Dynamite

... enquanto isso, nos bastidores...

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Para os que estavam trabalhando na "Virada Cultural", seja na produção ou na cobertura do evento, como era o meu caso, correria total! Cada qual querendo cumprir da melhor forma possível a sua missão! Eu mesma, cheguei no Centro de São Paulo logo no início da maratona, por volta das 18 horas do sábado, pois queria conferir de perto o show dos pernambucanos do Mundo Livre S/A, que estava marcado para começar às 18h50, no palco onde abrigou um mini-festival independente, em pleno Pátio do Colégio.

Mas como sabia que iria enfrentar uma longa jornada pela frente, de quase 24 horas de labuta, ou melhor, "no ar", ao lado do amigo e colega de profissão, o jornalista Jesse Navarro, logo que despontamos no Centro, demos uma voltinha nos arredores do Pátio do Colégio e para dar uma descontraída, antes de pegarmos no batente, demos uma paradinha básica em um bar qualquer nas redondezas para tomarmos e comermos algo. Visto que tínhamos chegado bem antes do horário da apresentação do Mundo Livre.

 

Fotos 1 e 2: Eu e Jesse Navarro no bar fechando os detalhes finais da pauta, para iniciarmos a nossa maratona jornalística.

Quando tudo parecia perdido, visto que nos empolgamos tanto diante da conversa, acabamos perdendo a hora do início do show do Mundo Livre e acabamos pegando somente os momentos finais da apresentação, deu para conferir um pouco da performance dos pernambucanos e perceber que eles conseguiram de fato aquecer o público do local. Aproveitei a oportunidade e assim que o grupo desceu as escadas do palco, rumo ao camarim, colei no vocalista da banda, Fred, que me abriu um sorriso ao perceber que era para uma entrevista (que será postada aqui neste blog, também). Sem perder tempo, lancei as perguntas, juntamente com o jornalista Jesse Navarro, e ele, atenciosamente (e como é), nos respondeu a todas calmamente e detalhadamente.

Foto 3: Momento em que eu entrevistava Fred (Mundo Livre S/A), durante a "Virada Cultural".

Bom, missão cumprida, que por coinscidência, momento em que os cariocas do Luísa Mandou Um Beijo acabavam de subir no palco, que, aliás, não teve trabalho algum para dar continuidade à diversão dos presentes, visto que o Mundo Livre já havia animado o público com suas sempre ótimas canções. Embora o grupo tenha feito uma apresentação bem morna, sem muita viçosidade, as pessoas que estavam no local, esperando ansiosamente a próxima atração, os meninos do Vanguart (MT), até dançaram um pouco o som da banda!

Mas quando os cuiabanos adentraram no palco, a agitação foi unânime, como se todos tivessem se mobilizado até o Pátio do Colégio (sem desmerecer os outros grupos, claro) para conferir principalmente e apenas o Vanguart. Realmente, podemos dizer que a banda está no ponto e mais uma vez provaram (não que precisem disso) que o sucesso já bate em sua porta e que daqui para frente é só colher os seus frutos!

Com uma excelente performance, aliás, uma das melhores deste espaço, o quinteto fez uma apresentação enxuta e sem muitos rodeios, o que muitos devem ter achado ótimo, já que queriam é mais! Eles tocaram seus já hits "Semáforo", "Cachaça" e "Para Abrir os Olhos", fortemente entoados pelos seus fãs extasiados. Aliás, o auge de público aconteceu no show do Vanguart e só por aí, não preciso falar mais nada, né!?

Na seqüência, foi a vez dos mineiros do Petro Massa subirem ao palco, seguido de Trilöbit (PR) e dos acreanos do Los Porongas, que mostraram ao público seu poderoso rock'n'roll oriundo lá da Região Norte do País. Já havia assistido outros shows do grupo, mas este, com certeza, foi o melhor! Tanto que todos, empolgados, dançavam (e bastante) ao som do quarteto, cujas canções são profundamente poéticas e viscerais! E em breve, este blog traz também um pequeno texto que o Jesse conseguiu extrair do vocalista da banda, Diogo Soares.

Foto 4: Os acreanos do Los Porongas animam público com seu rock poderoso na Virada Cultural.

Após a apresentação do Los Porongas, aconteceu a dos paranaenses do Sick Sick Sinners, do Mechanics (GO), subseqüente dos cuiabanos do Macaco Bong, que com seu rock instrumental provaram a todos que é possível sim fazer um verdadeiro e bom rock'n'roll, sem vocal. Aliás, em uma das conversas que tive com o guitarrista do grupo, Bruno Kayapy, consegui entender de fato o porquê são tão respeitados e queridos entre seus companheiros de profissão.

Foto 5: Eu e Bruno Kayapy durante conversa nos bastidores do palco independente.

Já eram 2h20 da manhã, quando os integrantes do Retrofoguetes (BA) subiram no palco, seguido das apresentações dos mineiros do Estrume'n'tal, dos cearenses do Fóssil, dos cariocas do Unidade Imaginária e do Mestre Kuca (TO) e dos lindos do Filo Medusa, que embora tenha se apresentado somente às 6h30 da manhã do domingo, chegaram cedo no Pátio do Colégio e aproveitaram para curtir o som de outras bandas, assim como outros grupos. A vocal da banda, Carol Freitas, também fez alguns registros escritos, captados por Jesse, que será publicado já, já, e que virá acompanhado de uma bela entrevista com o Filo Medusa!

Foto 6: Eu, Carol Freitas (Filo Medusa) e Jesse Navarro no backstage do palco underground, na madrugada de sábado para domingo.

