Arrepios percorrendo a espinha.
É isso que Zap’n’roll sente, neste momento, às seis da manhã desta sexta-feira chuvosa e mezzo fria em Sampa, em mais um dia maravilhosamente típico do sempre acolhedor inverno (e o vampirão autor destas linhas rockers online, sempre escrevendo melhor e mais motivado na madrugada...). O autor deste blog, que digita esta introdução para o post que começa, de fato, logo aí embaixo, sente estes arrepios enquanto vai lendo e saboreando, com um largo sorriso no rosto, cada linha, cada parágrafo enviado pelo correspondente de Zap’n’roll em Londres, há pouco, sobre o desde já histórico e fantástico mega show de comeback do mega amado (pelos ingleses e pelo zapper aqui também) Blur, realizado ontem,quinta-feira, no Hyde Park, na capital inglesa – hoje, sexta, o quarteto que está de volta com seu line up original, retorna novamente ao mesmo local, para fazer uma segunda – e também, novamente e muito provavelmente – histórica apresentação. O Blur dispensa apresentações para quem acompanha o grande rock’n’roll britânico que importa nos últimos vinte anos, e para quem acompanha este blog desde sempre. Gigante do britpop noventista, literalmente idolatrado na Inglaterra, o grupo estava hibernado há seis anos. Quando anunciou, em fins de 2008, que estava voltando com sua formação original, foi uma comoção total na Velha Ilha. Anunciados os dois shows no Hyde Park (há meses), os ingressos se evaporaram em questão de horas. No último finde, já numa espécie de preparação para este grande momento, o grupo fechou de maneira apoteótica a edição 2009 do gigantesco festival de Glastonbury – também na semana passada, o quarteto formado pelo vocalista Damon Albarn, pelo guitarrista Graham Coxon, pelo baixista Alex James e pelo baterista Dave Rawntree, já havia sido focalizado aqui no blog, através de um enooooorme diário sentimental. E agora, em primeiríssima mão na blogosfera brazuca dedicada ao rock alternativo e à cultura pop, Zap’n’roll relata como foi o showzaço de ontem no Hyde Park. O texto que você vai ler logo abaixo foi escrito por Marcelo Yorke, velho amigo deste espaço online, e que já marcou presença aqui no post anterior fazendo a resenha de um show dos Manic Street Preachers. Marcelo não é jornalista e nunca teve a pretensão de ser. Antes de mais nada, é um garoto apaixonado por cultura pop e rock’n’roll e que resolveu encarar a vida na Europa há pouco mais de um ano, período em que ele já assistiu dezenas de concertos bacanas por lá. E assim como ele, outro grande amigo do blog (anos de amizade, na verdade), estréia aqui como colaborador: o querido Daniel Meirelles, futuro psicólogo, excercita seus dotes de jornalista e comenta como foi o intimista set acústico que rolou anteontem em Sampa, com duas das gargantas mais geniais do rock americano dos 90’, Mark Lanegan (que um dia foi vocalista dos Screaming Trees) e Greg Dully (que um dia cantou no Afghan Whigs). São, no final das contas, dois textos emocionantes. Tão emocionantes como o próprio rock’n’roll em si, e que você lê neste post, excepecionalmente especial e dedicado quase que exclusivamente apenas aos dois shows (não há hoje aquelas costumeiras notinhas introdutórias e, no final, laaaaá embaixo, damos um roteiro bem resumido do que dá pra fazer de bom em Sampalândia neste finde, no circuito noturno alternativo). Ao ler os relatos de Marcelo e Daniel, e ver o set list que o Blur despejou em cima dos fãs em Londres, o quarentão (ir)responsável (às vezes, ainda irresponsável, hihi) por este blog, se pega ainda emocionado com esse gênero musical que marcou o século XX, e que faz parte essencial da vida de milhões de pessoas. E ouvindo o clássico álbum "Park Life", pensa fervorosamente que alguma produtora nacional bem que poderia trazer o quarteto brit ao Brasil novamente, onde eles estiveram há uma década. A comoção, com certeza, seria próxima a que Marceleza presenciou ontem em Londres. Alguém dúvida???
EXCLUSIVO – BLUR ONTEM, AO VIVO, EM LONDRES!
