Dynamite

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Bananada rock'n'roll - parte II

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Mallu Magalhães no Bananada: teatro abarrotado para consagrar a musa teen do indie folk. 

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(parte final da cobertura do festival Bananada. Texto e fotos: Adreana Oliveira)

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Sábado, 24 de maio

O sabadão começou com aquela diversidade goiana que o festival oferece. O grupo GLOOM, que para os mais preguiçosos pode ser resumido como uma espécie de filhotes de Los Hermandos com Móveis Coloniais de Acaju, mostrou que tem um futuro promissor pela frente se investir seriamente no trabalho. A proposta deles, que me foi colocada mais tarde pelo produtor, de não ter uma identidade, é algo difícil de se fazer na música. A gente deseja sorte porque talentos ali não faltam.

Um bom blues é sempre bem vindo. Blues de qualidade é difícil de se tocar. Mas a banda goiana ABLUESADOS mostrou que entende do riscado. Sem inventar demais e mantendo-se fiel ao mais tradicional do blues, eles fizeram um show impecável. Foi fácil sair cantarolando "It´my life baby, let me live it like I mean..." Foi a primeira banda da noite ao deixar o palco aos gritos de "mais um, mais um".

Nunca se sabe o que esperar do Pará. Pela primeira vez tocando fora do Estado, o FILHOS DA EMPREGADA causou uma boa impressão em Goiânia. Os caras pareciam bem à vontade e despreocupados no palco. O estilo? Cara, acho que vou demorar um pouco ainda para conseguir explicar mais este rock de Belém... tem uma pegada rocker, mas até surf music a gente encontra no meio do que fazem. Fica aqui o convite para que conheçam.

Quando li o nome ABESTA (SC) entre as atrações do Bananada até pensei que seria mais uma banda de metal extremo. Que nada. É uma dupla de noise...um noise aterrorizante, incômodo, mas do qual você não consegue se desvencilhar fácil. É como se fosse o som da guerra... Por mais que as (altas) freqüências o incomode você tem que ficar para saber o que aquela dupla mascarada vai fazer com aquela cabeça de boneca sob luz vermelha no palco. A música d´Abesta não tem instrumentos tradicionais. Eu não via nada assim desde Os Legais. Conversando com o Zimer, descobri que Abesta vai representar o Brasil no Festival Latino Americano de Noise, em Bogotá, em agosto. A gente ta bem de representante!

BANG BANG BABIES, de Goiânia. Não imaginaria descansar ao som do Bang Bang Babies. Ontem mesmo, durante o treino de Kickboxing enquanto sintonizava o rádio da sala na Venenosa, ouvi uma música deles. Os meninos até compraram paletós novos em um brechó para não fazerem feio no palco. Vi apenas metade do show e já serviu para saber que foi bom.

O som instrumental deste Bananada teve mais um destaque, o CHIMPANZÉ CLUBE TRIO (SP), que já passou duas vezes por Uberlândia, cidade na qual moro, e fui conhecê-los apenas em Goiânia...ou reencontrá-los. Me lembrei do Abimonistas, banda anterior dos caras. Impecáveis na execução de suas músicas, foram muito aplaudidos, com razão.

É estranho falar novo rock de Goiânia. A cada estação ele se renova mais e mais e o BLACK DRAWING CHALKS é um dos grandes destaques desta safra. O teatro estava lotado e os músicos não decepcionaram. As músicas são embasadas no indie rock e no pop inglês, uma ótima mistura.

O nada fácil nome SWEET FUNNY ADAMS já é uma boa credencial para esse quarteto de Recife que começa a despontar na cena indie nacional. No meu bloquinho de anotações acabei de ver que escreve Sweet Funny Animals, acabei misturando os caras com o Super Fury Animals...o SFA acaba que é o mesmo. O som, nem tanto. O Sweet Funny Adams também é adepto da microfonia e também tem uma presença de palco muito boa, mas altera entre dois vocalistas. Em alguns momentos soa como um pouco de Sonic Youth com Teenage Fanclub.

Como antecipei no início deste texto, o CÉREBRO ELETRÔNICO (SP) atrasou um pouquinho o andamento do festival, mas também é muito equipamento, e coisas bem particulares. Como não sou muito entendida do assunto melhor eu ficar quieta antes de falar besteira. Assisti apenas parte da apresentação daquela mistura de MPB, funk, eletrônico.

 

Aqui na minha região o nome MALLU MAGALHÃES (SP) ainda vem acompanhado de um "quem?", mas pela histeria provocada pela menina em Goiânia pude perceber que é um caminho sem volta. Aos 15 anos ela toca violão, gaita, compões, desenha e é muito fofa. Se conseguir sobreviver no showbiz mantendo essa ternura é lindo para a música brasileira. Essa sim, tem talento suficiente para rodar altos festivais gringos e representar o Brasil, em alto estilo. Antes de subir ao palco conversou com várias pessoas no camarim. Me lembro que quando seu produtor perguntou se estava tudo certo, se ela precisava de algo respondeu apenas um "ah, eu quero fazer xixi". Mallu estava acompanhada também do pai, um dos responsáveis por sua dedicação à música. No palco ela demonstrou coragem e independência ao começar com uma música que compôs "na semana passada". "Boa noite, meu nome é Mallu. Eu queria dizer que aqui é muito legal e que hoje é aniversário da minha mãe e do Bob Dylan...oops, e meu violão caiu". Essas foram suas primeiras palavras. O teatro estava abarrotado de centenas de pessoas loucas para vê-la e ouvi-la. Na platéia, um cartaz "Mallu, desenha eu!" e ela ainda respondeu "estou sem canetinha". Logo, quando tirou a jaqueta e o cachecol, apresentou sua criação na camisete "oh, fui eu que fiz", e mostrou o desenho de algo que parece uma batata de braços abertos com a inscrição "I´m the man". A voz dela encanta e as impostações que faz mudam de uma hora para a outra e apesar dessa maturidade musical ela transmite uma infantilidade, uma juventude tão saudável que não tem como não querer apertar suas bochechas. Após o show, ela respondeu da forma mais simples àquela pergunta: o que você pode dizer desse momento pelo qual está passando? "Ah, eu tô feliz".

Na seqüência, os cariocas DO AMOR levaram ao Martim Cererê um pop indie com alguns efeitos. Só que logo começaram a tocar lambada, ai eu sai.

Outra boa surpresa goiana, o MOTHERFISH segue em linha ascendente e mantendo-se fiel à premissa que têm de não fazerem um show igual ao outro. Músicas como "Criminal", "You Ask Me Why" e "To Hell With The Devil", do disco de estréia "Life Can Be a Pretty Scary Thing", foram muito bem executadas. Túlio ainda deu o seu tradicional "Foda-se a MTV". O baterista Hudson e o baixista Japão, além de Túlio, ganharam a companhia de mais um guitarrista, Babu, que estreou no Bananada.

Em Goiânia não tem como se fugir do esquemão que se forma das bandas engraçadinhas. Dessa vez a representante foi DIEGO DE MORAES E O SINDICATO. Uma mistura de rock, pop e até ska naquela vontade de reviver os Mutantes.

Na primeira vez em que vi um show do VIOLINS os teatros do Martim Cererê ainda tinham cadeiras e a banda ainda se chamava Violins and Old Books. Se não me engano foi no Bananda de 2002. Daquele momento em diante eu sabia que eles estariam para sempre no meu top ten, fiquei apaixonada com aquele EP "Wake up and Dream" (2001) e pela forma como eles se apresentavam. Quando veio o "Aurora Prisma" (2003), primeiro disco e em português, eu não quis ouvir. Eles já estavam bom demais, por que mudar? A resistência durou até a primeira audição do segundo disco, "Grandes Infiéis" em 2005. A partir daí percebi o quanto eles evoluíram musicalmente e não pararam. Tanto que os enredos de "Tribunal Surdo" (2007) e "Redenção dos Corpos" (2008) só comprovam a particularidade dessa banda que não tem comparativos no cenário atual.

 

O show do Bananada 2008 começou com "Hans" e terminou com "23 Carnavais". O ex-guitarrista Léo Alcanfor (atualmente na Mugo) fez uma pequena participação no show, tornando a atmosfera ainda melhor. Destaque também para os ótimos backings do baixista Thiago Ricco. Sempre simpático, o guitarrista e vocalista Beto Cupertino faz questão de agradecer a quem ficou até as três da manhã para vê-los mais uma vez. Acredito que o que faz do Violins o que a banda é hoje é o descomprometimento com as expectativas alheias.

Hora de dormir até... às 17 horas de amanhã.

Domingo, 25 de maio

Cheguei já no show do BACKBITERS, outra prata da casa que envereda pelo hard rock e classic rock. O vocalista tem um timbre que não combina com sua carinha de menino, forte pra caramba. A banda deve lançar o primeiro disco ainda este ano e suas influências vão de Led e AC/DC a Hellacopters.

O trio FIRE FRIEND (SP) pegou um público ainda pequeno em sua estréia nos palcos goianos. Mostraram músicas como "Anti-Herói e as Feridas" e "Isabel". Encerraram com "Aprendizado", que estará no novo disco que já está em fase de mixagem, segundo me disse após o show o baterista Pablo, que completa a banda com Iury (guitarra/voz) e a baixista Júlia. Som com muito efeito de pedais nas cordas.

O BIG NITRONS (SP) trouxe o clima do rock a billy uh-lah-lah (isso por conta das roupas inspiradas no Havaí que usam no palco). "Rock and roll não é só maldade não, é para se divertir, galera", mandou o vocalista do alto dos seus pouco mais de... 100 quilos de simpatia. O quarteto fez a galera dançar muito e como são de Santos, a cidade do chopp de metro, levaram um container especial para presentear alguém da platéia que se aventurasse a engolir cerca de 10 latas de cerveja no gargalho. O povo afinou! Foram preciso uns três ou quatro caras para esvaziarem o utensílio. Fique atento que logos eles vão lançar um DVD gravado em Curitiba. Ah, e como sobrou um tempinho dos 30 minutos dos sons próprios, eles mandaram ver em "Ace of Spades", do Motorhead.

O cansaço é foda, vai chegando fim de festival começo a trocar as bolas, como chamar a ORQUESTRA ABSTRATA/SEVEN (GO) de Orquestra Imperial (RJ). Dãhnnn! Mas o Eduardo me desculpa! Ele confirmou que em breve o Seven, que dava nome ao grupo até pouco temo atrás, sairá do Orquestra Abstrata. A banda segue a dobradinha rock, jazz, eletrônico e outras influências que ultrapassam o plano musical. O primeiro disco já está em processo de gravação e já tem nome "Seven". Agora eles contam com Eduardo e Aderson (sintetizadores e cordas), Danilo (programações) e Rogério Pafa (bateria e percussão).

O BAD FOLKS, de Curitiba (PR) foi outra grata surpresa do festival. A banda que começou como um projeto para tocar folk escocês abriu seus horizontes e apresenta um rock com aquela pegadinha folk agradável que faz com que a gente queira ouvir por horas e horas a fio. E os caras disponibilizam todo o disco na internet para download grátis. Mas quem quiser comprar, será bem vindo!

