* O "Altas Horas", do já decano (mas ainda bom e em forma) Serginho Groismann, resolveu abrir mesmo as portas para o novo e emergente rock brasileiro do novo milênio. Depois de receber o cuiabano Vanguart há algumas semanas, na madrugada do último sábado pra domingo quem apareceu por lá foi o quarteto paulistano Forgotten Boys – que já nem é tão novo assim na cena under mas também continua em ótima forma. Quer dizer, mais ou menos: os "garotos esquecidos" mostraram uma música nova do disco que está pra sair (e com produção de Apollo 9, nome forte da cena eletrônica paulistana), composta pelo guitarrista e vocalista Chuck. A melodia e base instrumental são bacanas. Mas a letra é chocha, chocha. E Chuck esganiçando nos vocais na hora em que a banda tocou a faixa, foi de um constrangimento atroz.
* Bloc Party, Kaiser Chiefs, Raconteurs e Jesus & Mary Chain num mesmo festival e AQUI, neste velho Brasil? Pois é: é este line up dos sonhos que está se desenhando para a segunda edição do Planeta Terra, dia 8 de novembro, em São Paulo. O Tim Festival que se cuide!
* Bien Bien, o blogueiro zapper passou o finde recolhido em casa (milagre...), senão a voz dele não volta e a gripe não vai embora. E aproveitou pra colocar leituras e sons em dia. O novo Weezer já foi devidamente ouvindo e re-ouvido e a qualquer momento entra comentário aqui a respeito do dito cujo. Agora, beleusma meeeesmo são as novas do CSS, néeee? Sim, já estão dando sopa na rede e todo mundo já tá ouvindo. E o que estas linhas rockers online acharam de ambas? Olha, "Rate Is Dead (Rage)" ainda é bem... CSS. Ou seja: ainda com base eletrônica, mas mais pop e mais "humana" na construção melódica e na execução instrumental, fatores que a tornam bem bacana. Agora, a outra, "Left Behind"... wow!!! Adriano Cintra voltando às suas origens do Supermarket (sim, você que está lendo isso aqui deve ser muito jovem ainda pra saber o que era o Supermarket) e Butchers’ Orchestra? Yeeeeeessssss!!! Guitarras velozes, bateria humana, Lovefoxxx com os vocais quase enterrados no instrumental e melodia beeeem pop. É o CSS em versão rocker. E se o disco inteiro for nesse naipe, vem uma paulada por aí. Porque "Left Behind" é melhor do que qualquer coisa que o grupo tenha gravado em seu primeiro disco.
* Voltando ao show do Vanguart na última quinta-feira, no novo StudioSP, na rua Augusta, centrão rocker de Sampalândia: Vangs e sua competência habitual ao vivo. Mas o que chamou meeeeesmo a atenção deste blogueiro maloqui e que estava gripadaço e afônico naquela madrugada, foi observar como os cuiabanos levam um público fiel e fanático aos seus shows hoje em dia. Uma galera que entoa todas as letras de todas as músicas em coro e vibra intensamente durante todo o set, especialmente em "Hey Yo Silver", talvez a canção do repertório deles que se torna mais demolidora ao vivo. Depois do show, tumulto no ainda improvisado camarim do club: havia mais gente do que espaço físico disponível (numa queimação de marijuana que dava gosto ver) e aí Zap’n’roll não aguentou o aperto e foi embora, depois de conversar com os chegados e com a fofa Marimoon, da MTV. Foi isso.
* Ah, sim: um passarinho contou pro blog que o Vanguart também vai estar naquele novo festival que vai agitar a terra brasilis em setemnbro, com Hives e Plasticines.
*Ah, sim II: o novo StudioSP é legal e tals, mas a fila pra acertar comanda nos caixas é horrível e não anda. O que acalmou um pouco o desespero do jornalista zapper em estar nela e querer sair logo dali, foi ele ter conhecido aquela bonequinha de porcelana que é fotógrafa e que se chama Fernanda. Mais o blog não pode contar, por questões de descrição, né?
* E só pra avisar: quer ouvir o novo disco do Coldplay na íntegra? Vai no MySpace da banda (www.myspace.com/coldplay), que ele está inteirinho lá, mas apenas até a próxima sexta-feira. Na segunda-feira seguinte, ele chegará às lojas do mundo todo, inclusive do Brasil.
