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Entries for month: April 2008

Passeios Culturais pela cidade? Aqui tem... hehehe

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Vai ficar por aqui neste feriadão? Então, não deixe de aproveitar os zilhões de programas culturais que São Paulo nos oferece. Quer saber onde ir? Quer montar um roteiro bem bacana? Confere as sugestões de "passeios cults", que você encontra neste blog toda a semana. Vamos a eles!? Let's go...

Rolê 1

A mostra "Poéticas da Natureza" - em cartaz desde o último final de semana (26/04) e se estende até o final de agosto (24/08), no MAC Ibirapuera (localizado na Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n º, entrada pelo portão 03 do Parque do Ibirapuera) - é uma ótima opção aos que curtem uma boa e diversificada obra contemporânea. Pois ele reúne trabalhos de 48 artistas contemporâneos, entre eles, Leda Catunda, Vik Muniz e Tadeu Jungle. Selecionadas pela curadora Katia Canton, as obras retratam diferentes visões e interpretações de paisagens e elementos da natureza. Se você ficou curioso, então vai lá até o local, que fica aberto a visitação de terça a domingo, das 10 às 19 horas. A entrada é franca.

Obra de Tadeu Jungle, "Através da Amazônia" (2007), integra a mostra em cartaz no MAC Ibirapuera.

Rolê 2

E se você for conferir a opção anterior, que tal aproveitar e dar uma passadinha na exposição "Quando Vidas Se Tornam Forma: Diálogo Com O Futuro - Brasil - Japão", sediada no Museu de Arte Moderna (MAM), que fica no Parque do Ibirapuera, também, entrada pelo mesmo local que a sugestão anterior (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 03). A coletiva, sob curadoria de Yuko Hasegawa, fica em cartaz no local até 22/06 e faz um panorama das artes moderna e contemporânea do Brasil e do Japão, por meio de obras de Hélio Oiticica e Shigeru Ban, entre outros artistas. Ficou interessado? Então, não deixe de ir até o MAM, de terça a domingo, das 10 às 18 horas. Os ingressos custam R$ 5,50, sendo que a entrada é gratuita para menores de 10 anos, maiores de 65 anos e aos domingos.

Rolê 3

Agora, se você é adepto de obras de caráter histórico, não pode deixar de conferir a mostra do acervo permanente do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, situado na Avenida Professor Almeida Prado, 1.466, Cidade Universitária, no bairro do Butantã. A exposição reúne objetos oriundos de escavações, como fósseis e restos de animais anteriores ao homem, mas que representam também vestígios da passagem humana. No museu, há peças como vasos e estátuas encontrados na América, na África, no Mediterrâneo e no Oriente Médio. O espaço pode ser visitado de terça a sexta-feira, das 8h30 às 17 horas, e aos sábados e domingos, das 10 às 16 horas. Para se divertir neste passeio, não é cobrado nada de entrada.

Rolê 4

Já na mostra "O Florescer das Cores - A Arte do Período Edo", você se depara com uma das épocas mais representativas da história do Japão. Com curadoria de Saito Takamasa, a exposição conta com 160 peças, entre como quimonos, cerâmicas e indumentárias de samurais do período Edo (1603-1867). Ela está em cartaz na Pinacoteca do Estado, que fica na Praça da Luz, 02, Bom Retiro, de terça a domingo, das 10 às 17 horas, até o final de junho (22/06). Quanto custa esta brincadeira? R$ 4,00 de entrada, sendo que aos sábados a entrada é franca.

Uma das épocas mais representativas da história do japão, o Período Edo, é retratada na Pinacoteca do Estado.

Rolê 5

Se você é dos que não troca por nada uma bela exposição fotográfica, então, não pode deixar de se deleitar com a mostra "Paisagens", sediado na Caixa Cultural Sé (localizado na Praça da Sé, 111, região central da cidade), até meados do mês de junho (15/06). No local, você se depara com 18 fotografias digitais e coloridas, captadas pelas lentes de Mauricio Simonetti, entre 2005 e 2007, em suas andanças pelo Brasil, como Alagoas, Amazonas, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal. O espaço fica aberto ao público de terça a domingo, das 9 às 21 horas, e o mais legal é que a entrada é gratuita. Portanto, sem desculpas, né!?

Rolê 6

 

Centro Cultural Banco do Brasil abriga exposição "Lençol Freático" até o começo de junho.

E no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que fica na Rua Álvares Penteado, você pode apreciar a exposição "Lençol Freático", que reúne três instalações da paulistana Sonia Guggisberg possui três instalações em vídeo. Em uma delas, uma nascente de água é projetada no fundo de uma piscina, sugere uma inundação no interior do cofre do próprio espaço em que esta obra esta sediada. No mínimo interessante, né não!? Quer saber como você faz para se deliciar neste passeio? Vai até o local, de terça a domingo, das 10 às 20 horas, até o começo de junho (01/06), e se jogar... sem contar, que a entrada é franca! Quer mais!?

Rolê 7

Quem não se lembra da época do colégio em que éramos obrigados a ler os grandes clássicos da literatura, entre elas, "Auto da Barca do Inferno", do poeta português Gil Vicente? Pois é, e se você é apreciador desta e outras obras do escritor lusitano, não pode deixar de conferir a peça, que leva o mesmo nome de um dos seus maiores clássicos, no Teatro Gil Vicente - Avenida Rudge, 315, Campos Elíseos. Dirigido por Eloísa Vitz e encenado por Eloísa Vitz, Daniela Rocha, Laura Vidotto, Miriam Jardim e outros, o espetáculo é focado para a parte da história onde os mortos do juízo final são divididos em duas barcas: uma que vai para o inferno, comandada pelo diabo, e a outra, com destino ao paraíso, comandada por um anjo. A trama pode ser conferida aos sábados, às 21 horas, e domingos, às 20 horas, até o final de junho (29/06). Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do local, por R$ 30,00.

