A maioria das bandas nascidas após o Grunge (fim dos 80 e começo dos 90) - que produziu bons grupos como Mudhoney, Nirvana, Soudgarden, Pearl Jam, Green River, Hole, L7, Dinosaur Jr., entre outros - mergulharam no conceito do indie. Ser indie, hoje, não significa apenas ser alternativo, mas virou um estilo musical. E, esse indie, é, nada mais nada menos, o pós punk que se perpetua engessado há 30 anos, se repetindo numa mesmice sem fim. Formar um grupo de rock, tocar e lançar discos, ficou mais fácil e acessível. A banda inglesa Bloc Party, surgida em 2002, em Essex, Inglaterra, é um exemplo nítido disso. Seu primeiro trabalho, "Silent Alarm", 2005, foi influenciado pelo rock pretensamente grandioso do U2, e por boas bandas como o Sonic Youth, The Cure e Joy Division. O disco, com canções atmosféricas como "Banquet", "Blue Light", "Este Modern Love", já mostrava a vocação do BP para a tensão e a tristeza. Uma característica que colocou o grupo como um dos principais de uma vertente conhecida como "novo rock". O vocalista, compositor e guitarrista Kele Okereke, Russell Lissack, guitarrista, Matt Tong, baterista e Gordon Moakes, baixista, dois anos depois da estréia, colocaram no mercado "A Weekend In The City", que seguiu o rumo do primeiro. Sombrio e com temas obscuros. Um espelho do mundo real, mas, para mim, sempre faltou o principal. Música de qualidade, novidade, inventividade.
mercury
"Intimacy", o terceiro trabalho do Bloc Party, que já rola na rede e estará disponível fisicamente em outubro, segue o mesmo ritual dos anteriores, mas piorado. Uma reflexão introspectiva sobre a angústia dos tempos atuais, transmitida por uma atmosfera pesada nas músicas. Muito pouco para um grupo que parece ter a ambição de sair da vala comum das inúmeras bandas que surgem hoje, e somem depois de alguns discos iguais e umas poucas canções conhecidas. O que falta, basicamente, além de personalidade e de uma linguagem que os identifique, é sair do lugar comum desse pós punk inanimado. Lá estão o peso e as batidas eletrônicas que os produtores Jacknife Lee (U2, REM) e Paul Epworth colocaram na banda. O disco começa com "Ares", que tem uma guitarra distorcida e uma batera quebrada. Nada de novo. Depois, na mesma canção, vem um vocalzinho mais light, como se fosse um salto do inferno ao céu. Grupos como Leibach, nos 80, faziam melhor, ou mesmo o pesado Ministry. "Mercury" é bem eletrônica, meio desesperado o vocal, mas soa igual a muitas outras bandas. É pretensamente afro, mas para mim é um sampler bem simples, apenas. Na seqüência vem "Halo", um pós punk igualzinho a tantas de tantos grupos, ou não? Contudo, cairia bem em uma pista.

E o Bloc Party segue com "Biko" - mais uma homenagem ao líder negro. Legalzinha, é o momento calmo do Cd. Mais samplers e batidas eletrônicas. Um recurso que poderia servir de apoio, porém é um abuso mal utilizado em Intimacy, me passa falta de outras competências e uma linguagem pasteurizada, meio que sem sentido. "Trojan Horse" - uma praga que detona HDs - segue na mesma linha. Batidas repetitivas e guitarras texturizadas na maior parte e que, a mim, incomodam. Mas, nela também existe vida e um verdadeiro solo de guitarra sintetizada, que, mesmo sem criatividade, dá um diferencial a música. "Signs", com seus sininhos (provavelmente sintetizados), tem um clima legal e calmo, fica bem melhor do que o barulho às vezes non sense da banda. Na letra, romântica e introspectiva - "eu podia dormir para sempre nestes dias / porque nos meus sonhos eu te vejo outra vez" - Kele Okereke mostra a melhor pegada de sua literatura. Ele passa uma quase obsessão esperançosa pelo amor, a seu modo, claro. A música, com um belo teclado na sua terceira parte, tem ecos de prog. Depois, "One Mounth Off" flerta, de leve, com um comedido experimentalismo no ritmo e no coro, e leva um discreto solinho de guitarra.
