Dynamite

Entries for month: March 2008

As guitarras voam e o REM acelera

10 Comentários »

 

EEEXTRAAA: JESUS & MARY CHAIN IN BRASIL E JOY DIVISION NO É TUDO VERDADE!

* Extra I: o venerável grupo inglês Jesus and Mary Chain, um dos ícones máximos do guitar noise e do pós-punk inglês dos anos 80', toca no Brasil em novembro, na segunda edição do festival Planeta Terra, segundo informa nosso dileto colega dom Thiaguito Ney em sua coluna pop no caderno Ilustrada, do jornal Folha De S. Paulo, edição da última sexta-feira (o colunismo musical tem dessas coisas: este blog anunciou em PRIMEIRA MÃO a vinda de Rufus Wainuright ao Brasil agora em maio; em contra-partida, Thiaguito Ney presta um ótimo serviço à nação rocker ao dar notícia tão bacana em seu espaço musical no maior diário do país). O festival estaria marcado pra acontecer no dia 8 daquele mês e a vinda do JMC, se realmente for confirmada, já é motivo mais do que suficiente pra ir no Planeta Terra edição 2008. O Jesus já esteve uma vez no Brasil. Foi há longínquos dezoito anos, em 1991, na tour de divulgação do álbum "Automatic", lançado naquele ano. O show aconteceu no extinto Projeto SP, em São Paulo, e Zap'n'roll, claaaaaaaaro, estava lá (é, este "blogueiro" já não é mais, hã, tão jovem). Foi um dos melhores live concerts que este jornalista viu naquela época e uma lembrança forte do mesmo foi quando a banda executava sua versão noise e esporrenta para "Who Do You Love?", clássico do bluesman americano Willie Dixon. Enquanto os irmãos Jim e William Reid cantavam a música no palco, ao lado deste loki jornalista estourava um pau monumental, onde três sujeitos derrubaram um outro no chão e só não o massacraram com chutes e socos porque a segurança do local interveio rapidamente. Fora isso, a banda executou um repertório fodaço, emoldurado por frenéticas projeções de imagens e, um telão no fundo do palco - uma novidade para a época e que começava a ganhar força em shows de bandas gringas por aqui. O JMC surgiu por volta de 1984, em Glasgow, na Escócia, lançou pelo menos duas obras-primas de guitarras noise amalgamadas à profunda melancolia existencial (os álbuns "Psychocandy", de 1985, e "Darklands", de 1987), teve zilhões de terminos e retornos (por conta das lendárias e homéricas brigas entre os irmãos Reid, notórios junkies e beberrões) e voltou à ativa no ano passado, quando se apresetou no festival Coachella. Portanto, agora é aguardar e torcer para que eles venham mesmo. E se vierem meeeesmo, o segundo semestre vai pegar fogo por aqui. Afinal que coração vai aguentar assistir, entre setembro e novembro, REM, Cure, Depeche Mode e Jesus & Mary Chain? Socorro!!!

* Extra II: a distribuidora Daylight avisa: o documentário "Joy Division", sobre a lenda maior do pós-punk inglês, será exibido na próxima sexta-feira, dia 4 de abril, às onze da noite, no Cine Sesc em São Paulo, dentro do festival "É tudo verdade". Detalhe: a sessão será gratuita! "Joy Division" entra em circuito comercial pra valer, junto com o longa "Control", dia 16 de maio, dois dias antes do aniversário de 28 anos da morte de Ian Curtis.

* Este post extra foi enviado diretamente de um lan house de Heliópolis, uma das comunidades mais bacanas da capital paulista e que desmente a tese de que a periferia das grandes metrópoles é perigosa ou um antro de marginalidade. Após frequentar a comunidade algumas vezes nos últimos tempos, Zap'n'roll se tornou admiradora de um lugar onde as pessoas são humildes, educadas e tratam todos com atenção e carinho. Heliópolis recebeu, nas últimas semanas, as visitas de Zidani (o ex-craque francês, que foi inaugurar uma quadra de esportes na comunidade) e do lendário maestro Ennio Morricone, que foi tocar junto com a Orquestra Jovem da comunidade. Se a torpe elite que domina este país fosse menos canalha (e não produzisse, inclusive, jornalistas que escrevem em sites e blogs e se dizem abertas em termos sociais e comportamentais, mas não têm coragem de ir a um local como a Helipa, como se lá fosse fosse uma espécie de Bagdá paulistana) e bundona, ela iria descobrir porque o senador Eduardo Suplicy é fã de Heliópolis. Fã como este zapper blog também se tornou do local. É isso aê: viva Heliópolis!

 (enviado por Finatti em 29/03/2008, às 22:05hs.)

Ó nóisaquitraveis!

É, com essa história de blog e tals, a vida do colunista pop zapper ficou mais fácil e mais dinâmica. E também mais atarefada e complicada. Sabe como é, a concorrência (aqui no próprio portal, inclusive) anda acirrada, agora que um monte de gente descobriu as "maravilhas" de se falar sobre rock alternativo (dá audiência, né?), embora a maioria nem saiba do que está falando. Então, estas linhas zappers estão com a preocupação redobrada e com a obrigação de ser cada vez mais exigente consigo mesma, para levar o supra-sumo da informação ao nosso dileto leitorado. Assim é que o post das quintas-feiras (hehe) sempre virá mais recheado, como se fosse o velho colunão. E assunto pra isso não falta em uma semana em que o sujeito aqui se viu obrigado (isso mesmo, obrigado) a ouvir na net os novos e fodaços discos do REM, do Raconteurs e do grande e velho gótico genial Nick Cave. Fora os discos indies nacionais que andaram rodando no sound system de Zap’n’roll. Ou seja, tanta coisa que um comentário mais detalhado sobre o novo álbum do Nick Caverna vai ficar, de repente, pra um post isolado mais pro comecinho da próxima semana. Enfim, é isso. Vai lendo o que se segue porque este post vai ser bem looooongo.

* Bien, bien, o "emo" campineiro Rafinha levou a bolada de R$ 1 milhão do BBB8. Bom pra ele, né não? O rapazola tatuado, que foi assediado sem dó durante o programa por alguns dos xoxotaços que estavam confinados na casa com ele, resistiu às tentações da carne e se manteve fiel (uia!) à sua namorada. Que lindo! Na boa, como diversão pop totalmente vazia e superificial, o BBB continua funcionando às mil maravilhas, mesmo porque não dá pra levar uma nulidade televisiva daquelas a sério. Mas o pior é que boa parte do país leva. Isso que é inacfreditável.

* E já tem gente bombardeando a cantora Pitty, porque ela aceitou animar, com sua banda, a finalíssima do programa. Hum... este blogueiro zapper, amigo pessoal da rocker baiana, vai preferir se eximir de algum comentário a respeito desse assunto. Ou quase: Zap’n’roll é notório crítico do BBB mas acha que, se Pitty considerou importante pra divulgar seu trabalho ter ido lá (além do que houve grana de cachê na parada, e aê, alguém nos dias de hoje ainda recusa grana em nome de "princípios artísticos", do jeito que anda o mercado musical? Que este blog saiba, não), direito dela e ninguém tem nada a ver com isso. Que se foda quem está latindo contra.

* Pros interessados: o dândi folk/pop Rufus Wainwright está com datas marcadas no Brasil em maio. Ele deve tocar dia 7 no Rio De Janeiro, 9 em São Paulo (na Via Funchal), 11 em Belzonte e 13 em Brasília. 

* Pros interessados II: o primeiro lote de ingressos promocionais pro show dos New York Dolls, dia 10 de abril em Sampa (no Hangar110) e que custavam 80 pilas, já eram. Agora, no novo lote cada ingresso está saindo por 90 paus. No dia, eles irão custar R$ 120,00 reais. Portanto, quem está a fim de ir, é melhor correr.

* Na boa? Zap’n’roll, assim como todo mundo que é apaixonado por rock’n’roll e cultura pop, está careca de saber da importância histórica dos New York Dolls (a banda que criou o conceito de punk nos EUA, que foi empresariada pelo escroque mais genial do rock, mr. Malcolm McLaren, que era a banda de cabeceira do Morrissey etc). Mas nem por isso vai esquentar sua moringa pra ir ao show (e olha que o sujeito aqui, ao contrário de blogueiras "ladies" peruas que se dizem punks mas não são porra nenhuma, foi punk durante quatro anos em seus tempos jovens, antes de se tornar um homem, hã, sério e partir pro jornalismo musical). O motivo? Simples: NÃO estamos mais em 1974, o guitarrista Johnny Thunders e os bateras Jerry Nolan e Billy Murcia já foram pro saco, então não faz muito sentido morrer (ops) pra assistir ao grupo a esta altura do campeonato. Yep, o vocalista David Johansen ainda está na banda, o grupo lançou disco inédito há dois anos (o "One Day It Will Please Us to Remember Even This") mas... já foi a época, né? Claro que o show deverá ser animadíssimo, principalmente pra garotada que cultua o mito em torno do grupo e pra punks velhos e nostálgicos, tão velhos e nostálgicos quanto eram os hippies e bichos-grilos que estes mesmos punks tanto odiavam. Enfim, de repente, o ex-punk aqui até se anima e vai. Mas, na real, ele está mais interessado em ver Radiohead e REM (sim, novamente) este ano, ao vivo, no Brasil.

