
O trio tecnopop inglês Depeche Mode, que volta com "Sounds of the Universe"
* Yesssss. Enfim o blongon fala do novo disco do quarteto irlandês, com um graaaande atraso para os padrões destes tempos velozes de internet. Mas você irá entender o motivo deste atraso ao ler o tópico sobre o disco logo mais abaixo.
* Fora isso, daqui a pouco você vai conhecer aqui as “canções do universo”, do velho mas ainda relevante Depeche Mode.
* Este post está só começando. Vai lendo aê que ao longo desta terça-feira vem beeeeem mais por aqui, okays?
U2, A BANDA QUE NÃO PERDE JAMAIS A RELEVÂNCIA
A banda, em foto clássica, nos anos 80`, quando estourou nos Estados Unidos
Deve ser um saco para um grupo como o U2, que começou algo punkster e alternativo (e no exato momento em que o movimento pós-punk dominava a cena musical inglesa) e se tornou uma das bandas mais relevantes de toda a história do rock’n’roll (pelos grandes e imprescindíveis discos que lançou, pelas fantásticas canções que compôs ao longo de mais de três décadas de existência, pela militância politica e social que o conjunto impôs a si próprio e à sua obra, pelo carisma e humildade de seus integrantes e muitos etcs), ter se transformado, já há anos, na mega banda que vende milhões de discos e que só toca em estádios lotados. Deve ser um saco porque o quarteto de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. sabe que, mesmo sendo esta mega banda e estando dentro de um negócio que continua envolvendo milhões de dólares (a música pop, mesmo com a indústria de discos caindo pelas tabelas, detonada pela livre circulação de música na internet, ainda é um dos produtos mais lucrativo$ do mundo), o U2 parece querer dizer a cada novo disco que ele possui uma necessidade vital de se manter relevante em termos artísticos e também em termos políticos e sociais. E essa digressão toda passa pela cabeça deste blogueiro após ele terminar, enfim, de ler a matéria de capa da última edição da Rolling Stone brazuca (com o grupo irlandês, óbvio) e de também ouvir diversas vezes “No Line on the Horizon”, o novo disco deles.
Sim, o álbum já saiu faz um mês e todo mundo já falou o que tinha que falar (ou quase) sobre o dito cujo. Até na na própria Rolling Stone, uma revista mensal, a resenha do disco já saiu. Então, por que Zap’n’roll resolveu escrever algo aqui somente agora sobre ele? Bom, seria tema para uma looooonga dissertação no blog. Mas, basicamente, e com uma cópia do álbum em mãos há pelo menos umas quatro semanas e com zilhões de coisas acontecendo no mondo pop (discos novos do Yeah Yeah Yeahs, show do Radiohead que estava a caminho, disco solo do Pete Doherty e mais vários etcs), o blogger devorador de informação achou que o velho U2 – vejam só – talvez não fosse mais tão relevante a ponto de merecer uma análise aqui de seu novo trabalho de estúdio, assim que ele caísse na rede.