Quando sobe no palco em Goiânia o SHAKEMAKERS está mais do que em casa. Seus seguidores fiéis cantam junto, gritam, pedem mais. Com músicas na linha de "Inimigo do Rei" e Rock and Roll é Bom Pra Mim" eles são provocativos e querem mesmo é curtir seu som no último volume. O vocalista Sandoval convida a todos ao MySpace da banda para conferirem os sons deles e também as versões que fizeram para "Hurricane", de Bob Dylan e "The Pictures of Lily" do The Who.

Dudu no baixo, Djalma e Capivara nos vocais e guitarras e Crica na bateria. Este é o AMP, de Recife (PE). O nome pode até remeter a algum projeto eletrônico, mas os caras são é rock and roll na veia. São letras invasivas, guitarras destorcidas e revezamento aos berros. O primeiro disco já está para sair do forno, aguarde e não se arrependerá. Afinal, de carinhas de bonzinho o rock já saturou.

Como não é todo veículo de comunicação divulga um nome como A GRANDE TREPADA, os integrantes da banda resolveram por bem criar um apelido, BIG TREP. Já são, acredite, 20 anos de carreira. Incrível como ainda há o que se descobrir por este Brasilzão. A banda de pscichobilly não estaria completa sem aquele contrabaixo gigante maravilhoso que enche o palco. Dos quatro discos lançados, nenhum deles está em cartaz, mas logo eles lançarão um DVD para coroar esses vinte anos de carreira.

 

O LENDÁRIO CHUCROBILLYMAN (PR) é a banda de um homem só e levou ao Bananada o seu slogan "Jesus was a one man band too". A galera pirou no seu "Rock Primitivo". Sentado na bateria ele segura a onda no vocal e nas cordas também. Kuti está neste projeto há 3 anos e sabe que sua carreira é do tipo prática e econômica. Afinal, quem o contrata economiza nas passagens. Mas, amante da música que é, tem outro projeto, Kuti e os Penitentes, que toca sons de Tom Waits. Ah sim, ele estava meio doidão na hora da entrevista por isso esse trecho pode parecer meio desconexo.

Qualquer concepção mais diferente, como de M. TAKARA 3 (SP) provoca reações diferentes. Alguns dançam, alguns olham, alguns tentam entender.

MQN em casa. Não é preciso falar muito. Fabrício insano mandando ver nos hits "Let it Rock", "Hard Times", "Eletricity" e também nas suas frases venenosas... "Cada um que veio aqui ontem encheu o Léo Razuk de dinheiro, quem veio aqui hoje é mais roqueiro". A galera invade o palco, o palco invade a pista. É assim que funciona, uma simbiose, todo mundo sai ganhando.

O NECROPSY ROOM é mais um representante do metal goiano. Preparando o primeiro CD, tocou para poucas pessoas, mas nem por isso a empolgação foi pequena. Eles fizeram um show impecável, com aquele visual que banda de metal deve ter e toda aquela coreografia de cabelos ao vento. Primeiro CD previsto para agosto, segundo o vocalista Wesley Amrorim.

 

A BANDA DA ELINE. E quem não conhece a Eline? A personificação da roqueira à sua disposição, ou não. Desde que o Hang the Superstars se aposentou acho que ela vinha amadurecendo a idéia de fazer o que fez no palco do Bananada 2008. Eu cheguei a contar 25 pessoas no palco. Músicas de bandas como Mechanics, MQN, o próprio Hang foram cantadas por músicos da casa em momentos de arrepiar. É numa hora dessas que a gente entende porque Goiânia desperta tanta inveja no circuito indie. Aquilo não aconteceria em nenhum outro lugar do planeta. Fabrício Nobre (MQN) apresentou o show como o segundo maior espetáculo da Terra, depois do Kiss e ainda brincou: "Quem não é daqui pode ir embora". Márcio Jr, do Mechanics: "Isso aqui é a prova de como um pouquinho de obstinação pode estragar a vida de muita gente". Só brincando mesmo. O número de crianças no Bananada este ano foi grande. Já são filhos dos empresários, músicos e produtores roqueiros que surgiram nesta cena há uns 15 anos. Incontáveis latas de cerveja foram consumidas, jogadas e destruídas durante este show. Quando não havia instrumento suficiente para todo mundo, Guga (o quinto elemento do AMP e baixista do Astronautas) empunhou uma vassoura no palco. Daí em diante o fim não foi mais o fim... era um recomeço. Japão intimou o "Mestre" Gustavo Vasquez a pegar o baixo. "Vem tomar choque também". Ele, assim como o baterista Edimar, que são de casa e estavam na equipe de coordenação dos palcos, puderam tocar um pouco mais. Ah, a Eline...estava bem nos seus backings, bem bêbada! E nada de declaração para a imprensa! Ela foi erguida nos braços do seu povo roqueiro. E ela merece e é minha amiga!

Galera é isso. Sobre as festinhas pós show e as drogas eu não sei de nada. Fora dos shows dormi como uma pedra. Agora, vou fazer meu comercial. Afinal, vou gravar meu programa pra TV a cabo aqui amanhã com olheiras por culpa do Finatti. Então, convido-os a conhecer o Clip da Gente. Podem ver pelo www.vetv.com.br. Tem que clicar no box Canal da Gente, depois Música e depois Clip da Gente. No mais, continuo com a coluna Novo Som no www.correiodeuberlandia.com.br. Mas, infelizmente, o jornalismo musical ainda não paga as minhas contas e vou dormir logo porque amanhã o dia é longo! See ya, Finas, valeu pelo espaço. Leitores do Finas, obrigada por me aturarem...ou não.

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: "Artista igual pedreiro", a estréia dos cuiabanos do Macaco Bong e sobre o qual Zap’n’roll fala melhor no comecinho da próxima semana.

* Balada: sabadon friorento em Sampalândia, neeé? Bom pra curtir o show dos Forgotten Boys lá no Belfiori (rua Brigadeiro Galvão, 879, Barra Funda, zona oeste de São Paulo). A banda está pra lançar seu novo disco e por isso mesmo vai tocar várias músicas novas no show, que rola pela madrugada. Você vai? O blogueiro zapper vai, com certeza!

* Mais agito na rua Augusta: yep, o baixo Augusta, no centrão rocker de Sampa, ficou ainda mais movimentado desde ontem quando se mudou para lá o novo StudioSP, com espaço maior (cabem 500 pessoas no local) e mais chique também, inclusive com cardápio de petiscos finos, uia! Na semana que vem tem show do Vanguart por lá e você já pode conhecer a nova casa na rua Augusta, 591, certis?

MAIS BALADAS!!!

Yeeeeeesssssss! Sábado é noite de ir pra rua, mesmo com o friozão que está fazendo. Então você pode escolher entre assistir ao hardcore veterano e sempre honesto do Garage Fuzz na Outs (rua Augusta, 486) ou ainda assistir os cariocas do Leela na Clash Club (rua Barra Funda, 969, Barra Funda), em balada que começa cedo, às oito da noite. E depois, ainda, dá pra pegar a festa "Demônias" no Dynamite Pub (rua Cardeal Arcoverde, 1857, Vila Madalena, zona oeste paulistana), que promete tocar o melhor dos 80’ e 90’, com o som pilotado pelos djs Demo e Pardal.///Domigão? O carioca Maldita baixa no Inferno (rua Augusta, 501), pra agitar o povo goth. É isso, se agasalhe bem, ,tome um vinho saboroso (ótimo pra esquentar nesse frio) e se joga!

PREMIAÇÃO VALENDO!

Claaaaaaaro! Continua em sorteio pelo hfinatti@gmail.com, três cópias do primeiro disco do Vanguart, além de uma cópia do novo álbum do mineiro Carolina Diz, e outra do novo do Guillemotz.

Tá bão, né?

FUOMOS!

No começo da semana estamos na área novamente, falando do graaaande Macaco Bong e também de mais um hype farsesco, o tal MGMT, cujo disco inclusive acaba de sair no Brasil. Inté!

(enviado e atualizado por Finatti em 31/5/2008, às 17hs.)

 

Bananada rock'n'roll - parte I

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O anárquico espírito rocker no Bananada: Johnny Suxxx só de cueca, no final do seu show 

Porrada, porrada!

Que beleza!!! Nos dois últimos posts publicados no blogão zapper, o número de comentários explodiu e o pau comeu. Está provado, por a+b, que boa parte da malucada que vem aqui ler estas linhas online quer ver sangue mesmo (hihi), adicionado de polêmica, intriga etc. O que, no final das contas, não é nada agradável para o autor deste blog, que PRIORIZA A INFORMAÇÃO CORRETA E A OPINIÃO FIRME E FORTE EM PRIMEIRO LUGAR. É claro que muita gente, que quer ver o circo pegar fogo, se aproveita de um post ou mesmo um tópico mais, hã, opinativo do blogueiro zapper, pra abrir sua artilharia pesada e vir destilar ódio, veneno, raiva, inveja, insultos pesados e pessoais e rancor gratuitos no espaço reservado aos comentários dos leitores. Só que este blogger zapper e também o publisher André Pomba, que não são bobos nem nada, já perceberam isso há tempos e sabem muito bem lidar com essa situação e esse tipo de leitor calhorda. Infelizmente, tem gente que não sabe ser racional e apela para a grosseria extrema e a ignorância pra defender seu ponto de vista (isso quando defende pois, via de regra, parte pro ataque vulgar mesmo, sem qualquer argumento atinente à notícia ou opinião veiculada no blog). É chato tudo isso, mas também demonstra que Zap’n’roll continua campeã de audiência e que segue incomodando. E blog bom de cultura pop e rock alternativo é assim mesmo: incomoda, instiga e causa polêmica. Senão, perde sua razão de existir.

* Mas não custa nunca lembrar: comentários que ultrapassem o limite da grosseria, terão como destino sempre a lixeira do blog. Exatamente como vem ocorrendo agora com as mensagens enviadas pelo otário "kala boca" ou "kalamar" (nomes falsos, óbvio, mas que vêm do mesmo e-mail: odeiolegiao@yahoo.com.br). O sujeito, além de ser a covardia em pessoa (pois não se identifica com seu nome verdadeiro), ainda é feroz em seus ataques e não exita em ofender moral e pessoalmente o titular destas linhas zappers e até mesmo "tio" Pomba, nosso mui amado "editador" (que, verdade seja dita, anda mais bonzinho de uns tempos pra cá, rsrs). "Kalamar" é, na verdade, mais um inimigo oculto de ocasião, daqueles que de tempos em tempos surgem sob uma alcunha diferente (já teria sido ele o... colaborador???), enchem o saco por algum tempo e depois, cansados de latir à toa, desaparecem sem deixar rastro. Simples assim.

