Hoje não tem mega post no blogão zapper. Normal. Fora algumas notas inadiáveis por aqui, este espaço rocker virtual quer mesmo é dizer algumas palavrinhas ao seu amado leitorado, que tem acompanhado Zap’n’roll nos últimos cinco anos, desde que o blog ainda era uma coluna online – e que, muito antes disso, era coluna impressa mesmo, há quinze anos, nos tempos heróicos do jornalismo musical brazuca que ainda existia em forma de revista física, em uma época onde não havia internet, blogs, fotologs, mp3 e essas bobagens modernas todas sem as quais ninguém vive hoje em dia, nem mesmo o autor destas linhas online, que na verdade detesta quase tudo isso e é um saudosista dos tempos do vinil e da máquina de escrever.
Então, o blog que sempre procura acompanhar atentamente tudo o que rola aqui e lá fora em termos de rock alternativo e cultura pop, e que sempre procura também emitir sua opinião sobre aquilo que está reportando, quer mesmo é agradecer hoje todo o carinho e atenção que ele sempre recebeu de seus leitores. E também agradecer mesmo aos que só vêm aqui para criticar, afinal receber elogios e afagos no ego é muito fácil, o difícil é aceitar críticas e extrair bons ensinamentos delas, por mais contundentes que sejam estas críticas.
Não é fácil manter um blog sobre cultura pop em um tempo em que milhões de blogs pululam pela internet. E ainda mais mantê-lo por loooongos cinco anos. Quando a coluna Zap’n’roll começou a ser publicada no portal Dynamite online, haviam poucos espaços virtuais dedicados a este tema na rede. Hoje, são milhares. Então, esta saudável e bem-vinda concorrência só nos estimula a prosseguir com nosso trabalho e a aprimorá-lo cada vez mais. E sempre contando com a ajuda de quem é a personagem mais importante dessa parada toda: você, leitor.
Por isso, hoje, não tem post com resenhas, comentários etc. Mas sim este texto (e mais algumas notinhas rápidas, mais aí embaixo) e o sincero agradecimento a todos que acompanharam estas linhas zappers nos últimos cinco anos. Sábado tem festão de aniversário do blog no clube Outs/SP (lá na rua Augusta, 486, centrão rocker de Sampa), com showzaços do Rock Rocket, Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria, Detroit e Remoto Controle, mais as discotecagens de André Pomba (a lenda do Grind), Pablo Miyazawa (o super monge japa zen da Rolling Stone, hihi), Click, João Carvalho e Tolói (da bombada festa Orgástica), Tati e Valentim (da Outs, claaaro) e Zap’n’roll. E todo mundo está convidado a comparecer lá, a partir da meia-noite, pra comemorar conosco, okays?
E semana que vem o blog volta ao ritmo normal, falando da glam nation paulistana e também trazendo dois diários sentimentais em um, sobre duas bandas que estão aí, chegando ao Brasil, e que marcaram a vida de Zap’n’roll: Jesus & Mary Chain e REM.
Como diz o outro lá: é nozes!
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* Agora parece que foi: o quinteto cuiabano Vanguart, o principal nome do novo rock brasileiro, assinou contrato ontem com a gravadora Universal, também o lar dos cariocas do Moptop. O primeiro disco pela nova casa (e o segundo trabalho de estúdio da banda) deve sair em 2009, e poderá ser um disco ao vivo. Também nos planos da gravadora a edição de um dvd da banda - provavelmente com o show realizado recentemente no Sesc Pompéia, em São Paulo, e que contou com as participações de Mallu Magalhães e Lobão. Pois é, a Som Livre ficou moscando, moscando e a Universal não perdeu tempo. Parabéns e sorte pros Vangs na nova casa, é o sincero desejo destas linhas zappers.
* Lembrando que os Vangs tocam semana que vem, no palco principal do festival Planeta Terra.
* Falando em Planeta Terra, você ainda comprou seu ingresso pro festival? Pois é, parece que os tickets todos já eram.
* E nada mais a acrescentar sobre o Tim Festival deste ano, já que todo mundo já falou tudo a respeito. Apenas, talvez, que o MGMT matou a pau no sábado, na arena do Ibirapuera, e salvou o festival do fiasco completo.
* Quem pode, pode: apesar de ter acabado de lançar um disco meio assim, o velho goth The Cure está na capa da NME desta semana, a mesma NME que dificilmente hoje em dia põe em sua capa alguma banda com mais de cinco anos de existência. O título da matéria, sintomático, é ótimo: "Back in Black". Só podia...
* Quem pode, pode II: o U2 vai lançar seu novo disco apenas no começo do ano que vem. A previsão inicial para a chegada às lojas do novo álbum dos irlandeses era dezembro agora mas as gravações estão atrasadas. Então os fãs vão ter que esperar mais um pouco.
* E não é que após lançar apenas virtualmente (com download pago) o último álbum dos sempre amados Manic Street Preachers, a Sony resolveu botar nas lojas a versão física do dito cujo? Pois é, pode ir atrás de "Send Away The Tigers", que ele é bem legal. A capa do disco é essa aí embaixo:
* E uma amostra do som dos Manic você pode conferir aqui:
Manic Street Preachers ao vivo, no festival de Reading deste ano
BALADAS DA SEMANA
Hoje, quinta-feira, tem festa de lançamento do primeiro álbum da banda Redskadu (que foi produzido pelo nosso gênio dos teclados, o Astronauta Pinguim), com direito a coquetel vip, lá no Ocean Club (rua Nestor Pestana, 189, centrão putão de Sampalândia, rsrs). Já na Funhouse (rua Bela Cintra, 567, Consolação, região central de Sampa) tem a festa Lowntown, comandada pela bela Indayara Moyano e com show do grupo GI Joey.///Sextona ferve na Outs com shows do Magic Pie e Superdose. No Inferno (rua Augusta, 501) rola putaria rocker com Baranga e Martiataka.///E no sabadon, além da mega festa de cinco anos do blogão zapper na Outs, tem também a festa Glam Nation no Inferno, mais Cassavettes no Belfiori (rua Brigadeiro Galvão, 871, Barra Funda, zona oeste paulistana).///Fechando bem a tampa do finde no circuito alternativo da cidade, tem o já clássico quarteto riot girrrl americano The Donnas lá no Inferno, no finalzinho da tarde do domingão. E não esquecendo: pra quem curte cinema e artes plásticas, a capital paulista continua com a Mostra Internacional de Cinema (alguém foi ver a biografia do Chê, filmada pelo Steve Sondenberg? E o documentário sobre o "loki" Arnaldo Baptista, o homem que fundou Os Mutantes?), e também agora com a Bienal Internacional de Artes Plásticas, que vai até dezembro no Parque do Ibirapuera. Portanto: se joga!
