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“Tenho uma banda”: indie no conceito e na atitude

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Como toda promessa é dívida e de acordo com anúncio que foi feito neste mesmo espaço virtual há algumas semanas, cá estou para falar melhor do novo disco do Instiga, "Tenho uma banda". Lançado recentemente, no mês de agosto, este terceiro álbum da banda, formada no ano de 2001, no interior de São Paulo, mais especificamente na cidade de Campinas, é simplesmente apaixonante e desde quando caiu nas mãos desta colunista, há pouco mais de três semanas, não parou mais de ser ouvido por ela. Nome bastante sugestivo, que, além de intitular o novo álbum do grupo, remete à nova causa, na qual os seus integrantes vêm batalhando: ao incentivo a todos, assim como eles, que pertencem à cena underground e estão na busca por um espaço.

Mais maduros, em todos os sentidos, os integrantes do Instiga, com apoio do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas, produziram este novo álbum, que segundo a própria definição de seus componentes, mais heterogêneo em relação aos outros dois trabalhos anteriores - "Menino Canta Menina" (de 2007) e "Máquina Milenar" (de 2005). Seguindo a mesma linha musical de seus antecessores, o indie rock, este último disco do grupo, certamente, é o testemunho e o ápice da maturidade do agora trio - pois com a saída de Heitor Pellegrina (na guitarra), há alguns meses, a banda hoje, é formada por Christian Camilo (no vocal e guitarra), Gabriel Duarte (no baixo) e Pedro Leite (na bateria).

Se o trabalho anterior do Instiga deixou a mídia de forma geral deslumbrada pela sua qualidade e criatividade, este, sem sombra de dúvidas, se superou em todos os aspectos! Podemos dizer que "Tenho uma banda" é um disco bacana e de resgate às raízes do grupo, pois as 17 canções compiladas nele - "Puma", "Tem uma Banda", "Heitor e Ana", "Nerds", "Wagner", "Carta de Demissão", "A Freira", "Enquanto Isso na Bélgica", "Queria Estar Com Você", "Aquela da Cachorrinha", "Seu Garcia", "Rock Safari", "Munrá", "O Ultimo Desertor", "Porto Inteiro", "Cai Dentro" e "Meu Batimento" - mantém àqueles riffs de guitarras típicos do britpop, com uma "pegada garageira" e um pouco mais "pauleira" em algumas canções, bastante característico do grunge (influência assumidamente declarada pelos seus integrantes), com pitadas razoáveis de pop-rock, músicas instrumental e regional.

Tal ápice de amadurecimento se reflete de maneira tão direta neste novo disco do Instiga, que até àquele estilo "have fun" utilizado pelo grupo na temática das canções foi posto um pouco de lado. Inclusive, é bem nítido que neste novo disco da banda, os seus integrantes buscam novos "musos inspiradores", com letras um pouco mais "sérias", embora elas continuem tendo como foco o retrato do cotidiano dos músicos. Por outro lado, as mesmas são encaixadas em arranjos mais trabalhados e ousados. Do álbum, merecem atenção "Nerds", "Aquela da Cachorrinha" (ambas na linha do indie), e "Cai Dentro", cuja canção tem uma tônica nítida de folk. Enfim, um trabalho de muita personalidade, que, aliás, é a marca registrada da banda, e que merece, ao menos, ser ouvido nem que seja uma vez.

Disponível na internet, desde o mês de agosto, "Tenho uma banda" pode ser baixado inteiro e gratuitamente. Basta acessar o site da banda (www.instiga.com/tenhoumabanda) e mandar ver no download. Mas aos adeptos apenas das audições musicais, é simples: o disco, assim como os trabalhos anteriores do Instiga, também pode ser apreciado no myspace do grupo (www.myspace.com/instigabanda). Para saber mais sobre este novo trabalho da banda, que tal conferir entrevista com o seu vocalista?!

Town Art - Desde quando a banda nasceu, no ano de 2001, vocês gravaram três CDs, sendo que este último, "Tenho uma banda", foi lançado recentemente pelo internet, certo!? Como foi a produção deste álbum e quanto tempo durou o processo de elaboração, contando com a composição das canções e o processo de produção do disco?

Christian Camilo/Instiga - Começamos a produzir as músicas no final do ano passado, antes mesmo de surgir a oportunidade de gravarmos um novo disco, e anteriormente ao Heitor fugir para a Bélgica. A gravação foi muito rápida, em três dias. O disco foi gravado no fim de abril, ao vivo, só as vozes, e em "overdub".

Town Art - Em que este último trabalho do Instiga diferente dos outros dois anteriores? 

