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Última chamada para "Colateral 2 - Quando a Arte Olha o Cinema"...

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(Obra de Mike Kelley)

Seguindo à risca a linha de raciocínio de Glauber Rocha, “o objetivo do artista é dessacralizar”, a Mostra “Colateral 2 – Quando a Arte Olha o Cinema” - sediada na Unidade Provisória Sesc Avenida Paulista (Avenida Paulista, 119, Cerqueira César), sob curadoria de Adelina Von Fürstenberg - vem apresentando ao público, há quase dois meses, obras de diversos artistas plásticos, que utilizam o cinema como tema principal para promover uma “reflexão crítica” sobre o assunto.

Um interessante e instigante passeio aos amantes da “sétima arte”. Aliás, quem ainda não teve oportunidade de conferir esta exposição, toda elaborada e desenvolvida em vídeo e painéis explicativos, não perca tempo, ou melhor, corra, porque ela fica em cartaz no espaço cultural citado há pouco até o próximo domingo (30/03).

Em “Colateral 2”, você tem a oportunidade de obter respostas para diversas perguntas corriqueiras e algumas mais profundas, que envolvem a arte cinematográfica e as outras, como, por exemplo: “Qual a relação entre a arte e o cinema hoje?”, “Se pelo menos uma década se passou desde que a arte contemporânea começou a voltar sua atenção ao cinema, ao imaginário, seu mundo e suas técnicas. O que resta de seu fascínio recíproco, e como esta atração, muitas vezes fatal, foi transformada?”, entre tantas outras. Aliás, uma forma gostosa e bastante criativa para respondê-las, eu garanto!

Além de ter tantas questões solucionadas, ou parte delas, você ainda pode vislumbrar e teorizar sobre futuros desenvolvimentos da prática artística ligada à imagem em movimento, promovidas por meio da apresentação de 15 trabalhos de 17 artistas plásticos de diferentes lugares, formações e gerações, cujas obras são ligadas em profusão e de forma convergente à tradição do cinema “cult”, à videoarte, à videoinstalação e ao cinema experimental.

Após ser lançado na Itália, com primeira exibição em Milão, no Hangar Bicocca, no ano passado, a mostra, que ocupa três pisos do Sesc Paulista, consiste em uma intervenção sobre um filme, uma “cena-chave”, o ator ou os gestos do ator, ou uma obra que muda a essência do material cinematográfico e todos os processos ligados a ele. Ou seja, não apenas o filme em si, sua forma e sua possível memória, mas, também, a sala de cinema, seu cenário e até mesmo o método de projeção.

(Obra de Dimitris Kozaris)

Um dos destaques, que mais me intrigou foi o projeto nascido a partir da obra “Murder” (assassinato), do alemão Thomas G., na qual o artista exibe de trás para frente a cena de "O Iluminado" (1980), de Stanley Kubrick, em que a criança fala “murder” ao contrário.

Outra obra que merece atenção também, pela fragilidade e solidão do super-homem, é “Superman Recites Selections From The Bell Jar And Other Works By Sylvia Plath", de Mike Kelley, na qual o herói imortalizado pelo cinema declama os melancólicos poemas da escritora norte-americana.

Tem ainda o vídeo “Kristall”, de Christoph Girardet e Matthias Müller, que “reflete” sobre a própria natureza do cinema e sobre as relações entre a realidade e seu reflexo. Um jogo contínuo de espelhos, tanto de maneira objetiva como metafórica, em que as relações se despedaçam e se reconstroem continuamente em uma visão poliédrica, nunca unilateral e muitas vezes nebulosa.

Já em “Star Tricks”, de Dimitris Kozaris, você se depara com uma paródia da famosa série televisiva que acompanhou o crescimento da geração nascida nos anos sessenta. Trata-se de um vídeo composto de cerca de quatrocentos copiões extraídos de 60 filmes de ficção científica, anúncios, desenhos animados e documentários em que o estereótipo da viagem no espaço torna-se metáfora da fuga da realidade construída pelo mundo do entretenimento e pelo grande engodo que ele produz.

Quer saber mais? Então, não vai até a Unidade Provisória Sesc Avenida Paulista e bom divertimento!!! O local funciona de terça a sexta, das 11h às 21h, aos sábados e domingos, das 11 às 20h. Sem contar que a entrada é gratuita. Melhor que isso, impossível, hein!?

(Obra de Candice Breitz)

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