Rolê 8

Já na peça "Noite dos Palhaços Mudos", cujo texto é de autoria de Laerte e direção de Álvaro Assad, é uma adaptação de histórias em quadrinhos de cartunista Laerte. Encenado por atores da Companhia La Mímica, o espetáculo narra a história de uma dupla de palhaços mudos que, para resgatar o nariz de um palhaço mutilado, invade uma organização secreta que prega justamente o extermínio da classe. Se interessou? Então, vai lá até o Espaço Parlapatões, situado na Praça Franklin Roosevelt, 158, República, às quintas-feiras, às 21 horas, deixe R$ 20,00 na bilheteria do local e bom divertimento!

Cia La Mímica encena espetáculo "Noite dos Palhaços Mudos", no Espaço Parlapatões, às quintas-feiras.

Rolê 9

Por outro lado, você prefere algo mais cotidiano? Então, vai ver a peça "Mire Veja", cuja direção e dramaturgia fica a cargo de Pedro Pires e Zernesto Pessoa, da Companhia do Feijão. O espetáculo é inspirado no livro de contos "Eles Eram Muitos Cavalos", de Luiz Rufatto, e narra uma dezena de histórias de moradores de São Paulo, sobrepostas e sem ligação direta. Curioso, né!? Onde e como você faz para conferir esta trama? Simples, se dirija até o Teatro da Cia. do Feijão (Rua Teodoro Baima, 68, República), às sextas-feiras e sábados, às 21 horas, e aos domingos, às 20 horas. A peça fica em cartaz no local até 29/06 e os ingressos custam R$ 20,00.

Rolê 10

Já em "Assombrações do Recife Velho", o diretor Newton Moreno fez uma adaptação da obra de Gilberto Freyre para contar criar personagens populares que contam histórias fantasmagóricas do Nordeste. O espetáculo, que é encenado pela Companhia Os Fofos, está em cartaz no Museu da Língua Portuguesa - na Estação da Luz, localizado na Praça da Luz, s/nº, Bom Retiro - por tempo indeterminado. A entrada é franca e os ingressos devem ser retirados com 30 minutos de antecedência na bilheteria do local.

Rolê 11

Agora, a primeira dica de programa musical desta semana vai para o show dos curitibanos do Faichecleres (www.myspace.com/faichacleres), que acontece neste sábado (03/05), lá no Clube Outs - Rua Augusta, 486, Consolação. Sempre animados, o grupo deve agitar todos com seu rock poderoso, fortemente influenciado pelo melhor dos anos 60 e 70. A apresentação deve ter início às 24 horas e de entrada será cobrado R$ 10,00.

Os curitibanos do Faichecleres se apresentam neste sábado (03/05), no Clube Outs.

Rolê 12

Outra sugestão é o show do Cidadão Instigado, neste sábado (03/05), também, no Clube Inferno - situado na Rua Augusta, 501, Consolação. Liderado por Fernando Catatau, o grupo deve agitar o público com seu som, cuja marca é o ecletismo regional. A apresentação está prevista para começar às 23 horas e de entrada será cobrado no local R$ 20,00 na porta.

Rolê 13

E para fechar a tampa, os apreciadores de um bom dub poderão se deliciar no show de Mad Professor (www.myspace.com/madprofessordub), que integra uma grande Festa "Dub Me Crazy", realizada amanhã, quinta-feira (01/05), no mesmo local que a dica anterior, Clube Inferno (Rua Augusta, 501, Consolação). Liderado por Neil Fraser, o grupo nasceu em Georgetown, na Guiana. Como você faz para participar desta balada? Simples, deixe R$ 40,00 na porta do local and have fun...

 

Bom, por hoje é só... aproveitem bastante o feriadão e até mais!!!

Ah, e não me esqueci das extras sobre a Virada Cultural... em breve, volto com as entrevista e mais novidades sobre o evento, para finalizar este assunto de vez, né não!?

Beijos em todos e inté!!!

 

 

... enquanto isso, nos bastidores...

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Para os que estavam trabalhando na "Virada Cultural", seja na produção ou na cobertura do evento, como era o meu caso, correria total! Cada qual querendo cumprir da melhor forma possível a sua missão! Eu mesma, cheguei no Centro de São Paulo logo no início da maratona, por volta das 18 horas do sábado, pois queria conferir de perto o show dos pernambucanos do Mundo Livre S/A, que estava marcado para começar às 18h50, no palco onde abrigou um mini-festival independente, em pleno Pátio do Colégio.

Mas como sabia que iria enfrentar uma longa jornada pela frente, de quase 24 horas de labuta, ou melhor, "no ar", ao lado do amigo e colega de profissão, o jornalista Jesse Navarro, logo que despontamos no Centro, demos uma voltinha nos arredores do Pátio do Colégio e para dar uma descontraída, antes de pegarmos no batente, demos uma paradinha básica em um bar qualquer nas redondezas para tomarmos e comermos algo. Visto que tínhamos chegado bem antes do horário da apresentação do Mundo Livre.

 

Fotos 1 e 2: Eu e Jesse Navarro no bar fechando os detalhes finais da pauta, para iniciarmos a nossa maratona jornalística.

Quando tudo parecia perdido, visto que nos empolgamos tanto diante da conversa, acabamos perdendo a hora do início do show do Mundo Livre e acabamos pegando somente os momentos finais da apresentação, deu para conferir um pouco da performance dos pernambucanos e perceber que eles conseguiram de fato aquecer o público do local. Aproveitei a oportunidade e assim que o grupo desceu as escadas do palco, rumo ao camarim, colei no vocalista da banda, Fred, que me abriu um sorriso ao perceber que era para uma entrevista (que será postada aqui neste blog, também). Sem perder tempo, lancei as perguntas, juntamente com o jornalista Jesse Navarro, e ele, atenciosamente (e como é), nos respondeu a todas calmamente e detalhadamente.

Foto 3: Momento em que eu entrevistava Fred (Mundo Livre S/A), durante a "Virada Cultural".

Bom, missão cumprida, que por coinscidência, momento em que os cariocas do Luísa Mandou Um Beijo acabavam de subir no palco, que, aliás, não teve trabalho algum para dar continuidade à diversão dos presentes, visto que o Mundo Livre já havia animado o público com suas sempre ótimas canções. Embora o grupo tenha feito uma apresentação bem morna, sem muita viçosidade, as pessoas que estavam no local, esperando ansiosamente a próxima atração, os meninos do Vanguart (MT), até dançaram um pouco o som da banda!

