O velho e fodão Jane's Addiction: sua presença (quase) certa no Maquinaria, torna o festival imperdível
O título do post pode parecer estranho.
Mas está tudo interligado quando você se dá conta de que a música (e não apenas o rock em si) perdeu um de seus gênios (Les Paul) ontem, quando começa a analisar a lista de indicados ao VMB deste ano, quando o amor faz com quem viajemos distâncias enormes atrás dele (sim, o zapper andarilho está a caminho de Macapá, capital do distante Amapá, na semana que vem, para se encontrar com sua amada girlfriend Rudja), e quando nos damos conta de que tudo isso é muito rock’n’roll, no sentido de vivermos uma existência rocker em termos de sentimentos, sensações, aventuras, alegrias, melancolias, perdas e ganhos. A vida é rock’n’roll pra caralho, no final das contas. Seja pro lavador de pratos do buteco da esquina, seja para Bono Vox. Seja para o blogger loker (de amor) que vai cruzar o país em busca da sua garota, seja para o amigão e grande jornalista Jairo Lavia (um dos melhores textos do jornalismo cultural brazuca que o autor deste blog teve o prazer de ler de anos pra cá), que se encheu de tudo no velho Brasil de Sarneys e Edir Macedos, e foi tentar a vida em Dublin, capital da Irlanda (aê Jairão, como vão as coisas na terra de James Joyce? Mande notícias!). E é sempre uma aventura rock’n’roll escrever um mega post como este que começa agora, em um blog dedicado à cultura pop. O penúltimo post, aliás, antes da ida para o outro lado do país, um país grande demais ainda, mesmo com a net aproximando tudo e todos. Então é isso: o amor, a morte e muitas outras paradas (como o Wry, o Ludov, a banda Motores) que tornam a vida sempre tão rock’n’roll aqui mesmo, nestas linhas virtuais, que estarão sempre do lado de seus diletos leitores – ainda que o autor delas esteja muito longe, lá em Macapá.
* E lá se foi Les Paul. O velhinho tinha 94 anos e partiu desta para melhor ontem, quinta-feira, vitimado por complicações decorrentes de uma pneumonia. Inventor da guitarra elétrica tal como a conhecemos hoje (isso, no final da década de 30’), Les Paul era considerado gênio e respeitado por gente como Jimmy Page e Eddie Van Halen. RIP, grande mestre!
* E lá vem Julian Casablancas, o frontman dos Strokes, em sua estréia solo (já comentada aqui mesmo no blog e também na página de notícias do portal Dynamite. Se você está achando o quinteto nova-iorquino quieto demais nos últimos tempos, Julian começa a fazer barulho desde já com seu vindouro primeiro disco individual. Ele está todo pimpão na capa da NME desta semana (aí embaixo) e espera-se que seu disco seja ok. Quanto aos Strokes em si... possivelmente a banda só voltará à ativa mesmo em 2010, né?
* Enquanto isso não acontece, Fab Moretti e seu Little Joy estão por aqui novamente, dando as caras amanhã em Sampalândia, no palco do sempre ótimo Via Funchal. Sim, sim, você quer saber quem ganhou o ingresso pro show, oferecido pelo blogão que só faz promos bacanas no conteúdo (embora modestas na quantidade). Dá uma olhada no final do post e veja se você deu sorte desta vez, hihi.
* Ao que parece a tesudaça loira que todos nós amamos, a deusa Scarlett Johansson, gostou mesmo de brincar de cantora. Depois de lançar no ano passado o bom (mas que pouca gente ouviu) "Anywhere I Lay My Head", onde ela fazia releituras de canções de Tom Waits, agora La Johansson se prepara para lançar sua segunda incursão solo, que se chama "Break Up" e que está programado para chegar às lojas no próximo dia 8 de setembro. O primeiro single do disco é a canção "Relator", cujo clipe já está no YouTube e também no Yahoo vídeo. A música, feita em parceria com o músico Pete Yorn, é animadinha e tal, mas será o que disco em si é bão? A conferir. Lembrando que a loiraça estará de volta às telas em abril do ano que vem, no "Homem de Ferro II".
