Dynamite

Entries for month: August 2008

O mundo cinza do Bloc Party

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REM – AGORA VAI???

As datas oficiais ainda não constam no site da banda, mas Zap’n’roll apurou extra-oficialmente sexta-feira, 29:

REM – Brasil tour 2008

6 e 10/11, São Paulo (HSBC Brasil)

8/11, Rio (HSBC Arena)

Com REM em novembro e Radiohead em março de 2009, dá até pra pensar em parar de ir a shows, depois de assistir a esses dois. Wwwwwwwwowwwwwwww!

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E mais toques rápidos, enquanto o novo post não chega:

a turma aí do outro lado do micro deve ter reparado que o "postão" aí embaixo está sem IMAGENS. Pois é, mais uma vez problemas técnicos foram a causa da não entrada de fotos. Mas caaaalma que daqui a pouco o blog volta ao normal e bem recheado com fotos, okays?

Rangel não toca mais baixo na banda Daniel Belleza & Os Corações em Fúria. Saiu para ir cuidar da sua própria banda. Em seu lugar entra o músico Joe, popular na noite under paulistana por tocar na banda The Ripps e também por ser um dos sócios da casa noturna Inferno, na rua Augusta. E o DBCF é uma das bandas que tocam na festa de 5 anos de Zap'n'roll, dia 1 de novembro no clube Outs, também em Sampa.

Temporada de festivais indies já caminhando para seu final este ano. O blogão foi convidado (e deverá aceitar) a estar no Jambolada (em Uberlândia), no graaande Varadouro (em Rio Branco, Acre) e também no novo Pequi Festival (em Montes Claros, também nas Minas Gerais). Uai, não é que os mineiros estão pegando firme no rock'n'roll?

(atualizado por Finatti em 31/08/2008, às 22:30hs.)  

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Sangue, suor e porrada!

Um post acelerado, nervoso, raivoso e urgente, pra comentar um disco nervoso, intenso, estranho e urgente. Qual? Ora, "Intimacy", o terceiro e absolutamente fodaço álbum do quarteto inglês Bloc Party, e que está deixando o autor do bloggi loki completamente pasmo e sem respiração. E isso, vai vendo, num momento em que o sujeito aqui está atulhado em lançamentos novos, como o Verve (que deixou o blogão zapper meio, hã, decepcionado, mas depois explicamos melhor porquê), o solo do Brett Anderson (disco lindão e triste), o novo dos Dandy Warhols, do Of Montreal etc. Mas não deu outra: o novo trabalho da turma do vocalista Kele Okereke atropelou a concorrência e já tem o voto destas linhas rockers para ser um dos discos de 2008. E, não se esqueça: essa banda, a bordo de um disco tesudo, está a caminho do Brasil. Bão, falamos melhor sobre "Intimacy" logo mais aí embaixo, num post movimentado (sempre, né?) e que também explica, entre outras cositas, porque o fim de duas festas no bar Milo Garage (em São Paulo) não significa o fim de uma era, como andou sendo choramingado esta semana na blogosfera brazuca dedicada à cultura pop.

* Ah sim, e tem mais lançamentos dignos de nota na área: a edição nacional de "Comme Si De Rien N’était", o terceiro álbum dela, a primeira-dama francesa Carla Bruni, além do novo disco dos indies paulistanos Gasolines, "Pura Veneta", que acaba de sair pela sempre heróica gravadora e loja Baratos Afins. Zap’n’roll está dando uma "orelhada" em ambos e fala sobre eles até o início da próxima semana, podem esperar.

* ZAP’N’ROLL: ENFIM, A FESTONA DE 5 ANOS! – pois entonces, a vida não andou fácil pra ninguém este ano, neeeé? A economia cresceu (diz o governo), mais gente entrou no mercado de trabalho (também diz o governo), mas na área do nosso amado rock alternativo, o sufoco continou forte em alguns momentos. Tanto que a tradicional festa de aniversário deste blogão de cultura pop, sempre realizada em meados de abril/maio, quase não sai em 2008. Porém, como somos fortes, teimosos, brasileiros e não desistimos nunca, finalmente a festa que vai marcar os cinco anos de existência online de Zap’n’roll já tem datas e atrações confirmadas. Ela acontece no dia 1 de novembro próximo no sempre bombado clube Outs, em São Paulo. No palco estarão Rock Rocket e Daniel Belleza & Os Corações em Fúria, dois dos grandes nomes da indie scene paulistana e que vão repetir a dobradinha que fizeram na festa de dois anos da então coluna zapper, no extinto bar Juke Joint, em 2005, além da sensação garageira que é o trio Detroit e, ainda, o quinteto guarulhense Remoto Controle, a nova aposta destas linhas sempre rockers na novíssima cena independente paulista. Nas pick-up’s, incendiando a pista, estarão o autor deste blog mais o aclamado dj André Pomba (da célebre noite rocker "Grind", do clube A Loca), os residentes da Outs, Tati e Valentim, além de um dj convidado ainda a ser anunciado. Fora que, na noitada de aniversário, haverá distribuição de muuuitos brindes e prêmios. Então, fique ligado aqui no blogão que em breve iremos divulgar mais infos sobre o festão que vai comemorar os cinco anos de existência onlibe do blog de rock alternativo e cultura pop mais legal da internet brasileira, uia!

* Mas se você não aguenta esperar até novembro, sem problema: o maloqui dj gonzo aqui faz sua discotecagem mensal no clube Outs, semana que vem (sabadon, 6 de setembro, véspera do feriado da "independência"). Cola lá porque além de explodirmos a pista com o melhor do guitar rock planetário, ainda vai ter showzaços dos Borderlinerz e das riot girrrls do Hats.

* A pergunta que não quer calar: o Stone Temple Pilots afinal vem ou não vem? E se não vier, como fica a situação de quem já tinha comprado ingressos para o show que estava previsto pra acontecer dia 14 de outubro no Credicard Hall, em Sampalândia?

* Bien, bien, se a vinda do STP está confusa, a venda de ingressos para o show da diva Madonna já segue a todo vapor pela internet. Quer dizer, maaaais ou menos: quem quiser ir ao show tem que entrar no site www.ticketsforfun.com.br e se pré-cadastrar pra tentar comprar seu ingresso. É mole? Claaaaaro, vai ser (aliás, já está sendo) um inferno. Lembrando que a blondie já cinquentona (mas ainda em ótima forma, veja a foto aí embaixo, tirada do show que rolou em Cardiff, no País de Gales, no último dia 23, quando ela deu o start na tour mundial "Sticky & Sweet") toca no Rio (no Maracanã) em 14 de dezembro. Em Sampa, os shows acontecem em 18 e 20 de dezembro, no estádio do Morumbi.