Mas quando os cuiabanos adentraram no palco, a agitação foi unânime, como se todos tivessem se mobilizado até o Pátio do Colégio (sem desmerecer os outros grupos, claro) para conferir principalmente e apenas o Vanguart. Realmente, podemos dizer que a banda está no ponto e mais uma vez provaram (não que precisem disso) que o sucesso já bate em sua porta e que daqui para frente é só colher os seus frutos!

Com uma excelente performance, aliás, uma das melhores deste espaço, o quinteto fez uma apresentação enxuta e sem muitos rodeios, o que muitos devem ter achado ótimo, já que queriam é mais! Eles tocaram seus já hits "Semáforo", "Cachaça" e "Para Abrir os Olhos", fortemente entoados pelos seus fãs extasiados. Aliás, o auge de público aconteceu no show do Vanguart e só por aí, não preciso falar mais nada, né!?

Na seqüência, foi a vez dos mineiros do Petro Massa subirem ao palco, seguido de Trilöbit (PR) e dos acreanos do Los Porongas, que mostraram ao público seu poderoso rock'n'roll oriundo lá da Região Norte do País. Já havia assistido outros shows do grupo, mas este, com certeza, foi o melhor! Tanto que todos, empolgados, dançavam (e bastante) ao som do quarteto, cujas canções são profundamente poéticas e viscerais! E em breve, este blog traz também um pequeno texto que o Jesse conseguiu extrair do vocalista da banda, Diogo Soares.

Foto 4: Os acreanos do Los Porongas animam público com seu rock poderoso na Virada Cultural.

Após a apresentação do Los Porongas, aconteceu a dos paranaenses do Sick Sick Sinners, do Mechanics (GO), subseqüente dos cuiabanos do Macaco Bong, que com seu rock instrumental provaram a todos que é possível sim fazer um verdadeiro e bom rock'n'roll, sem vocal. Aliás, em uma das conversas que tive com o guitarrista do grupo, Bruno Kayapy, consegui entender de fato o porquê são tão respeitados e queridos entre seus companheiros de profissão.

Foto 5: Eu e Bruno Kayapy durante conversa nos bastidores do palco independente.

Já eram 2h20 da manhã, quando os integrantes do Retrofoguetes (BA) subiram no palco, seguido das apresentações dos mineiros do Estrume'n'tal, dos cearenses do Fóssil, dos cariocas do Unidade Imaginária e do Mestre Kuca (TO) e dos lindos do Filo Medusa, que embora tenha se apresentado somente às 6h30 da manhã do domingo, chegaram cedo no Pátio do Colégio e aproveitaram para curtir o som de outras bandas, assim como outros grupos. A vocal da banda, Carol Freitas, também fez alguns registros escritos, captados por Jesse, que será publicado já, já, e que virá acompanhado de uma bela entrevista com o Filo Medusa!

Foto 6: Eu, Carol Freitas (Filo Medusa) e Jesse Navarro no backstage do palco underground, na madrugada de sábado para domingo.

Embora a programação continuaria durante todo o domingo no palco independente, com a apresentação dos cariocas Do Amor, os brasilienses do Supergalo e do MQN e os gaúchos do Superguidis entre tantos outros grupos, acabei me deslocando para o lado oposto do Centro, à região da Praça da República, onde, aliás, acabei me fixando, no Palco Rock - local onde se apresentavam bandas cujas carreiras já estavam mais consolidadas, se é que me entendem!?

Mas antes de aportar na República, aproveitei para dar uma passeada pelas imediações, como nos Palcos Canja-Rock Blues, montado na Rua Barão de Itapetininga, e no de Dança, estiado no Vale do Anhangabaú, que já deu para dar uma animada para a maratona rocker que estava para iniciar, com um ótimo show dos gaúchos do Cachorro Grande, cujo começo foi cravado ao meio dia (aliás, a organização e produção do evento estão de parabéns neste sentido, visto que os shows, pelo menos, nos locais onde estive presente, estavam todos dentro do horário).

Nem preciso dizer que o grupo fez uma apresentação exemplar! Com a platéia animada e bem diversificada, os gaúchos tocaram músicas dos quatro álbuns lançados, entre eles, os hits "Bom Brasileiro", "Você Me Faz Continuar", "Sinceramente", "Lunático" e "Agora Eu Tô Bem Louco". Um ótimo show, animado com o carisma e irreverência do vocalista Beto Bruno, que contagiaram a todos com seu rock enérgico e garageiro a la anos 60 e 70.

Foto 7: Os gaúchos do Cachorro Grande durante apresentação no Palco Rock, montado na Praça da República.

Na seqüência, foi a vez da apresentação de Arnaldo Antunes, que teve uma boa apresentação e ponto. Com sua ótima performance de palco, agregada às suas coreografias "meio robóticas" e algumas citações poéticas, ele, acompanhado de sua banda, tocaram grandes sucessos, inclusive, da época dos Titãs, como "O Pulso". Podemos dizer que a apresentação de Arnaldo foi marcada por uma certa "serenidade", mas apesar deste "clima calmo" seus fiéis fãs, dançavam e cantavam as músicas, todas na ponta da língua, junto com ele, animadíssimos.

Foto 8: Arnaldo Antunes marca presença no Palco Rock com suas canções "serenas", embaladas por suas coreografias "robóticas" e citações poéticas.

Alguns minutos depois, com o local tomado por uma multidão, tem início um dos shows mais esperados do dia, na Praça da República, o do roqueiro Lobão. Tanto que logo que apareceu no palco, o público, que embora estivesse ainda na aura zen deixada pelo seu antecessor, Arnaldo Antunes, se empolgou no ato, com ao som de "Vou te Levar", seguido de outros sucessos, como "Essa Noite Não", "Decadance Avec Alegance", "Vida Louca Vida", "Samba da Caixa Preta", "Pétalas Vermelhas" e "Me Chama", com direito até a cover de Raul Seixas, com a canção "Gita". O melhor show do dia!

Foto 9: Lobão agitou uma multidão de fãs na Praça da República, no último domingo.