* E o blog anda se divertindo muuuuito com tudo isso, hihi. Teve neguinho dizendo nos comentários dos leitores que "a ordem interna na Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes) é boicotar a presença do autor deste blog em todos os festivais independentes brasileiros este ano". Pena que o mentiroso autor da frase não sabe que este blog conversa quase diariamente, por msn, com quase todos os produtores dos principais festivais do calendário anual brazuca. Assim sendo, Fabrício Nobre, o homem da Monstro Discos de Goiânia, vocalista do MQN e presidente da Abrafin, disse há pouco pra Zap’n’roll via msn: "Não existe isso, não existe ordem interna alguma. Você é nosso amigo e se quiser vir ao Goiânia Noise em novembro, está mais do que convidado". A mesma resposta foi dada por dom Pablito Capilé, cappo dos festivais Grito Rock e Calango, em Cuiabá: "Finas, não existe isso, cada festival leva quem achar que deve levar". Pois é... óbvio que a vida deste blog não se resume a ir a festivais e se o blog vai até eles é pelo único motivo de procurar dar a melhor informação ao seu amado leitorado, apenas isso. E como já foi dito aqui em outras ocasiões, estas linhas zappers sempre estarão onde forem bem-vindas. E estarão se lixando pra quem não deseja sua presença em determinado evento.

* Fabrício só ficou chateado – e com razão – com a info publicada no post sobre a suposta "dependência" dos festivais indies e onde estas linhas bloggers diziam que o Bananada2008 contou com verba da Petrobras, através de seu edital de música beneficiando festivais independentes em todo o país. Corrigindo a informação: na verdade, a verba obtida pela Monstro foi para o festival Goiânia Noise do ano passado, e não para o Bananada deste ano.

* Bananada que foi o bicho, inclusive, como você poderá conferir logo aí embaixo, na fodástica cobertura com texto e fotos da liiiiindaaaaa deusa Adreana "Cobain" Oliveira, musa número um do jornalismo rocker alternativo brazuca, "ídala" (hihi) destas linhas zappers e repórter de mão cheia da imprensa de Uberlândia, em Minas Gerais. O texto da querida Drica está ótimo e enooorme e, portanto, deverá ser dividido em duas partes, neste e em mais outro post, okays?

* Falando em Bananada, Abrafin etc, Fabrício Nobre manda avisar que o novo single do sempre fodão MQN (um dos grandes nomes do rock alternativo brasileiro, e onde o nosso dileto e simpático "gorducho" faz as honras como vocalista) já está disponível pra audição no site da banda, que pode ser alcançado em www.mqn.com.br. Zap’n’roll já vai lá ouvir!

* Foi maus aê: Mia, de fato, nasceu na Inglaterra (oxe, de onde o maloqui tirou que ela nasceu no Senegal???) e foi criada no SriLanka. Mas isso não muda o que estas linhas rockers online comentaram a respeito de seu último álbum, "Kala": ele foi sim solenemente ignorado por público e mídia. Claaaaaro, aparecer na parada eletrônica da NME ou do Pitchfork ajuda, ter resenha no Guardian ou na Time Out ídem, mas e daí? Estão falando muito que este blogueiro gonzo mais "chuta" do que pesquisa pra fazer seus comentários aqui. Pois então: por que esses manés então não vão pesquisar pra ver quantos discos Mia vendeu de seu último lançamento, e em quais mega festivais ela andou se apresentando nos últimos meses? Hein???

* Falando em música eletrônica, pode esquecer o Depeche Mode no SkolBeats deste ano. O que pega é o seguinte: a produção do festival abriu um fórum de discussão onde o público, em tese, irá escolher as atrações do evento. E dos catorze nomes até agora listados (sendo que, destes, sete serão de fato escolhidos pelos fãs de música eletrônica), nada dos decanos do eletropop britânico. Fala-se, sim, em Digitalism, Justice, Fergie, 2ManyDJs, entre outros. Pois é...

* Se o Depeche não vem, pelo menos estão botando fé na vinda do Muse, o bacanudo trio inglês que é um dos prediletos aqui da casa. O grupo, aliás, está começando a compor material para aquele que será seu quinto disco e sucessor do ótimo "Black Hole And Revelations", lançado há dois anos.

* Buenas, vamos lá, recordar em texto e fotosês a farra rocker que tomou conta de Goiânia no último finde!

FOGO ROCKER NO PLANALTO CENTRAL

No último finde, Goiânia fez jus mais uma vez ao epíteto de "Seattle brasileira", Durante três noites o já tradicionalíssimo centro cultural Martin Cererê foi invadido por dezenas de bandas de todo os cantos do Brasil, para celebrar mais um encontro fodão do que de melhor existe no novo e emergente rock brasileiro. Foi a edição 2008 do festival Bananada, sempre agitadão, sempre mostrando novidades.

Zap’n’roll esteve muito bem representado na balada rock’n’roll, através de sua "enviada especial" Adreana Oliveira, uma das melhores jornalistas que atuam na cobertura da nova cena musical do país. Abaixo, então, você fica sabendo como foi o Bananada, em matéria especial para o blog e dividida em duas partes pois o texto da Drica, além de ótimo, ficou enoooorme.

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Três dias. Trinta e cinco shows. Dez horas de viagem. Cerca de dezoito horas de som. Esse foi o Bananada 2008, 10ª edição, que rolou de 23 a 25 de maio na capital goiana. Foram ao todo 42 bandas, mas por forças alheias à minha vontade perdi sete. Sem querer justificar, eu estava sozinha para resenhar, fotografar e entrevistar e teve equipe maior que perdeu mais bandas que eu.

Mais uma vez faço as honras da casa para o Finas, só por ele mesmo! Claro que vocês não terão aqueles detalhes picantes de bastidores porque falta muito feijão no meu almoço para eu chegar no nível do Finatti nesse ponto, mas não devo fazer feio quanto aos shows. Então, let´s start the party.

Para quem não conhece o Martim Cererê, vale a pena dar uma geral para ter uma idéia da dinâmica do festival. É um centro cultural muito bacana com uma espaçosa área livre onde são montadas banquinhas bacanérrimas de comes, bebes, camisetas, bottons e mais um monte de coisas relacionadas ao rock and roll. Os shows acontecem nos teatros Ygua e Pygua. Enquanto uma banda se apresenta, a outra passa o som, com portas fechadas, no outro espaço. Dessa forma, poucos são os atrasos. Dessa vez, apenas a passagem de som dos paulistanos do Cérebro Eletrônico levou um pouco mais de tempo do que estava previsto. As equipes de palco estão sempre com os ouvidos ligados no som e os olhos no relógio. Nesta edição todos os shows foram de 30 minutos cravados, exceto pelo apoteótico show da Banda da Eline, ainda tem muitas linhas para que tu leias antes de chegar neste apocalipse infernal.

 

Sexta-feira, 23 de maio

Cheguei ao som do IN BLEEDING, banda goiana de trash metal com influências também do hard rock mais tradicional e, no som ao vivo, percebi mais percussão do que fica aparente no disco lançado por eles no ano passado, "Phobia". O show foi baseado neste disco. Backing vocals bem marcados pelo guitarrista Luís Maldonalle, figura carimbada do metal goiano. Em seus solos, rolou até um momento de tocar sua preciosa com os dentes, de costas, essa coisa toda que a galera adora. Principalmente os fãs de Ozzy, que viram o nome do ídolo no corpo da guitarra. Entre os destaques da noite, as performances de "Possession" e "Phobia".

O show do trio CURUMIM (SP) começou com um pequeno equívoco. O baterista e vocalista saudou o público do "Noise", outro festival goiano. Tudo bem, a galera desculpa, e não foi só ele que fez isso no festival, acredite, até Fabrício Nobre confundiu os festivais em um momento. O samba japa dos caras agradou a parte do público que curte um som mais tranqüilo.

Os gaúchos do Identidade: fé na raiz do rocn'k'roll 

De Porto Alegre a banda IDENTIDADE fez sua estréia no Circuito Fora do Eixo. Trabalhando o lançamento do segundo CD, "Jogo Sujo", o quinteto levou sua influência de Stones à risca para o palco do Martim Cererê. Em uma entrevista posterior, o vocalista Evandro Bittencourt mostrou-se surpreso com o fato de muita gente no gargarejo ter várias letras das músicas do Identidade na ponta da língua. Calças justas, jaquetas estilosas, os lenços no pescoço e os cabelos milimetricamente desajustados do quinteto agradou à turma do gargarejo e a muitos que ainda não os conhecia. Músicos profissionais e músicas cantaroláveis à primeira audição, como "Superfantástica".

De São Paulo o SAPO BANJO (SP) levou o ska para o Martim Cererê e fez a geral dançar e pular de um lado para o outro jogando os bracinhos de lado com o seu "original jamaican style". Imaginem o tradicional "Hey, ho, let´s go" em Ska. Aconteceu em Goiânia. A história da banda meio que foi contada em "Carro de Som", se entendi bem. E shows desse tipo só dão certo se o público coopera 100% e naquela noite o Sapo Banjo estava iluminado.

Mas São Paulo também é famosa por suas bandas pesadas. E o grindcore do ARE YOU GOD? pegou muita gente de surpresa. Creio que foi a primeira roda da noite. O show foi aberto com a poesia sinistra do From Hell, um ser noturno que está sempre onde a escuridão do rock está em Goiânia. "Não compensou as 12 horas de viagem, mas foi legalzinho", disse o vocalista. Músicas como "Ratos 1", "Ratos 2" e "Terceira DP" na seqüência fizeram a galera bater-cabeça.

Prata nervosa da casa, sempre, com os Mechanics 

O chaos sonoro nunca vem sozinho. MECHANICS no palco é sinal de insanidade. Márcio Jr e companhia tocando em casa é sinônimo de destruição. "Alguém aqui já comeu uma vaca, no sentido de foder mesmo"? Não se ouviria uma frase desse tipo apresentando uma música em outro lugar. No meio da balbúrdia uma cena típica de shows melosos. No meio da platéia, enquanto o Mechanics cantava "Sangue", não tenho certeza se é este o nome da música, um cara ligou para alguém pelo celular e direcionou o aparelhinho para o palco. Pode?

E como diz a banda uberlandense Animais na Pista, "quando tudo está perdido, ainda pode piorar". Neste caso, no bom sentido. JOHNNY SUXXX AND THE FUCKING BOYS no palco. Todo mundo sabe que o vocalista João Lucas de anjo só tem o "a" e o "o" no nome...mas ele estava literalmente endiabrado de bêbado. Mais tarde ele alegou insanidade temporária e sofreu aquela amnésia alcoólica salvadora. Os músicos da banda já estão até acostumados e mandaram bem nas obrigatórias, como "Back Home". Ao final do show, João Lucas ficou de cueca e camiseta. Sim, ele já usou cuecas mais bonitinhas... e recusou-se a sair do palco, pulando direto para a bateria. Três caras conseguiram tirá-lo de lá e antes de sair para o backstage ele lascou um beijo numa repórter que cobria tudo de perto causando-lhe um corte na boca por conta do aparelho dentário... tem coisas que só acontecem em Goiânia.