* Calmaê que o blogão zapper já volta com post novo. Tenha paciência e vá ouvindo as novas do CSS na rede enquanto a gente não reaparece aqui.
MGMT e os Bongs: nesses hypes você pode acreditar!
Duas bandas, uma gringa e outra brazuca.
Dois lançamentos que estão chamando a atenção da mídia rock/pop alternativa (leia-se: blogs, sites dedicados à nova música alternativa que se faz aqui e lá fora também, comunidades de discussões nos orkuts da vida etc.) brazuca por estes dias. O duo americano MGMT, novo "queridinho" dos "ultra mudernos" de plantão e de jornalistas "descolados" (que não sabem trabalhar e viver sem falar de um novo hype a cada semana, algo totalmente típico e compreensível nestes tempos velozes e fugazes de internet), teve seu primeiro disco, "Oracular Spetacular", lançado aqui, após ter causado furor nas rodas indies americanas e inglesas. Já o trio cuiabano Macaco Bong, que existe há cerca de cinco anos e ralou pra conseguir lançar seu primeiro álbum, enfim colocou na praça o "Artista igual pedreiro", em lançamento dos selos independentes Monstro Discos e Fora do Eixo Discos. Um trabalho que acabou se tornando cult desde a sua gestação, dado o caráter peculiar da banda: fazendo um potente som instrumental (e sem vocais) que abarca rock e toques de jazz e hard, o grupo também se tornou a bola da vez entre jornalistas, "mudernos" e descolados em geral. Mas, afinal, qual hype vale a pena meeesmo nessa história? Não seriam ambos apenas alguns itens a mais naquele eterno museu de grandes novidades da indústria cultural, cada vez mais produzindo obras descartáveis e de consumo rápido e rasteiro? No caso dos dois grupos aqui citados, desta vez e felizmente, o hype tem sua razão de ser. Vai lendo o blogão zapper e você entenderá porquê.
* "Viva La Vida Or Death And All His Friends", o aguardadíssimo novo álbum doColdplay, tem lançamento mundial (Brasil incluso) marcado para o próximo dia 12 de junho. Como todo mundo já tá careca de saber, trata-se do disco "difícil" do quarteto liderado pelo sensível vocalista e letrista Chris Martin: o cd foi produzido pelo célebre Brian Eno (remember David Bowie, U2) e, nele, a banda quis aprofundar temáticas filosóficas como Morte e Vida. Bacana, mas resta saber se vai funcionar; quem já ouviu se dividiu (ops, rimou): parte gosto, outra parte achou que os ingleses chafurdaram em um terreno pantanoso, onde não deveriam ter se metido. Daqui a pouco estas linhas blogueiras zappers ouvem o dito cujo e emitem sua opinião aqui.
* Mas o vídeo de "Violet Hill", primeiro single de trabalho do álbum já pode ser conferido numa mtv perto de você, e também aí embaixo:
Coldplay – "Violet Hill"
* Bão, a temporada é meeeesmo de grandes lançamentos, ueba! Nos EUA foi lançado oficialmente anteontem "Weezer". Yep, o novo e homônimo trabalho (o sexto, em catorze anos de carreira) do grupo eternamente liderado pelo nerd Rivers Cuomo. O blogão zapper já está ouvindo o dito cujo e logo mais deixa suas impressões aqui. Enquanto isso, você dá uma olhada na capa do álbum, que é esta aí embaixo:
* Da nossa mui amada indie scene nativa, vem a notícia de que os acreanos Los Porongas acabam de assinar contrato com a agência produtora de shows Barravento, para que ela passe a administrar a carreira de Diogo, João, Magrão e Anzol. A Barravento, tocada pelo chapa Glauber Amaral, já cuida – e bem – dos negócios do Vanguart e do gênio louco da Tropicália, o guitarrista Lanny Gordin. Deverá também fazer um bom trabalho com os Porongas, um dos melhores nomes do novo rock brasileiro.
* Porém, este blog apurou que o lendário Fernando Rosa, jornalista musical, produtor e proprietário do site Senhor F. (www.senhorf.com.br), além de dono do selo musical homônimo, não gostou nadinha da história. Fernando, dileto amigo pessoal destas linhas rockers online, além de ser um dos caras que mais entende de rock alternativo no Brasil, também foi o responsável por lançar os Porongas para o público e mídia, bancando o cd de estréia do quarteto. É uma situação delicada e Zap’n’roll, sendo tanto amigo de Fernando quanto de Glauber, da Barravento, torce para que ambos se entendam e acabem somando forças (e não dividindo-as) no sentindo de que a trajetória do grupo se fortaleça cada vez mais daqui pra frente. Eles merecem!
