatinhando.

* Mas como nem todo mundo pensa igual a Jomardo parece que, daqui pra frente, iremos assistir cada vez mais a repetição deste algo desagradável episódio: festivais indies, ficando de salto alto, torrando sua verba de imprensa com quem na verdade não se importa muito (ou nada) com eles, e deixando profissionais que de fato amam reportar a cena rocker indie de fora destes eventos. Lamentável, pra dizer o mínimo.

* O exemplo dessa postura mal agradecida, aética e cafajeste já começou, este ano, no festival Casarão, realizado no início de maio em Porto Velho: o produtor do evento, sr. Vinícius Lemos, convidou Zap’n’roll a estar lá para cobrir a maratona rocker – que, de resto, foi bacanésima, segundo relatos de quem esteve por lá. Mas quando o indivíduo descobriu que poderia ter um texto num dos maiores jornais do Brasil, reportando seu festival, ele se "esqueceu" do convite feito a este blog e preferiu levar pro Casarão o crápula mencionado mais acima, que late no Orkut. E assim caminha a humanidade no circuito rock alternativo brasileiro.

* Falando em Bananada e sobre "independência" e "dependência" de festivais indies brazucas...

FESTIVAIS INDIES: INDEPENDENTES OU "DEPENDENTES"?

Há cerca de três semanas o nosso dileto colega de jornalismo rocker, dom Thiaguito Ney, em sua coluna "Conexão pop", na FolhaSP, resolveu botar as manguinhas de fora. Thiago, sempre discreto e fleumático na maioria de suas matérias, disparava contra aquilo que, na verdade, ele considera "dependência" dos atuais festivais alternativos realizados no Brasil. Para o jornalista da FolhaSP não existe nenhuma "independência" em festivais independentes que fazem parcerias com empresas privadas ou recebem verba de uma mega estatal como a Petrobras – que, através de um edital publicado em 2007, contemplou vários festivais brasileiros com verbas para suas edições deste ano.

O assunto, por si só, é bastante polêmico e gerou um dilúvio de reações e discussões em blogs, no Orkut etc. E diante de tamanha repercussão, Zap’n’roll também resolveu dar sua opinião sobre o texto de Thiago, já que o autor deste blog há anos acompanha de perto alguns dos principais festivais do calendário alternativo brasileiro. Antes porém destas linhas zappers manifestarem sua opinião, segue abaixo o texto publicado por Ney na FolhaSP, para quem não o leu ou não tomou conhecimento de sua existência:

"O modelo de organização dos grandes shows no Brasil (particularmente o do circuito de festivais) é dependente. Dependente de eventos corporativos e dependente de dinheiro público.
Empresas de cerveja, de refrigerante, de celulares, de telefonia celular, portais de internet, enfim, empresas de todo o tipo (uma fabricante de pneus organizará um evento de jazz e world music em São Paulo, em junho...) não apenas emprestam o nome a um festival, como empurram sem parcimônia sua parafernália de marketing no ambiente do evento, criando uma concorrência com as próprias atrações artísticas.
Festivais corporativos existem no mundo inteiro. Mas, no Brasil, a ação das empresas é muito mais agressiva. Lá fora, na Escócia, há o T in the Park; na Inglaterra, o V Festival. O primeiro é bancado pela Tennents, marca de bebidas; o segundo, pela companhia Virgin. O nome das empresas é associado com discrição; os locais não são invadidos por merchandising abusivos. Bem diferente do que acontece por aqui.
Um outro efeito desse modelo de negócio é que o Brasil virou o paraíso dos cachês. Os produtores de shows buscam os mesmos artistas, e aí entram em uma espécie de leilão.
Os preços vão lá para cima e forma-se um ciclo: as bandas sabem que no Brasil paga-se cachês milionários; os únicos que podem pagar esses cachês são os festivais corporativos; assim, essas bandas só vêm ao Brasil para tocar em festivais corporativos. O Kaiser Chiefs estava em disputa. Fechou com o Planeta Terra.