Sabe qual foi um dos produtos mais vendidos no Bananada deste ano em uma das bancas? Camisetinhas de bandas para bebês. Afinal, já são dez anos e para fechar a primeira noite, a Monstro fez a proeza de reunir a banda goiana MANDATORY SUICIDE: a primeira a fechar uma edição do festival. Heavy metal tradicional, com direito a música chamada "Dream On" e tudo mais. O vocalista HxHx fez várias piadinhas sobre sua performance. "Heavy metal é música para jovens, não é para vovô, não. Sério, eu queria ser a Manu Magalhães, fazer o que ela está fazendo e ainda ganhar dinheiro tocando em propaganda de celular. Isso é que é ser artista, não é isso aqui não". Pelo nome inspirado no Slayer você deve imaginar o que esses meninos não deram de trabalho para sua vizinhança. Ao apresentar "Journey to the Center of Myself" a galera deve ter deixado os caras da banda arrepiados com tamanha devoção. O Mandatory Suicide representou o metal goiano com mãos de ferro entre 1988 e 1998. Será que depois desta reunião e de sentir novamente o gostinho do palco eles não apostam numa volta definitiva?

Hora de dormir até o início da noite de amanhã.

MAIS BANANADA AQUI:

Nesse "resuminho" da primeira noite, postado no Youtube:

Festival Bananada 2008 – trechos de alguns shows

 

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No post logo acima deste, o restante da cobertura do Bananada e mais algumas coisinhas...

(enviado por Finatti às 14:45hs.)

Santogold, novamente (afe...)

10 Comentários »

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Esclarecendo nosso dileto leitorado: o tópico específico sobre o "hype" em torno da cantora Santogold está sendo novamente colocado no blog, em novo post (acrescido da lista de ganhadores dos nossos prêmios) por problemas técnicos. Quem for ler o final do post anterior (sobre a polêmica da "dependência" dos festivais indies), irá notar que o final do texto sobre a cantora americana está "comido". Não é a primeira vez que isso ocorre no blog zapper e está na hora do nosso querido webmaster Daniel Szigmond dar um jeito nisso, porque a falha começa a complicar a vida e os nervos do autor deste blog. Teoricamente, não há limite de texto em cada post. Pois está na hora desta "teoria" virar "prática", não?

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EXTRA! A TURNÊ DOS VINTE ANOS DO SMASHING PUMPKINS - Acabou de ser anunciada por Billy Corgan, e rola entre agosto e setembro nos Estados Unidos. A idéia é que cada show tenha um convidado muuuito especial. E além da gg comemorativa, o líder do SP também disse que o grupo vai lançar uma coletânea com demos antigas e algumas canções inéditas. Tudo pela internet pois Corgan não quer saber de cd e muito menos de gravadoras.

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SANTOGOLD: MAIS UM HYPE BABACA

Vem cá, alguém de vez em quando tem que dizer umas verdades nesta blogosfera de merda, ainda mais quando está se lidando com música alternativa e cultura pop, né não? Isso inclui dinamitar o máximo possível hypes babacas, patrocinados pela "intelligentsia" do jornalismo musical, seja ele gringo ou daqui mesmo, seja ele escrito por nomes que Zap’n’roll conhece apenas de nome mesmo, ou por gente que, inclusive, é amiga ou conhece pessoalmente o autor deste espaço blogger.

Pois então, dito isto, vai a pergunta aí ao distinto leitorado do outro lado do micro: alguém sabe que fim levou a Mia? Yep, a Mia, aquela cantora e dj senegalesa, que se tornou a sensação do pop eletrônico planetário quando lançou seu disco de estréia, "Arular" (em 2005, há escassos três anos, um período que, nestes tempos de internet e trituração sem dó nem piedade de artistas efêmeros, parece uma eternidade), sendo que inclusive ela chegou a se apresentar no Brasil naquele ano, no Tim Festival que também teve Strokes. Alguém ainda se lembra da mulher??? E olha que ela era (ou é) gostosona, bonitinha, cantava (ou canta) bem e ainda lançou outro disco, "Kala", que saiu no ano passado e ninguém – blog vai repetir: ninguém – deu bola pra ele.

Anyway, toda essa, hã, "digressão" (que palavra chique pra se usar num blog de cultura pop, oxe) está aí em cima para mostrarmos, maaaaais uma vez, ao nossos amados e fiéis leitores, como andam as coisas hoje num mundo pop cada vez mais globalizado, conectado e descartável. Sim, não há mais tempo e espaço para se garimpar com calma e paciência nomes que realmente valham a pena. Tudo é muito rápido, imediatista, o que era genial hoje amanhã não será mais. Fãs trocam de bandas e artistas como uma puta da rua Augusta (no centrão rocker de Sampa) troca de camisinha a cada trepada dada com um cliente diferente. E assim caminha a humanidade e que se fodam bandas boas e honestas (que ralaram pra chegar a algum lugar) e pessoas que ainda amam colecionar bons discos de bons nomes do pop e do rock.

E tuuuuuudoooooo iiiiiiiiissooooo pra dizer que essa negona que abre este tópico com sua imagem, a Santogold, vai ter facinho o mesmo fim da Mia. Santogold, aliás Santi White, é uma americana nascida na Filadélfia e que começou a mexer com música eletrônica na adolescência. De repente, do nada, adotou o codinome que agora a tornou célebre e está na crista da onda pop, isso com apenas um álbum lançado, homônimo, e que saiu lá fora há coisa de um mês. O som? A negona (que é uma delícia cremosa, diga-se, e que canta razoavelmente bem) faz aquele já manjado mix de batidas eletrônicas com rock alternativo, um dubzinho aqui, uma levada mais etérea e psicodélica ali e pronto. No final das contas, nada que você já não tenha ouvido por aí com a... Mia, por exemplo.

Santogold até merece um lugar ao sol no – vale sempre repetir – cada vez mais descartável mundo da música pop pois, afinal, nem é o caso de ela ser uma artista ruim, musicalmente falando. O que irrita pra caralho nessa história, o que fode a vontade de dar algum crédito pra figura é justamente o carnaval animalesco que já está se fazendo em torno dela. Ou seja: mais um hype chatinho, patrocinado pela rock press gringa e até por colegas deste blogueiro zapper (dom Thiaguito Ney que o diga, hihi; aliás, o querido amigo da FolhaSP teve a manha de gastar, na última sexta-feira, uma capa inteira do caderno Ilustrada, um espaço que já foi bem mais nobre e caro ao jornal, para falar das novas "sensações" da música eletrônica brasileira. Ok, ok, Ney tem uma estranha paixão/fixação por música eletrônica. Mas aí vem novamente aquela incômoda indagação: onde estarão, daqui a alguns meses, nomes como Bosta, ops, Boss In Drama e Database???).

Talvez Zap’n’roll esteja se tornando um tiozão velho, chato, razinza e nostálgico. Ou talvez esteja coberto de razão: o blog, laaaaá em cima, não disse que curtiu o som dos Kooks? Pois é: mesmo nestes dias infernais de hoje, onde tudo desaparece tão rápido quanto surge, alguns "hypes" merecem ter uma existência um pouquinho mais longa do que o odor mal-cheiroso de um peido estridente. É isso aê.

SANTOGOLD NO COACHELLA

Sim, a garota se apresentou na edição deste ano do atualmente maior festival de música dos EUA. Dá uma olhada aí embaixo num trecho de seu show, e tire suas próprias conclusões:

Santogold ao vivo no Coachella 2008

O BLOG ZAPPER INDICA

* Filme: o novo Indiana Jones, claaaaro. Quem já viu? Pois é a melhor volta de um herói do cinema de aventura nas últimas duas décadas, pode ter certeza disso.

* Disco: o novo do trio mineiro Carolina Diz, "Crônicas do amanhecer", fodaço como sempre, com as letras esquizóides do baterista Cezar Gilcevi e aquela música que funde Velvet Underground com melodias pop e mineiras. Já tem o voto do blog pra ser um dos discos de 2008.

* Blog literário: se você ama literatura, poesia e textos muito bem escritos, vai no Claritromicina (http://www.claritromicina.blogspot.com), escrito pela lindaça Suellen

Santanna. A garota foi um achado deste maloqui blogueiro zapper há duas semanas, no Centro Cultural São Paulo, durante um show dos queridos Los Porongas: ela tem apenas dezoito anos de idade, faz jornalismo na Puc-SP, escreve horrores bem, é fã de Bukowski, Chico Buarque etc, etc. Um perigo para o coração de um jornalista rocker crazy e quarentão como o figura aqui, rsrs. Moral da história: o mundo ainda tem salvação, pode crer nisso!

BALADAS DA SEMANA

Hã? Nada muuuito digno de nota no meião da semana. Então, um roteirão mais completon entra no post master de quinta ou sexta-feira, certis?

MAS OS PRÊMIOS...

serão desovados JÁ, antes que algum leitor psicopata envie uma bomba para o pobre autor deste blog sempre zoado e lesado. Veja então aí quem ganhou o quê:

* Kits do filme Control e do documentário Joy Division (contendo camisetas e cartazes de ambos): saíram para Adriana Olinto (São Paulo/SP) e Edney Araújo (Aracaju/SE). O Edney precisa mandar seu endereço para o e-mail hfinatti@gmail.com, pra que o blog possa remeter seu prêmio;

* Cds do Vanguart: vão para Clarissa Fernanda, Marta Vasconcello e Tânia Barbarietto (todas de São Paulo/SP), Carla Albuquerque (Rio De Janeiro/RJ) e João José Fontoura Lima (Belo Horizonte/MG);

* Disco do The Kooks: fica para Jaílson Braga (São Paulo/SP);

* Disco novo do Daniel Belleza: vai para Júlia "em fúria" (?), também de São Paulo/SP.

Ufa! Saiu finalmente, né? Mas caaaaaaalma que o pacote vai ser renovado já! Corre lá no hfinatti@gmail.com, que esta bodega blogger põe na roda agora:

* Mais três cópias do supimpa primeiro álbum do Vanguart;

* Um exemplar do novo disco do grupo inglês Guillemots;

* E um exemplar do novo disco do grupo mineiro Carolina Diz.

* E por enquanto é só. Textos sobre o festival Bananada, mais um papo sobre um festão gótico comemorando os treze anos de existência da loja Soulshadow, e mais isso e aquilo entram em novo post, aquele grandão, próximo do final de semana, okays?

* E este post, vejam só, termina em nostalgia total: com Zap’n’roll vendo, no Lab da MTV, o clip de "She Bangs The Drum", faixa fodástica do igualmente fodástico álbum de estréia dos saudosos Stone Roses, o que de mais próximo o rock inglês conseguiu chegar perto dos Smiths. Coisa de vinte anos atrás (quando muita gente que está lendo estas linhas zappers ainda nem tinha nascido). É, o tempo passa, e todos nós envelhecemos. O maloqui zapper aqui amava ver este clip nas madrugadas em que morava no apê da Frei Caneca (centrão de Sampa), isso lá por 1991. Ele era então um jovem e loucaço jornalista, casado com uma jovem e bela esposa, trampava na revista Istoé e não havia internet, mp3, blogs, fotologs, Orkut, i-Pods, celulares e essas merdas todas que infestam hoje em dia a existência humana. Éramos todos mais felizes, podem ter certeza disso. E depois deste recuerdo, o blogueiro zapper nostálgico vai tomar uma dose extra de whisky e cair na sua caminha. Bye bye, crianças!