* Amy, a nossa amada loucaça, e que você viu no último post em dois vídeos que capturam parte de sua apresentação no Rock In Rio Lisboa, na última sexta-feira, compareceu a um tribunal em Londres na segunda-feira passada, para acompanhar uma audiência do inquérito em que seu namorado Blake Fielder-Civil é réu, por ter brigado em um bar e também por posse de drogas. Até aí, tudo bem. Mas o que chamou mesmo a atenção dos paparazzi foi a cantora estar com o rosto coberto por estranhas manchas e feridas. Amy, Amy, Zap’n’roll não tem nada contra drugs mas... que tal maneirar um pouco a enfiação de pé na lama?
* Bom, vamos nelson, com MGMT e Macaco Bong.
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MGMT – OS NOVOS FREAKS
Bola da vez no cada vez mais veloz, feérico e disputado circuito do pop/rock indie, o duo americano MGMT tem, enfim, seu álbum de estréia – o mui aclamado "Oracular Spetacular" – lançado em edição nacional, algo que pouco ou nada importa nestes dias em que todo mundo ouve absolutamente tudo pela internet. Mas o lançamento do álbum em seu formato físico no Brasil (pela major Sony/BMG), sinaliza que a gravadora aposta em um bom desempenho do grupo por aqui também. Além disso o MGMT é uma das prováveis atrações da edição deste ano do Tim Festival, mais uma justificativa para a edição nacional do trabalho de estréia dos garotos, que saiu lá fora em janeiro último.
O que é o MGMT, afinal? Grupo formado em Nova York em 2002 pelos músicos e amigos Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, o MGMT chamou rapidamente a atenção de certa parcela da rock press americana por resgatar em sua musicalidade os climas etéreos, psicodélicos e "viajandões" que embalavam o rock psicodélico feito em São Francisco na década de 60’ (a famosa "geração das flores", onde todo mundo ouvia Grateful Dead e Jefferson Airplane tomando quilos de ácido e fumando quilos de marijuana). E adicionando à fórmula algumas batidas mais dançantes, com "temperos" aqui e ali de Flaming Lips (os "deuses" do novo rock progressivo/psicodélico que surgiu nos EUA na década de 90’, uma banda da qual Zap’n’roll nunca foi grande fã, na verdade) e até mesmo do indie guitar dance da fase dourada dos Stone Roses. Tudo muito legal e que fez com que em pouco tempo a dupla fosse eleita "banda do dia" pela revista Spin (isso em outubro do ano passado), além de conseguir um contrato com a gigante Sony, através do lendário produtor Steve Lillywhite (ele mesmo, o homem que moldou o som do U2 no início da carreira de Bono e cia.). Vieram os primeiros singles e em meados do ano passado o MGMT finalmente entrou em estúdio para registrar "Oracular Spetacular", sob a produção de David Fridmann – que... bidú, já tinha trabalhado com os Flaming Lips. Quando o álbum foi lançado, em 22 de janeiro último, a dupla já era a nova queridinha da rock press "muderna" planetária, com matérias destacadas no site Pitchforkmedia, em revistas como a Billboard e a Rolling Stone americana, e capas na New Musical Express. E por conta disso tudo, claaaaaro, passou também a ser incensada pela blogosfera brazuca especializada em cultura pop e rock alternativo.