Christian/Instiga - Ele é mais heterogêneo. Quem acompanha a banda percebe um amadurecimento, mas uma heterogeneidade não indicada. Na verdade, isso é apenas parte do conceito de um todo. Enfim, acredito eu, que as músicas estão mais originais ainda.

Town Art - Neste novo disco, o Instiga buscou focar os trabalhos para a questão da produção independente, como forma de incentivar as bandas que integram esta cena, certo!? Fale mais sobre isso.

Christian/Instiga - O nome do disco "Tenho uma banda" surgiu, primeiramente, da música que integra este CD, "Tem uma banda". Pensamos, então, porra, todo mundo tem uma banda e é verdade! Quantas vezes por semana nos deparamos com a frase "Tenho uma banda". Nós pelos menos, muitas vezes. E isso indica um florescimento, uma fase muito rica em termos de produção. As bandas mais e mais aprenderão como se promoverem, mas o essencial para que isso aconteça é ir pra frente e assumir que "você tem uma banda" (risos).

Town Art - Quais as vantagens para o Instiga integrar a cena underground? Vocês almejam trabalhar sempre desta forma, assim como muitas outras bandas que já contam com uma carreira sólida, como Mundo Livre, Cordel do Fogo Encantado, ou não?

Christian/Instiga - Isso é temporário! Banda que quer trabalhar, músicos que quiserem viver da própria música vão ter que ir pelo "underground" se tiverem um som original e sem apadrinhamento empresarial. Em muitos casos, até com apadrinhamento o caminho é ir pelo "underground".

Town Art - E as desvantagens de pertencer ao circuito alternativo, quais são? Mesmo assim ainda vale à pena?

Christian/Instiga - A falta de estrutura de alguns lugares é uma desvantagem, mas a receptividade das pessoas faz valer à pena!

Town Art - A produção do novo disco da banda foi de quem? E as músicas, quem as compôs, todos dão seus "pitacos" nesta hora ou é algo mais restrito, isolado? Enfim, me conte como funciona o processo de composição na banda.

Christian/Instiga - O disco foi produzido pela banda, até o Heitor estando na Bélgica ajudou bastante. A maior parte das composições saem de riffs que faço com o Heitor ou que o Gagá cria e então, fazemos letras em cima. Essa regra funcionou bastante neste disco. As letras surgiam em reuniões focadas para isso. Eu, Pedro e Gagá trabalhamos em trio, na composição das letras em três ou quatro músicas. A diferença para o "Menino Canta Menina" é que o "Tenho uma banda" contou menos com a visão do Heitor, já que o disco anterior teve uma grande entrega dele no processo de composição.

Town Art - Onde o Instiga buscou inspiração para elaborar "Tenho uma banda"?

Christian/Instiga - Difícil fechar um tema para todas as letras assim, num rótulo! São como capítulos, onde os personagens estão presentes em mais de uma faixa, em um diferente contexto, entende!? Inclusive a banda está ali, como um personagem, tocando junto com o personagem "Paulo" da música "Nerds". Enquanto isso, o Heitor está na Bélgica, fazendo uma música para o Sidney Magal (risos).

Town Art - Neste novo disco, o Instiga buscou deixar um pouco de lado a faceta "pop", ou melhor, a influência mais "pop" dentro do estilo rock'n'roll, e ressaltar a sonoridade crua e mais agressiva deste mesmo gênero musical. O que motivou tal escolha, mudança? Tem a ver com o que os integrantes da banda vêm ouvindo ultimamente?

Christian/Instiga - Não sei se o disco se encaixa facilmente no rock também, pois a influência vem do rock na essência, mas foi tudo muito espontâneo! Por exemplo, queríamos fazer uma música com levada de canção popular irlandesa, aí, pensamos um pouco, mas não a ponto de racionalizar e ir pesquisar os "conceitos básicos" de música irlandesa. Fizemos com ingenuidade e nos jogamos naquilo que viria ser a canção "Porto Inteiro".

Town Art - O que os integrantes do Instiga têm ouvido atualmente? De que forma tais audições influenciam o trabalho da banda?

Christian/Instiga - Eu estou ouvindo Beirut, mas faz tempo! Tenho até vergonha de dizer, porque eu simplesmente viciei e quero que o próximo disco use mais instrumentos acústicos e que o processo de composição saia de temas cantarolados e não de riffs de guitarra. Dei aí a dica de como imagino o quarto disco...

Town Art - No último CD, "Menino Canta Menina", vocês fizeram turnê de divulgação do trabalho por diversas cidades do Brasil. Já neste último, vocês estão buscando ficar mais no interior do País, em especial de SP, certo!? Me explica melhor isso.

