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Filhos de Inácio: uma verdadeira paulada nos ouvidos!!!

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Para os que ainda acreditam que não possa existir o casamento entre o punk e o heavy metal, os paulistanos do Filhos do Inácio provam que tal conceito é furadíssimo! A banda une com destreza estes dois estilos musicais, além de agregar outros subprodutos do rock'n'roll, como rock dos Anos 70, pós-punk, grunge, entre outros. Formado por Lucas Marchi (no vocal, 1ª voz), Bugalo (no vocal, 2ª voz), Joe Joe (no baixo, backing vocal), Marco Klein (na guitarra, backing vocal) e Paulo Amaro (na bateria, backing vocal), o grupo, assim como outros que integram o underground, estão na luta por um espaço na cena musical do País e se prepara para entrar em estúdio e gravar seu primeiro disco, cuja previsão de lançamento é abril de 2009.

Criado há cerca de dois anos, o Filhos de Inácio agrega outras peculiaridades ao seu trabalho, além de reunir os mais diversos gêneros do rock, fruto da influência variada por parte de seus integrantes. A banda traz consigo uma prática bastante nobre e quase que inexistente nos dias de hoje: o tom de delatação das problemáticas sócio-políticas da sociedade brasileira, como abuso de autoridade, corrupção, entre tantas outras das quais estamos mais que cansados de saber, né!? Característica, aliás, bastante típica do punk-rock, principalmente dos grupos surgidos no País, na época em que o movimento tomou "corpo" e se tornou notório, lá no final da década de 70 e no decorrer dos Anos 80.

Mero acaso? Provavelmente não, afinal de contas, embora o quinteto carregue todas as vertentes do rock nas costas, com certeza, numa audição um pouco menos atenta e descompromissada, o som da banda soe como um puro punk rock, mas não somente em seus arranjos musicais simples, e sim também nas temáticas das canções ou mesmo nas suas vestes, das quais vem com uma certa agressividade, mas com um tom "moderno" e "sofisticado" - criação do estilista João Pimenta, um dos grandes apoiadores do Filhos e Inácio e que até lançou uma coleção especial para os músicos.

Tanto que quem já teve oportunidade de vê-los ao vivo e em cores sabe bem o que falo, o grupo, além de tocar muito bem, ter um engajamento coeso entre seus membros, aflora o seu estilo próprio, seja pelos "modelistos" trajados pelos músicos ou pela forte presença de palco de todos, reafirmando assim, a união existente entre eles. Ficou curioso? Então, que tal ouvir algumas de suas canções pelo myspace do quinteto (www.myspace.com/filhosdeinacio)?! Merecem atenção as músicas: "Fazer o que" e "Lady Di Tinha Bigode", sendo que os acordes desta última, com certeza, foram inspirados em Ramones!

Durante um encontro para lá de descontraído com os integrantes do Filhos de Inácio, eles contaram um pouco da história da banda, sobre este novo disco que pretendem gravar e lançar em breve, a visão que têm da cena musical do País, me confessaram seus sonhos e ainda me confidenciaram seus planos futuros! Quer saber disso tudo e muito mais? Então, confere aí a entrevista! Let's go...

Town Art - Como foi o projeto de criação do Filhos de Inácio?

Paulo/Filhos de Inácio - A banda nasceu em novembro de 2006 com outra formação. O grupo surgiu de encontros entre eu e o Lucas, que queríamos criar uma banda forte, que falasse a verdade, sem apelação e "tachação". Na seqüência, entrou o Marquinhos e bem depois o Joe e o Bugalo, ambos há cerca de oito meses.

Town Art - Vocês fazem uma mescla de punk com heavy metal e outros subprodutos do rock'n'roll, só que mais pesados, certo!? Me conte mais sobre isso.

Paulo/Filhos de Inácio - Buscamos dentro do gênero maior que rege o som do Filhos de Inácio, o rock'n'roll, agregar as influências que cada um de nós traz. O Joe, por exemplo, soa um verdadeiro Iggy Pop e suas influências musicais; já o Marquinhos traz muito do grunge dos Anos 90, o Lucas, o rock dos Anos 70 e pós-punk e eu, muito do jazz e hard rock!