* De qualquer forma, olha que finde supimpa vai rolar em Sampalândia: no dia 10 de abril (quinta) começa a putaria rocker com os New York Dolls. Depois, na sexta (11) tem Datsuns no Inferno. E finalmente no sábado, 12, rola show solo do velho gótico Wayne Hussey (o sujeito que um dia esteve à frente do Mission e que depois casou com uma bocetaça goth loira brasileira, e foi morar com ela em Santo André) na Clash Club. Bão hein...

* E por falar no trio fantástico de Athens, Georgia...

--------------------

REM, RÁPIDO E RAIVOSO

Já há algumas semanas circula fácil e faceiro pela net o novo álbum do gigante REM, "Accelerate", e como é praxe nestes tempos de informação hiper-veloz e globalizada via internet, zilhões de pessoas já ouviram o dito cujo e também já o comentaram em blogs (como o amigo "Merched", do carioca Léo Rocha), colunas e afins. Zap’n’roll, como de hábito e mesmo após ver este espaço rocker online se transformar também em um blog, continua não sendo nada amigo do expediente de ouvir música no computador e considera uma babaquice este desespero pra ver quem ouve e comenta primeiro tal lançamento de tal banda. Tanto que somente agora, após fazer algumas audições atentas do décimo quarto álbum de estúdio do trio que surgiu há vinte e oito anos em Athens, na Georgia, é que o blogueiro zapper aqui – e grande fã do conjunto, diga-se – vai de fato escrever o que achou do cd.

Não vai ser o caso de remoer, mais uma vez, toda a história do conjunto, pra elucidar o que é "Accelerate" e porque ele saiu como saiu. Nem também de escrever um "diário sentimental" sobre o quanto o REM esteve presente na vida do autor deste blog. E o conjunto esteve muuuito presente nos caminhos de Zap’n’roll, nos últimos vinte e cinco anos, desde que o autor destas linhas conheceu o vocalista Michael Stipe, o guitarrista Peter Buck, o baixista Mike Mills e o (ex) baterista Bill Berry, através do álbum "Fables Of The Reconstruction", que saiu tanto lá fora quanto no Brasil em 1985. Era um disco sublime, que sedimentava a sonoridade da banda já apresentada no Ep "Chronic Town" (de 1981) e nos álbuns "Murmur" (de 1983) e "Reckoning" (lançado em 1984). O REM vinha da cena independente de Athens e sua música combinava riffs urgentes de guitarra (herança do punk) com melodias que resvalavam no country e no folk, tudo sublinhado pelo vocal "caipira" e pelas letras de alto teor poético existencial e político, escritas por Stipe.

"Accelerate" é o segundo disco do grupo nos anos 2000. E é muito diferente do plácido e bucólico "Around The Sun", lançado há quatro anos e para o qual muitos fãs torcem o nariz – ok, nem o gonzo zapper aqui é muito fã do disco. Após passar pela contemplação e desilusão de músicas como "Living In New York" ou "Electron Blue" (do trabalho anterior), o trio parece ter despertado de alguma espécie de letargia e voltou algo furioso no novo cd. Tudo é muito rápido (as músicas duram, em média, dois minutos e meio e o álbum todo não chega a durar 35 minutos), as melodias são aceleradas, as guitarras voam e há pouco espaço para momentos mais calmos ou reflexivos. Michael Sitpe e a banda sempre se disseram avessos a compor canções políticas mas "Accelerate" é um álbum extremamente político, naquilo que ele tem de mais impactante: as letras forradas de ironia e sarcasmo, de desilusão e de indignação contra os anos de Bush à frente do goveno americano. Tudo isso vem em forma de cacetadas como "Living Well Is The Best Revenge", "Man-Sized Wreath" (esta, com alguns dos arpejos de guitarra mais furiosos de todo o cd) ou o primeiro single de trabalho, "Supernatural Superserious", que já tem clip rodando no Youtube e nas MTVs e rádios do mundo todo. São três faixas poderosas e que abrem o álbum de forma incendiária e parecem ter sido compostas por jovens ainda repletos de ímpeto e testosterona, e não por três sujeitos que já estão beirando ou chegaram aos cinquenta anos de idade.

Há muito do REM dos anos 80’ e 90’ em "Accelerate". A própria "Supernatural..." remete aos momentos pop porém pesados de "Out Of Time". E a face melancólica e folk dos primórdios do grupo pode ser re-ouvida em "Houston" (conduzida por órgãos e violões) e na belíssima "Until The Day Is Done", talvez o momento mais calmo e pungente de um cd que ainda não é a grande obra-prima da banda nos últimos anos, mas que certamente devolve o conjunto aos seus melhores momentos. Momentos de fúria e insatisfação sônica, como não se ouviu em "Around The Sun" e em "Reveal", lançado em 2001. Momentos como "I’m Gonna Dj", onde Michael Stipe se mostra ainda um dos melhores e mais combativos letristas do rock americano.

Há quem considere "Automatic For The People", lançado em 1992, como o último grande disco do REM. Pode ser. "Accelerate" talvez seja, então, o melhor trabalho do grupo desde "Automatic...". Não é pouco para uma banda que está na ativa há quase trinta anos, que trocou a cena alternativa pelo mega-estrelato e conquistou milhões de fãs pelo mundo todo e também vendeu milhões de discos e, mesmo assim, manteve seu prestígio inalterado diante do público e da crítica. Um prestígio mantido graças à excelência de álbuns como este "Accelerate".

* O novo disco do REM sai oficialmente na próxima terça-feira, nos Estados Unidos e Europa. Deve ganhar edição nacional, via Warner, logo em seguida.

* O grupo está neste momento em gig pela Europa. E já começaram rumores fortíssimos de que ele voltará à América Do Sul (Brasil?) entre setembro e outubro.

* E claaaaaaaro, em tempos de blog zapper, nada melhor do que postar abaixo alguns vídeos da banda. Do novo álbum são dois, um para "Supernatural Superserious" (a primeira música de trabalho do disco) e outro para "Living Well Is The Best Revenge", aqui em versão "desplugada" e mostrando a banda descontraída. Completando a trinca, um recuerdo bacanudo com o mega-hit e clássico "Losing My Religion", uma das músicas mais lindas já compostas pelo REM e que também possui um clip fantástico, com sua simbologia religiosa e renascentista.

REM - "Living Well Is The Best Revenge", versão acústica

"Supernatural Superserious"

"Losing My Religion"

--------------------

MADAME SAATAN NA OUTS/SP

Yep, conforme já amplamente divulgado no post anterior, a super banda paraense Madame Saatan vai fazer o clube Outs, em Sampalândia, ferver e tremer nesta madrugada rocker de quinta pra sexta-feira.

Colá lá que a balada vai ser ótima, este blog 100% alternativo garante. Depois você envia mensagem pra cá contando o que achou do show, okays?

UMA DÉCADA SEM O RETRÔ

Quem deu a letra foi o conhecido dj e dileto amigo deste blog, Rogerio Real. Ele abriu tópico na comunidade dedicada ao Espaço Retrô, no Orkut, lembrando que no último dia 21 de março fez exatamente dez anos que a maior lenda da cena alternativa noturna paulistana fechou as portas.

De fato. E o sujeito aqui se lembra muito bem daquele sábado. Era noite de show de Oasis em São Paulo, no sambódromo do Anhembi, quando a banda dos manos Gallagher veio pela primeira vez ao Brasil. O então já nem tão jovem jornalista trabalhava na equipe que estava montando o lançamento da revista Época, na editora Globo. E como a humanidade indie paulistana, também foi conferir o quinteto mancuniano. Showzaço: Liam ressacudo de consumo de cocaine mas, mesmo assim, a banda toda mandando muito bem, principalmente Noel, que fez um espetacular cover acústico para "Setting Sun", dos Chemical Brothers. E, claaaaro, teve "Wonderwall", "Supersonic" e aquelas maravilhas todas.