Aí olhamos para o outro lado, o dos festivais "independentes". Não dá para chamar de "independente" um circuito de festivais que depende de dinheiro público para existir. Como acontece no cinema nacional, em que os filmes são bancados por leis de incentivo e não há a menor preocupação com bilheteria, os festivais "independentes" beneficiam-se de um edital da Petrobras que goteja até R$ 250 mil na mão dos produtores de cada evento.
Uma das "contrapartidas" exigidas pela Petrobras é que esses eventos tenham como finalidade "divulgar a música brasileira" e as cenas locais. Não entendo como pode haver divulgação da música brasileira quando esses eventos escalam bandas gringas de terceiro escalão ou grupos europeus de heavy metal cuja relevância artística é quase nula. E aqui ocorre mais uma anomalia.
Bandas indies péssimas, que não tocariam nem em matinês de pubs londrinos, arranjam lugares confortáveis nesses eventos devido à "brodagem" entre produtores de festivais, músicos, blogueiros etc. Triste".

Esse é, enfim, o parecer de dom Thiaguito e que vem causando tumulto na indie scene, em listas de discussão etc. Na boa? Como já observou alguém, o texto levanta uma discussão interessante e que poderia – e deveria – ser mais aprofundada. Como o assunto foi abordado de forma rasa e "rápida" no caderno cultural do maior jornal do país, quem leu o texto ficou com a impressão de que só há picaretagem e produtores picaretas no meio independente brasuleiro.

E não é por aí.

Acompanhando o trabalho da cena independente brasileira já há mais de uma década, Zap’n’roll viajou por quase todo o país e descobriu dezenas de cenas bacanas, centenas de bandas com alto potencial artístico e travou amizade com muita gente realmente apaixonada pelo trabalho que desenvolve junto à produção musical alternativa. São produtores, músicos e agitadores culturais que enxergaram na música feita fora do seio das grandes corporações do mainstream musical, o futuro de fato da nova e emergente música brasileira. E resolveram partir pra ação, pra dar espaço e visibilidade a esta música "subterrânea".

Ocorre que para realizar este trabalho, é preciso ter tempo, disposição e, sobretudo, dinheiro. Afinal, montar um festival independente – como qualquer outro evento cultural – exige que se tenha verba para pagar técnicos, equipamentos de som e luz, transporte e alimentação para bandas, jornalistas etc, etc, etc. E nenhuma bilheteria gerada por um festival independente (mesmo o de um de porte gigante, como o potiguar Mada) consegue cobrir esses custos. Aí entra em cena o "famigerado" patrocínio. E qual o mal de uma grande empresa privada ou mesmo uma estatal como a Petrobras se associar e patrocinar um festival "independente"? No entender de Zap’n’roll, nenhum. O patrocínio destas empresas é saudável (pois elas estão investindo parte de seus lucros astronômicos em algo extremamente necessário para o ser humano, a sua formação cultural) e se hoje elas voltam seu interesse para a indie scene brazuca, é porque esta cena tomou tamanha proporção diante de público e mídia que agora ela se tornou "interessante", mercadologicamente falando, aos olhos das grandes empresas do país.

Há picaretagem no meio independente? Sim, há, como em qualquer outro meio. Mas, neste caso, felizmente, há muito mais gente séria e honesta trabalhando com a música independente do país, do que picaretas e aventureiros de ocasião, que desejam apenas faturar o seu às custas de uma cena que se agiganta mais e mais a cada dia.

Thiago Ney reclama que há "brodagem" entre músicos e produtores, jornalistas e blogueiros, o que interfere na escalação das bandas para estes festivais. Para o homem da Folha, há grupos tão ruins se apresentando nestes eventos que não há justificativa para a inclusão deles nos mesmos. É uma meia-verdade: de fato, há zilhões de bandas medíocres espalhadas hoje pelo Brasil (numa época em que todo mundo acha que gravar um disco é só ligar o pc no seu quarto e pronto). Mas os festivais independentes também já revelaram – e Ney sabe disso – nomes que hoje estão entre os mais reconhecidos pela mídia e público. Casos dos cuiabanos Vanguart e Macaco Bong, dos paulistanos Ludov, Ludovic e Daniel Belleza, do paraense Madame Saatan, dos cearenses Montage e Quarto Das Cinzas (agora Jardim das Horas) e de muitos outros grupos gaúchos, cariocas, mineiros etc.

