Dynamite

Entries for month: April 2008

Banzé no Oeste, ops, no rock

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* PONTO FINAL NO ASSUNTO "CENSURA" NO BLOG – Entonces, conforme falado aqui mesmo, neste post, repercutiu tremendamente o papo/informação de que estas linhas zappers agora em forma de blog, estariam sendo diretamente monitoradas pela direção do portal, visto que Zap’n’roll é, de fato (e sem prepotência nenhuma nesta afirmação), o blog mais lido do site, um dos mais lidos da blogosfera pop brasileira atual e este gonzo maloqui aqui, para o bem e o para o mal (infelizmente), é um dos colunistas e jornalistas mais conhecidos da mídia rock alternativa brasileira, e isso já há um bom par de anos – algo que, na verdade, muitas vezes mais incomoda do que alegra o autor destas linhas online, visto que o nome "Finatti" por vezes se revela um fardo um tanto quanto pesado nas costas de quem o carrega. Enfim, por tudo isso e por não ter medo de abrir a boca, a coisa andou pegando fogo pros lados de Zap’n’roll. O próprio publisher do portal e amigo pessoal deste blogger, André Pomba, deu sua versão dos fatos e o autor deste blog pouco tem a rebater sobre o que ele disse e respeita sua opinião. Sim, estamos na Dynamite há quinze anos (na revista impressa e, depois, no site), porque este é o nosso lado "underground" ou "marginal" (chame como você achar melhor) e amamos este lado, já que o lado jornalístico "mainstream" deste profissional da comunicação é exercido em veículos como a revista Rolling Stone ou no jornal Gazeta Mercantil. Zap’n’roll, aliás, nunca esteve fora da grande mídia. E nem por isso, deixou de prestigiar a Dynamite por saber, sim, que ela também é importante no trabalho deste jornalista e que de fato o site e a coluna (agora blog) zapper promoveram bastante o autor deste espaço na cena musical independente brasileira. De mais a mais, choveram comentários estúpidos e estapafúrdios sobre o texto escrito por Pomba no próprio espaço dos leitores aqui no blog, e também em comunidades do sempre famigerado Orkut. O titular deste blog nem deveria se importar com aberrações deste tipo, disparadas por gente que não sabe o que diz ("ele foi humilhado em público pelo próprio chefe", "deveria ter vergonha na cara e sair do site", "se acha melhor do que todo mundo e é um egocêntrico e metido" etc, etc.) pois ele muito bem quem ele é e como é – e arrogância é algo que NÃO existe na personalidade do autor deste espaço. E também sabe que gente ressentida, recalcada, sem um mínimo de competência profissional e doente de inveja reza dia-e-noite para que Zap’n’roll realmente deixe a Dynamite e rompa uma amizade sólida (com seus altos e baixos, como todas as relações de amizade) de quinze anos com o querido Pomba. A esses invejosos, que pululam por aí no Orkut e até mesmo aqui mesmo no portal, o autor destas linhas só tem a lhes dizer que sua vontade, infelizmente, não será satisfeita ainda por muito tempo, se depender deste jornalista e do que ele, civilizadamente, se comprometeu junto ao Pomba a fazer profissionalmente daqui em diante. Admitimos também que andamos pegando no pé de colegas aqui do portal (Zap’n’roll não tolera ler bobagens, seja onde for, até mesmo em colunas ou blogs escritos por amigos seus, o que deve ser um defeito deste blogueiro) e vamos deixar isso de lado a partir de agora, embora sempre contestando aqui e quando necessário, uma opinião artística contrária a nossa e publicada em espaços vizinhos a este blog. Afinal, o próprio leitor se encarregará de analisar quem escreve asneiras no portal e quem escreve com conhecimento de causa e rigor de informação. Encerrando este assunto em definitivo, pois temos coisas mais importantes para serem comentadas aqui, reproduzimos o comentário postado no Orkut, na comunidade Bizz Livre (esta, moderada por este jornalista e recomendada por ele aos seus diletos leitores), onde um de seus integrantes definiu muito bem a honesta e transparente conduta que permeia a relação profissional e de amizade entre Zap’n’roll e André Pomba: "Só um sociopata não vê que o que existe no relacionamento Finatti-Pomba-Dynamite é franqueza e jogo limpo. Algo que muita gente desconhece...Humilhado? Sei...". É isso aí. Nada mais a acrescentar sobre este assunto.

* E bien, bien, hoje já é quarta-feira e não vamos ficar "queimando" posts novos à toa se não houver nada relevante pra ser comentado. Então, a gente vai fazer o seguinte: se der, até a tarde desta quinta-feira entra mais um adendo aqui com análises rápidas de vaaaaários discos indies que o blog está devendo há algum tempo falar deles. Se não, entra este adendo e mais um monte de novidades explosivas no post master da sexta-feira, aquele que vem com prêmios novinhos e folha pra distribuir pros leitores, mais o roteiro compacto de baladas da semana e mais isso e aquilo. É só ter paciência e aguardar, okays?

* Encontro de gigantes na Outs/SP neste sábado? Mallu Magalhães sendo entrevistada nestas linhas zappers? O blogueiro maloqui aqui novamente sendo entrevistado na MTV? O que achamos da Pitchfork tv online? A armação do século no Planeta Terra 2008? Tudo isso e mais um pouco? Logo mais por aqui, voltaê e confere!

(enviado por Finatti em 16/4/2008, às 4:45hs.)

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O trio paulistano: disco novo com canções cinzas e urbanas. 

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Tumulto, caos e polêmica.

Entonces: repercutiu tremendamente a abertura do último post deste blog zapper, o que esmiuçou o documentário "Joy Division" e que, logo de saída, alertava nosso dileto leitorado sobre a censura que havia se abatido sobre Zap’n’roll por ela ser, hã, desbocada em excesso em seus comentários aqui – alguns deles, ok, alfinetando nossos próprios colegas de site. Choveram comentários no pé do post, houve gritaria até no Orkut e André Pomba em pessoa, nosso amado publisher (e dileto amigo pessoal do autor deste blog há mais de quinze anos), também se manifestou, dando sua opinião e versão dos fatos. Enfim, não vamos nos estender muito mais sobre esse assunto pois, afinal, há coisas mais interessantes e necessárias para serem comentadas neste espaço rocker virtual. O que estas linhas zappers ainda têm a dizer sobre o tema vai logo aí embaixo, em tópico específico. E depois, fim de papo sobre isso. Afinal, estamos aqui para falar de rock alternativo e cultura pop, não para causar tumulto público (ok, nada como uma polêmica e um tumulto mini de vez em quando, pra animar o ambiente, né não?).

* Ah, só pra constar: o post deste finde está meio assim... devagar. Apesar de a cidade estar animadíssima no circuito indie (com show do New York Dolls ontem e ainda Datsuns hoje e Wayne Hussey amanhã), o blogueiro aqui sofre com resfriado, crise de azia e gastrite (é o que dá ficar enfiando o pé na lama em álcool e outros aditivos depois dos 40...), e por isso vai mais devagar hoje por aqui. Mas prometemos que na próxima semana, o blog volta com assuntos master e gás total novamente.

* Bom, Zap’n’roll vai sim hoje nos Datsuns, no Inferno. E também amanhã no Wayne Hussey, na Clash. Aliás, quem ganhou os ingressos pra ambos os shows na promoção (bacanuda como sempre) do blog, já foi avisado e os nomes estão lá embaixo, no final do post.

* Manchester ataca novamente! A cidade inglesa, que legou ao mundo Joy Division, New Order, Buzzcocks, The Fall, The Smiths e Oasis, entre muitos outros, agora se prepara para exportar mais um grande nome do rock’n’roll. Pelo menos é o que acha o semanário inglês New Musical Express, que estampa na sua capa desta semana o grupo The Courteeners e tasca a indagação: "os novos messias de Manchester?". Será? Depois que ouvir a banda, Zap’n’roll emitirá sua, hã, abalizada opinião aqui.

* Pros interessados, a capa da NME com o Courteeners é essa aí:

* E, sim, "Shine A Light", o documentário dos Stones dirigido por Martin Scorsese é realmente fodástico. Estas linhas zapper assistiram o dito cujo esta semana, ao lado da sempre liiiiindaaaa e fofa Adriana Ribeiro. E ambos saíram impressionados do cinema com a captação de imagens, as tomadas espertíssimas, os planos ágeis e a iluminação e tratamento dado por Scorsese às filmagens. O cara é gênio, claro. E filmando um show das Velhas Pedras Rolantes, não tinha como dar errado. Se você não assistiu ainda, vá logo porque é o tipo de filme que não fica muito tempo em cartaz.

* Socorro I: o "fantástico" RDB volta a Sampalândia dias 10 e 11 de maio, para duas noitadas teen "imperdíveis" na Via Funchal. Mas os ingressos já estão... esgotados, sorry pimpolhos!

* Socorro II: mas se você é da velha guarda do metal e prefere, her, algo mais "sério" e "adulto", tem o Queensryche, dia 16 de maio também em Sampa, no Credicard Hall.