* A lei anti-fumo parece estar mesmo sendo respeitada na "naite under" de Sampalândia, apesar da gritaria contra – e com razão – de fumantes e donos de casas noturnas. Zap’n’roll ainda não circulou pelo "baixo" Augusta desde que a lei entrou em vigor, há uma semana, pra ver como está a situação por lá. Mas na porta da casa goth Aeroflith, no último sábado de madrugada semana passada (onde o blog discotecou), a cena era bizarra: dezenas de frequentadores papeando animadamente fora do bar, para poder fumar seu cigarrinho sem ser molestado. Anyway, o autor deste blog, que não é fumante mas sabe como são os vícios (pois ele já teve vários), e que não se incomoda com quem fuma perto dele (desde que a fumaça não seja jogada nas nossas fuças), acha que o mais democrático continuaria sendo mesmo cada estabelecimento comercial destinar uma área própria a quem fuma. Mas como Zé Serra é mais um tucano de passado democrático e que hoje está mais para ditador, não há o que fazer. Apenas cumprir a lei.
* E NO MAQUINARIA 2009... – Além do já confirmadaço Faith No More, agora o sempre grande Jane’s Addiction é quem entrega, em seu Twitter, que também vai estar no palco do festival que rola em Sampalândia, dia 7 de novembro (na horrenda Chácara do Jockey, é sempre bom lembrar). Com estes dois nomes confirmados o Maquinaria deixa de ser um festival meia-boca de metal e hardcore (como de fato foi, em sua edição do ano passado), pra se transformar num dos programais mais imperdíveis deste final de ano, em termos de shows gringos fodaços. Vejam bem: estamos falando de uma banda (pra você, jovem leitor destas linhas rockers online) cujo vocalista, o loucaço e genial Perry Farrell, criou o festival Lollapalooza. E estamos falando de uma banda que lançou um dos maiores clássicos do rock dos anos 90’, o sensacional álbum "Ritual De Lo Habitual" (quem não bateu cabeça ao som de "Stop" ou não dançou "Been Caught Stealing", chapado de álcool ou alguma droga em algum porão escuro de algum muquifo rocker da capital paulista nos idos de 1991/93, que atire a primeira pedra em Edir Macedo), editado em 1990. Fora que o JA está excursionando com sua formação original novamente (além de Farrell nos vocais, também estão lá o guitarrista Dave Navarro, o baixista Eric Avery e o batera Stephen Perkins). Com isso, o Maquinaria não precisa de mais nada pra levar o povaréu até o festival. Só FNM e JA já garantem a festa, com folga.
* Ficamos assim então: novembro com Maquinaria Fest, mais Planeta Terra (com, por enquanto, Green Day), mais o maletinha The Killers no final do mês. E outubro? Nada? Ora, outubro tem VMB2009, com Franz Ferdinand e... (leia aí embaixo)
* AS INDICAÇÕES DO VMB2009 – Entonces, a maior premiação de clipes da tv brasileira, a promovida pela MTV daqui, chega à sua décima quinta edição renovada e para melhor. Se no ano passado a premiação foi sacal ao cubo (chegando ao fundo do poço da chatice com emos e pop/bregas em profusão dominando a festa; o negócio foi tão feio que até o zapper sempre fã da festa, desistiu de ir), em 2009 o canal musical resolveu sacudir a poeira: criou dezesseis novas categorias de votação, entre elas blog do ano e Twitter do ano, pra acompanhar as novas plataformas e tecnologias de relacionamento proporcionadas pela internet, né? Além disso, entre as indicações o povo do rock domina bem a situação. Por exemplo, na categoria "melhor banda de rock", concorrem feras como Autoramas, Cachorro Grande e Pitty (que recebeu um total de quatro indicações). Já na categoria "melhor banda de rock alternativo" concorrem, entre outros, os gaúchos do Pública e o paulistano Holger. Em "artista revelação" estão na disputa, entre outros, o paranaense Copacabana Club e o paulistano Garotas Suecas. E em "melhor banda instrumental", só nomes fodões: Macaco Bong, Retrofoguetes, Pata De Elefante, Hurtmold e Eu serei a Hiena. Como se não bastasse esse festival de ótimos grupos entre os indicados (sendo que em todas as categorias simplesmente desapareceu a barreira que separava os "independentes" do "mainstram", e agora todos competem entre si, de igual para igual, mais um reflexo dos novos tempos que a indústria da música está vivendo), o pequeno grande Hélio Flanders, do Vanguart, comcorre como melhor vocalista (com direito a participar da "banda dos sonhos", caso vença a votação). E além disso tudo, o VMB2009 também marca um gol de placa ao trazer o grande Franz Ferdinand pra se apresentar na festa. Ou seja: tudibom o VMB deste ano. Tão bom que Zap’n’roll vai cair na festança novamente, assim que voltar de suas merecidas férias em Macapá, hihi.
