Para algumas pessoas, a música flui naturalmente. Para outras, são necessários muitos anos de estudo até que um punhado de notas executadas num instrumento soe harmonioso. Com o advento e a democratização da tecnologia, aprendeu tornou-se muito mais fácil. Contudo, ainda existem talentos natos, pessoas que, mesmo sem o devido estudo formal da música, esbanjam musicalidade. Este é o caso de Jorge Damasceno, músico da nova geração que usa a tecnologia a favor da criatividade. Seu trabalho, que ele mesmo batizou de Sinfonia X4, é destaque do portal PalcoMP3. Confira a entrevista:

Play: Quais instrumentos você toca, e há quanto tempo?
Jorge Damasceno: Toco guitarra, teclado e baixo. Se o computador for considerado um instrumento, eu toco ele também. Devido à falta de recursos para comprar um controlador midi, excluindo a bateria, que eu escrevo no programa, os outros instrumentos como baixo, piano, flauta e instrumentos de corda são tocado no próprio teclado do computador. Dá um pouco de trabalho, já que o teclado do computador não tem tecla de sensibilidade como em alguns teclados musicais, e eu tenho que escrever manualmente quando uma nota vai ser mais forte ou mais suave. Mas fazer este tipo de procedimento me ajudou a entender melhor a composição da harmonia.
Play: Já chegou a ter banda?
Jorge: Já tive banda, sim. Comecei com uma banda em que não sabíamos tocar muito bem. Na verdade na época eu não sabia nem tocar guitarra, ficava sempre improvisando alguns riffs. Mas foi graças ao vocalista e guitarrista da banda, Igor Rosa, que eu aprendi muitas coisas sobre música. E foi ele mesmo que me apresentou o programa que eu utilizo atualmente para compor minhas músicas. Eu entrei na banda cantando e cedendo a guitarra para o guitarrista solo. Nós tocávamos muitas músicas cover, como Metallica, Iron Maiden, Nirvana. E o som próprio da banda eram músicas irreverentes como Mamonas Assassinas. Com a entrada do baterista Freddy, ele me apresentou a banda Dream Theate. Quando eu escutei, tomei como objetivo um dia tocar alguma música deles. E logo após o término da banda foi o que eu escutei e escuto muito, para aprender música.
Play: Quais os softwares você utiliza para escrever e gravar suas músicas?
Jorge: Eu uso o programa Fruity Loops, utilizando o BooBass, que já vem com o próprio Fruity Loops e os Vsts, EZDrummer que é o programa de bateria, e o Edirol Orchestral que é o Vst dos instrumentos de corda. É no próprio Fruity Loops que eu gravo.
Play: Há quanto tempo você faz esse tipo de trabalho? Como começou esse projeto?
Jorge: O primeiro passo foi o término da banda. Após isso, foi quando eu comecei a me dedicar ao instrumento, que no caso foi a guitarra. Na época que escutava muita coisa do G3, Steve Vai, Joe Satriani e Eric Johnson, eu ficava vidrado com os solos e comecei a tomar um gosto com a música instrumental. Aí eu pensei "será que eu consigo fazer algo do tipo?". Foi quando eu conheci o programa Acoustica Beat Craft, que dava para fazer as seqüências de bateria. E como eu só tinha guitarra, como eu poderia fazer as músicas? Só usando o programa. Foi quando em 2004 eu iniciei o projeto X4, que era um projeto de música instrumental com guitarras. As músicas não são muito boas por que eu não sabia equalizar muito bem os instrumentos. O projeto Sinfonia X4 teve inicio em junho ou julho de 2007, quando o Igor me apresentou o programa Fruity Loops. Então acho que o Sinfonia X4 tem por volta de 7 ou 8 meses.
Play: Existe algum outro projeto semelhante em que você tenha se espelhado? Você conhece alguém que faz um trabalho parecido com o seu ?
Jorge: Projetos parecidos, existem alguns no site palcomp3, mas não ouvi nada como o que eu faço. As músicas que eu faço são um pouco mais agressivas. Bom, nem todas. Eu tento jogar muito o peso das cordas mais graves o baixos. Os instrumentos como Cello e Contra-baixo simulam os riffs, e assim eu tento colocar as influências do progressivo. Porque na minha opinião uma música não precisar ter necessariamente uma guitarra com distorção para ser pesada.