(Por Marcelo Yorke)
Hoje é dia de Blur. Sim, dia deles. Por que? Porque nao se fala de outra coisa na cidade de Londres: os 2 shows que ele farão no Hyde Park, centro de Londres, hoje, dia 02, e amanha, dia 03 de julho.
Blur aqui é uma instituição. Desde que li, no fim do ano passado, uma notícia sobre a volta deles (nesses jornalecos distribuidos nas estações de metrô e nas principais ruas da cidade), a imprensa e revistas especializadas em música tratam do assunto como o evento mais importante do ano.
Esqueça Oasis, Radiohead ou qualquer outra banda britânica. Blur é a MAIOR e MAIS QUERIDA banda dentro do Reino Unido (e o Oasis ganha com larga vantagem no resto do mundo). Mas, dentro de casa, eles mandam.
A abertura dos portões estava programada para as 14:30, e os primeiros shows começariam às 16:00. Calor insuportável, na faixa dos 30 graus (sensação de uns 40, se fosse no Brasil). Cheguei por volta de 12:30, pois não perderia a oportunidade de ficar colado na grade por nada nesse mundo, mas algumas centenas de pessoas pensaram da mesma forma que eu. Como haviam dezenas de guichês para a entrada, o numero de pessoas ficou bem distribuido, e as filas não eram tão grandes, pelo menos no começo, horário em que cheguei.
Após passar pela checagem dos tickets, uma multidão começa a correr desesperadamente em direção ao palco. Acho isso meio brega, mas eu não estava nem um pouco afim de ficar longe do palco, então meti o sebo nas canelas. Consegui ficar bem no centro dele, com uma visão privilegiada e apenas uma menina francesa na minha frente. Ao lado, mexicanos, alemães, chilenos, coreanas e, claro, milhares de ingleses, todos com cara de Damon Albarn no comecinho da carreira. Sim, eu esperava um publico um "poquito" mais velho, entre os 25 e 35 anos de idade, mais ou menos, por causa das 2 décadas de carreira da banda. Para a minha (agradável) surpresa, uma boa parte das pessoas era composta por uma molecada que estava nascendo quando eles lancaram "Modern Life is Rubbish" e "Parklife".
O Blur costuma levar para os seus shows um público fiel e fanático. Eles idolatram a banda de uma maneira que poucas vezes vi/li/ouvi no cenario rock mundial (tá bom, as bandas de metal sao insuperáveis nesse quesito).
Os seguranças são uma simpatia só. Tiram fotos a pedido das pessoas, distribuem água e fazem piadinhas. Tudo para passar o tempo, já que a ansiedade era geral. Às 16 horas começam os shows. Duas pequenas bandas locais tocaram por 30 minutos cada. Nada que me despertasse da sonolência que o sol estava causando. Nem o nome delas consegui descobrir.
Crystal Castles entrou por volta das 17:30 para esquentar mais ainda o já "torrado" público. A banda é composta por um ótimo baterista e um DJ/tecladista. Ja tinha ouvido algumas coisas deles mas não me recordava muito bem, apenas me lembrava que era um indie meio eletrônico. Eles ficam por volta de uns 2 minutos meio parados, com o DJ apenas fazendo alguns ruídos na sua aparelhagem. Eis que surge a sua vocalista, minúscula, magérrima, aparência mezzo-gótica-mezzo-rrriot girl, maquiagem preta pesada ao redor dos olhos, com uma camiseta sensacional, com os dizeres: "OASIS HAS AIDS" (quem nao se lembra das brigas entre Blur e Oasis, em que uma das declarações polêmicas dos músicos de Manchester foi: "espero que eles peguem AIDS e morram", referindo-se aos rivais de Londres?). Tudo isso para ganhar a simpatia do público, obviamente.
Ela entra no palco se arrastando pelo chão com uma garrafa de vodka. Se levanta cambaleando e começa a gritar ao microfone, como uma voz de criança. Vem direto para o publico, sobe nas grades e faz um mosh, exatamente na minha cabeça. Depois de algum tempo, ela volta para o palco e cai. Levanta e cai. Bate com o microfone na cabeça. E cai. Sobe na bateria. Bebe whisky. Fuma. Volta para o público e faz outro mosh. Os seguranças se desesperam e tentam tirá-la da galera, que dá o microfone para algumas pessoas cantarem.
