Rotulado por alguns como um grupo de electro-rock, por outros de "break-beat", ou ainda de "new-digi-funk-break-techno-rock", o Téléphatique é muito mais do que tais definições, reúne todos estes estilos e mais um pouco. Só por isso dispensa classificações do gênero, pelo simples fato de resultar de uma somatória de todos estes ritmos musicais, agregado à MBP, groove, funk, soul, jazz etc. Formada pelo DJ, produtor e músico Erico Theobaldo, conhecido popularmente como DJ Periférico, e Mylene Pires, que é cantora, compositora e escritora, a banda vem conquistando cada vez mais espaço na cena musical internacional.
E pelo visto, 2008 foi o ano em que o duo "consolidou" o seu trabalho por terras estrangeiras. Após turnê internacional de lançamento internacional do álbum de estréia "Last Time On Earth" (2006), pelo Selo Urban Jungle Records, que incluiu basicamente Europa, em uma primeira fase, e EUA e Canadá, em um segundo momento, o Télépathique retornou ao Brasil no final do ano passado e desde então vem se dedicando à produção de seu mais novo álbum, o segundo do grupo, cujo nome ainda não foi definido.
Para dar continuidade e aproveitar a maré dos bons eflúvios, o Télépathique desde quando retornou à sua terra natal, em setembro do ano passado, vem se concentrando na produção de seu segundo disco, que de acordo com Erico, deve ser lançado ainda neste 1º Semestre de 2009. "No momento, estamos concentrados no nosso novo trabalho. Na verdade, este processo começou há algum tempo, quando ainda estávamos em turnê, mas agora ele sai", comenta DJ Periférico em entrevista para o este blog.

No que depender do quesito aceitação, seja da crítica especializada, seja do público em geral, o dueto continua sua saga no circuito internacional de música. Tanto que de acordo com o músico, este segundo disco do grupo deve ser mais focado e objetivo do que o anterior. "Este primeiro disco foi mais despretencioso e nos surpreendeu, pois as coisas foram acontecendo e foi tudo muito rápido. Tanto que quando nos demos conta já estávamos tocando em palcos estrangeiros, abrindo para bandas de renome e para um público grande", ressalta.
Quando questionado sobre o que o público deve esperar do próximo disco e se seria algo similar ao primogênito do Télépathique, Erico é enfático: "ele deve ser bastante abrangente em termos de estilo, sem rótulos, assim como o nosso álbum de estréia. No entanto, deve vir com mais letras em inglês (visto que o anterior vem, de forma equilibrada, com músicas em português e inglês), com o intuito de explorar outras coisas, até mesmo o francês. Além do mais, unimos ao fato do acolhimento que já temos no mercado americano e europeu", comenta o músico. Mas logo avisa: "porém, não vamos deixar de trazer as influências que viemos trabalhando no anterior, como, por exemplo, em relação à música brasileira e outros ritmos".
Mas as dicas em relação ao próximo lançamento do grupo não pára por aqui, DJ Periférico é catedrático ao afirmar: "a gente já sabe quais são as músicas que vão compor o disco, pois possuímos praticamente um álbum inteiro. Por outro lado, não sabemos se ele vai vir em formato de CD ou EP e muito menos, como será lançado. Estes detalhes finais ainda serão fechados com o nosso Selo. A única coisa que, provavelmente, é certeira se trata de seu foco, que deve vir ainda mais voltado ao mercado internacional e no qual pertencemos".
Onde tudo começou?
A internacionalização do Télépathique, cujo processo teve início em 2006, logo no lançamento de seu primeiro disco, aconteceu na Europa e, posteriormente, por meio dos Selos Urban Jungle e The Control Group (este último de Seattle), nos EUA e Canadá, antes mesmo de ser divulgado por aqui. Daí em diante, o dueto tocou na Espanha, Portugal, Inglaterra, voltou para o Brasil neste ínterim, que durou cerca de doze meses, deram um pausa em sua tour e se dedicaram a outros projetos paralelos. Quando no final de 2007, botaram o pé na estrada novamente e tiveram a oportunidade de tocar em Montreal, Toronto, Nova York, Seattle, Denver, Washington, Chicago, Filadélfia, Los Angeles, entre outros lugares.