* Enfim, o blog fala, em post no início da próxima semana, dos novos discos do Verve e do já rapidamente comentado aqui novo solo do Brett Anderson, a biba que enlouqueceu homens e mulehres enquanto esteve à frente do finado e saudoso Suede. Mas veja você, dileto leitor deste blog rocker, como é a vida: Zap’n’roll amou "Wilderness", o disco de Brett. Já a NME ar-ra-sou o álbum ("que fala de masturbação e cocaína", palavras da resenha da versão eletrônica do semanário), dando-lhe uma mísera nota 3.

* Pelo menos o Pitchfork concordou estas linhas zappers, e também não curtiu o álbum do Verve, que recebeu do respeitado site americano uma modesta nota 5 para o álbum "Forth".

* Mas, quer saber? Boooom mesmo é o Bloc Party!

A VIDA É MESMO CINZA, E O BP SABE DISSO

Como costuma sabiamente dizer a gata Renata Junqueira, psicóloga por profissão e dileta amiga dessas linhas rockers virtuais, a vida é cinza, quase sempre muito cinza. Claro, dependendo do ponto de vista e das circunstâncias de cada ser humano, ela pode ser cinza para muitos e azul para poucos, ou vice-versa. Mas num mundo cruel como o que vivemos, onde guerras se espalham ainda por todos os cantos, onde bilhões de miseráveis sofrem famintos com suas bocas desdentadas e onde países ricos e elites poderosas e mesquinhas não estão nem aí para aquecimento global ou se a Terra, em mais alguns anos, vai terminar tostada em um mega forno crematório, não é difícil chegar à conclusão de que nuvens plúmbeas pairam, sim, sobre a esmagadora maioria das pessoas.

E o quarteto inglês Bloc Party parece saber muito bem disso tudo e também saber o que é viver uma vida... cinza. Caso contrário, eles não estariam lançando este "Intimacy" (já dando sopa numa internet perto de você; com lançamento "físico" em cd marcado para o próximo dia 27 de outubro), um álbum que joga na cara do ouvinte uma inquietação de idéias musicais e textuais como não se anda ouvindo com muita frequência no rock dos dias atuais – logo o rock’n’roll, sempre tão combativo e engajado social e politicamente, parece ter sucumbindo ao status de mero produto comercial, numa época em que há muito a ser combatido, social e politicamente falando.

O Bloc Party surgiu em Essex, Inglaterra, em 2002. O vocalista, compositor e guitarrista Kele Okereke tinha tudo pra dar errado na vida, sob a ótica canalha, conservadora, moralista, babaca e racista da sociedade ocidental (Brasil incluso aí, um país ainda culturalmente e socialmente atrasado, onde se pratica sem o menor pudor um "racismo cordial" e onde se tolera a diversidade sexual com o dedo no nariz, o que é lamentável): negro, homossexual assumido (depois que a banda se tornou famosa), ele estudava artes na faculdade local, quando resolveu montar a banda junto com o amigo Russell Lissack (futuro guitarrista do grupo). Daí foram ensaios, procura de integrantes através de anúncios na NME (onde encontraram o baixista Gordon Moakes) e o contrato com o selo V2, que possibilitou enfim, o lançamento do álbum "Silent Alarm", em 2005. Um disco rápido, feroz, que escancarava as influências pós-punk do conjunto (notadamente The Cure e Gang Of Four), com as canções em andamento rápido e dançante, as guitarras bastante ríspidas e o baixo forte, destacado. "Helicopter" e "Banquet" explodiram nas rádios e pistas dos clubes alternativos e o BP se tornou um dos nomes mais "quentes" do novo rock inglês.

Aí veio "A Weekend In The City", lançado dois anos depois e onde a banda deu uma "desacelerada" nas músicas, embora temas pesados como drogas, homossexualidade (em clara alusão à preferência sexual de Okereke) e a pressão/sufoco de viver em grandes infernos urbanos, permeassem todo o cd e conferissem ao grupo a mesma aura sombria presente nas canções do trabalho de estréia. Mas o impacto conseguido com "Silent Alarm" parecia ter em parte se perdido, de resto algo muito comum nestes tempos velozes e fugazes da música globalizada e difundida via internet, onde está cada vez mais difícil uma banda de rock estabelecer uma carreira que ultrapasse os cinco anos.

Mas eis que o Bloc Party chegou ao seu sexto ano de existência e coloca agora na praça seu terceiro rebento. Não é exagero dizer que "Intimacy" talvez seja o grande momento do grupo até agora. Um disco que desvela uma estranhíssima paisagem sonora, onde a banda flutua por guitarras ferozes, bases eletrônicas, melodias sombrias e coros vocais em forma de canto gregoriano sem a menor cerimonia. Às vezes, não se parece com nada do que o grupo fez até o momento mas, ainda assim, é Bloc Party em sua acepção mais pura. Isso fica muito evidente quando se ouve "Ares", que abre o disco com guitarras estridentes (como se fossem sirenes alertando a população para a iminência de um ataque nuclear) e bateria potente e em bloco, até que Okereke surge cantando em tom agônico – sim, por vezes, muitas vezes, a música de "Intimacy" parece uma cornucópia de agonia plena e absoluta. Vem "Mercury" (que deverá ser o primeiro single de trabalho do álbum) e não há refresco na ambiência sônica do BP: vocais em eco, metais (sampleados?) e andamento rítmico swingado dão um tom "afro" à canção. Já "Halo" volta ao furor do pós-punk mais básico e agressivo, presente em grande parte do primeiro álbum deles. A surpresa, o estranhamento, começa mesmo na climática e soturna "Biko" (outra canção sobre o lendário líder negro sul-africano, que lutou até a morte pela independência de seu país?), sem guitarras, apenas com bases eletrônicas e teclados criando um ambiente quase trip hop – algo não muito comum ao que o quarteto fez até agora em sua carreira. Essa "fuga" do pós-punk rápido e urgente prossegue na linda e tristonha "Signs" (com seus ruídos de sinos estilizados) e na eletrônica "Zephyrus", com seus coros gregorianos que serviriam de trilha perfeita para um cenário de holocausto, ou de algum episódio da série Matrix. Claro, o BC feroz e rápido do princípio ainda se faz presente (em "Trojan Horse" ou "One Month Off", por exemplo), mas são as escapatórias desse modelo sonoro bem sucedido no primeiro disco que tornam "Intimacy" um trabalho fodástico e acachapante.