(enviado por Finatti às 5:45hs.)

Dependência e Independência

15 Comentários »

* Foi maus aê. O blogão que sempre cumpre suas promessas quando diz que vai voltar com maaaais, desta vez falhou miseravelmente, rsrs (não, você não está lendo a querida e superpop Popload, hihihi). Sabe como é, feriadon, preguiça batendo na porta, gripe enchendo o saco, Zapinha tinha discotecagem na Outs na madruga de sábado pra domingo e aí... resolvemos deixar tudo pra um novo post, começando a semana. Melhor, né? Então vai lendo que este aqui vai sendo escrito "em progresso". E vai ter sim e finalmente nossa "humirde" opinião sobre a discussão aberta sobre a possível "dependência" dos festivais independentes brasileiros.

* Aliás a Outs estava infernal no sabadon. O show dos Vangs foi ótimo, como sempre. Quer dizer, a banda fez um set meio "alterado" etilicamente falando, rsrs, pois havia uma garrafa de pinga de ótima qualidade sendo "degustada" no camarim, antes de o grupo subir no palco, o que no entanto não empanou o brilho de mais uma grande apresentação dos meninos. Que ainda brindaram a casa lotada no final com um cover de "The End", o clássico imortal dos Doors, quando o querido vocalista Helinho Flanders aproveitou para chamar o blogueiro zapper aqui no palco, para fazer backing vocals na música. Não foi possível desta vez: o gonzo journalist e dublê de dj estava incendiando a pista no andar de cima com sua discotecagem que, modéstia às favas, deixou o povo maluco.

* Não é por nada não, mas o blog tem ouvido bastante e curtido pacas "Konk", o segundo álbum dos ingleses do The Kooks, que já ganhou edição nacional. E como Zap’n’roll detesta ouvir música na net e precisava fazer a resenha do disco pra próxima edição daquela nossa mega revista de música e cultura pop, o que ele fez? O óbvio: pediu um exemplar do cd pra assesoria de imprensa da sua gravadora no Brasil. A assessora, bem mala e arrogante, disse que enviaria uma cópia no dia seguinte para o autor deste blog. Bom, o disco não chegou até hoje e cansado de esperar Zap’n’roll foi até a Sensorial Discos e comprou uma cópia – importada, vale frisar – do dito cujo. Pois é, isso porque as majors do disco estão faturando horrores, vendendo milhões de cds, ninguém ouve música na net nem copia cds e elas, as gravadoras, não precisam de jornalistas musicais, oh dor!

* "Konk" é bem legal. Como escrito na resenha que ainda vai ser publicada lá na..., estas linhas zappers consideram que por trás daquelas carinhas bonitinhas dos integrantes do Kooks, se esconde uma banda que compõe melodias contagiantes, além de entregar ótimos riffs de guitarras. E Luke Pritchard também manda bem nos vocais.

* Kooks merece, pelo menos, ter vida mais longa (artisticamente falando) do que aquela bobagem chamada Santogold. Mas isso o blog comenta melhor mais aí embaixo.

Os ingleses do Kooks: os garotos são bonitinhos, mas a banda é boa.

* Dear Luscious (sempre ele!) está dizendo que Muse e Hives vem aí. Será? Será??

* Tá certo. E enquanto não se confirma nem um nem outro, você pode ficar sabendo como foi o festival Bananada no último finde em Goiânia, através do sempre ótimo texto do fofo Bruno Palma que já está na página de notícias do portal e segue reproduzido mais abaixo aqui no blog.

* Também haverá no blogão zapper outro texto sobre o Bananada, escrito pela nossa deusa do jornalismo indie rocker brazuca, a lindaça e meiga Adreana Cobain. A reportagem da mineira boa de texto rocker entra provavelmente amanhã ou quarta neste mesmo post, visto que Dre ainda deve estar na viagem de retorno para sua amada Uberlândia.

* Sim, a viagem demora porque boa parte dos jornalistas que cobrem os festivais indies são igualmente de veículos menores e/ou alternativos (como a Dynamite), e eles têm que bancar sua própria passagem (a produção do evento banca hospedagem e alimentação) e, por conta disso, ir de avião muitas vezes torna-se inviável por conta da tarifa aérea. Aí acaba-se apelando para o velho busão mesmo. O nosso querido Brunolo Palma foi de avião, com os custos da passagem bancados pela redação da Dynamite.

* Moral da história: festivais como o Bananada já trataram melhor a imprensa alternativa do país, que tanto apoiou estes festivais quando eles ainda não possuíam a visibilidade que possuem hoje na grande mídia. Aliás, este tema já foi exaustivamente debatido por estas linhas bloggers, no tópico "Os festivais indies contra Zap’n’roll", publicado há alguns posts. O que sucede é claro: agora que têm atenção de veículos como FolhaSP, Veja, Rolling Stone, Multishow etc, produtores espertalhões alegam que precisam priorizar determinados órgãos de imprensa em detrimento de outros, pois não haveria – em tese – dinheiro suficiente pra levar toda a imprensa alternativa que importa a estes eventos. Mas é bom lembra que: a) a produtora Monstro, de Goiânia, foi uma das beneficiadas com a verba que a Petrobrás destinou a vários festivais independentes brasileiros que serão realizados este ano. Sim, a produtora do Bananada e do Goiânia Noise recebeu com justiça e honestidade esta verba, visto que desenvolve de fato já há mais de uma década um trabalho fodão em prol do desenvolvimento da cena indie nacional. Mas, no final das contas, dinheiro não deve ter faltado à Monstro para que ela levasse jornalistas do meio alternativo a Goiânia no último finde. Mas...; b) para realizar seminários, debates etc, a Monstro não se furtou em levar pra Goiás, por exemplo, um conhecido crápula da pseudo grande mídia (pois, na verdade, o sujeito mais late e vomita bílis de prepotência na comunidade "oficial" da revista Bizz no famigerado Orkut, do que propriamente escreve regularmente em algum grande veículo); e c) grande exemplo continua dando o produtor Jomardo Jomas, do gigante festival Mada em Natal que, mesmo tendo verba da Petrobrás e hoje realizando um evento anual para um público total de mais de 20 mil pessoas (público que o Bananada NÃO tem, nem em sonho), continua valorizando sim o trabalho de mídias alternativas e levando estas mídias ao Mada pois sabe, com reconhecimento e agradecimento, que se o seu evento está hoje onde está, isso em grande parte se deve ao trabalho de cobertura e apoio dado por sites e revistas menores ao Mada quando ele ainda estava engatinhando.

* Mas como nem todo mundo pensa igual a Jomardo parece que, daqui pra frente, iremos assistir cada vez mais a repetição deste algo desagradável episódio: festivais indies, ficando de salto alto, torrando sua verba de imprensa com quem na verdade não se importa muito (ou nada) com eles, e deixando profissionais que de fato amam reportar a cena rocker indie de fora destes eventos. Lamentável, pra dizer o mínimo.

* O exemplo dessa postura mal agradecida, aética e cafajeste já começou, este ano, no festival Casarão, realizado no início de maio em Porto Velho: o produtor do evento, sr. Vinícius Lemos, convidou Zap’n’roll a estar lá para cobrir a maratona rocker – que, de resto, foi bacanésima, segundo relatos de quem esteve por lá. Mas quando o indivíduo descobriu que poderia ter um texto num dos maiores jornais do Brasil, reportando seu festival, ele se "esqueceu" do convite feito a este blog e preferiu levar pro Casarão o crápula mencionado mais acima, que late no Orkut. E assim caminha a humanidade no circuito rock alternativo brasileiro.

* Falando em Bananada e sobre "independência" e "dependência" de festivais indies brazucas...

FESTIVAIS INDIES: INDEPENDENTES OU "DEPENDENTES"?

Há cerca de três semanas o nosso dileto colega de jornalismo rocker, dom Thiaguito Ney, em sua coluna "Conexão pop", na FolhaSP, resolveu botar as manguinhas de fora. Thiago, sempre discreto e fleumático na maioria de suas matérias, disparava contra aquilo que, na verdade, ele considera "dependência" dos atuais festivais alternativos realizados no Brasil. Para o jornalista da FolhaSP não existe nenhuma "independência" em festivais independentes que fazem parcerias com empresas privadas ou recebem verba de uma mega estatal como a Petrobras – que, através de um edital publicado em 2007, contemplou vários festivais brasileiros com verbas para suas edições deste ano.

O assunto, por si só, é bastante polêmico e gerou um dilúvio de reações e discussões em blogs, no Orkut etc. E diante de tamanha repercussão, Zap’n’roll também resolveu dar sua opinião sobre o texto de Thiago, já que o autor deste blog há anos acompanha de perto alguns dos principais festivais do calendário alternativo brasileiro. Antes porém destas linhas zappers manifestarem sua opinião, segue abaixo o texto publicado por Ney na FolhaSP, para quem não o leu ou não tomou conhecimento de sua existência:

"O modelo de organização dos grandes shows no Brasil (particularmente o do circuito de festivais) é dependente. Dependente de eventos corporativos e dependente de dinheiro público.
Empresas de cerveja, de refrigerante, de celulares, de telefonia celular, portais de internet, enfim, empresas de todo o tipo (uma fabricante de pneus organizará um evento de jazz e world music em São Paulo, em junho...) não apenas emprestam o nome a um festival, como empurram sem parcimônia sua parafernália de marketing no ambiente do evento, criando uma concorrência com as próprias atrações artísticas.
Festivais corporativos existem no mundo inteiro. Mas, no Brasil, a ação das empresas é muito mais agressiva. Lá fora, na Escócia, há o T in the Park; na Inglaterra, o V Festival. O primeiro é bancado pela Tennents, marca de bebidas; o segundo, pela companhia Virgin. O nome das empresas é associado com discrição; os locais não são invadidos por merchandising abusivos. Bem diferente do que acontece por aqui.
Um outro efeito desse modelo de negócio é que o Brasil virou o paraíso dos cachês. Os produtores de shows buscam os mesmos artistas, e aí entram em uma espécie de leilão.
Os preços vão lá para cima e forma-se um ciclo: as bandas sabem que no Brasil paga-se cachês milionários; os únicos que podem pagar esses cachês são os festivais corporativos; assim, essas bandas só vêm ao Brasil para tocar em festivais corporativos. O Kaiser Chiefs estava em disputa. Fechou com o Planeta Terra.

