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Stela Campos exala puro rock'n'roll em "Mustang Bar"

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Figura conhecida da cena musical brasileira, a cantora e compositora Stela Campos lançou recentemente seu quarto disco "Mustang Bar". O álbum, que compila 12 faixas, representa o registro mais roqueiro da artista. Com quase duas décadas de carreira, a paulistana já esteve à frente da guitar band Lara Hanouska, nos Anos 90, e ainda participou do Projeto Funziona Senza Vapore, formado por ex-integrantes do Fellini.

Em 1994, mudou-se para Recife, onde teve atuação importante na cena mangue beat, que tomava conta da cultura da cidade e começava a tomar corpo no restante do País, com a projeção de Chico Science & A Nação Zumbi. No entanto, a carreira solo da paulistana se deu apenas alguns anos depois, em 1999, com o lançamento do disco "Céu Brigadeiro", seguido de "Fim de Semana", em 2002, e de "Hotel Continental", em 2005.

Bem menos pop do que os seus trabalhos anteriores, "Mustang Bar" exala puro rock'n'roll e soa um experimentalismo talvez jamais visto ao longo de todos estes anos de carreira de Stela. Produzido por Clayton Martin e Missionário José, o álbum foi gravado em tempo recorde: em sessão que durou 48 horas, divididas em oito ou nove dias. Isso porque quando Stela entrou em estúdio para gravá-lo, boa parte dos arranjos já estavam definidos, em uma pré-produção caseira.

Repleto de guitarras distorcidas, "Mustang Bar" é cru e direto. Com uma diversidade de influências, este trabalho de Stela transita entre rock sessentista ao Tropicalismo dos Mutantes, passando pelo kraut rock alemão dos anos 70, chanson francesa e o pós-punk mais experimental. Resultando assim, em um disco amplo, no qual é possível encontrar a presença, seja de forma sutil ou se maneira mais explícita, as mais variadas vertentes do rock'n'roll. No entanto, sem perder a coesão e a harmonia!

Logo na música de abertura do álbum, "Laura Te Espera Com Uma Arma Na Mão", o público já tem uma prévia do que esperar de "Mustang Bar". Não que a faixa seja exatamente uma síntese do disco, mas antecipa bastante coisa. Com baterias em primeiro plano e guitarras estridentes, a canção talvez seja a representação mor da tônica psicodélica existente no disco, encorpado pelo synths new wave.

Com composições em inglês e português, elas são divididas entre Stela e Luciano Buarque. Aliás, as canções de "Mustang Bar" compõem verdadeiras "crônicas urbanas", como em sua faixa título, a terceira do disco, cujo cenário é um tradicional reduto boêmio do Centro de Recife, onde transitam "tipos solitários, diabéticos, insones etc... protótipos da vida ordinária que bebem com o dinheiro contado, com a culpa e o remorso... e os fantasmas do passado...", conforme canta a paulistana.

As faixas de "Mustang Bar" soam aos ouvidos como uma espécie de show ao vivo, seja por trazer uma surpresa atrás da outra ou pelos efeitos sonoros presentes em suas canções. Destaca-se a música seis, "Apartamento" e que reflete o momento mais introspectivo e soturno do álbum, proporcionado pela adição de synths espaciais com o intuito de se subverter um pouco a sua estrutura folk original.

Outra belíssima música do disco e de tônica similar a anterior é "Estação de Trem Fantasma" (faixa sete), que com o seu folk melancólico a lá Yo La Tengo, apresenta ao público a essência mais poética de "Mustang Bar". E quem conta mais detalhes deste trabalho é a própria Stela, que em entrevista ao Blog "Town Art", falou de seu novo disco, de sua carreira e de projetos para 2009. Quer saber mais? Então, confere aí:

Town Art - "Mustang Bar" é o seu quarto disco, ok!? Como foi a produção deste álbum?

