O paulistano viveu uma verdadeira maratona cultural no último final de semana. Com 24 horas ininterruptas de atrações culturais, realizadas das 18 horas do sábado (26/04) até às 18 horas do dia seguinte, domingo (27/04), a população de São Paulo fez uma verdadeira "retomada ou tomada (depende do ponto de vista) do Centro da cidade". Em sua quarta edição, a "Virada Cultural" realmente foi agitadíssima, em todos os sentidos. Também, com um público de em torno de 4 milhões de pessoas, conforme registro dos organizadores do evento, a Prefeitura de São Paulo, não teria como ser diferente, né não!?
Aliás, uma das grandes marcas do evento, sem sombra de dúvidas, foi a pluralidade de estilos em busca de um único prazer: a paixão pela arte, seja música, seja artes cênicas, seja dança, seja cinema. Enfim, não importava qual fosse a manifestação artística que se procurava, mas sim apenas a busca insana por ela, como uma espécie de junção de várias tribos em uma única! Fazendo jus à essência do evento, a democratização da cultura para todos, sem distinção de classes, cor, sexo, idade, origem etc. Conduzida por esta máxima, podemos dizer que a "Virada Cultural" atendeu a todos, com vasta programação. Só não se divertiu e aproveitou quem não quis!
Aos amantes de uma boa música, o leque de opções foi bem abrangente e eclética, passando pelo jazz, blues, rock, MPB, samba de roda, hip hop, reggae, forró universitário, música instrumental e eletrônica. Já aos apreciadores das artes cênicas, o evento também buscou atendê-los, com a participação de grupos de renome e outros da cena alternativa. E para as pessoas que ao invés de curtir estas manifestações artísticas, tinham ainda a oportunidade de escolher se divertir nas apresentações de dança ou em uma bela sessão de cinema, com a exibição de filmes da Mostra Internacional de Cinema ou de películas mais exóticas, como vampirismo, por exemplo.

Domingo à tarde: centenas de pessoas se aglomeram para assistir às apresentações de grupos de rock, realizadas em palco montado na Praça da República.
Sensações dúbias
Assim que coloquei meus pés no Centro, à noite do sábado acabava de cair e já dava para sentir todo o clima pelo qual a região estava envolvida, um mix de euforia que atingia a todos, diante da vasta atração proporcionada pelo mega evento cultural, e caos. Tanto que à medida que a madrugada de sábado para domingo avançava, ficava cada vez mais perigoso transitar pelas ruas, embora cheias de pessoas e com uma escola policial de 3 mil PMs, espalhados pelo local. Afinal de contas, muitos do que estavam insanos buscavam encrenca e não se deleitar em cultura.
O retrato mais comum foi de pessoas portando garrafas PETs com um líquido alcoólico qualquer, distribuídas entre calçadas das ruas ou dentro dos bares, sempre lotados, claro! Nada contra a bebedeira, afinal de contas, quem não gosta de tomar umas de vez em quando, principalmente, em momentos de descontração!? O grande problema é a proporção avassaladora no qual tal atitude tomava com o decorrer do evento, somado ao elemento "causação", em detrimento da "Virada Cultural" e das pessoas interessadas em curti-la na sua plenitude!
Tal conduta de vandalismo foi tamanha, que uma longa noite de farra, acabou refletindo no estado no qual o Centro se encontrava na manhã do domingo. Assim que o sol se firmou e começou a aquecer o dia, que por sinal foi bem quente, tornou-se um verdadeiro martírio transitar pelo local. Muita gente na rua ainda? Antes fosse! O inconveniente deixou de ser a "causação" dos seus freqüentadores e a esta altura do campeonato passou a ser o terrível e fedido odor de urina que se instaurara nas ruas. Para se ter uma idéia, era necessário desbravar o verdadeiro "mar de mijo", caso quisesse continuar a sua peregrinação cultural até o final. O que fez surgir comentários sarcásticos, como: "estaríamos nós em Salvador?".
Tudo em nome da arte, claro! E o que restou a todos que optaram em esquecer, nem que fosse por alguns instantes, foi transmutar o fato e concluir a sua maratona e torcer para que na próxima edição, os freqüentadores da "Virada Cultural" aprendam a se portar melhor e não como verdadeiros animais! Afinal de contas, a maioria sempre paga pelo erro de uma minoria, não é verdade!?
No entanto, independente destes inconvenientes, este tipo de iniciativa é sempre muito bem-vinda. Afinal de contas, além de contar com a apresentação de grandes representantes do cenário artístico do País, como Gal Costa, Luiz Melodia, Zé Ramalho, Jorge Bem Jor, Os Mutantes, Marcelo D2, Lobão, Ultraje a Rigor, Zé Celso Martinez, Cia Balé da Cidade de São Paulo, entre tantos outros, a democratização da arte é essencial para mudarmos, nem que seja de forma gradativa, a nossa sociedade! Possibilitando o acesso de todos à cultura! Democracia é isso, né não!?
Sem levar em conta que se tivéssemos que bancar do nosso próprio bolso shows e apresentações deste porte, teríamos que desembolsar verdadeiras fortunas, não é verdade!? Além de ser uma oportunidade "quase única" de aglomeração de pessoas oriundas de várias tribos em um mesmo espaço físico. Portanto, se formos colocar na balança, enfrentar uma "Virada Cultural" ainda sim continua valendo à pena!

Show do Ultraje a Rigor encerrou a programação da "Virada Cultural" no Palco Rock, na noite do domingo.
Aguardem, pois a cobertura da "Virada Cultural" ainda continua... com notas de bastidores, shows e entrevistas bombásticas com algumas bandas! Ficou curioso, né!? Então, fique ligado, que já, já, eu volto!
Ah, e não me esqueci de vocês não, viu!? Com mais um feriadão em vista, retorno com as já conhecidas dicas de passeios culturais pela cidade para os que forem ficar por aqui mesmo, ok!?
Palavra de escoteira... hehehe
Até mais...

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