Esse ser estranhíssimo está a caminho do Brasil, com a sua banda. Mas enquanto ele não chega, você lê aqui no blog como foi o Goiânia Noise
Entonces, blogon zapper sendo atualizado em pleno sabadón, já que ontem o distinto aqui ficou novamente fora de combate, por conta de uma gripe aterradora que se abateu sobre a pobre criatura.
Mas cá estamos! E com uma gooorda cobertura da edição deste ano do super Goiânia Noise Festival, que rolou no finde passado na capital de Goiás. Um dos cinco maiores festivais independentes do Brasil hoje, o GN merece ser destrinchado aqui no blog, mesmo uma semana após sua realização pois, através da leitura do que rolou no evento, nosso dileto leitorado pode ter um amplo painel de como está a indie scene nacional neste momento.
O texto que você lê logo abaixo é de autoria da nossa mui amada Adreana "Cobain" Oliveira, dileta amiga destas linhas zappers há anos, e uma das melhores jornalistas rockers do Brasil (além de gatíssima também, uia!). Editora de música do caderno de variedades do jornal "Correio de Uberlândia", Dre está sempre acompanhando de perto os principais festivais brasileiros. E Zap’n’roll agradece a ela de coração por mais esta força e pela brilhante cobertura do festival. Valeu, Dre!
Então é isso. Boa viagem com o Goiânia Noise Festival 2008!
"A 14º edição do Goiânia Noise Festival começou na sexta-feira, mas eu não estava aqui. Portanto, vamos começar pelo segundo dia.
O Centro Cultural Oscar Niemeyer facilitou bem a minha vida. Consegui ver todos os shows e entrevistar todas as bandas. Aproveitem porque não sei se neste domingo vou conseguir fazer o mesmo. Outra coisa legal é ter internet free no hotel, posso postar tudo antes de voltar para Uberlândia.
O bate-papo com as bandas foi rápido, afinal, tinham que atender muita gente e os shows seguiam-se um atrás do outro. Uma pergunta em comum foi feita a todos os meus entrevistados: que bandas você têm ouvido?
Acredite que você terá uma lista e tanto e cheia de surpresas.
SÁBADO, 22/11/08
CICUTA
O quarteto goiano abriu a noite com hardcore. Fredé (baixo e vocal), Migué (bateria) e Torreal (guitarra e voz) são cria da cena goiana. Eles gravaram um CD que custa R$ 2 e assim fica fácil a galera levar um pouco deles para casa. "E um mini-disc que fizemos para divulgar a banda aqui mesmo, a gente sabia que ia `tomar ré` mesmo, então, que seja com o CD", disse o baixista Fredé. Para ele, tocar no Noise é sempre um privilégio. Nem sempre o show e o mais importante: o que vale e estar com a galera se divertindo e tomando umas e outras.
Enquanto isso no estúdio comandado por Luis Maldonale e Gustavo Vasquez, Segundo e o Corja se divertia no Aquário.
MERSAULT E A MÁQUINA DE ESCREVER
"Só doido mexe com maluco". Essa frase é de uma figura goiana chamada Ronaldo, ou Crazy Naldo. O cara faleceu recentemente e todo o show do Mersault e a Máquina de Escrever foi dedicado a ele. Mais ou menos na mesma data em 2002 eles faziam o show que praticamente marcou o início da banda, e hoje fizeram um dos shows mais intimistas do Noise. Foram apresentadas músicas como "Fluidez de Jumento" e "Cowboy de Drogaria", que encerrou a apresentação. Mauricio (guitarra), McLoys (guitarra), Rogério (bateria) e Veget (baixo) tocaram e Uberlândia este ano e tem boas lembranças da cidade. Ele elogia a banda uberlandense Porcas Borboletas. Veget acredita que o intercâmbio entre Uberlândia e Goiânia melhorou muito nos últimos meses, mas ele sabe que o cenário goiano ainda tem um bom tempo de reinado pela frente quando o assunto e rock independente, principalmente pela união que existe entre os músicos. "Em Goiânia tem bandas e antes de músicos somos amigos, acho que isso faz com que a cena se fortaleça".
