Entries for month: June 2009
Caiu a exigência do diploma de "jornalismo" para que os elementos escrevedores e faladores possam ocupar mesas, lugares ou holofotes no mercado de informação que é a imprensa tupiniquim. No caso do jornalismo dito "especializado" em música - poderia ser qualquer outra área - formaram-se elementos que mal sabem escrever ou falar, escrevendo e falando sobre o que não sabem sequer ouvir, no caso a música.
A imprensa tradicional agoniza em todo o planeta. Formatos de entrevistas, artigos e reportagens são adaptados, cozinhados e transcritos para blogs, sites "de relacionamento" e outras maneiras de se manter informado, que não seja financiando os barões da mídia, que por sua vez são comprados pelos grupos de poder, econômico, "religioso" e político, que mantêm as coisas como deus quis, para ver como é que ficam quando deus quiser.
O resultado é que a informação ficou com o seu público-alvo, da mesma forma que a distribuição de música, deixando os atravessadores de humor atravessado. Uma mente sã comparou, quando a indústria fonográfica começou a perseguir o Napster, a distribuição de música pela internet às prateleiras de supermercado, onde só faltava alguém instalar o caixa para cobrar na saída. A indústria fonográfica preferiu dinamitar as prateleiras.
Desde mil novecentos e outubro o jornalismo vem se comportando de maneira análoga a indústria fonográfica. Agora que começa a se tornar mais rápida, barata e eficiente a obtenção de informação de forma alternativa - leia-se internet, celulares e toda a telemática - a indústria da informação começa a procurar uma maneira de dinamitar a informação, transformando-a num ciclone de previsões do tempo e tragédias apelativas.
A sabedoria milenar do Oriente nos conta que Shiva é o deus que simboliza a dinâmica da desconstrução no universo, Vishnu simboliza o princípio de manutenção da construção e Brahma o princípio criador. Nada mais atual. Shiva é a telemática transportando as obras pelo ar e pelo éter, Brahma são os novos parâmetros da evolução humana e Vishnu são os poderes moribundos a encher o saco dos 1% de desanestesiados.
Mas os "jornalistas" portadores de diplomas que infestam as redações no Brasil - e em boa parte do planeta azul - acham que Vishnu e Shiva são personagens de novela e Brahma é pra beber na hora em que "largam" o seu expediente, felizes por se livrarem do trabalho, porque consideram trabalho uma coisa ruim, "fizeram" faculdade pensando em cabide de emprego ou vil metal conquistado a qualquer custo, mais exatamente o de informar errado.
Não adianta tentar dissertar, escrever ou imaginar - e a imaginação jornalística é um mal crescente - sobre o que se conhece pouco, mais ou menos ou nada. Mais valeria uma pós graduação em jornalismo para médicos, engenheiros, advogados e músicos. Mas o ensino, seja ele de qualquer grau, parece não passar do degrau estreito da manutenção do status quo, e não almeja evolução de qualquer espécie que seja.
Como nas rádios do século passado, uma estarrecedora quantidade de "âncoras" - sugestivo nome para quem já afundou e se acostumou ao fundo - abrem ultrapassados jornais diários na frente de microfones e cozinham, em tempo real, uma comida informativa azedada com tempero vencido. Não demorou para que nos estúdios de televisão os prompters tivessem o mesmo papel. Sem papel.
Determinado programa de um desses canais de "notícias" foi bastante criativo: uma animação em que os jornais estrangeiros ficam enfileirados num canto da tela, e de lá saltam aos olhos dos telespectadores com suas manchetes, enquanto uma "jornalista", atenta, lê para os ouvintes, supostamente cegos, seu conteúdo. Uma coadjuvante pergunta, entremeando aos fatos, se há mais alguma coisa a saber.
Há sim, o que eu chamaria de "jornalismo de elevador", cujo assunto é sempre aquele dos vizinhos entediados e obrigados a alguns segundos de convívio verbal e auditivo com o próximo do andar próximo, ou seja, o tempo. Não o do relógio, mas aquele que nunca deve ser o quer que seja que não mude nunca, o tempo meteorológico das musas aspirantes a modelo ou atriz, com suas mãozinhas a apontar mapas imaginários por um triz.
Mas vamos supor que você é um "jornalista formado" que não obteve sucesso na "imprensa especializada", pelos seus nulos conhecimentos de medicina de almanaque, direito de porta de cadeia ou engenharia de sanduíches. O que fazer? Fácil. Procurar escrever ou falar de alguma coisa supérflua, como dança, literatura, música ou teatro, oras, que não servem pra nada, logo, seu índice de erros de informação terão baixo nível de consequências.
Como não existe nada ruim que não possa piorar um pouco - ou muito - se também não conseguir uma boquinha nas "artes", com certeza vai engrossar o caldo de cultura dos comentaristas, locutores e especialistas nos esportes de massas. Algo como o sucessor do Galvão Bueno com um blog interativo ao vivo do Senado, afinal eu disse que não existe nada ruim que não possa piorar um pouco, ou muito...