PRÊMIOS SAINDO... EM PARTE
O blog revela, aí embaixo, que vai na faixa no festão de cinco anos da Zap’n’roll, neste sábado na Outs:
* Raquel Altoe, Vivok (???), Éwerton Soares, Franco Jr. e Adriana Ribeiro, todos com direito a um(a) acompanhante, certis?
E o Planeta Terra? Bien, bien, parece que os ingressos foram pro beleléu de vez. Portanto, agora sua única chance está AQUI MESMO, no blogão zapper, que continua pondo em disputa:
* CINCO TICKETS NA FAIXA pra você curtir o grande festival deste final de ano em São Paulo.
Então corra no finatti@dynamite.com.br que a coisa já tá preta por lá (mais de 150 mensagens desesperadas recebidas até o momento). Na próxima semana, provavelmente na quinta-feira, a gente solta aqui o nome de quem ganhou os passaportes da alegria rocker, okays?
FESTA NA FLORESTA ROCKER
O blogão se vai porque sábado o bicho vai pegar na Outs/SP. Se sobrevivermos, estaremos de volta aqui no comecinho da próxima semana, sempre com muuuuito mais, falouzes? Até!
(enviado por Finatti às 14hs, em post que foi escrito ao som dos novos discos do Kaiser Chiefs e do Manic Street Preachers)
(atualizado no sábado, 25/10/2008, à tarde, sendo que os "indies em guerra" fica para o próximo post, hihi. Vai lendo aê)
* Zappeando na área, em pleno sabadón de calor terror em Sampalândia. Lá no tópico do Kaiser Chiefs você vai ler que o discão é bão pra caralho! E aqui em cima mesmo, aí embaixo...
* TIM FESTIVAL NA ÚLTIMA QUINTA – Bien, bien, lá se foi o zapper pro Parque do Ibirapuera, um lugar sempre ótimo e aprazível pra se curtir, ainda mais quando ele abriga um evento do tipo festival de música. E o que deu pra notar (ou confirmar) na última quinta-feira à noite, é o que todo mundo já está careca de saber: o Tim Fest2008 vai se configurando como o grande fiasco do ano. No auditório Ibirapuera, menos da metade da lotação foi ocupada pra assistir Roberta Sá, Marcelo Camelo e Arnaldo Antunes. Sem desmerecer as demais atrações, o blogger rocker foi lá para conferir o show do ex-Hermano, não apenas por obrigação profissional mas também porque Zap’n’roll sempre achou, sim, Los Hermanos uma banda decente (principalmente em sua fase final). E o show de Camelo entregou o esperado: canções melancólicas, de instrumental rebuscado e denso (por conta da participação do grupo instrumental Hurtmold, que é fodão), com boas letras e boas interpretações vocais. Além de tocar duas de sua ex-banda, ele mostrou o repertório total de seu primeiro álbum solo ("Nós") e encerrou o set com uma canção inédita, sintomaticamente chamada "Despedida". Foi um show ok, no final das contas. Mas que começou com o atraso habitual, o que fez com que o sujeito aqui perdesse quase todo o show do Klaxons, realizado numa arena que também estava beeem vazia. E o que deu pra ver do Klaxons é que a banda é mais rock ao vivo e tals, mas ainda loooonge de ser algo espetacular (a não ser para alguns indie "mudernos", que pulavam freneticamente na frente do palco). Hoje, sabadão, tem mais e o que este blog espera é assistir um ótimo show do The National e do MGMT. Tomara que seja assim!
* Aliás, os tempos "bicudos" pelos quais estamos passando se refletiu, inclusive, na sala de imprensa do Tim. Se há alguns anos os jornalistas eram tratados com Coca-Cola, sucos naturais em caixinhas, cervejas em lata, sanduíches de metro e pastas variadas para passar em mini-pães, este ano havia refrigerantes "It!" (???!!!), sucos em garrafa plástica da mesma marca, apenas um tipo de geléia e mini-sanduíches de queijo e mortadela ou de queijo e tomate seco. Pois é...
* E se você pensa que o diretor de cinema Guy Richie, que acabou de levar uma botinada no traseiro de Madonna, sua ex-mulher, está deprimido com a separação, pode esquecer: Guy já badala à toda na "naite" londrina, na companhia de amiguinhos como o ator Jude Law. É isso aê: ela não quis, tem quem queira, uia!
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O velho goth Cure e o novo indie Kaiser Chiefs: duas gerações mostrando seus novos cds
Sai de baixo que esse post vai ser hooot!
Se você duvida, vai lendo. Ele começa a ser escrito em plena tarde de quinta-feira, já com a flopada edição 2008 do Tim Festival rolando a todo vapor em Sampalândia (e onde o zapper pau pra toda obra estará logo mais à noite, pra conferir os shows de Marcelo Camelo – uia! – além do maleta Klaxons. Pois é, obrigações profissionais, afinal o sujeito aqui também é repórter/colaborador do caderno de cultura do prestigioso diário econômico Gazeta Mercantil. E como a querida editora do caderno, que em tese é "chefe" do autor deste blog, acha que mr. Camelo merece uma materola por lá na próxima semana, quem somos nós pra dizer o contrário?). Portanto, se a parada aqui for saindo meio em conta-gotas, tenha paciência e não repare. A correria está sendo grande, a vida está dura e até sábado Zap’n’roll meio que estará mergulhada no Tim (e torcendo, inclusive, para que pelo menos os shows do MGMT e do The National valham à pena). Afinal, temos muuuuito o que contar aqui sobre velho e novo rock, sobre os indies em guerra (ainda...), mais isso e aquilo tudo. Então, vamos nelson e se tudo não for concluído hoje mesmo, pode esperar que até sexta ou sábado você terá na tela do seu micro um mega-post, com as infos e comentários mais legais que um blog de cultura pop e rock alternativo pode te oferecer. Aqui não perdemos tempo com bobagens, só com que realmente interessa. Capicce?
* Aliás, blog campeão de acessos é isso aê: o segundo post que continuava comentando sobre a fogueira das vaidades que começa a crepitar na indie scene nacional, e que trazia uma entrevista com um dos envolvidos no tema (o produtor Pablo, da cooperativa cuiabana Cubo), bateu todos os recordes de audiência da história de Zap’n’roll. Até agora, são 46 comentários no espaço reservado aos leitores. Isso mesmo, 46 comentários em um blog que não está hospedado em nenhum mega portal mas, sim, em um modesto porém conhecido e respeitado site dedicado ao rock alternativo e à cultura alternativa em geral, o nosso mui amado Dynamite online. É isso. Sem falsa modéstia: a assinatura de quem escreve um blog faz toda a diferença nessa história de blogosfera, onde pululam uns duzentos milhões de blogs. Não basta ser um aventureiro, escrever e querer ser o tal (muitas vezes sem ter a mínima condição de sê-lo). É preciso ter conhecimento de causa e histórico pra tocar a coisa. Zap’n’roll, felizmente, possui ambos. E também agradece, com humildade, a participação de seu enooorme leitorado pois sem ele, nós não estaríamos aqui hoje, comemorando este recorde. Com certeza.