A esta altura do campeonato, todos já estavam para lá de aquecidos com a excelente apresentação de Lobão, que durante o show não deixou de soltar os seus famosos comentários "irônicos" e "ácidos" sobre assuntos polêmicos, como a epidemia de dengue que assola o Rio de Janeiro, a violência vivida em todo o País etc... etc... etc. Tanto que assim que subiram ao palco, os integrantes do Ultraje a Rigor, responsáveis por encerrar a jornada de 24 horas de apresentações na Praça da República, não tiveram lá muita dificuldade para animar o público, sem desmerecer o seu valor, claro! Afinal de contas, eles são ótimos!

Com show focado para o seu trabalho de maior destaque e que é considerado um dos maiores discos de rock brasileiros dos últimos tempos. Sim, "Nós Vamos Invadir a Sua Praia" (1981). Também embalando um hit após o outro, entre eles, "Ciúme", "Zoraide", "F.D.P." "Independente F.C.", "Rebelde Sem Causa", "Pelado" e "Mim Quer Tocar", com direito a alguns covers do Ramones, o público foi ao delírio! Embora diante de alguns "probleminhas técnicos", que fez o grupo interromper rapidamente o show em alguns momentos, a banda teve um ótimo desempenho, segurou o ritmo da platéia o tempo inteiro! Aliás, eles ainda contaram com a participação, na bateria, do Lobão, que ainda permanecia no recinto para apreciar o show dos amigos roqueiros.

Era exatamente 20 horas, logo após o término do energizante show do Ultraje a Rigor, eu e Jesse retiramos o nosso time de campo, completamente exauridos, rumo a um bom e merecido descanso! Também pudera, após uma verdadeira maratona cultural, estamos precisados! Experiência fantástica, cheia de histórias para contar! Tanto que agora só resta mesmo esperar que venha a próxima "Virada Cultural"...

Foto 10: O Ultraje a Rigor encerrou com chave-de-ouro a programação do Palco República da "Virada Cultural" deste ano.

Foto 11: Lobão nos bastidores do Palco Rock, logo após o término de sua apresentação na "Virada Cultural".

 

Ah, e fique ligado, pois tem mais postagens sobre a "Virada Cultural", que vem com TEXTOS EXCLUSIVOS escritos pelas mãos dos músicos e poetas Carol Freitas (Filo Medusa) e Diego Soares (Los Porongas) e ainda entrevistas com Mundo Livre S/A, Macaco Bong, Filo Medusa, Cachorro Grande e muito mais... hehehe

 

 

Virado na Virada...

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O paulistano viveu uma verdadeira maratona cultural no último final de semana. Com 24 horas ininterruptas de atrações culturais, realizadas das 18 horas do sábado (26/04) até às 18 horas do dia seguinte, domingo (27/04), a população de São Paulo fez uma verdadeira "retomada ou tomada (depende do ponto de vista) do Centro da cidade". Em sua quarta edição, a "Virada Cultural" realmente foi agitadíssima, em todos os sentidos. Também, com um público de em torno de 4 milhões de pessoas, conforme registro dos organizadores do evento, a Prefeitura de São Paulo, não teria como ser diferente, né não!?

Aliás, uma das grandes marcas do evento, sem sombra de dúvidas, foi a pluralidade de estilos em busca de um único prazer: a paixão pela arte, seja música, seja artes cênicas, seja dança, seja cinema. Enfim, não importava qual fosse a manifestação artística que se procurava, mas sim apenas a busca insana por ela, como uma espécie de junção de várias tribos em uma única! Fazendo jus à essência do evento, a democratização da cultura para todos, sem distinção de classes, cor, sexo, idade, origem etc. Conduzida por esta máxima, podemos dizer que a "Virada Cultural" atendeu a todos, com vasta programação. Só não se divertiu e aproveitou quem não quis!

Aos amantes de uma boa música, o leque de opções foi bem abrangente e eclética, passando pelo jazz, blues, rock, MPB, samba de roda, hip hop, reggae, forró universitário, música instrumental e eletrônica. Já aos apreciadores das artes cênicas, o evento também buscou atendê-los, com a participação de grupos de renome e outros da cena alternativa. E para as pessoas que ao invés de curtir estas manifestações artísticas, tinham ainda a oportunidade de escolher se divertir nas apresentações de dança ou em uma bela sessão de cinema, com a exibição de filmes da Mostra Internacional de Cinema ou de películas mais exóticas, como vampirismo, por exemplo.

Domingo à tarde: centenas de pessoas se aglomeram para assistir às apresentações de grupos de rock, realizadas em palco montado na Praça da República.

Sensações dúbias

Assim que coloquei meus pés no Centro, à noite do sábado acabava de cair e já dava para sentir todo o clima pelo qual a região estava envolvida, um mix de euforia que atingia a todos, diante da vasta atração proporcionada pelo mega evento cultural, e caos. Tanto que à medida que a madrugada de sábado para domingo avançava, ficava cada vez mais perigoso transitar pelas ruas, embora cheias de pessoas e com uma escola policial de 3 mil PMs, espalhados pelo local. Afinal de contas, muitos do que estavam insanos buscavam encrenca e não se deleitar em cultura.

O retrato mais comum foi de pessoas portando garrafas PETs com um líquido alcoólico qualquer, distribuídas entre calçadas das ruas ou dentro dos bares, sempre lotados, claro! Nada contra a bebedeira, afinal de contas, quem não gosta de tomar umas de vez em quando, principalmente, em momentos de descontração!? O grande problema é a proporção avassaladora no qual tal atitude tomava com o decorrer do evento, somado ao elemento "causação", em detrimento da "Virada Cultural" e das pessoas interessadas em curti-la na sua plenitude!

Tal conduta de vandalismo foi tamanha, que uma longa noite de farra, acabou refletindo no estado no qual o Centro se encontrava na manhã do domingo. Assim que o sol se firmou e começou a aquecer o dia, que por sinal foi bem quente, tornou-se um verdadeiro martírio transitar pelo local. Muita gente na rua ainda? Antes fosse! O inconveniente deixou de ser a "causação" dos seus freqüentadores e a esta altura do campeonato passou a ser o terrível e fedido odor de urina que se instaurara nas ruas. Para se ter uma idéia, era necessário desbravar o verdadeiro "mar de mijo", caso quisesse continuar a sua peregrinação cultural até o final. O que fez surgir comentários sarcásticos, como: "estaríamos nós em Salvador?".

