Entries for month: April 2008
O White Lion está de volta depois de um longo período de inércia. A banda que ficou famosa no final dos anos 80 com sucessos como ‘When The Children Cry' e ‘Tell Me" está lançando seu primeiro álbum em 16 anos entitulado´Return of The Pride´. Gravado entre a Austrália e a Dinamarca em 2007, o ‘Return of the Pride' tem o seu lançamento nos Estados Unidos previsto para o dia 30 de Abril e já foi lançado na Europa no dia 16 de Março. Da banda original só restou Mike Tramp que com o resto da banda - Jamie Law nas guitarras, Claus Langeskov no baixo, Henning Warner nos teclados e Troy Patrick Farrell na bateria - se apresenta no Brasil pela primeira vez, no próximo dia 26 de Abril no Hard in Rio, Circo Voador. A tour sul americana é parte de uma longa série de shows que inclui Colombia, México e Europa, além de shows nos Estados Unidos. Nesta entrevista exclusiva para a Dynamite, Mike Tramp fala sobre o disco novo, religião, família e muito mais. Enjoy!
Silvia: Mike, em 1987 o White Lion lançou um álbum chamado ‘Pride', este novo álbum se chama ‘Return of the Pride', qual a relação e a mensagem que você quis passar para as pessoas?
Mike: Quando eu decidi ressuscitar o White Lion no mundo do rock de hoje, onde tudo está tão estranho comparado com antes, eu quis que o álbum e o conceito dele se encaixassem de uma forma que os fãs pudessem conectar estas duas décadas de diferença. Quando se ouve este álbum, parece dejavú, tem um sentimento do tipo ‘eu já estive por aqui antes'. Nos meus 30 anos de rock'n'roll eu percebi uma coisa muito estranha: não há muito espaço para mudanças, os fãs querem álbuns novos, mas ao mesmo tempo eles querem ouvir os sucessos do passado. O que é difícil de entender é que músicos se cansam muito facilmente de uma música e querem mudar tudo. Com esta volta a gente se pergunta: ‘qual é a razão de ressuscitar o White Lion?'. Para mim pessoalmente, eu mantive o espírito do hard rock dentro de mim e um dia eu percebi que eu tinha que voltar a compor músicas para o White Lion, mesmo sabendo que o que eu estava escrevendo é como voltar ao passado, mas a verdade é que no passado também está este lugar que o tempo esqueceu que é onde o hard rock existe. Para mim tudo tem que se conectar com o começo de tudo.
Silvia: Como foi o processo de criação deste novo album?
Mike: Eu já estava escrevendo muitas músicas e como neste momento os integrantes da banda moram em 4 continentes diferentes, eu mandava músicas quase que terminadas para o Claus (baixista) e ele adicionava suas idéias e mandava de volta. A maioria das músicas foi feita assim, mas também tem algumas que eu criei com o Jamie, o guitarrista. Nós não tivemos o luxo de estarmos no mesmo lugar para podermos escrever músicas juntos, então nós tivemos que encontrar um jeito. Tivemos 5 dias para gravar o baixo, bateria, e guitarras porque dinheiro não era uma opção para a gente. Nós não tivemos uma gravadora para nos bancar e tudo que foi feito eu que paguei com o meu dinheiro e eu não vivo no luxo. Tudo neste álbum foi feito pela banda, inclusive a produção e mesmo não sendo da forma que a gente queria ter feito as coisas,foi uma necessidade.
Silvia: Mas você não acha que este processo nos leva de volta ao antigo espírito do rock'n'roll?
Mike: Sim, com certeza. Não estou querendo criticar os grandes clássicos que bandas como o Def Leppard ou Metallica fizeram, mas em alguns casos só a pré-produção leva 6 meses... o White Lion não tinha este tempo todo e mesmo que tivesse eu não acho que funcionaria para a gente, você tem que ser verdadeiro com você mesmo. Quando terminamos e ouvimos o produto final nós pensamos ´está bom o suficiente, o som é de uma banda tocando, não uma máquina'. Nós não podemos esquecer que os nossos maiores heróis gravavam assim, é só ver os primeiros discos do Led Zeppellin, até o Queen que é uma das minhas bandas favoritas não tinha muito tempo para gravar. Esta forma intensa de gravar acaba por trazer muita energia na música e era isto que nós queríamos.
Silvia: No passado suas músicas falavam de problemas políticos ou sociais, o que te inspira a compor?
Mike: Eu componho não porque tenho que gravar um álbum, mas porque tem alguém batendo na minha porta dizendo ‘ Eu quero sair'...Tem que vir naturalmente e da forma certa. Eu acabo escrevendo sobre coisas que me tocam de alguma forma, por exemplo, eu tenho sérios problemas com religião. Eu nasci na Dinamarca em uma família cristã, mas quando eu vejo a religião sendo usada em nome da guerra, aí é um motivo para eu escrever, como aconteceu com a música ‘Battle at Little Big Horn'

