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REM – AGORA VAI???

As datas oficiais ainda não constam no site da banda, mas Zap’n’roll apurou extra-oficialmente sexta-feira, 29:
REM – Brasil tour 2008
6 e 10/11, São Paulo (HSBC Brasil)
8/11, Rio (HSBC Arena)
Com REM em novembro e Radiohead em março de 2009, dá até pra pensar em parar de ir a shows, depois de assistir a esses dois. Wwwwwwwwowwwwwwww!
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E mais toques rápidos, enquanto o novo post não chega:
a turma aí do outro lado do micro deve ter reparado que o "postão" aí embaixo está sem IMAGENS. Pois é, mais uma vez problemas técnicos foram a causa da não entrada de fotos. Mas caaaalma que daqui a pouco o blog volta ao normal e bem recheado com fotos, okays?
Rangel não toca mais baixo na banda Daniel Belleza & Os Corações em Fúria. Saiu para ir cuidar da sua própria banda. Em seu lugar entra o músico Joe, popular na noite under paulistana por tocar na banda The Ripps e também por ser um dos sócios da casa noturna Inferno, na rua Augusta. E o DBCF é uma das bandas que tocam na festa de 5 anos de Zap'n'roll, dia 1 de novembro no clube Outs, também em Sampa.
Temporada de festivais indies já caminhando para seu final este ano. O blogão foi convidado (e deverá aceitar) a estar no Jambolada (em Uberlândia), no graaande Varadouro (em Rio Branco, Acre) e também no novo Pequi Festival (em Montes Claros, também nas Minas Gerais). Uai, não é que os mineiros estão pegando firme no rock'n'roll?
(atualizado por Finatti em 31/08/2008, às 22:30hs.)
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Sangue, suor e porrada!
Um post acelerado, nervoso, raivoso e urgente, pra comentar um disco nervoso, intenso, estranho e urgente. Qual? Ora, "Intimacy", o terceiro e absolutamente fodaço álbum do quarteto inglês Bloc Party, e que está deixando o autor do bloggi loki completamente pasmo e sem respiração. E isso, vai vendo, num momento em que o sujeito aqui está atulhado em lançamentos novos, como o Verve (que deixou o blogão zapper meio, hã, decepcionado, mas depois explicamos melhor porquê), o solo do Brett Anderson (disco lindão e triste), o novo dos Dandy Warhols, do Of Montreal etc. Mas não deu outra: o novo trabalho da turma do vocalista Kele Okereke atropelou a concorrência e já tem o voto destas linhas rockers para ser um dos discos de 2008. E, não se esqueça: essa banda, a bordo de um disco tesudo, está a caminho do Brasil. Bão, falamos melhor sobre "Intimacy" logo mais aí embaixo, num post movimentado (sempre, né?) e que também explica, entre outras cositas, porque o fim de duas festas no bar Milo Garage (em São Paulo) não significa o fim de uma era, como andou sendo choramingado esta semana na blogosfera brazuca dedicada à cultura pop.
* Ah sim, e tem mais lançamentos dignos de nota na área: a edição nacional de "Comme Si De Rien N’était", o terceiro álbum dela, a primeira-dama francesa Carla Bruni, além do novo disco dos indies paulistanos Gasolines, "Pura Veneta", que acaba de sair pela sempre heróica gravadora e loja Baratos Afins. Zap’n’roll está dando uma "orelhada" em ambos e fala sobre eles até o início da próxima semana, podem esperar.