Terminado o set no sambódromo o gonzo maloqui descolou uma carona (não se lembra mais com quem, lá se vão dez anos e os neurônios aqui, de fato, já foram em boa parte corroídos pelo tempo, pelo álcool e por drogas variadas) até o centro da cidade. Desceu na praça da República (onde rolava uma autêntica e imensa cracolândia na época) e foi a pé até o Retrô, que ficava numa ruela no bairro de Santa Cecília, a Fortunato. Lá chegando, alguém na porta já lhe disse: "pois é Finatti, hoje é a última noite de funcionamento do bar". E assim foi. Roberto Cotrim, o proprietário, estava em dificuldades financeiras (como sempre), o bar já não faturava como antes, muita gente nunca pagava para entrar lá (como este blogueiro, incluisve) e aí tudo se acabou.

O Retrô era um muquifo, na verdade. Sempre foi, em suas duas versões (a primeira, na rua Frederico Abranches, também em Santa Cecília, durou de 1988 a 1992; depois, a casa reabriu na rua Fortunato, onde funcionou de 1995 a 1998). Mas ganhou tal notoriedade, projeção de mídia e aura "cult" entre seus frequentadores que ele se tornou, sim, a maior lenda do circuito underground paulistano. Uma lenda que persiste até hoje, dez anos após a sua morte. Tudo acontecia ali: shows toscos e geniais de bandas idem (como Pin Ups, Low Dream, brincando de deus, Mickey Junkies e muitas outras), performances bizarras de "artistas" marginais, gente trepando, fumando maconha e cheirando padê nos banheiros, gente descolada e mais ou menos famosa circulando por lá e muitos etcs. A garotada que frequentava o bar era muito estilosa, visualmente falando, e refinada intelectualmente: gostava de indie e gothic rock de última instância, era fã de cinema alternativo e poesia, enfim tinha uma boa formação cultural. Com todo o respeito à molecada que circula hoje pela Outs, Milo, Inferno, Belfiori ou Funhouse, mas não dá pra comparar os referenciais culturais do pessoal de hoje com os da turma que frequentava o Retrô, porque a diferença é mesmo abissal – e não se trata de um comentário saudosista (ok, este jornalista rocker é sim um sujeito saudosista), patrocinado por um coroa nostálgico. É que o pessoal era, hã, mais interessado mesmo em alimentar melhor seu cérebro e seu espírito.

Fora as garotas de-li-cio-sas e loucas que frequentavam o bar. Zap’n’roll conheceu grandes bocetas ali, comeu uma infinidade delas e quis casar com algumas. E fora o povo da gringa que vinha tocar no Brasil, ia até o Retrô e adorava: Nick Cave, quando morou em São Paulo, não saía de lá. O ex-baixista do Jesus & Mary Chain, Douglas Hart, passou a madrugada lá depois que o grupo havia feito um show memorável e esporrento no também finado ProjetoSP, na Barra Funda. E o povo do Sisters Of Mercy e Cocteau Twins também baixou no amado muquifo rocker quando suas bandas tocaram em Sampalândia.

O autor destas linhas rockers conheceu o Retrô da forma mais banal possível: eterno frequentador do Madame Satã, achava que o casarão goth do Bexiga já não era mais o mesmo em 1988. E uma de suas grandes amigas de então, a Elaine (uma das primeiras djs femininas do circuito under da cidade naquela época, linda até não poder mais, muito parecida com a cantora Siouxsie Sioux, sendo que todo mundo vivia querendo comê-la, óbvio), sempre pilhava o sujeito para que ele fosse ao Retrô: "vai lá, tá ótimo. O pessoal legal que ia no Satã tá indo todo pra lá e eu discoteco lá todo sábado. Quando for, me avisa que eu libero sua entrada". O gonzo zapper, que a essa altura escrevia para a revista Somtrês e era repórter/colaborador do Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo (o popular Estadão), resolveu então baixar um sábado no sobradinho em estilo neo-clássico da Frederico Abranches. Foi, gostou do que viu e ouviu e não saiu mais de lá pelos anos seguintes. Quando fez então, algumas semanas depois, uma matéria de meia página no Caderno 2 falando sobre o bar, Zap’n’roll se tornou cliente vip do Retrô e amigaço do proprietário, Roberto, que só faltava estender um tapete vermelho pro figura aqui quando ele chegava ao local. O autor deste blog acabou produzindo a festa de primeiro aniversário da casa, uma noite inesquecível onde o sobrado entupiu de gente pra ver os shows dos grupos Harry e Vzyadoq Moe, além da discotecagem de Kid Vinil, Thomas Pappon (que tocava no grupo Fellini) e do zapper blogger. Havia poucos cds naquela época e boa parte do som da pista vinha dos bons e velhos vinis.

É isso. Real mandou bem ao lembrar dos dez anos sem um lugar que marcou profundamente e para sempre a vida de muita gente em São Paulo. Sim, claro, estamos em 2008 e a vida continua, a cena alternativa se renova sempre, os bares idem, as bandas e o público também. Mas alguma coisa se perdeu pelo meio do caminho. Algo que existia no Retrô e que não existe nos bares unders de hoje, por melhores e mais legais que eles sejam. O Retrô era o lugar. E quem viveu ali, como este jornalista rocker, terá sempre lembranças fodásticas e jamais irá se esquecer do muquifo underground mais genial que já existiu na capital paulista.

* Ex-frequentadores e saudosistas em geral, vivem desenterrando vídeos toscos gravados no Retrô, e postando-os no Youtube. Este aí embaixo mostra um show do grupo Nocturne (de onde saiu o guitarrista Rodrigo Martins, que hoje toca em vários outros grupos na indie scene paulistana) em janeiro de 1997, um ano antes do bar fechar para sempre.

É impagável ouvir alguém gritando, antes do show começar: "É um lixooooooo! Olhem bem o banheiro do Retrô! Mira e entra nessa merda!". (de fato, os banheiros do Retrô eram autênticos "buracos negros". E, mesmo assim, como se trepava neles, rsrs).

Pra matar as saudades, dêem uma olhada:

ISTO ERA O RETRÔ – HISTÓRIAS DE SEXO, DROGAS E ROCK’N’ROLL

* Quase manhã de sábado, final de balada, bar já bem vazio, ainda na Frederico Abranches. Zap’n’roll, que morava no centro de Sampalândia e tinha resolvido sair de casa às QUATRO DA MANHÃ (como era seu costume na época), vai pro muquifo rocker tomar algumas. Lá chegando, dá de cara no balcão com uma delicinha de peitos enormes, cara de safada e bermuda deixando à mostra tesudas coxas morenas. O barman Gringo (figuraça que esteve presente em boa parte das duas encarnações do bar), alerta: "nem mexe com isso Finatti, que é chave de cadeia, ela tem quinze anos de idade!". E tinha mesmo apenas quinze aninhos mas nem por isso era menos safada: após um rápido bate-papo com a garota, ela resolve descer com o jornalista loki pro porão do bar, onde se localizava a pista e os banheiros. E a trepada rolou lá mesmo, em pé, num dos "reservados". O gonzo zapper, eterno mané sentimental, encanou de querer sair novamente com a garota mas ela, em outra noite no Retrô, deu o corte: "não rola, foi legal aquele dia mas não quero ficar presa em ninguém". Certo. Até que, numa bela madrugada, Zap’n’roll dá de cara novamente com a figura, que estava indo pro banheiro com o Callegari, célebre ex-baixista de trocentas bandas do movimento punk paulistano. O sujeito aqui não perdoou e disparou no ouvido do Callegari: "já comi!". Pior ainda foi a resposta dele: "Eu também". Pow!

* Outra manhã de sábado, ainda na época da Frederico Abranches: Zap maloqui encontra seu amigo Max Cavalera, do Sepultura (ele e o irmão Igor moravam encostado no bar e viviam por lá), literalmente babando em cima do balcão. Teve que levá-lo, com o auxílio de outro sujeito, carregado no ombro pra casa já que o músico não conseguia sequer parar em pé sozinho.

* Tempos já da rua Fortunato. Muita cocaine rolava por lá. O saudoso dj Toninho (que morreu há cerca de quatro anos) vivia bicudaço de padê, junto com o gonzo zapper, claaaaro. E um dia disse a frase clássica sobre o autor deste blog: "quando o Finatti sobe a escada de entrada do bar meio corcunda, é porque ele já está com o diabo no corpo". E era isso mesmo, por incrível que pareça.