Silvia: Mas você acredita em Deus ou em alguma religião?
Mike: Não, eu não acredito em religião e também não acredito em Deus do jeito que ele é mostrado nos livros. Eu acredito na criação das coisas, mas você nunca vai me ver tentando convencer ninguém de que o meu jeito de pensar é correto. Religião é uma coisa pessoal e eu não quero saber qual é a religião de ninguém. Tem destruição demais acontecendo no mundo em nome de Deus, qualquer que seja o Deus. É uma loucura.
Silvia: Mudando de assunto, no ano passado uma parte da tour do White Lion foi cancelada por problemas legais envolvendo a propriedade do nome White Lion, você pode falar um pouco sobre isto?
Mike: Estes problemas já foram resolvidos e o único dono do nome White Lion é o Mike Tramp. Na verdade, no ano passado eu já era o dono, mas as pessoas sempre tem o direito de brigar pelo que elas acham que tem direito, e isto aconteceu. Do outro lado tem o produtor do show que não está interessado em ter que se envolver neste tipo de problema, então por isto os shows foram cancelados. Foi a nossa pequena ‘Battle at Little Big Horn' (risos)
Silvia: E existe alguma chance que o White Lion volte a tocar com a formação original um dia?
Mike: Não, de jeito nenhum! Eu ainda mantenho contato com o nosso ex-baixista que agora toca com o Megadeth e está muito feliz. Vitto, com quem eu formei o White Lion, é do tipo que não quer andar na bicicleta mas também não quer que você ande sem ele. Uma vez eu tentei perguntar a ele se ele queria continuar com a banda e ele arranjou tantas desculpas e razões para não voltar. Parece até que ele é a única pessoa no mundo que tem problemas, todos o resto de nós não tem. Eu tenho uma vida super complicada, minha família mora na Dinamarca, minha esposa e minha fillha moram na Indonésia, eu moro na Austrália com o meu outro filho de outro relacionamento. É tudo muito complicado, mas quando eu acordo todos os dias eu me lembro que eu tenho feito isto por 30 anos e eu vou ter que encontrar um jeito de continuar e esperar que o melhor aconteça.
Silvia: Como foi a escolha dos músicos para o White Lion?
Mike: Eu viajo muito pelo mundo todo em tours e já tinha conhecido estes músicos antes. Acho que é por isto que no fim cada um da banda vem de um país diferente, mas o que interessa é que nós combinamos em termos de personalidade e eles são leais. Eles estão preparados para dedicar muito de suas vidas a esta banda. Nós estamos saindo em tour e não temos um tour manager, ou técnicos de palco, nada. Temos que acreditar em o que nós somos e fazer o que é preciso para estar perto dos fãs. Ninguém na banda tem a idéia pré-concebida de como o show vai ser, mas o que eles sabem é que muito vai ter que ser feito por eles mesmo e eles concordam com isto.
Silvia: Esta é a primeira vez que a banda se apresenta na América do Sul, incluindo o Brasil, quais as suas expectativas destes shows, especialmente o do Rio de Janeiro?
Mike: Não existe nada como a sensação de fazer uma coisa pela primeira vez. Nós já tocamos estas músicas por tantos anos e agora temos a chance de adicionar uma coisa nova para a nossa estória! Meio que dá uma recarregada na energia, tipo nascer de novo.... Quando você vai a um lugar diferente e vê o sorriso no rosto das pessoas tipo que agradecendo a gente estar lá, significa muito!
Esta oportunidade de tocar no Brasil aconteceu de repente e nós estamos muito ansiosos para tocar no Rio e quem sabe no futuro no Rock in Rio! Tenho certeza que vai ser maravilhoso tocar lá. 
Silvia: Quando as pessoas vão a um show do White Lion, o que elas podem esperar?
Mike: Bom, tem duas formas de eu responder: do jeito honesto ou falso...(risos)
Silvia: Responde do jeito honesto...
Mike: Uma banda de rock não tem muita diferença da outra, você tem as suas músicas e as características únicas de quem você é... o White Lion é uma dessas bandas que toca rock clássico e é verdadeira no que faz. Isto é o que nós levamos para o palco.
Silvia: Você gosta de fazer tours?
Mike: Não tanto quanto antes e eu nunca pensei que um dia eu diria isto! Existem tantos problemas pessoais envolvidos, parece que a gente está lutando uma batalha para sobreviver... Eu tenho filhos, mas todo mundo está separado em algum lugar do mundo. Meu maior sonho é ter todas as pessoas que eu amo no mesmo lugar, mas ao mesmo tempo, este é quem eu sou e apesar de tudo, é o que eu faço... é um estilo de vida 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano...
Silvia: E o que você acha do mundo da música hoje em dia?
Mike: É muito difícil de ser analisado, é tudo a respeito de negócios hoje em dia. No passado, a música vinha primeiro e depois os negócios, agora é o contrário. Acho que é parte do processo de evolução do mundo e da tecnologia e isto tudo acaba tendo um impacto grande nas pessoas, em como elas pensam. Tem muita música sendo feita hoje em dia totalmente sem sentimento e inspiração, mesmo rock, e eu não sou parte disto.
Silvia: Você conhece a música brasileira? Alguma banda ou artista?
Mike: Não, não mesmo... peraí, o Sepultura é do Brasil não é? Eu sei tudo sobre eles! Eu tenho que dizer que embora não conheça a música brasileira, eu sei do tamanho do Brasil e a força que o rock tem lá. Muito deste conhecimento vem de assistir os vídeos do Queen e como o público vibrava com eles.
Silvia: Para terminar, uma palavrinha para os fãs brasileiros?
Mike: Eu quero que eles saibam como nós estamos ansiosos para tocar aí. Quando eu contei para o resto da banda eles vibraram! Esperamos que este seja o começo de um longo relacionamento entre a gente e os fãs brasileiros e é uma pena que só tocaremos no Rio, gostaríamos de tocar em mais cidades, mas quem sabe na próxima... Ah, eu também quero dizer que eu não uso peruca, este é meu cabelo de verdade! (risos)
Até a próxima
Silvia Mendes