Aí olhamos para o outro lado, o dos festivais "independentes". Não dá para chamar de "independente" um circuito de festivais que depende de dinheiro público para existir. Como acontece no cinema nacional, em que os filmes são bancados por leis de incentivo e não há a menor preocupação com bilheteria, os festivais "independentes" beneficiam-se de um edital da Petrobras que goteja até R$ 250 mil na mão dos produtores de cada evento.
Uma das "contrapartidas" exigidas pela Petrobras é que esses eventos tenham como finalidade "divulgar a música brasileira" e as cenas locais. Não entendo como pode haver divulgação da música brasileira quando esses eventos escalam bandas gringas de terceiro escalão ou grupos europeus de heavy metal cuja relevância artística é quase nula. E aqui ocorre mais uma anomalia.
Bandas indies péssimas, que não tocariam nem em matinês de pubs londrinos, arranjam lugares confortáveis nesses eventos devido à "brodagem" entre produtores de festivais, músicos, blogueiros etc. Triste".

Esse é, enfim, o parecer de dom Thiaguito e que vem causando tumulto na indie scene, em listas de discussão etc. Na boa? Como já observou alguém, o texto levanta uma discussão interessante e que poderia – e deveria – ser mais aprofundada. Como o assunto foi abordado de forma rasa e "rápida" no caderno cultural do maior jornal do país, quem leu o texto ficou com a impressão de que só há picaretagem e produtores picaretas no meio independente brasuleiro.

E não é por aí.

Acompanhando o trabalho da cena independente brasileira já há mais de uma década, Zap’n’roll viajou por quase todo o país e descobriu dezenas de cenas bacanas, centenas de bandas com alto potencial artístico e travou amizade com muita gente realmente apaixonada pelo trabalho que desenvolve junto à produção musical alternativa. São produtores, músicos e agitadores culturais que enxergaram na música feita fora do seio das grandes corporações do mainstream musical, o futuro de fato da nova e emergente música brasileira. E resolveram partir pra ação, pra dar espaço e visibilidade a esta música "subterrânea".

Ocorre que para realizar este trabalho, é preciso ter tempo, disposição e, sobretudo, dinheiro. Afinal, montar um festival independente – como qualquer outro evento cultural – exige que se tenha verba para pagar técnicos, equipamentos de som e luz, transporte e alimentação para bandas, jornalistas etc, etc, etc. E nenhuma bilheteria gerada por um festival independente (mesmo o de um de porte gigante, como o potiguar Mada) consegue cobrir esses custos. Aí entra em cena o "famigerado" patrocínio. E qual o mal de uma grande empresa privada ou mesmo uma estatal como a Petrobras se associar e patrocinar um festival "independente"? No entender de Zap’n’roll, nenhum. O patrocínio destas empresas é saudável (pois elas estão investindo parte de seus lucros astronômicos em algo extremamente necessário para o ser humano, a sua formação cultural) e se hoje elas voltam seu interesse para a indie scene brazuca, é porque esta cena tomou tamanha proporção diante de público e mídia que agora ela se tornou "interessante", mercadologicamente falando, aos olhos das grandes empresas do país.

Há picaretagem no meio independente? Sim, há, como em qualquer outro meio. Mas, neste caso, felizmente, há muito mais gente séria e honesta trabalhando com a música independente do país, do que picaretas e aventureiros de ocasião, que desejam apenas faturar o seu às custas de uma cena que se agiganta mais e mais a cada dia.

Thiago Ney reclama que há "brodagem" entre músicos e produtores, jornalistas e blogueiros, o que interfere na escalação das bandas para estes festivais. Para o homem da Folha, há grupos tão ruins se apresentando nestes eventos que não há justificativa para a inclusão deles nos mesmos. É uma meia-verdade: de fato, há zilhões de bandas medíocres espalhadas hoje pelo Brasil (numa época em que todo mundo acha que gravar um disco é só ligar o pc no seu quarto e pronto). Mas os festivais independentes também já revelaram – e Ney sabe disso – nomes que hoje estão entre os mais reconhecidos pela mídia e público. Casos dos cuiabanos Vanguart e Macaco Bong, dos paulistanos Ludov, Ludovic e Daniel Belleza, do paraense Madame Saatan, dos cearenses Montage e Quarto Das Cinzas (agora Jardim das Horas) e de muitos outros grupos gaúchos, cariocas, mineiros etc.

Se Zap’n’roll tem algo a dizer contra os festivais independentes é que, de fato, há muita repetição em suas listas de atrações – quase sempre as mesmas bandas tocam sempre nos mesmos festivais ao longo do ano, e isso poderia se repensado. E não dá pra falar em brodagem no meio quando é sabido que mesmo amigos pessoais do jornalista da Folha, como o nosso querido e célebre Lúcio Ribeiro, também estão diretamente envolvidos com a causa independente e por conta disso, viajam e cobrem estes festivais com certa regularidade. Na ótica de Ney então, dear Luscious seria um desses blogueiros participantes desta "brodagem", ao lado destas linhas zappers.

A real é que Thiago Ney (por quem este blog possui consideração e respeito pessoal e profissional) talvez mudasse um pouco sua visão e olhasse mais de perto a nova e emergente música brasileira INDO aos festivais (este blog nunca o viu em nenhum Mada, Calango ou Goiânia Noise), ao invés de ficar enfurnado na redação da Folha e babando ovos para bobagens eletrônicas de ocasião lá de fora. Por último, uma informação que ele, Thiago, se esqueceu de mencionar em seu texto na Ilustrada: o edital da Petrobras contemplou, com verbas, 25 festivais musicais de todos os estilos e regiões do país (o autor deste blog, inclusive, fez matéria detalhada a respeito do assunto no início deste ano, no caderno cultural do diário Gazeta Mercantil). Destes festivais, apenas meia dúzia se dedicam especificamente ao rock. Por que então o repórter da Folha não investiga também como os outros eventos contemplados, que trabalham com outros estilos musicais, estão utilizando estas verbas?

E O SENHOR F. REBATEU...

O produtor e jornalista de Brasília, Fernando Rosa, um dos nomes mais respeitados da cena alternativa brasileira (além de dileto amigo pessoal destas linhas zappers), também não gostou do que leu na Folha. E retrucou assim no site Senhor F.:

"Matéria da Folha de S. Paulo, sob o título de "Teoria da dependência", criticou o fato dos festivais brasileiros contarem com patrocínios privados e públicos. O texto, um tanto quanto rançoso, peca pelo tom reducionista de uma situação que hoje exige um tipo de análise mais profunda. O que, talvez, seja quase impossível de responder, diante das condições em que o jornalismo é exercido atualmente. Aliás, é interessante observar que as melhores matérias têm sido publicadas pelos cadernos de "informática".

É inegável a crise que atinge a cobertura jornalística cultural dos grandes meios de comunicação, ai incluindo os canais de televisão, que, com raras excessões, sempre se pautaram pelo "mainstream". Nunca foi tão grande o alheamento ao que DE FATO está ocorrendo na vida cultural do país, em particular do mundo musical. A desinformação em relação a produção discográfica, às cenas regionais e aos festivais independentes e seu papel social-cultural é só a ponta do iceberg.

A mudança do padrão da difusão musical não atingiu apenas a estrutura das grandes indústrias fonográficas, hoje totalmente perdidas sob todos os aspectos. Em breve, as rádios também pagarão, se já não pagam, com perda de audiência, o preço da relação incestuosa com as gravadoras por meio do ditatorial esquema "top-40". Da mesma forma, os grandes meios de comunicação se confundiram diante da nova realidade, o que resulta claramente na perda de seu poder de formadores de opinião.

Se em outros momentos da história do país, determinados órgãos e meios de comunicação tiveram peso para determinar tendências, hoje isso são águas passadas. Por conta da internet, e das novas ferramentas de difusão cultural, está ficando cada vez mais distante o tempo em que os cadernos culturais formavam a opinião sobre o que ver, ouvir ou ler. Até mesmo o papel de "filtro" da infinidade de informações oferecidas pelos novos meios a "imprensa de papel" vem se recusando a cumprir.

É inegável que os festivais independentes, combinados com a internet, são um dos fenômenos culturais mais importantes da moderna cultura brasileira, e que mereceriam uma abordagem mais cuidadosa. Sem exagero, os festivais independentes se tornaram em menos de uma década a principal plataforma de visibilidade, divulgação e distribuição da música jovem produzida no país. Algo como foram os programas de rádio e televisão e os festivais televisivos nos anos sessenta, as "discotecas" dos anos oitenta e a MTV nos anos noventa, para citar alguns exemplos.

Entender e mergulhar nesse universo para buscar uma maior compreensão social-cultural-estética, no entanto, exige um despreendimento que talvez esbarre em dificuldades ideológicas. A "cena independente" é fruto de um novo momento do país, em que sentimentos de cooperação, solidariedade e espírito coletivo sepultaram a última década de submissão a padrões externos e/ou coloniais. A crítica aos festivais independentes não por acaso vem acompanhada de promoção de "hypes" gringos e seus assemelhados internos que, talvez, sequer pelos "pubs londrinos" passaram.

Se os festivais independentes, ou não, atualmente contam com apoio e patrocínio é porque construíram uma história de trabalho, credibilidade e respeito social junto às sociedades locais, ou mesmo nacionalmente. É por conta disso que apoiadores e patrocinadores, de grande porte, investem nesses eventos, com a expectativa, ou melhor, com a certeza de retorno para suas empresas, produtos e marcas. Uma relação tão saudável, acreditamos, quanto a que leva esses mesmos patrocinadores, públicos e privados, a publicar seus anúncios nas páginas dos grandes jornais.

Em especial, o apoio do setor público aos festivais independentes, em particular, não deveria ser visto com uma "mácula", mas como uma obrigação de governos interessados e comprometidos em promover o desenvolvimento cultural do país. É injusto e, desculpem o termo, hipócrita, por outro lado, defender "igualdade" de condições entre uma banda iniciante, que necessita de espaço e de apoio, e o "produto" jabazado por grandes corporações sem qualquer compromisso cultural.

Enfim, se qualquer tipo de apoio ou patrocínio compromete a "independência" dos festivais, vamos combinar então que, a partir de agora, também os jornais passarão a viver apenas da venda de assinaturas e exemplares nas bancas".

E NO LAMENTÁVEL ORKUT...

A matéria de Thiaguito provocou discussões acaloradas na maior comunidade dedicada à revista Bizz do site de (des)relacionamentos. Até aí nada demais. Mas o que se lê ali é um autêntico festival de sandices, ataques grosseiros e canalhices travestidos de "opinião".

Também, o que esperar de uma comunidade inútil, gerenciada por um inútil e que tem como participantes gente que não é nada fora do Orkut mas se acha relevante? O que dizer de uma comunidade cujas "estrelas" são um jornalista que é o mais mau caráter da imprensa cultural brasileira atual (um sujeito que vomita sordidez contra todo mundo ali, além de fazer frilas insignificantes para veículos como a Folha ou a decadente revista Bravo!), um "aborrescente" idiota do interior paulista que se considera gênio, além de um calhorda que edita uma revista falida de cinema (a Set)?

Estas linhas rockers apenas lamentam que, na tal comunidade, duas pessoas consideradas amigas deste espaço blogueiro, estejam se agredindo publicamente por causa do texto da Folha. Pablo Capilé, hoje um dos mais conhecidos produtores da cena indie nacional e Sérgio Martins, respeitado repórter da revista Veja, deveriam parar de ofender mútua e publicamente e ir cada um cuidar de sua vida profissional, é o que pensa este blog.