Tudo em nome da arte, claro! E o que restou a todos que optaram em esquecer, nem que fosse por alguns instantes, foi transmutar o fato e concluir a sua maratona e torcer para que na próxima edição, os freqüentadores da "Virada Cultural" aprendam a se portar melhor e não como verdadeiros animais! Afinal de contas, a maioria sempre paga pelo erro de uma minoria, não é verdade!?

No entanto, independente destes inconvenientes, este tipo de iniciativa é sempre muito bem-vinda. Afinal de contas, além de contar com a apresentação de grandes representantes do cenário artístico do País, como Gal Costa, Luiz Melodia, Zé Ramalho, Jorge Bem Jor, Os Mutantes, Marcelo D2, Lobão, Ultraje a Rigor, Zé Celso Martinez, Cia Balé da Cidade de São Paulo, entre tantos outros, a democratização da arte é essencial para mudarmos, nem que seja de forma gradativa, a nossa sociedade! Possibilitando o acesso de todos à cultura! Democracia é isso, né não!?

Sem levar em conta que se tivéssemos que bancar do nosso próprio bolso shows e apresentações deste porte, teríamos que desembolsar verdadeiras fortunas, não é verdade!? Além de ser uma oportunidade "quase única" de aglomeração de pessoas oriundas de várias tribos em um mesmo espaço físico. Portanto, se formos colocar na balança, enfrentar uma "Virada Cultural" ainda sim continua valendo à pena!

Show do Ultraje a Rigor encerrou a programação da "Virada Cultural" no Palco Rock, na noite do domingo.

 

Aguardem, pois a cobertura da "Virada Cultural" ainda continua... com notas de bastidores, shows e entrevistas bombásticas com algumas bandas! Ficou curioso, né!? Então, fique ligado, que já, já, eu volto!

Ah, e não me esqueci de vocês não, viu!? Com mais um feriadão em vista, retorno com as já conhecidas dicas de passeios culturais pela cidade para os que forem ficar por aqui mesmo, ok!?

Palavra de escoteira... hehehe

Até mais...

 

Quer saber o que rola neste final de semana? “Virada Cultural” na cabeça!!!

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O músico e compositor Arnaldo Antunes é uma das atrações da 4ª edição da "Virada Cultural".

Como diria o famoso provérbio "o bom filho a casa torna", não é que estou aqui de volta! Mas agora, retorno com mais informações, ou melhor, com os já tradicionais passeios culturais pela cidade, que, aliás, nesta semana vem um pouquinho diferente do formato usual. Ao invés de dispor de um roteiro amplo do que rola em toda a cidade, nas mais possíveis vertentes artísticas, as dicas desta edição vêm concisa em uma só. Como assim, muitos devem estar se perguntando, né não!? Simples, pois o espaço será totalmente voltado para a verdadeira maratona cultural, promovida com o mega evento "Virada Cultural", que acontece neste final de semana, com 24 horas de atividades culturais, das mais diversificadas possíveis, ininterruptas, ou seja, das 18 horas do sábado (26/04) até às 18 horas do dia seguinte, domingo (27/04).

O que não foge da máxima deste blog, já que abarca as manifestações artísticas das mais variadas vertentes possíveis. Pois bem, a Virada Cultural (que este ano está em sua quarta edição e estima-se um público aproximado de três milhões de pessoas), pelo visto vem crescendo e ampliando o seu leque de atrações a cada ano. Serão cerca de 800 apresentações em 26 espaços, localizados em sua maioria no centro da cidade. Assim como o número de atrações dobrou, o investimento este ano, também, foi maior e contabiliza R$ 6,8 milhões.

A cantora Gal Costa é uma das estrelas que vai se apresentar no palco principal do evento.

Inspirada em eventos europeus, como "Nuit Blanche" parisiense, ou em português, "Noites Brancas", a "Virada Cultural" foi criado com um objetivo bastante digno, onde o que impera é a democracia. Tanto que em todas as suas edições oferece ao público uma programação diversificada e abrangente, entre eles, apresentações de dança, teatro, shows musicais e ainda sessões de cinema. Tudo isso de grátis, é mole ou quer mais!?

Uma iniciativa da Prefeitura de São Paulo, o evento procura trazer a nós apresentações de diversas vertentes e estilos culturais e artísticos. Diferentemente das edições anteriores, este ano, o palco principal, que nos outros anos funcionou no Boulevard São João, foi deslocado para a Praça Júlio de Mesquita, também no Centro. Estão entre as atrações deste palco a cantora Gal Costa, o cantor Zé Ramalho, Os Mutantes, Orquestra Imperial, o carioca Jorge Ben Jor e a cantora Cesária Évora, que virá especialmente de Cabo Verde para a apresentação.

Os Mutantes (com nova formação, é importante ressaltar) vão agitar o público com seu rock psicodélico no palco principal da "Virada Cultural".

Cultura de rua

Tem cultura de rua? Sim, tem também! Aliás, uma experiência colocada em prática na última edição do evento e que deu tão certo, promete divertir as pessoas que transitam pelas ruas do Centro da cidade com performances de dança e teatrais. Uma verdadeira maratona de rua, na qual o cenário são as edificações antigas existentes na região. Estão previstas as apresentações de várias companhias, como Irmãos Becker, Acrobático Fratelli, Pia Fraus, Nau de Ícaros, Teatro da Vertigem, Globo da Morte, exposição de estátuas vivas, entre tantos outros.

Um palco só para as meninas

É isso mesmo, com o surgimento de novas cantoras no cenário musical do País, em especial na MPB, um fenômeno, que segundo os organizadores do evento, não deve ser ignorado e muito pelo contrário, enaltecido. Visto que o que seria do Brasil sem a sua própria produção musical, né não!? Batizado de "Palco das Meninas", a estrutura montada na Avenida Ipiranga esquina com a Rua Araújo, traz produtos da nova safra, como Mariana Aydar, Marina de La Riva, Mallu Magalhães, Bruna Caram e recebe a cantora Fernanda Takai interpretando o disco "Onde Brilhem Os Olhos Seus", uma homenagem à Nara Leão.

