Obra "Auto-Retrato" de Vik Muniz.
Em cartaz no Museu de Arte de São Paulo (MASP) desde o final de abril (24/04), a nova mostra do artista plástico Vik Muniz volta ao Brasil, depois de passar pelos EUA, Canadá e México. A exposição - que faz uma retrospectiva de 20 anos de carreira do brasileiro, radicado em Nova York (EUA) há 25 anos, e foi apresentada também no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro - estabelece de forma peculiar, sob outro ângulo jamais visto por terras tupiniquins, a relação que ele estabelece entre a fotografia e o desenho.
Com o intuito visível de mexer com a idéia de imagem como maneira de interação, "Vik", como foi intitulada a mostra que se estende até o mês de julho, compila 131 obras, todas fotografias, mas não do gênero fotográfico puro, tais criações perpassam desde 1988 até os dias atuais. Aliás, se torna ainda mais nítida a "teoria" de uma das práticas aplicadas pelo artista, de explorar propositalmente um caráter híbrido e ambíguo da imagem, gerando assim, obras para lá de sedutoras. Isso porque ele busca enfatizar o dialogo entre o material, no caso os objetos simples nos quais utiliza para fazer as suas composições, e a imagem, ao destilar a idéia do desenho com coisas muitos práticas ou a natureza da arte em si.

Já em "Diamonds", o artista plástico retrata a atriz norte-americana Liz Taylor.
Tal máxima, que é confirmada em depoimento do próprio artista, no qual diz: "quero desmistificar uma arte muito ligada a deuses e aliar a minha vontade de fazer o espectador questionar a imagem a partir das camadas de significados, propostas nos trabalhos, sempre a partir de ícones, estereótipos, arquétipos digeridos". Aliás, quem não se lembra do reboliço que as obras de Vik criou, quando, há anos, começou a despontar ao criar trabalhos concebidos a partir de técnicas variadas e materiais no mínimo curiosos - como, por exemplo, a Mona Lisa feita de pasta de amendoim, o Che Guevara desenhado em geléia ou o retrato de Elizabeth Taylor montado a partir de centenas de pequenos diamantes - e que se tornavam verdadeiras obras de arte extremamente originais?
Desde então, o artista se tornou um fênomeno de comunicação ao atingir as mais variadas parcelas de nossa sociedade com suas criações simples, mas de uma sofisticação estética ímpar e que por outro lado, permitem diversos níveis de leitura. E são exatamente tais "pontos de vistas" que o público se depara na mostra abrigada no MASP. Na verdade, com o seu dom cativante, Vik mais uma vez prova que é possível se comunicar com o espectador com maestria, ao mudar a forma elitista com a qual a arte é encarada em nossa sociedade, sem separar o popular do inteligente, como se fossem coisas antagônicas.
A exposição, realizada pela Aprazível Edições e Arte, de Leonel Kaz e Nigge Loddi, a mostra é acompanhada de livro - que não abarca todas as séries do artista, mas pontua a relação da fotografia e do desenho com conjuntos temáticos precisos, alguns deles, inéditos, como "Imagens de Papel"' (a partir de fotografias p&b) e '"Quebra-Cabeças"'. "Vik" começa com as primeiras obras de sua trajetória em torno da imagem, desenhos que fez a partir de fotos que via na Revista Life e que fotografou. A partir daí é possível ver sua pesquisa se problematizando, cada vez mais, e expandindo, inclusive, em escala.

"Thread" é uma das criações de Vik que também integra mostra em cartaz na cidade.
Serviço:
Exposição "Vik"
Local: MASP
Endereço: Av. Paulista, 1.578, Bela Vista.
Período: 24 de abril a 12 de julho.
Visitação: de terça a domingo, das 11h às 18h, e às quintas, das 11h às 20h.
Ingresso: R$ 15,00, sendo que e para menores de 10 anos, maiores de 60 anos e às terças-feiras, a entrada é gratuita.
Telefone: (11) 3251-5644

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