Os anos 80 trouxeram muita diversidade em termos musicais. Existia música para todos os gostos e idades, gótico, punk, hard rock, pop rock, heavy metal, etc., etc.Para matar um pouco das saudades daquela época mágica, nada como um show reunindo algumas das bandas que se destacaram e que, embora estejam no passado, não serão nunca esquecidas.
A Lost 80's Tour passou por várias cidades Californianas e também por Los Angeles em um sábado chuvoso no House of Blues na famosa Sunset Boulevard (mesmo lugar onde estão bares como o Rainbow Bar, The Whisky, The Key Club para citar alguns). Gene Loves Jezebel (a primeira banda que eu entrevistei na vida quando tinha apenas 16 anos!), A Flock of Seagulls, When in Rome, Real Life e Dramarama se juntaram e fizeram um merecido tributo aos anos 80.
O show durou por volta de quatro horas com alguns destaques para começar com o Gene Loves Jezebel - da banda original só restou Michael Aston, mas Mike se mostrou a vontade com sua ‘nova' banda, apesar do visual não lembrar nada o que era o GLJ original, estando muito mais ‘clean'. Foi dejavú, embora o set tenha sido curto - 45 minutos - a banda tocou seus maiores sucessos como' Motion of Love',' Sweetest Thing', ‘Gourgeous' e como não poderia deixar de ser, ‘Desire' que fez o público cantar junto. O Dramaram foi o próximo e o público a esta altura já estava mais aquecido depois do GLJ e continuou dançando e cantando, especialmente quando o Dramarama tocou um de seus maiores sucessos até hoje muito tocado por bandas cover na cidade toda: ‘Anything, Anything (I'll Give You)'. Mais um intervalo e o Flock of Seagulls entra no palco com um visual bem ‘new wave' para um set mais longo do que das bandas anteriores. Inexplicavelmente a banda que era a atração principal da tour conseguiu fazer o público feliz pelos primeiros 30 minutos do show, mas depois a euforia foi se dissipando.Talvez pelas músicas serem bastante similares umas as outras, ou pelo fato de pelo menos metade do público lá presente não ter vivido naquela época, mas a música que conseguiu alcançar uma reação melhor do público foi "I Ran (So Far Away)', o grande sucesso que ainda toca por estas bandas.