* Ah, sim: ainda neste post (ou no próximo), o blogão zapper vai continuar investigando o que está havendo em nossa cena alternativa. Para isso, já está agendada uma entrevista com músicos da banda Los Porongas, que só não rolou ainda porque o atrapalhado blogueiro aqui está todo enrolado com seus horários. Mas calmaê que voltaremos a este, hã, palpitante assunto.
* Tão falando demais no Kanye West, pelamor. Alguém aí foi no show do sujeito? O blog não fez a menor questão de ir. Aliás, falando em Kanye West, ponto para o nosso mui amado blog vizinho Popload, ele mesmo, o que é escrito pela leeeeenda mor do colunismo pop virtual brazuca, dear Luscious Ribeiro primeiro e único! Pois não é que a Popload informou, em furo exclusivo e mundial, que o autor destas linhas rockers virtuais estava na entrevista coletiva do rapper americano? Nem Zap’n’roll sabia que ela estava lá, uia!
* Don’t Like Modern Bands. Afirmação? Não, o nome de uma banda de rock de Lavras, interior mineiro, tocada pelo músico Chible Haddad. Já tem o voto do blog para melhor nome de banda dos últimos tempos.
* A pergunta que não quer calar: será que agora vai??? Após consumir catorze anos e US$ 13 milhões em gravações (é isso mesmo que você está lendo), segundo o site da NME o "Chinese Democracy", o disco do Guns N’Roses que já virou lenda, agora vai mesmo ser lançado. A data para a chegada do dito cujo às lojas é 24 de novembro. Será???
Axl e sua "democracia chinesa": será que agora vai?
* Os títulos das faixas do álbum, já amplamente divulgadas, são estes: 'Chinese Democracy', 'Scraped', 'Shackler's Revenge', 'Street Of Dreams', 'If The World', 'Better', 'This I Love', 'There Was A Time', 'Riad N' The Bedovins', 'Sorry', 'I.R.S.', 'Catcher', 'Madagascar', 'Prostitute'. E a capa da "obra mais adiada de todos os tempos no rock" é essa aí:
* Já o novo disco do Snow Patrol, "A Hundred Million Suns", sai no próximo dia 27, naquele veeeelho formato que chamamos de cd – na net, ele já está vazado por tudo quanto é canto. O SP era uma banda indie legal que ficou miliardária, e se tornou uma mega banda não tão legal assim. Tipo, o primeiro disco por uma major, "Final Straw", ainda conservava uma certa "pureza" de guitarras alternativas. Mas aí, no trabalho seguinte, o horrendo "Eyes Open", a vaca foi pro brejo e os caras venderam horrores. O blog ainda não teve paciência pra ouvir este "A Hundred Million Suns" mas promete fazer isso, em nome de nosso dileto leitorado, nos próximos dias. E a capa do cd é essa aí embaixo:
* E o Cure novo, hein?
* E o Kaiser Chiefs novo, hein???
O VELHO BOB CONTINUA GOTH
Um dos maiores nomes do rock inglês em todos os tempos, lenda maior daquilo que ficou conhecido como "gothic rock", o Cure lança na próxima segunda-feira a versão física de seu novo álbum, batizado "4:13 Dream" – como é de praxe nestes tempos de internet, o disco já circula na rede e pode ser encontrado ainda com alguma facilidade, visto que vários links que disponibilizavam o álbum na íntegra, foram "desabilitados" pela banda. É o décimo terceiro disco de estúdio (há ainda uma infinidade de gravações ao vivo e coletâneas) de uma banda que já está na ativa há mais de três décadas, já que ela foi fundada em 1976, em Crawley por um ainda adolescente Robert Smith. O mesmo Smith que segue à frente do grupo até hoje, cantando, compondo todas as músicas e tocando guitarra.
Não deve ser fácil ser Bob Smith. Ostentar, quase aos cinquenta anos de idade (ele está com 49), aquela aura melancólica e perenemente depressiva, estar sempre vestido de preto, com a cabeleira armada para cima, os olhos borrados de delineador preto. Enfim, a persona mítica que acabou se imiscuindo de maneira irreversível no imaginário pop e nos corações e almas de milhões de fãs ardorosos espalhados pelo mundo, este blogueiro incluso. Aliás, é bom que se diga: também não é fácil ser fã devotado do Cure durante tantos anos, mesmo com você já tendo passado dos quarenta anos de idade. É um embate íntimo muito intenso e complexo: ao mesmo tempo em que você se pega dizendo para si próprio que não está mais na idade de continuar ouvindo ou cultivando o som de uma banda como o Cure (a maldita crise de "amadurecimento", "meia-idade" ou chame lá como você quiser), você também se lembra que aquilo fez parte de uma forma intensa e absurda da sua existência durante pelo menos vinte anos (ou mais). E no caso do Cure, isso toma uma dimensão verdadeiramente assustadora quando o sujeito aqui se lembra de que ele entrevistou Robert Smith por duas vezes (uma por telefone e outra pessoalmente, em janeiro de 1996, quando a banda esteve pela última vez aqui, tocando no extinto festival Hollywood Rock, em um esforço de reportagem para chegar até o sujeito que se transformou em uma autêntica operação de guerra), quando ele se dá conta de que adorava dançar músicas do Cure na pista escura do saudoso Madame Satã, de que ele adorava ir em buracos góticos em Santo André com seus amigos goth para igualmente curtir Cure por lá e, principalmente, quando ele se lembra que perdeu uma das maiores paixões de sua vida, a liiiindaaaa Karina Gentile, de forma trágica (ela morreu em um acidente de carro em 1999, quando ela e o autor destas linhas rockers online viviam uma maravilhosa e avassaladora paixão). Tão trágica quanto são boa parte das histórias contadas pelo Cure (que Karina amava) em suas canções.
Zap'n'roll (ainda jovem, hihi) entrevistando a lenda Robert Smith
Por tudo isso que foi escrito no parágrafo acima, torna-se uma tarefa algo incômoda analisar um trabalho novo do Cure, sem ser um pouco parcial. Mas mesmo tendo uma alta dose de sentimentalismo envolvendo a operação, ao ouvir este "4:13 Dream" já por diversas vezes desde ontem, o blog novamente se viu questionando: por que fazer a mesma música ad infinitum, por mais de três décadas? Pois, afinal, o novo cd da banda entrega mais do mesmo Cure de sempre, embora com a qualidade habitual nas gravações e nas músicas. E se no trabalho anterior, "The Cure", lançado em 2004, Robert Smith ameaçou "inovar" algo na sonoridade do conjunto (na época, ele divulgou com estardalhaço que o disco seria produzido por Ross Robinson, um conhecido produtor americano de "nu metal"), ao menos no álbum que está saindo ele não teve pudor em mostrar que a banda pratica cada vez mais a auto-referência.