* Alguém viu a fofíssima Fernandinha Takai ontem no Programa do Jô? A vocalista do sempre querido Pato Fú foi divulgar seu disco solo, "Onde brilham os olhos teus", onde ela interpreta canções de... Nara Leão, musa da bossa-nova. Ok, ok, o blog aqui é de rock e cultura pop. Mas Fernandinha é tudibom, lindinha como ela só, dileta amiga do gonzo blogger aqui e o último disco do Pato Fú, lançado em 2007, é sensacional. E de quebra, o Pato Fú ainda vai tocar na Virada Cultural daqui a duas semanas. Mais um ótimo motivo pra prestigiar a Virada.

* É. Até que o Banzé (a banda paulistana, bem entendido) também poderia participar da Virada Cultural, já que o trio lançou há pouco um disco bem legal. Mas já já voltamos e falamos sobre isso por aqui.

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ROCK URBANO, CINZA, SEM INOCÊNCIA

Um dos grupos mais legais da cena independente paulistana acaba de perder, enfim e totalmente, a sua inocência. O trio Banzé lançou há pouco seu segundo disco, "Antes da Queda" e chega a espantar a evolução e mudança de direcionamento musical mostrados pelo grupo em relação ao disco "De pernas pro ar", sua estréia oficial em disco após ter editado um ep apenas para divulgação junto à mídia. Formado pelo guitarrista e vocalista Thadeu Meneghini, pelo baixista Willy e pelo batera Marcelo Effori, o Banzé se tornou uma das bandas mais queridas da indie scene paulistana graças às suas melodias contangiantes e às referências ao rock garageiro sessentista, que sempre permearam suas músicas. Canções festeiras, pra curtir legal em casa e pular nos shows, e que logo ganharam a simpatia do público alternativo e também de jornalistas rockers como Thales de Menezes (da revista Playboy) e o maloqui zapper aqui, que botou o conjunto pra tocar em muitas festas promovidas pelo blog (então, coluna) em bares como a Outs/SP.

Mas faltava algo ao som do Banzé. Talvez mais consistência nas letras e perder um pouco a "inocência" na hora de compor. Pois ambos os detalhes foram corrigidos e aperfeiçoados no novo trabalho. Em onze músicas e pouco mais de trinta e cinco minutos de duração, ouvem-se riffs bem construídos de guitarra, melodias aceleradas e ganchudas e uma produção (a cargo do experiente Alexandew Fontanetti) que realça os bons vocais de Thadeu e o caráter algo urbano, cinza e "sujo" das faixas. Sim, o grupo soa como se fosse uma polaroid musical das mazelas que permeiam as relações humanas e uma metrópole eivada de caos em todos os sentidos, como é São Paulo. Desta forma, não surpreende que o grupo tenha composto uma música, "Fada Carabina", que narra em forma de crônica os ataques do PCC realizados na capital paulista em 2006 e que paralisaram a quinta maior cidade do mundo. "Onde você estava? Por onde andava na noite passada? Um ônibus foi incendiado. O céu refletiu o vermelho das ruas. Procuram culpados, meu bem. Me diga se a culpa é sua", diz a letra, enquanto a guitarra desliza por uma das melhores levadas melódicas do cd.

A rudeza dos temas e uma certa perda da inocência (sim, o Banzé festeiro meio que deu lugar a um grupo mais, hã, "adulto" e reflexivo, mas nem por isso menos rocker) também é facilmente perceptível na faixa-título e nas ótimas "Boca do Lixo" (composta em parceria com Tatá Aeroplano, do Jumbo Elektro), "Tragam-me a cabeça de Lester Bangs" (esta, vejam só, além de citar o nome do lendário crítico americano em seu título, ainda traz a especialíssima participação de Wayne Kramer, do MC-5, nas guitarras) e "Hirsuto", outro grande momento melódico do álbum com mais uma letra de versos contundentes sublinhando a música ("Trago na alma silente/O peso exato dos sonhos"). Com tudo isso, a música que fecha o disco, "Vai pra rua", composta por Arnaldo Antunes e Paulo Miklos na época do álbum "Cabeça Dinossauro", dos Titãs, foi um belo presente ofertado ao trio por Arnaldo e Miklos. Mas nem faria tanta falta ao novo trabalho do Banzé afinal de contas, porque há canções melhores gritando no cd e de autoria da própria banda.

É isso. Já tem o voto destas linhas blogueiras para figura entre os melhores discos indies brazucas de 2008.

* Mais sobre o Banzé? Vai lá: www.banzerock.com

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* E MAIS POR AQUI? – Caaaaaaaalmaê que no decorrer deste finde este post vai aumentar substancialmente de tamanho, hihihi (gozado... parece que um querido e vizinho super blog popstar também sempre usa essas "paradinhas estratégicas" quando tem que interromper a postagem, hehe). Por hora, informamos que:

* Hoje, sextona rocker, tem além dos Datsuns no Inferno, Henry Paul Trio na Outs (rua Augusta, 486, centrão de Sampa), Jumbo Elektro no Belfiori (rua Brigadeiro Galvão, 870, Barra Funda, zona oeste paulistana), a deliciosa festa indie MissTake, comandada pela dj Gringa no MiniClub (rua Consolação, 2627, Jardins, zona sul de São Paulo) e o aniversário do agitador cultural e dj Wilson Farina, que vai comemorar discotecando lá no simpático clube Praga (rua Turiassú, 483, Perdizes, zona oeste de Sampa).

* Amanhã, mais conhecido como sábado, rola shows com o Hats e o Comma na Outs, mais Devotos de Nsa. Aparecida no Belfiori (comemorando o aniversário do grande Thunderbird), e super noite anos 80’ no Dynamite Pub (rua Cardeal Arcoverde, 1854, Vila Madalena, zona oeste de São Paulo), quando a sempre ótima dj Silmara irá comemorar o quarto aniversário de sua festa Spectro. Ótima pedida pra esticar a noitada depois do show do velho goth Wayne Hussey na Clash Club (rua Barra Funda, 969, Barra Funda). E será pra onde este gonzo zapper eterno viúvo dos 80’ irá também.

* E quem vai na faixa no Datsuns é Erika Pires e Vinícius Favaretto. Já amanhã, no Wayne Hussey, Luciano Terriaca e Adriano Paccianotto irão curtir felizes uma balada goth oitentista.

* Tá bão? Então é isso: até o final deste finde colaê que o blog ainda vai esquadrinhar alguns discos indies lançados recentemente (estamos devendo essa) e também vamos por um ponto final definitivo sobre o assunto "censura no blog". Por enquanto é isso, o maloqui aqui vai lá se descabelar nos Datsuns e curtir uma nostalgia pós-punk com Wayne Hussey, e depois volta por aqui. Inté!

* Ah, sim: e Recife pega fogo com mais uma edição do Abril Pro Rock. Logo mais cobertura aqui e no portal, pelas mãos do nosso amado "editador" André Pomba, que na verdade é um fofo e que ficou mais velhinho esta semana, hehe. Parabéns dear Pomba: amor e fidelidade eterna destas linhas zapper para a nossa looooongaaaaa amizade!

(enviado por Finatti às 21:05hs.) 

Joy Division - foi tudo verdade!

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            Ian Curtis, em foto clássica: um mito eterno. 

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* Antes de começarmos os "trabalhos" (ah...) desta terça-feira, um aviso importante e de utilidade pública, hihihi: em pleno século XXI, em plena democracia e era de respeito total às liberdades individuais e de informação total, este blog que você está lendo está sob severa CENSURA. Como Zap’n’roll é o blog mais lido do portal (sorry, vizinhos de "blogagem") e também o mais desbocado, sem papas na língua e o mais comentado nas rodas indies, ele está sendo diretamente monitorado pela "chefia" do portal. Portanto, se você ler algum texto aqui e depois notar que ele simplesmente desapareceu, o motivo já está explicado. É a vida dura do colunismo pop virtual na blogosfera...

* E não é que o homem do "Aprendiz" vai virar astro musical? Sim, ele mesmo, Roberto Justus em pessoa, vai lançar seu primeiro cd, onde interpretará músicas dos Beatles, Elton John e Elvis. Depois as gravadoras ainda se perguntam por que elas estão falindo...

* Se a nota musical acima é uma grande bobagem, esta aqui não é: "Accelerate", o novo álbum do REM, foi direto para o topo da lista dos mais vendidos na Inglaterra. Quem pode, pode.

* Quem pode, pode II, a missão: Fernanda Lima na capa da nova edição da Rolling Stone. PELADA! Daqui a instantes você confere a imagem com exclusividade neste blog zapper.

