the day the neves comes
O Metallica está de volta. Após lançar os inconstantes e duvidosos "Load" -1996-, "Reload" -1997 e "St. Anger" -2003-, o grupo chega com "Death Magnetic", um trabalho com pegada e grandes riffs, como aqueles que caracterizaram sua carreira e que grande parte dos grupos imitou. Quando surgiu para o mundo do rock, no começo dos anos 1980, o Metallica mudou o conceito do metal produzindo clássicos como "Kill 'em All" -1983-, "Ride the Lightning" -1984, "Master of Puppets" -1986-, "...And Justice For All" -1988 - e "Metallica" -1991-, mais conhecido como o black álbum. Sua música ampliou o limite do trash, elevando a velocidade e o volume do som. Para mim, a raiz essencial da música do Metallica é o metal punk, também bem representado por grupos como GBH, Exploited, Broken Bones e Discharge, por exemplo. Alguns "detalhes" foram fundamentais para a melhor banda de metal do planeta voltar a velha e magnífica forma: uma batera de verdade, avassaladora, com bumbos duplos vorazes e demolidores; solos de guitarra bem construídos, criativos e bem idealizados; músicas mais longas (a menor tem 6:25min) e trabalhadas com variações e detalhes. Além disso, o produtor é Rick Rubin, que não deixa dúvidas.

Kirk Hammett, um dos guitarristas mais copiados do metal, James Hetfield, vocal e guitarra, Lars Ulrich, batera chamado de thunder (trovão) e o baixista Robert Trujillo, voltaram ao passado produzindo um som rápido, distorcido e agressivo. Um metal verdadeiro, um "novo metal" em contraposição a experimentos e chatices como Linkin Park, Korn, Slipknot e outros enganos. "Death Magnetic" inicia em grande estilo com "That Was Just Your Life", uma pedrada que começa com uma guitarra leve e introdução super bem realizada na quebradeira de bateria. Depois vem a avalanche do peso metal que se alterna com intensas levadas de hardcore, especialmente na rapidez da bateria. A canção vai se elevando com consistência sobre um baixo muito bem groveado. E um solo perfeito para o contexto de um metal sem erros. A segunda, "The End of Line", tem a introdução característica do punk. Batera forte e marcada, veloz. Ai vem um poderoso riff de guitarra e muitas variações de ritmos e andamentos. James canta como tem que fazer, bem posto, nas letras acima da média do mundo metal. A batera é fodaça, de verdade, bumbos duplos em profusão. Nada de frescuras ou poses, mas sim a atitude explicitamente rock and roll. Uma faixa sensacional que faz a gente ter até dó de grupos fifis. Em "Broken Beat and Scarred" a demolição continua. Início, bumbos duplos e variações de guitarras muito criativas, solos rápidos, quase voadores.
enter sandman
"Death Magnetic" é violento. Mas uma violência do bem, da música real, vital, aquela que existe sem terninhos modernos ou bases eletrônicas sem rumo. É como se a ferocidade de "Battery", ou de "The Frayed Ends of Sanity", dos anos 1980, ganhassem uma roupagem mais contemporânea, mais atual. A quase balada "The Day That Never Comes" é a mais branda do disco. Triste, ela desnuda as guerras com um critica sutil. Empurre para o outro lado/Apenas permaneça agachado desta vez/Escondido dentro de si/Rastejando dentro de si/Sua hora chegará/Deus, eu os farei pagar/Uma revanche um dia/Eu terminarei este dia/Eu derramarei cor neste cinza. Nela, uma base de guitarra ancora uma intensa gama de alternâncias e viradas de bateria. A segunda parte da música flerta com um hard rock mais pesado, é a versatilidade do Metallica né! Ai entram as duas guitarras em escalada, que lembram Thin Lizzy e Iron. Realmente Rick Rubin e os músicos estavam a fim de causar e buscar algo novo no metal, o que parecia ser difícil de rolar. A grande variedade de sons e nuances, detalhes e arranjos é impactante e fatal.