Play: Como você define o gênero musical em que você compõe?
Jorge: Bom, acho que é Instrumental, Progressivo, Experimental, ou no qual de brincadeira eu chamo de "Sinfonia Progressiva".
Play: O nome do seu Projeto é Sinfonia X4. Alguma referência à banda norte-americana de prog metal Symphony X?
Jorge: Não. Apesar de conhecer a banda, e gostar muita dela, o nome é uma infeliz coincidência. Projeto X4 porque, quando eu comecei e tinha pensado, sou eu mesmo vezes 4, eu compondo os 4 instrumentos: bateria, baixo, guitarra base e solo. E foi nisso que eu tinha pensando na época. Eu não sou bom com esse lance de inventar nome, e quando eu comecei a fazer as música sinfônicas, foi quando eu coloquei o nome Sinfonia X4. Mas não tinha nem me tocado da semelhança com Symphony X. O nome que importa em si é o "X4", não o Sinfonia. Este é apenas, um dos projetos que eu elaborei. Existe o Projeto X4 e o Sinfonia X4 e, se algum dia eu tiver condições, eu vou tentar compor o Acústico X4.
Play: Você já gravou alguma dessas composições ou chegou a lançar um disco ou demo, mesmo que independente?
Jorge: Não, não cheguei a gravar nenhuma dessas músicas profissionalmente. Para falar a verdade, 80 % das músicas foram criadas durante o meu expediente no trabalho. Eu trabalho em uma lan house, e foi nela que eu fiz a maior parte das músicas, que foram gravadas da maneira mais caseira possível. Todas usando apenas um computador. E os únicos discos que eu gravei são os de mídia de R$0,50 para os amigos escutar as minhas músicas.
Play: Já pensou em vender alguma dessas músicas a um artista renomado?
Jorge: Bom, se isso algum dia acontecer, será o maior sonho meu realizado, já que eu vivo música, mas não tenho tempo e nem condições financeiras para trabalhar com música profissionalmente. Queria muito mesmo trabalhar com música, mas fica difícil quando não se tem dinheiro para comprar os aparelhos necessários. Eu trabalho desde os meus 14 anos. Hoje em dia trabalho das 9h às 16h na lan house e em seguida faço estágio no hospital. E onde vivo não é o tipo de lugar que oferece grandes oportunidades para ganhar algum dinheiro com música, principalmente para o tipo de música que faço. Gostaria muito de trabalhar fazendo harmonia, mas se tiver que acontecer, acontecerá.
Play: Você disse que nunca estudou música. Você chegou a estudar teoria musical por conta própria ou simplesmente saiu tocando?
Jorge: Os meus primeiros acordes, dó, ré e sol, aprendi como muita gente que eu conheço, com revistinha de cifras com músicas do Legião Urbana. Logo após entrei na banda, e lá vi muita coisa, mas o meu aprendizado começou quando eu botei na cabeça que um dia iria tirar de ouvido todas as músicas do Iron Maiden. Na época eu ouvia muita gente dizer que a maioria das músicas do Iron se toca apenas com mi, dó e ré, e foi assim que eu comecei a treinar os Riffs, o tempo, a agilidade etc. E foi escutando e tentando tirar Dream Theater que eu aprendi muita coisa com técnicas novas, tempos diferentes. Agora se me perguntar se eu sei muitos dos acordes que eu faço ou que escala de solo eu faço, eu não saberei responder.
Play: E quais são sua pretensões para o futuro? Você pretende gravar discos com banda ou gravar como one-man-band?
Jorge: Bom, eu pretendo continuar compondo as músicas tentando sempre evoluir. Se algum dia eu tiver oportunidade de trabalhar com música, será ótimo. Ao gravar discos, vai depender muito das oportunidades, mas eu penso em gravar com banda mesmo. Acho que uma performance ao vivo é muito mais empolgante. Penso, sim, em levar um baterista e um baixista ao vivo e uns 3 computadores para o palco, com pessoas tocando como eu, para fazer um performance live.
Para saber mais sobre o Jorge, visite a página dele no PalcoMP3.
Abraços e até a próxima.

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