Stela Campos - A sua pré-produção caseira teve início há uns três anos, pouco depois de lançar "Hotel Continental". Começou como um disco conceitual, partindo do tema da faixa-título. Ainda há resquícios de um disco conceitual, na verdade, mas durante o processo nós, eu e o Luciano Buarque, que compõe comigo, fomos dando prioridade às faixas mais rítmicas. Com isso, fomos optando por versos mais enxutos, mais adequados a estrutura rock. O CDR das demos já tinha os arranjos bem definidos. Muita coisa foi re-aproveitada. "Le Captaine" e "Scaramanga", em especial, são essencialmente as pistas que trouxe de casa. Mas também recriamos bastante em estúdio, com ajuda dos meus co-produtores Clayton Martin e Missionário José. Gravamos quase tudo nos primeiros takes. As sessões inteiras duraram umas 48 horas, divididas em 8 ou 9 dias. Depois tive que voltar ao estúdio para alguns ajustes e mixagem. 

Town Art - O rock'n'roll é a matriz principal de "Mustang Bar", tanto que é possível sentir tal influência de estilo dos seus mais diversos sub-produtos, como folk etéreo, a estética garageira do rock dos Anos 60 e o psicodelismo dos Anos 70, entre outros. De onde surgiu tal concepção? Como foi unir tantos sub-produtos de um gênero específico de forma tão coerente e harmoniosa? 

Stela Campos - Isso vem de forma natural. Eu bebo de várias fontes e isso se reflete no meu trabalho. Para mim as melodias sugerem paisagens sonoras. Não é uma coisa pensada. Eu vou seguindo meus instintos. 

Town Art - Além de todas as vertentes do rock'n'roll citadas, é notória uma influência muito grande também em "Mustang Bar" de música brasileira, em especial, do tropicalismo. Fale mais sobre isso. 

Stela Campos - O disco tem um samba rock psicodélico chamado "Ligia Hello Kitty", que é uma das minhas favoritas. O montante é pop experimental cantado em português (nem sempre). Também sou fã de música brasileira, especialmente dos anos 60 e 70, mas acho que minhas influências nacionais ficam muito restritas, pulverizadas, não só em "Mustang Bar", mas em minha discografia inteira.

Town Art - No momento, imagino eu que o foco de suas ações está voltado para o trabalho de divulgação de "Mustang Bar", né!? Como vem sendo a receptividade do público diante deste projeto? Qual a sua expectativa? 

Stela Campos - Sim, estou trabalhando na divulgação do disco há um mês e meio, mais ou menos; lançando uns singles/EPs virtuais e tal. A receptividade dos que ouviram tem sido a melhor possível. Certamente está rolando mais "boca-a-boca" do que qualquer outro disco que eu tenha feito. Mas a divulgação está nos estágios iniciais. Como estou no circuito indie há muito tempo, minha expectativa tende a ser neutra, ou seja, em ver o que acontece. Independente de qualquer coisa é um trabalho importante para mim, do qual me orgulho muito do resultado. 

Town Art - O disco tem a ver com a visão e/ou momento vivido por você e seu parceiro em muitas destas composições ou não?

Stela Campos - Mais ou menos. Parte é autobiográfica, parte pura ficção. Mas tudo parte de um repertório de idéias que já vivenciamos.

Town Art - Você tem quase vinte anos de estrada na cena musical brasileira, né!? Como vem sendo a sua carreira nestas quase duas décadas? Qual a diferença, seja positiva ou negativa, de Stela Campos dos Anos 90, quando ingressou na música, aos dias de hoje? 

Stela Campos - Nos Anos 90, eu estava ensaiando meu lado autoral. Foram anos de tentativas e erros. Acho que compus boas melodias e originais nesse período, mas minha maturidade como compositora veio mais na carreira solo, especialmente a partir de "Fim de Semana", de 2002. 

Town Art - Como é para você viver de música no Brasil? E com o advento da internet, então, como vem sendo enfrentado por você? Você o vê e o trata como aliado e por quê? 

Stela Campos - Viver de música para mim não paga as contas. Tenho um filho pra sustentar. Trabalho como jornalista da área econômica. A música é minha válvula de escape. Já sobre a internet, antes eu via como aliada, e continuo vendo, até certo ponto. Mas chega a hora de lançar um disco físico e a gente percebe que os artistas independentes sofrem mais restrições. E para mim o disco físico é indispensável. Eu lançaria "Mustang Bar" só em vinil, caso este formato não fosse tão caro e problemático no Brasil. 