MUGO
O único músico que eu conhecia do Músico era Leo Alcanfor (ex-Violins). Portanto, nada do que ouvi esta noite remete ao Violins. O Mugo faz metal, sim, tem uma pegada new metal que as vezes remete a bandas como Deftones mas os caras tem a moral para fazer rock pesado e melódico com seus momentos guturais, bem na linha do bom e velho Sepultura, tambem made in Brasil. Eles mostraram musicas do disco que saira em marco, entre elas "Sick of You" e "Scratch". No ano passado eles abriram o Noise e desta vez o fizeram no palco principal. "É muito bom tocar aqui e senti uma energia bacana da plateia", afirma P.P., o vocalista. Compeltam a banda Gil Vieira e Andre Splinter. Sobre o disco, a parte de estúdio esta toda pronta e a masterização está sendo feita nos Estados Unidos por Alan Doltz, que trabalhou com bandas como Hatebreed e Sepultura.
AMP
A Novo Som acompanhou três shows da AMP nesta temporada, cada um mais turbinado que o outro. O primeiro CD está prontinho. "Só falta entregarem", diz o baixista Dudu. Ele e Djalma (guitarra), são ex-astronautas e tem um público já apaixonado em Goiânia. Dudu e só elogios para o debut da AMP. "Confesso que tô ouvindo nosso disco pra caramba".
GUIZADO

O Noise sempre traz bandas experimentais, que enveredam por vários caminhos. A Guizado e literalmente uma dessas viagens sonoras. Guilherme Mendonça (trompete e eletronica), Rian Batista (baixo), Regis Damasceno (guitarra) e Luciano Curumim (bateria) não arriscam a se colocar em uma prateleira. "A gente faz um rock eletrônico com psicodelia e improvisação". Na estrada a quase dois anos, lançaram o primeiro disco em junho passado, "Punx".
BLACK DRAWING CHALKS
Os novos queridinhos de Goiânia já podem se dar ao luxo de fazer um show com poucas musicas do único CD lancado e mandar ver em novos sons disponíveis apenas no MySpace. Música velha ou não, não falta quem cante junto com eles. Durante a entrevista com o baixista Denis alguém se aproximou: "cara, você é Deus. Se a gente não fosse a gente a gente seria vocês". Calma, eu explico. O admirador é o Pata, da banda paulista Holger. Foi a maior babação em cima do BDC. Até o Denis ficou sem graça.
AMBERVISIONS
Quem resume o show do Ambervisions nesta edição do Goiânia Noise é o vocalista Zimmer: "foi a única banda que fez noise de verdade no Noise". Os caras horrorizaram, com direito a zoar o tempo todo com várias personalidades. Nem Mallu Magalhaes e Marcelo Camelo escaparam. Mas Zimmer afirma que no palco e 100% brincadeira, zuação mesmo. "Não temos nenhuma opinião para emitir e assim é que bom". Márcio Jr (Mechanics) fez uma breve aparição no show. Entregou ao Ambervisions o troféu de Melhor Banda do Noise e do Mundo. Mais tarde, Zimmer jogou o troféu para a galera. E mais: um dos meninos da banda Os Legais jogou água na platéia...da própria boca. A provocação não agradou muita gente e receberam em troca muita lata de cerveja e insultos de parte da platéia. Nem isso intimidou Zimmer, que no final foi pro meio da roda de pogo.