A quinta faixa, "All Nightmare Long", na verdade, é um pesadelo para os amantes de guitarras chatas e texturizadas. Cai mais para o metal punk no começo e desembarca num quase crossover demolidor. As duas guitarras, entremeadas em solos rápidos, a bateria desconstruida, e o baixo pulsante, alinham-se todos em solo único, em um instante X da canção. É difícil dizer isso num álbum tão surpreendente, mas "All Nightmare Long" pode ser a melhor música de uma obra de primeira. Um piano inicia "The Unforgiven III", a canção que mais se aproxima de balada. Junto com a bateria, que caminha por cima do piano, chegam o peso do baixo e as guitarras. Analisar todas as músicas de "Death Magnetic" pode acabar sendo redundante. Na verdade, a banda tem um grande mérito ao produzir um disco consistente do começo ao fim. Sem espaços ou buracos. Uma parede sonora de grande poder, um bomber arrasa quarteirão. "Cyanede", "The Judas Kiss", "Suicide and Redemption" e "My Apocalipse" mantêm o punch do disco. O Metallica voltou. Direto para o passado, criando um metal, mais uma vez diferente, criativo e voltado ao futuro.
master of puppets


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20 Sep, 2008 às 5:33 PM METALLICA É MESMO DO CARALHO !!!!!!!!!
Nada é melhor que um metal bem pesado.........
Beijos
20 Sep, 2008 às 6:15 PM É ótimo ver que o Metallica enfim manda ver um disco sensacional e pesado, acabando com o meio metal que estava fazendo. Que venha a tour no brasil.
21 Sep, 2008 às 9:27 AM Metallica deu a volta por cima retornando aos seu som antural,muito peso e velocidade. O novo disco é muito bom mesmo, e a influência de punk tem a ver mais com a bateria e a velocidade em algumas partes das músicas. Mas o metal ainda é a caracteristica mais marcante, pesadão.
21 Sep, 2008 às 9:39 AM Depois de 3 discos fracos caíram na real. Vão ganhar muita grana e com certeza é show para um estádio. Já fiz o dowload e fiquei impressionado com a variedade de repertório da banda. Rick Rubin é muito bom e fez o disco de metal do ano.
21 Sep, 2008 às 11:19 AM Metalica sempre é Metalica, mesmo os discos que você disse que são ruins eu gosto. Esse novo pelo seu ótimo texto deve ser mesmo um bombardeio. Rock!!!!!!
22 Sep, 2008 às 9:37 AM Essa volta as origens demonstra que o Metallica tem pleno domínio de sua carreira. Eles não são nada bobos e entenderam o que os fãs estavam esperando. Não sei bem o quanto a origem do punk rock ressoou nesse metal ultra pesado, mas é correto que a bateria tem muito de punk dos anos 80, mas eu colacaria nesse saco Slayer e Antrax.
22 Sep, 2008 às 2:37 PM Discasso esse, voltaram com tudo para arrasar e mostrar quem são os melhores do metal.
22 Sep, 2008 às 5:12 PM Kirk Hammett e sua turma provaram mais uma vez que o rock se faz com guitarras nervosas e uma furia nata. Ao contrário dos modismos que não duram 2 discos bons, ou um ótimo e nada mais, o M. se eterniza na história do rock and roll autêntico. Dum, Death Magnetic, só lembrando o post anterior, é a antítese do Intimancy. É fácil perceber a diferença seminal entre o bom e o ruim.
22 Sep, 2008 às 6:08 PM Só uma observação , bem concernente ao tema de abertura, Caro Dum; Metal Punk é Venom em titulo , faixa e volume, esse ultimo fisicamente lançado na Suiça, como compilação.
Já muitos jovens disseram uma vez e creio que vale para sempre , Eu nunca pensaria em passar o resto da minha vida curtindo Metallica ou Venom, preferelmente Venom.
"À PRIMAVERA NEGRA" , que apenas começa. Black Springtime, à nossa Saude!!!