Town Art - Aliás, aproveitando o gancho da pergunta anterior: você, podemos dizer, que conta com diversas influências musicais, né?! De que forma elas são retratadas em seu trabalho? O que você tem ouvido atualmente? E da cena alternativa brasileira, quais são as dicas de Stela Campos? 

Stela Campos - Ouvi bastante recentemente o "Vintage Violence" do John Cale. E também o "Something Else" do Kinks. Foram os últimos dois álbuns que entraram na minha lista de favoritos de todos os tempos. De coisas mais novas, gostei do Fleet Foxes, do MGMT, do Panda Bear, que é um projeto paralelo do Animal Collective, que também indico. Das bandas brasileiras, Cidadão Instigado, Júpiter Maçã, Supercordas. É o que me vem em mente agora, com certeza devo ter deixado alguma coisa indispensável de fora. 

Town Art - Além de lançar oficialmente "Mustang Bar", quais são os seus planos futuros, de curto prazo? Se é que você pode me contar alguns deles (risos).

Stela Campos - Pretendo lançar outros EPs, já tenho idéias para outro disco, mas ainda é cedo para dizer (risos).

Town Art - Como você pretende trabalhar a divulgação de "Mustang Bar"? O que Stela Campos espera de 2009?

Stela Campos - A meta é fazer o máximo de shows possível e tentar concretizar algum vídeo oficial. Paralelamente, vou continuar lançando singles virtuais com b-sides, como fiz agora com o "Laura Te Espera Com Uma Arma na Mão" e o EP "Brand New Robots". Além de ajudar a divulgar o disco, é uma oportunidade para mostrar um lado do meu trabalho que ninguém vê - que é minha produção caseira, lo-fi. Em dez anos de carreira solo, lancei só quatro álbuns, mas gravo constantemente em casa. Então, tenho centenas de demos perdidas em CDRs por aqui. É só uma questão de garimpar as melhores. Os singles, aliás, podem ser baixados de graça nesse endereço: http://alavanca.art.br/clientes/stela-campos/.

Mais informações: www.myspace.com/stelacampos ou www.tramavirtual.com.br/stela_campos.

Podem aguardar, pois, já, já, até esta sexta-feira (12/06), volto com aquelas tradicionais dicas culturais para quem for ficar em São Paulo neste final de semana, ok!?

Beijos em todos e até mais...

Quer passear neste final de semana?

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Se você ainda não sabe o que vai fazer neste final de semana, que tal conferir das dicas culturais elencadas, semanalmente, nesta coluna virtual? Tem opção de exposições, de espetáculos teatrais e musicais e até a oportunidade de curso! Pois é, cada vez mais abrangente, como deve ser, afinal de contas, o mundo é isso mesmo: feito de diversidade de gostos, pensamentos e ideais. E como este espaço, busca sempre colocar em prática tal conceito, o da democracia, dá abertura para a variedade de manifestações culturais existentes na cidade. Afinal de contas, viver em São Paulo é conviver com tudo isso, não é verdade!? Portanto, como todos já sabem: para quem quiser e tiver disposição para um passeio cultural por Sampa... let's go!!!

Exposições

Rolê 1

Foto que integra a mostra "Sobre Permanência", em cartaz na cidade a partir de hoje (04/06).