Okays. Mas, e daê? E o som dos moleques? Bom, se você já leu algo sobre o MGMT por aí, pode esquecer boa parte do que leu. Enquanto ouve as faixas do primeiro disco da dupla, este malqui blogueiro zapper fica pensando na quantidade infindável de definições absurdas e canhestras que ele leu e ouviu a respeito do grupo, bobagens ditas até por diletos amigos seus que, se julgando "muderninhos" ao cubo, dispararam: "Você não vai gostar do som deles, Finas, são muito modernos e dançantes pro seu gosto". Nem uma coisa nem outra. E Zap’n’roll gostou sim do que ouviu – e está ouvindo – no cd de estréia do MGMT. Na real, há um quê de retrô nas composições do duo, notadamente quando você topa com aqueles vocais lassos e dolentes e aquelas melodias de contorno psicodélico e sessentista, como se você estivesse numa trip contínua de maconha e ácido. Yep, o som do MGMT não combina com cheiradores de pó, está mais pras viagens sensoriais bucólicas proporcionadas pela cannabis. E pode se constituir em uma ótima trilha sonora para aqueeeeeela foda matinal, quando você desperta com o bilau em riste e louco para se enfiar naquela xotaça mezzo riponga e linda que está ali, dormindo pelada e grudada em você (aliás, na tarde de ontem, viajando no metrô de Sampalândia, e com as músicas do MGMT flutuando em sua cabeça, o autor deste blog ficou observando por algum tempo uma garota que estava ao seu lado, muito branca, magra, alta e com peitos médios. E um rosto belíssimo, cabelos longos e lisos, com um quê de hippie deslocada em plena era da furiosa globalização via computadores plugados em rede; sim, a garota era a representação do que talvez seja, visualmente, a música do MGMT).
A capa do disco de estréia do MGMT
Há de fato uma sutil presença de elementos eletrônicos imiscuídos aqui e ali nas canções de "Oracular Spetacular". O primeiro single extraído do disco, "Time To Pretend", é cheio de ruídos em sua abertura e logo que a melodia começa, ela vem embalada por uma bateria algo quebrada e dançante. "Electric Feel" também segue pela mesma linha, mas aí já entram vocais em falsete, baixão destacado e camadas suaves de teclados e guitarras, enquanto os rapazes pedem que a Terra seja salva. Já o delicioso riponguismo chapado de "Weekend Wars", com seus violões e melodia suaves e a letra anti-guerra, mostram que o som da dupla não tem nada a ver com fusões psyco-electro e nem com bate-estacas pop/eletrônicos, como muita gente sem ouvido andou escrevendo em sites por aí. E as guitarras e os vocais processados em eco de "The Youth" são um convite a um passeio pelo meio do mato, tomando vinho e esperando a "bicicleta" bater no cérebro, hihi. Mesma sensação e vontade poderá despertar uma audição de "Pieces Of What", com seus violões, pianos, guitarras e vocais quase mântricos.
Um disco beeeeem bacana no final das contas. E que justifica todo o oba-oba em cima do MGMT. E que também corrobora, mais uma vez, o que estas linhas zappers estão carecas de dizer: há sim, muita coisa bacana no pop/rock alternativo do novo milênio, bandas e discos que este blog jamais irá se furtar em comentar e aplaudir. Mas há também um monte de hypes babacas, bandas e discos ruins de doer de verdade e que daqui a algum tempo, ninguém irá mais se lembrar da existência deles.
Esperamos, de coração, que não seja este o destino do MGMT.
Dica zapper: a edição em vinil importado do álbum de estréia do MGMT pode ser encontrada na loja paulistana Baratos Afins (11/3223-3629, www.baratosafins.com.br). Preço: 75 pilas.
Mais MGMT aqui:
MGMT - "Time To Pretend"
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MACACO BONG – ROCK (LITERALMENTE) SEM PALAVRAS
Fazer música instrumental no Brasil (seja de que estilo for, e não necessariamente rock’n’roll) sempre foi uma aventura bem arriscada, comercialmente falando. Ao contrário de americanos e europeus, que curtem jazz à beça e valorizam o trabalho de composições que não possuem vocais e letras em sua estrutura, brasileiro sempre foi preguiçoso e torceu o nariz para a música sem palavras. E isso em um país tão rico musicalente quanto o nosso. Pois é... Questão de gosto e de cultura, óbvio.
