Dynamite

EXTRA exclusivaço: em Londres, o Blur ao vivo! (e em Sampa, os Gutter Twins)

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Arrepios percorrendo a espinha.

É isso que Zap’n’roll sente, neste momento, às seis da manhã desta sexta-feira chuvosa e mezzo fria em Sampa, em mais um dia maravilhosamente típico do sempre acolhedor inverno (e o vampirão autor destas linhas rockers online, sempre escrevendo melhor e mais motivado na madrugada...). O autor deste blog, que digita esta introdução para o post que começa, de fato, logo aí embaixo, sente estes arrepios enquanto vai lendo e saboreando, com um largo sorriso no rosto, cada linha, cada parágrafo enviado pelo correspondente de Zap’n’roll em Londres, há pouco, sobre o desde já histórico e fantástico mega show de comeback do mega amado (pelos ingleses e pelo zapper aqui também) Blur, realizado ontem,quinta-feira, no Hyde Park, na capital inglesa – hoje, sexta, o quarteto que está de volta com seu line up original, retorna novamente ao mesmo local, para fazer uma segunda – e também, novamente e muito provavelmente – histórica apresentação. O Blur dispensa apresentações para quem acompanha o grande rock’n’roll britânico que importa nos últimos vinte anos, e para quem acompanha este blog desde sempre. Gigante do britpop noventista, literalmente idolatrado na Inglaterra, o grupo estava hibernado há seis anos. Quando anunciou, em fins de 2008, que estava voltando com sua formação original, foi uma comoção total na Velha Ilha. Anunciados os dois shows no Hyde Park (há meses), os ingressos se evaporaram em questão de horas. No último finde, já numa espécie de preparação para este grande momento, o grupo fechou de maneira apoteótica a edição 2009 do gigantesco festival de Glastonbury – também na semana passada, o quarteto formado pelo vocalista Damon Albarn, pelo guitarrista Graham Coxon, pelo baixista Alex James e pelo baterista Dave Rawntree, já havia sido focalizado aqui no blog, através de um enooooorme diário sentimental. E agora, em primeiríssima mão na blogosfera brazuca dedicada ao rock alternativo e à cultura pop, Zap’n’roll relata como foi o showzaço de ontem no Hyde Park. O texto que você vai ler logo abaixo foi escrito por Marcelo Yorke, velho amigo deste espaço online, e que já marcou presença aqui no post anterior fazendo a resenha de um show dos Manic Street Preachers. Marcelo não é jornalista e nunca teve a pretensão de ser. Antes de mais nada, é um garoto apaixonado por cultura pop e rock’n’roll e que resolveu encarar a vida na Europa há pouco mais de um ano, período em que ele já assistiu dezenas de concertos bacanas por lá. E assim como ele, outro grande amigo do blog (anos de amizade, na verdade), estréia aqui como colaborador: o querido Daniel Meirelles, futuro psicólogo, excercita seus dotes de jornalista e comenta como foi o intimista set acústico que rolou anteontem em Sampa, com duas das gargantas mais geniais do rock americano dos 90’, Mark Lanegan (que um dia foi vocalista dos Screaming Trees) e Greg Dully (que um dia cantou no Afghan Whigs). São, no final das contas, dois textos emocionantes. Tão emocionantes como o próprio rock’n’roll em si, e que você lê neste post, excepecionalmente especial e dedicado quase que exclusivamente apenas aos dois shows (não há hoje aquelas costumeiras notinhas introdutórias e, no final, laaaaá embaixo, damos um roteiro bem resumido do que dá pra fazer de bom em Sampalândia neste finde, no circuito noturno alternativo). Ao ler os relatos de Marcelo e Daniel, e ver o set list que o Blur despejou em cima dos fãs em Londres, o quarentão (ir)responsável (às vezes, ainda irresponsável, hihi) por este blog, se pega ainda emocionado com esse gênero musical que marcou o século XX, e que faz parte essencial da vida de milhões de pessoas. E ouvindo o clássico álbum "Park Life", pensa fervorosamente que alguma produtora nacional bem que poderia trazer o quarteto brit ao Brasil novamente, onde eles estiveram há uma década. A comoção, com certeza, seria próxima a que Marceleza presenciou ontem em Londres. Alguém dúvida???

EXCLUSIVO – BLUR ONTEM, AO VIVO, EM LONDRES!

(Por Marcelo Yorke)

Hoje é dia de Blur. Sim, dia deles. Por que? Porque nao se fala de outra coisa na cidade de Londres: os 2 shows que ele farão no Hyde Park, centro de Londres, hoje, dia 02, e amanha, dia 03 de julho.

Blur aqui é uma instituição. Desde que li, no fim do ano passado, uma notícia sobre a volta deles (nesses jornalecos distribuidos nas estações de metrô e nas principais ruas da cidade), a imprensa e revistas especializadas em música tratam do assunto como o evento mais importante do ano.

Esqueça Oasis, Radiohead ou qualquer outra banda britânica. Blur é a MAIOR e MAIS QUERIDA banda dentro do Reino Unido (e o Oasis ganha com larga vantagem no resto do mundo). Mas, dentro de casa, eles mandam.

A abertura dos portões estava programada para as 14:30, e os primeiros shows começariam às 16:00. Calor insuportável, na faixa dos 30 graus (sensação de uns 40, se fosse no Brasil). Cheguei por volta de 12:30, pois não perderia a oportunidade de ficar colado na grade por nada nesse mundo, mas algumas centenas de pessoas pensaram da mesma forma que eu. Como haviam dezenas de guichês para a entrada, o numero de pessoas ficou bem distribuido, e as filas não eram tão grandes, pelo menos no começo, horário em que cheguei.

Após passar pela checagem dos tickets, uma multidão começa a correr desesperadamente em direção ao palco. Acho isso meio brega, mas eu não estava nem um pouco afim de ficar longe do palco, então meti o sebo nas canelas. Consegui ficar bem no centro dele, com uma visão privilegiada e apenas uma menina francesa na minha frente. Ao lado, mexicanos, alemães, chilenos, coreanas e, claro, milhares de ingleses, todos com cara de Damon Albarn no comecinho da carreira. Sim, eu esperava um publico um "poquito" mais velho, entre os 25 e 35 anos de idade, mais ou menos, por causa das 2 décadas de carreira da banda. Para a minha (agradável) surpresa, uma boa parte das pessoas era composta por uma molecada que estava nascendo quando eles lancaram "Modern Life is Rubbish" e "Parklife".

O Blur costuma levar para os seus shows um público fiel e fanático. Eles idolatram a banda de uma maneira que poucas vezes vi/li/ouvi no cenario rock mundial (tá bom, as bandas de metal sao insuperáveis nesse quesito).

Os seguranças são uma simpatia só. Tiram fotos a pedido das pessoas, distribuem água e fazem piadinhas. Tudo para passar o tempo, já que a ansiedade era geral. Às 16 horas começam os shows. Duas pequenas bandas locais tocaram por 30 minutos cada. Nada que me despertasse da sonolência que o sol estava causando. Nem o nome delas consegui descobrir.

Crystal Castles entrou por volta das 17:30 para esquentar mais ainda o já "torrado" público. A banda é composta por um ótimo baterista e um DJ/tecladista. Ja tinha ouvido algumas coisas deles mas não me recordava muito bem, apenas me lembrava que era um indie meio eletrônico. Eles ficam por volta de uns 2 minutos meio parados, com o DJ apenas fazendo alguns ruídos na sua aparelhagem. Eis que surge a sua vocalista, minúscula, magérrima, aparência mezzo-gótica-mezzo-rrriot girl, maquiagem preta pesada ao redor dos olhos, com uma camiseta sensacional, com os dizeres: "OASIS HAS AIDS" (quem nao se lembra das brigas entre Blur e Oasis, em que uma das declarações polêmicas dos músicos de Manchester foi: "espero que eles peguem AIDS e morram", referindo-se aos rivais de Londres?). Tudo isso para ganhar a simpatia do público, obviamente.

Ela entra no palco se arrastando pelo chão com uma garrafa de vodka. Se levanta cambaleando e começa a gritar ao microfone, como uma voz de criança. Vem direto para o publico, sobe nas grades e faz um mosh, exatamente na minha cabeça. Depois de algum tempo, ela volta para o palco e cai. Levanta e cai. Bate com o microfone na cabeça. E cai. Sobe na bateria. Bebe whisky. Fuma. Volta para o público e faz outro mosh. Os seguranças se desesperam e tentam tirá-la da galera, que dá o microfone para algumas pessoas cantarem.

A música do trio é bacana, mas ela chama mais atenção que qualquer coisa. Claro, não há nenhuma novidade no que ela faz. Pseudo punk-fumo-bebo-mesmo-sou-muito-louca e nao-to-nem-ai-pra-nada. Iggy Pop fazia isso 40 anos atrás... Mas funciona como entretenimento, pelo menos. Bom, depois de um set relativamente curto, pouco mais de 30 minutos, eles saíram sem falar "thank you" ou ao menos "good-bye". E tomaram algumas vaias por conta disso.

Mais um pequeno intervalo, e é a vez dos Foals, que ja tocaram em SP, mostrarem serviço. Eu não conhecia nada deles, e, pelo que vi, pouco me chamou a atenção. A banda é competente, os músicos mandam bem, mas como tudo que tem surgido no rock (principalmente no rock inglês) ultimamente, falta pegada, falta um "que" a mais. Eu nasci antes do Joy Division lançar o primeiro disco, talvez esteja um pouco ranzinza pra coisas novas, mas essas bandinhas de hoje em dia não saem das guitarrinhas "nhe-nhe-nhem" ardidinhas e bateria nervosinha. Uma mistura de Arctic Monkeys, Bloc Party, Futureheads, Klaxons e quetais. Todas com 2 ou, no máximo, 3 discos de duração, até sucumbirem ao anonimato. É, o rock inglês está bem devagar nos últimos anos. Com exceção do British Sea Power, ótima banda, quase nada que vem da terra do fish and chips tem me despertado interesse.

Por isso, nada mais apropriado que a volta dos pais do Britpop, para dar uma oxigenada na cena britânica. E eles voltam com tudo. Antes dos shows do Hyde Park, Damon & Cia fizeram pequenos concertos em lugares acanhados, como se fosse um "aquecimento" para o mega festival Glastonbury, onde eles fecharam com chave de ouro, diga-se de passagem.

55 MIL PESSOAS esperam por eles (e eu senti isso sendo constantemente esmagado nas grades). Antes de entrarem no palco, uma pequena introdução, Far Out, a música meio circense de Parklife. Delírio geral.

Começam os primeiros acordes do cláaaassico She's So High, do primeiro e subestimado disco, e as também primeiras de muitas lágrimas desse pseudo-resenhista começam a rolar. Começa aquele tradicional empurra-pra-lá, empurra-pra-cá, tão comum nesses shows, pra quem fica na frente. Apenas fico parado, deixando a onda de pessoas me levar, mas claro, atento para não sair muito do centro. A dificuldade de tirar fotos é grande, mas consegui algumas bem boas. Na sequência, duas matadoras do melhor álbum deles (e, na minha modestissima opinião, um dos cinco melhores albuns dos anos 90’), Girls and Boys e Tracy Jacks. A primeira dispensa apresentações. É quando Damon resolve descer e se juntar à galera (ele costumava dar seus moshs também, mas acho que do alto de seus 41 anos, ele tenha perdido um pouco a vontade, digamos assim). Mister Albarn está em forma, continua com a mesma energia no palco, ele se entrega, danca, pula e grita como se estivesse em sua primeira turnê. Alex, o baixista, e Graham, um dos melhores (se não o melhor) guitarrista dos anos 90’, permanecem parados, cada um no seu canto, sem se mexer muito. Nem precisam. Damon comanda a festa e agita sozinho pelos outros três.