* ZAP’N’ROLL: ENFIM, A FESTONA DE 5 ANOS! – pois entonces, a vida não andou fácil pra ninguém este ano, neeeé? A economia cresceu (diz o governo), mais gente entrou no mercado de trabalho (também diz o governo), mas na área do nosso amado rock alternativo, o sufoco continou forte em alguns momentos. Tanto que a tradicional festa de aniversário deste blogão de cultura pop, sempre realizada em meados de abril/maio, quase não sai em 2008. Porém, como somos fortes, teimosos, brasileiros e não desistimos nunca, finalmente a festa que vai marcar os cinco anos de existência online de Zap’n’roll já tem datas e atrações confirmadas. Ela acontece no dia 1 de novembro próximo no sempre bombado clube Outs, em São Paulo. No palco estarão Rock Rocket e Daniel Belleza & Os Corações em Fúria, dois dos grandes nomes da indie scene paulistana e que vão repetir a dobradinha que fizeram na festa de dois anos da então coluna zapper, no extinto bar Juke Joint, em 2005, além da sensação garageira que é o trio Detroit e, ainda, o quinteto guarulhense Remoto Controle, a nova aposta destas linhas sempre rockers na novíssima cena independente paulista. Nas pick-up’s, incendiando a pista, estarão o autor deste blog mais o aclamado dj André Pomba (da célebre noite rocker "Grind", do clube A Loca), os residentes da Outs, Tati e Valentim, além de um dj convidado ainda a ser anunciado. Fora que, na noitada de aniversário, haverá distribuição de muuuitos brindes e prêmios. Então, fique ligado aqui no blogão que em breve iremos divulgar mais infos sobre o festão que vai comemorar os cinco anos de existência onlibe do blog de rock alternativo e cultura pop mais legal da internet brasileira, uia!
* Mas se você não aguenta esperar até novembro, sem problema: o maloqui dj gonzo aqui faz sua discotecagem mensal no clube Outs, semana que vem (sabadon, 6 de setembro, véspera do feriado da "independência"). Cola lá porque além de explodirmos a pista com o melhor do guitar rock planetário, ainda vai ter showzaços dos Borderlinerz e das riot girrrls do Hats.
* A pergunta que não quer calar: o Stone Temple Pilots afinal vem ou não vem? E se não vier, como fica a situação de quem já tinha comprado ingressos para o show que estava previsto pra acontecer dia 14 de outubro no Credicard Hall, em Sampalândia?
* Bien, bien, se a vinda do STP está confusa, a venda de ingressos para o show da diva Madonna já segue a todo vapor pela internet. Quer dizer, maaaais ou menos: quem quiser ir ao show tem que entrar no site www.ticketsforfun.com.br e se pré-cadastrar pra tentar comprar seu ingresso. É mole? Claaaaaro, vai ser (aliás, já está sendo) um inferno. Lembrando que a blondie já cinquentona (mas ainda em ótima forma, veja a foto aí embaixo, tirada do show que rolou em Cardiff, no País de Gales, no último dia 23, quando ela deu o start na tour mundial "Sticky & Sweet") toca no Rio (no Maracanã) em 14 de dezembro. Em Sampa, os shows acontecem em 18 e 20 de dezembro, no estádio do Morumbi.

* Enfim, o blog fala, em post no início da próxima semana, dos novos discos do Verve e do já rapidamente comentado aqui novo solo do Brett Anderson, a biba que enlouqueceu homens e mulehres enquanto esteve à frente do finado e saudoso Suede. Mas veja você, dileto leitor deste blog rocker, como é a vida: Zap’n’roll amou "Wilderness", o disco de Brett. Já a NME ar-ra-sou o álbum ("que fala de masturbação e cocaína", palavras da resenha da versão eletrônica do semanário), dando-lhe uma mísera nota 3.
* Pelo menos o Pitchfork concordou estas linhas zappers, e também não curtiu o álbum do Verve, que recebeu do respeitado site americano uma modesta nota 5 para o álbum "Forth".
* Mas, quer saber? Boooom mesmo é o Bloc Party!