GANGRENA GASOSA
Essa tem um nome a zelar. A representante brasileira do sarava-core volta a ativa para deleite de novos e velhos fãs. Músicas como "Deus é 10", seguida pelo complemento "Satanás é 666" e Terreiro do Desmanche foram cantadas a plenos pulmões. E para voce que tem vergonha de contar que não entendeu Matrix, o Gangrena pode te ajudar. "Eu não entendi Matrix" deve entrar no seu tracklist. Muita energia e humildade no palco. O vocalista Chorao deu uma entrevista para a Novo Som e o Zine Paginas Vazias. Sobre o fato de a banda praticamente não ter comparativos no mercado nacional, ele afirma ser por conta da ideologia que seguem e vivem. "Somos a única banda de black metal brasileira. Falamos do que vivemos e para nós nada melhor do que ser anti-tudo, fazer nosso som, curtir uma cerveja e a mulherada". Sobre os festivais, cujo circuito eles entraram recentemente, ele apoia as iniciativas e entende todo o trabalho para fazer o negócio girar. O disco novo te previsão de lançamento para março de 2009 e vai sair com um esquema de videoclipe e até história em quadrinhos.
THE DEAD ROCKS
A bordo de "One Million Dollar Surf Band" o trio de São Carlos (SP) desembarcou mais uma vez em Goiânia. O show, impecável, desde o figurino até a presença de palco e ocupação do mega-espaco a eles destinados no palco principal do Noise. Guitarra, baixo, bateria e ternos bem cortados. E claro, muito talento e paixão pelo que fazem foram determinantes para a boa apresentação. Após o show, o baterista Marky falou comigo e fomos interrompidos por um dos seguranças que queria um CD. "Esse tipo de reconhecimento e muito importante para nós. Os caras estão trabalhando, às vezes nem são tão 'entendidos' de música, mas gostam do nosso som". Essa simplicidade vem das influências do rock dos anos 50 e 60 quando o rock era usado mesmo para colocar o povo para dançar nos bailes, e esta é a ideologia do Dead Rocks, transformar seus shows em grandes bailes.
MQN

Não adianta colocar o MQN nos mega-palcos. Sem duvida nenhuma os palcos pequenos são mais a cara, o jeito, a vibracao MQN. Pequeno ou grande, o palco será invadido de qualquer jeito antes do fim da ultima música, seja ela "Red Pills", "Burn, baby Burn". Fabricio Nobre, insano como sempre, e de poucas palavras, mas confirma a paixão pelos palcos underground. Gustavo (baixo) disse que eles pediram para tocar no palco menor desta vez e não se arrependeram nem um pouco. Ah sim, o palco foi invadido, o baixo de CJ, e ele, foram parar quase no teto e tudo virou uma grande festa regada a cerveja.
CABRUERA
Mais uma nova para mim. Apesar dos dez anos de estrada o som alternativo do Cabruera começa a ganhar espaco nos festivais independentes de rock. "Sempre divulgamos um som cancioneiro popular e agora começamos a introduzir mais rock para ganhar mais peso", disse o vocalista Arthur, que diz ainda que a proposta do grupo é sempre fazer um disco diferente do outro.
BLACK MEKON
O Black Mekon tocou em Uberlândia um dia antes de tocar em Goiânia. Eles curtiram muito a experiência, so sentiram pelo fato de ter pouco gente para ver o show. E quem foi, pode se considerar uma pessoa de sorte porque se eles fizeram em Ubercity metade do que arrumaram aqui em Goiânia, foda! Não importa se você não conhece nenhuma música, se nunca viu os caras, nada disso interessa quando você esta no show, eles cuidam de te enterter. Como uma boa banda britânica, o terninho so ajuda a melhorar a performance, com máscaras então, mais sexy, mais rock and roll, mais dane-se, estamos aqui para nos divertir. A entrevista com o trio rolou sem mascaras. Estao felizes por estarem no Brasil. Eles, como muitos músicos brasileiros, além de shows e CDs também se viram em "trabalhos formais". "A gente faz o que gosta e quando se entra no esquema das grandes gravadoras você perde o controle da sua música e isso não nos interessa".
BLACK MOUNTAIN

Do Canadá para o Brasil o Black Mountain trouxe um rock quase orquestrado, que tem lá seu valor com ou sem vocal. A desenvoltura harmônica dos caras e o modo introspectivo que tocam trazem uma atmosfera cool para a arena. Este ano eles se apresentaram em festivais do porte do tradicional Coachela. Na América do Sul, o Brasil foi o único país a ver um, ou melhor, dois shows da banda, Goiânia e São Paulo. Conversei com a vocalista Amber e o tecladista Jeremy. Eles não tinham a mínima idéia do que encontrariam por aqui e a resposta do público agradou nos dois shows. "Não importa a forma como se manifestam ou se conhecem ou não nossas músicas, contanto que curtam o show.