Esta auto-referência já fica evidente na enorme faixa de abertura do álbum, "Underneath The Stars" (com mais de seis minutos de duração) que, com sua sonoridade lassa, arrastada, de guitarras distorcidas mas dark, remete às faixas que abriam discos como "Kiss Me Kiss Me Kiss Me" (de 1987) ou "Wish" (de 1991). Na sequência surge "The Only One", bem mais curta e mais pop também: provável primeiro single de trabalho do disco (a faixa que deverá virar clip na MTV e Youtube e ser executada nas fms virtuais ou tradicionais), mostra o Cure olhando novamente e mais do que nunca para si próprio, se auto-emulando. Com as mesmas guitarras mezzo goth, mezzo dançantes e os "gritinhos" de Smith, remete imediatamente à "High", do álbum "Wish", inclusive com grande semelhança melódica. Este viés mais pop prossegue, ainda, em "The Reasons Why", na mais acelerada e curta "Freakshow" e na inócua "Sirensong".
Na verdade, o cd começa a ficar mais denso e interessante da metade para a frente. E aí, mesmo com Smith e acólitos ainda praticando o exercício da repetição estética e sonora, nos deparamos com faixas bacanas – caso do pós-punk minimalista de "The Hungry Ghost" e "Switch", da agradavelmente pop "The Perfect Boy" ou até mesmo da sombria e agônica "The Scream", cuja ambiência musical e interpretação vocal de Robert remetem aos tempos dos álbuns "Faith" (lançado em 1981) e "Pornography" (que saiu no ano seguinte), dois dos momentos mais lúgubres de toda a sinistra história do rock gótico.
Mas é o Cure, no final das contas. E este "4:13 Dream" ao menos abre a possibilidade de que a banda caia em breve na estrada, para fazer uma nova gig promocional em torno do disco. É a chance de o grupo voltar ao Brasil, onde Bob Smith promete retornar já há pelo menos quatro anos mas sem cumprir a promessa até o momento. Se eles voltarem aqui, muitas lembranças e histórias irão perpassar o espírito e a mente do já velho blogueiro rocker, enquanto ele estiver assistindo ao show. Será uma boa oportunidade para que, quem sabe, Zap’n’roll se "aposente" de vez desta infindável, prazerosa e também tortuosa trilha do jornalismo musical. Afinal, nada é eterno neste mundo. Nada.
* O Cure, hoje, é formado por Robert Smith (vocais, guitarra), Porl Thompson (guitarra, teclados), Simon Gallup (baixo) e Jason Cooper (bateria).
* O track list completo de "4:13 Dream" é: "Underneath The Stars", "The Only One", "The Reasons Why", "Freakshow", "Sirensong", "The Real Snow White", "The Hungry Ghost", "Swtich", "The Perfect Boy", "This. Here And Now. With You", "Sleep When I’m Dead", "The Scream" e "It’s Over".
* A página oficial da banda pode ser acessada em www.thecure.com.
* Sentimental que é, Zap’n’roll dedica de coração o texto sobre o Cure para a inesquecível Karina Gentile, e também para as queridas Silmara Guerreiro, Adriana Ribeiro, Luciana Menezes e o graaande chapa paranaense Cristiano Viteck, figura sem a qual este blog também não seria o que é.
CURE AO VIVO
Aí embaixo, na turnê deste ano, tocando o single "The Only One":
The Cure ao vivo – "The Only One"
O NOVO DISCAÇO DO KAISER CHIEFS
"Off With Their Heads", o terceiro álbum dos ingleses do Kaiser Chiefs, e que chega às lojas brasileiras em seu formato físico no próximo dia 30 de outubro (a rapidez do lançamento aqui tem uma explicação óbvia: o KC é o headliner do festival Planeta Terra, que rola em São Paulo no próximo dia 8 de novembro), é de longe o melhor disco lançado até o momento pelo quarteto formado em Leeds, no final dos anos 90’. Tipo assim: o primeiro álbum da banda, o "Employment", lançado em 2005, era um ótimo disco que revisitava o pós-punk de matiz mais new wave, mas que emplacou somente dois hits, "Everyday I Love You Less And Less" e "I Predict A Riot". Já "Yours Truly, Angry Mob", editado dois anos depois, era um cd cheio de hits (a ótima "Ruby", e ainda "Heat Dies Down" e "Love’s No A Competition") mas musicalmente bem menos consistente do que o primeiro trabalho da banda.
Foi aí que o grupo parou, repensou tudo e agora volta com este fodástico "Off With...", um álbum que começa vigoroso já em "Spanish Metal" (a faixa que abre o cd) e prossegue assim pelos seus curtos porém intensos 35 minutos de duração. O trabalho ainda mantém um pé na new wave do final dos 80’, mas soma a ela guitarras mais estridentes, percussão swingada e bases por vezes funkeadas, algo claramente perceptível por exemplo na ótima "Addicted To Drugs". Fora ela, não dá pra ficar imune a um arrasa-quarteirão como "Never Miss A Beat" (não por acaso, a música escolhida para "trabalhar" o lançamento), uma faixa tão boa pra dançar na pista e pular no show que você até esquece que a letra dela faz apologia à "burrice" adolescente (já que a letra diz "como é legal não saber nada"). Nem dá pra não se apaixonar de imediato por uma canção como "Tomato In The Rain", com sua melodia pop sixtie, seus violões encantadores e os coros vocais estradeiros e que remetem às melhores pop songs dos Beatles. Tem também "You Want Story" e "Half The Truth", duas cacetadas que mostram como a produção de Mark Ronson ajudou a banda a reforçar suas qualidades musicais.
Já tem o voto do blog pra ser incluído entre os melhores de 2008. E é um motivo a mais (como sejá não bastassem todos os outros) pra estar dia 8 de novembro na Vila dos Galpões, em São Paulo, no festival Planeta Terra. Vai ser, de fato, o festival, pode Ter certeza disso!
BIEN BIEN
Por hoje é só. O blogão vai nessa, pois tem Tim Festival logo mais à noite. Lembrando que tem também atração internacional no Inferno Club (rua Augusta, 501, centrão rocker de Sampa), o grupo alemão Project Pitchfork. E lembrando também que no mesmo Inferno semana que vem tem The Donnas, e que no Sábado, dia 1 de novembro, no club Outs/SP, rola a mega festa de cinco anos da Zap’n’roll, o blog de rock alternativo e cultura pop mais legal da internet brasileira. Vai ter Rock Rocket, Daniel Belleza & Os Corações em Fúria, Detroit, Remoto Controle mais Zap’n’roll, André Pomba, Pablo Miyazawa, Click, Tolói, João Carvalho, Tati e Valentim arrasando nas pick-up’s. Então manda bala no finatti@dynamite.com.br, que além dos CINCO INGRESSOS NA FAIXA pro Planeta Terra, agora entra a sorteio também:
* 5 PARES DE VIPS pra você curtir o festão zapper lá na Outs, okays?