Damon conversa muito com o público, diz que não esperava uma recepção tão calorosa após 7 anos desde o fim da banda. E emenda com outro clássico do primeiro disco, There's no Other Way, que ficou levemente mais pesada e mais acelerada. Voltam novamente para o Parklife, com Jubilee e uma das minhas favoritas, Badhead. Damon saúda o sol, dizendo para a platéia acenar para o astro rei (???). Comoção geral quando começam os primeiros acordes de Beetlebum, faixa do auto-intitulado disco, de 97, em que até os irmãos Gallaghers tiraram o chapéu. Uma das melhores, se não a melhor, música do Blur.

Out of Time é recebida com surpresa, afinal ela faz parte do último disco da banda, Think Tank, que não contava com a participação de Graham Coxon. Trimm Trabb, desconhecido lado b do álbum 13, foi tocada na sequência, e, sinceramente, nao entendi o porque deles terem escolhido essa música, sendo que boa parte do público nem chegou a cantar junto e percebia-se que muitos não a conheciam (inclusive eu).

Mas, pra compensar, uma sequência esmagadora: Coffee and TV, do famoso clipe do "leitinho", e Tender, a mais bela composicao da banda (nota do blogger apaixonado: a amada girlfriend Rudja, com certeza, iria derramar algumas lágrimas neste momento, se estivesse presente no Hyde Park), cantanda em unissono por um público arrepiado, durante quase 10 minutos, onde Damon até improvisou uma "a capela" em conjunto com as 55 mil pessoas presentes. Chega a hora do, talvez, maior hit deles no Reino Unido, Country House, que ganhou uma disputa com o Oasis de single mais vendido, em 1995, onde as lojas de discos amanheceram numa segunda feira com filas nas portas.

Voltando para os primeiros discos, Oily Water, Chemical World (faixa incrivelmente ausente na primeira coletanea da banda) e Sunday Sunday, arrancando largos sorrisos de uma platéia incansável.

A partir daí, overdose de Parklife. Phil Daniels aparece no palco e causa gritaria geral na plateia. Ele é o vocalista original de Parklife, a música, e incendeia o povo, cantando com raiva, berrando, como se fosse um punkstar. Foi nessa hora que um ser humano caiu sobre minha cabeça. Junto com o susto, vejo uma mulher semi-nua sendo carregada pela multidão (chapada ou passando mal, sei lá). Os peitões dela se esfregam na minha cara, ate que os seguranças conseguem agarrá-la e tirá-la do meio da bagunça (foi incrivelmente alta a quantidade de pessoas passando mal, por causa do calor e do esmaga-corpos que estava em frente ao palco). Entra em cena End of Century, clássico do britpop, a belíssima balada To The End e This Is a Low, lenta e distorcida. Sinfonia para meus ouvidos.

Após uma breve pausa, com as pessoas cantando "oh my baby... oh my baby... oh why?... oh my", o primeiro bis: Popscene, Advert e, claro, Song 2, que colocou, literalmente, 55 mil pessoas pra pular e se empurrar (a essa hora eu ja estava mais pro fundo, tamanha a dificuldade de se ver devidamente o show na frente - e até que eu resisti bastante). Nunca fui muito chegado nessa música, mas nao consegui resistir, pulei e gritei muito, ate ficar quase sem voz.

Nova pausa e o gran finale: For Tomorrow, do segundo disco, e The Universal, do The Great Escape, disco que, estranhamente, teve pouquíssimas músicas no set list.

A esta hora eu estava ensopado de suor, cerveja e garrafadas d'água recebidas enquanto estava na frente. Meu pé foi pisoteado dezenas de vezes. Estava sem voz, com fome e com sede. Muito cansado. Quase rasgaram minha camiseta novinha do Blur. E querem saber? Valeu cada centavo, e se precisasse, pagaria o dobro para ter outra tarde inesquecivel como essa. Vida longa ao Blur.

BLUR NO HYDE PARK – O SET LIST

Introdução: Far Out

1.She's So High
2.Girls And Boys
3.Tracy Jacks
4.There's No Other Way
5.Jubilee
6.Badhead
7.Beetlebum
8.Out Of Time
9.Trimm Trabb
10.Coffee And TV
11.Tender
12.Country House
13.Oily Water
14.Chemical World
15.Sunday Sunday
16.Parklife
17.End Of A Century
18.To The End
19.This Is A Low

Encore:
20.Essex Dogs
21.Popscene
22.Advert
23.Song 2

Encore 2:
24.Battery In Your Leg
25.For Tomorrow
26.The Universal

* Esta mega e exclusiva resenha sobre o fodaço show do Blur vai, carinhosmente, para a querida Adriana Ribeiro (que assistiu a banda em Sampa em 1999, no Credicard Hall, ao lado de Zap’n’roll), para o saudoso Toninho (o dj loucaço do inesquecível Espaço Retrô, onde o zapper aqui descobriu alguns dos melhores sons de sua vida) e para a mega amada Rudja Catrine, uma garota que mora muito distante de qualquer metrópole e que, mesmo assim, conhece tudo de cinema, cultura pop e rock alternativo. E com quem o autor deste blog quer casar um dia (wow!), ao som de "Park Life", do Blur, claaaaro!

E EM SAMPA, OS GUTTER TWINS

(por Daniel Meirelles)

Em seu livro "Beijar o Céu", de 2006, o escritor britânico Simon Reynolds fez uma análise comparando as noções inglesa e americana do que é o rock'n'roll através do Nirvana e do Radiohead, citando o caso de ambas as bandas terem tido influências e ídolos similares, alimentadas pela mesma rejeição ao artificialismo e mergulharem fundo no sofrimento, com mega hits estourados no ano de 1993 na terra do Tio Sam, mas dizendo que o crucial ali era a palavra "inglês" pois se o lider do Nirvana, Kurt Cobain tivesse escolhido viver, seria provavelmente um trovador acústico, despojando suas músicas para um som melancólico, desamparado e de tinturas folk. Jamais imaginaríamos ele gravando um cd como Kid A, de 2000, do Radiohead, por exemplo, mergulhado fundo na "ciência de estudio". Aí é que estava o abismo entre o rock americano e o rock inglês, segundo Simon.

Podemos até concordar com essa tese mas como sempre, tudo tem sua exceção e ela pôde ser vista na última quarta feira na casa noturna Bourbon Street, no bairro de Moema, em São Paulo

Devidamente intitulado "An evening with Greg Dulli e Mark Lanegan"', os heróis do rock alternativo americano, que nos anos 90 espalharam guitarras intensamente barulhentas com os miticos Screaming Trees e Afghan Whigs respectivamente, celebraram suas carreiras com um arrepiante show acústico.
No belíssimo palco, contemplado com luzes sombrias e um vitral ao fundo, eles desfilaram canções de Sreaming Trees, Twilight Singers, Afghan Whigs, Gutter Twins (ultimo projeto de ambos, gravado em 2008) e da carreira solo de Mark Lanegan, com destaque para o mini hit Dollar Bill, dos Screaming Trees, do longíquo ano de 92 e que levantou a platéia, já no bis, que abarrotou o lugar e deixou mais algumas dezenas de fora.

Destaque tb para "If I Were Only" dos Whigs que animou os fãs mais fervorosos. O último álbum gravado por ambos, Saturnalia e sob a alcunha de Gutter Twins (Irmãos da Sarjeta, sintomático nome para ambos devido a uma extensa e intensa ficha de escândalos durante os anos 90) teve participação com 5 lindas canções. Vale ressaltar uma belíssima versão de "King Only" dos Twilight Singers, em que Greg Dulli emocionava cantando o refrão "you don't love me anymore, ah ah, ah ah...", e por final, versões solo matadoras do trovador Mark Lanegan, que com sua voz grave e sua postura séria, contrastando com a postura de Greg Dulli, sorridente e falando em português com a platéia, dava mais intensidade ao show.

Com tudo isso, é válida a reflexão de que é possivel sim, um show totalmente acústico ser comparado com um show, digamos, tecnológico, e até se sair melhor.
Mr. Lanegan e Mr. Dulli, apesar da sarjeta, mostraram que um show acústico pode ser inesquecível e que eles merecem serem citados como artistas completos e porque não, classudos. Além de mostrar para a nova geração folk/indie/hypado que não basta ser triste e sensivel para ser bom. Conta muito o excesso de tabaco e de álcool na garganta e uma série de escândalos no decorrer na trajetória pessoal/musical. Isso gera uma grande diferença na presença de palco. E na intensidade do show.

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E você pode não acreditar, mas este post fodão do finde ainda não acabou. O zapper, vivamente emocionado com a cobertura do show do Blur em Londres (chuuuuupaaaaa, concorrência, hihi), e podraço e morto de cansaço com a edição do texto (mas feliz com ele) vai tirar um cochilo (são seis da matina, galere!) e volta logo menos, no meio da tarde desta sextona, com um roteiro básico de baladinhas e, talvez, desova de prêmios, certis?

Até já, então!

(enviado por Finatti às 6hs.)

Manics arrasam em Londres! E o Gossip... (agora vai!) (versão final)

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Os Manics ao vivo, em Camden Town, em Londres: show pra enlouquecer os fãs 

* Chega de Michael Jackson! Yep, já vai fazer uma semana que o maior nome da música pop bateu as botas (ok, ainda vai ter funeral e enterro e bla bla blá), então vamos deixar a alma do sujeito descansar em paz. Fora que a vida segue, o mondo pop não pára e temos que ir em frente, porque atrás vem sempre mais gente, uia!

* O país da canaile política não muda, alguém duvida disso? A Folha online informa que o CQC da Band, uma das melhores coisas que existem hoje na tv aberta deste país (Marcelo Tas sempre foi gênio, ponto), já sofre censura e pressão da própria emissora que o abriga, para que o programa não pegue muito pesado com os... políticos, claaaaro. Lamentável.

* O que já era ruim vai ficar ainda pior. Nosso colega de blogosfera, o Ilustrada no Pop, dá nota sobre o novo álbum do medonho Killers. O mala e cafona Brandon Flowers, com seus acólitos, agora vai lançar um disco de covers. Uma delas é para "Romeo And Juliet", clássico do velhusco Dire Straits, banda que foi até legal laaaaá nos early 80’, em seus primeiros discos e tal, mas terminou sua carreira afundada na breguice. Agora, pensa bem... Killers tocando Dire Straits... não, não dá pra encarar.

* Já a nova turnê mundial do U2 dá pra encarar numa boa. Mesmo porque "No Line On The Horizon", o último disco de estúdio de Bono e cia. é bem bom. O primeiro show foi ontem à noite em Barcelona, na Espanha, para 90 mil pessoas e mereceu até trecho no encerramento do Jornal da Globo, uia! A tour "360 graus" da banda está prevista pra durar três anos (isso mesmo!). Será que eles não dão uma passadinha por aqui novamente?