* EEEEEXXXXXTRAAAAA!!! A capa da nova edição da Rolling Stone(uma das melhores dos últimos meses, na "humirde" opinião destas linhas zappers), com Fernanda Lima PELADA, grávida de oito meses e que chega às bancas de todo o Brasil nesta quinta-feira, 10/4, é esta aí, em furo exclusivaço do blog:

* Ok, ok, este velho blogueiro gonzo, avesso às novas tecnologias de difusão de informação via internet, confessa: está achando divertidíssimo "blogar" (ops, verbo novo no pedaço, copyright by Finas). E também se rendeu ao Youtube. Pensa bem: você instala um monitor de 17 polegadas no seu micro, pluga o som do compu no seu sound system, escolhe zilhões de vídeos no Youtube e pronto. Pra quê MTV a essa altura do campeonato?

* Tanto que a edição de ontem do caderno Ilustrada, da FolhaSP, trouxe em sua capa matéria onde informa que o Pitchforkmedia, um dos melhores e mais respeitados sites de cultura pop dos Estados Unidos (e que é acessado já há séculos pelo autor destas linhas rockers), atento aos novos tempos e ao avanço do Youtube, acaba de lançar seu canal de tv online, com grande ênfase em vídeos de rock alternativo raros dos anos 80’ e 90’. Pois é...

* E se o avanço e o progresso é tão grande e bem-vindo na tecnologia e no cyberespaço, o retrocesso moral e comportamental parece ser do mesmo tamanho na sociedade média brasileira. A mesma FolhaSP, em pesquisa publicada neste finde, informa que a maioria dos brasileiros é contra o aborto e contra a discriminalização da maconha. A pena de morte é aceita por quase metade dos pesquisados pelo diário (47%), e 45% dos entrevistados pelo jornal são contra a união civil homossexual. Um contra-senso deveras inexplicável. E que deixa uma amarga sensação de que, num mundo de computadores, teias virtuais, celulares, blogs e afins, o ser humano parece estar regredindo à Idade Média quando o assunto é sociedade e comportamento moral. Infelizmente.

* É, bons tempos em Manchester, quando a revolução do Joy Division estava apenas começando. E em pouco tempo, mudaria para sempre a história do rock e a própria história de nossas vidas...

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TUDO ACONTECEU MESMO EM MANCHESTER

Sim. Não há mentiras em "Joy Division", o documentário que esquadrinha a história daquele que é um dos nomes fundamentais de toda a história do rock’n’roll, ícone supremo do pós-punk inglês dos anos 80’ e uma das cinco bandas da vida do autor destas linhas rockers online. Exibido na última sexta-feira em São Paulo, dentro da mostra "É tudo verdade", o filme entra em cartaz nos cinemas no próximo dia 16 de maio, juntamente com o docudrama ficional "Control" – uma data estrategicamente escolhida pela distribuidora dos dois filmes já que dois dias depois, em 18 de maio, completam-se 28 anos da morte do vocalista da "Divisão da Alegria", que de alegre não tinha absolutamente nada. Ambos jogam luz na história do Joy Division e de Ian Curtis para as novas gerações, que não viveram os fatos ou se influenciaram por eles (musical, estética e comportamentalmente falando) na época, mas que continuam prestando vassalagem à lenda e alimentando o mito maior da cena musical de Manchester.

Manchester... cidade industrial, poluída, ao norte da Inglaterra, distante cerca de 400 kms da capital, Londres. Como já cansamos de dizer aqui, esta cidade cinza, sem grandes atrativos culturais (uma espécie de Sorocaba, mal comparando), deu ao mundo algumas das bandas mais sublimes que existiram na história recente do rock. Justamente pelo massacrante tédio urbano, pela falta de perspectiva do que fazer da vida, pela irrefreável catatonia existencial e por mais zilhões de motivos, é que a garotada mancuniana resolver pegar em instrumentos no final dos anos 70’ para aplacar um pouco todo este sentimento de inoperância e inadequação existencial. Tudo começou com o célebre show dos Sex Pistols, para pouco mais de 50 pessoas, realizado na cidade em 1976. Na platéia daquele show estava todo mundo que iria fazer história em Manchester – e em toda a Inglaterra – nos anos subsequentes: Howard Devoto, do futuro Magazine; Pete Shelley, que formaria os Buzzcocks. E o Joy Division inteiro.

O documentário explica muito bem a gênese musical da cidade, e contextualiza a história do Joy dentro do ambiente da metrópole em que a banda foi gerada. É uma história fantástica e, de repente, é como se a própria história da sua vida, nas últimas duas décadas e meia, estivesse sendo repassada diante de seus próprios olhos. Foi assim que Zap’n’roll se sentiu na sala do cine Sesc, em São Paulo, na última sexta-feira. Afinal, éramos todos adolescentes já vidrados nas nuances sombrias do pós-punk em 1980, quando "Closer", o monumental segundo álbum do grupo, estava sendo lançado, ao mesmo tempo em que um Ian Curtis atormentado pelo fantasma do estrelato pop, pelas suas crises de epilepsia e pelo sentimento de culpa que carregava por estar traindo sua esposa, resolveu que o mundo dos vivos não era o mundo no qual ele se sentia confortável.

Como documentário, "Joy Division" fascina por trazer dezenas de depoimentos de todo mundo que fez parte daquela história de perto. Estão lá, relembrando tudo, os remanescentes do grupo (Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris), o saudoso Tony Wilson (o homem que fundou a Factory Records e descobriu a banda, e que morreria tempos depois de participar das filmagens), o designer Pete Saville (autor das duas obras de arte que são as capas de "Unknow Pleasures" e "Closer"), além de produtores, músicos (como Pete Shelley) e jornalistas que viveram tudo de perto, no momento em que os fatos estavam acontecendo. Há cenas raríssimas (como o show dos Pistols que deu início a tudo em Manchester), entre elas algumas apresentações ao vivo do Joy no programa de variedades que Wilson apresentava na tv Granada, a emissora principal da cidade.

                 A banda: cultuada até hoje pelos indies kids

Detalhe importante é que, estranhamente, Deborah Curtis, a viúva, não aparece em momento algum no documentário. São mostrados apenas trechos de frases dela, retirados do livro "Touching From A Distance", a biografia que ela escreveu de Ian. No entanto, a ex-amante belga do vocalista, Annik Honoré, aparece várias vezes e dá detalhes preciosos da personalidade de Curtis, um sujeito com um gosto musical e literário de altíssimo nível (entre seus escritores preferidos estavam Kafka, William Burroughs e J.G. Ballard) e que traduzia esse gosto em arte musical e poética sublime, vertendo angústia e sofrimento existencial em forma de canções pop gélidas, distantes, opacas, sombrias. Não à toa, em um de seus depoimentos, Annik conta que tentou alertar Tony Wilson de que Ian estava precisando de ajuda urgente, suas letras clamavam por isso ("assumam vocês meu lugar no confronto final", "caminha em silêncio, sem olhar para trás", "o amor vai nos dilacerar novamente"). Wilson, por sua vez, revela que tentou negar o óbvio, dizendo que o que Ian fazia era apenas ARTE. Era sim, mas não só. Era a expiação musical do que se passava no interior de um dos personagens mais torturados emocionalmente da história da cultura pop.

Há defeitos em "Joy Division"? Sim, alguns. E talvez o principal deles seja o excesso de depoimentos e a ausência de pelo menos um número musical completo que fosse, com a banda. Fora isso, não dá pra dizer, como já foi afirmado em blogs vizinhos aqui (e sempre mal informados, querendo falar e opinar sobre aquilo que não conhecem e não dominam) que o filme é um equívoco. É sabido sim que, na época em que o Joy se formou, parte do público e da mídia britânica enxergavam no nome do grupo (alusão às alas dos campos de concentração nazistas na Segunda Guerra onde eram confinadas as prostituas, que serviam de "diversão" para os soldados e oficiais alemães), nos desenhos que a banda utilizava para ilustrar seu material de divulgação e no vestuário austero e algo rigoroso com o qual os músicos se vestiam (as calças de tergal de Ian e camisas sociais com ombreiras, além das gravatas utilizadas por Bernnie Sumner), alusões ao nazismo. Como, de resto, muitas bandas punk também foram acusadas de fomentar nazismo em suas canções e atitudes. Para se livrar deste estigma, o Joy Division foi mitigando aos poucos estes sinais em sua obra, até que eles desaparecessem quase por completo. Mas este mal-estar estético e político/ideológico rondou de fato o conjunto em seus primórdios e seria um equívoco sim se o diretor Grant Gee não tivesse abordado o tema no documentário. Moral da história: não há "interesse implícito" do diretor em nada ou tampouco "distorção de imagem" da banda - a não ser na cabeça-de-vento de quem enxergou isso no documentário.

Um documentário que, em que pesem suas pequenas imperfeições, emociona e muito. Este velho e sentimental jornalista gonzo/freak, viúvo assumido do pós-punk oitentista, quase saiu às lágrimas do cine Sesc. Assim como todos que estavam ali (inclusive, boa parte da velha guarda goth paulistana). Pensa bem: quantas bandas se tornaram imprescindíveis na trajetória do rock’n’roll e construíram uma obra magna e eterna com apenas DOIS DISCOS? Talvez apenas o Joy Division. Por isso ele continua, quase trinta anos depois, sendo uma lenda. Por isso foram feitos, em menos de dois anos, uma ficção ("Control") e um documentário sobre o grupo. Alguns mitos permanecem para sempre no imaginário pop. E Ian Curtis e o Joy são exemplos claros disso.