Fuomos! Inté!
(enviado e atualizado por Finatti em 25/10/2008, às 17:30hs.)
Outs/SP, 1 de novembro de 2008, a partir da meia-noite.
Rock Rocket, Daniel Belleza & Os Corações em Fúria, Detroit e Remoto Controle no palco. Finatti (Zap’n’roll), André Pomba (Grind), Pablo Miyazawa (Rolling Stone), Click, João Carvalho e Toloi (Orgástica), Tati e Valentim (Outs) nas pick-up’s, explodindo a pista.
Uma mega festa pra comemorar o quinto ano de existência do blog (que começou como coluna impressa e, depois, virtual) que é, de verdade, o mais legal da blogosfera brasileira voltada ao rock alternativo e à cultura pop.
Você vai perder???
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O inglês, que já foi do Jam e do Style Council: mais uma baixa no Tim Fest
E da assessoria de imprensa do Tim Festival, o blog ACABA de receber o seguinte aviso:
Rio de Janeiro, 20 de outubro de 2008 - No início da noite de sexta-feira, o músico Paul Weller foi obrigado a cancelar as duas apresentações que faria esta semana no TIM Festival, devido a problemas com o visto de um dos integrantes da banda que o acompanha.
Nascido no Brasil e residente em Londres desde os dois anos de idade, o pianista anglo-brasileiro Andrew John Gonçalves, hoje com 31 anos, teve o visto de trabalho em seu passaporte britânico suspenso, mesmo depois de inicialmente autorizado. Apesar de todas os esforços - que incluíram apoio político e diplomático nos dois países - , não foi possível alterar a decisão, já que nossa legislação não permite a concessão de visto de trabalho a cidadãos brasileiros.
A alternativa apresentada seria a obtenção de passaporte brasileiro em regime especial. Mas a inexistência da documentação brasileira mínima necessária inviabilizou este caminho. A outra alternativa possível, do ponto de vista legal, seria a renúncia de Andrew à nacionalidade brasileira. Entretanto, este pedido levaria de 30 a 60 dias para tramitar nas diversas instânicas, até ser publicado no Diário Oficial e transmitido de volta a Londres após a sua conclusão.
Na quarta-feira, 22 de outubro, a organização do evento anunciará a nova configuração do palco Bossa Mod, onde os artistas se apresentariam, e dará as orientações para aqueles que desejarem trocar seu ingresso ou receber o dinheiro de volta.
Abaixo, a mensagem do empresário de Paul Weller:
As discussed on the phone due to the immigration issue involving Andrew John Goncalves unfortunately we are going to have to cancel Paul Weller's shows at TIM in Brazil this year. Over the next few months we will help Andrew cancel his Brazilian nationality so that we can consider playing TIM in 2009 to make up for this year's cancellation as Paul Weller would really like to play in Brazil at some point in his career. I appreciate your efforts in trying to find a solution to a very unusual situation but in the end given this issue was only brought to our attention at late notice it was just not possible to fix. Regards Mike Greek
Atenciosamente,
Factoria Comunicação
Assim, com mais esta baixa em seu line up, o Tim Festival 2008 já entra para a história recente dos festivais brasileiros como o maior fiasco deste ano, em termos de eventos internacionais. Lamentável.
Enquanto isso, o Planeta Terra continua bombado. É isso aê.
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Buenas, por enquanto é isso. Hoje ainda, até à noite, ou nesta terça-feira, o blogão zapper volta em novo post, com mais entrevistas sobre a fogueira das vaidades na cena indie nacional, além de falar também da nação glam paulistana. E não esquecendo que, através do finatti@dynamite.com.br, continua a todo vapor a mega promo de cinco ingressos na faixa pro Planeta Terra festival, okays? Corre lá e boa sorte!
Neste post que está entrando no ar (e que você deve estar começando a ler agora, uia!), Zap’n’roll assume uma postura, hã, mais contudente e investigativa para, enfim, tentar desvendar o que está se passando em setores da hoje gigantesca cena musical independente brasileira. Como já foi falado nos posts anteriores o blog percebeu, durante sua visita ao Acre há três semanas (para cobrir o festival Varadouro), que fissuras começam a aparecer em uma cena que, até então, era unida por ideais artisticos e até politicos. Mas como em tudo que começa a ficar grande demais, era inevitável que uma cisão de idéias e um embate de egos surgisse também na indie scene nacional. Enfim, esse é um dos temas principais que você vai ler aqui neste post, que publica uma primeira entrevista com um dos personagens centrais dessa história, que é um dos produtores mais conhecidos da cena alternativa nacional, um sujeito que já foi bastante próximo e "amigo" destas linhas zappers mas que, ao se ver contrariado pelo assunto levantado pelo blog, passou a disparar ataques contra este espaço e seu autor. Normal: estamos aqui para isso mesmo e sabemos que, no final das contas e bem lá no fundo da verdade, não há amizades sinceras e desinteressadas quando se trata de interesses em jogo. O que há, sim (no entender do personagem entrevistado), é uma parceria (como eles adoram conceituar sua estratégia de atuação) que visa atingir objetivos comuns. E se dentro desta parceria você serve aos interesses dela, ótimo. Se não serve, está fora. Zap’n’roll acredita sim em parcerias. Mas não acha que ela esteja acima de qualquer amizade sincera, nunca. E como este blog procura ser profissional, e também honesto em suas (poucas mas boas) amizades, ele sabe que irá sofrer boicotes e retaliações por ter levantado a questão da fogueira das vaidades na cena indie brazuca. Paciência: estamos aqui pra isso, pra defender a informação honesta e o ponto de vista correto em primeiro lugar. Só isso.
* Abra seu coração para o Glasvegas! Comentado aqui mesmo há algumas semanas, o escocês que é a nova sensação do novo rock britânico ganhou mesmo o coração do blog, que não pára de ouvir as músicas deles no MySpace da banda (www.myspace.com/glasvegas), principalmente uma linda versão acústica para "Geraldine". Tem também a cover que eles fizeram para "Come As You Are", do Nirvana, e aí você se vêm diante de um improvável encontro entre o grunge de Seattle e as guitarras noise e vaporosas de um Jesus & Mary Chain ou um House Of Love, tudo envolto naquele clima pesado de brumas sombrias tão típicos do shoeggazing inglês do final dos 80’/início dos 90’. Não é mole: Zap’n’roll se sente como se estivesse tomando um drink, com o cérebro lesado, em algum canto do bar Espaço Retrô, papeando com sua querida amiga e liiiindaaa loira Aninha Marmo (que hoje mora em Londres), enquanto o som de Jesus na casa do amor perfurava seus tímpanos. O Glasvegas é dez! E já é um dos nomes preferidos desta casa, dentre os novos nomes do novo rock inglês.