* Falando em tv Globo, a emissora resolveu dar uma madrugada pop aos telespectadores insones (como o zapper aqui), em termos cinematográficos. Passou no famigerado Intercine o filme "Segundas intenções", que é aquela refilmagem até decente feita anos atrás, para o clássico "As ligações perigosas", dirigido em 1988 pelo gênio Stephen Frears e contando então com uma tesudaça Glen Close no papel da maquiavélica Marquesa de Merteuil, além de um John Malkovitch (fazendo o não menos perverso Conde de Valmont) em plena ascensão. A história, todo mundo conhece: os dois personagens têm como esporte predileto seduzir pessoas e destrui-las emocionalmente. Até que Valmont conhece a encantadora Cecile De Volanges (interpretada por uma jovem e já deliciosa Uma Thurman), descobre que ela é virgem e passa a ter como meta deflorá-la. Mas Valmont acaba se apaixonando por sua vítima e... bien, essa é a versão original de Frears, ambientada na realeza francesa pré-revolução, e fiel ao romance escrito por Choderlos De Laclos em 1782. A versão exibida na Globo é pop e moderninha (e embora bacaninha, não chega aos pés do refinamento e da elegância do filme dirigido por Frears) e transpõe a ação para a Nova York dos anos 90’ e... bem, Zap’n’roll já tinha visto no cinema (a refilmagem é de 1999, se não falha a memória do lesado autor deste blog) e só resolveu comentar aqui porque foi curioso ver o dito cujo passando alta madrugada na Globo. Ah sim, a versão noventista do filme ainda conta com Placebo, Blur e Verve mandando ver na trilha sonora.

* Bien, bien, Londres pega fogo neste finde com a volta do Blur. E já pegou antes, com a invasão dos Manics, como você vai ler agora, aí embaixo.

MANICS AO VIVO – AMANTES ROCKERS EM FÚRIA!

Lenda viva do rock inglês contemporâneo que importa, o cultuadíssimo e amado (por lá) Manic Street Preachers lançou um disco fodaço este ano, o "Journal For Plague Lovers", já muito bem cometando por aqui, nestas linhas zappers. É uma pena que praticamente ninguém conheça a banda no Brasil porque os Manics (como são carinhosamente chamados pelos fãs ingleses) são tão ou mais importantes do que o Oasis, por exemplo.

E além de "Journal..." ser o melhor disco do grupo em pelo menos uma década, a banda ainda está arrasando com shows igualmente fodásticos pelo Reino Unido. Um desses shows foi visto por Zap’n’roll, através de nosso correspondente honorário (hihi) Macelo Yorke, no final de maio em Londres. Velho e dileto amigo deste blogon, rocker man de carteirinha e bom de texto, Marceleza está morando em Londres desde o ano passado. E promete mandar sempre novidades de lá para o blog. Ele estará nesta sexta-feira lá no Hyde Park, pra acompanhar o mega comeback do Blur e nós estaremos aguardando aqui seu relato sobre o showzaço.

Por enquanto, você fica sabendo o que os Manics aprontaram em Londres, lá no Roundhouse, em Camden Town, no dia 29 de maio último:

"Uma molecada se aglomera na calçada em frente ao mercado de Camden Town, bairro de todas as tribos alternativas do mundo. São 3 horas da tarde, e percebe-se claramente a ansiedade no rostos desses jovens, muitos deles com menos de 20 anos, para o tão aguardado show da turne do nono álbum de estudio dos Manics, Journal for Plague Lovers. Ainda faltam algumas horas pro show, mas já é possível localizar vários "clones" de Richey Edwards, o falecido primeiro vocalista da banda. Sao meninos que, em sua maioria, mal tinham saído das fraldas quando Richey desapareceu. E é isso que faz o rock and roll ser tao apaixonante: ser atemporal.

Fui me juntar às outras centenas de pessoas na fila. Aos poucos percebo que o número de fãs das "antigas" comeca a aumentar consideravelmente. São homens e mulheres que eram adolescentes quando a banda surgiu, há quase 20 anos, e continuam acompanhando seus ídolos ate hoje. Mas são esses que mostram um ar mais frio, menos empolgado, deixando pra chegar em cima da hora e preferindo ficar um pouco mais afastado do palco.

Pois bem, eu ja nao me aguentava de ansiedade. Os Manics fazem parte de uma seleta lista daquelas bandas que "eu precisava ver antes de morrer".

O local dos show não é dos maiores (capacidade para 2.500 pessoas mais ou menos), e com uma acustica impecável. E em qualquer lugar que você resolvêsse ficar, conseguiria ver a banda tranquilamente, de perto e sem nada atrapalhando.

A nova turne dos Manics é impecável. Além deste ser o melhor disco deles desde o fim dos anos 90’, eles tocam na íntegra esse novo trabalho na primeira metade dos shows, e após um intervalo de dez minutos, voltam pra uma sequência esmagadora de hits de sua carreira.

A primeira faixa é "Peeled Aples", que abre o novo disco. É como se eu estivesse sendo lembrado, o tempo todo, o quão importante esse disco e essa turne são.

James, Sean and Nicky são extremamente seguros e confiantes no palco. "Me and Stephen Hawking" e "Marlon JD" sao executadas com a fúria de um adolescente de 18 anos, por uma banda com 18 anos de estrada. "This Joke Sport Severed" é costurada por cordas (em algumas canções juntam-se ao trio um guitarrista, um tecladista e um quarteto de cordas). As canções, recém-saídas do forno, são acompanhadas do início ao fim pela plateia hipnotizada, como se fossem clássicos.

"Jackie Collins Existential Question Time" começa devagarzinha, mas engana muito bem, ao terminar num furioso punk rock.

Entre uma música e outra, o vocalista James vomita palavras contra governos, políticas e a recessão. O baixista Nick Wire é o mais carismático. Fala pouco, mas quando fala é ovacionadíssimo. Ele não se mexe muito no palco, esta com longos cabelos loiros, e seu microfone vem "montado" - plumas coloridas, lantejoulas, brilhos... mais chamativo, impossível.

Em "Facing Page: Top Left", James fica sozinho no palco, numa sessao acústica, como se estivesse dando uma canja num pub londrino numa segunda à noite. Linda.

O palco é simples, com uma bandeira-poster gigante com a polêmica (e linda) capa do novo disco ao fundo, onde permanece apenas durante a primeira parte do show, sendo retirada no intervalo.

Apos a parada, a parte mais esperada, pelo menos para mim: porradaria. "Motorcycle Emptiness" estupra o silêncio do intervalo e transforma a plateia numa imensa roda-de-pogo. O massacre sonoro não pára: "No Surface All Feeling", uma estática "You Love Us", seguida pela emocionante "Tsunami", "La Tristessa Durera", a sensacional "Faster", "If You Tolerate This Your Children Will Be Next", "Australia", e minha favorita de todas, "You Stole the Sun From my Heart", que fez todo mundo pular, mas pular MUITO. Era incrível a qualidade acústica do local, e a competencia da banda para executar as cancões com tanta perfeição, a sensação era de estar ouvindo o cd propriamente dito.

Pra fechar essa noite fabulosa, "Motown Junk", que teve como introdução "Stop in the Name of Love" (The Supremes), tão atual que é difícil de acreditar que é mais velha que Miley Cyrus. "Everything Must Go" e "A Design for a Life" (o maior hit deles) são tão fortes e poderosas que, se qualquer partido político resolvesse adotá-las como música-tema, venceriam tranquilamente as eleições por aqui.

O público urra, berra e se descabela, mesmo sabendo que nao haveria bis, totalmente desnecessario para um generoso setlist de 28 musicas. Memorável.

 

O vocalista James Bradfield comanda a explosão rocker do grupo no palco

MANIC STREET PREACHERS - SETLIST DO SHOW

Peeled Apples

Jackie Collins Existential Question Time

Me and Stephen Hawking

This Joke Sport Severed

Journal for Plague Lovers

She Bathed Herself in a Bath of Bleach

Facing Page: Top Left

Marlon J.D.

Doors Closing Slowly

All is Vanity

Pretension / Repulsion

Virgina State Epileptic Colony

William's Last Words

BIS

Motorcycle Emptiness

Your Love Alone Is Not Enough

No Surface All Feeling

You Love Us

Tsunami

La Tristesse Durera

Faster

If You Tolerate This Your Children Will Be Next

Little Baby Nothing

Australia

You Stole The Sun From My Heart

Sorrow 16

Stop In The Name of Love / Motown Junk

Everything Must Go

A Design For Life

MANICS AQUI

Em dois vídeos do show em Camden Town, em Londres:

Manic Street Preachers – "Everything Must Go"

Manic Street Preachers – "You Stole The Sun From My Heart"

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A MÚSICA PARA HOMENS DO GOSSIP

Beth Ditto é uma figuraça, isso não se discute. Não apenas pela sua, hã, "exuberante" forma física (com aquela tonelagem toda adornada por tatauagens vistosas) mas também pela sua presença de palco e pelo bom trabalho que desempenha como letrista e vocalista do The Gossip, que está aí como seu novo disco, "Music For Men", o quarto de estúdio em uma década de existência – há também o ao vivo "Live in Liverpool", que saiu há poucas semanas no Brasil.

O Gossip surgiu em 1999 no Arkansas (EUA, of course) e tinha uma aura um tanto subversiva no início, muito pela figura algo agressiva e assustadora de sua vocalista, muito pela sonoridade que combinava electro-rock com esgares de punkismo nas letras e em algumas melodias. A novidade chamou a atenção na indie scene dos Estados Unidos, atravessou o Atlântico e reverberou ainda melhor na Velha Ilha, onde o trio de Beth Ditto (mais Brace Paine nas guitarras e Hannah Blilie na bateria) acabou se tornando queridinho da New Musical Express. E "Movement", o disco lançado em 2003, acenava com um futuro brilhante para o trio.

 

O novo álbum do Gossip: legalzinho, mas longe de ser um discão 

Mas a verdade é que o Gossip chega a 2009 já um tanto corroído pela velocidade febril dos hypes do pop atual, que bomba e destrói bandas num piscar de olhos e em série. Não que este "Music For Men" seja ruim, nada disso. Mas uma audição atenta das faixas mostra que o electro-punk do grupo já soa precoce e estranhamente "domesticado". Yep, Ditto parece ter perdido um pouco (não todo, ainda) o apreço pela anarquia musical. Vai daí que os melhores momentos do álbum são quando o electro algo funkeado da banda encontra melodias rockers e guitarras em brasa, como acontece em "Dimestore Diamond", na bastante adrenada "8th Wonder", ou no primeiro single do cd, "Heavy Croos", que pode render bons momentos em uma pista de dança. Quando a banda resolve embarcar em eflúvios mais disco, com direito a piano e tal (como em "Love Long Distance"), ou parte para o funkismo racha-assoalho (olha lá a levada de "Pop Goes The World" ou de "Men In Love"), ela perde um pouco a mão. Ok, as faixas são bem tocadas e gravadas mas sem nenhum arroubo de genialidade. Aí o Gossip se torna apenas mais um entre tantos grupos que tentam dar sobrevida ao moribundo electro (que fim levou o CSS, afinal?). E, no final das contas, um Gang Of Four já soube traduzir muito melhor, e com anos de antecedência, a fúria política e iconoclasta do punk em ambiências de funk e rock.