Entre 04 de junho e 09 de agosto, o Centro da Cultura Judaica (R. Oscar Freire, 2.500, Sumaré) abriga as mostras "Sobre Permanência", com fotografias de Feco Hamburguer, e "Kikoïne", que apresenta obras modernistas do pintor Michel Kikoïne. A exposição fotográfica reúne 15 painéis com imagens captadas nos desertos do Sul de Israel e da Jordânia, em agosto de 2008. Feco Hamburguer, conhecido por seus trabalhos em revistas masculinas e femininas, procura mostrar uma reflexão sobre o tempo e a fotografia. Já as obras de Kikoïne fazem parte da comemoração do Ano da França no Brasil. São 27 telas de desenhos e gravuras feitas a óleos, guaches e aquarelas. Um dos principais artistas da Escola de Paris, influenciou o modernismo no mundo todo, inclusive o trabalho de artistas como Anita Malfatti, Vicente do Rego Monteiro e Tarsila do Amaral. A entrada é gratuita e ainda há a possibilidade de assistir a espetáculos infantis, filmes da 2ª Mostra Audiovisual Israelense e shows, além de apreciar iguarias gastronômicas. Mais informações devem ser obtidas pelo telefone (11) 3065-4333. O local fica aberto à visitação de terça a sábado, das 12h às 21h, e aos domingos, das 12h às 19h.

Rolê 2

Caixa Cultural Sé sedia exposição fotográfica que tem como foco a técnica "light painting".

Agora, você prefere algo diferente do que é apresentado em mostras convencionais na cidade. Com cenas corriqueiras, porém misteriosas e oníricas sob as lentes de um fotógrafo, o público pode se deleitar com "Paisagens Silenciosas_Cor - Todas as Coisas Dão Fruto", abrigada na Caixa Cultural Sé, situada na Praça da Sé, 111, região central de São Paulo, até o final do mês (28/06). Neste projeto, Lucila Wroblewski apresenta 44 trabalhos realizados a partir dessa visão. Captadas no crepúsculo e à noite em filme negativo colorido (120 mm), com uma câmera Hasselblad, as imagens foram concebidas a partir da técnica do "light painting". A exposição, que pode ser visitada de terça a domingo, das 9h às 21h, foi dividida em florescência, luminância e vestígio. A entrada no local é gratuita.

Teatro

Rolê 3

Cena do espetáculo "Gardênia", baseado em romance de Gabriel García Márquez.

O romance de Gabriel García Márquez, "O Amor nos Tempos do Cólera", é o ponto de partida para o espetáculo "Gardênia", que acaba de abrir temporada no Sesc Consolação - R. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque. Com dramaturgia de Ana Roxo e encenação assinada por Marat Descartes, a montagem trata de reproduzir, com apenas dois atores no palco, os 53 anos que Florentino Ariza e Fermina Daza levaram para conseguir concretizar sua relação amorosa. Os ingressos custam de R$ 2,50 a R$ 10,00 e a peça pode ser assistida às segundas, terças e quartas-feiras, sempre às 21h.

Rolê 4

Unidade do SESC Avenida Paulista apresenta peça "Manter em Local Seco e Arejado".

Já na peça "Manter em Local Seco e Arejado", a Cia. [pH2]: Estado de Teatro, o público se depara com uma montagem que mostra um mundo alagado, em que a água surge em todos os lugares e os personagens precisam se adaptar a esta nova realidade. Sob direção de Rodrigo Batista e com elenco composto pelos atores Daniel Mazzarolo, Julia Moretti, Luiz Pimentel e outros, o espetáculo está em cartaz na Unidade Provisória do SESC Avenida Paulista, localizada na Av. Paulista, 119, Bela Vista, às quartas e quintas-feiras, às 20h. Quanto? Os ingressos custam entre R$ 2,00 a R$ 8,00 e devem ser retirados na bilheteria do local.

Rolê 5

Monólogo encenado por João Miguel é prorrogada temporada até o próximo domingo (14/06).

Se você ainda não foi conferir o monólogo "Só", encenado pelo ator João Miguel, ainda dá tempo! Pois ele será apresentado até o próximo final de semana, domingo (14/06). Devido ao sucesso de público, a Unidade Provisória do SESC Avenida Paulista (Av. Paulista, 119, Bela Vista) prorrogou a temporada da peça no local. Na montagem o público se depara com questões existenciais, como lembranças, dúvidas e os ressentimentos, apresentada pelo ator baiano apenas com iluminação, sempre inconstante, e sob uma cadeira. Com direção de Alvise Camozzi, a narrativa mostra a profusão de pensamentos e de recordações de um homem que volta a sua cidade natal 20 anos depois de ter "fugido" de lá, com o propósito de acabar com os tormentos de uma paixão mal resolvida. Mas o retorno ao local e o reencontro com a pessoa que lhe causara, aos 15 anos, felicidade e dor, passam a tirar pouco a pouco a tranqüilidade aparente do homem, que acaba se rendendo ao descontrole físico e emocional. O espetáculo é encenado sempre às sextas-feiras, sábados e domingo, às 20h30, e os ingressos custam entre R$ 5,00 e R$ 20,00.