A VIDA É MESMO CINZA, E O BP SABE DISSO
Como costuma sabiamente dizer a gata Renata Junqueira, psicóloga por profissão e dileta amiga dessas linhas rockers virtuais, a vida é cinza, quase sempre muito cinza. Claro, dependendo do ponto de vista e das circunstâncias de cada ser humano, ela pode ser cinza para muitos e azul para poucos, ou vice-versa. Mas num mundo cruel como o que vivemos, onde guerras se espalham ainda por todos os cantos, onde bilhões de miseráveis sofrem famintos com suas bocas desdentadas e onde países ricos e elites poderosas e mesquinhas não estão nem aí para aquecimento global ou se a Terra, em mais alguns anos, vai terminar tostada em um mega forno crematório, não é difícil chegar à conclusão de que nuvens plúmbeas pairam, sim, sobre a esmagadora maioria das pessoas.
E o quarteto inglês Bloc Party parece saber muito bem disso tudo e também saber o que é viver uma vida... cinza. Caso contrário, eles não estariam lançando este "Intimacy" (já dando sopa numa internet perto de você; com lançamento "físico" em cd marcado para o próximo dia 27 de outubro), um álbum que joga na cara do ouvinte uma inquietação de idéias musicais e textuais como não se anda ouvindo com muita frequência no rock dos dias atuais – logo o rock’n’roll, sempre tão combativo e engajado social e politicamente, parece ter sucumbindo ao status de mero produto comercial, numa época em que há muito a ser combatido, social e politicamente falando.
O Bloc Party surgiu em Essex, Inglaterra, em 2002. O vocalista, compositor e guitarrista Kele Okereke tinha tudo pra dar errado na vida, sob a ótica canalha, conservadora, moralista, babaca e racista da sociedade ocidental (Brasil incluso aí, um país ainda culturalmente e socialmente atrasado, onde se pratica sem o menor pudor um "racismo cordial" e onde se tolera a diversidade sexual com o dedo no nariz, o que é lamentável): negro, homossexual assumido (depois que a banda se tornou famosa), ele estudava artes na faculdade local, quando resolveu montar a banda junto com o amigo Russell Lissack (futuro guitarrista do grupo). Daí foram ensaios, procura de integrantes através de anúncios na NME (onde encontraram o baixista Gordon Moakes) e o contrato com o selo V2, que possibilitou enfim, o lançamento do álbum "Silent Alarm", em 2005. Um disco rápido, feroz, que escancarava as influências pós-punk do conjunto (notadamente The Cure e Gang Of Four), com as canções em andamento rápido e dançante, as guitarras bastante ríspidas e o baixo forte, destacado. "Helicopter" e "Banquet" explodiram nas rádios e pistas dos clubes alternativos e o BP se tornou um dos nomes mais "quentes" do novo rock inglês.

Aí veio "A Weekend In The City", lançado dois anos depois e onde a banda deu uma "desacelerada" nas músicas, embora temas pesados como drogas, homossexualidade (em clara alusão à preferência sexual de Okereke) e a pressão/sufoco de viver em grandes infernos urbanos, permeassem todo o cd e conferissem ao grupo a mesma aura sombria presente nas canções do trabalho de estréia. Mas o impacto conseguido com "Silent Alarm" parecia ter em parte se perdido, de resto algo muito comum nestes tempos velozes e fugazes da música globalizada e difundida via internet, onde está cada vez mais difícil uma banda de rock estabelecer uma carreira que ultrapasse os cinco anos.