THE FLAMING SIDEBURNS
Eu tenho um carinho muito especial pela Finlândia, principalmente porque uma de minhas melhores amigas nasceu lá. Sempre que uma banda finlandês aparece nesses eventos eu faço questão de conferir. No caso do The Flaming Sideburns, cujo vocalista Edurardo e nascido na Argentina, o que se vê é algo mais próximo do classic rock. Músicos bem posicionados, interativos e um figurino impecável. Eduardo e uma mistura de Mick Jagger e Robert Plant. Não sei como conseguiu se equilibrar na grade de proteção com aqueles sapatos plataforma. A resposta do público foi meio a meio. Parte gostou e participou e outra parte parecia mais curisosa em conferir a forma física de Eduardo. Entre outras coisas que conversamos minutos antes do show, eles falaram que a Finlândia não é um lugar muito saudável para ficar o ano inteiro. Sempre que podem, eles viajam para fugir do inverno rigoroso.
INSTITUTO
Muito balanço para fechar a segunda noite do Noise. Instituto, esse projeto com pesos-pesados da música nacional (BNegao, Funk como Le Gusta, Thalma Soares, Ganjaman, Dafe) colocou todo mundo para dançar com seu show Racional. Muitas vozes, percussão e uma interatividade fantástica para uma banda com 14 integrantes. Em uma conversa com Thalma, BNegao, Ganjaman e Dafe, descobrimos que os caminhos deles se cruzaram há 14 anos. "Eu encontrei o B no Junta Tribo", conta Ganjaman. E hoje eles viajam o circuito de festivais não só como músicos. "A gente dá um jeito, certo dia encontrei o Ganja fazendo P.A. em um festival que eu ia trabalhar como iluminador", conta BNegao.
BASTIDORES
Por hora é isso... dormi pouco, tomei café mas não vou almoçar. Vou tentar dormir um pouco agora e espero conseguir fazer o mesmo esquema de cobertura hoje. Tem Helmet, cara, nem acredito. Hoje (ontem) até que meu inglês valeu para as entrevistas mas confesso que estava um pouco enferrujado para falar com os nativos. Mas, valeu, o que eu não faco por vocês, queridos leitores?
P.S.: Ainda não me entendi totalmente com este notebook. Assim não consegui postar nenhum video ate agora. Mas as fotos voce pode conferir no www.myspace.com/adreana. No www.youtube.com/AdreCobain já tem vários vídeos também.
DOMINGO, 23/11/08
O domingo no Noise começou pesado para esta colunista. Enquanto aguardava a van que faz o trajeto hotel-Niemeyer, por volta das 17h30, eis que surge Page Hamilton, do Helmet, a grande atração do festival. Acompanhado pelos novos membros da banda, dois produtores e um roadie ele tomou logo o rumo do quarto para descansar da viagem de São Paulo (tocaram no Noise SP porque um show de Brasília foi cancelado). Bem que eu queria falar com ele, mas, achei melhor deixar para outra hora. Me certifiquei com o Sérgio, que acompanhou o Helmet no Brasil, de que no local do show Page falaria com a gente.