* Bien, bien, vamos falar do novo disco do Wry, então.
O SHOEGAZER WRY CONTINUA LEGAL – MESMO CANTANDO EM PORTUGUÊS
Com quase uma década e meia de existência e discos bacaníssismos nesta trajetória, o quarteto sorocabano Wry (yep, isso mesmo, eles são de Sorocaba, interior paulista) se tornou, talvez, o principal – e um dos únicos – nome do indie guitar brasileiro dos anos 90’, que dominou a cena rocker nacional durante um certo período (mais precisamente no início da década), quando bandas inesquecíveis como brincando de deus, Sonic Disruptor ou Low Dream faziam os rockers que frequentavam buracos como o Espaço Retrô, em Sampa, se sentirem em Camden Town, em Londres. Todas essas bandas se foram e o Wry sobreviveu. O grupo foi morar em Londres, voltou ao Brasil e agora lançou seu novo álbum, "Shescience".
É o bom e velho Wry de sempre, com suas melodias contemplativas e algo tristonhas, seu bucolismo instrumental, as guitarras mezzo vaporosas e que remetem ao shoegazer britânico dos 90’. Por gostar tanto de tudo isso, foi que o Wry acabou se mudando para a capital inglesa em 2002, onde permaneceu por sete anos. Fez shows por lá, chegou a tocar com bandas como o Ash e adquiriu um certo respeito da crítica, além de conquistar um bom número de fãs. Afinal, a paixão de Mario Bross (vocais e guitarras), André Zanini (guitarras), Chokito (baixo) e Luciano Marcello (bateria) pelos grandes sons de Ride e My Bloody Valentine fez com que o Wry apurasse seu trabalho musical nesta direção. Quem se lembra da banda, junto com o saudoso Pin Ups, abrindo para o Superchunk em histórica noite indie guitar na Broadway, em Sampa, lá pelos idos de 1997, sabe do que o blog está falando.
Wry: de Sorocaba para Londres, e agora de volta ao Brasil
O quarteto sempre se manteve fiel a esse approach sonoro. E ele ressurge no novo cd em forma de canções cujo cerne são as guitarras, sempre. Mas há uma grande novidade no trabalho do Wry: pela primeira vez o grupo se aventurou a compor músicas cantadas em português. O que pode soar estranho à primeira audição, para quem está acostumado há anos com a sonoridade do grupo. Em conversa rápida com o blog ontem, via msn, o vocalista Mario comentou que sempre escreveu muitas letras em português, antes de a banda optar por gravar apenas em inglês. E que agora, de volta ao Brasil, ele resolveu mostrar essas letras, registrando-as no novo trabalho. De qualquer forma, Zap’n’roll acha que o Wry continua soando melhor em inglês, e basta ouvir as lindas "Nothing’s Changed", "Touch" (a preferida do autor deste blog) e "Whirlwind" (esta parece saída diretamente de um álbum do La’s, lá por 1992), pra sacar isso. Ao investir nas letras em português, Bross demonstra ter boa verve poética (mas sem arroubos de genialidade), e chega a compor versos suaves e de razoável beleza e encantamento emocional, como em "Longitude" (uma das faixas mais bonitas do disco, melodicamente falando), onde versos como "Nossos olhos vermelhos castelavam o mar/Sinto falta de você me entender/Será que você já não me esqueceu?", emolduram uma melodia doce, ótima para embalar corações solitários ou apaixonados.
Há outras músicas beeeeem legais no cd (como "Beatriz", "Dois corações e o Sol" ou "Seeds", esta última com guitarras mais distorcidas e tratadas com mais noise e "pedaleira"). E agora será mais fácil conferir tudo isso ao vivo já que o Wry voltou a fixar residência por aqui. É um disco bacana no final das contas. E que mantém, sim, o Wry ainda como a grande brazilian indie guitar band, ainda que os tempos hoje estejam mais para maletices emo do calibre de ForFun, Strike, Gloria e outros menos votados.
RÁPIDO & RASTEIRO
* A produção do Planeta Terra confirmou o festival para o dia 7 de novembro, no PlayCenter, em São Paulo. Vai ser um duelo de titãs: de um lado o Maquinaria com Faith No More e Jane’s Addiction; do outro, o PT com Green Day e... Yeah Yeah Yeahs??? Aí fica a questão, desde já: e agora, em qual dos dois você vai?