Aos poucos o House of Blues foi esvaziando mas o sentimento de quero mais ainda ficou. Nada como estar de volta aos anos 80, nem que seja só por poucas horas.
Até a próxima!
Silvia Mendes
A 106th NAMM aconteceu mais uma vez em Anaheim, Califórnia, trazendo mais de 1.500 expositores de todo o mundo, incluindo o Brasil. A cada ano este evento bate seu recorde anterior de público e expositores. A NAMM que aconteceu entre os dias 17 e 20 de Janeiro é aberta somente para negócios e não ao público em geral, mas ainda assim teve 88 mil pessoas registradas, sendo que 10 mil são pessoas de outros países.
A NAMM é uma organização sem fins lucrativos que procura unificar a indústria de instrumentos musicais e produtos da área de música mundial, tendo por volta de 9.000 empresas participantes. Suas atividades promovem o direito de pessoas de todas as idades a fazer música. Uma destas atividades é esta enorme feira de música que ocorre duas vezes por ano nos Estados Unidos, no inverno na Califórnia e no verão em Nashville. A outra é a Universidade da NAMM que este ano ofereceu diversos seminários no que foi chamado de "Idea Center" com experts na área informando sobre as mais novas tendências e práticas do mercado musical.
Embora a economia do país não esteja na sua melhor fase, os negócios para os expositores da NAMM não foram afetados, com testemunhos de membros da Ernie Ball, Fender, Martin Guitars, entre outros confirmando que este foi um dos melhores shows em termos de negócios.
Em termos de lançamentos para 2008, a Zildjian apresentou produtos como os da série ZBT models com três novos modelos. Lançoutambém novas baquetas com os nomes de seus músicos patrocinados como Antonio Sanchez e Adrian Young, além de adicionar mais modelos para a sua linha Hybrid. Como em outros anos, a empresa trouxe várias das estrelas da bateria para seu stand para sessões de autógrafos, parando a ala de baterias do evento. Nomes como Eric Singer, Steve Smith (Journey), Pete Escovido, Kenny Aronnoff, Bryan Hitt, Russ Miller, Mike Mangini, entre outros formaram uma fila de bateristas na frente do stand.

Na mesma ala, a Pearl também trouxe vários bateristas para autógrafos como Morgan Rose (Sevendust), Chad Smith(foto) (Red Hot Chilli Peppers), Craig Nunenmucher (Black Label Society), entre outros. Ainda na ala das baterias, Rikki Rockett (foto) do Poison estava lá junto com Troy Patrick Farrell do White Lion (veja em breve exclusica com a banda), divulgando a Rockett Drum Works (a linha de baterias do Rikki). A Rockett patrocina Troy que, junto com Rikki Rockett fez questão de posar para a Dynamite mostrando sua revista predileta.

Na ala das guitarras, baixos e seus devidos acessórios, muitas estrelas e lançamentos para todos os lados. A US Music Corp -- a qual inclui a Washburn, a Randall (amplificadores), a Eden Eletrônicos, Parker Guitars e Oscar Schmidt instrumentos Musicais - trouxe muitos lançamentos para a feira deste ano. Um deles é a linha Cantanese de guitarras de Nuno Bettencourt (Extreme) e a linha Preacher do Paul Stanley do Kiss (foto). Paul estava presente para uma tarde de autógrafos e mostrou um pouco de sua nova linha. A Washburn também lançou novos modelos da sua linha "Heavy Metal" que acompanha o amplificador criado pela Randall em parceria com Kirk Hammett do Metallica. Outra ‘preciosidade' que a empresa lançou foi a US Washburn Signature Series que tem somente 25 modelos fabricados, com botões e cabeçotes feitos de ouro. Esta preciosidade custa apenas U$ 10.000, para quem estiver interessado em comprar.

Outro simpática presença da Namm foi o baixista Billy Sheehan que estava no stand da Yamaha também promovendo sua série de baixos desenvolvida em parceria com a empresa.
Presenças marcantes do evento também foram Slash que atraiu bastante fãs e curiosos, Joe Satriani que completou 20 anos de sua linha de guitarras, Carlos Santana, e Stevie Wonder.
No stand da Dean Markley Nuno Bettencourt, Yngwie Malmsteen, o brasileiro Rafael Moreira e a presença mais marcante do stand, o baixista Nikki Sixx (foto) que parecia um pouco assustado com toda a atenção que estava recebendo dos fãs.

Como todos os anos, muitos eventos acontecem depois que as portas do centro de convenções se fecham. É a hora que expositores, músicos, rock stars, fãs e curiosos se dirigem para os grandes hotéis da área para a parte mais relaxada do evento. A Washburn foi o destaque deste ano organizando um grande evento no Hilton Hotel comemorando o aniversário de 125 anos da empresa, que além de um desfile de modas, ainda contou com a banda Extreme fazendo um show de uma hora.
Para os que não tiveram a oportunidade de ir a nenhum show, restou ficar nos bares dos dois principais hotéis da área assistindo a jam sessions e aproveitando para colocar a conversa em dia. Para a equipe da Dynamite em LA, valeu e até a próxima!
By Silvia Mendes
Fotos Luciana Mendes e Kevin Long

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