Foi um belo engano destas linhas rockers online, hoje o blog vai reconhecer. Porque “No Line on the Horizon” é um disco bacana e mantém um padrão de qualidade composicional que o U2 conquistou ao longo de sua trajetória, e que em poucos momentos o grupo não conseguiu manter (talvez em “October”, lançado laaaaá em 1981, e no horrendo “Pop”, editado em 1997). E este “engano” em não resenhar logo o cd por aqui também se deve talvez a outro motivo muito subjetivo: Zap’n’roll, que começou sua carreira no jornalismo quando não existia internet e esse furor doentio pela informação rápida, novidadeira, rasteira, banal e descartável, está ficando meio cansada dessa quase “obrigação” que um blog musical e de cultura pop tem, nos dias de hoje, de dar tudo antes de todo mundo. É algo sacal, que torna a informação banal, rasa e muitas vezes sem sentido algum. Daqui a algumas horas ninguém irá lembrar o que leu nesses blogs, pois outras notícias irrelevantes e sem conteúdo ou aprofundamento analítico terão tomado o lugar do que estava escrito ali. Esse papo, inclusive, faz o blogueiro lembrar do diálogo que teve ontem, domingo à tarde, com sua amada girlfriend Ana Laura, enquanto ela selecionava algumas músicas para ouvir no seu i-Pod. “Porra, eu tenho 700 músicas nele”, dizia ela, garota moderna, inteligente (graduada em design digital) e cheia de entusiasmo por ter, entre outras bandas ali, naquela “caixinha de fósforos” digital, o Cold War Kids (wow!). O velho zapper ouviu aquilo e pensou que, enquanto naquela minúsucula caixinha cabiam 700 músicas, ele sentiu saudades do tempo em que morava no apê da Frei Caneca com a saudosa mama Janet e volta e meia contemplava o armário embutido do quarto, abarrotado com quase dois mil discos de vinil. Aí surgem na cabeça do autor destas linhas virtuais algumas questões: quantos garotos e garotas de vinte e poucos anos como Ana Laura se preocupam, nos dias de hoje, em ter um álbum completo de alguma banda? Aliás, quantos grupos seriam capazes de fazer um disco inteiro, com dez ou mais músicas, que seja relevante a ponto de ser lembrado daqui a um ano ou mais? Quem vai se lembrar do Cold War Kids em 2010? A própria Laura acha que ninguém ou quase ninguém vai lembrar. E olha que o CWK, com seu delicado folk rock de eflúvios à Bob Dylan, é um dos bons grupos da recente safra indie americana.
Questões, muitas questões martelando o cérebro zapper. Ou o blogger tiozão estará ficando velho e ranzinza demais para o jornalismo rock’n’roll dos tempos da informação digital? (Ana Laura mesmo brinca com o sujeito aqui: “é muita tecnologia para o velhinho indie”, rsrs).
"No Line on the Horizon": o U2 continua relevante, e como!
Seja como for, tudo isso foi perpassando o pensamento de Zap’n’roll enquanto ele, enfim, resolveu escrever sobre “No Line on the Horizon”. Yep, é um disco bem bacana de uma banda ainda muito relevante. Uma banda que, o autor deste blog se recorda perfeitamente, o então jovem fã de rock’n’roll (e que se tornaria jornaloista apenas alguns anos mais tarde) conheceu em 1980 (caralho! Vinte e nove anos atrás!), quando saiu lá fora o álbum de estréia deles, “Boy”, e sobre o qual o zapper ainda adolescente leu algo em algum jornal brasileiro mesmo. Dois anos depois, a revista Pipoca Moderna (que teve vida curtíssima, mas que foi uma das publicações sobre música e cultura pop mais legais daquela época) publicava uma matéria sobre o grupo, com o título “A guerra santa do U2”, explicando a postura musical dos caras, as questões políticas e religiosas que permeavam as letras escritas pelo vocalista Bono Vox e tals. Tudo isso foi deixando o jovem rocker cada vez mais interessado em conhecer o som do quarteto. Como naquela época não havia internet como a conhecemos hoje, mp3, downloads e essas bobagens todas, e como discos importados custavam uma grana razoável, Zap’n’roll só foi de fato tomar contato com o som do U2 quando ele começou a ouvir “I Will Follow” (a faixa que abria o álbum “Boy”) na programação da saudosa 97fm (quando ela ficava em Santo André, onde havia começado a transmitir em 1983, e só tocava rock alternativo e mpb de ótima qualidade). Depois, em 1984, foi lançado finalmente no Brasil o “The Unforgettable Fire”. O U2 já havia se tornado mega na Europa e estava prestes a ficar do mesmo jeito nos Estados Unidos. E o sujeito aqui caiu de amores pelo som da banda. O resto da trajetória do U2 todo mundo conhece e não é preciso falar sobre ela aqui novamente (afinal, este texto não é um diário sentimental, nem haverá nele passagens falando de sexo com bocetas quentes ou enfiações de pé na lama com drogas variadas, hihi).