Já tem o voto do blog para disco do ano, sem dúvida alguma. E nunca é demais lembrar: essa banda, que acaba de lançar um disco tão espetacular quanto estranho, está a caminho do Brasil. Vai tocar na festa do VMB 2008, em outubro e, depois, no festival Planeta Terra, em São Paulo, no dia 8 de novembro.

Até lá, você já pode ir ouvindo "Intimacy". E tentar entender porque, de fato, a vida do ser humano é perenemente cinza.

O BAD CHOPPER VEIO E QUASE NINGUÉM VIU

É isso mesmo. Quem diria que os outrora mundialmente amados Ramones iriam viver, atualmente, dias de ostracismo – pelo menos aqui no Brasil. Vai vendo: CJ Ramone e sua nova banda, a elogiada Bad Chopper, andaram tocando no Brasil no comecinho deste mês e quase ninguém deu pelota pros shows. O que é meio chato pois o sujeito aqui se lembra muito bem da loucura que foram todas as turnês dos Ramones pelo país, já que Zap’n’roll foi em todas elas.

E o Bad Chopper merecia mais atenção por parte da molecada rocker brazuca. Anyway, como este blog ainda é, hã, bastante "alternativo" em se tratando de cobertura da cena pop/rock, não deixaríamos de mostrar como foi a passagem do BC pelo Brasil. Laaaá em Cascavel, no Paraná, nosso sempre antenado e dileto colaborador Cristiano Viteck caiu no pogo durante a apresentação de CJ e saiu vivo, pra contar logo abaixo como foi:

 

* "Sete anos após a sua última passagem pelo Brasil, CJ Ramone – baixista que substituiu Dee Dee em 1989 e permaneceu nos Ramones até o final da banda, em 1996 –, voltou ao país mais uma vez com o seu grupo Bad Chopper. Agora, para divulgar o recém lançado CD de estréia, que leva apenas o nome da banda. Ao todo, foram quatro shows em São Paulo, Cascavel, Curitiba e Porto Alegre. Depois, o Bad Chopper seguiu para o Chile, Uruguai e Argentina, onde encerrou a turnê sul-americana no dia 21 de agosto. Sem o disco ter sido lançado no Brasil, CJ contou praticamente com o sobrenome com que foi batizado nos Ramones para atrair o público, formado na maior parte por adolescentes ou jovens que mal haviam saído das fraldas quando os reis do punk colocaram um ponto final na sua trajetória. Mas, não se engane, pois fãs cujos cabelos já começam a rarear também foram matar a saudade de ver um Ramone em ação e, melhor ainda, apresentando um trabalho inédito, considerado o melhor disco solo de um ex-integrante dos Ramones.

Em Cascavel (PR, cerca de 500 km de Curitiba), o Bad Chopper se apresentou no dia 09 de agosto, no Master Music Hall, para uma platéia pequena, de cerca de 150 pessoas. Se o público não foi dos maiores, o que CJ (baixo/vocal), Brian Costanza (guitarra) e John Evicci (bateria) mostraram foi intenso. Em pouco mais de uma hora, a banda tocou quase todas as 12 canções do seu disco, intercaladas com clássicos ramônicos, principalmente aqueles que CJ compôs ou cantava na companhia de Joey, Johnny e Marky.

O Bad Chopper abriu a apresentação com "Diabla", uma das melhores canções do novo CD, que já havia aparecido em outros dois compactos (inclusive em um lançado em 2000, quando a banda ainda atendia pelo nome Warm Jets). Depois foi a vez de "Sick of It" e "Do It To Me". Até aqui o público manteve uma postura mais de admiração do que de curtição do show. Mas foi só CJ começar a cantar a quase indecifrável "Warthog" e "The Crusher" que o pandemônio típico de um show dos Ramones teve início e continuou até o fim. Do trabalho próprio do Bad Chopper também foram tocadas "Ain’t a Criminal", "Headshot", "Lucky Girl", "Real Bad Time", "Come on Now", "All The Pretty Girls" (que CJ anunciou como "a song about masturbation", com direito a gestos para explicar o tema da música para aqueles que não arranham o inglês) e a mais ramônica das canções da banda, "Good Enough For Me".

Já as outras canções dos Ramones executadas no Master Music Hall (em versões bem mais lentas do que a banda original tocava ao vivo, é verdade!) foram"Main Man", "I Got a Lot To Say", "Punishment Fits The Crime" (que os Ramones dificilmente tocavam ao vivo e oficialmente não há registro na voz de CJ), "Scattergun" e "Cretin Family". Fechando o set, "Strenght to Endure", "My Back Pages", "Endless Vacation" (que o ex-Ramone confessou nunca ter tocado ao vivo com a sua banda mais famosa) e, por fim, "R.A.M.O.N.E.S.", canção do Motorhead regravada pelos Ramones em 1995 em duas versões diferentes: uma com vocal de Joey e outra com CJ.

Para os brasileiros, que quase se acostumaram com as constantes visitas de Marky Ramone ao Brasil, ver outro Ramone em ação e apresentando um trabalho novo e de qualidade inquestionável é um banquete e tanto. E as canções dos Ramones, certamente, são a deliciosa sobremesa que satisfaz todas as gerações de fãs".

BAD CHOPPER EM CASCAVEL

Uma palhinha do show, aí embaixo:

FIM DE UMA ERA? QUE EXAGERO...

Pois então: dois dos mais concorridos (hihi) e queridos colegas do blogosfera brasileira dedicada ao rock alternativo e à cultura pop, dear Luuuuuuusssssssciiiiiioooooouuuuuussssssss R. e dom Thiaguito Ney, lamentaram anteontem em suas respectivas "Popload" (no iG) e "Ilustrada no pop" (na Folha online) a extinção das festas "Mixtape" e "Peligro", que eram ambas realizadas no clubinho paulistano Milo Garage. Após animar bastante a minúscula garagem transformada em bar numa rua do bairro de Higienópolis (a parte "chique" do centrão de Sampalândia) nos últimos anos, ambas as noites se despedem esta semana – a festa da Peligro hoje, quinta-feira; a Mixtape neste sábado. Os promoters das duas pretendem unir forças e abrir uma nova casa noturna alternativa, que deverá se chamar Neu e poderá começar a funcionar já em outubro, no bairro paulistano da Água Branca.

Enfim, nossos diletos companheiros de bloguismo pop choraram o fim das duas noitadas do Milo e classificaram o episódio como sendo o "fim de uma era". Tsc, tsc. Zap’n’roll, que além de leitora assídua da Popload e da Ilustrada no pop, também se considera amiga do titular da primeira e bastante simpática a quem escreve a segunda, para não dizer que as duas estão falando bobagem prefere enxergar um evidente exagero no comentário de ambas a respeito do Milo – aliás, exagero e oba-oba desnecessários se tornaram regra no bloguismo cultural, não é mesmo?