Shows

Rolê 6

Mickey Junkies toca em inauguração da Festa "Garageira", promovida hoje (04/06), no CB.

Hoje, quinta-feira (04/06), a partir das 23h30, acontece a inauguração da Festa "Garagera" no Clube Belfiori (CB) - R. Brigadeiro Galvão, 871, Barra Funda. A animação do evento fica por conta dos paulistanos do Mickey Junkies, uma das principais referências da cena alternativa de São Paulo dos Anos 90. Quanto você precisa desembolsar para se jogar nesta dica? Simples, R$ 15,00 na porta do local.

Rolê 7

Outra sugestão é a apresentação dos também paulistanos do Sudaca, que acontece na tarde deste sábado (06/06), às 13h, no evento "Cultura e Conceito", promovido no Colégio E. E. Oscar Blois - R. Ângelo da Silva, 20, Jaraguá. Sem contar que a entrada no local é franca, portanto, é só se jogar...

Rolê 8

Para fechar a tampa, que tal se divertir no Projeto "Grind", promovido no A Loca (R. Frei Caneca, 916, Consolação), semanalmente, sempre aos domingos, das 20h30 às 6h30 da manhã. Aliás, este mês a programação desta iniciativa, idealizada pelo editor deste portal André Pomba, vem especial em comemoração ao seu aniversário de 11 anos. Com atrações bastante ecléticas, buscando atender a todos os gostos dentro do pop/rock, o "Grind" neste domingo (07/06), traz discotecagem especial de Lais Pattack, Camila Tank e Caio & Rodolfo, além do "guest DJs" C.L.A.R.I.A.S.T.R.A e Thays Miranda e performance de Ioiô Vieira de Carvalho. Com flyer, até as 22h, a entrada custa R$ 15,00, sendo que depois, R$ 25,00, e sem flyer, R$ 25,00.

Oportunidade:

Vindo ao encontro de um dos objetivos desta coluna virtual, que é o de oferecer oportunidade para todos, sejam eles artistas, sejam eles amantes da arte, enfim... segue uma dica às pessoas que tem interesse na área se fotografia, seja como hobby ou busca profissional, de participar da segunda turma da Oficina de Fotografia de Rua Diurna, que acontece entre 17 de junho e 08 de julho, no Centro Cultural Popular Consolação  (R. da Consolação, 1.897, Jardins). Ministrado pelo fotógrafo Renato Missé, o curso, que tem o intuito de apresentar dentro de um contexto histórico as principais vertentes da fotografia de rua, citando alguns dos principais autores, assim como a produção, a análise e edição de ensaios fotográficos do gênero, produzidos pelos seus participantes. A iniciativa conta com carga horária total de 12h, dividida em seis aulas, que serão realizadas em dias e horários diferentes. É importante ressaltar que as inscrições se encerram no dia 15 de junho ou até de completar a turma de 12 alunos. Portanto, se você ficou interessado, corra e garanta sua vaga! Mais informações devem ser obtidas no site do espaço cultural (http://www.ccpc.org.br/) ou pelo telefone (11) 2592- 3317, falar com Bruna.

 

Ufaaaaa... chega, né!? Por hoje é só... e aguardem, pois em breve volto com muuuuito mais novidades, inclusive, àquelas já mencionadas, oray!? Promessa de escoteira... hehehe

Bom final de semana para todos e até mais!!!

“Os Falsários” mostra muito mais que um fato histórico!!!