Foi tudo verdade em Manchester. E a verdade nenhuma poeira do tempo consegue apagar.

JOY DIVISION – VIDEO COLECTION

Yep. Para celebrar o momento "Joy Division" que anda tomando conta da cena rocker alternativa aqui e lá fora também, seguem abaixo três vídeos: o clip clássico de "Love Will Tears Us Apart", mais uma rara apresentação ao vivo da banda em 1979 (tocando a dobradinha "Transmission"/"She’s Lost Control") e, voilá, o gigante Radiohead fazendo a sua já célebre cover para "Ceremony".

Joy Division - "Love Will Tears Us Apart"

"Transmission"/"She's Lost Control", ao vivo

"Ceremony", em cover do Radiohead

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* Hum... o blogueiro zapper aqui não garante nada neste momento, mas colaê mais tarde que podem entrar mais algumas coisinhas neste post. Mas isso maaaais tarde, se for o caso, porque daqui a pouco vamos dar um pulo até a chopperia do Sesc Pompéia (lá na rua Clélia, 93, Lapa, zona oeste de Sampalândia) porque hoje tem show do grande O Quarto Das Cinzas por lá, dentro do projeto "Prata da Casa". E o que é melhor: de grátis!

* Continuam valendo pelo finatti@dynamite.com.br um par de ingressos pro show dos Datsuns no Inferno Club, na sexta, e outro par pro set acústico do velho gótico Wayne Hussey na Clash, no sábado. Pois é. E como sempre acontece nessas ocasiões, a vida do gonzo zapper já está uma tortura por causa da promoção. É a vida...

* Até já, entonces.

(enviado por Finatti às 15:55hs.)

Nick Caverna sem rugas - ainda... (agora sim!)

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Tamu aí na atividade!

Não é assim que aquele mala anarfa do vocalista do medonho Charlie Bronha Jr. inicia um papo com quem fala com ele? Pois é. De modos que não é, claro, a melhor forma de começar um novo post aqui, para este já blog zapper campeão de audiência. Mas enfim, como estamos com o ouvido colado em "Dig, Lazarus, Dig", o novo álbum do velho gótico australiano Nick Cave – junto com sua extraordinária e lendária banda, os Bad Seeds –, estamos aqui "na atividade" pra subir já já um texto sobre o cd, ok? E, sim, ele é bem bom, como tudo que Nick costuma gravar aliás. Mas daqui a pouco você fica sabendo como é o novo rebento do velho poeta sombrio que um dia morou em São Paulo e que foi casado com uma brasileira.

* Aeeeeeeeeeê!!! Dois dos maiores festivais do calendário anual independente brasileiro já tem data pra acontecer: Calango, em Cuiabá, e Mada, em Natal, numa não planejada coincidência irão acontecer no mesmo final de semana, entre os dias 14 e 16 de agosto. O Mada chega aos dez anos de existência e a festa promete ser fodona, com três atrações gringas, mais CSS e o escambau. E este blog zapper já confirmou presença por lá e é com pesar no coração que Zap’n’roll não irá ao Calango pela primeira vez em quatro anos. É, acontece...

* Mallu Magalhães no Mada? Hein? Hein?? O fenômeno folk teen brazuca foi sondada pelo produtor Jomardo Jomas e parece que é atração líquida e certa em Natal, em agosto.

* Falando em CSS: Ira Trevisan, a baixista, parece que cansou de ser sexy. Cumpre a gig australiana que o grupo está fazendo neste momento e depois larga tudo pra voltar pro Brasil, onde pretende se pós-graduar em moda, sua profissão original antes de embarcar no combo electro mais conhecido hoje no pop mundial. Adriano Cintra irá assumir o baixo na sequência e a bateria irá ficar nas mãos do ex-batera do finado The Cooper Temple Cause.

* VIRADA CULTURAL – Saiu, enfim, a programação da Virada Cultural 2008, um dos eventos culturais mais bacanas da capital paulista desde sempre. Ela acontece nos próximos dias 26 e 27 de abril e pra você, dileto leitor destas linhas zappers e fã de rock alternativo, o que interessa de verdade em toda a vasta gama de atrações que irão ocupar os quatro cantos da cidade, é isso aqui:

ROCK REPÚBLICA
Local: Praça da República
18h - O Terço
20h - Terreno Baldio
21h30 - Casa De Máquinas
23h30 - Harppia
01h - Paul Di’Anno _ Killers (1981)
03h - Derrick Green, Andreas Kisser e Convidados
04h30 - Overdose
06h - Volcano
07h30 - Vodu
09h - Korzus
10h30 - Bando do Velho Jack
11h45 - Los Goiales All Stars
12h - Cachorro Grande
14h - Arnaldo Antunes
16h - Lobão
18h - Ultraje a Rigor - Nós Vamos Invadir Sua Praia (1985)

FESTIVAIS INDEPENDENTES
Local: Pátio do Colégio
18h - Vítor Araújo (PE)
18h45 - Mundo Livre S.A. (PE)
19h30 - Macaco Bong (MT)
20h30 - Luísa Mandou um Beijo (RJ)
21h15 - Petro Massa (MG)
22h15 - Estrume’n’tal (MG)
23h - Los Porongas (AC)
23h45 - Sick Sick Sinners (PR)
00h30 - Mechanics (GO)
01h30 - Vanguart (MT)
02h15 - Retrofoguetes (BA)
03h - Trilöbit (PR)
04h - Fóssil (CE)
04h45 - Unidad Imaginária (RJ)
05h - Mestre Kuca (TO)
06h30 - Filo Medusa (AC)
07h15 - Boddah Diciro (TO)
08h15 - Coveiros (RO)
09h - Diego de Moraes (GO)
09h45 - Porcas Borboletas (Mg)
10h30 - Linha Dura e DJ Taba (MT)
11h30 - Costa a Costa (CE)
12h15 - Do Amor (RJ)
13h - Rivotrill (PE)
14h - Bugs (RN)
14h45 - Supergalo (DF)
15h30 - The Sinks (RN)
16h30 - Superguidis (RS)
17h15 – MQN (GO)
18h - Siba e Fuloresta (PE)* Há zilhões de outras atrações bacanudas na Virada e também alguns pavores, como o horrendo Teatro Mágico por exemplo. Mas nem tudo é perfeito neste mundo, né não? Pelo menos a programação dos dois palcos acima já dá um ótimo motivo pro povo rocker comparecer e prestigiar os shows.--------------------

NICK AINDA DÁ NO COURO

Nicholas Edward Cave está com meio século de vida. Boa parte deste tempo ele dedicou a compor canções, gravar discos e fazer shows, além de escrever poemas e pelo menos um romance (o "cult" "And The Ass Saw The Angel"). Um trabalho de fôlego, de altíssima densidade e voltagem cerebral e que transformou o músico, sob o nome artístico de Nick Cave, em um dos mais respeitados artistas do pós-punk dos anos 80’. E a julgar pelo seu novo álbum de estúdio, "Dig, Lazarus, Dig!!!", que chega às lojas americanas na próxima terça-feira, dia 8 de abril, as rugas ainda estão longe de devorar a face e a alma atormentada de Nick Caverna. O novo disco pode não exibir o fôlego instrumental do projeto paralelo criado pelo cantor no ano passado, o Grinderman, ou mesmo de trabalhos fodásticos como "Tender Prey" (de 1988), "Murder Ballads" (o insano disco de 1996 onde, através de canções suaves e sombrias, o compositor australiano descrevia uma série de... assassinatos) ou "The Boatman’s Call" (editado em 1997). Mas, ainda assim, "Dig..." é um álbum denso, musical e esteticamente bem construído e que pode ser inserido entre os grandes discos que inauguraram 2008 no pop/rock planetário.

Nick começou sua carreira na Austrália, onde nasceu, em 1984 quando lançou o disco "From Her To Eternity". Antes, ele já havia adquirido fama local ao participar do grupo The Birthday Party, que carregava em sua musicalidade muito do pós-punk sombrio de Cure, Siouxsie e Bauhaus, que então dominava a Inglaterra. Ótimo letrista, vocalista de inflexão grave e soturna e excelente compositor, Cave acabou se mudando para a Grã-Bretanha quando seu talento se tornou grande demais para ficar restrito ao continente australiano. Em Londres, deu continuidade a uma profícua carreira ao lado do grupo Bad Seeds e acabou vindo se apresentar no Brasil, em 1990, na turnê do disco "The Good Soon". Aqui, se "enrabichou" com uma jornalista paulistana de 25 anos de idade, teve um filho com ela e acabou morando por um tempo na capital paulista, quando não saía do Espaço Retrô e onde este blogger zapper ecnontrou com o figura algumas vezes, além de ter assistido ao show dele no extinto ProjetoSP, óbvio.