* Falando em Jesus, já saíram os horários dos shows do Planeta Terra, que você pode – e deve – conferir na página de notícias aqui do site. E pela forma como foi disposta a programação, dá pra notar claramente que vai ser difícil abandonar o palco principal (com Jesus & Mary Chain, Kaiser Chiefs, Bloc Party, Offspring, Mallu Magalhães e Vanguart), pra ir ver as (boas) atrações do palco indie (Foals, Animal Collective, Spoon e Breeders, além dos locais Curumin e Brothers Of Brasil, seja lá o que for isso). Dj Stage? Neste, o blog vai passar, sorry.
* Não esquecendo que a promo com cinco ingressos na faixa pro festival continua a todo vapor, laaaaá no final do post, naquele e-mail que você sabe muito bem qual é.
* Falando em festivais, semana que vem tem o meio caído este ano Tim, neeé? Zap’n’roll vai ou não vai? Está pensando em ir... mas só pra ver MGMT, The National e Paul Weller. E só.
* E falando em abrir seu coração, abra seus ouvidos para o Nicholai Fraiture, o outro guitarrista dos Strokes que, a exemplo de Halbert Hammond Jr., também vai lançar seu disco solo. O cd se chama "The Time Of Assassins", tem participações especiais da Regina Spektor, do Nick Zinner (guitarrista do Yeah Yeah Yeahs) e está programado para chegar às lojas em seu formato físico no final de janeiro.
* Cribs na capa da NME desta semana. Eles merecem!
* Hein? O diretor da nova versão cinematografica de "Jornada nas Estrelas" (que deve ser lançada somente no ano que vem), admite que... não é fã da série? Ué...
* Hein II: Ivete Gagalo, ops, Sangalo, está com "pãozinho" no forno?
* Hein III: o que está se passando – ou não – afinal na indie scene brasileira, você lê agora, aí embaixo, em entrevista zapper com um dos personagens desta história.
A FOGUEIRA DAS VAIDADES CONTINUA...
E para falar a respeito do assunto, o blog fez entrevista, via msn, com o produtor cuiabano Pablo Capilé, um dos nomes responsáveis pelo coletivo Cubo e pela organização Fora do Eixo, além de um dos diretores da Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes). O que ele tem a dizer a respeito do tema, inclusive com ataques ao autor deste blog e tentativas solertes de tentar desqualificar o trabalho deste espaço rocker online, você confere abaixo:
Zap’n’roll - A cena indepedente musical brasileira cresceu muito nos últimos quatro anos e hoje possui uma visibilidade em termos de mídia e público que não possuía antes. Grandes festivais são realizados durante todo o ano e cada vez mais bandas estão mostrando seu trabalho. Em contrapartida, parece que está começando a haver cisões e desentedimentos entre algumas bandas e produtores, gerando uma velada ou já quase explícita guerro de egos. O que você, como um dos produtores mais destacados na cena atual, tem a dizer sobre isso?
Pablo Capilé – Em todo e qualquer movimento cultural que envolve artistas, jornalistas, produtores e demais agentes existem divergencias de opiniões, exsite diversidade de idéias, confronto de métodos etc etc etc, esse processo dialético é fundamental para a construção de um cenario musical pautado na pluralidade. Cada um defende suas convicções, coisa mais nornal do mundo, quando existem objetivos comuns trabalhamos para fortalecê-los, quando não existem continuamos a debater. É assim na cultura, na educação, no esporte, nas políticas públicas e em todo e qualquer segmento. 90% dos debates que rolam no cenário independente tem por objetivo o crescimento do movimento, os 10% que sobram é de frustrações, converssas fiadas e dramalhões patrocinados muitas vezes por jornalistas , um exemplo bem claro disso foi a sua coluna da semana passada. Fraca, desinformada e com o claro intuito de pegar fatos isolados , deturpá-los criando assim factóides que nao interessam a ninguém. E só interessam aos que estão buscando audiencia as custas de fofocas.
Zap - Ok. Se você acha que a coluna da semana passada foi fraca, desinformada e tinha por objetivo apenas criar fofocas e factóides, faz-se necessário saber: a) por que sua reação a ela em meu msn foi tão grosseira e destemperada, se ela não tinha importância; e b) o que você chama de "fofoca" e "factóides" era visível no festival Varadouro em Rio Branco, a saber: por que os grupos Macaco Bong e Los Porongas estão de relações cortadas? Por que a banda Camundogs não foi colocada no festival deste ano e em represália, cirou o festival paralelo Chico Pop, com outros nomes que também não foram escalados para o Varadouro?
Capilé - Primeiro, te respondi da forma que seu texto merecia, não tem pq respeitar quem da vazão a fofocas e converssas fiadas na tentativa de denegrir um trabalho sério que vem sendo desenvolvido por coletivos, bandas e festivais de todo o país. Segundo, Macaco Bong enxerga os Los Porongas como enxerga qualquer outra banda, alguns caminhos escolhidos afastam ou aproximam as pessoas, isso também é super normal em qualquer segmento. Ou existe uma necessidade de que as pessoas se abraçem e se beijem para coexistirem em um mesmo movimento? Quem dá valor demais pra isso é que é o egocêntrico da historia, quem acha que isso é pauta pertinente é que é o egocêntrico da historia. Sinceramente, acho que um jornalista de midia especializada tem mais o que fazer do que ficar pagando de Contigo. E quanto ao Camundogs é simples, houve uma votação no coletivo Catraia para escolherem as bandas que participariam do Varadouro desse ano, o Camundogs ficou de fora, e entendeu que seria bacana realizar um festival um dia antes para aproveitar os jornalistas que ali estariam, coisa mais normal do mundo, perspicácia da banda em produzir uma oportunidade bacana de difusão ao invés de ficar chorando. Mas essa questãao do Camundogs o Daniel Zen (secretário de Cultura do Acre, baixista da banda Filomedusa e um dos responsáveis pela organização do festival Varadouro) pode falar ainda melhor do que eu.
Zap - Muito bem. Pelo seu pensamento até agora, depreende-se o seguinte: está tudo ótimo na cena indie nacional e não há conflitos nela. E Zap'n'roll, que foi a PRIMEIRA mídia do Sudeste a aceitar um convite para ir conhecer a cena musical de Cuiabá há quatro anos, cena esta trabalhada pela produtora Cubo e a qual este blog sempre foi simpático e deu todo o apoio midiático possível, agora Zap'n'roll é persona non grata aos olhos da Cubo e se tornou um blog de "egocentrismo", "fofocas" e "factóides" apenas por que detectou fissuras de relacionamento numa cena que está se tornando grande demais - e tudo que cresce muito inevitavelmente gera conflito de interesses, só quem é idiota ou cínico e dissimulado demais que não assume isso. Portanto, dá pra dizer que a Cubo passa a tratar como inimigos aqueles que não concordam com seu pensamento e linha de trabalho, e aí incluem-se bandas e jornalistas como nós, que estão apenas fazendo um trabalho de reportagem que detectou um racha entre pessoas que antes trabalhavam unidas e agora não trabalham mais. Certo?