Se Zap’n’roll tem algo a dizer contra os festivais independentes é que, de fato, há muita repetição em suas listas de atrações – quase sempre as mesmas bandas tocam sempre nos mesmos festivais ao longo do ano, e isso poderia se repensado. E não dá pra falar em brodagem no meio quando é sabido que mesmo amigos pessoais do jornalista da Folha, como o nosso querido e célebre Lúcio Ribeiro, também estão diretamente envolvidos com a causa independente e por conta disso, viajam e cobrem estes festivais com certa regularidade. Na ótica de Ney então, dear Luscious seria um desses blogueiros participantes desta "brodagem", ao lado destas linhas zappers.

A real é que Thiago Ney (por quem este blog possui consideração e respeito pessoal e profissional) talvez mudasse um pouco sua visão e olhasse mais de perto a nova e emergente música brasileira INDO aos festivais (este blog nunca o viu em nenhum Mada, Calango ou Goiânia Noise), ao invés de ficar enfurnado na redação da Folha e babando ovos para bobagens eletrônicas de ocasião lá de fora. Por último, uma informação que ele, Thiago, se esqueceu de mencionar em seu texto na Ilustrada: o edital da Petrobras contemplou, com verbas, 25 festivais musicais de todos os estilos e regiões do país (o autor deste blog, inclusive, fez matéria detalhada a respeito do assunto no início deste ano, no caderno cultural do diário Gazeta Mercantil). Destes festivais, apenas meia dúzia se dedicam especificamente ao rock. Por que então o repórter da Folha não investiga também como os outros eventos contemplados, que trabalham com outros estilos musicais, estão utilizando estas verbas?

E O SENHOR F. REBATEU...

O produtor e jornalista de Brasília, Fernando Rosa, um dos nomes mais respeitados da cena alternativa brasileira (além de dileto amigo pessoal destas linhas zappers), também não gostou do que leu na Folha. E retrucou assim no site Senhor F.:

"Matéria da Folha de S. Paulo, sob o título de "Teoria da dependência", criticou o fato dos festivais brasileiros contarem com patrocínios privados e públicos. O texto, um tanto quanto rançoso, peca pelo tom reducionista de uma situação que hoje exige um tipo de análise mais profunda. O que, talvez, seja quase impossível de responder, diante das condições em que o jornalismo é exercido atualmente. Aliás, é interessante observar que as melhores matérias têm sido publicadas pelos cadernos de "informática".

É inegável a crise que atinge a cobertura jornalística cultural dos grandes meios de comunicação, ai incluindo os canais de televisão, que, com raras excessões, sempre se pautaram pelo "mainstream". Nunca foi tão grande o alheamento ao que DE FATO está ocorrendo na vida cultural do país, em particular do mundo musical. A desinformação em relação a produção discográfica, às cenas regionais e aos festivais independentes e seu papel social-cultural é só a ponta do iceberg.

A mudança do padrão da difusão musical não atingiu apenas a estrutura das grandes indústrias fonográficas, hoje totalmente perdidas sob todos os aspectos. Em breve, as rádios também pagarão, se já não pagam, com perda de audiência, o preço da relação incestuosa com as gravadoras por meio do ditatorial esquema "top-40". Da mesma forma, os grandes meios de comunicação se confundiram diante da nova realidade, o que resulta claramente na perda de seu poder de formadores de opinião.

Se em outros momentos da história do país, determinados órgãos e meios de comunicação tiveram peso para determinar tendências, hoje isso são águas passadas. Por conta da internet, e das novas ferramentas de difusão cultural, está ficando cada vez mais distante o tempo em que os cadernos culturais formavam a opinião sobre o que ver, ouvir ou ler. Até mesmo o papel de "filtro" da infinidade de informações oferecidas pelos novos meios a "imprensa de papel" vem se recusando a cumprir.

É inegável que os festivais independentes, combinados com a internet, são um dos fenômenos culturais mais importantes da moderna cultura brasileira, e que mereceriam uma abordagem mais cuidadosa. Sem exagero, os festivais independentes se tornaram em menos de uma década a principal plataforma de visibilidade, divulgação e distribuição da música jovem produzida no país. Algo como foram os programas de rádio e televisão e os festivais televisivos nos anos sessenta, as "discotecas" dos anos oitenta e a MTV nos anos noventa, para citar alguns exemplos.