A estadia no Brasil, porém, não durou muito e logo Cave estava de volta à Velha Ilha, onde continuou a gravar álbuns que, se não tinham grande repercussão em termos de vendagem, mantinham a aura "cult" e o respeito do compositor e cantor inabaláveis perante crítica e fãs. Fora que o sujeito armou duetos inusitados com duas das xoxotas mais cobiçadas do pop britânico (e, provavelmente, comeu as duas), Kylie Minogue e P.J. Harvey, que cantaram junto com Nick duas das faixas mais impressionantes de "Murder Ballads".

Pois "Dig, Lazarus, Dig!!!" não foge em nada do que Cave sempre professou em sua trajetória musical. Ele continua obcecado por temas como culpa, sexo, morte, religião e isso ainda fornece material para canções que seduzem e impressionam pela sua ambiguidade, sentimento de dúvida e pelo teor algo agônico e sinistro de melodias construídas com pianos, violões e algumas guitarras mais ásperas. Não dá pra ficar imune, emocionalmente falando, a faixas como "Moonland" (com sua percussão tribal, seu órgão contrito, e pontuais inserções de guitarras distorcidas), "Night Of The Lotus Eaters" (onde uma percussão "robótica" se repete durante toda a faixa, como algo mântrico), "Albert Goes West" (talvez a melodia mais oitentista do disco e a que possui guitarras mais abrasivas) ou "Jesus On The Moon" (aliás, o nome Jesus será pronunciado ao longo do disco de maneira constante). Isso sem contar o grande momento de todo o álbum, "Hold On To Yourself": quase seis minutos de melancolia vocal, violões como que confessando pecados e pedindo perdão ante a iminência de uma condenação à morte e Cave, o soturno, espiando suas culpas e demônios em nossos ouvidos entorpecidos.

Esse sujeito ainda é importante e faz muita diferença na música pop e no rock alternativo. E enquanto conseguir lançar álbuns como este "Dig, Lazaru, Dig!!!", estará bem longe das rugas e da aposentadoria. Felizmente.

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RAMONES SÃO ETERNOS!

Claro que são, alguma dúvida quanto a isso? Pois entonces: a movimentação voltou a ficar forte em torno daquela que é considerada como umas das bandas fundamentais da história do punk e de todo o rock’n’roll, além de uma das prediletas da casa aqui destas linhas zappers. Pois nas últimas semanas foi lançado no Brasil mais um dvd ao vivo – e duplo – do grupo. E lá fora o ex-baixista CJ editou o primeiro álbum de sua nova banda, a Bad Chopper. E, vejam só, circula na rede uma música inédita do saudoso vocalista Joey Ramone.

Bão, como são muitas as novidades sobre o inesquecível quarteto nova-iorquino, Zap’n’roll deixa para o nosso queridíssimo chapa e colaborador very special (além de "ramonesmaníaco" de carteirinha), Cristiano Viteck, comentar logo abaixo sobre o dvd que acaba de sair, sobre a volta de CJ com banda nova e sobre a canção "perdida" de Joey. Boa leitura!

* "Os fãs dos Ramones podem voltar a sorrir. Acaba de ganhar versão nacional o DVD duplo "It’s Alive 1974-1996" que, como o nome já explica, traz cerca de quatro horas de shows com os reis do punk rock, cobrindo praticamente todos os 22 anos de carreira do grupo nova-iorquino. Seja em vídeos amadores em preto e branco ou em filmagens profissionais para a televisão, as apresentações contidas no DVD são um prato delicioso para ser degustado aos poucos, se bem que é impossível não assistir o DVD de cabo a rabo, apesar de sua longa duração.

Estão lá as primeiras apresentações em 1974 e 1975 no CBGB e Max Kansas City, clubes onde Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy conquistaram os seus primeiros fãs, antes mesmo de lançarem o disco de estréia. Assistindo a estes primeiros shows, a pergunta que vem à cabeça é: como esses nerds completos viraram uma lenda do rock? Os shows na época beiravam a comédia: as canções a serem tocadas eram decididas a gritos no palco, os músicos tropeçavam nos microfones, esqueciam de plugar a guitarra, esqueciam as letras, as notas, Joey carregava nos trejeitos glam, Dee Dee parecia sempre fora do ar (e na verdade ele estava)...

 

 

Porém, a evolução foi tão rápida como uma canção dos Ramones. Os vídeos que compreendem o auge da banda (1976-1978) ajudam os mais velhos a lembrar ou explicam para os mais novos porque quase todos aqueles moleques que viram o grupo ao vivo acabaram montando uma banda e puseram o mundo do rock de cabeça para baixo com a efervescência auto-destrutiva do punk. Como supra-sumo dessa fase, o DVD traz o show que gerou o álbum duplo ao vivo "It’s Alive", gravado no reveillon de 1977 para 1978, em Londres. A performance dos Ramones é tão energética que, não à toa, o disco é considerado um dos maiores álbuns ao vivo de rock da história e o show acabou dando nome a este novo DVD.

Nos shows da década de 80, o destaque do DVD vai para a participação da banda no US Festival, de 1982. Com uma filmagem de primeira, o vídeo captura os Ramones em turnê do álbum "Pleasant Dreams", o disco mais pop (e não há nenhum demérito nisso) de toda a carreira do grupo. Nem mesmo a implicação de Joey Ramone durante o show com o sistema de som (sabe-se lá o porquê, provavelmente por falta de retorno) estraga o brilho da apresentação. Muito diferente disso é o que se vê nos demais shows dos anos 80, uma década perdida para o grupo, como afirmou certa vez o guitarrista Johnny. Fragmentado por brigas e abuso de drogas e álcool, nem de longe a banda apresentava o poder de fogo que tinha no final da década de 70. A degradação dentro da banda era tão grande nessa época que Dee Dee mal se mexia em uma apresentação na Finlândia, em 1988. Não é à toa que meses depois ele acabou pulando fora da banda.

Chegaram os anos 90 e com eles o baixista CJ Ramone, que muitos consideram o responsável pelo revigoramento do grupo nos palcos no início daquela década. A apresentação registrada na Itália em 1992 é o melhor exemplo disso. Porém, já na metade dos anos 90 era evidente o esgotamento do vocalista Joey (que talvez já estivesse sentindo os sinais do câncer que o levaria à morte em 2001), comprometendo definitivamente o desempenho da banda, que não teve outra opção a não ser a encerrar as atividades quando vivia um dos seus momentos de maior popularidade, talvez ainda maior do que no auge do punk rock na década de 70.

Diferente de outros vídeos e coletâneas da banda lançadas nos últimos anos que não traziam nada de muito relevante para os fãs (com exceção do documentário "End of the Century"), o DVD "It’s Alive 1974-1996" é item fundamental pela maneira sincera com que revela como os Ramones eram nos palcos. Não se esconde o amadorismo dos primeiros tempos, não joga confetes em demasia na fase áurea da banda e também não se tenta maquiar os momentos mais negativos e decadentes do grupo. Coisa rara em DVDs de bandas lendárias. O único senão é a ausência de qualquer show feito no Brasil (e foram cinco passagens por aqui), mas nada que comprometa a qualidade ou tire a obrigatoriedade de assistir o DVD "It’s Alive".

Melhor que isso, só mesmo os próprios ao vivo em carne, osso e jaquetas de couro!".

CJ E O BAD CHOPPER

(por Cristiano Viteck)

Mas tem mais novidade para os ramoníacos. CJ Ramone lançou recentemente o primeiro álbum de sua banda Bad Chopper. Formado há cerca de oito anos, o grupo tem uma sonoridade muito diferente dos Los Gusanos, grupo que o ex-baixista já mantinha ainda nos tempos de Ramones e com o qual chegou a lançar um EP pela Alternative Tentacles, em 1994, e um álbum em 1997, que ganhou edição brasileira através do selo 89 Records, da extinta 89 FM de São Paulo.

Se com os Los Gusanos CJ trocou o baixo pela guitarra e apostou mais no estilo hard rock (o que de certo modo desagradou a muitos dos seus fãs), com o Bad Chopper ele segue mais ou menos a linha das canções que escreveu para os Ramones, como "I Got a Lot To Say" e "Scattergun", as quais não podem ser exatamente classificadas como punk rock. Quem sabe, dá até pra arriscar dizer que o Bad Chopper se aproxima de algo próximo ao stoned rock.

O álbum de estréia, que leva apenas o nome do grupo e saiu pelo desconhecido selo norte-americano ACME, conta com 12 faixas, sendo que quatro já estavam presentes no EP que o Bad Chopper lançou em 2002: "Real Bad Time", "Sick of It", "Ain’t No Criminal" e "Diabla". Mais esperto do que na época em que estava nos Los Gusanos, quando chegou a até menosprezar em alguns momentos os Ramones, CJ voltou a tocar baixo, embora não assine o sobrenome Ramone.

É certo que o disco do Bad Chopper (que ainda conta com Brian Constanza na guitarra e Mark Sheeham na bateria) não vai mudar a história do rock, mas também não faz feio e vai alegrar os fãs dos Ramones e todos aqueles que quiserem nele se aventurar.

