Nascido na Universidade de Columbia, em NYC, o Vampire Weekend estréia em disco com um ótimo trabalho, de nome homônimo, dando uma esperta diferenciada da maioria das bandas novas, e mostrando que transita pelo lado oposto do Strokes em NY. Os músicos descrevem seu som como "Upper West Side Soweto", e poderiam ter um jeito estranho de se vestir, com acessórios marroquinos e muita cor. Ezra Koenig, vocal e guitarras; Chris Baio, bateria; Rostan Batmanglijt, teclados, guitarras e vocais e Chris Tomson, baixo, produzem melodias inspiradas pelo folk, clássico europeu, indie rock e o afro-pop, com letras de construção literária acima da média. Estão sendo chamados de criadores do Afro rock, coisa que acho besteira. Mas, afinal, inventam rótulos pra tudo. Começaram a tocar em festas da Universidade e no circuito literário, além de pequenos clubes, em 2006. Lançaram alguns EPs gravados nos quartos da UC, mas mais a título de registro e experiências.


O barulho em torno do VW começou em 2007. No verão embarca na sua maior oportunidade, quando participa do CMJ Música Marathon , o que acabou gerando um contrato com a XL Records (Racounters, Radiohead, Basement Jaxx, Devendra Banhart, White Stripes, etc). O EP "The Mansard Roof " foi a estréia do Vampire Weekend no selo, seguido desse primeiro álbum, em 2008. Vale dizer que, como Peter Gabriel e Paul Simon (no sensacional Graceland, no qual trabalhou de forma magistral esse mix cultural), mergulhou fundo na fusão entre ritmos, sensações e idéias africanas e ocidentais, mas em um tempo onde essa postura normalmente é superficial, coisa que passa longe da excelência do trabalho desenvolvido pelos vampiros. Reencarnando o art rock feito anteriormente por Pink Floyd (até os anos 1970), Velvet Underground, Soft Machine, Focus ou Gong - dentro das devidas proporções -, mas usando construções diferentes e acopladas a cultura atual, o grupo se atira na pesquisa, provocando uma bruxaria dos sons, reflexão, atenção e diversão. O resultado são batidas sincopadas, muita percussão e melodias que suportam as mudanças de andamento e de tom.
Com a Internet, capaz de levar ao céu e desmantelar artistas com uma velocidade impressionante, as bandas passaram a produzir música sem qualquer interferência de gravadoras e, por outro lado, colocaram na rede, também, porcarias e modas passageiras. O Vampire Weekend ataca esse mercado diferente com a estratégia de fugir um pouco do NET, de acordo com a sua página oficial. O som dos Vampiros é uma competente colisão de indie, folk, afro-pop e climas de música barroca européia, num mix que cria um som híbrido que parece fluir de forma completamente natural e sem esforço. A banda valida seu som com letras acima da média e um pouco intelectualizadas. Às vezes o disco parece como um roteiro de cinema, sobrepondo ambientes e produzindo uma sensação aventureira. É uma estréia forte, destilada, concentrada e visceral. De um grupo que cuida da sua música como arte e mostra que cresceu ouvindo várias vertentes e estéticas musicais. Podem viajar entre o pós punk do Franz Ferdinand e os exóticos temperos de violões soulkous, transitando pela música Africana e a brisa tropical, assim como paisagens barrocas européias, sem medo de serem felizes.

Ao contrário da maioria dos grupos que produzem músicas descartáveis e para um rápido consumo, o som do Vampiro não é alienante. "Mansard Roof" e "Oxford Comma", que abordam a arquitetura e gramática respectivamente, têm um ritmo bem construído sobre uma linha de baixo sincopada, com belas e impulsivas melodias. Aliás, em "Oxford Comma" a letra dá uma lição de geografia do Tibet, numa construção de trincar qualquer rapper. Cordas e harpsichords com nítidas influências barrocas dão a linha de "M79", uma bela canção de inspiração africana e irlandesa que usa guitarras africanas, um clima único e muito root. Batidas punks, flautas andinas e mellotrons são a cara da faixa "A-Punk.", uma deliciosa e grudenta música que pega na alma e pode ser a essência do som dos nova iorquinos, uma levada de ska caribenho também está presente na canção. O vocalista e compositor Ezra Koenig faz a diferença, e me fez ler as letras e procurar referências. Ele dá um conceito hyper realista às letras e canta bem. Surpreende ao rimar Louis Vuitton, reggaton e Benneton. Na sensacional "Cape Cod Kwassa Kwassa" - Kwassa Kwassa é ritmo de dança criado no Congo e muito popular no fim dos anos 80 - nada de arremedos exóticos como coros de tribos ou cânticos pigmeus, mas guitarras, percussão e flautas que exploram com intensidade e sutileza elementos africanos, além de uma citação a Peter Gabriel.
Em "Campus", a melhor do "Cd," já um clássico do VW, partes como: "eu vejo você andando pelo campus. Como eu posso pretender não te ver mais?, mostram sentimentos que costumam rondar a vida em uma Universidade. Koenig faz brotar um ar novo, que possui uma esperançosa qualidade. O Vampire Weekend é especialmente perfeito em canções como "I Stand Corrected", uma linda música que começa doce e leve, e vai subindo de temperatura sobre um teclado fatal, e uma bateria simples e direta. É uma quase balada, uma faixa forte e tentadora. Já "The Kids Don't Stand a Chance" lembra, de leve, "Message in a Bottle", só que mais lenta e lírica. Um reggae bem sincopado que tem algo de Marley e The Wailers, trançado por belos violinos e uma interpretação delicada de Koenig. "Walcoat" é a que de longe é a mais parecida com a maioria das bandas atuais e , por isso mesmo, é a mais fraca em um CD de estréia acima da média. Porém, em absoluto, isso significa que a música é ruim. Para um disco de estréia o Vampire Weekend produziu uma ótima coleção de canções fortes, que mostram que o grupo é inteligente, não se apóia em posturas "modernas", mas sim em um trabalho competente e criativo. Rock? Música! Uma estréia para ganhar alguns prêmios, e que pode transformar esse branquelos com sangue africano em uma das melhores bandas do mundo.
A-Punk
Johanna drove slowly into the city
The Hudson River all filled with snow
She spied the ring on His Honor's finger
Oh-oh-oh
A thousand years in one piece of silver
She took it from his lilywhite hand
Showed no fear - she'd seen the thing
In the Young Men's Wing at Sloan-Kettering
Look outside at the raincoats coming, say OH
His Honor drove southward seeking exotica
Down to the Pueblo huts of New Mexico
Cut his teeth on turquoise harmonicas
Oh-oh-oh
I saw Johanna down in the subway
She took an apartment in Washington Heights
Half of the ring lies here with me
But the other half's at the bottom of the sea
http://www.vampireweekend.com/
http://www.myspace.com/vampireweekend