A música do trio é bacana, mas ela chama mais atenção que qualquer coisa. Claro, não há nenhuma novidade no que ela faz. Pseudo punk-fumo-bebo-mesmo-sou-muito-louca e nao-to-nem-ai-pra-nada. Iggy Pop fazia isso 40 anos atrás... Mas funciona como entretenimento, pelo menos. Bom, depois de um set relativamente curto, pouco mais de 30 minutos, eles saíram sem falar "thank you" ou ao menos "good-bye". E tomaram algumas vaias por conta disso.
Mais um pequeno intervalo, e é a vez dos Foals, que ja tocaram em SP, mostrarem serviço. Eu não conhecia nada deles, e, pelo que vi, pouco me chamou a atenção. A banda é competente, os músicos mandam bem, mas como tudo que tem surgido no rock (principalmente no rock inglês) ultimamente, falta pegada, falta um "que" a mais. Eu nasci antes do Joy Division lançar o primeiro disco, talvez esteja um pouco ranzinza pra coisas novas, mas essas bandinhas de hoje em dia não saem das guitarrinhas "nhe-nhe-nhem" ardidinhas e bateria nervosinha. Uma mistura de Arctic Monkeys, Bloc Party, Futureheads, Klaxons e quetais. Todas com 2 ou, no máximo, 3 discos de duração, até sucumbirem ao anonimato. É, o rock inglês está bem devagar nos últimos anos. Com exceção do British Sea Power, ótima banda, quase nada que vem da terra do fish and chips tem me despertado interesse.
Por isso, nada mais apropriado que a volta dos pais do Britpop, para dar uma oxigenada na cena britânica. E eles voltam com tudo. Antes dos shows do Hyde Park, Damon & Cia fizeram pequenos concertos em lugares acanhados, como se fosse um "aquecimento" para o mega festival Glastonbury, onde eles fecharam com chave de ouro, diga-se de passagem.
55 MIL PESSOAS esperam por eles (e eu senti isso sendo constantemente esmagado nas grades). Antes de entrarem no palco, uma pequena introdução, Far Out, a música meio circense de Parklife. Delírio geral.
Começam os primeiros acordes do cláaaassico She's So High, do primeiro e subestimado disco, e as também primeiras de muitas lágrimas desse pseudo-resenhista começam a rolar. Começa aquele tradicional empurra-pra-lá, empurra-pra-cá, tão comum nesses shows, pra quem fica na frente. Apenas fico parado, deixando a onda de pessoas me levar, mas claro, atento para não sair muito do centro. A dificuldade de tirar fotos é grande, mas consegui algumas bem boas. Na sequência, duas matadoras do melhor álbum deles (e, na minha modestissima opinião, um dos cinco melhores albuns dos anos 90’), Girls and Boys e Tracy Jacks. A primeira dispensa apresentações. É quando Damon resolve descer e se juntar à galera (ele costumava dar seus moshs também, mas acho que do alto de seus 41 anos, ele tenha perdido um pouco a vontade, digamos assim). Mister Albarn está em forma, continua com a mesma energia no palco, ele se entrega, danca, pula e grita como se estivesse em sua primeira turnê. Alex, o baixista, e Graham, um dos melhores (se não o melhor) guitarrista dos anos 90’, permanecem parados, cada um no seu canto, sem se mexer muito. Nem precisam. Damon comanda a festa e agita sozinho pelos outros três.
Damon conversa muito com o público, diz que não esperava uma recepção tão calorosa após 7 anos desde o fim da banda. E emenda com outro clássico do primeiro disco, There's no Other Way, que ficou levemente mais pesada e mais acelerada. Voltam novamente para o Parklife, com Jubilee e uma das minhas favoritas, Badhead. Damon saúda o sol, dizendo para a platéia acenar para o astro rei (???). Comoção geral quando começam os primeiros acordes de Beetlebum, faixa do auto-intitulado disco, de 97, em que até os irmãos Gallaghers tiraram o chapéu. Uma das melhores, se não a melhor, música do Blur.