A matemática é simples: se você já gostava de Gossip, não vai deixar de gostar por causa deste "Music For Men". Se não gostava, não vai ser o novo álbum de Beth Ditto que irá fazer você mudar de idéia em relação a eles. Infelizmente é assim que o pop atual caminha: entre bandas medíocres, discos medianos e alguns poucos gênios da raça, todos continuam se matando pra tentar conseguir se salvar. Pois é.

SAIDEIRAS

* Saíram assim, meio na maciota, os novos álbuns de Regina Skpetor e do redivivo grupo indie americano Dinosaur Jr., que foi meio cult nos anos 90’ entre uma certa casta de "indieotas" brazucas – na verdade, Zap’n’roll sempre achou o Dinosaur e seu líder, J. Mascis, meio maleta. Enfim, o disco da Regina se chama "Far" e recebeu críticas favoráveis na Rolling Stone americana e na Spin. O sempre rigoroso diário britânico "The Guardian" deu três estrelas pro trabalho e o Pitchfork meio que arrasou o dito cujo, dando-lhe uma modesta nota 4,8. Daqui a pouco este blog ouve o cd e conta aqui o que achou dele.

 

La belle Regina (acima), lançando disco novo (abaixo)

* Já "Farm", do Dinosaur Jr., recebeu fartos elogios em tudo quanto é quanto. Nota 8,5 no Pitchfork, 7 na New Musical Express, quatro estrelas na Uncut, idem no AllMusic e por aí vaí. Sorry, mas o blogon não vai perder tempo ouvindo os mais de 60 minutos do disco, não. Se alguém aí do outro lado do micro quiser ouvir e resenhar pro blog, às ordens. É birra mesmo e Zap’n’roll acha que esse povo todo que hoje escreve na rock press em sites e blogs, está tomando drogas demais pra gostar tanto de um negócio desses, hihi.

 

Capa do novo álbum do maleta Dinosaur Jr. 

* Ok, ok, hoje já é quarta-feira e você, à toa na vida como sempre (rsrs), já está pensando nas baladenhas do finde, né? Pois então este blog sempre alegre e animado já dá a letra: amanhã, quinta, rola o novo projeto "Outs Lounge", lá na Outs, claro (rua Augusta, 486, centrão de Sampa), com papo de boteco, preço idem pras brejas e discotecagem das seis da tarde até uma da manhã. Depois, você pode esticar na Livraria da Esquina (rua do Bosque, 1253, barra Funda, zona oeste de Sampa), onde vai rolar show de lançamento do novo disco da sempre bacana Stella Campos. Já a sextona em si vai ser fervida no circuito alternativo, com Vanguart tocando no StudioSP (rua Augusta, 595), o barulhento trio Zefirina Bomba fazendo set acústico no Belfiori (rua Brigadeiro Galvão, 871, Barra Funda) e a nossa musa indie Bruna Vicious mandando ver na discotecagem lá na Outs. E no sabadón... bão, o que rola no sábado você confere aqui no post de sexta, pra esquentar o finde, certo mano?

* O Twitter virou febre mesmo, né? É bizarro ver o Evaristo Costa, em pleno Jornal Hoje, da Globo, dizendo que está twittando naquele momento, e também recebendo mensagens dos telespectadores através do dito cujo. Fala sério... e não, Zap’n’roll não vai embarcar no hype babaca do Twitter.

* Alguém aí viu a de-lí-cia Dani Buarque em uma página da nova edição da revista Vip? Pra quem não conhece, a Dani é uma loiraça belzebú e tesudaça de vinte aninhos de idade, que trampa como hostess na Funhouse, em Sampa, de quinta-feira a sábado. Gracinha, inteligente, ótimo papo e rocker até a medula, Dani é tudibom e dileta amiga destas linhas zappers há tempos. E, o mais incrível, a garota possui zero de arrogância. Pois é: é este monumento à inteligência e à beleza que aparece gloriosa de langerie branca mínima e sedutora na Vip deste mês. Ah tá, você não viu a revista? Ok, Zap’n’roll reproduz a foto da Dani aí embaixo, hihi. Ela merece! Beijão, cherrie!

 

Além de ser uma delícia cremosa, ela é a simpatia em pessoa. E você pode vê-la de quinta a sábado recebendo os indies kids, na entrada da Funhouse/SP 

* Buenas, é isso. Pra encerrar, corre lá no finatti@dynamite.com.br que continuam em sorteio:

* Dois kits com dvds e cds da gravadora ST2;

* E três exemplares do livro "Tragam os cavalos dançantes", que conta a história do projeto Grind, a domingueira rock que rola semanalamente no clube gls A Loca, em Sampa.

O nome de quem ganhou o quê nessa parada deve estar aqui no post de sexta-feira, certis?

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O blogão vai nessa. E deixa beijos masters nas queridas Renatinha Tranches de Goiânia (que indicou pro blog a banda Foreign Cinema, sobre a qual falamos melhor no próximo post), na Karin Melez (que está curtindo merecidas férias em Floripa), nas gatíssimas Catarina Cicarelli e Adriana Ribeiro (bora pegar um cinema amanhã, garotas?) e na mais do que amada Rudja Catrine, a garota que, enfim, acalmou os eternos demônios internos do autor deste blog. Até mais!

(finalizado por Finatti às 17:30hs.)

A volta triunfal do Blur, o novo Gossip... e Micahel Jackson is dead! (versão final em 26/06/2009)

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Uma banda gigante, de volta com sua formação original: o Blur arrasa novamente na Inglaterra 

Brasil em campo.

E o blogon pensando no grande comeback com seu line up original, do mega amado quarteto inglês Blur, uma lenda viva – e pra lá de atual – do britpop dos 90’. E pensando também como o autor destas linhas rockers online continua achando futebol uma das bobagens mais desagradáveis que existe na história do esporte mundial. Sim, claro, a humanidade ama futebol (inclusive a linda e amada Rudja Catrine, musa zapper e girlfriend do blogger que adora ser voz discordante do senso comum, hehe. E não que Rudja seja uma garota afeita ao senso comum, longe disso, mas ela também gosta de futebol e Zap’n’roll respeita isso, sem problema), mas o blogon considera que as pessoas perdem tempo e energia demais discutindo as nuances que permeiam um esporte algo estúpido, grosseiro, agressivo, que se resume a vinte sujeitos (descontando-se os dois goleiros) correndo atrás de uma bola – e que geralmente ganham fortunas pra fazer isso, enquanto a grande maioria dos torcedores dos clubes se matam pra assistir jogos nos estádios, pagando ingressos caros e abrindo um sorriso desdentado quando seu time ganha. Enfim, nada contra futebol, mas existem esportes melhores e mais agradáveis de se assistir, esteticamente falando. E há também coisas mais importantes no mondo da cultura pop, rsrs. Como a volta do grande Blur. Ou o disco novo do Gossip. Ou o amor que une hoje Zap’n’roll e Rudja. Mas estes assuntos mais "importantes" você começa a ler agora, aí embaixo, no blog sempre bom de bola (ops) e de papo também.

* Ah, sim, jogo encerrado. E a seleção do Dunga bateu a África do Sul, por 1 a 0, no sufoco, aos 42 minutos do segundo tempo.

* Mondo dos muito ricos e famosos: a praga Gugu Liberato assinou hoje contrato com a rede Record, por oito anos. Deixa o SBT em março de 2010, após ficar 21 anos na emissora do homem do Baú. Nos domínios do bispado, vai ganhar R$ 3 milhões por mês – não, você não leu errado. Vem cá: não é muita grana pra uma pessoa só, ainda mais em se tratando de alguém que pouco ou nada fez para melhorar a qualidade da tv aberta no Brasil? É, pobre Brasil...

* E lá se foi Farrah Fawcett, a loiraça que acompanhou a infância do blogger popper nos anos 70’, quando ela brilhava no seriado "As Panteras". Farrah, um dos grandes sex symbols daquela época (quantas fantasias eróticas mirins não tivemos com ela?), era lindíssima e há três anos lutava contra o câncer. Perdeu a batalha hoje, aos 62 anos de idade. Boa viagem, loira inesquecível!

* BOMBA! WACKO JACKO TAMBÉM BATE AS BOTAS – Quinta-feira realmente neeeegra no mondo pop. Enquanto estas linhas zappers estavam sendo escritas, no final do dia vinha a notícia dos EUA: Michael Jackson estava internado em coma no Ucla Medical Center, em Los Angeles, após sofrer uma parada cardíaca em sua casa. Minutos depois, vinha a confirmação da morte de um dos maiores astros de todos os tempos da música pop. Ok, vamos esquecer por alguns momentos a vida bizarra do sujeito, as extravagâncias ao cubo, os escândalos de pedofilia nos quais ele se meteu etc., e nos lembrar apenas de um único detalhe: estamos falando do cara que gravou o álbum "Thriller". Só a existência deste disco já é suficiente pra inscrever o nome de Michael na história da música pop que importa, e também conceder a ele o adjetivo de gênio, algo inquestionável. O resto é o resto (e ele também fez muita coisa bacana além de "Thriller", embora sua trajetória artística tenha sido um autêntico fiasco na última década e meia). Anyway, a importância de MJ para a música pop já pode ser medida pelas reações da mídia e dos fãs mundo afora, à notícia de sua morte – o site da NME foi curto e grosso em sua manchete: "Michael Jackson is dead!". E em extensas sub reportagens informa, por exemplo, que nomes consagrados do rock alternativo (e mesmo mainstream) já estão preparando tributos ao cantor, como é o caso do graaaaande Blur, do We Are Scientists e do Calvin Harris. Enfim, é isso. Wacko Jacko tinha 50 anos de idade e estava preparando uma volta triunfal aos palcos a partir de julho, na Inglaterra, sendo que praticamente não havia mais ingressos para a série de shows. RIP, man!

* Da famosa seção "parem as máquinas!": a mega edição brasileira da Rolling Stone, em pleno trabalho de fechamento da edição de julho, teve que parar tudo, por conta da morte de Michael Jackson, e reformular quase toda a pauta. Não está descartada a possibilidade de que Wacko seja a capa de julho. A aguardar...

* Foi, enfim, a bomba desta quinta-feira friorenta e chuvosa, ao menos aqui em Sampa (ótimo que esteja assim, Zap’n’roll adora e fica ainda com mais saudade de sua distante girlfriend). Ofuscou até o mega bochicho em torno da volta do Blur e quase fez o blogon zapper reformular a sua pauta. Mas vamos em frente.

O BLUR VIVE!

(UM MINI DIÁRIO SENTIMENTAL)

O mega e tradicional festival de Glastonbury vai balançar a galera rocker britânica neste finde. E no sábado (leia-se amanhã), o ressuscitado quarteto britpop Blur, que Zap’n’roll sempre amou de paixão desde o primeiro álbmum (o "Leisure", lançado em 1991, já há longínquos dezoito anos), vai fazer o povo tremer em Glasto, ao som de "Boys & Girls", "There’s No Other Way", "Park Life", "The Universal", "Bettlebum", "Tender", "Coffe & Tv", "Song 2" e tantos outros hits fodásticos que vem embalando quem curte rock alternativo desde os anos 90’ até hoje. De volta com seu line up original (Damon Albarn nos vocais, Graham Coxon nas guitarras, Alex James no baixo e Dave Rowntree na bateria) o Blur, que é um dos gigantes do rock inglês até hoje, se tornou novamente assunto do dia com seu comeback. Está na capa da NME desta semana, está causando furor na web com os vídeos que já circulam no Youtube mostrando a banda em ensaios e shows pequenos para a nova turnê, e depois de ser headliner amanhã em Glastonbury, o quarteto irá tocar quinta e sexta-feira da semana que vem no Hyde Park, em Londres. Se você está pensando em ir em alguns desses três shows (o do Glasto ou um dos dois na capital inglesa), desista: os ingressos estão esgotados há meses.

