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TIC TAC TIC TAC

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A coluna Play desta semana fala um pouco sobre um objeto de apoio de todo músico, não importa se ele toca surdo, clarinete ou guitarra. Lógico que se trata do metrônomo, aquele aparelhinho que conta as batidas no tempo certo e não deixa (pelo menos não deveria deixar) você sair do ritmo. Mas, afinal de contas, o que é um metrônomo?

Isso aqui, ora

 Isso aqui, ora

 

A palavra metrônomo deriva de metron, termo grego que significa marcação, e nomos, também do grego, que quer dizer regulador. De acordo com o dicionário Houaiss, "Instrumento que regula os andamentos musicais". Não sendo propriamente um instrumento musical, o metrônomo é aquele aparelho que faz tic-tac no ritmo predeterminado. Ele é muito útil para quem está compondo, ou tirando uma música a partir de uma partitura. Vamos rever um pouco da história deste "ajudante".



Breve história do metrônomo*


Em 1581, Galileu descobriu que um pêndulo sempre balançava na mesma velocidade, não importando seu tamanho. Essa .descoberta foi vital para a invenção do relógio de pêndulo, por volta de final do século XVII. O desafio era desenvolver um mecanismo que fizesse com que o pêndulo não parasse, mas continuasse sempre no mesmo ritmo. Era o princípio da marcação de tempo em intervalos iguais. Até então, as primeiras tentativas de metrônomo eram objetos que, à medida que perdiam o impulso, contavam mais devagar.


No ano de 1812, Dietrik Nikolaus Winkel, um cientista holandês, matou outra charada que dificultava a existência de um objeto contador de tempo, que era o fato de que muitas músicas da época exigiam contagens lentas, de menos de 60 batidas por minuto. Isso fazia com que, para contar tão devagar, os pêndulos fossem enormes, o que os inviabilizava. Winkel descobriu que se colocasse um peso de cada lado da haste do pêndulo, ele poderia se mover devagar.


Foi um mecânico austríaco, Johann Nepenuk Maelzel, que se apropriou da idéia de Winkel para lançar o "Metrônomo de Maelzel", oficialmente o primeiro a ser fabricado em escala. O plágio, contudo, nunca foi comprovado, e Maelzel ficou com os créditos pela invenção. O primeiro metrônomo elétrico foi contemporâneo à invenção do relógio de bateria. Em 1938, foi criado o modelo Franz, que é vendido até hoje.


*fonte: FRANZ, Frederick. Metronome Techniques. New Haven, 1953.


Na pauta

Na pauta

 

A medida bpm (batidas por minuto) é tida como padrão para contar os "cliques" do medidor. Na pauta, ele aparece como na imagem, geralmente representando a semínima. Este é o tempo da música, que neste caso é igual a 100 bpm.

Em um ritmo redondo 4/4, em que a batida do metrônomo represente a semínima, temos quatro batidas por compasso. Se estivermos executando uma música em 6/8, o acento deve ser configurado no primeiro e no quarto cliques, e serão seis por medida.

Antigamente, usavam-se as denominações Adagio, Moderato e Allegro para representar tempos lentos, médios e rápidos, respectivamente. Com o avanço tecnológico, estas noções puderam tornar-se muito mais precisas. Existem músicas eletrônicas com 134,5 bpm ou até com duas casas decimais.


Praticando com o metrônomo


É consenso que a técnica apurada em qualquer instrumento vem somente com muito treino e paciência. Com algum suporte, este treino pode ser mais eficiente. Uma boa forma de praticar a execução de notas, seja num piano ou no violino, é a execução de semicolcheias consecutivas. Para quem faltou a essa aula, são 16 notas por compasso, quatro por tempo. Ajuste o metrônomo em uma velocidade que seja plenamente confortável tocar quatro notas diferentes por "click", e, então, vá aumentando a velocidade progressivamente. Importante é prestar atenção no ritmo, mais do que na velocidade, porque soltar dezenas de notas por segundo sem precisão não tem realmente nenhuma vantagem na melodia. A não ser, talvez, para se mostrar para os seus amigos, mas isto é outra história.


Espia, quanto é que está custando?


Existem hoje vários modelos diferentes de metrônomo. Vamos conferir alguns deles.

Quanto custa?

Todos à venda pela internet 

1: Metrônomo Mecânico Wave: Alta precisão, com um design clássico. R$319 nas lojas Americanas.


2: Metrônomo eletrônico Quik Time: Mais compacto e moderno. Tem saída para fone de ouvido. R$80 na ABC Musical.


3: Metrônomo Matrix MR-800: Seis ritmos diferentes e diapasão para ajuste de afinação. R$79 na Amazon.com


4: Metrônomo e Afinador Digital TM-40 Korg: Contador de tempo preciso, saída para fone de ouvido e afinador regulável, com detecção de oito escalas (ou seja, afina qualquer instrumento). Indicação da coluna. R$149,90 no MundoMax.



Contudo, existem recursos gratuitos que podem ser usados online:


http://www.webmetronome.com, um metrônomo em javascript.


http://www.metronomeonline.com, um metrônomo em Flash.


http://www.metronomo.i8.com, um metrônomo como Software.


Espero que esse guia rápido tenha ajudado o leitor com este aparelhinho tão útil às nossas vidas.


NOTAS RÁPIDAS DA SEMANA


"Caixa de Música - Ressonâncias e Contrastes" traz o melhor da música erudita contemporânea a São Paulo, em concertos e palestras gratuitos, na Sé

 

O público de São Paulo ganhará a oportunidade de apreciar e discutir a música erudita contemporânea com a série de palestras-concerto "CAIXA DE MÙSICA - Ressonâncias e Contrastes - diálogo com os grandes mestres da música", que a CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111) promoverá, de 12 de março a 28 de maio, todas as quartas-feiras, às 19h. A primeira apresentação será do Trio Plusquammembi (veja programação completa abaixo). A entrada é franca.


Com curadoria de Dante Pignatari, a série tem como objetivo proporcionar ao público o acesso ao que melhor se produz em música erudita contemporânea no Brasil. "A música contemporânea se separou do público no século XX: a era moderna é a única na história em que a música contemporânea ocupa apenas uma fração de espaço, quase todo ele tomado pela música do passado. Após quase um século de divórcio, apresentar só a música não é suficiente; faz-se necessária a palavra, a interpretação verbal, e o melhor intérprete, a meu ver, é certamente o músico", afirma Dante.


O projeto é composto por 11 apresentações nas quais, além de interpretar peças de grandes nomes da música, os instrumentistas dialogam com o público a respeito dos compositores e de suas obras. Uma oportunidade imperdível para os que apreciam a música erudita e para aqueles que pretendem conhecer este universo.

 

Além de entreter, o projeto busca também informar e estimular a formacão de platéia, permitindo a aproximação de pessoas comuns e de estudantes de música de um universo aparentemente hermético. O projeto mostrará como a música feita hoje não pode ser pensada sem o carro e o computador e menos ainda sem Bach e Beethoven.



E por hoje é só pessoal. Até semana que vem. Let's play!

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