Em "Zepherus" rola a entediante batida eletrônica e um coro pretensamente gregoriano - quem já foi ao mosteiro de São Bento em SP ou viu na Europa sabe que não é bem isso. Na real, é um coral de vozes sacras, mas não dá época gregoriana. E tem "Better Than Heaven" e "Ion Square", ancoradas em bases eletrônicas e com desfechos um pouco grande eloqüentes, mas na medida, sem serem piegas. A primeira tem um boa malha de guitarras, porém, sempre texturizadas por pedais, que parece ser o melhor recurso de Russell Lissack. A segunda parece U2. E por ai caminha o Bloc Party. O disco em si não é ruim, é mediano, como os que produzem a maioria dos grupos, tipo "Viva La Vida or Death", do Coldplay, que pegou mal tentando imitar o U2, talvez influência do produtor Brian Eno - por sinal excelente, mas que não funcionou dessa vez. Entretanto, o maior problema de "Intimacy", além da limitação dos músicos em pilotar seus instrumentos - apesar da honestidade, boa vontade e tal, é a falta de uma faixa de impacto no disco. Poderemos ver o grupo no Brasil em outubro no VMB 2008, e no festival Planeta Terra, em São Paulo, no dia 8 de novembro.


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2 Sep, 2008 às 12:13 PM Bem, também acho muito igual essa bandas novas, sem criatividade, vamos ouvir para avaliar.
2 Sep, 2008 às 2:40 PM Bloc Party apenas é o fruto de uma sociedade massificada que se referencia pelo consumo rápido e descartável. É sim o espelho do som que se produz atualmente, com pouca criatividade e muita repetição. Hoje em dia as pessoas possuem menos reflexão mesmo, sem dúvida. Boa matéria, bem escrita.
2 Sep, 2008 às 3:12 PM Gostei muito da forma objetiva e consciente como o tema falta de criatividade e pasteurização do rock foi abordado exemplificado em uma banda, no caso o Bloc Party. Sem se deixar levar pelos hypes e a falta de relevância dos músicos, que apesar de bem intencionados tem um limite, que é o próprio limite do mundo moderno. Apesar de seu ótimo texto, só discordo dobre o U2, que acho um grupo muito bom.
2 Sep, 2008 às 5:51 PM Eu gosto de Bloc Party, mas achei bem mais lúcida no contexto geral sue enfoque do que outros. Não é tão ruim, mas muito menos tudo isso que querem fazer parecer. Baixei do soulseek a uma semana e me soou fraco, um arremedo sem novidade, lugar comum de si mesmo. Uma pena para uma banda que prometia em seu primeiro trabalho lançar um disco tão sem rumo.
2 Sep, 2008 às 10:14 PM Escreveu completamente no que eu penso em relação a estas bandas hypadas do rock moderno.
Enfim, hoje em um lançamento de cd de uma banda qualquer, como os Bloc Party`s da vida, temos 3 ou 4 músicas bacanas, e outras só pra completar o álbum. É raro encontrar um grande álbum, atualmente.
E nisso, é melhor corrre atrás das boas referências, vale muito mais a pena.
3 Sep, 2008 às 1:38 AM "o novo bloc party é o espelho do novo rock"
O velho Dr. Adib Jatene volta a criticar sem muito entusiasmo mais essa fracassada tentativa de provocar artificialmente as consciencias mais jovens e sem filtragens com pseudo-hypes; mas, por instinto já perceberam que é apenas um hip hop edulcorado, que merece apenas a referencia de um cardiologistça asteca.
Mais uma baba sem rosto buscando o topo das paradas .
Gostei da posição em relação a esses que tomou John Lydon, se eles tentarem , põe pra correr...
Run, Bloc Party, Run e ainda mais com esse De Volta ao Planeta dos Macacos, para simular que estão sendo chamados.
Bons Tempos aqueles do Don Letts,que filmava musicos reais e não esses pastiches que de tempos em tempos tentam impingir aos medio consumidores.
-Fuja disso, prefira um check-up no Incor que vale mais a pena!!!
3 Sep, 2008 às 11:20 AM Parece que existem jornalista que sabem ler melhor uma banda e o rock, como você. Hypes fora de hora e sem qualidade já deram o que tinham que dar. O Bloc Party é sem dúvida um exemplo nítido disso, como foi muito bem posto no seu texto, aliás parabéns pela lucidez. Com certeza sua visão de música é bem ampla e realista. Chega de bandas que tentam sobreviver com uma ou duas boas músicas e só. O que mais dá pena é ver a maioria indo no papo furado e na falta de critério, e de cultura musical, de alguns jornalistas, o que não é o seu caso, claro. Ótimo texto para desmistificar essa baboseira de indie que detona a qualidade em prol do consumo idiota.