Capilé - Primeiro, mais uma vez vc demonstra o quão é dramatico e o quão realmente vem perdendo a noção da realidade. Em nenhum momento eu disse que não existem conflitos, disse sim, que esse conflitos de ideias, confronto de metodos e etc são super normais em um ambiente tao cheio de informações, estratégias e perspectivas como o setor cultural. O que eu contesto é essa forma babaca que alguns jornalistas utilizam pra querer imputar juizo de valor ao cenário independente baseado em meia dúzia de fatos isolados e distorcidos, e foi exatamente isso que vc fez na sua coluna anterior. Não é pq vc foi o primeiro a vir a Cuiabá que vc está imune a criticas ao seu trabalho, e não é pq eu critico o que vc escreveu que eu te tratarei como inimigo, estou apenas sendo sincero ao analisar o último texto postado em sua coluna. Mas, vc mais uma vez prefere fazer drama e criar factóides, tentando dar a entender que não aceitamos críticas, ao invés de sinceramente fazer uma auto critica e compreender que ficar tentando se mostrar antenado e informado, baseando-se em fofoquinhas de bastidores é patético. Não existe disimulação nenhuma, como eu disse acima 90% dos debates e conflitos no movimento independente são em prol da construção e estruturação do cenário, os 10% restantes é converssa fiada e fofoca. Quem nesse mundo ja não esteve unido em um momento e depois nao esteve mais? É normal, meu caro. O lance é que as vezes me esqueço que vc sempre manteve os mesmos parceiros desde quando começou a carreira.
Zap - O que você chama de "fofoquinhas de bastidores" não é visto da mesma forma por outros músicos e produtores ouvidos pelo blog. Mas enfim, para encerrar (e apesar de suas críticas agressivas ao blog e à minha pessoa, suas respostas serão publicadas, até como forma de o leitor tirar suas conclusões sobre quem aceita críticas com sapiência, equilíbrio e serenidade, e quem as rebate partindo para o ataque e a ofensa pessoal), algumas perguntas rápidas: por que a Cubo não concorda com o fato de bandas como Los Porongas e Vanguart terem abandonado de certa forma o modelo de trabalho preconizado pela Cubo, tendo optado por ir trabalhar com uma produtora de São Paulo, no caso, a Barravento?
Capilé - Primeiro, modelo a que vc se refere não é do Cubo e sim do Circuito Fora do Eixo, que envolve dezenas de coletivos, entre eles o Goma em Uberlândia, o Catraia no Acre, a Fosforo em Goiania, a Braço direiro em Londrina, o Plafita no Amapá, o Tomarock em Roraima, o Raio q o Parta em Porto Velho, o Forceps em Minas, etc etc etc. Segundo, o que não concordamos é com o modus operandi de determinados produtores que entendem que o mercado da música profissional não passa pela cena independente, que não compreendem a importância dos festivais independentes, que tratam os artistas como seres iluminados que só precisam se preocupar em compor, tocar e ganhar seus respectivos cachês, e os estimulam a pensar dessa forma. E desta forma estamos sempre abrindo o debate sobre até que ponto esse é o modelo que traz sustentabilidade para o cenário. O Artista Igual pedreiro é uma realidade mundial, e essas é uma das convicções que defendemos, o artista que se pauta mais no processo do que no produto, o artista que se pauta mais nos valores do que nos interesses e etc. Algumas bandas preferem um modelo, outras outro modelo, o debate esta aí pra isso, O que não dá é pra todo e qualquer questionamento em relação aos metodos aplicados cairem na vala comum dos que "não aceitam criticas". Esse é o maior papo furado, ja converssei isso tanto com Vanguart como com Los Porongas uma dezena de vezes, e eles sabem muito bem que é só dessa forma que conseguiremos avançar debatendo, pensando e criando alternativas.
Zap - Artistas não merecem ganhar cachê pelo seu trabalho? Aliás, segundo a matéria publicada na Rolling Stone, duas das maiores queixas dos que estão começando a discordar do método de trabalho do Circuito Fora do Eixo, é justamente o não pagamento de cachê à boa parte dos grupos que tocam nos festivais promovidos pela Abrafin, e também um suposto boicote a determinadas bandas que não concordam com o método de trabalho de vocês, ou seja: se não se alinham à Fora do Eixo, ficam na "geladeira" e não tocam mais nos festivais. Procede?
Capilé - As criticas não procedem, o Festival Calango por exemplo pagou cache para 90% das bandas que participaram, e vai pagar também todas as bandas locais ainda este mês, tão logo o governo do estado repasse a verba destinada ao Calango via fundo estadual de Cultura. Alguns festivais ja tem condição de pagar cachê para todas as bandas, outros pagam para algumas, e outros nao pagam em espécie mas tentam agilizar outras formas de pagamento como o Dosol que estará gravando um DVD pra cada banda e ainda auxiliando em turnês de bandas pelo Nordeste. O que importa é o que a banda combina com o produtor, e que esse combinado seja cumprido por ambas as partes. Quando uma banda aceita um convite para um festival ela sabe muito bem quais são os termos da negociação, é simples. E esse lance de cachê é bem mais complexo do que essas críticas ou do que a sua pergunta, temos que nos perguntar também qual o público que essas bandas têm em cada cidade, qual será o custo benefício para o produtor ao trazer essa banda, e isso passa tambem pelo trabalho da banda em consolidar público nas mais diversas cidades brasileiras para que possa melhorar a negociação com o contratante. Esse lance da geladeira é uma balela ainda maior, o circuito Fora do Eixo e a Abrafin colocam pra rodar mais de 500 bandas por ano, e só o que faz com que elas se mantenham é a qualidade da propria banda, é o serviço que ela presta, e quem define isso são os produtores, os jornalistas e o público. Achar que essa decisão é unilateral é muito reducionismo e fora de contexto.