Entender e mergulhar nesse universo para buscar uma maior compreensão social-cultural-estética, no entanto, exige um despreendimento que talvez esbarre em dificuldades ideológicas. A "cena independente" é fruto de um novo momento do país, em que sentimentos de cooperação, solidariedade e espírito coletivo sepultaram a última década de submissão a padrões externos e/ou coloniais. A crítica aos festivais independentes não por acaso vem acompanhada de promoção de "hypes" gringos e seus assemelhados internos que, talvez, sequer pelos "pubs londrinos" passaram.

Se os festivais independentes, ou não, atualmente contam com apoio e patrocínio é porque construíram uma história de trabalho, credibilidade e respeito social junto às sociedades locais, ou mesmo nacionalmente. É por conta disso que apoiadores e patrocinadores, de grande porte, investem nesses eventos, com a expectativa, ou melhor, com a certeza de retorno para suas empresas, produtos e marcas. Uma relação tão saudável, acreditamos, quanto a que leva esses mesmos patrocinadores, públicos e privados, a publicar seus anúncios nas páginas dos grandes jornais.

Em especial, o apoio do setor público aos festivais independentes, em particular, não deveria ser visto com uma "mácula", mas como uma obrigação de governos interessados e comprometidos em promover o desenvolvimento cultural do país. É injusto e, desculpem o termo, hipócrita, por outro lado, defender "igualdade" de condições entre uma banda iniciante, que necessita de espaço e de apoio, e o "produto" jabazado por grandes corporações sem qualquer compromisso cultural.

Enfim, se qualquer tipo de apoio ou patrocínio compromete a "independência" dos festivais, vamos combinar então que, a partir de agora, também os jornais passarão a viver apenas da venda de assinaturas e exemplares nas bancas".

E NO LAMENTÁVEL ORKUT...

A matéria de Thiaguito provocou discussões acaloradas na maior comunidade dedicada à revista Bizz do site de (des)relacionamentos. Até aí nada demais. Mas o que se lê ali é um autêntico festival de sandices, ataques grosseiros e canalhices travestidos de "opinião".

Também, o que esperar de uma comunidade inútil, gerenciada por um inútil e que tem como participantes gente que não é nada fora do Orkut mas se acha relevante? O que dizer de uma comunidade cujas "estrelas" são um jornalista que é o mais mau caráter da imprensa cultural brasileira atual (um sujeito que vomita sordidez contra todo mundo ali, além de fazer frilas insignificantes para veículos como a Folha ou a decadente revista Bravo!), um "aborrescente" idiota do interior paulista que se considera gênio, além de um calhorda que edita uma revista falida de cinema (a Set)?

Estas linhas rockers apenas lamentam que, na tal comunidade, duas pessoas consideradas amigas deste espaço blogueiro, estejam se agredindo publicamente por causa do texto da Folha. Pablo Capilé, hoje um dos mais conhecidos produtores da cena indie nacional e Sérgio Martins, respeitado repórter da revista Veja, deveriam parar de ofender mútua e publicamente e ir cada um cuidar de sua vida profissional, é o que pensa este blog.

Capilé, aliás, também emitiu sua opinão sobre a matéria publicada pela FolhaSP, a qual reproduzimos abaixo:

"Um texto reducionista e que generaliza de forma irresponsável um assunto muito complexo, cheio de variáveis, que precisava de mais pesquisa e de um aprofundamento maior do jornalista. Mesmo sendo uma coluna opinativa, Thiago não poderia se posicionar de forma tão irresponsável como fez, até ele tem certeza disso após toda a polêmica gerada". 

SANTOGOLD: MAIS UM HYPE BABACA

Pode acreditar: daqui a pouco ninguém mais vai falar nela. 

Vem cá, alguém de vez em quando tem que dizer umas verdades nesta blogosfera de merda, ainda mais quando está se lidando com música alternativa e cultura pop, né não? Isso inclui dinamitar o máximo possível hypes babacas, patrocinados pela "intelligentsia" do jornalismo musical, seja ele gringo ou daqui mesmo, seja ele escrito por nomes que Zap’n’roll conhece apenas de nome mesmo, ou por gente que, inclusive, é amiga ou conhece pessoalmente o autor deste espaço blogger.