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Enquanto muitos acreditam que o tema Holocausto já exauriu todas as possibilidades de abordagem, outros ainda consideram que o assunto não se esgotou e conseguem tratá-lo de forma criativa e inusitada. Como é o caso do cineasta austríaco Stefan Ruzowitzky, que em sua última produção "Os Falsários" (Die Fälscher, 2007, Alemanha/Áustria), põem abaixo tal especulação, provando que apesar de apresentar um fato histórico extremamente emblemático e triste, ainda sim é possível mostrá-lo de maneira inventiva!

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2008, o filme, que acaba de entrar em cartaz nas principais salas de cinema da cidade, tem o mérito de narrar um episódio, até então, inédito nas telas: a "Operação Bernhard", na qual os nazistas falsificavam dinheiro estrangeiro para enfraquecer a economia dos países inimigos, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). "Os Falsários" conta a história verídica do judeu Salomon "Sally" Sorowitsch (Karl Markovics), conhecido em Berlim como o "rei da falsificação".

Mas sua fase de sorte naufraga quando é preso por Friedrich Herzog (Devid Striesow), superintendente da SS. Levado para o campo de concentração Mauthausen, Salomon, graças ao seu talento único, foi poupado da temível câmara de gás, desde que colaborasse com os nazistas, tanto que logo é transferido para Sachsenhausen. Lá reencontra Herzog, que o coloca em tal "missão secreta", onde ao lado de um grupo de profissionais, é forçado a produzir milhares de notas de libras e dólares, que seriam usados para financiar a guerra e supostamente melhorar a "decadente" economia alemã. 

Sim, ao longo de todos estes anos, foram produzidos muitos filmes que tiveram como pano de fundo o Holocausto. Contudo esta criação de Ruzowitzky aborda o tema de modo diferenteciado quando se analisa o fato da película não ser focada especificamente ao triste e horrível ato que foi o Holocausto, mas sim em um momento específico, uma operação que apesar de muito "badalada", raramente foi mencionada em filmes ou documentários.

No entanto, "Os Falsários" não se limita a contar, de maneira envolvente, esta incrível história, a partir do momento que se propõem ainda em trazer à tona discussões éticas. O cineasta as suscita, seja nas "entrelinhas" ou de forma mais "escachada", como, por exemplo, quando Solomon e seus "comparsas" se deparam com o seguinte dilema moral: "se não ajudassem os seus inimigos seriam mortos sem piedade, mas se colaborassem com eles, prolongariam a guerra e compactuariam com a morte de milhares de pessoas".

Outra dialética levantada em "Os Falsários", mas de maneira implícita e que é perfeitamente aplicável ao mundo contemporâneo, diz respeito às relações de trabalho e ao pensamento individualista que contamina a nossa sociedade. Aliás, arrisco em dizer que o filme é um verossímil retrato humano, de uma década de abstração de regras onde a lei do mais forte imperava, onde nem mesmo os vigaristas estavam a salvo de uma tirania superior.

Por outro lado, esta produção acaba por ser uma das representações do Holocausto mais fáceis de se digerir. Talvez, pelo cineasta não focar excessivamente, nem exaustivamente, o extermínio dos judeus, tornando assim, uma versão mais simples e nem tanto explicita. Pois, em tempos negros e de aflição, até os ladrões têm honra e são capazes de ter valores positivos, até mesmo o maior dos vigaristas da época, como é o caso de Salomon!

Em sumo, "Os Falsários" narra uma história, que no fundo, tem como objetivo contar a história desse grupo de prisioneiros e os dilemas morais que tiveram de enfrentar. E embora, traga algumas seqüências bastante duras, com cenas "fortes" (longe de torná-lo uma trama pesada, que fique bem claro!), evidencia de forma realista a violência e crueldade daqueles tempos! Um filme imperdível para os que se interessam ou tem curiosidade pelo assunto ou que estão abertos a ver um fato histórico sob outra ótica!

 

 

Ah, e podem esperar, pois já, já, volto com "aquelas novidades" anunciadas anteriormente aqui (detalhes sobre o novo disco dos Pullovers e de Stela Campos) e as tradicionais dicas culturais para este final de semana que se aproxima, oray!? 

Até mais... beijos em todos!!! 

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