O trio cuiabano Macaco Bong tinha plena consciência desse risco quando começou a ensaiar os primeiros acordes, há cerca de quatro anos. Formado por três magricelas vara-paus altos pra cacete, o guitarrista Bruno Kayapi, o baixista Ney Hugo e o baterista Inaiã Benthroldo, o grupo chegou a fazer uma apresentação com uma vocalista mas acabou vendo que a parada deles era mesmo a música instrumental – "foi um desastre a apresentação", se recorda bem-humorado o baixista Ney Hugo, em bate-papo com o blog hoje de madrugada, via msn. De lá (Zap’n’roll mesmo conheceu a banda no carnaval de 2005, quando esteve pela primeira vez na capítal de Mato Grosso, para cobrir o festival "Grito Rock", promovido pela produtora local Cubo, que então engatinhava) pra cá, o MB se tornou um dos nomes mais comentados do novo rock brasileiro. Se antes havia preconceito em relação à banda (preconceito, óbvio, destilado pelos "gênios" imbecis que pululam inutilmente pela "famosa" comunidade da extinta revista Bizz, no Orkut), por conta de seu nome e até pelo fato dela ser originária de Cuiabá (rock em Cuiabá? Não pode!), hoje as mesmas pessoas que nutriam esse preconceito prepotente e estúpido agora se curvam diante da sonoridade dos Bongs, lambem os bagos do trio com gosto e ainda o promovem em reportagens publicadas em revistas ainda com um certo prestígio, como a Bravo! Não só: o MB firmou seu nome e seu trabalho fazendo um árduo trabalho de corpo-a-corpo musical com produtores e público, tocando incessantemente pelo Brasil em dezenas de festivais, além de eventos como a recente Virada Cultural, realizada em São Paulo.
E a banda é fodona, claro. Se não fosse, não teria chegado onde chegou. Quem ouve os longos dez temas instrumentais contidos em "Artista igual pedreiro" (que saiu há pouco, através dos selos Monstro Discos e Fora do Eixo Discos), só tem duas reações possíveis: ou brocha diante da própria incapacidade de compreender e assimilar todas as soberbas nuances melódicas e de arranjos contidas no trabalho, ou se pega maravilhado diante destes mesmos detalhes. Não é mole: o que Kayapi (um guitarrista do inferno) e cia. fazem em temas como "Amendoim" (que abre o disco em clima porrada), "Fuck You Lady" (esta, mais amena mas não menos intensa nos arranjos), "Rancho" (guitarras estridentes e solos idem, sustentados por uma base rítmica segura e poderosa), "Belleza" ou "Compasso em ferrovia" (com seus eflúvios jazzísticos), credenciam o MB a se tornar, JÁ, um dos melhores nomes da nova música independente brasileira. Tudo se mistura num caldeirão fervente no cd: jazz fusion com Mars Volta, hard blues/rock com At The Drive In e Jane’s Addiction. Pra ouvir no talo e fazendo air guitar com gosto.
É isso. E pra falar mais a respeito do álbum e da própria trajetória do grupo, só mesmo conversando com o baixista Ney Hugo, que bateu um papo com o blogão zapper na última madrugada, via msn. Os principais trechos da conversa estão reproduzidos aí embaixo:
Zap’n’roll – A banda existe há quanto tempo? E por que demorou tanto para conseguir lançar o primeiro disco?
Ney Hugo – A banda existe desde 2004. e não foi demora, foi mais um processo de construção mesmo. Já havíamos lançados trabalhos anteriores, com qualidade inferior: uma demo em 2005 (lançada no festival Goiânia Noise) e um ep chamado "Objeto perdida". Foram trabalhos paralelos ao trabalho cotidiano da banda, que também é envolvida com produção, no espaço cubo. Tudo no devido tempo, o disco veio na hora certa.
Zap - Sim, sim, e a capa ficou bacanésima. Vocês também ficaram satisfeitos com o resultado do disco?
Ney - Pra caralho! sonoramente e esteticamente (falando da capa), a arte foi feita pelo Bicicleta sem Freio, um coletivo de design de Goiânia, mesma terra do estúdio Rock Lab, onde gravamos sob produção de Gustavo Vasquez. também a mesma terra da Monstro, que lança o cd numa parceria com a Fora do Eixo discos. A idéia do formato digipack também veio a calhar. Rolou uma capa muito bacana, sem encarecer demais o produto final.
Zap – Certo. Agora, por que a opção por músicas sem vocais? Foi algo pensando pela banda desde o início ou em algum momento vocês cogitaram colocar letras e vocais nas músicas?
Ney – Bom, desde o primeiro show que eu vi do Macaco, a banda já era instrumental - não fiz parte da primeira formação. mas o Kayapi conta que eles fizeram um único show com vocalista uma vez e a experiência foi desastrosa, rs. E vai muito do som que a gente mais curte ouvir mesmo, principalmente o Kayapi e o Ynaiã que já tem essa vibe desde muito cedo, de casa, ouvindo os discos do pai.