JOEY RAMONE... BALADEIRO?

(por Cristiano Viteck)

E para fechar a tampa do baú dos Ramones: está circulando na Internet uma faixa inédita gravada por Joey Ramone. Trata-se de "You Make Me Tremble", uma super balada em versão demo de uma canção escrita por Andy Schernoff (ex-Dictators), parceiro de longa data do vocalista dos Ramones. Há controvérsias a respeito de quando a canção foi gravada. Algumas fontes citam que ela foi registrada no início dos anos 90. Outras afirmam que o registro é do tempo em que Joey Ramone estava gravando seu disco solo, o qual contou com a participação de Andy Schernoff. Quem sabe, "You Make Me Tremble" apareça no provável segundo álbum póstumo de Joey Ramone. Para quem não quiser esperar para ouvir, basta procurá-la em blogs espalhados por aí.

POUCAS & BOAS

* Entonces, para a mega felicidade do nosso amado "editador" e ex-velho homem do metal, mr. Pomba em pessoa, o Stone Temple Pilots está mesmo de volta, com Scott Weilland (que saiu ou foi saído do Velvet Revolver, cada um fala uma coisa, vai saber...) nos vocais e tudo. Serão nada menos do que 65 shows pelos Estados Unidos ainda este ano e pode-se esperar novamente um festival de shows memoráveis, com o junkie Weilland tomando heroína, cheirando todas, fumando várias e... cantando pra caraleo, claaaaaro. O sujeito não é fraco, não, oxe.

* Falando nos domínios "metálicos", pra quem gosta do velhusco e cafona gênero que insiste em ficar insepulto, uma enxurrada de bandas heavy estará desabando no Brasil nos próximos meses. Além do véio Ozzy neste finde (sendo que o ex-vocalista do Black Sabbath talvez ainda seja o único que valha a pena ser visto, entre esse povo do rock pesado), de abril até junho irão passar pelo país nada menos do que Heloween e Gamma Ray, Whitesnake (existe ainda?), Queensryche, U.D.O. e Grave Digger. Alguém aí tem um protetor de ouvidos pra emprestar pro blog?

* Melhor falar dos Rolling Stones e de Martin Scorsese, uma combinação foderosa e que não tem como dar chabu. "Shine A Light", o documentário filmado pelo cineasta com a – ainda – maior banda de rock de todos os tempos (capturada, aqui, em dois realizados em Nova York, em 2006), estréia nos cinemas daqui na próxima quinta-feira, 10 de abril. Por acaso, a mesma noite em que os New York Dolls irão tocar no Hangar110, em São Paulo.

* Já hoje, sexta, é bom não esquecer: tem o documentário "Joy Division", contando a história da lenda maior do pós-punk inglês, em exibição gratuita no Cine Sesc, em São Paulo, às onze da noite. Este velho punkster zapper vai estar lá, claaaro.

* New rave kids on the block? Nada disso! O próprio New Kids On The Block acaba de anunciar sua volta, com disco inédito e turnê. Detalhe: os outrora garotões que fizeram milhões de adolescentes pelo mundo afora (Brasil incluso) ficar com a xoxota molhada zilhões de vezes, agora são marmanjos na casa dos 40 anos de idade. Ou seja: será que ainda funciona ou um Viagra musical se fará necessário?

* Lavação de roupa suja em público é isso aí: o rapper Bobby Brown, ex-marido de Whitney Houston (com que foi casado por longos catorze anos), lança sua auto-biografia no próximo mês, nos Estados Unidos. Nela, o sujeito põe a culpa em Whitney por ele ter se viciado em cocaína. Tadinho... Mas também diz que não foi santo no casamento e que meteu chifre na ex vaaaaárias vezes. Sinceramente? Brown, que sempre foi uma nulidade como rapper, está querendo é faturar uns trocos a mais antes que a humanidade esqueça de vez sua existência.

* Já a top marruda Naomi Campbell dificilmente será esquecida tão cedo pelo populacho. Além de continuar sendo um bocetaço, miss Naomi continua com gênio pior do que nunca. Pois após partir pra agressão verbal contra alguns comissários de bordo de um vôo da British Airways, a negona bocuda foi arrancada do avião algemada. E só foi liberada após pagar fiança, uia!

O BLOG ZAPPER INDICA

* Discos: os novos do REM (já saiu em edição nacional), Raconteurs, Portishead e Nick Cave, todos ótimos. Ah e também a nova coletânea do dândi Morrissey, "Greatest Hits", que ainda traz de lambuja duas composições inéditas da biba mais amada da história do rock.

* Filme: dois documentários, sendo o primeiro "Joy Division", que passa hoje em Sampalândia, dentro da mostra "É tudo verdade" (depois, ele entra em circuito comercial no próximo dia 16 de maio). O segundo é "Shine A Light", com os Rolling Stones e dirigido por Martin Scorsese e que entra em cartaz na semana que vem.

* Discos indies daqui: o novo do Banzé ("Antes da Queda") e o primeiro do amazonense Mezatrio. Estas linhas blogueiras zappers prometem, de pés juntos, que falam melhor dos dois cds (e também dos discos do Deize Confusa, do Enne e das Garotas Suecas) em postagem especial sobre as novidades da indie scene brazuca logo no comecinho da próxima semana, okays?

E NAS BALADAS...

Finde deliciosamente nublado e chuvoso, friozinho esperto, ou seja: climão perfeito pra se jogar no circuito under de Sampalândia. Portanto, às baladas que já começam bacanudas hoje, sexta, quando o Pirata (vocalista do Anjo dos Becos) comemora seu niver no Inferno (rua Augusta, 501, centrão rocker de Sampa), com shows dos Questions e do Grinders, além de discotecagem de Derrick Green. Já o palco da Outs (também na Augusta, mas no 486) recebe os grupos Del-O-Max e Condessa Safira. No Belfiori tem show do trio Los Pirata. E lá no MiniClub (rua Consolação, 2627, Jardins, zona sul paulistana), tem mais uma edição da festona indie guitar MissTake, comandada pela lindona e fofa dj Gringa.///Sabadon? Vem que tem: Zumbis do Espaço e Bad Luck Gamblers animam a Outs, Ecos Falsos volta aos palcos na Toy Lounge (rua Consolação, 2900), Starfish100 detona suas ótimas guitarras britpop no Berlin (rua Cônego Vicente Miguel Marino, 85, Barra Funda, zona oeste paulistana) e os garageiros do Rockasettes incendeiam o palco do Belfiori (rua Brigadeiro Galvão, 870, Bara Funda).///Mais? Claaaaaaaaro: na segunda e terça-feira próximas a lenda Skatelites baixa no Inferno Club. Na ativa desde 1962, o grupo é um dos pais do ska e promete botar fogo lá na rua Augusta. E é bom não esquecer: semana que vem ainda tem New York Dolls, The Datsuns e Wayne Hussey em São Paulo, é mole?

PREMIANDO O POVO QUE JÁ É HORA

Senão a audiência do blog evapora, uia! Então veja aí quem ganhou o quê:

* Marina Pereira Fonseca, Cláudio Pires da Silva, Cassiana Fávaro (os três de Cuiabá/MT), mais Ângela Silva (São Paulo/SP) e Carine Grande Almeida (Volta Redonda/RJ) vão receber os cinco últimos exemplares do grande álbum de estréia do Vanguart;

* Jáilson Meneses Cruz (Santos/SP) fica com o novo disco do Supergrass;

* e Daniel Silva (São Leopoldo/RS), vai curtir o sensacional folk rock dos curitibanos do Bad Folks.

Agora, vamos fazer o povo ficar louco aqui, conforme prometido no último post. Corre lá no finatti@dynamite.com.br que, a partir de agora começa a disputa por:

* UM PAR DE INGRESSOS pro show dos neo-zelandeses do Datsuns, Sexta-feira que vem, dia 11 de abril, no Inferno Club;

* E OUTRO PAR para os fãs dos anos 80’ irem ver o show solo e acústico de Wayne Hussey (ex-líder do The Mission) na Clash Club, sábado que vem, dia 12 de abril.

Podem arrancar os cabelos mas não se matem, plis! Enviem quantos e-mails quiserem até a próxima quinta-feira, quando os nomes dos sorteados estarão aqui no blog, okays?

SAINDO DE FININHO

E agora chega, né não? O clima tá ótimo pra sair e Zap’n’roll vai dar uma voltinha na cidade e volta a qualquer momento por aqui, se algo extraordinário acontecer. E vai deixando muuuuitos beijos na Sabrina Kaltner, que mora lá em Munique, na Alemanha. Até!

 

(enviado por Finatti em 4/04/2008, às 18hs.)

 

 

 

Quero ser Jack White! (agora sim!)