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23 Apr, 2008 às 3:35 PM O disco é muito legal mesmo e o último do Panic At The Disco também está excelente. Os Vampiros tem um diferencial e são um folk meio africano e meio americano
23 Apr, 2008 às 5:03 PM Grande Dum, já li a coluna e já baixei o álbum, estou escutando agora. Valeu pela dica! Abração!
23 Apr, 2008 às 5:16 PM Vi o show no Hyde Park e foi muito engraçado ver as expressões incrédulas de alguns punks e góticos. Mas os vampiros arrasaram e foram super bem recebidos pelos londrinos e outros. Os caras realmente são ótimos e o seu texto, pontual, dá um grande ganho ao som, rssss......mas é tudo isso mesmo, indie, folk, afrika e rock. Uma banda muito original e diferente, esse já é um dos melhores lançamentos do ano, tem muitos legais, Racounters, Nick Cave, Portshied, B`52, vários.....
23 Apr, 2008 às 6:06 PM Excelente matéria de um grupo novo que com certeza vai ser um dos melhores, é sim art rock e os caras tem consistência. Li um comentário no blog do grande kid vinil e ele tem uma opinião igual a sua e destaca o diferencial do Vampire Weekend. Entre muitos blefes e bandas fracas as vezes aparece umas realmente boas como o Racounters e os Vampiros. O disco é sensacional e coeso, eles não são nada bobos e deslumbrados, mas sérios e profissionais.
24 Apr, 2008 às 10:02 AM Na minha opinião o Vampire Weekend tem um futuro garantido na música. Seu som é diferente e a percussão lembra o som da África do Sul, Johnny Clegg e essas praias. Hoje em dia buscar (e conseguir) uma sonoridade diferente da mesmisse que impera mo rock é uma grande qualidade e proeza. É o que faz a diferença e coloca uma banda em destaque na questão da arte, como acontece quando bandas criam uma linguagem própria e obtem personalidade. Essa personalidade para os caras vem da pesquisa e de um som pensado, bem pensado e bem feito. É o tipo de disco que já coloca expectativa no segundo disco.
24 Apr, 2008 às 1:14 PM É a black music, a velha africa voltando a mudar a música......
24 Apr, 2008 às 2:34 PM Dei uma olhada no myspce dos caras e no site oficial e estão bombando, de agenda cheia e participando dos melhores festivais, tipo Coachela. Produtores brasileiros, atenção porque já queremos ver sangue aqui no país. Quero ver ao vivo!!!!
abração e ótima coluna
24 Apr, 2008 às 2:37 PM Tudo o que li dessa banda é bom e positivo, mas baixei e ainda não consegui entender bem. Ela não tem as guitarras que você tanto defende, e eu também gosto. Mas soa simpática..tenho que ouvir mais.
24 Apr, 2008 às 9:38 PM Mestre Dum! Ótima dica! Agora que estou parando um pouco de ouvir o In Rainbows "dos caras", vou começar a ouvir Vampire Weekend no dia a dia.
Abs
25 Apr, 2008 às 5:59 PM Muito interessante o som dos caras mesmo, existe pesquisa e espontaneidade de monte. É um caminho diferente no rol de montes de grupos que se repetem ao extremo numa mesmice sem fim. Eles estão bombamdo mesmo tocando em todos os lugares, inclusive no NME Awards. Foi uma ótima escolha sua. Adorei o blog e a variedade de assuntos e enfoques.
26 Apr, 2008 às 12:32 PM Jacula inevitavelmente vai adorar seus conterrâneos e seguidores. Gostei do disco e até afirmo que é pra ouvidos mais apurados e conehcedores. Tem muitos detalhes e sonoridades muito bem trabalhadas, detonantes mesmo. Concordo que já é candidato as listas dos melhores discos do ano.
28 Apr, 2008 às 8:34 PM Olá, Dum! Tudo bem?
Ai, que bom ainda há jornalistas como você, que faz um trabalho de alta qualidade e realmente informativo!
Adorável!!!
Beijo
Mary Jane.
28 Apr, 2008 às 9:17 PM Vc faz o feijao com arroz perfeito, mas parece que isso acontece so quando esta irado. Boa materia.
Coca Zero.
2 May, 2008 às 4:43 PM Gostei bastante do som dos caras. É bem amarrado e feito com destreza, bem consciente.