Pois então, dito isto, vai a pergunta aí ao distinto leitorado do outro lado do micro: alguém sabe que fim levou a Mia? Yep, a Mia, aquela cantora e dj senegalesa, que se tornou a sensação do pop eletrônico planetário quando lançou seu disco de estréia, "Arular" (em 2005, há escassos três anos, um período que, nestes tempos de internet e trituração sem dó nem piedade de artistas efêmeros, parece uma eternidade), sendo que inclusive ela chegou a se apresentar no Brasil naquele ano, no Tim Festival que também teve Strokes. Alguém ainda se lembra da mulher??? E olha que ela era (ou é) gostosona, bonitinha, cantava (ou canta) bem e ainda lançou outro disco, "Kala", que saiu no ano passado e ninguém – o blog vai repetir: ninguém – deu bola pra ele.

Anyway, toda essa, hã, "digressão" (que palavra chique pra se usar num blog de cultura pop, oxe) está aí em cima para mostrarmos, maaaaais uma vez, ao nossos amados e fiéis leitores como andam as coisas hoje num mundo pop cada vez mais globalizado, conectado e descartável. Sim, não há mais tempo e espaço para se garimpar com calma e paciência nomes que realmente valham a pena. Tudo é muito rápido, imediatista, o que era genial hoje amanhã não será mais. Fãs trocam de bandas e artistas como uma puta da rua Augusta (no centrão rocker de Sampa) troca de camisinha a cada trepada dada com um cliente diferente. E assim caminha a humanidade e que se fodam bandas boas e honestas (que ralaram pra chegar a algum lugar) e pessoas que ainda amam colecionar bons discos de bons nomes do pop e do rock.

E tuuuuuudoooooo iiiiiiiiissooooo pra dizer que essa negona que abre este tópico com sua imagem, a Santogold, vai ter facinho o mesmo fim da Mia. Santogold, aliás Santi White, é uma americana nascida na Filadélfia e que começou a mexer com música eletrônica na adolescência. De repente, do nada, adotou o codinome que agora a tornou célebre e está na crista da onda pop, isso com apenas um álbum lançado, homônimo, e que saiu lá fora há coisa de um mês. O som? A negona (que é uma delícia cremosa, diga-se, e que canta razoavelmente bem) faz aquele já manjado mix de batidas eletrônicas com rock alternativo, um dubzinho aqui, uma levada mais etérea e psicodélica

ali e pronto. No final das contas, nada que você já não tenha ouvido por aí com a... Mia, por exemplo.

Santogold até merece um lugar ao sol no – vale sempre repetir – cada vez mais descartável mundo da música pop pois, afinal, nem é o caso de ela ser uma artista ruim, musicalmente falando. O que irrita pra caralho nessa história, o que fode a vontade de dar algum crédito pra figura é justamente o carnaval animalesco que já está se fazendo em torno dela. Ou seja: mais um hype chatinho, patrocinado pela rock press gringa e até por colegas deste blogueiro zapper (dom Thiaguito Ney que o diga, hihi; aliás, o querido amigo da FolhaSP teve a manha de gastar, na última sexta-feira, uma capa inteira do caderno Ilustrada, um espa&

15 respostas para “Dependência e Independência”

  1. Junior Disse:
    Nossa, mas quanto choro. Só pq não foi convidado pra meia dúzia de festivais detona o trabalho dos caras e chega ao ponto de falar que o dinheiro recebido de patrocínio pode "ser sujo".

    Pq vc tem que ir nos festivais? Creio que a Dynamite tenha contato em várias cidades e basta entrar em contato com um colaborador do local para cobrir o festival. Mas não, se a primadonna não for os festivais estão cuspindo no prato em que comeram?

    Tenha dó né Finatti...
  2. Renato Disse:
    Finas tem alguma noticia sobre a vinda do depeche mode pro skol beats??? ja que o bosta do lucio ribeiro naum comenta nada e tudo que ele diz nunca acontece!!!!!
  3. Eder Bruno Disse:
    Fala Finas...