Fim de uma era? Qual era? Pelamor... o autor destas linhas rockers online frequentou o Milo algumas vezes (não muitas, mas algumas) durante a existência da festa que era promovida pela loja virtual Peligro lá às quintas-feiras. Na noite Mixtape, este blogger admite, ele nunca foi – embora sempre tenha ouvido falar muito bem do trabalho do dj Guab. Enfim, nas vezes em que foi à noitada da Peligro, o autor deste blog sempre se divertiu bastante: a discotecagem sempre foi boa (algumas vezes, ótima), as bandas que tocavam lá sempre mandaram muuuuito bem (o último show visto pelo blog zapper lá, então, com os curitibanos do Bad Folks, foi de foder de tão bom), o ambiente era pequeno e apertado mas acolhedor e o responsável pela festa, o músico e produtor Guilherme Barrella, sempre foi um lorde com Zap’n’roll. Se este mezzo velho rocker ranzinza achava algo ruim ali, era em relação a um certo povinho indie "muderno" e afetado que costumava aparecer por lá, fazendo carão e querendo posar de "antenado" – no final das contas, um bando de imbecis endinheirados (às vezes, nem isso) que não saberia reconhecer/identificar nem 1% das músicas que estavam sendo tocadas ali pelos djs.

Ou seja, o Milo era sim legal e ok às quintas-feiras (e também, provavelmente, aos sábados). Mas daí a dizer que o final das duas festas significa o "fim de uma era" é de um desconhecimento atroz do que foi a noite alternativa em Sampa nos anos 80’ e 90’, um desconhecimento incompatível com a reconhecida qualidade e competência do trabalho jornalístico desenvolvido pela Popload e pela Ilustrada no pop . E o autor destas linhas rockers virtuais, sem querer ser arrogante, frequentou praticamente tooodaaa a cena alternativa de São Paulo nos últimos vinte anos, pra poder escrever o que está aqui: fim de uma era foi quando fechou, definitivamente, em 1998, o espaço Retrô, no bairro de Santa Cecília. O Retrô, quem acompanha este blog desde os tempos em que ele era coluna, sabe (pois já cansamos de falar dele aqui): com a derrocada do Madame Satã no final da década de 80, o sobradinho neo-clássico pintado de vermelho se transformou no lar dos "mudernos" paulistanos de então. Foi ali que Zap’n’roll ouviu pela primeira vez Mudhoney, Swans, Screaming Trees, Ride, Inspiral Carpets, Stone Roses e mais uma cacetada de bandas geniais, que eram tocadas (ainda) em vinis importados pelos djs Toninho e Pequê. Isso sem contar a garotada realmente estilosa que frequentava o local, as bocetas loucas e deliciosas que batiam cartão por lá, o povo das bandas gringas que aqui tocavam que também acabavam indo pra lá após seus shows – gente como Nick Cave e músicos do Jesus & Mary Chain (o baixista Douglas Hart) e do Cocteau Twins, todo mundo foi lá. Isso sem contar os vídeos sempre sensacionais que passavam em um telão realmente gigante etc. O Retrô abriu em 1988 e fechou pela primeira vez em 1992. Reaberto novamente em 1995, durou mais três anos sempre trazendo novidades fodaças e shows memoráveis (inesquecíveis as apresentações dos PinUps, do baiano brincando de deus ou do brasiliense Low Dream), e tudo isso num muquifo podrão e sem conforto algum, todo grafitado mas onde se respirava cultura e loucura (gente fumando beck e cheirando padê nos banheiros, gente também trepando muito nos mesmos banheiros) em doses rigorosamente acachapantes e iguais.

O fechamento do Retrô sim, significou o fim de uma era. Assim como o fechamento do Madame Satã (o primeiro, o clássico dos anos 80, onde todo mundo que importava na cultura e na cena musical under paulistana frequentava), onde o lendário jornalista Mário Mendes (que foi editor de cultura da revista Istoé e chefe deste escriba zapper, quando ele também trabalhou na mesma Istoé) entrou uma noite vestido de pijama, também significou o fim de uma era. Assim como a extinção das danceterias heróicas de Pinheiros, como Dama Xoc e Aeroanta (onde, imaginem, Zap’n’roll chegou a assistir Cazuza em seu último show antes dele morrer vitimado pela aids ou, ainda, uma noitada alternativa com os PinUps e com o Hateen, então sem sequer disco lançado e muito longe do emocore babacão que o grupo toca hoje) também significou o fim de uma era. Assim como o desaparecimento de clubes históricos como o Massivo e o Srta. Kravitz (que popularizaram a cultura dance em São Paulo) também significou o fim de uma era. Zap’n’roll frequentou absolutamente todos esses lugares e precisaria escrever um livro aqui pra detalhar a importância deles na cultura underground paulistana, além de relembrar toda a putaria e loucura junkie que rolava nestes locais e que contou com a ativa participação do autor deste blog.

Por tudo isso é que, quando lê que o fim de duas festas no Milo Garage (que, diga-se, vai continuar funcionando) é tratado como o "fim de uma era", estas linhas zappers ficam meio pasmas com o tamanho do exagero. Um exagero até compreensível quando se sabe que dom Thiaguito Ney (um bom jornalista de cultura pop, vale exarar) é uma década mais novo do que o autor do blogão gonzola aqui. E um exagero estranho da parte da querida Popload quando se sabe que dear Luscious, ele também um quarentão como Zap’n’roll, deve ter vivido e frequentado a mesma cena de clubes e bares rockers paulistanos na década de 90’ – e nem falamos, aqui, do Cais e do Hoellisch na pça. Rosevelt ou do inesqueível Der Temple, na rua Augusta (cujo dono, Giggio, hoje administra o Matrix, na Vila Madalena), o bar escolhido por Kurt Cobain e Courtney Love pra virar a madrugada após o show do Nirvana no festival Hollywood Rock, em 1993. Yep, o maloqui bloggi estava lá no Der Temple, naquela madrugada. Mas isso é assunto para um outro e looooongo post.

Não se trata de estar ficando tiozão e saudosista. Mas fim de várias eras é o que está relatado aí em cima. O fim das festas Peligro e Mixtape, no final das contas, talvez só signifique mesmo o fim da frequência dos indies imbecis que volta e meia acampavam no Milo. Se for isso mesmo, ainda bem!