Out of Time é recebida com surpresa, afinal ela faz parte do último disco da banda, Think Tank, que não contava com a participação de Graham Coxon. Trimm Trabb, desconhecido lado b do álbum 13, foi tocada na sequência, e, sinceramente, nao entendi o porque deles terem escolhido essa música, sendo que boa parte do público nem chegou a cantar junto e percebia-se que muitos não a conheciam (inclusive eu).
Mas, pra compensar, uma sequência esmagadora: Coffee and TV, do famoso clipe do "leitinho", e Tender, a mais bela composicao da banda (nota do blogger apaixonado: a amada girlfriend Rudja, com certeza, iria derramar algumas lágrimas neste momento, se estivesse presente no Hyde Park), cantanda em unissono por um público arrepiado, durante quase 10 minutos, onde Damon até improvisou uma "a capela" em conjunto com as 55 mil pessoas presentes. Chega a hora do, talvez, maior hit deles no Reino Unido, Country House, que ganhou uma disputa com o Oasis de single mais vendido, em 1995, onde as lojas de discos amanheceram numa segunda feira com filas nas portas.
Voltando para os primeiros discos, Oily Water, Chemical World (faixa incrivelmente ausente na primeira coletanea da banda) e Sunday Sunday, arrancando largos sorrisos de uma platéia incansável.
A partir daí, overdose de Parklife. Phil Daniels aparece no palco e causa gritaria geral na plateia. Ele é o vocalista original de Parklife, a música, e incendeia o povo, cantando com raiva, berrando, como se fosse um punkstar. Foi nessa hora que um ser humano caiu sobre minha cabeça. Junto com o susto, vejo uma mulher semi-nua sendo carregada pela multidão (chapada ou passando mal, sei lá). Os peitões dela se esfregam na minha cara, ate que os seguranças conseguem agarrá-la e tirá-la do meio da bagunça (foi incrivelmente alta a quantidade de pessoas passando mal, por causa do calor e do esmaga-corpos que estava em frente ao palco). Entra em cena End of Century, clássico do britpop, a belíssima balada To The End e This Is a Low, lenta e distorcida. Sinfonia para meus ouvidos.
Após uma breve pausa, com as pessoas cantando "oh my baby... oh my baby... oh why?... oh my", o primeiro bis: Popscene, Advert e, claro, Song 2, que colocou, literalmente, 55 mil pessoas pra pular e se empurrar (a essa hora eu ja estava mais pro fundo, tamanha a dificuldade de se ver devidamente o show na frente - e até que eu resisti bastante). Nunca fui muito chegado nessa música, mas nao consegui resistir, pulei e gritei muito, ate ficar quase sem voz.
Nova pausa e o gran finale: For Tomorrow, do segundo disco, e The Universal, do The Great Escape, disco que, estranhamente, teve pouquíssimas músicas no set list.
A esta hora eu estava ensopado de suor, cerveja e garrafadas d'água recebidas enquanto estava na frente. Meu pé foi pisoteado dezenas de vezes. Estava sem voz, com fome e com sede. Muito cansado. Quase rasgaram minha camiseta novinha do Blur. E querem saber? Valeu cada centavo, e se precisasse, pagaria o dobro para ter outra tarde inesquecivel como essa. Vida longa ao Blur.
BLUR NO HYDE PARK – O SET LIST
Introdução: Far Out
1.She's So High
2.Girls And Boys
3.Tracy Jacks
4.There's No Other Way
5.Jubilee
6.Badhead
7.Beetlebum
8.Out Of Time
9.Trimm Trabb
10.Coffee And TV
11.Tender
12.Country House
13.Oily Water
14.Chemical World
15.Sunday Sunday
16.Parklife
17.End Of A Century
18.To The End
19.This Is A Low
Encore:
20.Essex Dogs
21.Popscene
22.Advert
23.Song 2
Encore 2:
24.Battery In Your Leg
25.For Tomorrow
26.The Universal
* Esta mega e exclusiva resenha sobre o fodaço show do Blur vai, carinhosmente, para a querida Adriana Ribeiro (que assistiu a banda em Sampa em 1999, no Credicard Hall, ao lado de Zap’n’roll), para o saudoso Toninho (o dj loucaço do inesquecível Espaço Retrô, onde o zapper aqui descobriu alguns dos melhores sons de sua vida) e para a mega amada Rudja Catrine, uma garota que mora muito distante de qualquer metrópole e que, mesmo assim, conhece tudo de cinema, cultura pop e rock alternativo. E com quem o autor deste blog quer casar um dia (wow!), ao som de "Park Life", do Blur, claaaaro!
