O poderoso chefão do protopunk está de volta. Mas parece que agora ele está... jazzy!
Chove lá fora.
E isso é bom. Limpa o ar, mantém a temperatura amena, anima corações e estimula paixões – ou não. Mas geralmente é assim. E por ser assim é que o finde promete ser tranquilo, rocker, agitado na medida para se curtir baladas bacanas, ouvir bons sons em bons discos (sejam eles em vinil, cd ou na net), assistir bons filmes (no cinema ou em casa), mas tudo isso sempre do lado de quem você gosta muito. Zap’n’roll queria e quer fazer tudo isso ao lado de uma pessoa muuuuuito especial em sua vida, mas ela tá um tanto quanto distante. E enquanto isso não acontece, o autor deste blog segue aqui, nestas linhas online (que finalmente vão comemorar seus seis anos de existência virtual com discotecagem modesta mas sempre animada, no próximo dia 13 de junho, no clube Outs/SP), escrevendo pra seu sempre dileto leitorado e também se dando conta de que, afinal, ele tem a sorte de ter pessoas bacanas e amadas também perto dele – e aí a lista é enooooorme: a querida Karin, a amada (sempre, de uma forma ou de outra) Ana Laura, a Nat beuda, a Fernandinha Farofa, a Luana, a Adriana Ribeiro, a fofa e linda Bruna Vicious e seu boyfriend Wagner, a Eliana Martins etc. É por conhecer pessoas tão bacanas e que o amam que o zapper, mesmo às vezes sendo acometido por esgares de melancolia, ainda segue escrevendo sobre rock alternativo e cultura pop e segue acreditando que o amor existe sim – e quanto mais distante ele estiver e mais difícil de ser alcançado, mais gostoso e duradouro ele será quando for alcançado. Pois afinal nem estamos tão velhos assim. Não tão velhos como o deus rocker Iggy Pop, que pelo jeito cansou do rock’n’roll e se meteu a fazer... jazz. Bom, isso é assunto mais aí pra baixo, no post que está começando agora e que encerra sempre a semana por aqui, né? Então, vamos nelson, enquanto a chuva continua lá fora e a vida caminha em frente, em busca dos amores que nunca são fáceis de alcançar.
* Rockstars no estaleiro. Depois de cancelar vários shows pela Europa, devido a problemas de gastroenterite sofridos pelo vocalista Dave Gahan, o Depeche Mode vai ficar de molho por mais duas semanas pelo menos. Gahan foi operado esta semana para a retirada de um tumor maligno, que estava localizado em sua bexiga. A operação foi um sucesso mas os médicos que cuidam do cantor recomendaram que Dave fique em repouso até pelo menos 8 de junho próximo. Não esquecendo que o DM toca no Brasil em outubro, em Sampa e no Rio.
* Já Nick Wire, baixista do amado e heróico Manic Street Preachers, teve espamos no palco, durante show da banda na última terça-feira, no País de Gales. Wire sofre de problemas de hérnia de disco e declarou no site da banda que a turnê seguirá em frente. Mas em alguns shows ele terá que tocar sentado.
* O disco solo lançado há pouco pelo guitarrista Graham Coxon, que está de volta ao Blur, é mesmo uma fofura. "The Spinnig Top" saiu lá fora no último dia 11, não deverá ser lançado aqui mas é possível baixá-lo sem muito esforço na net. Disco longo (quase 70 minutos) e recheado de canções bucólicas e doces, está entretendo as tardes melancólicas e chuvosas do blog já há alguns dias. A capa do dito cujo é essa aí embaixo e neste mesmo post a gente fala um pouco mais a respeito dele.