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Balada nova: as quintas-feiras na Funhouse estão muuuito mais animadas, pois desde o começo deste mês rola por lá a nova festa Low Town Again (que veio substituir em boa hora a já caduca noite Strike, que estava completamente desgastada). Organizada pela liiiindaaaa, descolada e queridíssima Indayara Moyano, uma das promoters rockers mais amadas da noite alternativa paulistana, a nova balada quer atacar os mais diversos estilos musicais e não ficar presa somente ao rock alternativo. Boa pedida pras noites de quinta, sendo que o sobradinho da Fun, você sabe, fica na rua Bela Cintra, 567, Consolação, centro de Sampalândia. Vai lá!

* Discos: os novos do Bloc Party e Brett Anderson, que já estão facinhos de achar na rede. É só ir atrás.

* Filme: "Ensaio sobre a cegueira". Tem Julianne Moore no papel principal, é dirigido por Fernando Meirelles e é baseado no clássico de José Saramago. Ou seja: tudibom. Entra em cartaz nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira.

BALADAS DA SEMANA

Eeeeeeeitaaaaaaa, vamos então às ditas cujas, que estão bem animadas no último

Agora vai!!! (que já tá na hora!)

15 Comentários »

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Aeeeeeeeeeeê!!!!!! O gonzola maloqui zapper está neste exato instante preparando o post master deste finde (que entra no final do dia desta quinta-feira ou, no mais tardar, no começo da tarde de sexta). E ele vai vir fervendo, com nossas impressões sobre "Intimacy", o fodão novo álbum do Bloc Party (que está pirando os miolos zappers), além de mais uma mega promoção que só a Zap consegue. Qual? Ah, uns ingressinhos NA FAIXA pro Orloff Five Festival, que rola semana que vem (6 de setembro) na Via Funchal, em São Paulo, com Vanguart, Plasticines, Melvis e Hives.

Então, colaê depois que a gente explica melhor essa parada, okays?

(atualizado por Finatti em 27/8/08, às 17:10hs.) 

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* Entonces, foram quase trinta dias de agonia. Quase trinta dias com o site enfrentando problemas (maaaaais uma invasão de hackers, como já explicamos aqui), e um dos três blogs de rock alternativo e cultura pop mais acessados da net brasileira (esse mesmo que você está lendo) sofrendo com falta de atualização pois o sistema de postagem dos blogs estava desativado. Enquanto isso, o mundo continuava girando lá fora, a Lusitana também e o rock’n’roll idem. Mas como somos brasileiros e não desistimos nunca (hihi), cá estamos novamente. Zap’n’roll, o blogão que jamais te abandona volta com tudo a partir de hoje. E ainda em fase de testes nesta primeira postagem "pós invasão", colocamos no ar alguns assuntos que eram pra ter entrado aqui há quase um mês. Textos bacanas sobre o show do Muse em Sampa, sobre o grupo argentino Los Alamos ou porque, afinal, estas linhas zappers curtiram tanto a capa mais recente (com o mago Paulo Coelho) da Rolling Stone brasileira. Vai lendo aê que hoje ainda é terça-feira. Até o final desta semana vamos deitar e rolar, falando dos novos discos do Brett Anderson (ele mesmo, o ex-vocalista do Suede), do Bloc Party, Verve (que deixou o zapper aqui meio, hã, decepcionado), Dandy Warhols e muuuito mais. Fora a volta dos prêmios,a festa de cinco anos da Zap’n’roll (finalmente!) etc, etc, etc. Então, vamos nelson!

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* Você pode detestar Paulo Coelho, considerá-lo um picareta sem tamanho, além de um belo anarfa como escritor – um anarfa arrogante inclusive, que dia desses deu entrevista para alguns diários brazucas e se auto-proclamou o maior intelectual do país. Pelamor... Anyway, mas ele está aí em cima, na capa da nova edição da Rolling Stone Brasil, que está nas bancas já há alguns dias. E, editorialmente falando (e sem essa de fazer média com a revista, onde este blogger maloqui inclusive colabora, sendo que nesta mesma edição há uma "modesta" contribuição dessas linhas zappers, radiografando a trajetória daquela super banda folk cuiabana que todos amam e que é hoje, talvez, o grande nome do novo rock brasileiro), trata-se de mais um gol de placa da RS que continua, assim, seguindo firme e forte como a grande revista de cultura pop que circula hoje no país. Uma revista tão bacana quanto este blogão malucão (hihi) que, mesmo passando por contratempos eventuais (como mais um "blecaute" virtual, que tirou o portal Dynamite do ar nas últimas semanas), não abandona jamais seu dileto leitorado, uia!

A mais recente edição da RS: gol editorial de placa  

* A loira do pecado no reino do Senhor! Cumas? Pois entonces: com quatro shows confirmados no Brasil em novembro (três em Sampa e um no Rio), Velhonna, ops, Madonna já desperta a ambição por audiência das mega redes de tv brasileiras. Nessas, a primeira a manifestar interesse em cobrir a nova aparição da ex-material girl (convenhamos: ela já não tem mais idade pra ostentar um epíteto desses) por aqui é – vejam só – a Rede Record. Yep, ela mesma, a tv da Igreja Universal, que já anunciou que paga até US$ 5 milhões para transmitir, ao vivo, um dos quatro shows. É, arrecadar dízimo realmente é compensador...

* Grupos e estilos vêm e vão mas o Oasis continua sendo um dos nomes "top" do rock inglês, mesmo tendo já uma década e meia de carreira nas costas. A NME desta semana tasca uma foto do guitarrista Noel Gallagher em sua capa (veja aí embaixo), onde ele chamo o mano Liam de "Deus Liam". Pensa bem: quantos vocalistas de bandas você conhece que, nos últimos quinze anos, foram chamados de "Deus" na capa de alguma publicação musical?