O grupo merece tudo isso, claro. E falar dele aqui traz enoooormes e ótimas recordações ao blogueiro zapper. Tudo começou em 1988 na capital inglesa, onde os amigos Albarn, Coxon e James estudavam no mesmo colégio. E como todo bom inglês que se preza, quando se junta com mais amigos em um colégio ou faculdade, o que ele faz? Monta uma banda, óbvio. Não foi diferente com o trio, que logo recebeu a adesão do batera Dave Rowntree. Os ensaios começaram, shows idem e veio o primeiro álbum em 1991. "Leisure" era um bom disco, que carregava eflúvios de indie guitar rock britânico oitentista com algo de shoegazer. Chegou a ser lançado na época no Brasil em vinil (e Zap’n’roll, que então escrevia para a Istoé, recebeu um exemplar da gravadora Emi) e emplacou tanto lá como aqui dois singles, a linda "She’s So High" e a dançante "There’s No Other Way". Era também época de Espaço Retrô (o primeirão mesmo, na rua Frederico Abranches, em Santa Cecília, atrás da igreja que fica na praça em frente; o casarão que abrigava o bar não existe mais: foi demolido e em seu local repousa um terreno baldio, cercado por um muro) e de muitas noitadas maluca do blogger maluco por excelência (mas que está ficando tiozão e querendo sossegar na vida com uma certa garota nascida na Guiana Francesa, e que mora na capital do Amapá, rsrs). Muita cocaína nos banheiros do porão do sobrado, ao lado da pista, muito whisky, muitos peitos femininos "mamados" nos cantos escuros, muitas xoxotas fodidas também ali, em condições precárias – o que tornava tudo ainda mais excitante, sempre. Loucuras enfim de um jornalista rocker já quase trintão e que, com síndrome de Peter Pan, queria prolongar sua adolescência ao máximo possível. E sempre ouvindo Blur, na pista do Retrô ou na sua casa, ainda no apê da rua Frei Caneca.

Os anos passaram, a banda foi lançando álbuns cada vez melhores e o conjunto estourou em popularidade na Inglaterra com a obra-prima "Park Life". Editado em abril de 1994, é seguramente um dos vinte melhores discos de toda a história do rock. Famoso também por sua capa onde era mostrada uma corrida de cães (nada mais inglês, né?), além das fantásticas músicas que continha, "Park Life" narrava em crônicas de pouco mais de três minutos o estilo de vida muito peculiar dos ingleses, tudo com muita acidez e fina ironia. E essas crônicas foram alinhavadas em uma gama de canções que deambulavam por estilos tão díspares quanto a valsa, o heavy metal (sim!) e o notório britpop, o esitlo musical criado pela banda junto com seu arqui-rival, o Oasis (parentese altamente necessário: o autor deste blog sempre amou Oasis também, mas considera o Blur muito mais banda que o grupo dos manos Gallagher, musicalmente falando, e isso é inquestionável). Um discaço enfim, que chegou merecidamente ao topo da parada britânica (é, naquela época a internet ainda era novidade, não se baixavam músicas e discos a rodo na web e as pessoas ainda compravam cds) e embalou milhões de rockes mundo afora (o zapper aqui incluso na história, sendo que a resenha de "Park Life" foi umas das primeiras do autor deste blog publicada na saudosa edição impressa da Dynamite), com canções sensacionais como "Boys & Girls", "Tracy Jacks", "End Of A Century", "Bad Head", "London Loves" e a lindaça "This Is A Low" (outro parentese: já por volta de 1994 e morando no Cambuci, o zapper sempre movido a paixões tórridas por garotas rockers malucas como ele, tesudas e fodedoras, começou a namorar com a estranhíssima Luciana De Mattias. Estranha porque ela era culta e sagaz ao extremo, antenadíssima com cultura pop, mas sempre muito quieta, com um olhar enigmático e estudante de... veterinária, vejam só. Mas Lu também era bonita, carinhosa e adorava as mesmas bandas que o jornalista britpopper também gostava, entre elas o Blur, de quem Luciana amava ouvir... "This Is A Low". Anyway, foi um namoro bacana enquanto durou pois um dia a futura veterinária partiu e Zap’n’roll não soube mais dela, quer dizer, a encontrou alguns anos depois em São Thomé Das Letras, ambos conversaram um pouco e depois não se falaram mais. Luciana deve ter casado com um cara legal e se ela por acaso ler este post, fica um beijo e a saudade do blogão zapper pra ela).

Daí pra frente e com a carreira já consolidada, o Blur oscilou entre discos medianos ("The Great Scape", de 1995), alguns muito bons ainda ("Blur", de 1997, que sacudiu o planeta com a feroz "Song 2", redescoberta para as novas gerações rockers quando ela foi incluída como trilha de um comercial de automóveis; ou "13", editado em 1999 e que contém a fofíssima "Coffe & Tv", que gerou um dos clips mais geniais que se tem notícia na hsitória do pop. Quem não se emocionou com a história de amor, mostrada no vídeo, entre... duas caixinhas de leite??? Pois é, hehe), e pelo menos um francamente medíocre: o desastroso álbum "Think Thank", lançado em 2003 e que mostrava um Blur meio perdido musicalmente e pendendo para a música eletrônica. No meio das gravações do álbum o guitarrista Graham Coxon, inconformado com os rumos que o grupo estava tomando, resolveu cair fora e foi se dedicar à sua carreira solo. Enquanto isso o baixista Alex James se afundava em cocaína, champagne e noitadas regadas a tudo isso mais bocetas quentes e loucas pra foder com um astro pop (Alex conta tudo isso em detalhes em sua biografia "Bit Of A Blur", lançada em 2007 e onde ele conta como torrou milhares de libras em cocaine e champagne) e a carreira (a musical, plis) do conjunto parecia estar chegando ao fim.

 

 Capa de "Park Life", a obra-prima do grupo

Ah, sim: antes do fiasco "Think Thank", a banda veio ao Brasil, em novembro de 1999, para um único show – em Sampalândia, óbvio, mas no medonho Credicard Hall. Era noite de domingo, Zap’n’roll se lembra muito bem, e o "elefante branco" da zona sul paulistana abrigava metade de sua lotação (cerca de três mil pessoas). Entre os fãs que estavam lá, o autor deste blog, acompanhado sempre das amadas irmãs Adriana (então grávida de sua hoje linda filhota, a Gabriele) e Vera Ribeiro. Descontando-se os eternos problemas de acústica do local, foi um show emocionante e que rendeu dezenas de fotos tiradas pelo sujeito aqui (em câmera ainda não digital, ou seja, as fotos foram reveladas depois no bom e velho papel fotográfico) e que estão guardadas até hoje em um álbum – se possível, algumas serão escaneadas e entram logo menos aqui neste post.

Foram seis anos sem tocar juntos. Nesse período, como já foi dito, Graham Coxon foi cuidar de sua carreira solo e Damon Albarn se dedicou à sua outra banda, o Gorillaz, que chegou a fazer bastante sucesso também, principalmente com o primeiro disco, homônimo, lançado em 2001. Mas aí bateu a saudade, os fãs nunca se esqueceram do amado Blur, Coxon e Albarn superaram suas divergências pessoais e musicais e eis que o grupo está aí novamente, inteiro, vivo, forte e chutando em pleno 2009, pra alegria geral da nação rocker.

É uma volta tão importante que vem sendo falada e comentada desde que foi anunciada, em dezembro do ano passado, quando a própria Zap’n’roll também comentou pela primeira vez o assunto. E o bochicho em torno dos shows que o grupo irá fazer neste finde em Glastonbury e na semana que vem em Londres, só foi ofuscado ontem, quinta, pela notícia da morte de Michael Jackson. Nem tinha como ser diferente e o próprio Blur não perdeu tempo, já anunciando que irá fazer um tributo ao mega astro da música pop durante os concertos deste final de semana.

Na boa, seria fodástico se esses quatro voltassem a tocar aqui, nesse velho brazilzão. Da nação que frequentou o Retrô até a turma que hoje circula pela Outs (Edu, um dos donos do bar, é fanático pelo Blur) e todo o baixo Augusta em Sampa, todo mundo iria se emocionar novamente na gig, cantando todas aquelas músicas que nos embalam já há quase vinte anos. E continuarão, pelo jeito, nos embalando por muito tempo ainda.

Seja bem-vindo novamente, grande Blur!

* Este mini diário-sentimental sobre a volta do Blur vai dedicado, claaaaaro, pra amada Adriana Ribeiro. E também pra Eliana Martins e pra Luciana De Mattias, esteja ela onde estiver. Beijos doces em vocês todas, garotas!

* Pra saber mais sobre a volta do grupo, vai lá: www.blur.co.uk

* Este diário sentimental foi totalmente escrito ao som de "Park Life", a obra-prima do Blur.

BLUR PARA AS MASSAS!

Aí embaixo, novamente com a formação original e ao vivo em recente apresentação em Londres. E também relembrando os clássicos clipes de "Song 2" e "Coffe & Tv".

Blur – "Bettlebum" ao vivo em Londres, no último dia 22 de junho

Blur – "Song 2"

Blur – "Coffe & Tv"

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SAIDEIRAS

* Yep, não adianta querer esticar o assunto neste post porque só da Michael Jackson em tudo quanto é lugar: na web, nos blogs, sites, telejornais, diários impressos etc, etc, etc. Uma autêntica avalanche cobrindo a morte do sujeito que mais vendeu discos de um único álbum na história da música pop. Então, é bom ir parando por aqui mesmo, né?

* Ah, sim, de última hora meeeeesmo: se você ainda é metaleiro e ainda bate cabeça com o metal velhusco e mezzo glam do Twisted Sisters, alegre-se: eles tocam dia 14 de novembro em Sampa, na sempre bacana Via Funchal.

* E o modesto mas bem bacana blog Hooraay, escrito por uma turma legal lá de Macapá, continua dando show de bola. Os posts mais recentes, produzidos pela gatona Rudja (claaaaaro!) falam da banda Metric, comentam a nova edição da Rolling Stone a vitória do Brasil ontem sobre a África do Sul. Dá uma passada lá (é só clicar nos links amigos, aí ao lado) que vale à pena e muito, ainda mais na pobreza que é este mar de blogs da net brasileira.

* E, sim, Zap’n’roll detesta Twitter, Facebook e essas bobagens todas que circulam pela web. Portanto pede, encarecidamente, que o povo pare de enviar e-mails para o autor deste blog, convidando-o a entrar nessas paradas, porque ele não vai entrar, okays?