* Pior quando este rock’n’roller doidão, que sempre teve transtorno bipolar e mania de perseguição em grau mediano, saia do Retrô entupido de farinha até os ossos e achando que alguém (quem?) queria arrumar encrenca com ele na rua. Invariavelmente, ele tinha que ser "escoltado" até o metrô Santa Cecília pelas lindas e fofas irmãs Adriana e Vera Ribeiro (amigonas do autor destas linhas zappers até hoje), que iam pelo caminho repetindo: "calma, está tudo bem, não tem ninguém querendo brigar com você". Era foda...

* E como a farofa era farta, boa e barata, o povo ficava louco no bar. Tão louco que numa certa manhã, dia já claro e sol a pino rasgando e queimando tudo na rua, todo mundo querendo ir embora, Roberto querendo fechar a casa onde já não tinha mais ninguém e... quer dizer, quase ninguém: no banheiro feminino o popular Cabelo, de Guarulhos, amigo dos djs Plínio e Toninho, estava literalmente "pego". Tinha dado um "teco" monstruoso, ficou em pânico e não queria ir pra fora do bar de maneira alguma. Acabou indo na marra, arrastado por Zap’n’roll e mais alguns chegados.

* E no banheiro que era um lixo... o loki zapper tinha acabado de chegar já bebaço no bar e foi direto pro banheiro masculino, com a inabalável intenção de dar uma cafungada master, para cortar um pouco o efeito do álcool e assim ficar, hã, um pouco mais "social" pra começar a conversar com as pessoas. Quando foi abrir a porta do quadradinho que abrigava o vaso sanitário, a cena nada insólita para os padrões do Retrô: um sujeito estava sentado no vaso, calça e cueca arriados até os joelhos e "arma" em riste. Por cima dele, uma xoxotaça gótica,

EXTRA, EXTRA: Madame Saatan na Outs/SP nesta semana!

6 Comentários »

* É uma das grandes notícias pra começar bem a semana e já vamos falar a respeito.

* Mas antes, completando a info colocada no último post: o bacanudo Datsuns toca em Sampalândia dia 11 de abril, no clube Inferno, lá na rua Augusta. E, sim, os neo-zelandeses também se apresentam em Recife, no tradicionalíssimo Abril Pro Rock.

* Completando a info II, a missão: entonces, erro do blog, foi maus, rsrs. O grande Bad Folks possui sim MySpace (www.myspace.com/badfolks) e um vídeo lindão para a deliciosa "Big White Chase", no Youtube, que você pode ver aí embaixo:

* Completando info III: há uns papos aê de que Cure, Depeche Mode e REM baixam mesmo na América do Sul a partir de setembro, Brasil incluso na rota, óbvio. Já já damos mais detalhes a respeito.

* Só falta anunciarem o Radiohead pro Tim Festival, pro povo morrer de vez.

* O show do Vanguart, sexta passada no Inferno, em São Paulo, foi uma coisa assim... sem palavras. Casa cheia (não exatamente lotada), público feminino (com garotas lindonas) dominando e cantando absolutamente toooodas as músicas na ponta da língua, banda descontraída no palco e aquele repertório maravilhoso de sempre, com direito a covers bacanas (desta vez, para os Beatles) e tals. O que também anda chamando a atenção nas apresentações dos Vangs é a capacidade mobilizadora que o grupo possui ou, trocando em miúdos, a capacidade deles atraírem OUTRAS bandas para os assistir. Por exemplo, lá no Inferno, estava a humanidade indie que importa neste momento no emergente rock brasileiro, gente do Ludovic, do Ecos Falsos, dos Rockasettes (que acabaram de lançar seu primeiro disco, sobre o qual falamos aqui daqui a pouco), do Madame Saatan e por aí vai. O Vanguart está no caminho certo, agora possui um ótimo empresário que está cuidando bem da banda (o Glauber, da produtora Barra Vento) e, em breve, o grupo vai começar a trabalhar no segundo disco, que deverá consolidar o quinteto cuiabano como o principal nome do atual rock brasileiro.

* No camarim pós-show dos Vangs, o babado rocker estava pra lá de fervido e este blog não pode revelar aqui muito do que rolou por lá. A garrafa de Jack Daniel’s presente no local era apenas um... detalhe.

* Outra observação feita por este, hã, jornalista "blogueiro" (ele ainda não se acostumou com este termo, oxe): São Paulo está se transformando numa autêntica babilônia do indie rock brazuca e isso é ótimo. Nos últimos meses se mudaram pra capital paulista as bandas Vanguart (de Cuiabá), O Quarto das Cinzas (de Fortaleza), Montage (também de Fortaleza), Rockasettes (de Aracaju), Los Porongas (do Acre) e agora o Madame Saatan e o Euterpia, ambos de Belém do Pará. Essa multi-diversidade musical e cultural é sensacional e só amplia os horizontes artísticos dos músicos, das bandas e do próprio público paulistano que tem, neste momento e na sua cidade, alguns dos melhores novos talentos do rock nacional. Ou seja, fala-se na extinção da forma de comercializar música como conhecemos até hoje (e vai pro saco mesmo, pois a internet dominou a parada), fala-se na descentralização da produção musical (papo loooongo pra ser debatido aqui, agora), fala-se isso e aquilo mas um detalhe não muda jamais: os bons grupos de outros Estados, aqueles que de fato possuem potencial comercial e artístico comprovado, continuam se mudando para Sampalândia quando querem dar um upgrade definitivo em suas carreiras. Estão certo eles.

* Sim, Zap’n’roll ama um monte de bandas paulistanas que ele considera geniais, como Daniel Belleza, Forgotten Boys, Ecos Falsos, Twinpine(s), Garotas Suecas, Rock Rocket, Mono.tune (sobre esses o blog também precisa falar e logo) etc. Mas, pela primeira nos últimos meses, a "invasão" de bandas de outros Estados na capital paulista tornou o jogo desigual: neste momento, as melhores bandas do novo rock brasileiro NÃO são paulistanas, embora residam na terra da garoa (esse termo ainda existe?).

* E o Madame Saatan é uma dessas bandas, né não?

MADAME SAATAN ATACA NA OUTS/SP, NESTA QUINTA-FEIRA!

Uma das melhores formações do novo rock brasileiro, o paraense Madame Saatan, mostra seu poder de fogo nesta semana em São Paulo, cidade para onde o quarteto de Belém do Pará se mudou há algumas semanas. O grupo vai tocar no clube Outs na próxima quinta-feira, 27 de março, na festa GoRock, promovida mensalmente por estas linhas zappers numa das melhores casas dedicadas ao rock alternativo na capital paulista.

Com um espetacular cd de estréia lançado em outubro de 2007, cultuado na indie scene e por jornalistas conhecidos como Pablo Miyazawa (da revista Rolling Stone), Alex Antunes (lendário fundador das revistas Bizz e Set) e Sérgio Martins (da Veja), o MS estará fazendo um set mais para apresentar seu som ao público paulistano e também ao circuito alternativo da cidade, já que até o momento a banda fez apenas dois shows na cidade (no Sesc Pompéia e na Livraria da Esquina). Assim, a GoRock fica imensamente orgulhosa em ter o grupo no seu palco na próxima quinta-feira, sendo que a Outs fica na rua Augusta, 486, centrão rocker de Sampa.

Zap’n’roll já falou muito do Madame Saatan. Ainda nos tempos em que era publicada em formato de coluna, ela radiografou assim o grupo, quando ele lançou seu primeiro disco:

* "Criado há cerca de quatro anos em Belém do Pará (capital que hoje concentra um dos maiores celeiros de novos e ótimos talentos do novo rock brasileiro), o quarteto Madame Saatan está pronto para se tornar a bola da vez do emergente rock nacional. Ao mesmo tempo em que fazia uma apresentação arrasadora na última edição do festival Varadouro (realizado há três semanas em Rio Branco, no Acre), o MS aproveitava para finalmente lançar seu aguardado disco de estréia, editado em parceria pelas gravadoras Espaço Cubo, Fósforo Records e Circuito Fora do Eixo.
É um disco fodaço, pra dizer o mínimo.
O grupo tinha tudo para ser mais uma disgusting formação voltada a emular as porradas do metal hardcore, que tanto continua fazendo a cabeça de milhões de moleques aqui e no exterior. Mas a banda formada pela vocalista e letrista Sammliz, pelo guitarrista Edinho, pelo baixista Ícaro e pelo baterista Ivan quis avançar - e conseguiu - muitos passos além do metal obtuso. Sim, o som do MS é pesadíssimo, não resta dúvida, com guitarras aceleradas e seção rítmica tão potente quanto um tsunami devastando a Oceania. Mas bastam poucas audições do primeiro álbum do conjunto para sacar que os músicos ali TOCAM COM CONHECIMENTO DE CAUSA, ponto. Não só: há toda uma preocupação estética em não deixar as composições soarem como meros sub-produtos locais do metal porrada que já polui há séculos o rock na gringa. Para tanto, o MS usa e abusa dos ótimos atributos de seus músicos para promover um imbatível e genial crossover de rock pesado com música regional paraense, além de algumas percussões mezzo tribais que remetem até ao samba. Um sincretismo sonoro, enfim, que dá gosto ouvir.
E há as letras escritas pela bela e ótima vocalista Sammliz, um caso à parte em uma época em que a qualidade textual da música feita no Brasil está absolutamente nivelada por baixo - basta ler as "pérolas" vomitadas pelo "gênio" Fernando Anitelli (o anarfa que canta "seu afeto me afeta", hihihi), do tal Teatro Mágico, para chegar a esta triste conclusão. Pois este sujeito deveria pegar o disco do Madame Saatan e ouvir a linda e tatuada Sammliz, uma autêntica herdeira da poesia sombria de um Augusto dos Anjos ou de um Álvares de Azevedo, disparar versos como "À noite acordam e são devorados/Dormindo nos braços da estátua/Com folhas nos dentes/E então histórias em sombras de glórias/Não dizem nada", contidos em "Devorados", a cacetada que abre o cd do grupo. Mas é claaaaaaaro que uma letra dessa envergadura, com sua métrica cuidadosamente encaixada em uma melodia furiosa e acachapante, iria fundir os miolos de quem é fã do Teatro Mágico (aliás é incrível, inclusive, como existem "jornalistas" e blogueiras peruas e burraldinas mas metidas a intelectual, que amam esse lixo musical) ou de um Merda Quest ou de um Charlie Bronha Jr.
Tem mais, muito mais no discão. "Molotov", "Cine Trash" ou "Apocalipse" são faixas que demonstram o poder de fogo do Madame Saatan e o quanto é possível ser criativo em um gênero tão chato e sacal como o rock pesado - curiosamente, em Belém mesmo há um outro grupo de rock pesado, o The Ways (é isso mesmo?), que teve seu disco comentado por aqui meses atrás e cujo trabalho repete os piores clichês do estilo. Eles também poderiam tomar algumas aulas de composição com Sammliz e cia.
Pois é isso. É chegada a hora e a vez do grande Madame Saatan. Quem viver e ouvir, verá".

Quer saber mais sobre a banda? Vai lá: www.madamesaatan.com ou www.myspace.com/madamesaatan

Abaixo, o vídeo bacanão para "Devorados", a faixa que abre o disco de estréia deles.

PROMOÇÃO E PRA MOCINHA TAMBÉM

Seguem a sorteio pelo finatti@dynamite.com.br dez (o blog disse DEZ!) cds do Vanguart, acompanhados da revista Outracoisa, que traz matéria com os cuiabanos, além de duas cópias do novo e excelente álbum dos Bad Folks.

Não ADIANTA pedir prêmio através dos comentários no blog, eles são exclusivos para comentar o conteúdo da Zap’n’roll. Pedidos de prêmio só mesmo através do e-mail, que aliás muda em breve também e assim que isso rolar, informaremos o novo endereço, okays?

Vamos nelson. Daqui a pouco tem mais...

(enviado por Finatti à 1:20hs.)

 

Indie folk cult e fodão, made in Curitiba

4 Comentários »

* Huuuuuuuaaaaaaá, preguiça de sexta-feira santa... mas tá bão, tá bão. O sujeito aqui vai te confessar: é divertido esse negócio de "blogosfera", de poder contar já por aqui o que rolou ontem na madrugada alternativa de Sampalândia. E rolou muuuita coisa, o negócio foi bão...

* Bares indies agitados, rua Augusta (o baixo Augusta, em direção ao centrão da cidade) lotada, congestionamento de carros e pessoas. Nem parecia madrugada mas, sim, dia. O simpático Astronete (onde o blogueiro zapper nunca tinha ido, por pareça que incrível) é mesmo bem bacana: ambiente agradável de pub sessentista inglês, pista decente mas o som estava com problemas e pode ser melhorado. Era noite do projeto "Subversões", pilotado pelo Anselmo Ribeiro e no palco o X-Devotion (da tesudíssima vocalista Rosana) mandou muito bem em várias covers dos 80’ e 90’, com direito a músicas do Suede e do Cult (quando a banda ainda valia a pena).

* Depois, em autêntica via sacra rocker (bem de acordo com a Semana Santa, hehe), Zap’n’roll ainda passou pelo Inferno e pela Outs. No Inferno, goths estilosos(as) encheram a casa na festa "Control" e a velha guarda que frequentava o infelizmente fechado (em definitivo?) Madame Satã, estava toda por lá, como a super dj Silmara, da festa Spectro, que rola no Dynamite Pub. A discotecagem em si estava bem legal e deu até pra ouvir "So Alive", do Love & Rockets - faz teeeempooo que o velho goth aqui não ouvia essa música numa pista. E pra terminar a noite, do outro lado da rua, a Outs estava animadíssima com o tributo ao Clash e aos Ramones, patrocinado pelo Cólera e pelo Rock Rocket. Moral da história: o maloqui (essa é cortesia da doida e totosa jornalista "gonza" Luana Schabib, de Campo Grande, lá no Mato Grosso do Sul) chegou às seis da matina em casa, morto mas feliz.

* Mas Bad Folks foi O SHOW na madrugada de quinta pra sexta, no Milo Garage/SP. Mas isso Zap’n’roll conta logo aí embaixo.

* Sim, calma, quer dizer, já já esta nova "plataforma virtual de informação e cultura pop" (uuuuuiiiiaaaaa!!!) fala do novo disco do REM. Já deveríamos estar falando. Se não falamos é por culpa do querido "tio" Pomba, e sua adorável cabeça-de-vento, rsrs.

* E não é que o Datsuns, além de tocar no Abril Pro Rock, também desce até Sampalândia agora em abril, tocando no Inferno? Pois é...

* E esse papo de REM, Depeche Mode e Cure, tudo entre setembro e outubro. Hein? Hein???

INDIE FOLK CULT FODÃO

Chega a ser até meio bizarro o modo como estas linhas rockers conheceram o quarteto curitibano Bad Folks. Há uns seis anos Zap’n’roll esteve na capital do Paraná, para promover por lá uma festa da revista Dynamite. Festão agitado, casa cheia, realizado no bar Motorrad (existe ainda?) e quando tocaram umas cinco bandas, entre elas os hoje já bem conhecidos Faichecleres e Relespública. Na volta pra São Paulo, como sempre, o jornalista zapper voltou com a mochila carregada de cds. Entre eles um dado pelo produtor Daniel Campos (que trabalhava, na época, com a Relespública), na verdade um ep com seis faixas, de um banda chamada Bad Folks. Hã???

Foi chegar em Sampa, ouvir o disco e cair desesperadamente de amores pelo grupo, que faz um folk rock descaralhante, mais elétrico do que acústico e onde abundam melodias contagiantes e vocais "caipiras", daqueles que dá vontade de ouvir andando por uma estrada de terra e se entupindo de Jack Daniel’s. O jornalista rocker virou fã de carteirinha dos caras, estabeleceu contato via e-mail mas NUNCA tinha visto uma apresentação deles ou travado contato pessoal.

Meses atrás a banda veio até São Paulo, pra fazer um show na pocilga indie que é a Funhouse. Zap’n’roll ia lá mas não lembra exatamente a treta que pintou pelo caminho e acabou não indo. Começou a virar tabu assistir um show do conjunto e conhecer seus integrantes.

Até que ontem, quinta-feira Santa (e ponha santa nisso), os Bad Folks fizeram nova e relâmpago passagem por Sampalândia, para gravar o programa de rádio Popload, do nosso dileto colega de bloguismo pop, dear Luscious Ribeiro (e também do reverendíssimo e queridão Fábio Massari, como não?), e também para fazer um ÚNICO set ao vivo na cidade, desta feita lá na sempre agitada festa da loja Peligro, no Milo Garage (que andou passando por reformas, está mais espaçoso e legal e com um público mais ok, sem tantos indies blasés afetados e com cara de cu).