HEAVEN´S GUARDIAN
O peso do início do último dia do Goiânia Noise Festival 2008 estava nos acordes e nos vocais agudos da banda de metal Heaven´s Guardian. Perdi as duas primeiras atrações da noite, uma pena. Entre as músicas apresentadas estavam "Doll" e "Just Believe", que segundo o vocalista Mário Linhares, tem tudo a ver com o momento deles. Figurino digno de uma banda de metal, com direito a ventilador no palco para realçar os longos cabelos, o Heaven´s Guardian perdeu o vocalista anterior, Carlos Zema, para uma banda de Houston, nos EUA, e quase perdem o baterista, Paulera, para a morte. O domingo foi especial para eles porque Paulera, que teve um sério problema cardíaco e segundo o médico, contou Mário, "chegou aos 45 do segundo tempo", ficou sabendo no domingo que estava fora de perigo e participou de parte do show. As boas notícias chegam e aos poucos a banda pretende voltar ao cenário local, regional e nacional. Quando não está à frente do Heaven´s Guardian Mário Linhares é um funcionário do Banco do Brasil em Brasília, o que não o impede de ensaiar e tocar na capital goiana. "A gente é como uma família e não estamos nisso só por dinheiro. Se um dia rolar a subsistência só pelo trabalho da banda ótimo, enquanto isso, a gente se vira em outros trampos também, o que não pode é deixar de fazer nosso som".
HILLBILLY RAWHIDE
Do metal para o country, ou se preferir, bluegrass ou western. Isso mesmo, o Noise foi invadido por chapéus de cowboy, botas de bico fino, jeans surrados e camisas xadrez. E com eles violinos, contrabaixo acústico, banjo e músicas que colocaram todo mundo para dançar. Segundo o vocalista Cox, a Hillbilly Rawhide é uma das poucas do Brasil em seu estilo e por isso toca em festivais country, reggae, rock, pscycobilly, bares, e onde mais convidarem. "De enterro a aniversário de criança tá valendo", afirma o simpático vocalista. O som da banda é realmente contagiante, difícil de ficar parado. Rolou até um bis e para a alegria dos roqueiros, emendaram "Highway to Hell", do AC DC com "Ace of Spades", do Motorhead.
MOTEK
Os músicos da banda belga Motek não eram difíceis de se identificar pelo típico aspecto europeu de pele branca, mais avermelhada pelo sol do Brasil, olhos azuis e um jeito meio perdido zanzando pela arena ou pelo hotel. Eles podem até ser figurinhas fáceis, mas a som que fazem é bem complexo. Tanto as músicas instrumentais quanto aquelas que contam com vocais masculino, feminino e misto, seguem um tempo irregular cujo ritmo varia do experimental ao pop. A tecladista, que lembra a Dolores O´Riordan do Cranberries, um pouco mais saudável, deixou o palco durante algumas músicas e retornou no final. "Temos tempo só para mais uma canção? Nossa, é curto mesmo", disse um dos guitarristas e vocalista quando soube que seu tempo estava praticamente estourado. Conversei com um dos membros da banda, guitarrista e também vocalista Wout, que junto com o baterista e o guitarrista são a base da banda. Fiquei sem jeito de perguntar porque não tenho ouvido muito bom para essas paradas técnicas e notei que em vários momentos do show o som parecia subir ou descer do nada, chegou a ficar como se um disco de vinil muito velho estivesse tocando. Podia ser algum "diferencial" da banda, mas não era. Durante o show deles um dos P.A.s começou a dar problema. "Somos experimentais, mas nem tanto, tivemos alguns problemas técnicos durante o show", afirmou Wout. Na véspera eles tocaram no estúdio montado na arena e segundo ele foi dez vezes melhor do que o show. "Como algumas músicas têm uma estrutura complexa demoramos para nos acertar e o tempo para tocar é muito curto, mas acho que algumas pessoas gostaram". Para ele, que percebeu que no festival tinha definidas bandas de rock e de metal, o Motek venceu um grande desafio durante a apresentação. Os caras estavam muito felizes porque, enquanto eu arrumava minha mala, depois de chegar do encerramento do festival, lá pelas quatro da manhã, eles estavam fazendo a maior festa na piscina do hotel...e estava um frio...
BANG BANG BABIES
Como inglês do belga Woult e o meu não são dos mais fluentes, acabamos levando mais tempo no bate papo depois que a banda deixou o palco, muito depois do final do show. Conseqüência, peguei a última música do Bang Bang Babies. A galera gritava mais um e a banda deixava o palco. Só tive tempo de perguntar para o Pedro (vocalista), o que ele tem ouvido ultimamente.