Zap - Apenas para encerrar mesmo, um comentário: apesar de todo o seu ímpeto em desqualificar o trabalho do blog em função do comentário publicado no último post, sua entrevista está boa e será publicada quase que na íntegra (alguma edição no texto é inevitável). Apenas lamentamos que as ótimas relações que o blog já teve com você, com a Cubo e com a Fora Do Eixo, tenham se deteriorado pelo simples fato de que a partir do momento em que Zap'n'roll passou não apenas a elogiar o trabalho de vocês (ele continua sendo digno de nota, vale ressaltar sempre) mas também passou a observar que há VOZES DISCORDANTES em relação ao que vocês fazem (por melhor que seja o trabalho que vocês fazem, sempre haverá quem discorde dele, isso é democracia), só POR ISSO, ao que parece, o blog não é mais persona grata junto à Cubo/Fora Do Eixo. Mas normal, democracia também é isso e se por um acaso o autor deste espaço sofrer boicotes ao seu trabalho (como não ser mais convidado a cobrir festivais promovidos pelo circuito Fora do Eixo), ele não irá morrer por causa disso. Em um tempo em que a internet está aí, interligando tudo e todos em tempo real e onde um site como a Dynamite possui uma rede de colaboradores que permite que o portal possa cobrir qualquer evento fora de São Paulo, sem que seja preciso deslocar alguém da própria redação até lá, não será pela ausência em pessoa do blog que um festival deixará de ser reportado aqui. Claro que viajar é sempre bacana e estar "in loco" checando os fatos é melhor ainda. E também a assinatura de quem escreve o texto muitas vezes faz toda a diferença do mundo. Mas enfim, é isso: Zap’n’roll deseja toda sorte do mundo ao pessoal da Cubo e da Fora do Eixo. E agora que eles não precisam mais deste blog, poderemos sim olhar com ainda mais imparcialidade e distanciamento o trabalho que eles vêm fazendo dentro da cena musical alternativa nacional.
No começo da próxima semana o blog volta ao assunto, entrevistando integrantes do grupo Los Porongas e também – e talvez – integrantes do Vanguart.
O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Blog: o do amigão Jesse Navarro, que tem seu link entre os indicados aí do lado. Divertido, texto mezzo gonzo como o que você lê aqui, o último post do Jesse conta o "estranho caso" da bolsa, que foi protagonizado por ele na semana passada, após a putaria rocker que foi o show do Vive La Fête em Sampalândia. Dá uma lida lá!
* Cinema: começa hoje a já tradicionalíssima Mostra Intermacional de São Paulo, né? Prato cheio para cinéfilos, como o autor deste blog. E na seleção deste ano, vaaaaários filmes dedicados à música, inclusive um que conta a trajetória da deusa Patty Smith. E aê, vai perder???
CAINDO NA BALADA
Voando que hoje é quinta e começa a temporada do Mudhoney em São Paulo, com show também amanhã lá na Clash Club (rua Barra Funda, 969, Barra Funda, zona oeste de Sampa). Depois, você pode aproveitar e emendar na Torre (rua Mourato Coelho, 569, Vila Madalena, zona oeste paulistana), onde os djs Bispo, Click, Alê Helsink e Pardal vão comandar a festa até o sol raiar. Ou então ir curtir Rock Rocket (que toca na festona de cinco anos da Zap’n’roll, dia 1 de novembro na Outs, ao lado do Daniel Belleza, do Detroit e do Remoto Controle) na Funhouse (rua Bela Cintra, 567, Consolação, centro de Sampa), na noitada fervida promovida pela lindaça Indaiara Moyano.///Sexta? Vem que tem: Borderlinerz no Inferno (rua Augusta, 501, centrão rocker de Sampa), mais Vilania, Mariatchis e The Name na Outs (rua Augusta, 486), além do Vanguart em seu primeiro show pós-gig rápida pelas "Oropa", lá no StudioSP (rua Augusta, 595).///Sabadón??? Vai ter dobradinha bacaníssima na Outs, com os cariocas do Moptop e os mineiros do Monno, além dos Narcotic Lovers no Belfiori (rua Brigadeiro Galvão, 871, Barra Funda). É isso aê: vai nessa e curte a balada com força!
PRÊMIOS, VENHAM, VENHAM!
Tá na hora, né? Então, tipo rapidão:
* Marcus Freitas Filho, Ana Cristina Sueeco, Marta Oliveira (todos São Paulo/SP), mais Daniel Silva (São Leopoldo/RS) e Orlando Freitas (Rio De Janeiro/RJ), vão receber exemplares do primeiro disco do Vanguart:
* Cíntia Bastos (São Paulo/SP), fica com o disco do Seychelles;
* E Marcus Fellipe (Rio Claro/SP), com o álbum do Instiga;
* Alexandre Carvalho vai hoje, Quinta, curtir Mudhoney na Clash;
* E Glauber Ribeiro vai amanhã ver os grunges lá na Barra Funda.
* CINCO INGRESSOS para o Planeta Terra Festival, dia 8 de novembro em Sampa. Corre que a caixa postal do pobre blogger maloqui já está entupida de pedidos desesperados.
FUOMOS!
No começo da semana entra post novo, okays? Falando da blogosfera pop, dos glams paulistanos, colocando mais prêmios em disputa etc. Então, vamos lá curtir o Mudhoney e descansar (ou enfiar o pé na lama, hihi) no finde, pra voltarmos com tudo na segunda ou terça-feira, certis? Até!
Calor demais, assuntos demais pra falar aqui, inclusive a continuação dessa história da fogueira das vaidades que está começando a devorar setores da nossa amada indie scene nacional. Com alguns dos personagens envolvidos na parada falando ao blog.
O zapper maloqui está se recuperando da farra que foi a mega festa de dois anos da Rolling Stone Brasil (e tome água tônica, gelo, limão, analgésicos e anti-ácidos variados, pelamor...) e volta nesta quinta-feira, final do dia (porque depois tem mais putaria rocker, com o show do Mudhoney na Clash Club, corre e pede pra ganhar um par VIP de ingressos, pelo finatti@dynamite.com.br, que ainda dá tempo! E tem também cinco ingressos dando sopa para o Planeta Terra, dia 8 de novembro em São Paulo), com mega post, falando também da blogosfera pop, dos glams paulistanos (Vampiros & Piratas e Bastardz) etc, etc, etc.
Até daqui a pouco!
E ONTEM NO HSBC BRASIL, EM SÃO PAULO...
A humanidade baixou na casa de shows paulistana pra comemorar os dois vitoriosos anos da edição brasileira da Rolling Stone. De peruetes e modetes a palyboys, de aspirantes a qualquer coisa a estrelas do pop nacional, estava todo mundo lá, inclusive com espaço para a presença de dezenas de figurinhas carimbadas da cena indie – povo do Daniel Belleza, Ecos Falsos, Thunderbird, Rodrigo Carneiro (Mickey Junkies é lenda!), Supla etc, etc, etc Algo natural: Ricardo Cruz, editor-chefe da RS tem um passado rocker (ele foi o primeiro vocalista da histórica banda YoHoDelic) e, por isso mesmo, muitos amigos na cena.
Teve também vodka com Flash Power em quantidades industriais, show maletaço do NXZero, show bacana da KT Tunstall, zilhões de gostosas desfilando as carnes e a certeza de que, como bem frisou Hugo Santos, assessor de imprensa da gravadora ST2, pelo menos alguma coisa deu certo neste país nos últimos tempos, em termos de jornalimo mass mídia voltado à cobertura da cultura pop.
É isso aí! Valeu pela festa, RS!
Palhinha da festa de ontem em Sampa, comemorando os dois anos da Rolling Stone brazuca
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