* O Beirut está na capa da Ilustrada, da FolhaSP, de hoje. Pelo jeito o cult grupo americano, que toca em setembro por aqui, ganhou mesmo o coração dos rockers brasileiros.
* Aerosmith fora de combate. Claro pois o sessentão vocalista Steven Tyler caiu no palco em um show durante a turnê de verão da banda pelos EUA, e fraturou o ombro. Foi parar no hospital e o resto da tour foi pro saco.
* Fechando a tampa: a correria nesta sextona tá grande, então o blogon promete um comentário caprichado sobre os novos discos do Ludov e dos Motores pro comecinho da próxima semana, okays? Vai ser o último post antes de o zapper ir curtir merecidas férias laaaaá no extremo norte brasileiro, em Macapá (sendo que algo poderá ser enviado de lá para o blog, óbvio, se o assunto for, hã, muito relevante). E então iremos falar dos dois discos que saíram há pouco, além de trazer uma entrevista com a nova banda Reversa, e um belíssimo texto do chapa Cristiano Viteck comentando sobre os 40 anos de dois ícones da cultura pop: o festival de Woodstock e o filme "Easy Rider". Pode aguardar!
O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Filme: é hoje! Corra até o cinema mais próximo e morra de tanto rir com as novas estripulias de Sacha Baron Cohen, que desta vez volta às telas na pele do "Bruuuuunooooo", o estilista gay mais abusado, ousado e fashion da história do mundo fashion, uia!
Bruuuuunooooo, o estilista mais fashion e bichaça do planeta, chega aos cinemas
* Mini festival: a Popload Gig II, promovida por dear Luscious Ribeiro, o homem do blog Popload, promete incendiar o StudioSP nesta segunda-feira, 17, com o bombado grupo inglês Friendly Fires mais as "pratas da casa" Copacabana Club e Brollies & Apples (a nova banda electro-rock do casal vinte do Leela, a loiraça belzebu Bianca Jhordão e seu husband Rodrigo Brandão). O blogon pop do iG informa que não há mais ingressos pra balada. Mas se você quiser tentar a sorte na hora, vai lá na porta do StudioSP, que fica na rua Augusta, 579, centrão rocker de Sampa. E boa sorte!
* Baladenhas selecionadas pro finde! Yeeeeesssss, a elas povo! Hoje, sexta, tem Vanguart e Cérebro Eletrônico na chopperia do Sesc Pompéia (rua Clélia, 93, Pompéia, zona oeste paulistana), a partir das nove da noite. Depois, pra esticar a noitada a pedida é cair na Outs (rua Augusta, 486), onde rolam shows com Circo Motel e Detroit.///Já amanhã (mais conhecido como sábado), o Trilobit (um dos melhores grupos do novo rock instrumental brasileiro) baixa também na Outs. Mas se você prefere uma balada goth e anos 80’, cai pro Aeroflith (que fica lá na rua Toledo Barbosa, 378, encostado no metrô Belém, zona leste de Sampa). É isso? É isso. Boa balada, com muito rock, algum álcool (ou muito, dependendo do caso), e bastante sexo, sempre, rsrs.
VOCÊ QUER IR NO LITTLE JOY?
A banda de Fab Moretti, Rodrigo Amarante e Bink Shapiro está na área novamente. Tocam amanhã (sabadão) em Sampa, na Via Funchal (que fica na rua Funchal, oras, no número 65), e Zap’n’roll vai estar por lá, claaaaaro! E quem vai também na faixa, cortesia do blogão campeão em promoções? Olha aê:
* Camilla Mazzo Freitas (São Paulo/SP), que já recebeu e-mail com instruções sobre como retirar seu ingresso pra assistir ao showzão.
E TCHAUZES!
Zap’n’roll está a menos de uma semana de ir parar em Macapá, por isso a correria aqui está enooooorme. Entonces o blogon pára por aqui, pois hoje à noite tem Vangs em Sampa e amanhã o Little Joy. Então voltamos na área no comecinho da próxima semana, sempre com maaaais, okays?
Beijos nas crianças (um deles mega apaixonado na Rudja) e abraços nos marmanjos. Inté!
(finalizado por Finatti às 16hs.)
30-10-2009
22-10-2009
16-10-2009
8-10-2009
7-10-2009