* A entrevista ("exclusiva mundial", como adoooraaaa apregoar a NME) com o eterno front-man do Oasis é, óbvio, sobre o lançamento do novo disco da banda, "Dig Out Your Soul", que chega às lojas do mundo inteiro no velho formato do cd no início de outubro. O set list do álbum é este: "Bag It Up", "The Turning", "Waiting for the Rapture", "The Shock of the Lightning", "I'm Outta Time", "(Get Off Your) High Horse Lady", "Falling Down", "To Be Where There's Life", "Ain't Got Nothin'", "The Nature of Reality") e "Soldier On". E a capa é essa aí:

* MADAME SAATAN ARRASA EM BSB – Yep, o show do quarteto paraense foi um dos mais elogiados no festival Porão do Rock 2008, que rolou em Brasília no começo de agosto. O MS é mesmo um dos grandes nomes do novo rock brasileiro, possui uma base instrumental fodona, uma lindaça vocalista loira (a deusa Sammliz) que, além de cantar pra cacete, ainda escreve versos (em português) eivados de referências à poesia maldita de Augusto dos Anjos. O show deles na capital brasileira foi tão bom que até a "rigorosa" Popload, escrita por dear Luscious R., fez o seguinte comentário a respeito da performance do grupo, em texto assinado por um tal de Luis Carvalho (yes, Zap’n’roll não resistiu e vai reproduzir o comentário, hihi): "O primeiro dia teve pouco público e foi bastante fraco, com um Suicidal Tendencies tocando para tiozões de 40 anos - a platéia estava lotada de tiozões, tiozinhos e outros donos de Corollas -, um MQN fazendo o mesmo show de seis anos atrás, um DFC que se divertia no palco mas não fazia a platéia ir além de um sorriso amarelo. Mas houve duas exceções: uma delas foi o Madame Saatan, do Pará: pense num Pantera liderado pela Joelma, do Calypso, inclusive com o mesmo rebolado - e isso é um elogio". Uuuuuuuiiiiiiiaaaaaaa!!!!

* Morrissey, aquele que é conhecido como o "ser mais maravilhoso da Terra", acaba de adiar o lançamento de seu novo álbum (o primeiro pela gravadora Polydor) para o início de 2009. O disco, que se chama "Years of Refusal", inicialmente estava previsto para chegar às lojas em outubro próximo.

* E o Orloff Five Fest, que rola dia 6 de setembro em São Paulo (na Via Funchal), com Vanguart, Plasticines, Melvins e The Hives, ganhou um "concorrente" de peso, neeeé? Pois como você já deve estar sabendo, na mesma data vai rolar a primeira edição do Gas Festival. Promovido pelo guaraná Antarctica, o dito cujo será realizado na Chácara do Jóquei em Sampa (o mesmo local onde rolou, em 2006, aquele fodaço Claro Que É Rock, com Iggy Pop, Nine Inch Nails, Sonic Youth etc, lembram?), e terá como atração principal os já veteranos punks do Bad Religion. Fora o grupo americano, também irão tocar no Gas a rocker baiana Pitty e mais Charlie Brown Jr. (aaaargh!), Strike (chooooraaaa "emaiada") e Voltz. E aí, em qual festival você, amado leitor desta bodega virtual, pretende ir?

O DISCO FODÃO DO LOS ALAMOS

Pois então, muuuita gente não vê com bons olhos (ou, melhor dizendo, não ouve com bons ouvidos) o rock cantado em espanhol. Se a banda for da "metida" Argentina então, sem chance. Estas linhas zappers mesmo, vamos admitir, nunca foram nada fãs de pop com sotaque castelhano.

Mas eis que aí vem o nosso dileto amigo e colaborador Cristiano Viteck (sujeito de gosto rocker super confiável), pilhando o autor deste blog em relação ao grupo Los Alamos. "O disco novo é bom pra caralho, você precisa ouvir bla bla blá", defendia Viteck dia desses, em bate-papo com o blog via msn.

Zap’n’roll resolveu arriscar e abrir espaço pra banda neste espaço rocker virtual. Mas o fez entregando ao próprio Cristiano a tarefa de explicar quem é o nosso "hermano" rocker, além de destrinchar como é o novo disco deles. Leia abaixo e corra atrás, se bater a vontade:

Los Alamos: western latino

Por Cristiano Viteck

O público brasileiro não costuma prestar muita atenção às cenas musicais de seus países vizinhos. Quando muito, quem se arrisca logo é tachado de comunista ou socialista por aqueles que vêem nisso uma tentativa de "não se entregar à música pasteurizada que é produzida pela alienante indústria cultural dos EUA e Europa". Isso até pode ter um pouco de verdade, mas na real as coisas não são bem assim. É claro que os cantores latinos que fazem sucesso por aqui como Rick Martin, Alexandro Sanz e babas da mesma estirpe depõe contra e realmente leva muitos a ver os grupos da América Central e do Sul de forma preconceituosa. Mas, por baixo disso tudo se escondem ótimos artistas. É o caso do que vem acontecendo na Argentina, onde a música independente em geral, e o rock em particular, está fortalecendo cada vez mais a cena independente, a exemplo do que acontece no nosso país.

E um dos grupos mais celebrados entre os hermanos argentinos está o Los Alamos, formado em Buenos Aires em 2004 e que recentemente lançou o seu segundo disco (ou o terceiro, se contarmos o EP de covers e versões ao vivo "Emboscada", de 2006). "El Fino Arte de la Venganza", o novo trabalho, chegou ao mercado argentino cheio de expectativas e não decepcionou. E no embalo da boa repercussão, o grupo já emenda, a partir de 22 de agosto, uma turnê européia de 20 shows que levarão o seu western latino para a Alemanha, Espanha e França (onde o disco foi lançado há duas semanas). Antes, disso, em 2007 o grupo foi uma das atrações do Abril Pró Rock (cuja repercussão na imprensa nacional foi mínima). O mais próximo de ganhar a atenção da mídia brasileira foi uma citação da extinta revista Bizz, que em 2006 destacava o grupo como um dos principais nomes do rock atual que mereciam ser ouvidos. Felizes aqueles que se deram ao trabalho de correr atrás: encontram um poço de canções ao mesmo tempo belas e provocantes e, acima de tudo, que passam longe dos clichês "anos 80" que infestam os programas e blogs mais "antenados".

Folk rock hermano de responsa, com Los Alamos 

O jornal portenho Página 12, em uma extensa matéria sobre o Los Alamos publicada às vésperas do lançamento de "El Fino Arte de la Venganza" matou a charada: "Los Alamos tem algumas características impróprias para os tempos que caminham a cena roqueira Argentina: são bons músicos, tem boas idéias e dizem o que pensam. Qualquer destas três características dariam, sozinhas, motivos para se festejar". E, de fato, motivos para celebrar não faltam.

Se fosse para comparar com algum nome brasileiro da atualidade que se aproxime da sonoridade, da poesia e da atitude do Los Alamos, o grupo mais acertado seria o Vanguart. As duas bandas transitam pelo folk, sentem-se à vontade para mergulhar nas referências do universo beatnik e dele saírem com ótimas canções. Mas, as qualidades dos argentinos ainda se estendem pela maior riqueza instrumental e por agregar à sua sonoridade uma gama maior de estilos, como o country, a psicodelia e o space rock. Os responsáveis por tudo isso são o vocalista e violonista Peter López, o guitarrista Poly, o baixista Andrés Barlesi, o baterista Joaquin Ferrer, o trompetista/acordeão Gabriel Sanabria e o norte-americano Jonah Schwartz, tocador de banjo, gente que parece ter passado a infância assistindo aos clássicos de faroeste e ouvindo as trilhas de Ennio Morricone, antes de descobrirem artistas como Neil Young, Bob Dylan, Johnny Cash, Sonic Youth e Calexico.