Joe/Filhos de Inácio - Jogamos tudo isso no liquidificador, batemos e saiu esta papa (risos). Somos um New York Dolls mais agressivo e pesado, sonoramente falando, sem a utilização do conceito glam, em termos de linguagem.

Marquinhos/Filhos de Inácio - Temos influência de um monte de coisas, que vai desde Led Zeppelin, Jimmi Hendrix, Black Sabah, Nirvana, Pearl Jam, até The Clash, Ramones, Sex Pistols, Dead Kennedys, entre outras bandas.

Lucas/ Filhos de Inácio - Resumindo, a gente faz música simples, com acordes relativamente simples, que podem ser tocados por todos, até por moleques que tiveram apenas um mês de aula de música, entende!?

Town Art - Em decorrência da influência variada de cada um dos integrantes da banda, como funciona o processo de composição de suas canções? Rola um "certo" despotismo ou é feito de maneira democrática (risos)?

Marquinhos/Filhos de Inácio - Este processo sempre funcionou de forma conjunta e com a participação de todos. Resolvemos tudo, sempre nos nossos ensaios. Mas, é claro, surgem algumas idéias individuais, afinal de contas, nada vem pronto, todo mundo põem a sua idéia. Podemos dizer que as decisões da banda são bastante democráticas, inclusive, neste aspecto. A gente só não deixa passar idéia ruim (risos). Até exigimos que todos participem de todos os processos, principalmente, o de composição, pois consideramos que o músico tem que acreditar no que está fazendo!

Paulo/Filhos de Inácio - Cada um se expressa de uma forma e, no caso, da composição das letras, que é mais unitária, acontece desta forma, e já com a criação dos arranjos, é feito de maneira coletiva. Somos muito unidos e por isso, conseguimos colocar as coisas igualitariamente e sempre de forma consensual. A amizade amacia estas diferenças musicais! Consideramos que todos somos iguais e que existe uma sociedade entre a gente!

Joe/Filhos de Inácio - A gente é muito amigo e tudo tem funcionado muito bem conosco. Claro, acontecem aquelas discussões, normal, mas sempre construtivas.

Town Art - De onde os Filhos de Inácio buscam inspiração para o seu trabalho? Como a banda tem uma influência forte do punk rock, podemos dizer que buscam tais referências, principalmente as de teor de delatação social?

Paulo/Filhos de Inácio - Somos todos muito brasileiros e o nosso único alvo é o mal! Procuramos passar uma mensagem igual o da banda, a dos conceitos que nos rege! A gente não fala de amor e sim de "amor sádico", sexo. Além disso, a idéia é lembrar o brasileiro dos mais variados tipos de som, que vão desde o death metal, até o pop rock. A gente fala exatamente do maldito "jeitinho brasileiro", dos absurdos e abuso de toda autoridade que se torna abusiva!

Joe/Filhos de Inácio - De toda essa junção, rolou uma evolução forte e as letras variam bastante, mas também, abordam bastante a questão sexual! Trabalhamos bastante a questão do visual, mais agressivo, que é elaborado pelo estilista João Pimenta.

Town Art - Vocês começaram a preparar o primeiro disco da banda, certo!? Quando começou este processo e como ele está fluindo?

Paulo/Filhos de Inácio - Agora, estamos fazendo a pré-produção do nosso disco e no mês de novembro, a gente pretende entrar em estúdio para gravá-lo. A gente buscou a opinião de um profissional, no caso, do produtor Thiago Hóspede, que já produziu a Pitty, o Dead Fish, entre outros artistas, para acertarmos as arestas e entrarmos para gravar de vez.

Marquinhos/Filhos de Inácio - E o lançamento, nós estamos pretendendo fazê-lo somente em abril do ano que vem.

Town Art - O estilo que vocês seguem neste disco é o mesmo que vem regendo o trabalho do Filhos de Inácio, né!? Falem mais sobre este primeiro álbum do grupo.

