Já ouviu falar na cantora e compositora Marcela Bellas? Se ainda não, é bem provável que mais dia, menos dia isso aconteça! A artista baiana, que acaba de lançar seu debut "Será que Caetano Vai Gostar?", vem chamando a atenção do público e da mídia especializada. Embora para muitos possa soar pretensioso, a escolha deste nome para intitular o seu primeiro disco é apenas uma alusão que ela quis fazer com uma de suas grandes referências musical. E talvez até um modo que ela encontrou de prestar uma homenagem ao músico e compositor conterrâneo seu e um dos maiores símbolos do movimento tropicalista, Caetano Veloso.
Com alguns anos de estrada, Marcela, assim como muitos artista brasileiros, produziu este álbum de forma independente. Resultado de uma inspirada parceria com os músicos Tadeu Mascarenhas e Rovilson Pascoal, "Será que Caetano Vai Gostar" é o resultado de uma mistura interessante que a cantora baiana faz com diversos estilos musicais, que passa pelo samba, rock e dub ao trip hop e MPB. Disponível para download no site oficial da artista, o disco reúne 11 faixas e parcerias com os músicos Helson Hart, Mário Mukeka, Herbert Valois e Tenison Del Rey.

Além de músicas inéditas, "Será que Caetano Vai Gostar?" traz releitura de um dos grandes sucessos de Moraes Moreira e Fausto Nilo "Bloco do Prazer". Com uma sonoridade bastante variada e nuances bastante pop, podemos dizer que o disco é uma ótima pedida para aqueles momentos de descontração, do qual só se almeja ouvir algo leve e alegre, características bastante típicas da terrinha do "Senhor do Bonfim". Mas sem sombra de dúvidas o toque final e o ponto alto do CD é a doce e expressiva voz de Marcela.
Os destaques são as canções "Quando o Samba Quer", "Me Leve", "Bacana", "Mamãe Sereia" e "Defeito", que de algum modo trazem todas as referências musicais citadas, seja em uma espécie de mix ou isoladamente, não importa?! Um disco bastante heterogêneo e que denota o potencial da artista de modo crescente e com uma sutileza quase pueril. Para contar melhor esta história toda, nada melhor do que um bate-papo com a própria criadora da obra, né!? Em entrevista a esta coluna virtual, Marcela fala um pouco de como está sendo o início de sua carreira, sobre a produção deste disco, de suas expectativas e outras coisinhas mais...
Town Art - Como foi a produção deste seu álbum de estréia?
Marcela Bellas - A primeira composição desse álbum foi feita em 2005 e deu início à minha parceria com Helson Hart, que continuou em músicas como "Por outro lado", "Mancha", "Bacana" e muitas outras. De lá pra cá foram surgindo novas parcerias com outros compositores baianos como Hebert Valois, Tenison Del Rey e Mário Mukeka. Em 2006, lancei com o produtor musical Tadeu Mascarenhas o EP "Leve", que também foi lançado em São Paulo, neste mesmo ano. Ainda nesse período conheci o produtor Rovilson Pascoal, além dos músicos Rogério Bastos, Michelle Abu, Gigi Magno e Magno Vito, novas parcerias paulistanas que resultaram num intercâmbio Bahia- São Paulo. E assim foi feito o "Será que Caetano vai Gostar?". Foram seis meses de gravação, uma parte aqui em São Paulo e a outra em Salvador. O álbum ficou pronto em março deste ano e vem sendo divulgado no meu site e nos shows.
Town Art - Para muitos, pode soar como pretensioso ou mesmo até gerar controvérsias a escolha de "Será que Caetano Vai Gostar?" para intitular seu debut. Como surgiu este nome? Poderíamos dizer que seria uma espécie de alusão à provável (?) influência que o trabalho de Caetano Veloso exerce sobre ou mera homenagem a ele? Ou ainda algum outro motivo implícito?
Marcela Bellas - O nome do disco veio de uma forma muito natural. Caetano é uma grande referência pra mim, na minha vida, no meu trabalho e é também uma referência para os meus parceiros musicais. E durante a gravação do disco, no meio daquele processo todo eu sempre ficava me perguntando: "o que será que Caetano vai achar? Será que ele vai gostar?". E até então, o disco ainda não tinha nome. Até que percebi que essa pergunta daria um nome interessante e coerente comigo, com o meu trabalho, com a minha história na música.
Town Art - Atualmente, você está trabalhando na divulgação deste disco, né!? Como está a agenda de shows? Como tem sido o retorno do público diante dele? E você, como vem reagindo a tudo isso?
Marcela Bellas - Desde o lançamento, em julho, temos feito uma série de shows, entrevistas, divulgação em rádios. De lá pra cá o público vem aumentando, venho recebendo muitas mensagens, vendido muitos CDs nos shows. A imprensa tem me recebido super bem e a resposta do público está sendo a melhor possível. Estou muito feliz e realizada com esse álbum. Enfim, só tenho a agradecer.