3 Sep, 2008 às 11:36 AM Sensacional, desmistificante e um soco na cara com classe, sem xingar ou agredir, isso é jornalismo.
4 Sep, 2008 às 9:58 AM Eu gostei do disco, apesar de não ser nenhuma obra prima de outro mundo. Estava sentindo falta do Bloc e fiquei satisfeito apesar de ser obrigada a concordar com uma certa limitação da banda em termos musicais. Tenho minhas dúvidas sobre o engessamento do pós punk, é conversa pra uma tese...
4 Sep, 2008 às 11:17 AM Como sempre, uma aula de rock, de música e visão histórica.
Parabens pelo novo Blog.
Abraços
4 Sep, 2008 às 3:38 PM Dum, em minha opinião o que rola é a pobreza do som das bandas indies, que também acho que é o pós punk se repetindo. O Bloc Party é apenas um espelho da cena,que parece estar em um labirinto. Claro que temos grandes excessões, como White Stripes, mas Jack White é diferente e tem essa linguagem e personalidade próprias que você destaca faltarem nos grupos de hoje. O enigma é qualidade, ou a falta dela. Quem tem mais referências e cultura musical e um nível de exigência mais amplo não engole babas, como bem disse o Dr. Adib.
4 Sep, 2008 às 3:41 PM Dessa vez vou discordar de você, pois adoro algumas bandas novas e é provável que adore esse CD. Mesmo porque gosto do grupo e pretendo ir a SP só para ver os caras.
beijo
5 Sep, 2008 às 12:37 PM Dum, ridículo o que seu "colega" de blog fez. Só mesmo uma mente deteriorada pelo mundo infeliz da eterna adolescência, onde a teimosia e o ego são mestres, poderia escrever tanta baboseira. Ele diz que tem o direito de opinar mas faz exatamente ao contrário quando você, baseado em argumentos beeeem mais consistentes, emite sua opinião. Só que, criticando o que o cara tanto idolatra, mexe com um ego doente. O me parece é que o nível de exigência musical desse jornalista é bem rala. Achar o medianíssimo Bloc Party uma banda boa é distorcido. Mas o pior é postar e ser tão torpe, agressivo e inconseqüente, inclusive arranhando a imagem do site. Você sabe bem, porque trabalhamos juntos, que em qualquer veículo de comunicação ele seria deslustrado, extirpado, como já foi em todos os lugares onde passou, pelo que dizem no nosso meio. Na verdade os leitores não são bobos, pelo menos a maioria, e sabem perceber quem é quem nessa onda. Me lembro o que o querido Abujanra falava em nosso tempo da TV Cultura - desinfeta capeta.
abração
5 Sep, 2008 às 12:45 PM Só dando risada do infeliz ao lado. Bloc Party fodaço!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Nem Moe, Larry e Shemp entrariam nessa.
5 Sep, 2008 às 5:35 PM Dez a zero pra você, o Bloc Party, assim como muitas, a maioria das bandas indies são ruins. Que idiotice chamar música boa de velhusca. Só mesmo um sem chão para escrever merda. Então Dali e Picasso são ruins? Quem manda ele tentar dar uma de obudsman sem argumetno? Sua resposta foi classuda e matou.
5 Sep, 2008 às 6:18 PM Dr. Jatene, Don Letts sim sabia das coisas. Aproveito seu excelente gancho para dar a filmografia do cara.