Em sessão solene realizada na Assembléia Legislativa de São Paulo, o novo presidente da OMB deu o seu recado: médico dá aula de medicina, advogado dá aula de direito, e músico dá aula de música. O tom exacerbado é por conta de movimentos subterrâneos de professores de educação artística da rede pública querendo mais um cabide de emprego.
O Secretário de Educação não compareceu, mas o seu enviado parece não ter gostado do ambiente que encontrou na Assembléia, com o plenário cheio de músicos como o violonista Robson Miguel, a baterista Vera Figueiredo, o percussionista Dinho Nascimento e o maestro Aldo Barbieri, que também falou grosso defendendo os músicos dia 19 de junho de 2009.
A iniciativa da sessão foi do deputado tucano Rodolfo Costa e Silva, que junto com o deputado Bruno Covas e outros parlamentares parecem estar voltando os olhos para a classe musical. A primeira secretária da OMB, Maria Cristina Barbato, manifestou seu repúdio por uma cena de novela da Globo que coloca os músicos como drogados. Cabe processo.
Vamos ver se a classe terá que processar também as professorinhas de educação artística e todo o ranço da época da ditadura, que insiste em colocar os músicos como escória de uma sociedade que faz água por conta própria. A julgar pelos passos dos acomodados no berço esplêndido, vem aí uma boa luta de quem trabalha contra quem enrola.
A Associação Cultural Dynamite, é uma OCIP - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. OSCIPs são ONGs criadas por iniciativa privada, que obtêm um certificado emitido pelo poder público federal ao comprovar o cumprimento de certos requisitos, especialmente aqueles derivados de normas de transparência administrativas.
A Pauta Arte & Comunicação é uma microempresa que comemora seus 20 anos de atividade em 2009, voltada para as atividades de música e jornalismo, dentre elas a produção de matérias técnicas e análises de instrumentos e equipamentos, mídia didática para instrumentos musicais, composição, arranjos e transcrição musical.
Juntas, Dynamite e Pauta tornam realidade o CMJ - Centro Musical da Juventude, que são oficinas musicais buscando a inclusão social em áreas de degradação urbana, levando a música para crianças a partir de 10 anos de idade e adultos, através de aulas de guitarra, bateria, contrabaixo, vocal, teclados e música eletrônica.
Um grande centro cultural está em obras no bairro da Bela Vista - carinhosamente conhecido como Bixiga - onde as atividades do CMJ, incluindo uma Acervoteca com livros, CDs e DVDs e vários espaços interativos terão início a partir do segundo semestre de 2009, contando com monitores e professores com experiência didático-musical.
Algumas parcerias estão em estudo e andamento, visando incrementar o equipamento a ser instalado na Rua Santo Antonio 833. A regência do projeto é feita a várias mãos, destacando-se o músico, DJ e produtor cultural André Pomba Cagni, o músico e especialista em computer music Saulo Wanderley e vários outros profissionais.
Durante a Expomusic 2009, a ser realizada em setembro, as atividades do CMJ estarão sendo exibidas ao público visitante em stand, além de outras novidades como o relançamento da revista de música, instrumentos, equipamentos e educação musical On & Off e outros projetos da Dynamite e Pauta.

A chamada imprensa "especializada" e mesmo a imprensa comum - que de comum no Brasil tem muito pouco - nada noticia sobre a OMB e a mudança de comando histórica, depois de um nevoeiro de mais de 4 décadas. Infelizmente, essa imprensa prefere criar factóides a benefício de seus donos, ou a faturar em cima de tragédias, ano após ano.
No dia 3 de junho de 2009, a OMB homenageou diversos músicos e personalidades do mundo musical brasileiro com o Troféu Clave, "pelo seu profícuo desempenho profissional e valiosa dedicação à música, como arte e cultura na sua mais cristalina forma", nos dizeres do diploma que acompanhou cada premiação.
Presentes no auditório nomes dos mais variados gêneros e atividades, desde o mais técnico, como Carlos Gelman - que desenvolveu o Mouse Foot, um "virador" de páginas de partituras eletrônico acoplado a computador - até expoentes da música instrumental de vanguarda paulistana, como Zé Eduardo Nazário e inúmeros outros feras.
Se desculpando por aproveitar o momento festivo para prestar contas de sua gestão, o Prof. Roberto Bueno resumiu brevemente os últimos acontecimentos, chamando a classe musical a participar de iniciativas como aulas de música para menores carentes do Projeto Guri, e outros projetos, ressaltando que tudo está sendo feito com pouca ou nenhuma verba.
Alguns premiados dirigiram-se à platéia lembrando o descaso e desrespeito como são tratados os músicos no Brasil. Outros ressaltaram a diferença etária entre os agraciados pelo troféu, apontando para uma integração entre gerações de músicos, trabalhando para valorizar a profissão, tratada como verdadeiro supérfluo pela elite social tupiniquim.
Fica então o registro, em esforço único da imprensa brasileira, que parece estar - como costuma escrever e falar sobre a classe musical - bêbada e/ou drogada para a realidade, fazendo jus a seus salários para puxarem o saco dos donos das grandes máfias da informação nacionais. Viva a música, soando em réquiem para o jornalismo marrom.

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