* E, sim II: "Música para homens" (com o título já traduzido, hehe) é o novo álbum do Gossip, cuja resenha completinha você lê no próximo post. Claro, a Beth Ditto, com seus trocentos quilos e tatuagens, é uma figuraça fodaça. A banda é bacana, possui uma ótima vocalista de espírito punkster e foi uma pena ela ter cancelado sua participação no último (e extinto) Tim Festival, na última hora. Pelo menos o novo álbum está aí, né? (fora o "Live In Liverpool", que saiu há pouco no Brasil, via Sony). Então a gente fala melhor dele logo no começo da próxima semana, promessa de blogon zapper.

 

A figuraça Beth Ditto, vocalista do The Gossip, que lança novo disco (abaixo), e cuja resenha estará aqui, no próximo post zapper

 

O BLOGÃO INDICA

* Discos: o novo do Gossip, "Music For Men". E "Thriller", pra se recordar sempre o gênio que foi Michael Jackson, independente de suas estripulias extra musicais.

* Filme: ainda não foi ver "Loki", documentário sobre o gênio Arnaldo Baptista que foi comentado aqui na semana passada, antes de qualquer outro blog? Tá marcando, mané!

* Baladas no finde: elas andam meio assim, hã, repetitivas. Tipo: mesmas bandas e artistas tocando sempre nos mesmos lugares e pras mesmas pessoas (quem aguenta ainda ver/ouvir Wander Wildner no circuito Augusta/Barra Funda? Fala sério...). Tá na hora de as nossas sempre animadas casas noturnas do circuito rocker alternativo darem uma sacudida na sua programação, não? Como fez a Outs esta semana, inaugurando o bem-vindo projeto "Outs Lounge", às quartas e quintas-feiras, começando e acabando cedo (tipo das seis da tarde à uma da manhã), com discotecagem, bate-papo em clima de boteco e breja barata. Enfim, pra quem quer dar uma badalada pelos bares, aí vaí: hoje, sexta, tem Rock Rocket no Inferno (rua Augusta, 501, centrão rocker de Sampalândia), enquanto que o velho punk Wander Wildner dá as caras no Belfiori (rua Brigadeiro Galvão, 871, Barra Funda, zona oeste de Sampa).///Já no sabadão Vilania, Condessa Safira e As Radioativas sobem no palco da Outs (rua Augusta, 486), pra animar a galere. E lá na Funhouse (alô Dani Buarque, como vai essa simpatia loura? Bijokas!!!), na rua Bela Cintra, 567 (Consolação, centro de São Paulo), tem a volta do trio Betty57, agora contando com o boa praça Samuca na bateria. Vai nessa? Zap’n’roll vai não, hihi. O blog vai curtir uma festona junina no sabadão. Sério...

SACO DE BONDADES DE VOLTA!

Uia! E pra participar dele, basta enviar aquela mensagem honesta e carinhosa pro finatti@dynamite.com.br, que estão em sorteio:

* Três exemplares de "Tragam os cavalos dançantes", o livro que conta a história do Grind, a domingueira rock que abala o clube A Loca, em Sampa, há mais de uma década;

* Mais dois kits com dvds e cds, cortesia da sempre amiga gravadora ST2.

E guentaê que estão chegando uns ingressos por aqui pro show da Cat Power, mês que vem na Via Funchal. Semana que vem o blog deverá ter uma definição sobre isso.

E BYE BYE!

Agora acabou, mesmo. Semana que vem tem mais! Até lá!

(finalizado por Finatti em 26/06/2009, às 16:30hs.)

Extra do domingão - The Kooks na última sexta, em Sampa!

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Os Kooks incendeiam a Via Funchal em Sampa, na última sexta-feira (foto: Mari Pereira) 

 

 

Foi um show bacana, que superou muito as expectativas que o blogon zapper tinha em relação a ele. Sem ser nenhum fanático pela ainda curta discografia do quarteto inglês (embora considere o álbum "Konk" bem legal em sua concepção power pop/indie rocker), lá se foi Zap'n'roll na última sexta-feira pra Via Funchal, em Sampa, conferir o som ao vivo dos Kooks.

Era uma noite friorenta na capital paulista. E, de cara, o autor deste blog se surpreendeu com a quantidade de público que baixou na Vila Olímpia pra assistir a banda. Havia cerca de quatro mil pessoas por lá (a esmagadora maioria composta por adolescentes animados, uma garotada beeeeem bonita e estilosa em seu visual "indie moderno", com as xoxotinhas exibindo cabelos de cores variadas, peitões à mostra em decotes generosos e tênis e botas também nos mais variados designs; fora as zilhões de t-shirts de bandas). Um público que cantou quase o repertório inteiro do grupo na ponta da língua, o que comprova mais uma vez aquilo que todo mundo já está careca de saber: o poder de difusão da web, já que The Kooks absolutamente não vende tantos discos assim no Brasil.

 

 

E Kooks deu o sangue no palco da Via Funchal. Se em disco o grupo não empolga os críticos mais radicais e ranzinzas (que consideram o conjunto pop demais, uma espécie de "boy band" do indie rock, com quatro carinhas bonitinhos e longe de possuir grande talento musical), ao vivo as canções dos dois álbuns lançados pela banda até hoje (fora o "Konk", editado ano passado, há a estréia deles com "Inside In/Inside Out", editado em 2006) ganharam uma energia e punch rock'n'roll que adrenou até os poucos tiozões - como o sujeito aqui - que estavam na Via Funchal. É sério: os quatro músicos mostraram energia incendiária; o vocalista Luke Pritchard, além de extremamente simpático e carismático (ao final do set, com humildade, disse em português arrastado "nós estamos muito felizes de estar aqui com vocês", arrancando urros de satisfação dos teenagers presentes), possui ótima presença de palco e, na última música do show, literalmente se jogou na fila do gagarejo e cantou boa parte da canção no meio dos fãs. E o guitarrista Hugh Harris, o "maestro" do grupo, demonstrou grande segurança e habilidade na exibição de riffs contagiantes.

A banda tocou o repertório de seus dois discos, sem grandes surpresas. Já abriu o set de forma matadora, com o hit "Always Where I Need To Bed" e a partir dele, foi um desfile de mais alguns semi hits ("Sofa Song", "Naive", "Sway", "Shine On"), dentro de um repertório que alternava momentos de pura explosão rocker com outros de extrema dolência, por conta das lindas baladas compostas pela banda - e que dominaram o bis generoso oferecido pelo quarteto, com cinco músicas, entre elas a belíssima "Seaside", que não constava do set list original mas que foi tocada pelos Kooks após o público a pedir com insistência.
Foi isso. Showzão bacana de uma banda nova surpreendente. E que, se continuar assim, ainda vai queimar muita lenha boa no rock alternativo dos anos 2000.

KOOKS - O SET LIST DO SHOW
Always Where I Need To Be
Matchbox
Eddie's Gun
Ooh La
Sway
Time Awaits
One Last Time
She Moves In Her Own Way
Mr. Maker
Do You Wanna
Naive
Love Is Like a Rainbow
Down To The Market
Shine On
See The World
You Don't Love Me
Bis
Princess Of My Mind
See The Sun
Stormy Weather
Seaside
Sofa Song

KOOKS NA VIA FUNCHAL
Aí embaixo, em vídeos já postados no Youtube, claaaaaro:


"Always Where I Need To Be", The Kooks ao vivo na Via Funchal, na última sexta-feira, 19/6/2009 (e como foi gravado do meio do público, a qualidade de som e imagem não é das melhores...)


"Shine On", também em Sampa, na Via Funchal

Este post sobre o show dos Kooks vai pra fã número um da banda, a linda e amada Rudja Catrine, o amor rocker maior e incondicional do autor do blogão zapper. 

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O blogon volta logo menos no começo da semana, com muuuuuito maaaaais. Até já! 

(enviado por Finatti em 21/06/2009, às 18hs.)

 

Cachorros de volta, um Loki e Jean Charles (um brasileiro como você) (versão final em 19/06/2009)

13 Comentários »

 

 

Beto Bruno, o front man do Cachorro Grande (que lança seu novo disco), abraça Zap'n'roll em festão rocker em Sampa, em 2005

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Com quantas boas infos se escreve um blog de cultura pop?

Com muitas, com certeza. São dezenas, centenas, milhares de infos rolando velozes e vorazes diariamente pela net (em outros blogs, sites, portais), e também pela tv, rádio (ou o que resta dele) e pela mídia impressa (jornais, revistas e o que resta deles). Não é um trabalho mole, como já foi dito aqui outras vezes. Pelo contrário, ele se torna ainda mais árduo quando nos damos conta de que há milhões de blogs na web lidando com o mesmo segmento informativo (a cultura pop e o rock alternativo), e ainda mais complicado fica quando passamos por aqueles períodos de "estiagem" informativa, onde nada parece acontecer no mondo pop. Porém, de repente, do nada, os assuntos começam a surgir novamente, pautas caem do nada no colo dos blogueiros e a correria se inicia novamente. Como esta semana, por exemplo: anteontem, terça-feira (este post está sendo escrito na quinta), teve pré-estréia do filme "Jean Charles". Antes de ir conferir o mesmo, Zap’n’roll havia pêgo na redação da Dynamite o novo disco do Cachorro Grande, que ouve agora enquanto batuca estas linhas no teclado. Nesta quinta (hoje), também rola outra pré-estréia cinematográfica bacanuda em Sampa, o documentário "Loki" que documenta a incrível trajetória artística do "Mutante" Arnaldo Baptista. E amanhã, ainda e também em Sampa, tem show do quarteto inglês The Kooks, na Via Funchal (dá uma olhada lá no final do post, e confere se você é um dos felizardos que vai na faixa no show dos garotos). Ou seja: uma semana pra lá de agitada e que renova o tesão do autor destas linhas zappers em escrevê-las, pois nosso prazer maior é esse mesmo: levar boa informação pop ao nosso dileto leitorado, além de alguma polêmica também – mas polêmica sempre bem fundamentada e não vazia ou gratuita. Fazer blog na net se tornou algo muito fácil hoje em dia e qualquer um pode ter o seu. O difícil é escrever nestes blogs algo que realmente valha à pena, que contribua para divertir e informar quem está lendo. Muita gente sem competência, sem qualidade textual, desequilibrada emocionalmente e que não é do ramo, resolve montar um blog apenas pra destilar venenos, intrigas, rancores, raivas e ressentimentos pessoais, o que é péssimo. Por pura inveja e recalque, parte para atacar quem sequer conhece, numa clara demonstração de inveja e descontrole psicológico. Inveja da vida alheia, de quem tem a cabeça no lugar, de quem vive com dificuldade mas feliz por saber que ama e é amado. Enfim, são os percalços da vida humana filtrada através do olhar do "grande irmão" que é a internet, com tudo o que ela possui de bacana e de ruim. Dito isso, damos as boas-vindas a vocês que estão aí, do outro lado do compu, começando a ler mais um post do blogão de cultura pop e rock alternativo mais legal da net brazuca. É isso aê!