* Blog novo no pedaço. É o escrito pela chapa Gilza Araújo, que traz espasmos e devaneios que percorrem a mente fértil da moçoila, publicitária por formação e que agora tenta ingressar no jornalismo via blog de cultura pop. O post mais recente dela traz até uma "homenagem" ao autor destas linhas rockers online, e quem quiser conferir, vai lá: http://mafiadasmanicures.blogspot.com/
* O BEIRUT E SUAS FÃS LEGAIS – Incrível como um projeto rock alternativo mega desconhecido até pouco tempo, se tornou um dos hypes do momento. O blog está falando do Beirut. Hã? Não, não se trata da capital do Líbano mas, sim, da banda/projeto americano criado pelo músico Zach Condon em 2006, em Santa Fé (no Estado do Novo México). Com sete Eps e três álbuns lançados neste curto espaço de tempo, o Beirut (que além de Zach, conta com uma legião de músicos convidados quando está gravando em estúdio ou em turnê) faz uma singela e agradável combinação de folk contemporâneo com nuances de world music. Bom, e daí? Daí que a canção "Elephant Gun" (uma singela pop song onde Zach toca desde ukelele até trumpete, além de cantar, óbvio) se tornou um hit alternativo não apenas nos EUA (chamando a atenção para o trabalho do grupo) mas aqui também, onde ela acabou entrando na trilha sonora da minissérie global "Capitu", exibida no início deste ano. E embora não tenha nenhum disco lançado no Brasil o Beirut baixa aqui em setembro, para se apresentar em Sampa e em Recife (provavelmente no festival alternativo "Coquetel Molotov", promovido pelo cultuado site de cultura pop que tem o mesmo nome). Pois é, Zach Condon é um sujeito legal e o som de sua banda idem. Tão legal que o Beirut já arrebanhou uma legião de garotas legais como fãs brasileiras – entre elas a Aninha Laura, a Rudja Catrine e até a espanhola genial que é a Karin Melez. E se você ainda não conhece o trabalho deles, basta ir até o MySpace da turma, oras (www.myspace.com/beirutband). Ou então, vá até o próprio site da turma: www.beirutband.com.
* Aí embaixo, o vídeo de "Elephant Gun", a música que transformou o Beirut em hype alternativo do momento:
Beirut – "Elephant Gun"
* E na semana que vem a nação indie paulistana se agita com a realização da "Popload Gig", lá na Clash Club. Armação esperta e mais do que bem-vinda de dear Luuuuuuuussssssssciiiiiiiiioooooooouuuuuusssssss Ribeiro e seu sempre trêfego blog, o mini festival vai tomar conta da Clash nos dias 6 e 7 de junho (sábado e domingo), quando irão tocar nomes como os ingleses do The View (a grande atração do evento), mais Matt & Kim, nosso graaaaande Holger etc. Dear Luscious, que é o dono da festança, claaaaaro, está sorteando aqueles sempre bem-vindos tickets dourados pra você ir curtir a balada na faixa. E disse que vai batalhar pra descolar uns ingressos também pro blogon zapper colocar você no regabofe. Vamos verrrrr se até o final desse post confirmamos essa parada.
* Aliás a próxima semana vai ser mega agitada mesmo. Na terça-feira (em plena terça-feira!) tem a festona de lançamento da revista Vice, lá na The Week. Você vai? Zap’n’roll vai, claaaaro!
IGGY POP VOLTA JAZZY E CALMO
Quando começaram a pipocar notícias e informações sobre o novo disco que Iggy Pop, uma das maiores lendas vivas do rock’n’roll, estava gravando, especulou-se zilhões de possibilidades sobre como seria o novo trabalho de estúdio do avô do punk rock. Falou-se muito em um disco calmo, bucólico, dissociado das nuances rockers, garageiras e punksters que nortearam boa parte da trajetória discográfica do Iguana. E próximo do lançamento, enfim, do álbum, divulgou-se com estardalhaço que Iggy iria lançar um disco de... jazz! Really? Sim e não. "Préliminaires", o álbum em questão e que chega às lojas do mundo todo nesta segunda-feira (Brasil incluso, provavelmente, sendo que o cd já está aí, em qualquer net ao alcance do seu mouse), mostra Iggy Pop muuuuito diferente de seu último trabalho solo, o barulhento e poderoso "Skull Ring", lançado em 2003. Ou mesmo de "The Weirdness", o disco que marcou a reunião dos Stooges e que foi editado em 2007. Quase não há rock no novo trabalho. E sim, há emulações jazzísticas aqui e ali. E também nuances de blues estradeiros. Resumindo bem a ópera, trata-se de um cd onde Iggy Pop quis mostrar uma faceta diferente, mais introspectiva diríamos, de um sujeito que, aos 62 anos de idade, já fez tudo o que de melhor ele poderia ter feito no rock’n’roll.