Mas eis que o Bloc Party chegou ao seu sexto ano de existência e coloca agora na praça seu terceiro rebento. Não é exagero dizer que "Intimacy" talvez seja o grande momento do grupo até agora. Um disco que desvela uma estranhíssima paisagem sonora, onde a banda flutua por guitarras ferozes, bases eletrônicas, melodias sombrias e coros vocais em forma de canto gregoriano sem a menor cerimonia. Às vezes, não se parece com nada do que o grupo fez até o momento mas, ainda assim, é Bloc Party em sua acepção mais pura. Isso fica muito evidente quando se ouve "Ares", que abre o disco com guitarras estridentes (como se fossem sirenes alertando a população para a iminência de um ataque nuclear) e bateria potente e em bloco, até que Okereke surge cantando em tom agônico – sim, por vezes, muitas vezes, a música de "Intimacy" parece uma cornucópia de agonia plena e absoluta. Vem "Mercury" (que deverá ser o primeiro single de trabalho do álbum) e não há refresco na ambiência sônica do BP: vocais em eco, metais (sampleados?) e andamento rítmico swingado dão um tom "afro" à canção. Já "Halo" volta ao furor do pós-punk mais básico e agressivo, presente em grande parte do primeiro álbum deles. A surpresa, o estranhamento, começa mesmo na climática e soturna "Biko" (outra canção sobre o lendário líder negro sul-africano, que lutou até a morte pela independência de seu país?), sem guitarras, apenas com bases eletrônicas e teclados criando um ambiente quase trip hop – algo não muito comum ao que o quarteto fez até agora em sua carreira. Essa "fuga" do pós-punk rápido e urgente prossegue na linda e tristonha "Signs" (com seus ruídos de sinos estilizados) e na eletrônica "Zephyrus", com seus coros gregorianos que serviriam de trilha perfeita para um cenário de holocausto, ou de algum episódio da série Matrix. Claro, o BC feroz e rápido do princípio ainda se faz presente (em "Trojan Horse" ou "One Month Off", por exemplo), mas são as escapatórias desse modelo sonoro bem sucedido no primeiro disco que tornam "Intimacy" um trabalho fodástico e acachapante.
Já tem o voto do blog para disco do ano, sem dúvida alguma. E nunca é demais lembrar: essa banda, que acaba de lançar um disco tão espetacular quanto estranho, está a caminho do Brasil. Vai tocar na festa do VMB 2008, em outubro e, depois, no festival Planeta Terra, em São Paulo, no dia 8 de novembro.
Até lá, você já pode ir ouvindo "Intimacy". E tentar entender porque, de fato, a vida do ser humano é perenemente cinza.
O BAD CHOPPER VEIO E QUASE NINGUÉM VIU
É isso mesmo. Quem diria que os outrora mundialmente amados Ramones iriam viver, atualmente, dias de ostracismo – pelo menos aqui no Brasil. Vai vendo: CJ Ramone e sua nova banda, a elogiada Bad Chopper, andaram tocando no Brasil no comecinho deste mês e quase ninguém deu pelota pros shows. O que é meio chato pois o sujeito aqui se lembra muito bem da loucura que foram todas as turnês dos Ramones pelo país, já que Zap’n’roll foi em todas elas.
E o Bad Chopper merecia mais atenção por parte da molecada rocker brazuca. Anyway, como este blog ainda é, hã, bastante "alternativo" em se tratando de cobertura da cena pop/rock, não deixaríamos de mostrar como foi a passagem do BC pelo Brasil. Laaaá em Cascavel, no Paraná, nosso sempre antenado e dileto colaborador Cristiano Viteck caiu no pogo durante a apresentação de CJ e saiu vivo, pra contar logo abaixo como foi:
* "Sete anos após a sua última passagem pelo Brasil, CJ Ramone – baixista que substituiu Dee Dee em 1989 e permaneceu nos Ramones até o final da banda, em 1996 –, voltou ao país mais uma vez com o seu grupo Bad Chopper. Agora, para divulgar o recém lançado CD de estréia, que leva apenas o nome da banda. Ao todo, foram quatro shows em São Paulo, Cascavel, Curitiba e Porto Alegre. Depois, o Bad Chopper seguiu para o Chile, Uruguai e Argentina, onde encerrou a turnê sul-americana no dia 21 de agosto. Sem o disco ter sido lançado no Brasil, CJ contou praticamente com o sobrenome com que foi batizado nos Ramones para atrair o público, formado na maior parte por adolescentes ou jovens que mal haviam saído das fraldas quando os reis do punk colocaram um ponto final na sua trajetória. Mas, não se engane, pois fãs cujos cabelos já começam a rarear também foram matar a saudade de ver um Ramone em ação e, melhor ainda, apresentando um trabalho inédito, considerado o melhor disco solo de um ex-integrante dos Ramones.