Sim, o U2 continua bastante relevante em “No Line on the Horizon”. Talvez até mais do que foi em “How To Dismantle an Atomic Bomb”, lançado há cinco anos (e cuja turnê trouxe o grupo pela segunda vez ao Brasil, em fevereiro de 2006, com a luxuosa abertura do Franz Ferdinand, dois showzaços na mesma noite perfeita, vistos pelo zapper emocionado no estádio do Morumbi, em Sampa). Porque o novo cd deles é U2 em sua essência, mas procurando se reiventar como banda. Sim, há pecadilhos aqui e ali no disco, como o primeiro single “Get On Your Boots”, que já tocou e continua tocando à exaustão em tudo quanto é lugar. Música energética, mezzo rocker, mezzo electro e com letra política no limite do panfletarismo juvenil, ela é totalmente pulverizada quando você ouve o álbum com mais atenção e se depara com canções fantásticas como a própria faixa-título (que abre o disco trazendo guitarras em camadas, intercaladas por ambiências tensas de teclados e Bono cantando como se fosse um adolescente em desespero querendo salvar a humanidade), ou “Magnificent” (cotada para ser o próximo single), onde as guitarras épicas de The Edge entram em cena, imiscuidas entre percussão pós-punk e teclados discretos. Fora que não há músicas fáceis no trabalho, de digestão rápida e inofensiva (e a quase épica “Moment Of Surrender”, com seus mais de sete minutos, é um dos melhores exemplos disso) mas, sim, canções de reflexão amarga e belíssima, como “Unknow Caller”, “White A Snow” (e sua descrição quase pictórica sobre a morte de um soldado em terras afegãs) ou “Cedars Of Lebanon”, que fecha o disco de forma bastante dolorosa e que empurra o ouvinte para a seguinte questão: “No Line on the Horizon” vai ser um disco que irá naufragar nas vendas? Ou irá vender ainda horrores porque ostenta, atrás de si, a marca U2, uma das pouquíssimas instituições do rock que se tornaram mega em termos de público e de discos vendidos e, ainda assim, se manteve totalmente indispensável na música pop até hoje?
É, foi um erro o blogon zapper ter levado algumas semanas para falar do novo disco dos irlandeses. Ao mesmo tempo, esta demora apenas ratifica a tese que estas linhas zappers sempre defenderam: a de que não há prazo de validade informativa e textual para se falar de um grande álbum. E essa correria e pressa doentia pelo novo, pelo peido fugaz que daqui a pouco ninguém mais irá se lembrar do cheiro, apenas reforça ainda mais a validade de se comentar aqui “No Line on the Horizon” agora, mesmo um mês após seu lançamento.
Zap’n’roll acha que vai falar pra Ana Laura para ela esquecer um pouco o Cold War Kids, e lhe emprestar a cópia do novo U2. Ela, nos seus quase vinte e três anos de idade de ótima cultura e sensibilidade artística, social e política, com certeza vai gostar do que o quase cinquentão Bono tem a lhe dizer e cantar.
PS: a matéria de capa da Rolling Stone, traduzida da matriz americana e assinada por Brian Hiatt, é muito boa. E as fotos que ilustram o texto, feitas pelo lendário fotógrafo Anton Corbijn (o homem que fez dezenas de capas dos melhores discos dos anos 80’, além de dirigir “Control”, a cinebiografia de Ian Curtis), são realmente fodásticas
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Já já o blogon volta com maaaais, ao longo desta terça-feira. Enquanto isso, veja aí embaixo quem vai na faixa hoje no show dos Vangs, fechado apenas para convidados, logo mais no StudioSP:
* Luciano Terriaca;
* Bruno Alexandre
Okays? Até já, então!
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Opa, opa, voltando só pra dizer que o texto sobre o novo álbum do Depeche Mode entra mesmo no próximo post, okays? A noitada de lançamento do dvd do Vanguart na última terça foi fodástica, ontem o blogger maloquer teve que resolver outras paradas jornalísticas e agora já estamos nos concentrando no texto que entra aqui nesta sextona (mais conhecida como amanhã). Okays?
Entonces, ageunta as pontas aê que logo mais estamos de volta. Até!
(finalizado por Finatti em 02/04/2009, às 16:30hs.)

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