* E pra começar, um papo nada rocker e musical, mas que tem tudo a ver com a profissão do sujeito que digita estas linhas virtuais. O Supremo Tribunal Federal finalmente votou ontem, por esmagadora maioria (sete votos a favor, um contra), pela extinção da obrigatoriedade do diploma para excercer a função de jornalista. Trocando em miúdos: quem acha que tem a manha pra escrever e quer tentar a sorte na área (em redações de jornais e revistas, rádios e tvs, ou mesmo em sites de notícias), não precisa mais se graduar em um curso superior de comunicação e sair de lá com um canudo – muitas vezes inútil – embaixo do braço, pra tentar correr atrás do seu sonho profissional. Zap’n’roll, que não é formado em jornalismo (mas, sim, no curso de História, lá se vão vinte anos...), sempre foi frontalmente contra essa obrigatoriedade estúpida, uma herança nefasta imposta pela Ditadura Militar (que governou o Brasil por quase duas décadas e meia) nos anos 60’, com o claro objetivo de controlar o acesso à informação. Depois que os milicos se mandaram do poder, entregando-o aos civis, foi o próprio Sindicato dos Jornalistas, corporativo como ele só, que se encarregou de defender com unhas e dentes a manutenção do diploma, já que a grana que rola pro próprio Sindicato e também para as faculdades e universidades (a grande maioria, picareta ao extremo) que mantêm cursos de comunicação, é enooooorme. Fala sério... o autor deste blog chegou a cursar também Jornalismo, quando já trabalhava na editoria de Cultura da revista Istoé, entre 1988 e 1991. A disparidade entre o que era ensinado no curso (com uma estrutura próxima dos tempos das cavernas) e o que o zapper então vivenciava no dia-a-dia da redação da Istoé era gritante, e fez com que ele logo desistisse do curso. Claro, haverá sempre quem defenda a manutenção do diploma e a existência de faculdades execráveis que não ensinam nada, cobram mensalidades extorsivas de seus pobres alunos e despejam semestralmente nas ruas um bando de semi-analfabetos que não sabem sequer usar um micro. O blog nem é contra o curso em si, e sim contra a péssima qualidade que é verificada na esmagadora maioria deles aqui no Brasil. E sempre vale lembrar que alguns dos maiores nomes da história do jornalismo brasileiro (como Paulo Francis, Boris Casoy, Cláudio Abramo, Clovis Rossi, Carlos Heitor Cony etc.), nunca frequentaram um curso de jornalismo. Enfim, ponto para o STF que, pelo menos nesta matéria, deu bola dentro.

* Agora sim, podemos voltar ao mondo rocker e à cultura pop nossa de cada dia. Pois então, a semana está agitadíssima lá fora, vai vendo: o White Stripes finalmente parece que vai dar sinal de vida novamente. Jack e Meg White estão planejando lançar um dvd ainda este ano, que registra a turnê que eles fizeram pelo Canadá em 2007.

* Já o graaaaande indie/hard/prog (ou chame você como quiser) trio inglês Muse lança seu novo disco de estúdio em 14 de setembro. Vai se chamar "Resistance" e, segundo o vocalista, guitarrista e líder Matthew Bellamy (um fanático por ficção centífica), trará um som mais "sinfônico". Hum...

* Pelo seu lado, a perua quarentona Courtney Love (que, venhamos e convenhamos, continua um xoxotaço), resolveu reativar sua antiga (e saudosa) banda, o Hole. O novo trabalho do grupo, que seria originalmente o segundo álbum solo de Courtney, vai se chamar "Nobody’s Daughter" e deve sair até o final deste ano. Nele miss Love, viúva de um certo Kurt Cobain, irá mostrar músicas que ela compôs em parceria com Billy Corgan, o sujeito que insiste em continuar fodendo a carreira do outrora fantástico Smashing Pumpkins.

* E a sempre bem informada Popload, de dear Luuuuuuusssssssciiiiiooooouuuuussss R., repassa info dada por um blog do jornal Estado De S. Paulo: o hoje cultuado (e bem legal, no final das contas) grupo americano Beirut faz mesmo dois shows em Sampalândia em setembro, sendo que um deles, no dia 8, deverá acontecer no bacanudo Auditório Ibirapuera. Zap’n’roll já está até imaginando os pulos de alegria que uma linda fã da banda (e musa e paixão master do autor deste blog) deve estar dando com a notícia. É, pelo jeito, o blogon terá que trazer a garota pra Sampa, pra que ela possa curtir o sow da turma de Zach Condon.

* MUTANTES FAZENDO A AMÉRICA – A lendária maior banda de rock brasileira de todos os tempos, idolatrada no mundo inteiro e que tem (teve) fãs como Kurt Cobain e o cantor Beck, lança seu primeiro disco inédito em 35 anos. O álbum vai se chamar ""Haih" e será lançado em 8 de setembro. A novidade é que ele sairá nos EUA pelo selo Anti-Records que tem em seu catálogo, entre outros, Nick Cave, Tom Waits e o produtor Daniel Lanois. Chique, hein!

* JOY DIVISION, O CULTO PERMANECE – E com absoluta justiça. Desta vez o mondo pop inglês está celebrando (eles adoram datas comemorativas, né?) os trinta anos de lançamento de "Unknow Pleasures", a obra-prima inaugural da curta porém eterna carreira da lenda Joy Division. O famoso "álbum da capa preta" (e onde surgia apenas o desenho do registro sismográfico da explosão de um Pulsar, sem nenhuma nome referente à banda, sem ficha técnica, sem o nome dos integrantes nem os títulos das músicas, nada enfim que desviasse a atenção do ouvinte da música contida ali) chegou às lojas inglesas em 15 de junho de 1979. E já trazia todas as referências estéticas que tornariam a banda um mito perene: a musicalidade gélida e distante, combinando elementos eletrônicos com melodias agressivas, egressas do punk inglês e construídas por guitarra, baixo e bateria. Pairando por cima de tudo isso, o vocal angustiado e agônico de Ian Curtis, que vertia em poesia e música os abismos da existência humana e as dores que consumiam sua própria alma e seu corpo, castigado pela epilepsia. Assim que saiu, "Unknow Pleasures" foi reverenciado como obra-prima tanto pela crítica quando pelo público – e não era para menos: quantos discos na história do rock concentraram canções devastadores do naipe de "Disorder", "Shadowplay" e a descomunal "She’s Lost Control"? Todas elas cansaram de embalar os desvairios do jovem e sempre melancólico zapper, quando ele ia ao porão do Madame Satã, em Sampa, no meio dos anos 80’, em busca de doses selvagens de qualquer coisa (leia-se: álcool em excesso, drogas idem e bocetas loucas que propiciassem uma foda acolhedora no final da madrugada). E isso foi "apenas" a estréia de um grupo que ainda iria se superar em "Closer", a segunda e definitiva obra-prima. Pena que Ian não suportou sua vida e a pressão do estrelato iminente, e preferiu acabar com tudo, se enforcando em 18 de maio de 1980. Enfim, "Unknow Pleasures" vai permanecer, ao lado de "Closer", como um monumento da história do rock, até o final dos tempos. E por ser este monumento é que Ian Curtis está, mais uma vez, na capa da NME desta semana. E por ser este monumento é que o Joy Division continuará inesquecível e sendo cultuado geração após geração.

 

Acima, a capa de "Unknow Pleasures", a obra-prima do Joy Division. E abaixo, Ian Curtis na capa do semanário New Musical Express desta semana

 

* PARA RECORDAR O JOY – Aí embaixo, nos vídeos dos clássicos "Love Will Tears Us Apart" e "She’s Lost Control".

Joy Division – "Love Will Tears Us Apart"

Joy Division – "She’s Lost Control"

O CACHORRO AINDA CONTINUA GRANDE

Os Cachorros estão na área novamente. Quer dizer, mais ou menos: o quinteto gaúcho, um dos grandes nomes do rock brasileiro do novo milênio, havia fixado residência em Sampa há alguns anos, pra cuidar melhor de sua carreira. Mas a saudade dos pampas gaúchos bateu forte e a turma voltou a morar em Porto Alegre. E foi lá que eles gravaram o quinto disco de estúdio de uma carreira que já dura uma década. "Cinema", o álbum em questão, acaba de chegar às lojas (via DeckDisc) e mantém a estética rocker professada por Beto Bruno (vocais), Marcelo Gross (guitarras), Rodolfo Krieger (baixo), Gabriel Azambuja (bateria) e Pedro Pelotas (teclados) desde o início da trajetória do quinteto, em 1999. Só que, tal qual o último disco, "Todos os tempos" (editado em 2007), o CG vem construindo um rock mais suave e bucólico, com nuances de folkismo e psicdelia, em detrimento das músicas garageiras, dançantes e quase hard que dominavam suas composições no início. Sinal de maturidade ou envelhecimento dos seus integrantes (o vocalista Beto Bruno, dileto amigo destas linhas zappers, se casou há algum tempo), não importa muito: o CG talvez não agrade mais tanto seu público adolescente, por conta desta "desacelerada" no punch das composições. Mas, por outro lado, o conjunto ganha pontos por mostrar músicas mais maduras e elaboradas.

É o caso de "O tempo parou", que abre o disco. Com violões dolentes, percussão mezzo tribal e guitarras discretas, conta com bons vocais femininos de apoio, pra cantar uma letra que descreve a impossibilidade de se esquecer de um grande amor. Na sequência a banda relembra seus tempos mais rockers através da acelerada e animada "Dance agora" que, não por acaso, foi escolhida para ser o primeiro single do disco. É uma faixa com predominância das guitarras e boas intervenções dos teclados vintage tocados por Pedro. Já "Amanhã" começa com sons de cítara e é encorpada por violões e vocais em eco, tudo contribuindo para que a banda mostre suas nuances mais "psicodélicas". Assim como "Por onde vou", também tramada com violões, exibe um lado bucólico, baladeiro, estradeiro e algo melancólico dos Cachorros.

 

Os Cachorros desaceleraram seu rock'n'roll no novo disco, mas a banda continua legal 

O cd vai se alternando entre faixas mais rápidas e abrasivas ("A alegria voltou", "A hora do Brasil"), e outras mais dolentes (como a belíssima "Ela disse", um dos grandes momentos de todo o álbum, com os timbres analógicos do órgão bordando com esmero a melodia suave). Fora as nuaces bluesy e de southern rock, que podem ser percebidas em "Diga o que você quer escutar", "Ninguém mais lembra de você" e "Luz", esta última com intervenções bacanas de banjo.

É um álbum equilibrado e legal, no final das contas. Como sempre, o ponto baixo do rock dos Cachorros continua sendo as letras algo pueris e pobres em termos de rimas e de imagens (não dá pra aguentar muito versos como "Se você não está dançando/Então você está por fora/Se você não sai de casa/Então faça isso agora/Vai ficar aí sentada/Vendo a vida numa tela/Seus amigos nunca viu/Nunca abre essa janela", da música "Dance agora", que tem a melhor das intenções do mundo ao radiografar o auto-isolamento que as pessoas se impõem nestes tempos de internet, onde o hábito de sair de casa pra se divertir foi substituído pelo vício em ficar na frente do compu, navegando na web. Pena que a letra...). Mas eles, sabedores desta limitação, procuraram compensá-la com canções bem engendradas instrumentalmente, e contando mais uma vez com a produção do expert Rafael Ramos, que soube extrair o melhor do grupo no estúdio.

É isso. O Cachorro Grande pode estar menos rocker e mais, hã, maduro musicalmente. Mas seu rock’n’roll continua grande, ainda.