Town Art - O seu trabalho traz variadas influências, que vão do samba, rock, MPB (mais especificamente do tropicalismo) ao dub e trip-hop, né!? Como tais influências chegaram ao seu trabalho e são trabalhadas nele?
Marcela Bellas - Sempre ouvi de tudo, gosto de música! Música Popular Brasileira é a minha base e as coisas de fora foram surgindo. Na medida em que eu ia conhecendo, colocava no meu som aquilo que me tocava. Mas a influência vem de vários lugares, não só da música. Tudo o que eu ouço, vejo e vivo me inspira. Não só o que gosto, até o que não gosto também.
Town Art - A cena independente vem crescendo bastante nos últimos anos e cada vez mais se estruturando e se consolidando como um dos principais modos de produção para muitos artistas brasileiros, né!? Como é para você trabalhar desta forma, imagino que não deve ser fácil, mas assim como tudo na vida, tem os seus dois lados, suas desvantagens e compensações? Como é e funciona isso para você?
Marcela Bellas - Acho que a falta de investimento no artista independente torna as coisas mais difíceis. Mas, hoje, com a internet principalmente, acredito que é possível para nós conquistarmos um espaço e fazer com que a nossa música chegue aos ouvidos das pessoas. Não sei até que ponto isso pode funcionar, mas também não quero pensar muito. Vou trabalhando e fazendo tudo o que acho que é preciso fazer pra que o trabalho continue crescendo. Acredito que o sucesso é uma conseqüência disso.
Town Art - Embora você esteja em início de carreira, imagino que a sua bagagem artística e musical não começou agora? Como tudo aconteceu neste aspecto para você? Quando você se deu conta de que seria de arte que tu irias viver?
Marcela Bellas - Desde que comecei a falar (risos). Sempre fui artista, vivi livre pra sentir e me expressar. Sempre gostei de cantar. Quando era criança dizia que queria ser Roberto Carlos (risos).
Town Art - Como está sendo a sua inserção no mercado fonográfico? Imagino que não deve estar sendo fácil, assim como para muitos que estão começando, né!? Como você trabalha tais dificuldades, até porque os desafios fazem parte da vida, né!? E tudo na verdade depende de como lidamos com eles, ao longo de nossas vidas, né não!?
Marcela Bellas - Trabalhando muito, procurando fazer mais e melhor sempre. O resto fica por conta do universo...
Town Art - Nos dias de hoje, o mercado fonográfico está bem mais aberto, em relação há alguns anos, às produções de várias localidades do País, fora o eixo Rio/SP, que já ditou as regras, mas que atualmente está bem longe deste conceito, né!? Tenho acompanhado a cena do Nordeste do Brasil e me deparado com muitos artistas bons e das mais variadas vertentes musicais. Na sua opinião, como está a cena atual baiana? E para você e a divulgação de seu trabalho, como está sendo este cenário?
Marcela Bellas - Como diria Caymmi, "a Bahia tá viva ainda lá". A cena baiana sempre foi fortíssima, com muitos bons artistas. Temos músicos maravilhosos, grandes compositores ainda inéditos e outros que já vem aparecendo, de certa forma, na cena nacional atual, como Ronei Jorge, Dão, Rebeca Mata, bandas como o Retrofoguetes e por aí vai. Sempre fui muito bem recebida pela imprensa baiana e pessoas do meio.

Town Art - Além do seu trabalho, claro (risos), qual artista da cena baiana que você acredita que promete despontar?
Marcela Bellas - Como já disse, têm muita gente boa, todos que já citei em cima. Aproveito para citar alguns bons produtores musicais baianos, como Tadeu Mascarenhas, Gilberto Monte e André T.
Town Art - Quais artistas têm feito sua cabeça atualmente? Quais deles têm influência direta em seu trabalho?
Marcela Bellas - Os rappers Emicida e Kamau, o músico e compositor Daniel Cohen (Mão de oito) e a cantora e compositora Karina Burh. Daniel e eu já estamos fazendo algumas canções juntos, Kamau e Emicida já participaram do meu show e Karina é uma artista que eu admiro muito.
Town Art - Qual a estratégia que você tem usado na divulgação de seu trabalho?
Marcela Bellas - Tenho perfis no myspace, facebook, twitter, Trama Virtual, além de um site oficial. Como disse, a internet atualmente é o grande meio de divulgação do meu trabalho. E a velha divulgação boca-a-boca do público continua sendo a melhor propaganda.
Town Art - Quais são os seus planos para este ano, além do lançamento e divulgação de seu primeiro disco?
Marcela Bellas - Continuar produzindo, compor bastante. Também tenho me dedicado mais aos estudos de piano. Mas sinto que esse álbum ainda vai me render muito trabalho! Assim eu espero (risos).
Mais informações: http://www.marcelabellas.com.br/ e/ou www.myspace.com/marcelabellas.

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5 Oct, 2009 às 3:13 PM que pergunta. com certeza caetano vai gostar. marcela é uma cantora e compositora rara. de talento nato. tive oportunidade de conhecer o seu trabalho ha pouco tempo e já sou apaixonada por ela. parabens pela materia. esta a altura de marcela.