E esse caldeirão de influências, que nas mãos da banda virou algo que eles denominam de narco-country, já era marcante no primeiro trabalho "No se Menciona la Soga en Casa del Ahorcado" (2006), disco que traz o maior hit do grupo até hoje, "Cola de Cascabel". Agora, se o novo trabalho não conta com uma faixa que supere aquela, "El Fino Arte de la Venganza" é melhor do que a estréia por ser um disco em que as músicas se encaixam mais perfeitamente umas as outras, formando um belo conjunto, dentro do que se espera dentro do conceito do que deve ser um álbum de música. Definitivamente, não é um disco que você saca uma ou duas músicas para ouvir no celular. O barato aqui é o pacote completo.

O cd do grupo: fazendo a cabeça dos argentinos 

Ao todo, o disco reúne 13 faixas, com vocais ora em espanhol, ora em inglês, ou até mesmo as duas línguas em uma única música. O que se nota em relação aos trabalhos anteriores é que o grupo está muito menos introspectivo e olhando muito mais à sua volta. Daí que saltam das letras versos sobre a solidão da vida moderna e observações ácidas e irônicas sobre a sociedade, mas sem descambar para o idealismo ou à crítica panfletária. Bons exemplos disso são "Lo Mas Bajo", "Sin Sonbra", "El Fino Arte de la Venganza" (cantada em inglês, apesar do título em espanhol) e "El Viento", esta de uma cortante melancolia marcante pela triste voz de Peter López e que fica ainda mais intensa durante os solos de acordeão e banjo. Mas o clima também fica mais animado em faixas como "Blind Bird Blues", que soa como os atuais blues de Bob Dylan, "Waiting for the Drought" (puro Neil Young) e na bela "La Respuesta".

"El Fino Arte de la Venganza" foi gravado com a preocupação em soar o mais próximo possível dos discos folk e rock de antigamente. Daí é evidente que da sua produção não fizeram parte protools e outras tecnologias de ponta. Gravado na Argentina e masterizado nos Estados Unidos por Don C. Tyler (Bob Dylan, Beck, Sigur Ros), o álbum foi lançado pela Cuatretro Records, selo do próprio Los Alamos, que recusou ofertas para assinar com uma major a fim de manter a independência e o controle total sobre a obra. Um disco memorável que, além de marcar o nome dos Los Alamos entre os principais expoentes do atual rock latino (e quem sabe em breve também mundial), ainda vai servir de cartão de visitas para despertar o interesse dos brasileiros para outros nomes portenhos obrigatórios, como "El Mató a um Policía Motorizado", "Niño Elefante" e "107 Faunos".

E O MUSE FOI ASSIM...

Pois é, foi mais ou menos isso mesmo: o trio inglês, que tocou no Brasil no final de julho/início de agosto (em Sampa, no Rio e no festival Porão do Rock, em Brasília), não agradou tanto afinal de contas. Pelo menos essa foi a opinião de três (o blog disse três) pessoas que estiveram presentes aos shows: nossos diletos jovens talentos do novo jornalismo rocker, Bruninho Palma (que acompanhou o festival na capital federal) e Allan Gonçalves (que presenciou a performance do grupo no HSBC Brasil, em São Paulo), além de um colaborador da onipresente Popload, o blog que está ao mesmo tempo no Lollapalooza e em muitos outros lugares, uia! Anyway, antes que o assunto fique velho demais pra ser comentado aqui você lê dois textos exclusivos de Zap’n’roll sobre a apresentação paulistana do Muse, escritos pelo já citado Allan e também por Eder Bruno Teodoro, outro promissor talento do novo jornalismo pop brazuca. Em um show onde o doidão blogueiro zapper não pôde comparecer por estar com o pé direito torcido, os dois garotos mandaram muito bem em seus relatos, como você confere logo mais aí embaixo.

Grupo pulveriza novidades em show

Por Allan Gonçalves

(HSBC Brasil, São Paulo/SP, 31/07/2008)

Talvez o Muse não soubesse o que era o Brasil até sua primeira e recente turnê pelo país, mas agora deve vê-lo como um lugar cheio de adolescentes escandalosos e fanáticos pela banda.

Na última quinta-feira ao menos 3.500 pessoas cantaram os sucessos dos quatro cds de estúdio da banda no HSBC Brasil ( antigo Tom Brasil ). Não só cantaram, mas dançaram e pediram bis, fizeram marchinhas entoando o nome do grupo, carregaram bandeiras, faixas nas cabeças e muitas camisetas da turnê.

Diante da inesperada recepção calorosa do público brasileiro o Muse foi incrivelmente apático. Com o repertório do show quase todo restrito às músicas e aos arranjos ouvidos no último cd ao vivo, lançado por eles nesse ano e intitulado "H.A.A.R.P", a banda pulverizou as novidades que poderiam ser esperadas dessa sua passagem pelo Brasil. Pulverizou também qualquer sinal de simpatia, já que Matthew Bellamy, vocal, guitarra e piano, se contentou em durante as mais de uma hora e meia de show em dizer "obrigado" ao final de cada três músicas tocadas. Sinais de cansaço pelo final da turnê? O restante do show que feito entre levianas passagens de climas intimistas sem o menor tato, diretamente para os momentos de grandiloqüência sonora atestam que sim, o Muse parecia estar sem muita paciência.

Donos de uma produção de shows muito características os três rapazes do Muse são ao menos muito cuidadosos nas execuções de seus maiores sucessos, tornando "Time is running out", "Plug in baby", "Hysteria", "Take a bow", "Invencible" e "Supermassive black hole" (essas três últimas do maravilhoso cd "Black Hole and revelations") momentos para serem lembrados.

Diante de um palco super equipado com dezenas de canhões de luzes e de fumaça, microfones meio robóticos e enormes balões de ar recheados com confetes que caiam sobre a platéia, o público de São Paulo se entregou por inteiro à performance dos rapazes ingleses. A gritaria era geral, a movimentação na grade do palco também, o que vez ou outra fazia com que alguém saísse da "muvuca" passando mal.

"Feeling good" , música famosa na voz de Nina Simone, acabou dando um frescor ao repertório do show numa passagem da guitarra ao piano que Bellamy faz dessa vez muito bem. Assim como no Radiohead as influências no rock vindas do jazz também estão presentes no Muse, que sempre foi muito comparado ao Radiohead não só por isso, mas pelo vocal de Bellamy e as "viajadas" nas músicas em temas interplanetários-alucinógenos que estão muito em voga hoje dia, vide o sucesso dos meninos do MGMT, que estão escalados para o Tim festival no final deste ano.