11 Comentários »

 

Os Raconteurs, em foto novinha em folha 

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Tem um chegado destas linhas blogueiras que vive dizendo que, depois que criou o Raconteurs, Jack White deveria aposentar sumariamente sua outra banda, o White Stripes. Faz sentido. Afinal, "Consolers Of The Lonely", o segundo álbum do grupo, lançado semana passada nos Estados Unidos e que deve ser editado no Brasil nas próximas semanas, é uma cacetada que avança e amplia absurdamente a excepcional concepção musical já desenvolvida pelo quarteto em seu disco de estréia, lançado em 2006. Zap’n’roll, por seu turno, ouve sem parar "Consolers..." há dias e não exagera em afirmar que ele talvez seja o melhor disco de 2008 até o momento – isso em um ano que já começou pegando fogo com novos e fodaços cds do Portishead (já comentado aqui), do REM (idem) e do velho gótico Nick Cave com seus Bad Seeds (esse, a gente fala sobre até o final desta semana, se nenhum imprevisto rolar pelo caminho).

Não se trata, absolutamente, de menosprezar a obra do White Stripes, o duo de Jack com Meg e que já legou ao rock do novo milênio um clássico imbatível – a música "Seven Nation Army" – e discos acachapantes (e aí você pode incluir quase a discografia completa deles, com destaque para a trinca "Elephant", "Get Behind Me Satan" e "Icky Thump"). Mas Jack, compositor extraordinário e prolífico, ótimo vocalista, bom letrista e excelente guitarrista, foi experto o suficiente para ganhar respeito e fama com seu trabalho à frente do WS para, em seguida, dar vazão ao seu lado "banda" de fato nos Raconteurs, o super grupo que ele montou junto com o também vocalista, compositor e guitarrista Brendan Benson (um dos nomes mais respeitados da indie scene americana no início dos anos 2000), com o baixista Jack Lawrence e com o batera Patrick Keeler. As diferenças entre WS e Raconteurs são sutis, mas existem: o primeiro, mais garageiro e básico, emite trovões de hard rock e garage rock com uma formação minimal, low fi, de guitarra e bateria. O segundo vai fundo no rock setentista de contornos pesados – sim, tem muita gente que enxerga no White Stripes uma encarnação atual do Led Zeppelin. Pois o Raconteurs é bem mais Led Zep no seu som e ainda incorporou no novo trabalho nuanças fantásticas de country, folk e blues rock, com muita utilização de pianos, violões, violas e bandolins. E o som continua pesado e com melodias que seduzem já na primeira audição. Maravilha total!

Pode parecer exagero, mas não há sequer uma música ruim em "Consolers Of The Lonely". Da poderosa faixa-título que abre o álbum, passando pelo rock acelerado de "Salute Your Solution" (que já toca horrores nas rádios americanas e está com clip na MTV e Youtube) e chegando a momentos surpreendentes no que se refere a soluções melódicas e de arranjos (como os metais "mexicanos" que gritam e arrasam em "The Switch And The Spur"), o cd é fodástico. Ele transita com desenvoltura tanto por canções que remetem a um Led Zeppelin afolkalhado e bucólico (como em "Old Enough", magnificamente conduzida por violões, violinos e órgãos vintage de timbre sessentista), quanto pelo peso hard rock setentão (e aí você pode escolher entre "Top Yourself" ou "Five On The Five"). Como se não bastasse tudo isso, há dois momentos verdadeiramente geniais em um trabalho que já é, ele todo, genial: "You Don’t Understand Me" e "Carolina Drama", que encerra magnificamente o disco. Deve ser por causa destas duas lindíssimas – e algo tristonhas – canções que resenhas como a do All Music classificaram o álbum como sendo um "bizarro blend de blues", um "rústico rock progressivo", uma "deliberada conflagração entre o tradicional e o moderno". Não é para menos: "You Don’t..." traz Jack White acompanhado por piano e cantando com emoção uma das melodias mais bonitas que ele já compôs (e aqui, em parceria com Brendan Benson, óbvio). E o drama de Carolina simplesmente enfeixa, em quase seis minutos de duração, guitarras bluesy distorcidas, violões, bandolins, pianos e cheiro de road rock, como a servir de trilha para algum caminhante que vaga solitário por estradas desertas e empoeiradas, nos EUA ou aqui mesmo, no interior mineiro.

Dá até vontade de ser Jack White. Porque ele é o cara no rock americano atual. E com este inatacável "Consolers Of The Lonely", também dá pra pensar seriamente que, aposentar o White Stripes a essa altura do campeonato, não seria mesmo uma má idéia afinal de contas.

* E abaixo, claaaaaro, o vídeo de "Salute Your Solution":

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FESTIVAIS INDIES CONTRA ZAP’N’ROLL – SERÁ?

Deveras? O título deste tópico inclusive se inspira em "O povo contra Larry Flint", o filme que documentou em forma de ficção a história da ascensão e queda do criador da revista pornô americana "Hustler". Tinha inclusive Courtney Love no papel da esposa de Larry – e dando show de bola como uma viciada em heroína descendo sem dó a ladeira da existência humana.

Pois entonces: dias atrás, antes destas linhas zappers passarem pelo processo de transformação de coluna em blog, o autor deste espaço foi chamado no msn por um dos atualmente mais conhecidos e respeitados produtores de festivais do circuito independente brasileiro, além de dileto amigo pessoal deste jornalista (ainda, em que pesem algumas brigas e divergências de opiniões ocorridas entre ambos de tempos pra cá). Responsável pela realização de dois dos maiores festivais que acontecem hoje em dia no calendário anual indie brazuca, o referido produtor disparou: "você precisa repensar e mudar sua forma de atuação, sua conduta quando vai aos festivais. Você causa e isso está incomodando o pessoal. E você está perdendo espaço pro seu grande inimigo, que vai ao Casarão em Porto Velho e você não, bla bla blá".

Pelo raciocínio do produtor em questão, estaria em curso um autêntico boicote (patrocinado pela Abrafin e seus dirigentes, além do Circuito Fora do Eixo?) contra a presença da coluna (ops, agora blog) na cobertura destes eventos. Tudo porque Zap’n’roll seria "causadora demais", "brigona demais", "porra louca em excesso", possuidora de uma "personalidade junkie" incompatível com um FESTIVAL DE ROCK (my God! Estamos falando de um festival de rock ou de um congresso evangélico?). O primeiro reflexo deste "boicote" seria justamente a não ida do blog ao festival Casarão do Rock, que ocorre em maio em Porto Velho, Rondônia, onde inclusive este jornalista esteve em 2006 cobrindo a edição daquele ano do evento.

Pois bem, aos fatos. Se este blogueiro zapper cometeu alguma bobagem da qual se arrependeu nos últimos meses, e já se desculpou de público aqui pelo ocorrido, foi quando encontrou cara-a-cara em setembro de 2007, no festival Calango em Cuiabá, seu maior inimigo e desafeto no jornalismo musical paulistano, um sujeito de personalidade torpe, conhecido pela sua arrogância, prepotência em grau extremo, absoluto desprezo e falta de respeito por qualquer ser humano. Um sujeito que além de mau profissional (no sentido de manipular tendências e informações quando escreve uma reportagem) também é conhecido pelo seu absoluto mau caratismo e por JAMAIS ter feito alguma coisa, em termos profissionais, em prol da cena musical independente brasileira. Pelo contrário, ao reportar como foi o Calango em texto publicado no caderno Folhateen, do jornal Folha De S. Paulo, este autêntico verme do jornalismo musical fodeu com o festival, tirando sarro da organização do evento, da produção do mesmo e falando mal de 80% dos grupos que lá se apresentaram. Detalhe: como todo jornalista, ele foi muito bem recebido em Cuiabá, teve toda a atenção possível da equipe do Calango, ficou hospedado em hotel de primeira e viajou por conta do festival. O que não o obrigaria, óbvio, a deitar elogios ao evento. Mas quem leu sua abjeta matéria publicada no Folhateen não precisou se esforçar muito pra sacar que o texto estava repleto de más intenções.

Pois foi esta figura ordinária que, no Calango, tomou uma latada de cerveja na cara, desferida pelo autor destas linhas online. Uma atitude insana, é verdade, mas motivada por raivas e ressentimentos acumulados durante os últimos quatro anos contra a figura em questão, por zilhões de motivos que não cabem ser mencionados aqui mas que são de conhecimento público e notório de todo mundo que circula na indie scene – bandas, músicos, produtores e outros jornalistas.

Enfim, é este lamentável personagem do jornalismo musical paulistano que estará entre os, her, "profissionais" que irão cobrir o festival Casarão em Porto Velho e para quem, teoricamente e sempre segundo o raciocínio do produtor amigo deste gonzo blogger, Zap’n’roll estaria perdendo espaço na cobertura de festivais.