Aí, finalmente, o maloqui zapper conseguiu assistir ao show e conhecer os figuras. E que show! O grupo estava lançando enfim seu novo trabalho, "Impossible" (que foi gravado a duras penas e lançado pela própria banda) e fez do set um mix das novas músicas combinadas com as faixas do primeiro EP, aquele lançado há mais de seis anos e que nem eles têm mais (o sujeito aqui tem seu exemplar até hoje, e o levou no Milo pra mostrar pros músicos). Pois o Bad Folks é um Vanguart mais folk e que ainda não deu tão certo quanto os cuiabanos – e isso é um elogio para as duas bandas. Duas guitarras e violões espertíssimos e fodásticos (tocados pelos vocalistas Cassiano e Caio), seção rítmica precisa e firme (a cargo do baixista Denis e do baterista Branco), músicas que carregam muito de Pogues em sua essência mas também trafegam sem problemas por eflúvios de REM, Neil Young e Bob Dylan. E canções verdadeiramente lindas, como "Big White Chase" e "If You Wanna Say Something", ambas do primeiro e homônimo EP, sendo que a última também foi regravada no novo cd, que possui pelo menos uma obra-prima, a sensacional road song "Cerebellum & Co.". Mas o disco novo tem também "Secret Girl", "Ordinary Bitch" (título mais do que sugestivo e que cai com uma luva para uma certa "jornalista" metida a indie e punk, sem ser nenhum dos dois e que Zap’n’roll conhece muito bem), "Potion" e "Legends & History". Todas ótimas, todas lindonas.

O show foi ótimo, entrega total dos músicos no pequeno Milo (nem tão pequeno, hoje em dia) e quem esteve lá (e não tinha muita gente) viu, com certeza, um dos melhores esporros indies ao vivo dos últimos meses em São Paulo. O Bad Folks já se tornou uma cult band da indie scene brazuca e isso possui o lado bom e o ruim: é um grupo genial, apreciado praticamente apenas pelos iniciados nos ótimos "segredos" do rock alternativo nacional. Mas – e aí está o lado ruim – é um quarteto meio injustiçado e que merecia ser, a essa altura e pelo tempo de estrada que possuem, muuuuito mais conhecido.

Enfim, o blog está fazendo sua parte para tornar o Bad Folks o novo superstar da nossa indie scene. Quando eles voltarem a Sampa, não perca de maneira alguma a chance de assisti-los. Eles são e vão continuar sendo, um dos "prediletos da casa" aqui deste blog zapper.

* Pode parecer mentira, mas a banda está sem site e sem MySpace – são cults mesmo! Quem se interessar em manter contato com o grupo, pode escrever pra badfolks@gmail.com

* Okays, vamos lá! Além dos discos do Vanguart em promoção, quem for também lá no finatti@dynamite.com.br, concorre também a duas cópias do novo álbum dos Bad Folks. Vai perder?

* E pra quem não estava no Milo Garage, o vídeo aí embaixo da uma idéia do que é o som da banda. Mostra o BF tocando no bar "Porão Rock", em Curitiba, em outubro passado. O som não está lá essas coisas, mas dá pra curtir.

BADALANDO NA PÁSCOA

Claaaaaaaaro!!! Se joga no sábado de aleluia na Outs (rua Augusta, 486, centrão de Sampa), que vai ter show dos Muzzarellas, mais Comodoro e mais a revelação Detroit, com seu proto punk cheio de gás à la MC-5 e Stooges. No outro lado da rua, no Inferno, rola a festa "Tête a Tête", com uma das novas vocalistas do Bonde do Rolê (argh!) pilotando as pick-up’s, ao lado da boazuda e rocker (e amiga do blog) escritora Clarah Averbuck.

 

E chega, né? Logo mais a gente volta, falando do REM.

 

O sujeito aqui, um, hã... blogueiro???

Zap 3 Comentários »

Como é a vida, não é mesmo? Dia desses o APJr., lá no Folhateen, da FolhaSP, fulminou blogueiros em geral dizendo que "blogueiro é aquele sujeito que não faz nada na vida de manhã e, à tarde, escreve sobre o que fez de manhã".

E este colunista, quer dizer, agora blogueiro, jamais se esquece do tempo em que seu amado melhor amigo e publisher do portal Dynamite, o fofo André Pomba, vivia dizendo, enquanto batia no peito: "não vou entrar na onda do blog, do fotolog, não tenho Orkut e NUNCA vou ter etc". Hoje "tio" Pomba tem Orkut, fotolog e... os blogs do portal Dynamite, que agora estão aí para a sua leitura.

São os "tempos modernos", como diria o velho e grande Bob Dylan em seu último disco.

Zap'n'roll, que detesta Orkut (mas está nele), odeia msn (mas também possui o seu) e não suporta telefone celular (felizmente, está sem essa praga já há alguns meses e está muito feliz em NÃO possuir o dito cujo) entra, também

ela, na era e no formato dos blogs, pra dinamizar ainda mais aquele bacana papo sobre rock alternativo e cultura pop que já mantínhamos com os leitores semanalmente por aqui, há cinco anos. Só que agora o papo é diário e atualizado a qualquer instante, pra deixar tudo cada vez mais atraente, saboroso e atualizado pro nosso fiel leitorado.

Então é isso. Mantendo o espírito e a filosofia que sempre norteou a coluna, sejam bem-vindos à Zap'n'roll - O BLOG! A gente continua firme e forte por aqui, cada vez mais rápido e perto de vocês, amados leitores!

* E só pra manter um pouco ainda o clima da velha coluna aqui no novo blog, avisamos ao nosso dileto leitorado: assuntos, hã, mais "importantes" e extensos, entrarão por aqui como de hábito sempre às quintas ou sextas-feiras. O restante vai sendo postado durante os dias da semana, a qualquer instante. E, claaaaaro, se alguma "bomba" pop estourar pelo caminho, entra também no ar imediatamente, né não?

* Óbvio que o roteiro de baladas e aqueles prêmios supimpas continuam por aqui, como sempre estiveram, oras.

* Tempos modernos I: o novo governador do estado de Nova York (nos EUA né, mané), David Paterson, que assumiu o lugar de Eliot Spitzer (que teve que renunciar ao cargo após a imprensa americana descobrir que ele se divertia nas horas vagas com aquelas maravilhosas garotas "de vida fácil", só que pagando os encontros com as moçoilas com... dinheiro público), já se antecipou a possíveis devassas em sua vida particular e, na cerimônia de posse ontem, quarta-feira, já foi disparando: "eu já traí minha mulher! E ela também me traiu! Mas eu NUNCA gastei dinheiro público com isso. Portanto, ninguém tem nada a ver com isso!". Ou seja: um casal liberal e feliz, bem de acordo com os dias atuais. E que se foda quem achar ruim, uia!

* Tempos modernos II: E não é que os deputados estaduais de Mato Grosso agora terão direito a poltronas "especiais" que irão "massagear" as costas e o lombo dos parlamentares, para que os pobres coitados não se cansem durante as looongas sessões de trabalho na Assembléia Legislativa daquele estado? E no fiofó deles, não vai nada não?

* Fãs brasileiros de Lenny Kravitz, podem arrancar os cabelos: a nova gig pelo país do cantor que já foi legal pacas (mas hoje em dia...), acaba de ser cancelada. Lenny viria para promover seu novo álbum, "It Is Time For a Love Revolution", e faria shows em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte, agora em abril. Os motivos que levaram ao cancelamento da tour não foram divulgados.

* E a xoxotosa loira Thatiana Bione dançou ontem no BBB8 que, felizmente, está chegando ao fim. Agora, com apenas quatro integrantes disputando o prêmio de R$ 1 milhão, fica a palpitante questão: quem irá ganhar a bolada? O voto do blog é para aquela dilícia cremosa do Piauí, a Gyselle.

* RIP Arthur C. Clarke, o homem que um dia previu o futuro muito antes dele chegar. Se você não sabe de quem se trata, vá ler o romance "A sentinela" ou, então, assista a obra-prima do cinema "2001 – Uma odisséia no espaço", inspirada no romance e dirigida pelo também gênio imortal que foi e é Stanley Kubrick. Só isso.

* E falando em futuro, eles continuam sendo o futuro da música pop, sempre. Mesmo passando dez anos sem gravar. Quem? O Portishead, claro.

O TRIP HOP SOMBRIO RESISTE

Há quem considere que o trip hop, sub-divisão mais plácida, etérea e sombria da música eletrônica, surgida nos anos 90’, está um tanto fora de moda e "aprisionado" na década em que foi criado. Pode ser. Afinal, o que sobrou de relevante no estilo na última década e meia? De quem você se lembra, de sopetão, ao falar em trip hop? Massive Attack? Portishead? Quem mais??? Não se recorda? Pois é. Pior ainda se, dentro de um gênero considerado por muitos como "datado", determinado artista resolve ficar uma década sem lançar nada inédito. Em uma época onde tudo é hiper veloz, onde a cultura pop globalizada via internet cospe bandas em série e onde grupos têm carreira que muitas vezes não duram mais do que um ou dois discos, ficar dez anos sem lançar um álbum pode, mesmo, ser a sentença de morte para o tal artista, hã, "preguiçoso".