Marquinhos/Filhos de Inácio - Embora não gostamos de definir o gênero que tocamos, por termos várias influências, podemos dizer, que este disco será predominantemente punk e metal, puxado mais para o punk. Mas sem estereótipos (risos).

Paulo/Filhos de Inácio - Este disco vai reunir 15 faixas e terá, ao todo, em torno de 35 minutos.

Town Art - Vocês, assim como muitas bandas e/ou músicos, integram a cena independente. Como é trabalhar desta forma em um País no qual se viver de arte é muito complicado, né!? Qual a alternativa encontrada por vocês?

Paulo/Filhos de Inácio - Realmente, a gente não se prostitui e nem quer se prostituir para fazer o nosso trabalho. Por isso, a forma que encontramos de fazê-lo é se filiar a pessoas fortes, como é o caso do Thiago Hóspede, que já trabalhou com artistas de renome e buscando patrocinadores.

Marquinhos/Filhos de Inácio - Até agora estamos no underground e indo atrás de apoios de empresas para conseguirmos projetar o nosso trabalho. Um das saídas encontradas pela banda foi "linkar" o nosso trabalho com a moda, por meio da parceria firmada com o estilista João Pimenta, que até lançou uma coleção do Filhos de Inácio, além de já termos apoio da Casa Blanca, Ford Models, Cinderella Produtora, Gellys Tatoo, e Estúdio La Casa. Outra pessoa que está nos ajudando bastante é a produtora Indayara Moyano, que está fazendo a divulgação do grupo e agenciando shows, também.

Town Art - Imagino eu que vocês não vivem apenas da música?

Lucas/ Filhos de Inácio - Você está certa, na verdade, o único que vive da música é o Paulo. Eu, por exemplo, trabalho como DJ, modelo e cenógrafo.

Joe/Filhos de Inácio - Já eu, além de músico, sou artista plástico e cenógrafo.

Marquinhos/Filhos de Inácio - Eu com criação de trilhas e músicas comerciais, pois sou formado em produção sonora e áudio.

Paulo/Filhos de Inácio - E eu, como o Lucas já disse, trabalho e sempre trabalhei com música, desde quando me conheço por gente, desde os 10 anos de idade. Posso dizer que vivo da música, em todos os parâmetros.

Town Art - Qual o papel da música na vida de vocês? O que ela representa na vida de vocês?

Lucas/ Filhos de Inácio - A música é maravilhosamente linda, principalmente, quando se quer o silêncio! É ela que faz eu querer viver o amanhã!

Marquinhos/Filhos de Inácio - A música modifica o tempo para mim. Enfim, ela alonga ou diminui o tempo. Ela é tudo para mim, é a protagonista na minha vida, é meu melhor veículo para expressar o que penso e sinto.

Joe/Filhos de Inácio - Como dizia Nietzsche: "a vida sem a música seria um engano". Ela é a droga da minha vida (risos).

Paulo/Filhos de Inácio - É o único momento em que o ser humano esquece o resto. A música é tudo para mim. Não consigo me imaginar fazendo outra coisa, que não seja trabalhando com música, como músico.

Town Art - Qual a forma de divulgação do trabalho feito pelos Filhos de Inácio? Como pretendem fazê-lo assim que o novo disco da banda sair?

Marquinhos/Filhos de Inácio - Hoje, a nossa divulgação é basicamente a internet, principalmente Myspace e Orkut, além dos shows, a venda de CDs e camisetas da banda e o famoso "boca-a-boca".

Paulo/Filhos de Inácio - Quando o CD estiver pronto, vamos usar todas essas ferramentas que o Marquinhos citou e contar ainda com o respaldo de uma assessoria. Aliás, uma curiosidade: o Filhos de Inácio é a primeira banda que vai lançar a Ford Models e o estilista João Pimenta faz muito editorial conosco, também.

Town Art - E os festivais de música, como ficam dentro deste contexto?

Paulo/Filhos de Inácio - Até agora a gente não participou de nenhum...

Marquinhos/Filhos de Inácio - ... mas essencial para dar projeção, tanto que se pudermos e conseguirmos entrar em todos, iremos!

Lucas/ Filhos de Inácio - Queremos isso também, se pudermos tocar em todos, seria perfeito!