É um disco estranho à primeira audição e Zap’n’roll não se entusiasmou muito com ele, embora tenha considerado que ele está bem longe de ser o desastre artístico que muitos jornalistas já o estão considerando. Gravado no começo deste ano entre Miami e Woodstock (sim, a cidade onde existe a fazenda que abrigou o maior e mais célebre festival de rock de todos os tempos), "Préliminaires" a princípio não seria um novo disco de Iggy Pop mas, sim, a trilha sonora de um documentário que estava sendo filmado, sobre o romance "A possibilidade de uma ilha", escrito pelo francês Michel Houellebecq. Só que o projeto foi ganhando corpo e Iggy virou tão fã do livro, que resolveu compor um álbum inteiro inspirado nele e lançá-lo como sendo seu novo trabalho solo. E o clima do livro acabou inspirando o cantor e compositor a fugir do ambiente rocker em que ele sempre esteve, levando Iggy a paisagens sonoras como o jazz, o blues e à música francesa. Tanto é que o disco abre com a célebre "Les Feuilles Mortes", composta por Jacques Prévert e imortalizada na voz do ator Yves Montand. Iggy canta com seu vozeirão em francês, mas modula sua inflexão em tons contidos para acompanhar a instrumentação suave, engendrada por sopros e percussão discreta.
O álbum prossegue algo soturno, em "I Want Go To The Beach", com pianos e Iggy fazendo vocalizes mezzo sinistros. Na sequência, ele mostra de fato sua verve jazzística e bluesy em "King Of The Dogs", com direito a naipe de metais e pianos. É então que finalmente o rock entra em cena, em "Je Sais Que Tu Sais", com violões, guitarra psicótica ao fundo e uma percussão metálica, em uma condução melódica que faz com que a música lembre muito "Nightclubbing", um dos melhores momentos de "The Idiot", lançado por ele em 1977 e talvez seu maior clássico pós-Stooges. Oscilando novamente entre o bucolismo e a introspecção (em "Spanish Coast"), entre rocks quase viscerais ("Nice To Be Dead") e um blues tramado com violão de cordas de aço (em "He’s Dead/She’s Alive"), "Préliminaires" abre de fato espaço para surpreender o ouvinte, principalmente quando o ex-Stooge se permite até a gravar o standard "Insensatez", um dos maiores clássicos da música mundial composta pelo maestro Antonio Carlos Jobim (yep, ele mesmo, o nosso Tom Jobim).
É um disco curto (pouco mais de 36 minutos de duração) e que termina com outra versão para "Les Feuilles Mortes". Quem tem a percepção sonora/auditiva um pouco mais despojada e liberal, vai encarar o disco como um "experimento" na trajetória de Iggy Pop, um rumo inédito e ousado que ele quis imprimir ao seu trabalho. Já rockers mais sectários, com certeza, irão detestar o resultado final. Mas "Préliminaires" talvez seja, no final das contas, apenas isso mesmo: um espasmo de ousadia de um sujeito que não quer jamais deixar o rock’n’roll de lado. Pois o próprio Iggy Pop já anunciou que, em breve, ele sai novamente em turnê com os Stooges, desta vez com James Williamson nas guitarras e tocando, nos shows, apenas o também imbatível clássico "Raw Power".
* No blog vizinho Jukebox, o chapa Dum DeLucca também fez uma ótima resenha sobre o novo trabalho de Iggy Pop, analisando o disco sob uma ótica, digamos, mais mísitca e espiritual, como Dum sempre curte fazer (e bem). Pros fãs de Iggy, fica a dica (ops), ir também na Juke e dar uma lida no texto que está lá.
GRAHAM COXON VOA SOLO NOVAMENTE
Entonces, que Graham Coxon resolveu voltar ao Blur, todo mundo já está careca de saber. O amado e célebre quarteto britpop retorna aos palcos com sua formação original agora em julho, no dia 3, quando irá se apresentar em Londres.
Mas Coxon, que sempre teve uma carreira solo bacana paralela ao Blur, resolveu soltar mais um disco solo antes de seu retorno definitivo ao grupo. Assim é que "The Spinning Top", seu sétimo disco individual, foi lançado no começo do mês na Inglaterra – e aqui não deverá sair, óbvio. Aliás o único álbum solo do guitarrita do Blur que saiu no Brasil foi "Happiness In Magazines", de 2004.
Coxon, que já está quarentão, fez um disquinho (ou discão: são quinze faixas em quase 70 minutos de música) legal. Suave, calmo, com muitas melodias estruturadas em arpejos de violão. Dá pra ouvir tranquilo tomando um bom vinho, numa tarde/noite chuvosa e friorenta de sábado, ao lado de quem você ama (né, Catrine? Rsrs). Fora que ele canta bem e possui uma inflexão algo próxima a de Damon Albarn.
Pros fãs do Blur (como o blog é), um ótimo aperitivo antes do retorno triunfal do quarteto com seu line up original.