Em Cascavel (PR, cerca de 500 km de Curitiba), o Bad Chopper se apresentou no dia 09 de agosto, no Master Music Hall, para uma platéia pequena, de cerca de 150 pessoas. Se o público não foi dos maiores, o que CJ (baixo/vocal), Brian Costanza (guitarra) e John Evicci (bateria) mostraram foi intenso. Em pouco mais de uma hora, a banda tocou quase todas as 12 canções do seu disco, intercaladas com clássicos ramônicos, principalmente aqueles que CJ compôs ou cantava na companhia de Joey, Johnny e Marky.
O Bad Chopper abriu a apresentação com "Diabla", uma das melhores canções do novo CD, que já havia aparecido em outros dois compactos (inclusive em um lançado em 2000, quando a banda ainda atendia pelo nome Warm Jets). Depois foi a vez de "Sick of It" e "Do It To Me". Até aqui o público manteve uma postura mais de admiração do que de curtição do show. Mas foi só CJ começar a cantar a quase indecifrável "Warthog" e "The Crusher" que o pandemônio típico de um show dos Ramones teve início e continuou até o fim. Do trabalho próprio do Bad Chopper também foram tocadas "Ain’t a Criminal", "Headshot", "Lucky Girl", "Real Bad Time", "Come on Now", "All The Pretty Girls" (que CJ anunciou como "a song about masturbation", com direito a gestos para explicar o tema da música para aqueles que não arranham o inglês) e a mais ramônica das canções da banda, "Good Enough For Me".

Já as outras canções dos Ramones executadas no Master Music Hall (em versões bem mais lentas do que a banda original tocava ao vivo, é verdade!) foram"Main Man", "I Got a Lot To Say", "Punishment Fits The Crime" (que os Ramones dificilmente tocavam ao vivo e oficialmente não há registro na voz de CJ), "Scattergun" e "Cretin Family". Fechando o set, "Strenght to Endure", "My Back Pages", "Endless Vacation" (que o ex-Ramone confessou nunca ter tocado ao vivo com a sua banda mais famosa) e, por fim, "R.A.M.O.N.E.S.", canção do Motorhead regravada pelos Ramones em 1995 em duas versões diferentes: uma com vocal de Joey e outra com CJ.
Para os brasileiros, que quase se acostumaram com as constantes visitas de Marky Ramone ao Brasil, ver outro Ramone em ação e apresentando um trabalho novo e de qualidade inquestionável é um banquete e tanto. E as canções dos Ramones, certamente, são a deliciosa sobremesa que satisfaz todas as gerações de fãs".
BAD CHOPPER EM CASCAVEL
Uma palhinha do show, aí embaixo:
FIM DE UMA ERA? QUE EXAGERO...

Pois então: dois dos mais concorridos (hihi) e queridos colegas do blogosfera brasileira dedicada ao rock alternativo e à cultura pop, dear Luuuuuuusssssssciiiiiioooooouuuuuussssssss R. e dom Thiaguito Ney, lamentaram anteontem em suas respectivas "Popload" (no iG) e "Ilustrada no pop" (na Folha online) a extinção das festas "Mixtape" e "Peligro", que eram ambas realizadas no clubinho paulistano Milo Garage. Após animar bastante a minúscula garagem transformada em bar numa rua do bairro de Higienópolis (a parte "chique" do centrão de Sampalândia) nos últimos anos, ambas as noites se despedem esta semana – a festa da Peligro hoje, quinta-feira; a Mixtape neste sábado. Os promoters das duas pretendem unir forças e abrir uma nova casa noturna alternativa, que deverá se chamar Neu e poderá começar a funcionar já em outubro, no bairro paulistano da Água Branca.