Embora a programação continuaria durante todo o domingo no palco independente, com a apresentação dos cariocas Do Amor, os brasilienses do Supergalo e do MQN e os gaúchos do Superguidis entre tantos outros grupos, acabei me deslocando para o lado oposto do Centro, à região da Praça da República, onde, aliás, acabei me fixando, no Palco Rock - local onde se apresentavam bandas cujas carreiras já estavam mais consolidadas, se é que me entendem!?

Mas antes de aportar na República, aproveitei para dar uma passeada pelas imediações, como nos Palcos Canja-Rock Blues, montado na Rua Barão de Itapetininga, e no de Dança, estiado no Vale do Anhangabaú, que já deu para dar uma animada para a maratona rocker que estava para iniciar, com um ótimo show dos gaúchos do Cachorro Grande, cujo começo foi cravado ao meio dia (aliás, a organização e produção do evento estão de parabéns neste sentido, visto que os shows, pelo menos, nos locais onde estive presente, estavam todos dentro do horário).

Nem preciso dizer que o grupo fez uma apresentação exemplar! Com a platéia animada e bem diversificada, os gaúchos tocaram músicas dos quatro álbuns lançados, entre eles, os hits "Bom Brasileiro", "Você Me Faz Continuar", "Sinceramente", "Lunático" e "Agora Eu Tô Bem Louco". Um ótimo show, animado com o carisma e irreverência do vocalista Beto Bruno, que contagiaram a todos com seu rock enérgico e garageiro a la anos 60 e 70.

Foto 7: Os gaúchos do Cachorro Grande durante apresentação no Palco Rock, montado na Praça da República.

Na seqüência, foi a vez da apresentação de Arnaldo Antunes, que teve uma boa apresentação e ponto. Com sua ótima performance de palco, agregada às suas coreografias "meio robóticas" e algumas citações poéticas, ele, acompanhado de sua banda, tocaram grandes sucessos, inclusive, da época dos Titãs, como "O Pulso". Podemos dizer que a apresentação de Arnaldo foi marcada por uma certa "serenidade", mas apesar deste "clima calmo" seus fiéis fãs, dançavam e cantavam as músicas, todas na ponta da língua, junto com ele, animadíssimos.

Foto 8: Arnaldo Antunes marca presença no Palco Rock com suas canções "serenas", embaladas por suas coreografias "robóticas" e citações poéticas.

Alguns minutos depois, com o local tomado por uma multidão, tem início um dos shows mais esperados do dia, na Praça da República, o do roqueiro Lobão. Tanto que logo que apareceu no palco, o público, que embora estivesse ainda na aura zen deixada pelo seu antecessor, Arnaldo Antunes, se empolgou no ato, com ao som de "Vou te Levar", seguido de outros sucessos, como "Essa Noite Não", "Decadance Avec Alegance", "Vida Louca Vida", "Samba da Caixa Preta", "Pétalas Vermelhas" e "Me Chama", com direito até a cover de Raul Seixas, com a canção "Gita". O melhor show do dia!

Foto 9: Lobão agitou uma multidão de fãs na Praça da República, no último domingo.

A esta altura do campeonato, todos já estavam para lá de aquecidos com a excelente apresentação de Lobão, que durante o show não deixou de soltar os seus famosos comentários "irônicos" e "ácidos" sobre assuntos polêmicos, como a epidemia de dengue que assola o Rio de Janeiro, a violência vivida em todo o País etc... etc... etc. Tanto que assim que subiram ao palco, os integrantes do Ultraje a Rigor, responsáveis por encerrar a jornada de 24 horas de apresentações na Praça da República, não tiveram lá muita dificuldade para animar o público, sem desmerecer o seu valor, claro! Afinal de contas, eles são ótimos!

Com show focado para o seu trabalho de maior destaque e que é considerado um dos maiores discos de rock brasileiros dos últimos tempos. Sim, "Nós Vamos Invadir a Sua Praia" (1981). Também embalando um hit após o outro, entre eles, "Ciúme", "Zoraide", "F.D.P." "Independente F.C.", "Rebelde Sem Causa", "Pelado" e "Mim Quer Tocar", com direito a alguns covers do Ramones, o público foi ao delírio! Embora diante de alguns "probleminhas técnicos", que fez o grupo interromper rapidamente o show em alguns momentos, a banda teve um ótimo desempenho, segurou o ritmo da platéia o tempo inteiro! Aliás, eles ainda contaram com a participação, na bateria, do Lobão, que ainda permanecia no recinto para apreciar o show dos amigos roqueiros.

Era exatamente 20 horas, logo após o término do energizante show do Ultraje a Rigor, eu e Jesse retiramos o nosso time de campo, completamente exauridos, rumo a um bom e merecido descanso! Também pudera, após uma verdadeira maratona cultural, estamos precisados! Experiência fantástica, cheia de histórias para contar! Tanto que agora só resta mesmo esperar que venha a próxima "Virada Cultural"...

Foto 10: O Ultraje a Rigor encerrou com chave-de-ouro a programação do Palco República da "Virada Cultural" deste ano.

Foto 11: Lobão nos bastidores do Palco Rock, logo após o término de sua apresentação na "Virada Cultural".

 

Ah, e fique ligado, pois tem mais postagens sobre a "Virada Cultural", que vem com TEXTOS EXCLUSIVOS escritos pelas mãos dos músicos e poetas Carol Freitas (Filo Medusa) e Diego Soares (Los Porongas) e ainda entrevistas com Mundo Livre S/A, Macaco Bong, Filo Medusa, Cachorro Grande e muito mais... hehehe

 

 

1 resposta para “... enquanto isso, nos bastidores...”

  1. Alonso Disse:
    Parabéns pela cobertura da Virada, pena que as suas fotos de bastidores não saíram legais. Tenho acompanhado seu trabalho aqui e acho de primeira o lance de incorporar cultura num site de rock, sem contar o feeling feminino na imprensa alternativa!

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