SAIDEIRAS
* Socorro!!! Tia Mozz cancelou os shows que faria ontem (sexta) e hoje (sábado) na Inglaterra. Com problemas na garganta Morrissey, o ex-vocalista dos Smiths e um dos seres vivos mais amados da humanidade, está seguindo à risca as recomendações de seu médico de não abrir a boca enquanto não estiver totalmente curado. Não custa lembrar: este senhor maravilhoso acabou de completar meio século de vida. Então, cuidar da saúde é mesmo essencial no caso dele, hihi.
* Essa dom Thiaguito Ney comentou no seu blog, o "Ilustrada no Pop", e Zap’n’roll, ela mesma, já tinha ouvido falar algo a respeito. Está em curso a armação de uma grande festa para comemorar os vinte e cinco anos do Madame Satã, que poderá rolar no dia 15 de agosto, com shows de Nitzer Ebb, Wayne Hussey (ex-vocalista do The Mission, que casou com uma perua loira de Santo André e se mudou há tempos pra cá), mais discotecagem de Mau Mau, Renato Lopes etc. Tudo ótimo, tudo lindo. O Satã, que de fato foi (ao lado do Espaço Retrô) o principal, central e maior nome de toda a cultura rocker alternativa paulistana, merece todas as homenagens, honrarias e festas do mundo. Mas esse lance de comemorar as bodas de prata da casa cheira a picaretagem da grossa, pra encher o bolso de alguém que está precisando de grana. Afinal, o casarão em si (localizado na rua Conselheiro Ramalho, no bairro do Bixiga) está fechado há séculos pela prefeitura, por diversas irregularidades e falta de pagamento de dezenas de taxas (água, luz etc), segundo o blog apurou. O venerável nome do histórico local tem sido utilizado na realização de festas esporádicas em um bar de um hotel da região central de Sampa, festas que quase nunca atraem grande público já que elas não possuem nem de longe a magia que envolvia o ambiente original da casa. Então, a pergunta que se faz é: onde seria a comemoração destas "bodas de prata"? No próprio local original do Madame Satã? Pouco provável. Fora que o Satã começou a funcionar antes de 1984 (o zapper maloqui, se lembra bem, já frequentava o casarão por volta de 1983, quando ele ainda era um dirty punk saindo da adolescência), o que não justificaria, portanto, a comemoração de "bodas de prata" que já estão vencidas. Pois é: dom Thiaguito Ney é um ótimo jornalista de cultura pop e chegado destas linhas online. Mas ele precisa a aprender a não acreditar em tudo o que lê e vê por ai...
O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Discos: os novos do Manic Street Preachers e do Graham Coxon, ambos beeeeem legais.
* Filme: "Budapeste", que entrou em cartaz na semana passada, e é baseado no romance homônimo do grande Chico Barque.
* Baladas selecionadas pro finde e pra próxima semana: hoje tem Faichecleres na Outs (rua Augusta, 486, centrão rocker de Sampa). Já na terça-feira, tem festa fechada na The Week, pra comemorar a chegada da edição brasileira da despirocada revista Vice. Vai ter dj set do povo do The Rapture (que Zap’n’roll nem curte) e a festa deverá bombar. Na quarta-feira, rola show dos pernambucanos do Volver no projeto Cedo & sentado do StudioSP (na rua Augusta, 579), e o que é melhor: de grátis! E na sexta que vem rola a despedida (infelizmente) dos queridos Borderlinerz lá no clube Inferno (rua Augusta, 501), em show que vai contar também com a presença de Daniel Belleza e seus Corações em Fúria. Nesse o blogão vai, com certeza!
CAMISETAS BACANAS E INGRESSOS NA FAIXA!
Não mandou e-mail ainda? A hora é agora, então! Vai correndo no finatti@dynamite.com.br, que continuam dando sopa por lá:
* DOIS INGRESSOS pro show do The Kooks, dia 19 de junho, na Via Funchal em Sampa;
* E duas camisetas da bacaníssima Banca de Camisetas, sendo uma masculina e outra feminina. Entra no site da Banca (www.bancadecamisetas.com.br), escolhe seu modelo e tamanho e envie as infos junto com o pedido pra tentar ganhar o mimo, okays?
BYE BYE GALERE
Hoje é sábado friorento, e o blogão vai ficar quieto na casa da amigona Karin, vendo uns filmes e comendo pipoca. E alimentando a saudade que ele sente de uma certa garota, que está muuuuuito longe dele infelizmente. Mas logo menos o blog estará bem perto dela. E não esquecendo: dia 13 de junho, sábado, dj set no clube Outs, comemorando modestamente desta vez os seis anos deste espaço rocker online. É isso aê! No começo da próxima semana, estamos por aqui novamente. Até!
(finalizado por Finatti em 30/5/2009, às 15hs.)

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