    Caraca, essa coluna está pegando fogo.
  4. Lucas Nonose Disse:
    Po demais a resposta do Fernando Rosa a respeito da dependêbncia dos independêntes.
    Realmente a cena independente está otima, parece viver os melhroes dias, com a organização de festivais, bandas muito boas aparecendo e um público apaixonado pela música...criando praticamente um novo formato, uma identidade propriamente brasileira!
    Acho muito legal as iniciativas da galera do Espaço Cubo, Fora do Eixo.

    E Finatti quando vai sair uma resenha do disco do Macaco Bong? o final do disco é de arrepiar!Será o melhor disco nacional do ano? OOWW!

    Abraços!
  5. carlos Disse:
    Tem produtor de festival independente no Brasil que faz um festival por ano e depois passa o resto sem fazer mais nada, enquanto isso banda que sai lá da puta que pariu pra tocar não recebe um centavo por isso.
    É, viva a abrafim
  6. Thessa Disse:
    Chorão, cuspindo no prato que comeu. Bom, pelo que consta o Lúcio está em Londres.....hehe..onde já se viu um "gonzo' sem passaporte!!!
  7. adherbal Disse:
    Cara, para com essa besteira de gonzo porque isso é tudo o que você não é.
  8. Luiz sergico Disse:
    Cara, como é que vc tem dúvidas porque é tão limado nos festivais. O que corre, é que tu está queimadão total. Um dos motivos são os vexames e essas críticas a colegas de profissão. Tu não te enmenda mesmo
  9. Drake Disse:
    "Mas os festivais independentes também já revelaram – e Ney sabe disso – nomes que hoje estão entre os mais reconhecidos pela mídia e público. Casos dos cuiabanos Vanguart e Macaco Bong, dos paulistanos Ludov, Ludovic e Daniel Belleza, do paraense Madame Saatan, dos cearenses Montage e Quarto Das Cinzas (agora Jardim das Horas) e de muitos outros grupos gaúchos, cariocas, mineiros etc."

    é isso que você chama de boas bandas? Tô com o Thiago!!
  10. Fábio Sousa Disse:
    Saudações Finatti! Ando ausente dos comentários mas não do blog, que acompanho incondicionalmete. Fiquei um tempo afastado porque as aulas na USP estão me consumindo (final de semestre, sabe como é) e nem na Outs consegui ir no sábado mas ouvi dizer que tava du caralho.
    Gostei dos últimos posts, principalmente sobre o filme Control, embora você tenha reaproveitado o texto da coluna de 2007. Mas foi bom reler por perceber que ele não perdeu em nada seu foco e também por ver que, de fato, o melhor texto do site entre os "blogueiros" é o seu mesmo.
    Esse papo sobre a independência ou não dos festivais é assunto para muuuuuitas colunas, acho que não se esgota aqui de forma alguma. Será mesmo que são poucos os picaretas da cena indie? Tenho curiosidade em saber o que esses produtores fazem com a grana que recebem já que é sabido que eles NÃO pagam cachês pra 90% das bandas que tocam em seus festivais e a maioria delas ainda viaja às custas do próprio bolso.
    E como sempre, a cretinália continua invadindo o espaço dos leitores, ahahahah. Como algumas pessoas podem saber se você possui passaporte ou não? Será que são tão íntimas suas a ponto de saber este tipo de detalhe da sua vida? E onde você insinuou que parte do dinheiro obtido por alguns festivais é "sujo"? Gente invejosa e ressentida, pra não dizer rancorosa e babaca, é o que mais existe mesmo nesse mundo, né?
    Parabéns Finatti sempre, pois o blog continua sensacional.
    Abraço forte do leitor fiel e amigo
    Fábio.
  11. Kala Boka Disse:
    A M.I.A. é inglesa, seu mongol. E foi criada no Sri Lanka. Só nessa sua cabeça de junkie que ela é do Senegal. E o Kala foi eleito o melhor disco de 2007 apenas pela Rolling Stone e pela Blender. Pede pra sair, burraldo.
    Camarada me contou que o Jomardo vai te cozinhar até o mês do Mada. Aí, vai dar um perdido e você vai ficar em SP. Em 2008, Finatti estará totalmente fora dos festivais. É a norma da Abrafin.

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