Capilé, aliás, também emitiu sua opinão sobre a matéria publicada pela FolhaSP, a qual reproduzimos abaixo:

"Um texto reducionista e que generaliza de forma irresponsável um assunto muito complexo, cheio de variáveis, que precisava de mais pesquisa e de um aprofundamento maior do jornalista. Mesmo sendo uma coluna opinativa, Thiago não poderia se posicionar de forma tão irresponsável como fez, até ele tem certeza disso após toda a polêmica gerada". 

SANTOGOLD: MAIS UM HYPE BABACA

Pode acreditar: daqui a pouco ninguém mais vai falar nela. 

Vem cá, alguém de vez em quando tem que dizer umas verdades nesta blogosfera de merda, ainda mais quando está se lidando com música alternativa e cultura pop, né não? Isso inclui dinamitar o máximo possível hypes babacas, patrocinados pela "intelligentsia" do jornalismo musical, seja ele gringo ou daqui mesmo, seja ele escrito por nomes que Zap’n’roll conhece apenas de nome mesmo, ou por gente que, inclusive, é amiga ou conhece pessoalmente o autor deste espaço blogger.

Pois então, dito isto, vai a pergunta aí ao distinto leitorado do outro lado do micro: alguém sabe que fim levou a Mia? Yep, a Mia, aquela cantora e dj senegalesa, que se tornou a sensação do pop eletrônico planetário quando lançou seu disco de estréia, "Arular" (em 2005, há escassos três anos, um período que, nestes tempos de internet e trituração sem dó nem piedade de artistas efêmeros, parece uma eternidade), sendo que inclusive ela chegou a se apresentar no Brasil naquele ano, no Tim Festival que também teve Strokes. Alguém ainda se lembra da mulher??? E olha que ela era (ou é) gostosona, bonitinha, cantava (ou canta) bem e ainda lançou outro disco, "Kala", que saiu no ano passado e ninguém – o blog vai repetir: ninguém – deu bola pra ele.

Anyway, toda essa, hã, "digressão" (que palavra chique pra se usar num blog de cultura pop, oxe) está aí em cima para mostrarmos, maaaaais uma vez, ao nossos amados e fiéis leitores como andam as coisas hoje num mundo pop cada vez mais globalizado, conectado e descartável. Sim, não há mais tempo e espaço para se garimpar com calma e paciência nomes que realmente valham a pena. Tudo é muito rápido, imediatista, o que era genial hoje amanhã não será mais. Fãs trocam de bandas e artistas como uma puta da rua Augusta (no centrão rocker de Sampa) troca de camisinha a cada trepada dada com um cliente diferente. E assim caminha a humanidade e que se fodam bandas boas e honestas (que ralaram pra chegar a algum lugar) e pessoas que ainda amam colecionar bons discos de bons nomes do pop e do rock.

E tuuuuuudoooooo iiiiiiiiissooooo pra dizer que essa negona que abre este tópico com sua imagem, a Santogold, vai ter facinho o mesmo fim da Mia. Santogold, aliás Santi White, é uma americana nascida na Filadélfia e que começou a mexer com música eletrônica na adolescência. De repente, do nada, adotou o codinome que agora a tornou célebre e está na crista da onda pop, isso com apenas um álbum lançado, homônimo, e que saiu lá fora há coisa de um mês. O som? A negona (que é uma delícia cremosa, diga-se, e que canta razoavelmente bem) faz aquele já manjado mix de batidas eletrônicas com rock alternativo, um dubzinho aqui, uma levada mais etérea e psicodélica

ali e pronto. No final das contas, nada que você já não tenha ouvido por aí com a... Mia, por exemplo.

Santogold até merece um lugar ao sol no – vale sempre repetir – cada vez mais descartável mundo da música pop pois, afinal, nem é o caso de ela ser uma artista ruim, musicalmente falando. O que irrita pra caralho nessa história, o que fode a vontade de dar algum crédito pra figura é justamente o carnaval animalesco que já está se fazendo em torno dela. Ou seja: mais um hype chatinho, patrocinado pela rock press gringa e até por colegas deste blogueiro zapper (dom Thiaguito Ney que o diga, hihi; aliás, o querido amigo da FolhaSP teve a manha de gastar, na última sexta-feira, uma capa inteira do caderno Ilustrada, um espa&

Control, enfim!

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Ian Curtis, ex-vocalista do Joy Division: a lenda revista nas telas. 

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 Aaaaaaaaaaaah, preguiiiiiiiçaaaaaaa de feriadon... mas calmaê que a atualização deste post já está a caminho. E a coisa por aqui vai ferver com o papo sobre a "depenência" dos festivais indies (inclusive com a opinião de um dos mais conhecidos produtores da indie scene brazuca, a respeito do assunto), e também sobre mais esse hype chatinho chamado Santogold, para o qual boa parte da mídia rock "descolada" local já está babando ovos até cansar.

Complemento zapper no ar até a tarde deste sábado, podem esperar!

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Alguns mitos permanecem para sempre.

Era este o título de uma das últimas Zap’n’roll publicadas quando ela ainda existia no formato de coluna, até o final do ano passado. O mito, no caso, era Ian Curtis, o imortal vocalista do Joy Division, morto em 1980 e que tinha sua vida contada no longa-metragem "Control", que havia sido exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e aguardava uma data oportuna para a sua entrada no circuito comercial da capital paulista. Pois "Control" finalmente chega às telas da cidade hoje, quinta-feira. E anteontem, ao assisti-lo pela terceira vez nos últimos meses, em sessão fechada para convidados (com todos os refrigerantes e baldinhos de pipoca que a platéia tinha direito, junto com o convite para ver o filme) e ao lado de sua amada amiga de anos, Adriana Ribeiro, este blogueiro zapper decidiu mudar o tópico de abertura deste post (sim, seria outro assunto) para falar novamente do longa dirigido por Anton Corbijn. Afinal, não dá pra deixar de falar de uma história que é caríssima a todo mundo que ama rock’n’roll e cultura pop, seja você um tiozão quarentão como o autor deste blog (e que viveu muito de perto e intensamente a década em que tudo isso aconteceu, os lendários anos 80’), ou um molecão ou molecona na flor (ops!) da sua adolescência. Mais uma vez, na última terça-feira, Zap’n’roll se emocionou, passou sua vida em revista e se viu novamente frente a frente com a história do mito que, no final das contas, era humano como todos nós. Um mito que casou cedo demais, que descobriu o erro que fora este casamento, que se tornou pai cedo demais, que viveu tudo intensamente cedo demais. O homem que tinha problemas sérios de saúde, exacerbada angústia existencial e que se culpava dia e noite pelos sofrimentos que julgava causar àqueles que o cercavam e que ele amava de alguma forma (inclusas aí a esposa Deborah Curtis e a amante belga Annik Honore). O homem, enfim, que começou a se tornar rockstar sem estar preparado emocional e psicologicamente para sê-lo. E que, por tudo isso, perdeu o controle e resolveu terminar com a própria vida também cedo demais. Como outros ícones da história do rock também resolveram abreviar sua existência por talvez se darem conta de que a vida humana, no final das contas, é bastante dolorosa e pesarosa para grande parte das pessoas. "Control" é um grande filme. Joy Division foi uma banda fenomenal e Ian Curtis, seu vocalista e mártir, será eternamente lembrado como mito. Mito da cultura pop. E por ser o mito que foi, nada mais justo do que falarmos novamente neste post sobre o filme que registra esta emocionante e tristíssima história. Sim, as grandes histórias, via de regra, não costumam possuir finais felizes ou edificantes. E a do Joy Division está aí, para confirmar isso.

* Uma história como a de Ian Curtis toca sim, e muito, qualquer pessoa como um mínimo de sensibilidade e compreensão das inúmeras instâncias psicológicas, emocionais e comportamentais que permeiam a vida durante toda a sua existência. Zap’n’roll, claro, possui esta sensibilidade e compreensão até em doses elevadas muitas vezes, como podem atestar as pessoas que convivem com o autor deste blog e mesmo aqueles que lêem periodicamente estas linhas rockers virtuais. Daí ser absolutamente despropositada a gritaria e os ataques sofridos pelo blog no espaço reservado aos comentários dos leitores, onde alguns deles acusaram o autor deste espaço rocker virtual de "insensibilidade extrema" por supostamente desejar a morte de alguém – no caso, do guitarrista Wander Taffo, falecido na semana passada.

* Óbvio que não se tratou disso. Quem leu o que foi escrito no último post e não é burro ou aético, entendeu perfeitamente a mensagem: o blog zapper reconhecia, sim, a importância de Taffo como músico na formação da história do rock brasileiro, mas ressaltava que, se fôssemos deter o olhar apenas e tão somente pelo seu trabalho NA ÉPOCA EM QUE TOCOU NO HORRENDO RÁDIO TÁXI (uma nódoa quase imperdoável em seu currículo), ele já deveria estar sim descansando em paz há muito tempo. Foi uma frase de efeito, claro. Este maloqui gonzo jamais deseja a morte de ninguém, nem de seu pior inimigo. E deplora profundamente quem tem este tipo de sentimento ou desejo em relação a outras pessoas.

* Mas é claaaaaaaaro que gente covardona (porque sequer tem a coragem de se identificar nos comentários com sua real identidade) e que odeia de graça o sujeito aqui, aproveita a deixa e dispara insultos carregados de mentiras no espaço do leitor. Como o tal "colaborador", um otário infeliz que teve seu comentário sumariamente limado pelo próprio autor deste blog, visto que a "mensagem" enviada pelo babaca insinuava supostos problemas envolvendo os familiares do titular destas linhas zappers. Delírios calhordas de quem NÃO conhece a família e muito menos o filho deste jornalista, não convive com eles e, portanto, não tem o direito de vomitar asneiras nos comentários do blog. E cada que vez que o "colaborador" mala insistir nesta prática cafajeste, seus comentários terão o destino de sempre: a lixeira do computador de Zap’n’roll.

* E continuando no terreno das "polêmicas", papo sério: dom Thiaguito Ney, o homem do blog "Ilustrada no pop", dia desses resolveu publicar um texto mais "sério" e "profundo" em sua coluna "Conexão pop", no caderno Ilustrada, da FolhaSP, falando da "dependência" que os festivais ditos independentes do Brasil tem do poder público (leia-se: money) e também de empresas privadas (novamente: money). O repórter, que é conhecido pessoal destas linhas bloggers, mexeu num vespeiro e seu comentário provocou debates acalorados por listas de discussão na web e orkuts da vida. Enfim, Zap’n’roll nem ia entrar nessa discussão mas a coisa tomou tal dimensão que nós também resolvemos dar nosso pitaco nessa história. Vai lendo que logo mais abaixo, você saberá o que este blog tem a dizer a respeito deste, hã, tema tão palpitante.