Até que a fumaça dos canhões do Muse tenha desaparecido ou que outro cd de inéditas seja lançado os fãs vão se deliciando em descobrirem um pouco mais das referências amalucadas usadas nas músicas do grupo. Acesse: http://www.fenomeno.trix.net/fenomeno_ufologia_1_haarp.htm e descubra o significa da sigla H.A.A.R.P. que dá nome a um dos cds da banda.

 

PICS DO SHOW EM SAMPA

(fotos por Rômulo Creep)

Borboletas no estômago

Por Eder Bruno Teodoro

 

Com o ingresso do Muse na mão e a caminho do HSBC Brasil, uma amiga me disse: "Estou sentindo borboletas no estômago". Imaginei como seria isso, mas não dei vazão ao comentário, pois estava na euforia de ver uma das bandas mais legais vindas ao Brasil este ano. Esperava um set list de, ao menos, vinte e duas músicas. Algo que sustentava um repertório poderoso. Durante a semana planejei em miúdos voltar a adolescência no momento em que aquele paredão de riffs começassem a invadir minhas entranhas e consumir minha mente ensandecida. Porra, seria uma guerra nuclear espacial no meu estômago e não borboletas.

Já não fazia tanta diferença, o importante agora era achar um espaço em frente ao palco e desfrutar da potência musical do trio britânico. Um sentimento estranho de raiva me invadia. É como se eu estivesse lavando a alma e culpando a Thom Yorke por tudo isso. Jogava terra no buraco aberto pelo Radiohead. O Muse era o antídoto de um amor mal resolvido. Mas enquanto Radiohead não dá a cara a tapa na terra do futebol, a banda composta por Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard estava pronta para fazer o público paulistano dormir com o apito no ouvido. No entanto, Jay Vaquer conseguiu me brochar. Mas essa parte não merece atenção neste singelo relato.

Como era de se esperar, o famoso atraso canarinho acelerou minha ansiedade e quando estava ao ponto de soltar uns belos palavrões, as luzes apagaram e o público delirou, aliás, o público já vinha delirando até com os técnicos responsáveis por deixar o palco em ordem. Mas enfim, Muse no palco. Efeitos e sirenes fazem a ponte para a primeira canção, "Knights of Cydonia", o público transpira uma energia sincrônica, o pulo é geral e o coral em uníssono invade o ambiente. Já estava esperando um dos melhores shows do ano. Bellamy se limita ao "obrigado São Paulo!". Mas já dizia um velho amigo punk: "Cala a boca e toca!". E assim "Hysteria" domina o ambiente com seu peso, mas algo estranho acontece, uns pulam, outros não. E aquela maneira indie de observar uma banda de braço cruzado começa a transparecer. Hei... é o Muse!

A banda começa a ditar o frenesi e o contágio não é geral. Ainda sim é um belo show, o cansaço dos caras é notório. Em "Super Massive Black Hole" a energia que estava estacionada dá uma guinada e o show se apóia nessa inconstância. As canções são hits e se auto-sustentam, levam o público há uma incessante briga de ego consigo mesmo - O Muse é uma banda muito foda e eu estou aqui, vou curtir! - Bellamy quando assume o piano em "Butterflies and Hurricanes" vira um tapa bem dado na cara do público – hora de acordar – quando assume a guitarra novamente é soco no peito pra reanimar. "Citizen Erased" confirma essa superação, sua bateria marcada pulsa e vocal desencadeia em um refrão melódico e harmônico que perturba uma moral inabalável. A música toma uma forma silenciosa e a melodia estremece essa emoção volúvel que me dominou.

Estava apavorado pelo fato de já não entender mais nada. Ou você gosta ou não gosta. Mas aí meu caro, caí na mais profunda redenção, o espírito crítico se esvaneceu e o jornalismo ficou trancado na escuridão da memória esquecida nos computadores e redações da vida. A canção era, nada mais nada menos que "Felling Good", a música mais bela do Muse, na minha singela opinião. O repertório caminhou estranhamente eufórico até "Starlight", onde o coral voltou a envolver os espaços sociais vazios do ambiente que vociferou com a energia provocada em "Time is running out". Em profunda sandice já nem me lembrava da inconstância perturbadora. Quando "Plug in Baby" ocupou violentamente o HSBC Brasil o show tinha se formatado na maneira que era para ser iniciado. Essa progressão foi natural mas se misturou as perturbações atmosféricas causadas pelo próprio cansaço da banda após o show do Rio. Na volta do bis, um tosco "olê olê olê Musê, Musê...", trás a banda de volta ao palco, "Stockholm Syndrome" implodiu um público que esperava mais cinco canções, ao menos. "Take A Bow" finalizou o show perturbador que deixou um gostinho de quero mais e, que poderia ter sido bem melhor.

Embora, a violência do peso das canções causassem um furor que desnorteou qualquer ser racional que estava no show, entendi a expressão borboletas no estômago. É como se a ansiedade ganhasse vida, vivesse por pouco tempo e ao fim, morresse sabendo que poderia ter voado muito mais alto.

Set lis do show em São Paulo.

1 - Knights of Cydonia
2 - Hysteria
3 - Bliss
4 - Map of the problematique
5 - Supermassive Black Hole
6 - Butterflies and Hurricanes
7 - Citizen erased
8 - Feeling Good
9 - Osaka Jam
10 - Invincible
11 - New Born
12 - Starlight
13 - Time is running out
14 - Plug in baby

Biss

15 - Stockholm Syndrome
16 - Take A Bow

MAIS MUSE AO VIVO EM SAMPA

Aí embaixo, em vídeo já postado no Youtube, claaaaaro.

Muse – "Supermassive Black Hole" ao vivo, em São Paulo

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Pra volta do blogão tá bão, né? Mas fica frio que esta semana ainda vai ter muuuito mais por aqui. Vai ter comentários sobre uma batelada de discos gringos legais, a programação deste ano do festival acreano Varadouro, os detalhes enfim do festão de cinco anos da Zap'n'roll (que rola dia 1 de novembro na Outs/SP, com Rock Rocket, Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria, Detroit e Remoto Controle), amenidades sobre a gig de Madonna por aqui e etc, etc, etc.

Daqui a pouco nos falamos novamente, certis?

(enviado por Finatti às 3:10hs.)

Zap'n'roll volta ao ar!

2 Comentários »

É isso aí. Ainda que em fase de testes estamos de volta!

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