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CINEMA ZAPPER – JEAN CHARLES E O GÊNIO LOKI

Foi uma semana emocionante em termos de telona – yep, mesmo com todo mundo baixando filmes inteiros aos borbotões na web (camelôs que vendiam dvds piratas desistiram da idéia, pra não morrer de fome, hihi), o autor deste blog ainda é da opinião de que nada, mas nada mesmo substitui o prazer de você entrar numa grande sala escura, com um telão à sua frente, e munido de um balde de pipocas e um copo de refri, e se deliciar diante da exibição de um grande filme. É a aquelha velha magia do cinema, né? Pode parecer piegas, cafona e antiquado dizer isso, mas ir ao cinema ainda causa o mesmo prazer e satisfação que tínhamos quando abríamos aquelas enormes capas duplas de papelão colorido, e tirávamos de dentro uma bolachona de vinil, onde estava registrada uma grande obra do rock’n’roll (ou de qualquer outro estilo musical igualmente digno).

Então, na última terça-feira, teve a pré-estréia (apenas para convidados) do filme "Jean Charles", que conta de maneira ficcional (mas baseada em fatos reais) a história do eletricista brasileiro que morava em Londres até ser morto pela polícia inglesa em 2005, por tê-lo confundido com um terrorista da Al Queida. Já ontem, quinta, foi a vez de da pré-estréia de "Loki", o documentário que resgata a trajetória do gênio louco Arnaldo Baptista, o homem que criou os Mutantes e que é, sem nenhum favor, um dos nomes mais importantes de todo o rock mundial.

"Jean Charles" é um filme correto. O que chama a atenção nele é justamente sua despretensão: o diretor Henrique Goldman filmou quase toda a história em Londres, com tomadas realizadas em sua grande maioria nas ruas da capital inglesa, sem grandes efeitos visuais. Outro fator curioso e bacana também foi a utilização de um elenco quase todo não profissional, de pessoas comuns e absolutamente desconhecidas do grande público. Neste aspecto chama atenção a atuação da novata atriz Vanessa Giácomo, que interpreta a prima de Jean Charles com competência e sem afetação.

Jean Charles, o próprio, é vivido corretamente por Selton Mello, talvez hoje o ator mais versátil do cinema brasleiro – basta lembrar que ele também está nas telas com "A mulher invisível" (ao lado da tesudaça Luana Piovanni), além de ter atuado recentemente em outros filmes bem legais (como "O cheiro do ralo" e o mega sucesso "Meu nome não é Johnny") e também dirigido ("Feliz Natal"). Selton desempenha bem o papel e demonstra grande capacidade de interpretação e adaptação a cada novo personagem e história que incorpora em sua carreira. E a história mostrada na tela tenta reconstituir o que era a vida de um sujeito igual a tantos outros milhares de brasileiros, que um dia decide tentar a vida fora do país. Um ilustre desconhecido na multidão, que se torna celebridade a partir do momento em que é assassinado pela polícia britânica, por ter sido confundido com um terrorista muçulmano. Ou seja: é uma história em que todos entram no cinema já sabendo qual será seu desfecho. Ainda assim, o filme possui alguns momentos de impacto emocional, como quando Jean Charles está falando com sua mãe pelo telefone. E quando seus parentes vão reconhecer seu corpo no necrotério, e se deparam com um Jean Charles com o rosto deformado pelos tiros disparados pela polícia. A trilha do filme realça o lado trágico da história, com ambiências melancólicas construidas por violões e flautas. No final das contas, trata-se de uma película que não transforma o personagem principal em nenhum super herói ou vítima, muito pelo contrário: torna-o humano como nunca e igual a cada um de nós. Apenas mais um brasileiro, que infelizmente estava no lugar errado, na hora errada.

Selton Mello em cena de "Jean Charles", que estréia nos cinemas no próximo dia 26 

Já "Loki", o documentário que resgata a trajetória do cantor, músico e compositor Arnaldo Baptista, é muito mais impactante e emocionante do ponto de vista artístico e como resgate de uma das trajetórias musicais mais importantes de toda a história do rock mundial. Arnaldo, o gênio sensível e atormentado que criou Os Mutantes nos anos 60’ (ao lado da ex-mulher Rita Lee e do irmão e guitarrista virtuose Sérgio Dias), vai sendo desvelado para o público através de centenas de imagens de arquivo de sua carreira com o grupo e solo, após a dissolução da banda (que voltou à ativa, coberta de glórias, em 2006). E também através de muitos depoimentos dados por ele mesmo e pelos músicos que participaram do grupo, pelo irmão Sérgio, por Gilberto Gil, por produtores (como Liminha) e jornalistas (como Tárik De Souza e Nelson Motta) que acompanharam de perto a autêntica revolução promovida pelos Mutantes na música e no rock brasileiro. A história de Arnaldo é conhecida de todos: o casamento feliz com Rita Lee e a explosão dos Mutantes (que misturavam mpb, rock e psicodelia desvairada em suas canções geniais) em termos de público e mídia, a guinada para o execrável rock progressivo (já no começo dos anos 70’), a separação de Rita (que largou Arnaldo e também saiu da banda ao mesmo tempo, por não concordar com os rumos musicais que ela estava tomando), o mergulho nas drogas pesadas (com o consumo de toneladas de ácido) e a depressão causada pela separação da ex-mulher, o ostracismo artístico, a tentativa de suícidio (nos anos 80’), a recuperação e o resgate emocional através de um novo e grande amor (Maria Lúcia, que está casada com ele até hoje) e o renascimento para as novas gerações de fãs (que se dá quando a banda volta a tocar junto em Londres em 2006, mas sem Rita Lee, que não dá sequer um depoimento em todo o documentário, e com Zélia Duncan nos vocais, em um mega evento celebrando o movimento Tropicalista, e que fez a banda ser ovacionada em pé por um teatro Barbican lotado até o teto; depois, o grupo iria tocar para 80 mil pessoas em 25 de janeiro de 2007, no parque do Museu do Ipiranga, em um show memorável e inesquecível comemorando o aniversário de São Paulo).

Toda essa trajetória é reconstituída de maneira emocionante. Tão emocionante que arrancou algumas lágrimas do zapper sempre sentimental, e também de sua querida amiga Adriana Ribeiro, que estava com ele na sessão. Arnaldo se revela um ser humano doce, gentil, amoroso e extremamente criativo e culto como artista. E também sem um pingo de arrogância ou estrelismo. E seu amor por Rita Lee também era algo muito doce e bonito (ele revela, no documentário, que ela foi a primeira mulher da vida dele). Tão bonito que o impacto da separação quase o destruiu. O outro aspecto importante do filme é jogar na nossa cara como o brasileiro menospreza e trata mal seus gênios. Mutantes é, seguramente, um dos vinte grupos mais importantes de toda a história do rock. E no entanto, foi mergulhado num limbo impiedoso durante anos, só saindo dele quando ícones pop como Kurt Cobain, David Byrne, Beck e Sean Lennon passaram a declarar sua admiração e amor incondicional pela obra da banda, resgatando Arnaldo "Loki" Baptista deste ostracismo cruel, involuntário e injusto.

O mesmo Arnaldo que estava presente à sessão de ontem em um cinema do Conjunto Nacional (na avenida Paulista) e que foi aplaudido de pé quando a exibição do documentário chegou ao fim. O mesmo Arnaldo que nunca mais será esquecido por seu público e que será lembrado para sempre como um gênio. O nosso Syd Barrett, que sobreviveu à loucura e à morte, e saiu de ambas feliz e novamente amado e adorado pelos fãs, ilustres ou não.

* "Jean Charles" entra em cartaz nos cinemas brasileiros no próximo dia 26 de junho. E o documentário "Loki", sobre Arnaldo Baptista, estréia hoje nos cinemas de Sampa.

"JEAN CHARLES" E LOKI AÍ EMBAIXO

Em dois trailers do Youtube.

"Jean Charles"

"Loki", documentário sobre Arnaldo Baptista

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: o novo do Placebo.

* Blog: o vizinho "Jukebox", do chapa Dum DeLucca e publicado aqui mesmo no portal Dynamite, continua show de bola, ainda mais quando Dum analisa obras literárias que se referem à história do rock e da música pop. Ótimos textos, profundidade analítica e muita informação, tudo isso você encontra por lá, basta acessar!

* Baladas selecionadas no finde: hoje, sextona, tem show dos ingleses do Kooks lá na Via Funchal (rua Funchal, 65, Vila Olympia, zona sul paulistana), às dez da noite, e Zap’n’roll vai estar por lá, claaaaro! Depois, se você quiser esticar a balada, dá pra ir ver o Jennifer Low Fi no Inferno (rua Augusta, 501, centrão rocker de Sampalândia) ou os Pullovers (que lançaram disco novo) no Neu Club (que fica na rua Dona Germaine Burchard, 421, Água Branca, zona oeste de Sampa). Já amanhã, sábado, os gaúchos do Canja Rave vão tocar o puteiro rocker no Belfiori (rua Brigadeiro Galvão, 871, Barra Funda, zona oeste paulistana), o mesmo Belfiori que abriga na próxima terça-feira o show de lançamento do novo disco do "muderno" e badalado músico Guizado. Também amanhã, mas lá no Audio Delicatessen (que fica na rua Mourato Coelho, 651, na Vila Madalena, zona oeste de Sampa), tem a super festa Party People, apenas com o melhor do indie guitar dos 90’. Vão rolar sons do Primal Scream, Jesus and Mary Chain, Pavement, Oasis, Inspiral Carpets, Dinosaur Jr, Chapterhouse, My Bloody Valentine, Blur, Sonic Youth, House of Love, Northside, Verve, Pixies, Guided by Voices, Yo la Tengo, Lush, Catherine Wheel, Elastica, Happy Mondays, The Farm, Teenage Fanclub, Pulp, Ash, Cornershop, Suede, Ride, Telescopes, Flaming Lips, Rentals, Wannadies, Doves, Breeders, Nada Surf, Charlatans, Manics, Mudnoney, Flowered Up, Stone Roses, Paris Angels, High, EMF, Superdrag, Candy Flip, James e muitos outros, tocados pelos djs Bispo, Click, Plínio, Cesinha e Berns. Nesta, Zap’n’roll vai com certeza! E por fim, na sempre bacana Outs (rua Augusta, 486, centrão rocker da capital paulista), vai ter noitada punk com show do Clash cover. Então, fica aquela recomendação básica de sempre: se joga, porra!

E BYE BYE!

Mas antes, dá uma olhada aí embaixo e veja quem vai na faixa no show dos Kooks hoje, na Via Funchal. E também quem ganhou – finalmente! – as camisetas da descoladérrima grife Banca de Camisetas:

* Carolina Motta Medeiros e Annie Marie Souza (ambas de Sampa) vão curtir The Kooks amanhã, sexta, na Via Funchal;

* Silvana Móia e Wagner Freitas, ficam com as camisetas da Banca de Camisetas, sendo que os dois vencedores desta promo precisam enviar com urgência pro e-mail do blog o tamanho e modelo que desejam (e que podem ser escolhidos no www.bancadecamisetas.com.br).

E lembrando que ainda continua em sorteio pelo finatti@dynamite.com.br:

* Três exemplares do livro "Tragam os cavalos dançantes", que conta a história da domingueira rock Grind, que rola no clube A Loca, em São Paulo.

Fora que, daqui a pouco, vão pintar uns ingressos pro showzaço da Cat Power, por aqui. Guentaê!

E agora chega mesmo, que o post está enooooorme e não cabe mais nada aqui, uia! Semana que vem tem mais, pode colar aqui novamente, hihi. Tchauzes!

Rudja, Zap’n’roll love you!

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