A cantora Marina De La Riva integra programação no "Palco das Meninas".

... e o hip-hop também tem vez...

O espaço dedicado ao hip-hop vai dispor de apresentações de Rappin´Hood, Black Rio, Z´África Brasil e do lendário DJ norte-americano Afrika Bambaataa, que despontou em 1982 ao lançar "Planet Rock", música que se tornou referência do rap feito nesta época. O local ainda contará com presença de artistas da década de 1980, quando a cena hip-hop teve início em São Paulo, como Código 13, o dançarino Nelson Triunfo, o MC Thaíde, grupos de b.boys, o DJ Tony Hits e a equipe que organizava os célebres bailes "Chic Show".

O norte-americano Afrika Bambaataa é uma das atrações internacionais desta edição da "Virada Cultural".

... e no Teatro Municipal?

O músico e compositor Luiz Melodia abre a programação do Teatro Municipal.

O Teatro Municipal dá continuidade a proposta de reler discos históricos de grupos e artistas de renome. A abertura fica por conta de Luiz Melodia, que interpreta "Pérola Negra", disco lançado em 1973. Além deste, passam pelo palco Pepeu Gomes, Zimbo Trio ao lado de Jair Rodrigues e Fabiana Cozza, trazendo canções do disco "O Fino da Bossa", Paulo Vanzolini, entre outros.

- 18h00 - Pérola Negra (1973)/ Luiz Melodia

- 21h00 - A Dança das Cabeças (1977)/ Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos

- 00h00 - Passado, Presente, Futuro (1972)/ Sá, Rodrix e Guarabyra

- 03h00 - Snegs (1973)/ O Som Nosso de Cada Dia

- 06h00 - Geração do Som (1978)/ Pepeu Gomes

- 09h00 - Vibrações (1967) de Jacob do Bandolim/ Danilo Brito e Hamilton de Holanda

- 12h00 - O Importante é que a nossa emoção Sobreviva (1974)/ Eduardo Gudin, Márcia e Paulo César Pinheiro

- 15h00 - Onze Sambas e Uma Capoeira (1967) de Paulo Vanzolini/ Ana Bernardo, Carlinhos Vergueiro, Cláudia Moreno, Cristina Buarque, Germano Mathias e Paulo Vanzolini

- 18h00 - O Fino da Bossa (1964)/ Fabiana Cozza, Jair Rodrigues e Zimbo Trio

Mostra de cinema e vampiros

O cinema também recebe atenção na "Virada Cultural". Com a exibição dos maiores sucessos da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, os cinéfilos de plantão poderão se deleitar com produções selecionadas especialmente para atendê-los, como "Um Filme Falado" (2003), de Manoel de Oliveira, e "O Sol" (2005), de Aleksander Sokurov, no Cine Olido.

Se você for um pouco mais exigente (sem desmerecer as outras obras, claaaro) e curtir algo mais "vampiresco", também será contemplado. Haverá, também, ciclo de filmes sobre vampiros no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, sob curadoria de Carlos Reinchenbach, entre eles, "Vampyros Lesbos" (1971), de Jesus Franco, e "O Êxtase do Vampiro" (1973), de Joseph Sarno, entre outros.

Agora, se ainda não se deu por satisfeito, durante o evento ainda, terá uma sessão do filme de 1935 "Avodah", dirigido por um dos cinegrafistas de "Metrópolis" (1927), de Fritz Lang, com trilha sonora criada ao vivo pelo compositor Livio Tragtenberg. A exibição será feita no Centro da Cultura Judaica.

Rock na República

Já no palco voltado ao rock'n'roll, o público será animado com o show do Lobão, entre outros ícones.

Neste ano, os amantes de um bom rock'n'roll poderão se deliciar no tradicional Palco do Rock, armado em plena Praça da República. Aliás, bem sugestivo o local, né não!? A programação promete agradar a todos os gostos, pois passa pelo progressivo com os grupos O Terço e Casa das Máquinas e vai para a versatilidade de Arnaldo Antunes e Lobão, do bom humor do Ultraje a Rigor, e vai para as bandas Volcano e Korzus, passando pelo metal com Paul Di'Anno.

- 18h00 - O Terço

- 20h00 - Terreno Baldio

- 21h30 - Casa das Máquinas

- 23h30 - Harppia

- 01h00 - Paul Di'Anno

- 03h00 - Andreas Kisser e Brasil Metal Stars (Derrick Green, Hugo Mariuti e convidados)

- 04h30 - Overdose

- 06h00 - Vulcano

- 07h30 - Vodu

- 09h00 - Korzus

- 10h30 - Bando do Velho Jack

- 11h45 - Los Goiales All Stars

- 12h00 - Cachorro Grande

- 14h00 - Arnaldo Antunes

- 16h00 - Lobão

- 18h00 - Ultraje a Rigor

"Independência ou Morte" no Colégio

E não é que até as bandas e músicos que integram o circuito underground vão ter espaço na "Virada Cultural" deste ano. As apresentações, fruto de parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura com a Associação Brasileira de Festivais Independentes, acontecem no Pateo do Colégio e vai contar com a participação de grupos de diversos lugares do País. O palco será ocupado pelos cuiabanos do Vanguart, os acreanos do Los Porongas, os gaúchos do Superguidis, os pernambucanos do Mundo Livre S/A, entre outros.

- 18h00 - Vitor Araújo (PE)

- 18h50 - Mundo Livre S/A (PE)

- 19h40 - Luísa Mandou um Beijo (RJ)

- 20h30 - Vanguart (MT)

- 21h20 - Petro Massa (MG)

- 22h10 - Trilöbit (PR)

- 22h15 - Estrume'n'tal (MG)

- 23h00 - Los Porongas (AC)

- 23h50 - Sick Sick Sinners (PR)

- 00h40 - Mechanics (GO)

- 01h30 - Macaco Bong (MT)

- 02h20 - Retrofoguetes (BA)

- 04h00 - Fóssil (CE)

- 04h50 - Unidad Imaginária (RJ)

- 05h40 - Mestre Kuca (TO)

- 06h30 - Filo Medusa (AC)

- 07h20 - Boddah Diciro (TO)

- 08h10 - Coveiros (RO)

- 09h00 - Diego de Moraes e o Sindicato(GO)

- 10h40 - Linha Dura e DJ Taba (MT)

- 11h30 - Costa a Costa (CE)

- 12h20 - Do Amor (RJ)

- 14h00 - Bugs (RN)

- 14h50 - Supergalo (DF)

- 15h40 - The Sinks (RN)

- 16h30 - Superguidis (RS)

- 17h20 - MQN (GO)

- 18h10 - Siba e Fuloresta (PE)

E no palco voltado ao cenário underground, os pernambucanos do Mundo Livre S/A é uma das atrações.