Mas se o nome em questão for o Portishead, aí tudo muda nessa história. Nome fundamental da geração trip hop inglesa que surgiu no início dos 90’ (a banda surgiu em Bristol, em 1991) e que está finalmente prestes a lançar seu novo álbum de estúdio (intitulado "Third", e cujo lançamento mundial está previsto para o próximo dia 28 de abril; mas claaaaaaaro que o disco já vazou à vontade pela net), o trio formado pelo tecladista e multiinstrumentista Geoff Barrow, pela vocalista Beth Gibbons e pelo guitarrista Adrian Utley, literalmente assombrou e apavorou o público e a crítica inglesa quando lançou, em 1994, o fodástico "Dummy". Sim, aquele mesmo, de capa azul e que trazia uma sonoridade pra lá de bizarra, combinando nuances eletrônicas com ambiências sinistras, sorumbáticas e de apelo extremamente sedutor e hipnótico. E por cima de tudo isso vinha aquela voz divina, angustiante, cortesia da deusa loira Beth Gibbons. O mundo caiu de joelhos, "Glory Box", "Roads" e "Sour Times" varreram as rádios e pistas mais descoladas do planeta e o trio se tornou o nome hot do então nascente trip hop. Três anos depois o grupo lançou seu segundo disco, homônimo – e tão espetacular quanto o primeiro – e, um ano depois, editou um álbum ao vivo, o igualmente chapante "Live in Roseland NYC".

E aí o Portishead sumiu. Por uma década.

Como foi dito logo no começo deste tópico, tempo demais de ausência pra qualquer artista numa época em que bandas são lançadas, digeridas e esquecidas pelo público em questão de semanas.

Só que estamos falando do Portishead. E aí, felizmente, o nome do grupo faz toda a diferença. Pois mesmo tendo se ausentado por um período tão longo e mesmo tendo corrido o risco de ser "atropelado" por zilhões de novas tendências do pop meteórico dos dias atuais, ainda assim o trio de Bristol voltou com um disco descomunalmente atual e fodão. "Third", o terceiro trabalho de estúdio do grupo, poderá não causar o mesmo impacto que "Dummy" causou há quase quinze anos. Mas, mesmo assim, mostra uma banda anos luz à frente de muito que é lançado todos os dias nos MySpace da vida. Tudo continua sendo processado através de paisagens eletrônicas estranhas, soturnas e etéreas. Mas, ora ora, surpresa! Há guitarras psicóticas e rockers em "We Carry On", há uma bizarra vinheta folk (!), com direito a viola, em "Deep Water" e há psicodelia agônica em "Small". E, como de hábito, há o trip hop classudo e dark de sempre – e aí você pode escolher ouvir "Threads", que fecha o cd, ou ainda a belíssima e sufocante "Hunter" (sim, você vai achar que está diante de alguma cena aterradora de um filme de David Lynch), ou mesmo "Nylon Smile". Como se não bastasse tudo isso, o álbum ainda é aberto com uma voz masculina dizendo a seguinte frase: "Esteja alerta para a regra dos três. O que você dá, retornará para você. Essa missão, você tem que aprender: você só ganha o que você merece".

Bizarro? Apavorante? Genial? Fodam-se as definições, conceitos e impressões. "Third" já toca sem parar no sound system deste agora "blogueiro" (cazzo, que adjetivo horrível, afe), e vai entrar tranquilo lá na frente na lista dos melhores discos de 2008. E detalhe: Beth Gibbons, aos 43 anos de idade, continua cantando de forma divina. Precisa algo mais?

* Se "Third" vai sair no Brasil? Bien, o selo é Island, aqui representado pela Universal. Então, só ela pode responder.

* O primeiro single de trabalho do disco é para a mortífera "Machine Gun", que já tem clip disponível no site oficial da banda (www.portishead.co.uk). Mas no bom e velho Youtube, há esta versão ao vivo da mesma música:

++++++++++

ACELERANDO COM O NOVO DO REM

Yeeeeeeesssssss!!! "Accelerate", o novo e desesperadamente aguardado novo álbum do REM, também já rola bonito pela internet. O lançamento oficial de sua versão, hã, "física" (quer dizer, o velho cd), está marcado para o próximo dia 1 de abril. E nosso querido chapa Cristiano Viteck, sujeito que manja horrores de rock’n’roll, ouviu e amou. Aliás, na nova fase do portal Dynamite, vai fazer falta um blog assinado por mr. Viteck.

Bão, Zap’n’roll fala logo mais sobre o disco, okays? Por enquanto, você fica com a capa e a contra-capa de "Accelerate", que são essas aí:

 

 

 

 

++++++++++

ADAM GREEN – CONHECE?

Nestes tempos de culto renovado ao mestre Bob Dylan e de redescoberta de uma certa linhagem folk no indie rock americano, nada como dar uma voltinha por aí e trazer para nosso amado leitorado, algumas linhas sobre um sujeito que é um dos destaques deste movimento "neo" (ou seria anti?) folk. A coluna está falando de Adam Green, 26 anos de idade e que lança agora seu novo álbum, "Sixes & Sevens" (pelo graaaande selo inglês Rough Trade, o eterno lar dos saudosos Smiths). O disco, que possui nada menos do que vinte músicas (!), mas sendo a maioria de duração bem curta, estava dando sopa em lançamento exclusivo no MySpace até anteontem. E foi lá que o blog o ouviu integralmente e gostou do que ouviu – um material variado que vai de plácidas, bucólicas e melancólicas canções tramadas apenas com voz e violão, a outras mais rockers, barulhentas e salpicadas de ruídos e efeitos estranhos. Porém, se alguém aí quiser ir até a página do cantor no MySpace pra também ouvir o lançamento, esqueça: o disco desapareceu de lá sem maiores explicações – alô querido "sobrinho" Luigi Cezar Pimentela, onde está o álbum do Adam Green?

Mas... quem é essa figura, afinal? Bom, não dá pra falar de Adam Green sem falar do grupo Moldy Peaches e do filmaço "Juno", que está encantando platéias mundo afora desde que foi lançado nos cinemas no início deste ano. O Moldy Peaches foi um grupelho neo folk que surgiu por volta de 2000, formado por Green e pela cantora e compositora Kimya Dawson e que, sem ser nenhuma maravilha (mas também não era ruim), acabou ganhando uma certa aura "cult" na indie scene americana, especialmente entre os fãs de grupos low fi (aquelas bandas que professam que "menos é mais" na hora de compor e gravar músicas). O duo lançou apenas um cd, homônimo, em 2001, fez algumas gigs pelos EUA e ficou por isso mesmo. Green e Kimya foram, então, cada um cuidar da sua vida. Ele se lançou em carreira solo modesta, também de aura "cult" e lançou quatro álbuns entre 2002 e 2006. A história dele e do Moldy Peaches talvez tivesse terminado aí, se não entrasse o fator "Juno" em seu caminho.

E que fator! Tremendo sucesso pop cinematográfico nos Estados Unidos e até no Brasil, "Juno", a história fofíssima da teenager de dezesseis anos de idade que engravida do colega de colégio e que é apaixonada por rock’n’roll e folk music, ressuscitou a carreira do Moldy Peaches e, por extensão, do próprio Adam Green. Afinal, ambos tiveram a sorte de ter várias canções suas incluídas na trilha do filme (que vendeu, somente no mercado americano, mais de 500 mil cópias, isso numa época em que ninguém mais compra cds) pois tanto a atriz Ellen Page (que interpreta Juno) quanto a maluca e estilosa roteirista do longa, Diablo Cody, são fãs de carteirinha do... Moldy Peaches, oras. Inclusive "Anyone Else But You", a belíssima música que encerra a fita, cantada em dueto por Juno e seu namorado, é uma das faixas da trilha que foi originalmente composta pelo MP.

Bão, e o novo álbum de Adam, representa a contento? Como já foi dito laaaaá em cima, é um disco com vinte músicas e é bacana se você curte essa parada de folk music – um tipo de som pelo qual Zap’n’roll, na verdade, sempre teve um certo apreço. Em várias delas o cantor e compositor realmente dá vazão à pretensão que possuía na época do MP em criar um pseudo "anti folk", que seria algo como subverter a ambiência natural da música folk (com seus violões sempre em tonalidade baixa e as letras tristonhas desvelando versos de cunho sentimental ou político), insuflando-a com um pouco de noise, alguns pianos e ruídos realmente estranhos. Em outras, como no primeiro single de trabalho e que se chama "Morning After Midnight", Green vai de fato às suas raízes acústicas e aí mostra que possui a manha pra compor delicadas e doces melodias.