Zap – O que o Ynaiã ouvia do pai dele, você sabe?
Ney – Cara, pilhas e pilhas de coletâneas de jazz e música brasileira, de Ivan Lins a John Coltrane.
Zap – E você, qual sua formação musical? O que você gosta e com qual idade aprendeu a tocar baixo?
Ney – A formação básica de rock noventista, tão comum a todos dessa geração, o que inclui os três integrantes do Macaco. Na adolescência tocava em algumas bandas, coisa bem distante do profissionalismo (mesmo!, rs). Tocar baixo pra valer mesmo comecei a aprender no final de 2005, quando entrei pro Macaco, que acabava de ficar sem o baixista da primeira formação. A partir de então fui tendo acesso e buscando outras sonoridades, e buscando mais elementos dentro da musica instrumental.
Os Bongs em ação no palco: fúria instrumental.
Zap - Hoje, você se considera um bom baixista? A pergunta se dá no sentido de que quem ouve o som da banda, percebe com muita nitidez que o Kayapi é um ótimo guitarrista e o Ynaiã um ótimo baterista.
Ney – O dia que me considerar bom, páro de tocar. E procurar por virtuosismos é coisa de jornalista preciosista. A idéia é juntar os três elementos (no caso, baixo, guitarra e bateria) e trabalhar para que soem da melhor maneira possível, de acordo com a intuição de cada um sobre a criação dos arranjos.
Zap – Certo. Vocês tem consciência de que o mercado nacional é muito difícil para grupos de música instrumental? E vocês têm intenção de, por exemplo, tentar algo fora do Brasil onde, principalmente na Europa, há mais interesse comercial por música instrumental?
Ney – Com certeza, o mercado para a música instrumental ainda é mais estreito... mas assim como a música independente como um todo carecia de mercado uns anos atrás, a nova maneira como se trabalha a música no país, através das bandas se auto-gerindo, faz com que as bandas tenham maior autonomia sobre o proprio trabalho. Se o cara sabe como gerir a circulação e a distribuição da banda, certamente ela vai vingar. Há demanda pra tudo e essa lógica vem mudando, vide as boas bandas instrumentais que hoje existem na cena independente. E sim, há a perspectiva de difundir o trabalho por vias internacionais.
Zap – Muito bem. Vocês imaginavam que a banda se tornaria uma espécie de "cult" entre jornalistas e alguns formadores de opinião, como ela acabou se tornando? Afinal, hoje ela é admirada em blogs e em matérias de revistas culturais, algumas dessas matérias inclusive escritas por gente que tinha um enorme preconceito com o grupo no início, até por causa de seu nome estranho e que, depoi, mudaram de opinião. A que você atribui essa mudança de postura e como se sentem sendo esta "cult band" do momento no circuito independente brasileiro?
Ney – É, antes do disco sair muita gente saiu falando pelos cotovelos, maldizendo a criatividade do nome da banda e do álbum (Macaco Bong - Artista igual pedreiro), mas quando o trabalho é feito com seriedade, isso tudo se torna efêmero, e não acho que esteja rolando essa historia de "cult band". As bandas com vocalistas é que andam sendo bem CULTuadas.
Zap – De onde veio esse nome, Macaco Bong, afinal?
Ney – Cara... sei lá, rs. A banda ja tem esse nome desde qdo eu a conheço, mas a definição que faz mais sentido é a sonoridade, Macaco Bong tem uma pronúncia musical à beça, mó percussiva, rs.
Zap – Pra encerrar: é difícil reproduzir ao vivo o que está no disco? Afinal, as músicas são longas passagens instrumentais, o que abre espaço para muita improvisação. Não há por exemplo, o perigo de vocês acabarem descaracterizando os temas do disco ao vivo, se improvisarem demais em cima deles?
Ney – Não é tão difícil a reprodução. Essa inclusive foi uma preocupação que tivemos durante a gravação. Sempre que pensávamos em novos elementos, analisávamos como seria a reprodução dele ao vivo, e por mais que haja improvisação, a gente nunca vai pra muito longe dos temas de origem, nos mantemos ali na onda.