* E já que o assunto é festivais independentes... agosto vai tremer com as mega edições deste ano do Mada (em Natal) e do Calango (em Cuiabá). O Mada, pilotado por Jomardo Jomas, chega aos dez anos de existência e promete uma super programação que, se tudo der certo, estará aqui neste blog daqui a pouco. De concreto há a musa folk teen Mallu Magalhães tocando na última noite (16 de agosto), uma super banda indie gringa que nunca tocou no Brasil, mais uma vez uma animada tenda eletrônica etc, etc.

* O Mudhoney foi descartado pelo Mada porque a banda só tem datas livres em outubro. E o festival ainda corre atrás do CSS, pra levar o hoje mundialmente grupo electro brazuca novamente a Natal, onde o festival acontece na fantástica Arena do Imirá, de frente pro mar, de 14 a 16 de agosto.

* Já o cuiabano Calango acaba de mudar suas datas. Ele agora rola de 8 a 10 de agosto em novo local, o Centro de Eventos Pantanal e que, segundo o produtor Pablo Capilé, é um local mega-estruturado. Além dos shows em si, haverá quatro dias de debates e palestras com produtores e jornalistas estrangeiros, sendo que o Calango também corre atrás de uma banda francesa e outra argentina pra integrar o cast do festival que, ainda segundo mr. Capilé, vai ser fodão. Aguardemos pois.

* E antes disso tudo, neste finde de feriadon prolongado, rola mais uma edição do Bananada em Goiânia, que este ano também está com uma programação beeeem boa. Mas isso é assunto pra falarmos melhor mais aí embaixo.

* E no meio disso tudo vem a notícia de que a nossa, a sua louca e junkie e genial Amy Winehouse vai estar sim no gigante festival inglês de Glastonbury, onde ela se apresenta em 28 de junho. É, pelo jeito, é o começo da "virada" na carreira da magrela tatuada, que canta pra caralho. Estamos torcendo por isso!

* Pena que o Joy Division não esteja aqui, hoje em dia, pra tocar num festival desses, né?

MÚSICA, DOR, MORTE, VIDA

(texto sobre o filme "Control", publicado na coluna Zap’n’roll, no final do ano passado)

"Eu tenho uma camiseta preta onde está escrito Joy Division, acima do desenho que mostra a evolução gráfica da explosão e nascimento de um Pulsar no cosmos". Muitas vezes o autor destas linhas digitais pensou em dizer isso pra alguém, uma pessoa imaginária, como se ele fosse um adolescente que possuísse um bem precioso que poucas pessoas tivessem igual. A camiseta de fato existe. Ela está velha, gasta, puída. Mas nas últimas semanas chamou a atenção de pelo menos duas outras pessoas, em duas ocasiões distintas. A primeira aconteceu numa madrugada de domingo para segunda-feira, quando o zapper aqui jantava na padoca da Praça da Árvore, próximo à sua casa. Um casal também jantava lá e o cara, todo de preto e com um chapéu na cabeça, olhou para o colunista e disse: "legal, você curte Joy?". Diante da resposta afirmativa, ele se animou com o papo e disse que curtia muito a banda desde garoto bla bla blá.

Dias depois a coluna está próxima ao metrô Santa Cruz (na zona sul de Sampa e também próximo à casa do autor deste blog) e entra numa farmácia para comprar alguma bobagem qualquer de higiene pessoal. A garota que vem atender o colunista, muito nova, bastante simpática e bonita, olha para a velha camiseta e exclama: "adoooooro Joy Division, vou sempre no Madame Satã, você vai lá também?". Sim, a coluna vai lá há uns vinte anos. Aliás, só não tem ido mais porque o velho casarão está há meses novamente fechado – até quando não se sabe.

Mas o que essas histórias têm a ver, afinal, com o tópico que abre a coluna desta semana? Tudo. São duas historietas que ilustram bem o tamanho do mito que cerca Ian Curtis e seu grupo, Joy Division, mesmo vinte e sete anos após o fim da banda. Tanto Ian quanto o próprio Joy eternizaram seus nomes e sua obra no rock mundial com apenas dois discos, os magistrais "Unknow Pleasures" (de 1979) e "Closer" (de 1980, este inclusive teve reproduzida aqui uma resenha ao seu respeito, escrita há duas décadas por Zap’n’roll. Uma resenha publicada na extinta revista Somtrês, e que a coluna reproduziu neste espaço online quando ele foi quase que totalmente dedicado a comentar a morte do inesquecível Tony Wilson, fundador da lendária Factory Records, a gravadora não apenas do Joy Division, mas de todas as bandas que importaram em Manchester, Inglaterra, nos anos 80’). Ian é o que todo mundo já sabe de cor e salteado: sujeito brilhante, poeta do desencanto e da desilusão existencial, que sofria com suas crises de epilepsia, com o fracasso do seu casamento com Deborah Curtis, com a culpa que sentia por trair a esposa com a amante belga Annik Honoré, com o fastio da vida conjugal, com o fato de – talvez – não querer se tornar um rockstar. Tudo isso resultou em seu suicídio, por enforcamento, em 18 de maio de 1980, quando ele tinha apenas 23 anos de idade. Se matou como todos também estão cansados de saber: após passar a madrugada assistindo ao filme "Stroszek" (do cineasta alemão Werner Herzog) e ouvindo "The Idiot", a obra-prima irretocável da carreira solo de Iggy Pop. O Joy Division acabou ali e das suas cinzas surgiu o New Order. 

Toda essa história de nascimento, vida, dor, música e morte de Ian Curtis é, enfim, recontada sob uma perspectiva brilhante no filme "Control", dirigido por Anton Corbijn e que entra finalmente em cartaz nos cinemas paulistanos a partir desta quinta-feira. Sim, poderia ser mais um filme sobre a vida atormentada de um rockstar que resolve se matar, como tantos que já foram feitos na história do cinema. Mas aqui está se falando de Ian Curtis. E do Joy Division. Então, tudo passa a ter uma dimensão assustadoramente monstruosa em termos de importância musical, contexto histórico dentro do rock’n’roll e, principalmente, em termos de estarmos olhando na tela, diante de nossos olhos, um pouco de nós mesmos (e nossos conflitos íntimos, emocionais e amorosos, nossas dúvidas, angústias, inseguranças sejam elas quais forem), de nossa vida nos últimos vinte anos. Sim, é como se a sua existência estivesse sendo revista ali, com a dramaticidade que aquele momento exige.

Se o filme é bom? Sim, é. Corbijn, que nunca tinha rodado um longa mas celebrizou-se por dirigir centenas de clips para o U2 e o Depeche Mode, além de fazer muitas capas para o segundo e fotografar outros zilhões de celebridades do pop oitentista, optou por narrar a trajetória de Ian através de um distanciamento calculado – que, num primeiro momento, passou a este colunista a impressão de frieza narrativa. Um distanciamento necessário para se evitar sentimentalismo ou comoção gratuitos já que a vida de Ian é por si só objeto de comoção e todos sabem como ela terminou. Portanto, não era preciso carregar com tonalidades intensas um relato já pleno de intensidade. Tanto que o diretor optou por filmar em fantástico preto e branco, outro ponto alto do filme, com sua belíssima fotografia algo difusa e sombria.

O ator Sam Riley interpreta Ian Curtis com espantosa entrega. Os dois se parecem bastante, de fato. Mas o que chama a atenção mesmo é o desempenho do Joy Division "cover" que atua no filme, interpretando com uma honestidade e perfeição pungentes as imortais canções da lenda do pós-punk inglês. É emocionante ver Ian assistindo ao lendário show dos Sex Pistols em Manchester, em 1976 (e que, segundo jornalistas ingleses, talvez seja o show mais importante de toda a história do rock’n’roll, pelas conseqüências que ele acarretaria no pop britânico), e depois sair do local decidido a montar sua própria banda. É mais emocionante ainda ver esta banda, ainda se chamando Warsaw, fazendo seu primeiro concerto. E é igualmente sensacional presenciar o nascimento de clássicos como "She’s Lost Control", "Transmission" e "Love Will Tears Us Apart".

 

"Control" tem defeitos? Alguns, óbvio. Peca por levar a tela a visão dos fatos a partir da biografia escrita pela viúva de Ian, Deborah, que o amava sem dúvida. Mas que não deixou de mostrar sua mágoa pela traição cometida por Curtis. Há também uma excessiva alternância entre planos que focam Ian Curtis mergulhado em suas angústias existenciais e outros que flagram o grupo em ação no palco. Por vezes, parece que tudo se trata de um enoooorme vídeoclip dirigido por Anton Corbijn.

Nada disso, porém, tira o brilho e a importância de "Control" – que, de resto, ainda possui uma impressionante reconstituição de época (no caso, da Inglaterra do final da década de 70’), como bem observou o colega Sérgio Matins, de Veja, que estava ao lado de Zap’n’roll na sessão para a imprensa do filme, no último sábado pela manhã (é, são os sacrifícios que nós, pobres jornalistas, fazemos por nossos amados leitores).

Trata-se, enfim, de um filme exatamente sobre tudo o que importa em nossas vidas: nascimento, arte, música, sofrimento, questionamento existencial, dores emocionais, morte. Vá assisti-lo o mais rápido possível. Pois, no final das contas, "Control" nos ensina que alguns mitos, por sua importância e genialidade no contexto cultural da humanidade, são eternos. E Ian Curtis era um desses mitos, ainda que fosse demasiado humano e atormentado para suportar o peso de ser este mito.

* Ah sim, Zap’n’roll ainda vai guardar por muito tempo sua camiseta puída do Joy Division.

E NESTE SABADÃO, NA OUTS/SP...

Há muuuuito tempo o povo indie paulistano não aguardava com tamanha ansiedade um Sábado como este agora, dia 24. Vai vendo: sabadon no meio de feriadon prolongado. Show do Vanguart na Outs, sendo que a banda está em momento de plena ascensão em termos de público e mídia. E, de quebra, o maloqui zapper gonzo vai pilotar a discotecagem do bar das três às cinco da matina.

A expectativa é de casa lotadaça, com um bando de malucos e lindaaaaaaas e gostooooosaaaaças indie girls se acabando tanto no show dos Vangs quanto na pista no andar de cima. Não é à toa que o chapa Éder Bruno, ex-integrante do saudoso grupo Blemish, disparou no scrapbook de Zap’n’roll, no Orkut: "Vanguart+Outs+discotecagem do Finas=balada imperdível", hihihi. Ou seja: e precisa estar fora de Sampalândia num feriado desses??? Claaaaaaaro que não!

O blog espera ver tudo mundo por lá no sábado. E não custa nunca lembrar: a Outs fica na rua Augusta, 486, centrão rocker de Sampa. Vai lá que a noitada rocker vai ficar na história!

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* Pode ficar calminho aê que este post está só no comecinho. Ele vai crescer horrores até o final do feriado desta quinta-feira e, aí sim, será encerrado, com a nossa habitual desova de prêmios, indicações de lances legais e o roteiro de baladas, né? Então colaê mais tarde que logo mais tem maaaaaais...

(enviado por Finatti às 16:30hs.)

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