 

Bom, acho que deu para vocês terem um panorama legal do que rola nesta quarta edição da "Virada Cultural", né não!?

Se quiser se interar mais, não perde tempo, não, acessa o site do evento (http://www.viradacultural.org/), monte seu roteiro e let's go...

Viva a maratona cultural... Vivaaaaa!!!

Beijos em todos e até mais...

Sesc Pompéia: uma imersão profunda na contracultura

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Jack Kerouac: o escritor beatnik que revolucionou todo o conceito literário do final da década de 50, com a publicação da obra "On The Road", em 1957.

Imagine que ao entrar em um determinado local, você se sinta como se estivesse vivendo em outra época, neste caso, em plena década de 60 e 70. Isso é possível sim! É exatamente desta forma que o público se sente assim que pisa os seus pés no Sesc Pompéia (Rua Clélia, 93, Pompéia), no projeto cuja regra ditada pelo seu idealizador, o jornalista Eduardo Beu, é a contracultura. Aliás, podemos dizer que os organizadores do “Vida Louca, Vida Intensa – Uma Viagem pela Contracultura” mandaram muito bem, afinal de contas, além de ser uma iniciativa completa e criativa, é bastante ousada, principalmente por mostrar de fato todo o panorama cultural da época, de forma abrangente e com aos atores e suas obras mais significativas deste período. 

Tanto que podemos dizer que durante a criação do seu projeto, Beu realmente “incorporou” e “foi regido” por algum espírito da contracultura. Pois, além de designar o que se diferenciava das manifestações artísticas predominantes na sociedade do final da década de 1950, o conceito vai mais longe do “termo nominal” e que remete à etimologia da palavra, propunha, também, a questionar os valores instituídos e pregar a expressão libertária. E podemos dizer que ele, ao selecionar os elementos que iriam compor este “retrato”, assumiu tal conduta, em todos os sentidos. E o resultado foi um evento bastante abrangente (como deveria ser) em termos de manifestação artística, entre eles, apresentações de dança e teatrais, shows musicais, saraus literários, exposição e debates com “experts” no assunto. 

Uma nova forma de se fazer arte, proposto pela primeira vez, em caráter conceitual, no ano de 1969 pelo professor Theodore Roszak no livro “The Making of a Counter Culture”, embora a contracultura, como a própria etimologia da palavra diz, tenha atingido seu auge bem antes, em um período onde a efervescência política, social e comportamental era berrante e “moda” entre os modernos intelectuais da época. 

Quando pensamos em contracultura, logo vem em mente os nomes da tríade de escritores beatniks Jack Kerouac (1922-1969), cujo marco aconteceu com a obra “On The Road”, publicada no ano de 1957; Allen Ginsberg (1926-1997), com o livro de poemas “O Uivo”, lançado um ano antes (1956), e William Burroughs (1914-1997), que se tornou conhecido no início dos anos 60, pela chamada trilogia “cut-up”, muito antes da teoria contemporânea discutir o fenômeno da “intertextualidade”, no qual ele incorpora o conceito de colagem cubista e procedimentos do Dadaísmo para a narrativa. E agregado a todos esses nomes, você ainda se depara com outras representações bastante expressivas, como Andy Warhol, Timothy Leary, Jorge Mautner, João Silvério Trevisan, Roberto Piva, William Blake, entre tantos outros.

Timothy Leary: o visionário que enlouqueceu o mundo com seus conceitos psicanalíticos revolucionários para a sociedade da época.

Imagens verborrágicas

A exposição cenográfica instalada na área de convivência do Sesc percorre o período beatnik, o psicodelismo e o punk. Com painéis expostos por todo o local, arrisco a dizer que o público literalmente se embrenha nestes três mundos em um mesmo instante. Com quadros extremamente coloridos, bem típico da Era do Psicodelismo, ao olhar para o lado, pode se deparar com algo que possua menos cores, mas com escritos extremamente poéticos, outros mais filosóficos e outros ainda, com forte carga de protesto político. 

Há também várias reproduções digitais de cartazes de cinema, shows, peças teatrais, capas de periódicos de imprensa underground e capas de discos, datados de 1965 à segunda metade da década de 1970. E para fazer o público “sentir na pele” o clima que antecede a contracultura, uma parte do local reproduz uma cafeteria para o público se deliciar com as guloseimas encontradas neste tipo de estabelecimento e aos que desejarem uma ousadia maior e entrar de uma vez na atmosfera beat, rola até uns drinks, inclusive, um bom uísque. Ao lado, tem uma sala de cinema, local, aliás, onde são exibidos os filmes e documentários que integram o projeto. 

Obras psicodélicas também podem ser apreciadas em exposição sediada no Sesc Pompéia.

O espaço ainda conta com duas videoinstalações, uma intitulada de “Festa Psicodélica”, do Grupo Cabra, com quatro projeções em 360 graus que apresentam desenhos gráficos com mulheres, animais e plantas se alternando e transformando-se em novas formas. O segundo trabalho é “Vestir Contemporâneo”, no qual o público pode interagir com a obra na medida em que é convidado a vivenciar um personagem por meio de composições de vestes ora casuais, ora extravagantes. 