1. George Clinton: Tales of Dr Funkenstein (2006) (TV)
2. The Right Spectacle: The Very Best of Elvis Costello - The Videos (2005) (V)
3. Punk: Attitude (2005) (TV)
4. Making of 'London Calling': The Last Testament (2004) (V)
5. London Calling: 25th Anniversary Edition (2004) (V) (film segment director)
6. One Love (2003)
7. The Essential Clash (2003) (V)
8. The Pretenders: Greatest Hits (2000) (V) (video "Back on the Chain Gang")
9. The Clash: Westway to the World (2000) (V)
10. Dancehall Queen (1997)
11. Dancing in the Streets (1997) (TV)
12. Pretenders: The Singles (1988) (V) (video "Back on the Chain Gang")
13. The Punk Rock Movie (1978)
... aka The Punk Rock Movie from England (USA)
Actor:
* 2000s
* 1990s
* 1980s
1. You're Gonna Wake Up One Morning (2003) .... Hit Man 2
2. Gummed Labels (1992) (TV) .... Elvis
3. Midnight Breaks (1990) .... Marco
4. Midnite Breaks (1986) .... Tyrone
5. The King of Comedy (1982) (as Dom Letts) .... Street Scum
Soundtrack:
* 1990s
* 1980s
1. Flashback (1990) ("C'mon Every Beatbox")
2. Something Wild (1986) (writer: "Medicine Show")
3. Ferris Bueller's Day Off (1986) (writer: "Bad")
Writer:
* 2000s
* 1990s
1. Punk: Attitude (2005) (TV) (writer)
2. Dancehall Queen (1997) (writer)
Editor:
1. Bob Marley: The Legend Live (2003) (V)
... aka Bob Marley: Live in Santa Barbara
Cinematographer:
1. The Punk Rock Movie (1978)
... aka The Punk Rock Movie from England (USA)
Self:
* 2000s
* 1990s
1. "Good News Week" .... Himself (1 episode, 2008)
- Episode #6.11 (2008) TV episode .... Himself
2. Dub Echoes (2007) .... Himself
3. The Clash: Music in Review (2007) (V) .... Himself
4. Içinden sehir geçen festival (2007) .... Himself
... aka A City Runs Through the Festival (International: English title)
5. Joe Strummer: The Future Is Unwritten (2007) .... Himself
... aka Strummer (International: English title: informal short title)
... aka Strummer: The Future Is Unwritten (Australia: poster title)
6. The Story of Punk (2006) (TV) .... Himself
7. Clash: Up Close and Personal (2006) (V) .... Himself
8. The Clash: The Clash's London Calling (2006) (V) .... Himself
9. "The Wright Stuff" .... Himself - Guest Panelist (1 episode, 2005)
- Episode dated 13 October 2005 (2005) TV episode .... Himself - Guest Panelist
10. New York Doll (2005) .... Himself
11. We Are Family (2003) (TV) .... Himself
12. "The Punk Years" (2002) TV series .... Himself
13. "Sex, Drugs & Ruck 'n' Roll" (2002) TV series .... Himself
14. "I Love 1980's" .... Himself (2 episodes, 2001)
- I Love 1985 (2001) TV episode .... Himself
- I Love 1982 (2001) TV episode
15. The Pretenders: Greatest Hits (2000) (V) .... Himself (segment "No Turn Left Unstoned")
16. Cannabis - Une plante entre le bien et le mal, Le (1996) (TV) .... Himself
17. No Turn Left Unstoned (1995) (TV) .... Himself
18. The History of Rock 'N' Roll, Vol. 9 (1995) (TV) .... Himself
... aka Punk
6 Sep, 2008 às 5:01 PM Bem, como alguém retirou meu post talvez por motivos são vocês do site do saibam, mando de novo. O que acho é que as bandas indies são muito frufru, garotos cheirando a talco e cheio de não me toque. Muita pose e pouco som. Onde estão a atitude, as guitarras, a qualidade. São preguiçosos e talvez por causa das facilidades que hoje tem para formar uma banda e sair tocando. O Bloc Party se encaixa nesse time. É ruim, fraco, tosco, é mesmo o indie chato.
9 Sep, 2008 às 9:26 AM Mas que briga boba tratado-se de dois jornalistas ótimos. Casa um tem a sua posição e pronto. Mas que o Bloc Party é ruinzinho é.
10 Sep, 2008 às 2:52 PM Não gosto de bandas novas,em geral, vou conferir esse CD porque causou polêmica e me tentou. Me baseando na matéria me inclino a ouvir com ouvidos mais do que atentos.
12 Sep, 2008 às 11:29 AM Bloc Party, Hives, e outras, todas quase muito iguais e sem algo que as diferencie na alma.
15 Sep, 2008 às 7:33 PM Não sei onde meu pai viu hip-hop nesse Bloc Party, talvez só algumas bases , mas está muito edulcorado de pop-rock; mas 26 de Setembro vai rolar em Marbehan (BE), o Hop 'N' Roll, no Bois des Isles, com o Front 242 de headline e com a presença do Metro alem de outras bandas do new-rock , aí sim , nós vamos ver!!!
Valeu Dum, pelo Don Letts Festival, cara, que retrospectiva, isso sim é real, com musicos reais, converte todos os arquivos eletronicos . Valew!!!
17 Sep, 2008 às 1:44 PM Não poderia ser diferente Jatene Jr. Seu pai sabe das coisas, músicos reais sob a lente de quem sabe. Don Letts amordaça e cala os Blocs da vida.