Enfim, em tempos de Bob Dylan, Cat Power, Vanguart, Bad Folks e da genial Mallu Magalhães, fica a dica humirde do blog: procure conhecer o trabalho do rapaz (procure na net porque é claaaro que nenhum disco dele JAMAIS irá ser lançado no Brasil). Adam Green está aí para garantir a continuidade de um gênero do pop que já deu ao mundo um mestre como mr. Robert Zimmerman.

* Pra saber mais sobre Adam Green, é simples, vai lá: www.adamgreen.net.

* Vídeos do sujeito? No Youtube tem vários e a coluna selecionou este aí embaixo, da bonita e intensa "Baby’s Gonna Die Tonight", que ele compôs no início de sua carreira solo:

ELA É A MULHER DIABO!

 

E já que falamos em Adam Green, Juno e tals: o nome verdadeiro dela pouca gente sabe. Mas pode chamá-la de Diablo Cody. Sim, ela mesma, a estilosa, maluca, tesuda e descoladíssima roteirista daquela fofura chamada "Juno". Pois Cody foi a responsável pelo único Oscar ganho pelo filme – o de roteiro original – que já virou o hit cinematográfico indie da temporada. E a garota de 29 anos causou furor na entrega do prêmio, ao surgir com seu vestido de pele de oncinha e suas tatuagens em meio à caretice visual reinante entre as celebridades que estavam no auditório onde era entregue o velho Oscar. Diablo Cody, além de tudo, é muuuito sagaz, inteligente e escreve sobre sua vida em dois blogs (um deles pode ser acessado em www.diablocody.blogspot.com, fora que ela também está com página no MySpace, www.myspace.com/diablocody), e já foi objeto de matéria em vários cadernos culturais e teens da imprensa pop brazuca nas últimas semanas. Por isso, Zap’n’roll nem vai ficar babando muito pela bela mas diz com satisfação que já virou sua fã. E se alguém aí ainda NÃO assistiu "Juno", está marcando feio.

 

POUCAS & BOAS

* Saiu a programação do Abril Pro Rock 2008. Ele rola dias 11, 12 e 27 de abril em Recife e além dos nomes do pop e do rock nacional que foram escalados, a produção do já veterano evento (um dos principais do calendário rocker brasileiro) também confirmou as presenças dos New York Dolls, dos Bad Brains, dos neo-zelandeses do Datsuns, além dos metálicos Helloween e Gamma Ray. É, tá bom, tá bom. Mas o APR já foi melhor e mais vanguarda do que isso.

* Tá legal, Stephen Malkmus vai reunir o Pavement novamente em 2009. Um dos grandes nomes do indie low fi americano do início dos anos 90’, o Pavement era deus pra garotada junkie e maluca que frequentava o Espaço Retrô da rua Fortunato, em Sta, Cecília, centrão cracker de Sampa naquela época (e como, Zap’n’roll nunca se esquece do que passou ali, entre trepadas antológicas com bocetas quentes e lesadas por álcool e "padê" nos banheiros do club, e algumas "pipadas" pela região quando saía do bar, já de manhã, na fase em que o doidaralhaço trintão jornalista estava meio "pêgo" pelo cachimbo, kkkk). Mas a banda, na real, gravou dois álbuns sensacionais ("Slanted & Enchanted", de 1992, e "Crooked Rain Crooked Rain", de 1994, e que chegou a produzir o mega hit indie "Cut Your Hair") e depois se tornou algo repetitivo nos discos seguintes, nunca mais conseguindo atingir a excelência composicional dos dois primeiros trabalhos. O grupo acabou em 1999 e Malkmus se lançou em uma carreira solo ainda mais pentelha, chegando inclusive a tocar no Brasil, em show assistido e detestado por este colunista na chopperia do Sesc Pompéia, em São Paulo. Resumo da ópera: este comeback do Pavement, para comemorar os vinte anos de fundação do conjunto, não causa a menor comoção nestas linhas zappers, sorry. Há coisas mais importantes para serem vistas e ouvidas no atual rock alternativo planetário.

* Ah, sim: anda-se falando muito em folk music e tals. Pois é bom lembrarmos ao nosso ilustre leitorado que nesta quinta-feira, 20/3, o grupo curitibano Bad Folks faz aparição relâmpago em Sampalândia, tocando na festa da loja virtual Peligro, no Milo Garage. Cult band das mais geniais deste país, os Bad Folks são sensacionais e talvez sejam o Vanguart mais afolkalhado e que não deu tão certo, afinal. Show imperdível, sendo que o blog estará por lá, claaaaaro.

* Aliás, a quinta-feira está imperdível em Sampalândia, como você vai ver já já no roteiro de baladas para o feriadon da Páscoa. Vai dar gosto não viajar e ficar por aqui mesmo.

RECUERDOS – UMA FOTO E UM VÍDEO

Os anos 80’ continuam gritando na orelha de todo mundo que curte rock e música pop. E não dá pra falar de anos 80’ sem falar do pós-punk inglês de Cure e Jesus & Mary Chain.

Pois entonces: abaixo, mais uma pic tirada do show realizado por Bob Smith e cia., no último dia 25 de fevereiro, em Munique, na Alemanha. A foto foi tirada pela lindaaaaaa Sabrina Kaltner, correspondente deste blog zapper em terras alemãs, e que acompanhou o show, tendo feito uma ótima crítica do mesmo na nossa já veeeelha coluna Zap’n’roll.


 

E como o gonzo blogger aqui está em fase, hã, sentimental, mais um vídeo, o que mostra a cena final do sensacional "Lost In Translation", tendo como trilha a igualmente sensacional "Just Like Honey", do JMC. "Encontros & Desencontros", todo mundo tá careca de saber, é mais um dos filmes geniais que foram dirigidos por Sofia Coppola nos últimos anos. E a cena em questão invadiu a memória destas linhas zappers no último finde, quando o velho blogueiro ficou sabendo que sua dileta amiga de anos, a gostosíssima e louca Patrícia Cortez... casou. Pois é, a Pat louca, peituda e loira, que se formou em letras e era apaixonada por poesia, álcool e todos aqueles sons inesquecíveis do pós-punk britânico.

Felicidades na nova vida de casada, Pat, é o desejo sincero deste espaço rocker online.

FERIADON NA BALADA: FOLK E ANOS 80’

Pois é, outono chegou, calor chato voltou e pelo menos tem feriadon de Páscoa pro povo viajar ou ficar por aqui mesmo, na Sampalândia. Assim, vai vendo como a quinta-feira tá animada no circuito rocker alternativo da cidade: no Milo Garage (rua Minas Gerais, 203, Higienópolis, região central de São Paulo), na festa da loja virtual Peligro, vai Ter showzaço dos curitibanos do Bad Folks. Já no sempre legal projeto "Subversões", lá no Astronete Bar (rua Matias Aires, 183, Consolação, centrão rocker de Sampa), os grandes clássicos do pós-punk inglês serão revisitados pelo grupo X-Devotion, que tem a delíciosa e linda Rosana nos vocais. O clima anos 80’ prossegue na festa Control, no Inferno Club (rua Augusta, 501, centro de Sampa), com show do grupo Strange Mode, que faz covers de responsa do Depeche Mode. E do outro lado da rua, no sempre bombado club Outs, tem noitada punkster com Cólera e Rock Rocket, que estarão mandando bala no palco fazendo tributos imperdíveis pro Clash e pros Ramones. Legal, né?

Mais baladas no finde? Logo mais, aqui no nosso blogão zapper.

PRÊMIOS: CALMA QUE AINDA DÁ TEMPO!

Com a versão blog da Zapinha entrando aos poucos no ar, vamos fazer assim: continua mandando seu pedido amigo lá no finatti@dynamite.com.br que seremos generosos e iremos segurar por mais alguns dias os 10 cds do Vanguart, cada um acompanhado de um exemplar da revista Outracoisa, com matéria com os cuiabanos, que inclusivem agitam o palco do Inferno amanhã, sexta-feira. Então, mão no mouse e booooa sorte!

E POR ENQUANTO...

Ficamos por aqui. Até daqui a pouco, ou a qualquer momento em edição extraordinária, rsrs.

 

Powered by Mango Blog. Design and Icons by N.Design Studio
RSS Feeds