23 Sep, 2008 às 8:40 AM Claro Jatene Jr, eu também nunca pensaria em curtir Metallica o resto da vida, por isso ainda transito entre Electric Prunes e Racounters.
abraço
23 Sep, 2008 às 11:14 AM Metallica não é metal punk, tem influências na bateria de punk. Aliás para mim eles estragaram o punk quando colocaram o metal com uma coisa meio hardocore. Não acho que ficou muito legal, bom....gosto de punk rock mais ao estilo Rattus e Varukers. Porrada total nos ouvidos.
23 Sep, 2008 às 3:04 PM Se algumas bandas se esquecem do rock com certeza o Metallica não é uma delas. Sensacional esse DM. Pesadão e detonador, põe no chinelo as criançadas ponposas do indie irregular e sem atitude. Com certeza será o show do ano em 2009, junto com o esperado Racouters.
23 Sep, 2008 às 7:50 PM Dum, os jovens que afirmaram isso lançaram as fundações do Black Metal Noruegues, foram eles Mayhem, Immortal, Burzum, Old Funeral, Dark Throne,
Emperor, Satyricon, Gorgoroth e tantos outros que se tornaram o True Norwegian Black Metal.
Quer dizer entre Metallica e Venom, apenas Venom,
mas recriaram o estilo e muito ainda se desenrolou entre Dead Can Dance e Das Ich...
No ocaso desse pop estaria a muda entre The Verve, que tantos não gostaram e I am the Woodstar , remixes de Oasis, like Chicago Sessions within The Chemical Brothers.
Muito embora preferivelmente , numa corrigenda ainda
seja muito mais ligado ao Front 242, Alien Sex Fiend,
The Cure, Christian Death, e o Mestre Rex Anthony.
Do Death ao Black e do Pop ao Future
24 Sep, 2008 às 2:08 PM Quando vi o primeiro show do Metallica fiquei paralisado por umas duas músicas. Totalmente hipnotizado pela massa sonora, fiquei fazão deles e com certeza faço questão de comprar o cd físico pra minha coleção.
24 Sep, 2008 às 4:15 PM Matallica nunca me agradou justamente pelo peso e violência. Mas confesso que seu texto me instigou a dar uma fuçada no limeware a procura do disco. Vamos conferir!!
beijo e parabéns pelo texto preciso, apesar de eu não curtir os caras.
25 Sep, 2008 às 10:01 AM Dum, você talvez já tenha lido isso que saiu no site do NME:
Metallica fans have been complaining about the quality of the CD recording of the band's new album, 'Death Magnetic', with many saying the version available on the 'Guitar Hero' computer game is better.
Será mesmo que o som do guitar hero está melhor do que o do CD físico?
25 Sep, 2008 às 2:13 PM Real rock´n´roll rides again!!!! Graças aos Deuses do metal eles voltaram.
25 Sep, 2008 às 2:19 PM Décio, eu já havia lido sim sobre isso no site do NME. Não sei se o som do game é melhor do que o do cd, e pra falar a verdade pra mim não faz diferença. O som do meu arquivo mp3 está ótimo. abraço.
25 Sep, 2008 às 3:47 PM Com certeza este é o melhor album deles desde o "black album", e para mim parece com uma mistura do ...And Justice for All, "Black Album" e umas pitadas de St Anger, principalmente, em alguns riffs e passagens no meio de algumas músicas (All Nightmare Long, por exemplo). A única ressalva, para mim, é a mixagem que "embola" as guitarras as vezes e também o som da bateria, sem contar que o baixo está muito baixo (com perdão ao trocadilho)...
Comprei inclusive o cd e com certeza é um dos melhores do ano mesmo com as ressalvas acima.
26 Sep, 2008 às 10:08 AM Essa polêmica da mixagem embolada do Cd também constatei. Até fizeram um fórum para discutir se o som do game e melhor do que o do cd. Mas o disco é tão bom que passa batido um detalhe técnico. Chego a pensar que as guitarras, como até você citou no texto, solam ao mesmo tempo e se misturam propositalmente.
26 Sep, 2008 às 3:04 PM Deveríamos por o chatissimo Marcelo Camelo preso a uma cadeira e com fones nos ouvidos com Death Magnetic no talo......rss, que maldade, mas ele merece!
27 Sep, 2008 às 4:11 PM Metal é Motörhead, Metallica é apenas metaloide!!!