Enfim, nossos diletos companheiros de bloguismo pop choraram o fim das duas noitadas do Milo e classificaram o episódio como sendo o "fim de uma era". Tsc, tsc. Zap’n’roll, que além de leitora assídua da Popload e da Ilustrada no pop, também se considera amiga do titular da primeira e bastante simpática a quem escreve a segunda, para não dizer que as duas estão falando bobagem prefere enxergar um evidente exagero no comentário de ambas a respeito do Milo – aliás, exagero e oba-oba desnecessários se tornaram regra no bloguismo cultural, não é mesmo?
Fim de uma era? Qual era? Pelamor... o autor destas linhas rockers online frequentou o Milo algumas vezes (não muitas, mas algumas) durante a existência da festa que era promovida pela loja virtual Peligro lá às quintas-feiras. Na noite Mixtape, este blogger admite, ele nunca foi – embora sempre tenha ouvido falar muito bem do trabalho do dj Guab. Enfim, nas vezes em que foi à noitada da Peligro, o autor deste blog sempre se divertiu bastante: a discotecagem sempre foi boa (algumas vezes, ótima), as bandas que tocavam lá sempre mandaram muuuuito bem (o último show visto pelo blog zapper lá, então, com os curitibanos do Bad Folks, foi de foder de tão bom), o ambiente era pequeno e apertado mas acolhedor e o responsável pela festa, o músico e produtor Guilherme Barrella, sempre foi um lorde com Zap’n’roll. Se este mezzo velho rocker ranzinza achava algo ruim ali, era em relação a um certo povinho indie "muderno" e afetado que costumava aparecer por lá, fazendo carão e querendo posar de "antenado" – no final das contas, um bando de imbecis endinheirados (às vezes, nem isso) que não saberia reconhecer/identificar nem 1% das músicas que estavam sendo tocadas ali pelos djs.
Ou seja, o Milo era sim legal e ok às quintas-feiras (e também, provavelmente, aos sábados). Mas daí a dizer que o final das duas festas significa o "fim de uma era" é de um desconhecimento atroz do que foi a noite alternativa em Sampa nos anos 80’ e 90’, um desconhecimento incompatível com a reconhecida qualidade e competência do trabalho jornalístico desenvolvido pela Popload e pela Ilustrada no pop . E o autor destas linhas rockers virtuais, sem querer ser arrogante, frequentou praticamente tooodaaa a cena alternativa de São Paulo nos últimos vinte anos, pra poder escrever o que está aqui: fim de uma era foi quando fechou, definitivamente, em 1998, o espaço Retrô, no bairro de Santa Cecília. O Retrô, quem acompanha este blog desde os tempos em que ele era coluna, sabe (pois já cansamos de falar dele aqui): com a derrocada do Madame Satã no final da década de 80, o sobradinho neo-clássico pintado de vermelho se transformou no lar dos "mudernos" paulistanos de então. Foi ali que Zap’n’roll ouviu pela primeira vez Mudhoney, Swans, Screaming Trees, Ride, Inspiral Carpets, Stone Roses e mais uma cacetada de bandas geniais, que eram tocadas (ainda) em vinis importados pelos djs Toninho e Pequê. Isso sem contar a garotada realmente estilosa que frequentava o local, as bocetas loucas e deliciosas que batiam cartão por lá, o povo das bandas gringas que aqui tocavam que também acabavam indo pra lá após seus shows – gente como Nick Cave e músicos do Jesus & Mary Chain (o baixista Douglas Hart) e do Cocteau Twins, todo mundo foi lá. Isso sem contar os vídeos sempre sensacionais que passavam em um telão realmente gigante etc. O Retrô abriu em 1988 e fechou pela primeira vez em 1992. Reaberto novamente em 1995, durou mais três anos sempre trazendo novidades fodaças e shows memoráveis (inesquecíveis as apresentações dos PinUps, do baiano brincando de deus ou do brasiliense Low Dream), e tudo isso num muquifo podrão e sem conforto algum, todo grafitado mas onde se respirava cultura e loucura (gente fumando beck e cheirando padê nos banheiros, gente também trepando muito nos mesmos banheiros) em doses rigorosamente acachapantes e iguais.