E EM SAMPA, OS GUTTER TWINS
(por Daniel Meirelles)
Em seu livro "Beijar o Céu", de 2006, o escritor britânico Simon Reynolds fez uma análise comparando as noções inglesa e americana do que é o rock'n'roll através do Nirvana e do Radiohead, citando o caso de ambas as bandas terem tido influências e ídolos similares, alimentadas pela mesma rejeição ao artificialismo e mergulharem fundo no sofrimento, com mega hits estourados no ano de 1993 na terra do Tio Sam, mas dizendo que o crucial ali era a palavra "inglês" pois se o lider do Nirvana, Kurt Cobain tivesse escolhido viver, seria provavelmente um trovador acústico, despojando suas músicas para um som melancólico, desamparado e de tinturas folk. Jamais imaginaríamos ele gravando um cd como Kid A, de 2000, do Radiohead, por exemplo, mergulhado fundo na "ciência de estudio". Aí é que estava o abismo entre o rock americano e o rock inglês, segundo Simon.
Podemos até concordar com essa tese mas como sempre, tudo tem sua exceção e ela pôde ser vista na última quarta feira na casa noturna Bourbon Street, no bairro de Moema, em São Paulo
Devidamente intitulado "An evening with Greg Dulli e Mark Lanegan"', os heróis do rock alternativo americano, que nos anos 90 espalharam guitarras intensamente barulhentas com os miticos Screaming Trees e Afghan Whigs respectivamente, celebraram suas carreiras com um arrepiante show acústico.
No belíssimo palco, contemplado com luzes sombrias e um vitral ao fundo, eles desfilaram canções de Sreaming Trees, Twilight Singers, Afghan Whigs, Gutter Twins (ultimo projeto de ambos, gravado em 2008) e da carreira solo de Mark Lanegan, com destaque para o mini hit Dollar Bill, dos Screaming Trees, do longíquo ano de 92 e que levantou a platéia, já no bis, que abarrotou o lugar e deixou mais algumas dezenas de fora.
Destaque tb para "If I Were Only" dos Whigs que animou os fãs mais fervorosos. O último álbum gravado por ambos, Saturnalia e sob a alcunha de Gutter Twins (Irmãos da Sarjeta, sintomático nome para ambos devido a uma extensa e intensa ficha de escândalos durante os anos 90) teve participação com 5 lindas canções. Vale ressaltar uma belíssima versão de "King Only" dos Twilight Singers, em que Greg Dulli emocionava cantando o refrão "you don't love me anymore, ah ah, ah ah...", e por final, versões solo matadoras do trovador Mark Lanegan, que com sua voz grave e sua postura séria, contrastando com a postura de Greg Dulli, sorridente e falando em português com a platéia, dava mais intensidade ao show.
Com tudo isso, é válida a reflexão de que é possivel sim, um show totalmente acústico ser comparado com um show, digamos, tecnológico, e até se sair melhor.
Mr. Lanegan e Mr. Dulli, apesar da sarjeta, mostraram que um show acústico pode ser inesquecível e que eles merecem serem citados como artistas completos e porque não, classudos. Além de mostrar para a nova geração folk/indie/hypado que não basta ser triste e sensivel para ser bom. Conta muito o excesso de tabaco e de álcool na garganta e uma série de escândalos no decorrer na trajetória pessoal/musical. Isso gera uma grande diferença na presença de palco. E na intensidade do show.
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E você pode não acreditar, mas este post fodão do finde ainda não acabou. O zapper, vivamente emocionado com a cobertura do show do Blur em Londres (chuuuuupaaaaa, concorrência, hihi), e podraço e morto de cansaço com a edição do texto (mas feliz com ele) vai tirar um cochilo (são seis da matina, galere!) e volta logo menos, no meio da tarde desta sextona, com um roteiro básico de baladinhas e, talvez, desova de prêmios, certis?
Até já, então!
(enviado por Finatti às 6hs.)

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