THE GANJAS
Os chilenos do The Ganjas chegaram em Goiânia sem saber a hora que deveriam partir do dia seguinte para Brasília, onde tinham um vôo marcado. Para ajudar os hermanos Pablo (baixo) e Sam (guitarra) emprestei meu laptop para conferirem seus horários. Tudo resolvido, hora de tocar. O quarteto mostrou-se entrosado e à vontade no palco. O som, um rock com algumas interferências de outros estilos que vão do blues ao dub. "Nossa música é uma mistura, não fica só no rock". Fecharam a apresentação com "Motoqueiro", uma música nova que estará no próximo disco que receberá os retoques finais quando retornarem ao Chile.
MECHANICS
Única banda a tocar em todas as edições do Noise, o Mechanics, surpreendeu, mais uma vez, ao começar com um set acústico. "Queremos pegar todo mundo no contrapé mesmo", disse o vocalista Márcio Jr. Se no ano passado eles causaram ao usar atores durante a apresentação, dessa vez começaram pegando leve, mas a grosseria de sempre logo estava presente no pequeno palco circulado por ardentes admiradores dos goianos. Em entrevista a Thiago Pereira, do Alto Falante, o vocalista Márcio Jr. Comentou: "Vamos ver quem acaba primeiro, eu ou o Noise", parece um desafio tentador enquanto o festival caminha para a 15ª edição. "Quinze anos é um marco. Estamos em contato com bandas de Marte, Vênus...", brincou. Para ele o importante é seguir com o Mechanics por meio de trabalhos que sejam relevantes e não repetir fórmulas ou seguir a modinha da estação, assim como fazem mestres como David Bowie.
LOOP B

Ele é considerado um dos precursores do eletrônico no Brasil. No palco com Loop B os sons saem de carrinhos de obra, placas de alumínio, furadeiras e uma variedade imensa de objetos que nada têm a ver com música, mas que acabam sendo parte da música. De repente ele some do palco para reaparecer com uma espécie de tambor envolvendo os ombros e tocado na pista, junto ao público. Depois da apresentação, durante a entrevista, ele percebe que o joelho está sangrando. "Eu nunca sinto quando me machuco", comenta. Se em Cuiabá surgiu o conceito do músico igual pedreiro, que deu nome ao primeiro disco do Macaco Bong, Loop B pode assimilar o ditado para o seu eletrônico que sai dos equipamentos super caros e hightech para peças que se encontra facilmente em uma construção. Além de seus shows, Loop B compõe trilhas para shows de dança, teatro e trilhas diversas. Seu novo disco, Farinha Digital, é uma parceria com o violeiro paraibano Pedro Osmar e vem calcado na cultura nordestina.
THE TORMENTOS
Os argentinos estavam com um figurino impecável e um surf rock apurado no palco Trama Virtual do Noise. O público aprovou e percebi que o grupo angariou novos fãs que não arrastaram o pé da grade até conseguir uma foto ao lado dos hermanos. O vocalista e baixista Dacho afirmou que este foi o melhor show da banda no Brasil, esta é a segunda passagem deles por aqui. "O público foi incrível, foi o mais legal de todos os shows que já fizemos no Brasil". Mas ele garante que ainda não se sente em casa por aqui. "Precisamos vir mais vezes para criarmos este vínculo".
CLAUSTROFOBIA
O metal está sempre presente no Noise, independente de ser hype ou não, os camisas-preta sempre terão seu espaço e um nome como Claustrofobia foi uma boa escolha. No palco principal, o Monstro, continuava a montanha russa no som. Percebia-se pelas vezes que os músicos olhavam para a lateral do palco fazendo um sinal de "para cima". Após a primeira turnê pela Europa, e muitos contatos feitos, eles voltam as atenções para o Brasil e para um novo disco, sucessor de "Fulminant" (2005). "Temos algumas propostas e estamos avaliando. Não queremos simplesmente colocar o disco no mercado a qualquer custo, de qualquer jeito", afirma Marcos. Em 2008 eles ficaram por conta de se organizar e o show no Noise trouxe um novo fôlego para o grupo que deve voltar com tudo no próximo ano. "A gente está sempre produzindo, compondo ou tocando porque só dessa forma a sua sonoridade evolui", afirma o vocalista que também gosta de ouvir bandas novas da cena trash e heavy metal e incentivar esses novos trabalhos.