Agora, bem lá no fundo do local o cenário é outro, envolvido pelo movimento punk e toda a provocação e rebeldia cujo manifesto é caracterizado. Tanto que ao adentrar nesta área é humanamente impossível não entrar no clima da época. Com muros pichados com símbolos do movimento e instalações de vídeo e som, cuja trilha sonora é também retratada com artistas que simbolizam o mesmo, como Ramones, The Clash, Patti Smith, Blondie, Sex Pistols e muitos outros. A reprodução é tão fidedigna, que não satisfeito em compor todo o cenário, o idealizar deste projeto, o artista plástico Valter Mendes, insere neste cenário todo ainda carros típicos da época, como um Marverick e um Opala, detonados e pichados propositalmente para dar um “clima ainda mais punk” para as peças e todo o ambiente.

  

A mostra promove uma reconstituição quase fidedigna de "área punk", com pichações e cartazes de bandas que representam tal gênero musical.

Delírios cinematográficos 

Dentro do conceito amplamente pregado por William Burroughs: “Nothing is true, everything is permite”, a mostra de cinema que integra este projeto navega exatamente por esta vertente. Aliás, é possível conferir filmes dos grandes representantes do movimento, seja na época em que se deu o seu “boom”, seja nos dias atuais. Integra o evento nomes como Klaus Maeck, John Antonelli, Peter Sykes, Roger Corman, Dennis Hopper, Conrad Rooks, David Cronenberg, Andy Warhol, entre outros.

William Burroughs: o escritor beat que incomodou a sociedade americana com sua acidez e sarcasmo em cima do lema "mor" dos estados unidenses "American Way Of Life".

Um deles é o documentário “Paitings for William Burroughs” (1986), do diretor Klaus Maeck, que é uma mescla de entrevista, feita por um jornalista americano ao próprio titular do filme, e citações de trechos de obras do mesmo citadas por sim "ele", Burroughs, entre elas, “Read of Dead” e poemas, como “The Place of Dead Roals” e “Thanksgiving Day”. É notório que a película foi produzida de forma quase caseira, para não dizer “tosca”, visto que os cortes da filmagem eram interrompidos de maneira grotesca e abrupta. No entanto, para termos de informação sobre a vida, visão de mundo do escritor beatnik e sua obra, uma enciclopédia. 

Aliás, as informações são tão densas que muitos dos que estivam presentes durante a exibição do filme não se acanharam em se levantar de sua cadeira e largar a sessão no meio, para não dizer, logo após o seu início. Compreessível, afinal de contas, para se debruçar e esmiuçar a sua complexa e profunda obra, a pessoa tem que estar disposta e acima de tudo, ter uma certa “abertura da mente”, caso contrário, impossível! O que até levantou questionamentos do tipo: o que levaria um ser, sabido da intensidade do contexto do trabalho de Burroughs, “queimar” o ingresso de outro que poderia estar muito mais afoito e sedento para se embrenhar em seu mundo e desperdiçá-lo de tal forma? Ou mesmo, o que estas pessoas esperariam do documentário? Não que seja intransigente a este ponto, afinal de contas, nem todos têm que gostar das mesmas coisas e querer devorá-las com a mesma intensidade e afã.

Cena do filme "Mistérios e Paixões", de David Cronenberg, uma das películas exibidas na sala de cinema e que ajuda a recriar todo o "clima beatnik" do espaço de exposições.

Outro filme que vale a pena ser conferido, também baseado em obra de Burroughs, no romance “Almoço Nu”, é “Mistérios e Paixões” (1991), do diretor David Cronenberg. Uma ótima representação da alma beat no cinema, a película é uma espécie de viagem literária “kafkiana”, com a interlocução constante entre o mundo real e imaginário. Ela narra a história de Bill Lee (Peter Weller), que é um escritor fracassado e trabalha como dedetizador de insetos para sobreviver. Seu emprego passa a ficar por um fio, já que seu estoque de inseticida vive misteriosamente se esgotando. Neste meio tempo, ele descobre que sua mulher (Judy Davis) está viciada no produto, e, incentivado por ela, experimenta-o e inicia uma viagem alucinógena recheada de absurdos. Após a morte acidental de sua esposa, Bill se refugia na “Interzone”, uma região entre o real e o imaginário, habitada por criaturas monstruosas. 

O roteiro em si não tem nada de espetacular, apesar do filme envolver o telespectador pelos próprios absurdos nos quais a trama é permeada, fazendo com que a produção fictícia penda entre o suspense e a “comédia” da sucessão de fatos “ilógicos”. Já a trilha sonora de “Mistérios e Paixões” é ótima. Howard Shore foi muito feliz nas suas escolhas, que inclui temas de Ornette Coleman. Aliás, é o quesito que mais sobressai aos nossos olhos durante a sua exibição. 

 

Esta é uma pequena demonstração do que te espera, caso decida ir até o Sesc Pompéia conferir o projeto “Vida Louca, Vida Intensa – Uma Viagem pela Contracultura”. Fala a verdade, no mínimo instigante, né não!? Quer saber mais? Então, acessa o site do Sesc e se intere de toda a programação (www.sescsp.org.br).

Ah, e só para deixar vocês com um gostinho de "quero mais" na boca, segue uma das obras presente no evento:

Dia de Ação de Graças (William Burroughs)

"Agradeço pelo peru selvagem e os pombos passageiros, destinados a virar merda nas saudáveis tripas americanas.

Agradeço por um continente a espoliar e envenenar.

Agradeço pelos índios por garantirem uma módica dose de desafio e perigo.

Agradeço pelas vastas manadas de bisões para matar e depelar e depois deixar as suas carcaças à putrefação.

Agradeço pelos troféus de caça de lobos e coiotes.

Agradeço pelo sonho americano, por inventar lorotas até que elas brilhem à luz do dia.

Agradeço pela Klu Klux Klan, aos policiais que matam negros e os contabilizam, às decentes beatas de igreja com suas mesquinhas, interesseiras, feias e perversas caras.

Agradeço pelos adesivos de ‘mate uma bicha em nome de Jesus Cristo'

Agradeço pela Aids de laboratório.

Agradeço pela proibição e pela guerra contra as drogas.

Agradeço por um país onde a ninguém é permitido cuidar de seus próprios problemas.

Agradeço por uma nação de dedos-duros.

Agradeço, sim, todas as lembranças, ok, deixa eu ver o que você tem nas mãos!

Você foi sempre uma dor de cabeça e uma encheção de saco.

Agradeço pela última e maior traição do último e maior sonho dos sonhos humanos."

 

 

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