O fechamento do Retrô sim, significou o fim de uma era. Assim como o fechamento do Madame Satã (o primeiro, o clássico dos anos 80, onde todo mundo que importava na cultura e na cena musical under paulistana frequentava), onde o lendário jornalista Mário Mendes (que foi editor de cultura da revista Istoé e chefe deste escriba zapper, quando ele também trabalhou na mesma Istoé) entrou uma noite vestido de pijama, também significou o fim de uma era. Assim como a extinção das danceterias heróicas de Pinheiros, como Dama Xoc e Aeroanta (onde, imaginem, Zap’n’roll chegou a assistir Cazuza em seu último show antes dele morrer vitimado pela aids ou, ainda, uma noitada alternativa com os PinUps e com o Hateen, então sem sequer disco lançado e muito longe do emocore babacão que o grupo toca hoje) também significou o fim de uma era. Assim como o desaparecimento de clubes históricos como o Massivo e o Srta. Kravitz (que popularizaram a cultura dance em São Paulo) também significou o fim de uma era. Zap’n’roll frequentou absolutamente todos esses lugares e precisaria escrever um livro aqui pra detalhar a importância deles na cultura underground paulistana, além de relembrar toda a putaria e loucura junkie que rolava nestes locais e que contou com a ativa participação do autor deste blog.
Por tudo isso é que, quando lê que o fim de duas festas no Milo Garage (que, diga-se, vai continuar funcionando) é tratado como o "fim de uma era", estas linhas zappers ficam meio pasmas com o tamanho do exagero. Um exagero até compreensível quando se sabe que dom Thiaguito Ney (um bom jornalista de cultura pop, vale exarar) é uma década mais novo do que o autor do blogão gonzola aqui. E um exagero estranho da parte da querida Popload quando se sabe que dear Luscious, ele também um quarentão como Zap’n’roll, deve ter vivido e frequentado a mesma cena de clubes e bares rockers paulistanos na década de 90’ – e nem falamos, aqui, do Cais e do Hoellisch na pça. Rosevelt ou do inesqueível Der Temple, na rua Augusta (cujo dono, Giggio, hoje administra o Matrix, na Vila Madalena), o bar escolhido por Kurt Cobain e Courtney Love pra virar a madrugada após o show do Nirvana no festival Hollywood Rock, em 1993. Yep, o maloqui bloggi estava lá no Der Temple, naquela madrugada. Mas isso é assunto para um outro e looooongo post.
Não se trata de estar ficando tiozão e saudosista. Mas fim de várias eras é o que está relatado aí em cima. O fim das festas Peligro e Mixtape, no final das contas, talvez só signifique mesmo o fim da frequência dos indies imbecis que volta e meia acampavam no Milo. Se for isso mesmo, ainda bem!
O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Balada nova: as quintas-feiras na Funhouse estão muuuito mais animadas, pois desde o começo deste mês rola por lá a nova festa Low Town Again (que veio substituir em boa hora a já caduca noite Strike, que estava completamente desgastada). Organizada pela liiiindaaaa, descolada e queridíssima Indayara Moyano, uma das promoters rockers mais amadas da noite alternativa paulistana, a nova balada quer atacar os mais diversos estilos musicais e não ficar presa somente ao rock alternativo. Boa pedida pras noites de quinta, sendo que o sobradinho da Fun, você sabe, fica na rua Bela Cintra, 567, Consolação, centro de Sampalândia. Vai lá!
* Discos: os novos do Bloc Party e Brett Anderson, que já estão facinhos de achar na rede. É só ir atrás.
* Filme: "Ensaio sobre a cegueira". Tem Julianne Moore no papel principal, é dirigido por Fernando Meirelles e é baseado no clássico de José Saramago. Ou seja: tudibom. Entra em cartaz nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira.
BALADAS DA SEMANA
Eeeeeeeitaaaaaaa, vamos então às ditas cujas, que estão bem animadas no último

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