POUCAS & BOAS
* A VOLTA DO SPIRITUALIZED – Um dos nomes mais importantes do indie/space rock dos 90’ – e que, na verdade, nunca encerrou atividades -, o Spiritualized também está aí nas bocas com seu novo disco. "Songs In A&E" é o primeiro álbum de estúdio em cinco anos da banda eternamente liderada pelo compositor, guitarrista e vocalista Jason Pierce, e possui nada menos do que dezoito (!) faixas. Saiu lá fora no final do maio e, claaaaro, não deverá ver a cor de uma edição brazuca. Mas estas linhas rocker online, sempre antenadas, comentarão o dito cujo em breve por aqui.
* NOVA DYNAMITE – Yep! A nova edição da nossa mui amada Dynamite também já está disponível... online! Sim, acompanhando estes tempos "mudernos" onde tudo passa pela tela do seu micro, a publicação mais longeva (lá se vão quinze anos...) e alternativa da rock press brasileira agora pode ser acessada integralmente (e impressa, inclusive) no nosso site. A capa da primeira edição totalmente virtual da revista é com a fofa e linda e ótima Mallu Magalhães (ela merece!), em reportagem assinada por este maloqui zapper que vos escreve, hehe. Vai lá e boooooa leitura!
* MELANCIA SALTO ALTO – Aí aconteceu o seguinte: a xoxotaça que atende pela alcunha de mulher melancia estava fotografando seu ensaio para a próxima edição da revista Playboy (em breve nas bancas) e, por um motivo qualquer, levou um "pito" do fotógrafo J.R. Duran, há séculos um dos profissionais mais caros e conceituados do Brasil na sua área. Pois a bocetaça deu piti por causa da bronca dada por Duran e disparou: "Mais respeito quando falar comigo! Agora eu sou uma estrela!". Uia! Será que o salto alto vale tudo isso. Dá uma olhada aí embaixo e dê você mesmo(a) seu veredito:
Esse bocetão já está se achando...
* FRASE DA SEMANA – "Andy Warhol vivia dizendo que um dia todo mundo seria famoso por quinze minutos. Hoje, essas bandinhas modernosas amadas pelos jornalistas da Folha como Leandro Fortino, Álvaro Pereira, Thiago Ney etc, querem ser famosas para quinze amigos. Quando aparece o décimo sexto fã, aí elas já não valem mais nada. Nem para os jornalistas e nem para os primeiros quinze amigos" (Luiz Calanca, produtor musical e dono da loja de discos e selo Baratos Afins).
* FALANDO EM JORNALISTAS DA FOLHA... - Dear Luscious em pessoa (honra máxima!) veio pessoalmente no msn do autor deste blog loki, pra reclamar que as opiniões sobre a Mia publicadas aqui (no post falando da Santogold) haviam sido, hã, exageradas e infundadas. Ceeeerto! A opinião do homem "Popload" aqui é lei, tão sabendo? Ele pode chamar a atenção de Zap'n'roll e ponto final, hihi (blog zapper em momento "pondo o pau na mesa"). Já outros beócios tipo "kalamar", "odeio legião" e "colaborador", se vierem encher o saco do blog no espaço dos leitores, vão levar porrada, uia!
* FECHANDO A TAMPA – Todo mundo feliz, corintianos em polvorosa e fluminenses também. Enquanto isso, na surdina, o Congresso Nacional enfia no cu (sem vaselina) do populacho alegre, pobre, fodido e desdentado o tal CSS, que nada mais é do que a CPMF reeditada mas com outra sigla sem-vergonha. Se fosse o Cansei de ser sexy, até que seria lindo e entraria sem dor. Mas infelizmente não é, uia! Pois é: cada país tem a população imbecil e fanática por futebol que merece, e o governo adooooraaaaaa...
O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Discos: "Oracular Spetacular", a estréia do MGMT que já ganhou edição nacional, e também "Artista igual pedreiro", a estréia do trio instrumental cuiabano Macaco Bong.
* Balada legal: com curadoria do experiente produtor Luiz Calanca, um dos nomes mais atuantes na cena musical independente brasileira nas últimas duas décadas, está acontecendo todo segundo domingo de cada mês na capital paulista o projeto "Rock na Vitrine". Rola lá na Galeria Olido (avenida São João, 437, centrão rocker de São Paulo) e o que é melhor: de grátis! Neste domingo, dia 8 de junho, a partir das quatro da tarde, quem for até lá poderá curtir shows da Casa Flutuante, dos Trovadores de Bordel e do figuraça que é o Astronauta Pinguim. Zap’n’roll deve ir, inclusive acompanhado de sua colega de blogagem da
Os ingleses que vêm aí: um pé no prog rock, mas ainda sim são bons.