Daí em diante, o dueto começou a colher os louros de seu trabalho, vieram os elogios da crítica especializada internacional e shows e mais shows por terras gringas, com destaque para o Festival Hype Tejo, ocasião em que teve a oportunidade de dividir palco com Massive Attack, Diplo, Hot Chip e DJ Marlboro. O Télépathique ainda promoveu a abertura de shows para o músico inglês Tricky. Aliás, tal resultado não poderia ser diferente, afinal de contas, o grupo realmente faz um trabalho diferenciado e que merece todos os elogios possíveis.
"Last Time On Earth"
Ousado e bastante peculiar, em todos os sentidos, o debut do Télepathique, como já foi dito, agrega os mais diversos elementos musicais, que se estende para o projeto do grupo em si, composição e harmonia das canções, que, aliás, vão evoluindo a cada música, ao longo das dez faixas que integram o disco. Embora seja um álbum sem linearidade, nos mais diversos aspectos, principalmente em termos de construção musical e de união de estilos, por outro lado, tem uma coesão própria e que de alguma forma se complementam entre si.
Quando foi questionado do porquê o lançamento foi focado no território estrangeiro, Erico é direto: "A forma de trabalho em nossa gravadora é um pouco diferente do praticado aqui. Existe toda uma rede e planejamento para a divulgação de um determinado artista. É uma organização ímpar, lá é tudo muito bem linkado e o retorno chega à medida que vão desenvolvendo todo este processo de divulgação do trabalho".
Influências
O resultado do trabalho do dueto, ao agregar vários estilos de música e sem rótulos e estereótipos, sem sombra de dúvidas é conseqüência do gosto musical de seus integrantes, no qual, segundo Erico, é bastante eclético e abrangente. "A gente gosta de quase tudo, temos muita influência natural. Talvez seja por isso que nem temos saco para segmentar as nossas criações em uma coisa só, como por exemplo, drum'n'bass, ou black music, ou mesmo rock e música eletrônica. Alguns podem até pensar que são esquisitices, mas muitos, assim como a gente, eu, a Mylena e o pessoal do selo, estamos gostando disso, sem contar o público", afirma.

A valorização estrangeira
Outra questão levantada por Erico diz respeito à valorização que os brasileiros dão para seus artistas, pelo simples fato de muitos obterem reconhecimento por aqui apenas quando "estouram" lá fora - o que não é novidade alguma para nós, certo!? Com uma visão bastante cética e intrigante em relação ao assunto, DJ Periférico diz: "não dá para os produtores, gravadoras e profissionais do meio quererem o retorno antes mesmo de começar a investir no artista. E é exatamente isso que acontece no Brasil, hoje em dia, onde só se investe na carreira de um músico a partir do momento que se vislumbra um retorno rápido".
Segundo ele, tal fato não ocorre lá fora ou talvez, seria menos escachado e injusto do que no Brasil. "O retorno vem à medida que vai se desenvolvendo um projeto. Sim, eu sei que muitos podem me criticar de anti-nacionalista, mas não é isso, é apenas uma visão mais realista do que acontece. A gente vive de música, assim como o nosso selo, e não dá para ficar dando cabeçada e sim sair na busca por saídas", afirma o músico, acrescentando: "hoje, sem sombra de dúvidas, o cenário musical brasileiro está bem melhor do que há alguns anos atrás, onde os artistas só lançavam disco e faziam shows se fosse contratado por uma major", finaliza o integrante do Télépathique.

Mais informações: http://www.urbanjungle.com.br/blog1.php/telepathique

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