Town Art - Qual o sonho maior dos Filhos de Inácio?

Paulo/Filhos de Inácio - A única coisa que mais quero é pagar todas as minhas contas vivendo da música, além de conseguir atingir o ouvido e o cérebro do brasileiro com as nossas canções! 

Joe/Filhos de Inácio - Eu quero uma "vida poser", poder andar de cartola e cueca pelas ruas (risos). E fazer do trabalho a minha diversão!

Marquinhos/Filhos de Inácio - Tocar a cada dia com mais pessoas e cada vez melhor. E quem sabe um dia gravar um "acústico" (risos) e tornar meu trabalho imortal, acho que é sonho de todo músico, né!? Deslumbramento com a fama não temos nenhum, mas assombramento, a gente tem um monte. Tocar algum dia com um cara que eu goste e admire muito o seu trabalho, enfim, dividir o palco com alguns dos meus ídolos!

Lucas/ Filhos de Inácio - Conseguir conquistar meu espaço na cena musical. Na verdade, só quero que as pessoas me escutem! Tentar fazer os jovens brasileiros protestar e que deixem de ser a esponja da nossa sociedade.

Town Art - E os projetos futuros da banda, quais são?

Marquinhos/Filhos de Inácio - Gravar um videoclipe.

Lucas/ Filhos de Inácio - Tocar, gravar, lançar o nosso CD e tocar em todos os festivais pelo Brasil.

Joe/Filhos de Inácio - Tocar em Berlin (Alemanha).

Paulo/Filhos de Inácio - Lançar um DVD daqui a três meses e depois, lançar o CD.

 

 

10 respostas para “Filhos de Inácio: uma verdadeira paulada nos ouvidos!!!”

  1. Alonso Disse:
    Espero estar enganada, mas essa banda parece mais pose que rock, vou correr pra ouvir algo no Myspace!
  2. Dum Disse:
    Maíra, algumas bandas misturaram punk e metal com sucesso. Exploited, Broken Bones, Discharged, GBH e até o Metallica, nos anos 1980. Mas tá claro que vc se referiu a grupos nacionais. Bacana a entrevista.

    beijo
  3. Jatene Jr Disse:
    Melhor que ser os filhos de inácio, é ser o pai de Deus: curtir sim na época certa, e esses pegaram a saideira do Lula presidente, ele saindo e o país na merda, sem dinheiro para investir , agora isso aí, sem novidade, apenas mais uma a passar batido. E tambem há grupos muito mais consagrados dentro da corrente hardcore atual.
  4. Criticum Disse:
    Escutei a banda no myspace, e acho que tem tudo para ser uma nova e boa banda. Concordo que existem bandas mais consagradas, mas não sei se com a originalidade desta.

    Vi muito de black sabbath, e tbm sex pistols juntos e não tem aquela roupagem de toda banda hardcore, com letras melosas e vocais melodiosos, essas caras não "frescam na hora" se vc me entende. Se tem alguma banda nacional que faz essa mescla tão bem me expliquem. pq ate agora o que ando vendo são menininhos com cara de mau que tentam ser como o cpm. Infelizmente nosso rock acabou se resumindo a isso... não me lembro de bandas consagradas do cenário hardcore nacional que não chorem no refrão, não digam nada sobre relacionamentos pessoais que não deram certo e que tenha aquela paradinha antes do verso, para todos da banda "pularem juntos" no show... coisa que já cansou e muito.

    Culpa quem sabe, destas consagrações advindas de nós mesmo, que sem saída, tentamos por algum meio criar um personalidade cultural para nossa época, que já se perdeu há tempos. Infelizmente todo esse lamento e choro destas bandas "consagradas", agora são nossa nova forma de atitude jovem.

    Parabéns a banda, gostei muito da música emoleque, que critica as novas bandas de hardcore emo que ninguém mais aguenta... ou aguenta???

    Espero só que melhore o som no myspace, mas como eles disseram na entrevista, estão em processo de gravação.

    Boa sorte a todos e ainda tenho esperança que coisas boas virão de vcs. Parabéns Filhos.

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