Christian/Instiga - Queremos tocar bastante e como os convites estão aparecendo para divulgarmos esse disco, acho que vale à pena botarmos o pé na estrada para levar o nosso som para lugares onde jamais imaginávamos ver o Instiga ao vivo.

Town Art - O que mudou no desejo e/ou objetivo dos integrantes do Instiga? Ou o grupo continua vislumbrando e alimentando os mesmos sonhos? Vocês poderiam exemplificá-los para mim (risos)? 

Christian/Instiga - Difícil! O Heitor atualmente está focado nos projetos de pós-graduação em Economia e por isso, não está acompanhando a banda na turnê. Eu e o Gabriel somos os que estamos acreditando e produzindo todo o trabalho de turnê e divulgação no momento...

Town Art - Além da internet, quais são as outras estratégias de divulgação do trabalho do Instiga? E em especial deste último, quais serão as ferramentas utilizadas pela banda em "Tenho uma banda"? 

Christian/Instiga - Acho que o "boca-a-boca" é a principal ferramenta. Agora, estamos acreditando que esta seja a melhor forma de divulgarmos o nosso trabalho.

Town Art - Quais os planos futuros da banda?

Christian/Instiga - Gravar o nosso quarto disco em 2009 e tocar muito mesmo!

Town Art - E por fim, qual o conselho que vocês dariam para as bandas que estão começando agora, vide que este é um dos conceitos embutidos na criação do novo disco do Instiga?

Christian/Instiga - Ganhem bastante prática de composição e gravação. De preferência, grave você mesmo e aprenda a usar os programas de mixagem e gravação. E toquem em todo lugar que te convidarem, toquem muito mesmo...

6 respostas para ““Tenho uma banda”: indie no conceito e na atitude”

  1. Fábio Sousa Disse:
    Entrevista fraca, com perguntas óbvias. E não sei onde você ouviu folk ou britpop nas músicas do Instiga. Sinto muito Maíra, mas você não leva mesmo jeito para crítica de música pois sua parca formação musical não permite isso. Fique só nas dicas culturais, é melhor.
  2. Maíra Disse:
    Olá Fábio,
    Em primeiro lugar, gostaria de lhe desejar as boas-vindas, fico feliz em saber que lê os meus textos e como vivemos num país democrático, está no seu direito de não concordar com tudo! Aliás, o senso crítico é essencial e extremamente importante em um país no qual o conceito que se é aplicado é a manipulação de informações e como conseqüência óbvia, a falta pensamento e opiniões críticas!
    Fico feliz em saber que nem todos pensam da mesma forma que eu, afinal de contas, a divergência de opiniões é sempre salutar, não é verdade!? Agora, quando se trata de arte algumas impressões são mais óbvias e convergentes, mas outras, acontece de forma absolutamente oposta! Pois nem todos sentem, exergam e absorvem uma obra de arte (seja música, cinema, teatro etc...) da mesma forma! Portanto, você está sim, no seu direito de discordar de mim e fico feliz em ver que nem todos concordam com o que penso e escrevo!
    Bom, seja sempre bem-vindo, inclusive, nas postagens, seja em tom de elogio ou de crítica, pois acredito que ambos se complementam e por isso, são importantes para crescermos na vida, seja como ser humano, seja como profissional!
    ;) beijos
  3. Ricky Disse:
    Diferentemente do que o tal Fabio-Sousa-amigo-do-Finatti acha, eu gostei muito da sua entrevista. Você tem feito um bom trabalho por toda a cena nacional, com boas entrevistas e um material eclético, que é o que sinto que falta em outros blogs aqui da própria Dynamite, do tipo que deitam na fama e só afagam o ego próprio.
  4. Alonso Disse:
    Welcome back Maíra! Aguardo mais entrevistas e dicas culturais. Você hoje tem de longe o melhor e mais completo blog aqui do site da Dynamite, sem desmerecer os demais, obviamente!
  5. Humberto Finatti Disse:
    Sim, o leitor Fábio Sousa se tornou um bom amigo meu, conversamos por msn inclusive e já nos encontramos por aí algumas vezes. Mas, devido aos últimos atritos ocorridos entre nós, da equipe de colunistas do site e em respeito a VC, Maíra, e tb ao DeLucca e ainda atendendo à solicitação do Pomba para que nós todos nos mantenhamos UNIDOS, peço sempre que ele (Fábio) ou qualquer outro leitor da Zap, EVITE mandar mensagens ao meu blog citando nominalmente outros colegas daqui, com o objetivo de criticá-los de forma depreciativa. Abraço!
  6. Sheila Abranovich Disse:
    Ta chefinho eu entedi tudo! Mas nao posso deixar de concordar com a inteligencia do Fabio Sousa!

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