PERIFERIA
Um show punk rock no talo. Assim foi a avassaladora apresentação do Periferia no Noise. Jão (guitarra e voz), Jéferson (baixo) e Bauer (bateria) agitaram a roda de pogo com seu protesto social sem meias palavras. O show foi rápido, direto e destruidor...nem parece que o trio fez apenas quatro ensaios, segundo Bauer. Ele, que é baterista do Atroz, foi chamado quando o Betinho disse que não poderia tocar. "Topei na hora", afirma o batera peso pesado. Jéferson, que segurou o baixo, é da banda Agrotóxico.
INOCENTES

A velha guarda do punk nacional foi bem lembrada nesta edição do Noise. A confraternização da galera do Periferia e Inocentes nos bastidores elevou o clima de "brodagem" no último dia do festival. "Pode bater palma que a gente aceita", disse Clemente. A banda fechou a apresentação com "Pânico em SP". Antes do show do Helmet conversei um pouco com o baixista Anselmo e com o baterista Nô. Sentados na escada que dava acesso ao palco, quis saber como o militante punk Anselmo via o estilo hoje. "Tem muita coisa ruim, não posso mentir para você". Ele vem de uma época em que para conseguir gravar uma música, mostrar o trabalho fora da cidade era uma maratona extremamente difícil. Com a Internet e o avanço da tecnologia uma banda produz um single atualmente mais rápido do que o processo de xerocar mil flyers para divulgação de um evento. "Mas a internet mantém bem viva a filosofia faça você mesmo do punk. A galera pode gravar, disponibilizar as músicas e ser conhecida sem passar por uma gravadora", diz Nô. Para Anselmo, em muitas bandas que vão na onda da "modinha punk" falta alma. Tem o visual, mas não tem conteúdo. "Eu sou meio saudosista, quando comecei no punk era época de ditadura e eu era funcionário público, agüentei muita coisa por conta do visual e sentia na pele o que representa o movimento", disse Anselmo. "Hoje em dia você entra de um jeito pela porta de um shopping e sai punk pelo outro lado", afirma Nô. Por isso, para eles, falta muita autenticidade no que se faz atualmente.
HELMET

O Helmet merece um capítulo a parte nesta edição do Goiânia Noise. Por que? É raro ver o show dominar uma banda no palco como o Helmet foi dominado por sua própria performance no domingo, no Centro Cultural Oscar Niemeyer. Geralmente é o contrário, os músicos crescem durante a apresentação, começa devagar, tem o momento de pico e naturalmente cai um pouco até o final do show. O Helmet seguiu reto do início ao fim.
Page Hamilton (guitarra e vocal) tem novos companheiros para a banda que formou há quase 20 anos (1989). Kyle Stevenson (bateria), Jon Fuller (baixo) e Dan Beeman (guitarra), são seus novos companheiros de banda. "Estou muito feliz com eles, são ótimos músicos e estão entusiasmados com o trabalho", disse Hamilton, pouco antes do show. Vestindo uma blusa cinza e jeans, ele atendeu alguns jornalistas na sala de imprensa do Noise. Simpático e falante, parecia satisfeito com o show na noite anterior em São Paulo (Noise SP), após ter um show cancelado em Brasília (22).
Não estamos nos anos 90 mais e nem o Helmet está. A música continua soando atual e poderosa. "Unsung", "Milquetoast", "See You Dead", "I know", "Crashing Foreign Cars" e "Swallowing Everything" estavam no repertório que fez a alegria de fanáticos que se esticavam na frente do palco para chamar aten&cced

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