Pois bem. O autor deste espaço rocker virtual só tem algumas coisinhas a dizer a respeito do que foi escrito aqui até agora: o sujeito que está batucando estas linhas no compu é jornalista há mais de vinte anos. Praticamente metade deste tempo ele dedicou seu trabalho a acompanhar de perto a evolução recente do rock alternativo brasileiro. Não só acompanhou como apoiou e fez o que pôde pelo engrandecimento desta cena. E continuará apoiando e fazendo o que estiver ao seu alcance por uma cena que ele ama de verdade e que é uma das razões dele fazer seu trabalho com tanto empenho, carinho e amor, seja neste blog ou no caderno cultural do diário Gazeta Mercantil ou ainda nas páginas da revista Rolling Stone, que são os veículos onde este jornalista escreve atualmente. Se não fosse assim, Zap’n’roll não teria topado ir para Cuiabá pela primeira vez há quatro anos, enfrentando uma dura e penosa viagem de busão com 25 horas de duração – algo que o "grande" jornalista ordinário que estará em Porto Velho e que tomou banho de breja em Cuiabá jamais aceitaria, pois ele é "rico" demais e "sofisticado" demais para ter a humildade de ir de ônibus pra algum lugar em sua vida. De mais a mais, a primeira ida a Cuiabá foi ótima para o maloqui zapper: ele descobriu – em termos de mídia – o Vanguart, hoje um dos maiores nomes do novo rock brasileiro e, de alguma forma, contribuiu para colocar a capital de Mato Grosso no mapa cultural do país já que antes da ida de Zap’n’roll pra lá, HellCity (como Cuiabá é carinhosamente chamada) não existia no circuito do rock brasileiro. Então, sem falsa modéstia, o autor deste blog sabe muito bem o que ele representa e qual a importância de seu trabalho para a cena musical alternativa do Brasil. Como já bem disse o querido Pablo Miyazawa, um dos editores da Rolling Stone, e dileto amigo pessoal deste blog: "Finas, você não precisa provar mais nada pra ninguém em termos profissionais".

E por não precisar provar mais nada é que Zap’n’roll não vai morrer se não for mais convidado a cobrir festivais, ou alguns deles (com certeza, este ano este jornalista estará no décimo aniversário do Mada, em Natal, em setembro, já que o produtor-chefe do evento, Jomardo Jomas, tem um bordão clássico para definir o gozo rocker aqui: "festival sem Finas não é festival", hihi; o blog também deverá ir ao Bananada, ao Varadouro e espera estar no Calango 2008, se já tiver sido "perdoado" pela direção do mesmo, pela sua descompostura de atirar uma lata de cerveja cheia na cara de um canalha que não vale sequer a enorme pança que possui). Este jornalista zapper passou anos fazendo muito bem o seu trabalho sem ir a festival algum. E continuará fazendo este trabalho da mesma forma se não mais for a este tipo de evento. Claro que coberturas in loco das maratonas de shows que geralmente rolam por três noites seguidas, só enriquecem o trabalho do profissional e trazem uma visão bem mais precisa para o leitor de como foi o festival em questão. Mas se este profissional não estiver em determinado evento (e é bom observar também que, pela quantidade de festivais que este blog já cobriu nos últimos anos, pode-se dizer com autoridade aqui que um dos maiores problemas neste momento enfrentado por estes festivais é justamente a falta de renovação entre os grupos participantes; são quase sempre as mesmas bandas tocando nos mesmos eventos e isso acaba cansando público e imprensa), haverá outros jornalistas que farão o serviço de cobertura quase tão bem quanto se Zap’n’roll estivesse presente.

Este blog só lamenta, na verdade, que por trás deste suposto "boicote" a este jornalista, talvez se esconda algo um pouco mais grave: o jogo de interesses de alguns produtores em querer atrair para seus eventos apenas veículos de grande mídia e deixando de lado blogs, colunas e sites alternativos que podem não ter a mega tiragem de um jornal diário ou uma grande revista semanal ou mensal, mas que dão carinho e atenção especial a estes festivais e atraem para eles um público específico, formador de opinião e realmente interessado em rock e música independente em geral. Nada mais justo, direito destes produtores. Mas esse pessoal deveria se lembrar de que se hoje eles têm espaço em veículos como a Rolling Stone, Veja, Folha De S. Paulo, Estadão, O Globo, Gazeta Mercantil (onde este blogueiro já fez duas matérias de página inteira sobre bandas e festivais independentes) etc, isso foi conseguido graças ao trabalho de "rompimento de barreiras" feito por colunas, sites e blogs como a Dynamite e a Zap’n’roll.

E este "causador", "molestador", "junkie" e "perturbador" da ordem em festivais, sorry, não irá mudar um milímetro seu comportamento. Ele considera que o que aconteceu em Cuiabá no ano passado foi um fato isolado, um acidente de percurso que dificilmente irá se repetir. Afinal, vamos a estes eventos pra trabalhar (e não para brigar em público). E também pra se divertir: não é premissa nem regra básica ser doidão de plantão para conviver no mundo do rock’n’roll ou ser um jornalista rocker. Mas o autor destas linhas virtuais é sabidamente um loki quase em tempo integral (já foi mais até e hoje está bem mais calmo), além de ter o pavio curtíssimo, o que não deixa de ser um péssimo defeito. E é público e notório que boa parte das bandas e público presentes em qualquer festival que se preza, pira mesmo o cabeção não apenas com a músicas dos grupos que se apresentam, mas também com álcool, marijuana, padê etc, etc, etc. Não existem santos nem monges num ambiente desses.

O blog deseja toda a sorte do mundo aos próximos festivais do calendário deste ano da Abrafin e aos seus produtores. E estará onde quiser que queiram a nossa presença, e continuará fazendo seu trabalho como sempre fez e da melhor maneira possível. Este jornalista só espera não ter mais que conviver com atitudes aéticas como a tomada pelo produtor do Casarão, em Porto Velho, que já havia convidado Zap’n’roll pessoalmente no ano passado, em Rio Branco (durante a realização do festival Varadouro) a cobrir a edição 2008 do Casarão, convite reforçado através de email que o autor deste blog guarda até hoje. E agora, a um mês do festival, o responsável pelo mesmo parece ter se "esquecido" do convite feito ao blog. Sem problema: ele terá um bom espaço sobre o festival, escrito pelo seu "convidado" da grande mídia. Mas é bom ele torcer para que o investimento não resulte em uma matéria mal intencionada, igual a que sacaneou com o Calango no ano passado.

E SÓ PRA CONSTAR

* Falhas técnicas no site "comeram" parte do texto final da última postagem, onde o blog relembrava histórias bizarras do bar Espaço Retrô. Também foram pro saco o roteiro de baladas e a lista dos cinco primeiros ganhadores dos discos do Vanguart, além do novo cd do Bad Folks. Foi maus, galera, desculpaê. Felizmente, os discos já foram despachados pros respectivos vencedores e o gonzo zapper aqui está re-escrevendo a parte do texto do Retrô que tomou doril e sumiu.

* Quanto às baladas, bão, aí é bom lembrar que na quinta-feira, 3 de abril, tem duas festas animadas no circuito indie paulistano: a já badalada "Subversões" no Astronete (rua Matias Aires, 183, Consolação, centro de Sampa), e que esta semana terá uma jam imperdível com músicos dos grupos Daniel Belleza, Vampiros & Piratas e Ecos Falsos tocando na ÍNTEGRA a obra-prima "Darklands", do Jesus & Mary Chain (com direito a "Nine Million Rainy Days"?); e também a nova festa Tiki Twist no Belfiori (rua Brigadeiro Galvão, 870, Barra Funda, zona oeste de São Paulo), com discotecagem rock’n’roll da trinca João Gordo, Serginho Barbo e Alessandro Psycho. E na sexta, dia 4, tem a imperdível exibição do documentário "Joy Division" no cine Sesc (na rua Augusta, próximo à avenida Paulista), às onze da noite. Mas calmaê que no post master de quinta-feira a gente solta mais detalhes sobre estas e outras baladenhas em Sampalândia, né não?

 

* E o vizinho blog "Headphone" detonou nossa amada Mallu Magalhães, após assistir a estréia em pálcos cariocas da revela maior do folk feminino brazuca nos últimos anos. Pois é, como reza o velho ditado popular gosto musical é igual a cu: cada um tem o seu. Mallu, que esteve ontem na estréia da temporada 2008 do Programa do Jô (ok, ok, ela estava visivelmente nervosa, "travou" em vários momentos e a entrevista poderia ter rendido muito mais; mas em compensação nossa musa teen arrasou nas covers de Bob Dylan e Johnny Cash), tem "apenas" entre seus admiradores gente do calibre de Fábio Massari, Pablo Miyazawa e Lúcio Ribeiro, além deste blogger zapper. Será que o blog "Headphone" não gostou mesmo da garota ou tudo não passa de bairrismo? Afinal, o Rio De Janeiro não é exatamente um oasis de excelência e descobrimento de novos talentos musicais há séculos. Aliás, o balneário carioca anda na verdade é produzindo muito lixo indie, isso sim.

* Seguem a sorteio pelo finatti@dynamite.com.br ainda cinco cópias do álbum do Vanguart e mais um do novo e sensacional disco dos Bad Folks. Na Quinta-feira saem os nomes de quem ganhou. E aí este blog vai colocar em sorteio um mimo supimpa, que o loki aqui nem conta agora pra não deixar o povo em desespero.

* Entonces: até já!

(enviado por Finatti às 14:15hs.) 

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