O blogão zapper não costuma abrir post mini pra comentar apenas um assunto, mas a notícia merece: o trio inglês Muse está mesmo a caminho da América do Sul e com um pé no Brasil, inclusive. O site da banda já entrega: dia 24/7 o grupo toca em Buenos Aires, e dia 26 em Santiago, no Chile. Depois, haveriam três datas (a confirmar, ainda) no Brasil, onde os shows deverão rolar em São Paulo (dia 31 de julho) Rio (um dia antes) e Brasília (2 de agosto, no festival Porão do Rock).
Banda de guitarras alternativas e barulhentas, o Muse tem um pé no rock progressivo (argh), dado os climas "etéreos" e "espaciais" que o compositor, guitarrista e vocalista Matthew Bellamy (um catatal de metro e meio de altura e que é considerado um pequeno gênio do rock inglês do novo milênio) gosta de imprimir às canções. Mas o som do grupo é bacana e, se no início de sua carreira os detratores diziam que o trio era um êmulo na cara larga do Radiohead, o último disco de estúdio, o fodão "Black Hole & Revelations" (um dos discos recentes do brit rock prediletos deste blogueiro zapper) calou a boca da oposição.
Anyway, assim que as datas brazucas forem confirmadas, voltamos ao assunto. O lance agora é torcer para que mais um show bacana role na área muito em breve.
* Mas se você estiver lá pelos lados de Portugal (ó pá!) agora na próxima semana, o Muse toca no Rock In Rio Lisboa na sexta-feira, dia 6 de junho, junto com Kaiser Chiefs, Linkin Park e Offspring.
DÁ PRA VER O MUSE EM AÇÃO AQUI
Muse – "Knights Of Cydonia", ao vivo no estádio de Wembley
Fora esse aí de cima, ainda dá pra assistir a mais de 40 vídeos (!!!) do trio na sua página exclusiva no Youtube, que pode ser alcançada em http://br.youtube.com/user/muse?ob=0
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POUCAS & BOAS FECHANDO O FINDE
* E o homem do baú voltou, sério. Aos 70 e lá vai pedrada, o "ancião" Silvio Santos voltou a animar as tardes de domingo do SBT com seu programa homônimo. Sério... não tem mais Pedro De Lara, Aracy De Almeida e Décio Pitinini, nem show de calouros. Mas tio Silvio ainda manda aviõezinhos com notas de R$ 50 pilas pra cima da platéia desesperada. Mundo cão combinado com diversão é isso aê!
* Lá se foi Yves Saint Laurent. O estilista francês mais famoso de todos os tempos (e que foi até citado em música dos Engenheiros do Hawaii, uia!), morreu ontem em Paris, aos 71 anos de idade. Vai fazer falta aqui embaixo. Mas em compensação, vai deixar o céu – ou o inferno – mais chique e menos careta, visualmente falando.
* ENQUANTO ISSO, NO ROCK IN RIO LISBOA... - A deusa loucaça, descaralhada e junkie Amy Winehouse se apresentou toda torta diante de 100 mil pessoas na noite deste domingo. A mulher que está deixando o pop do Reino Unido em polvorosa por conta de sua genialidade artística e também pela sua desvairada enfiação de pé na lama em álcool e em tooodas as drogas possíveis, chegou ao festival em avião particular apenas meia hora antes de subir ao palco. Ao cumprimentar o público antes de começar o show, ela pediu desculpas por estar com a voz quase que completamente rouca (por que será?). Durante o set, desfilou em vários momentos com um copo de vinho na mão (hum...) e, a certa altura, cambaleou e levou um tombo. Amy está magérrima e exibiu um vestido feioso e fuleiro como traje para cantar diante dos portugas. Mas ainda e mesmo assim, continua com o rosto lindão e exibindo aquelas tatuagens lindonas e aqueles peitões divinos. Pois é...
* Momentos da apresentação de miss Winehouse em Portugal já estão no Youtube e aqui também:
Amy Winehouse – ao vivo ontem no Rock In Rio Lisboa
Amy Winehouse – "Rehab", também ao vivo no Rock In Rio Lisboa
30-10-2009
22-10-2009
16-10-2009
8-10-2009
7-10-2009