Dynamite

O documentário It Might Get Loud mostra Page, White e The Edge

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Junte no mesmo caldeirão os guitarristas Jack White (White Stripes e Racounters), Jimmy Page (Led Zeppelin), The Edge (U2) e o cineasta David Guggenheim - diretor de "Uma Verdade Inconveniente" - e o resultado é o documentário "It Might Get Loud", que tem estréia marcada setembro. Será exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto, que rola entre 03 e 14 de setembro, no Canadá. Não há previsão para lançamento comercial do documentário. O filme mostra os três artistas, de épocas e técnicas diferentes, explicando como desenvolveram suas formas de tocar. Básico. A relação entre os músicos e a guitarra, o instrumento símbolo do rock and roll, a síntese e criação de cada um deles, é contada em depoimentos e demonstrações. The Edge, por exemplo, que apesar de ser um guitarrista repetitivo e até monótono, tem como mérito ter sido o primeiro a tocar de forma texturizada, que serviu de inspiração e influência para inúmeros guitarristas de bandas como Coldplay, The Killers e outras do gênero. Ou seja, apesar de faltar criatividade, solos viscerais e inventivos, The Edge forjou uma linguagem de guitarra nova e inédita na época. Pessoalmente, acho que existem mais de 50 guitarristas melhores que Edge, e que, com certeza, saberiam explicar melhor do que ele. "Bem, faço guitarra-ritmo e a coisa vai andando", diz ele no documentário.                                                                     

                                                     

 Em "It Might Get Loud", Jack White deixa claro porque é um grande músico e um excelente guitarrista. No White Stripes, suas intervenções curtas e cirúrgicas soam letais e sempre bem postas no contexto da música. Nunca em excesso e sempre na medida certa. Jack, bem melhor do que The Edge soube dizer como a guitarra mudou sua vida, trazendo a tona toda sua sensibilidade estética e artística. Ele diz que, por exemplo, no Racounters, um grupo mais setentista, pode explorar mais os solos tão renegados pelos guitarristas limitados das bandas indies de hoje - essa é uma observação minha. Jimmy Page é um músico a parte. O guitarrista. Completo e autor dos melhores e mais perfeitos riffs da história do rock, como por exemplo, na canção "Whole Lotta Love", do Led II, que tocou na cerimônia de encerramento da Olimpíada de Pequim. Ele é tão relevante quanto Hendrix, Clapton e Jeff Beck. Inspirador de algumas gerações de guitarristas, Page é o que chamo de a síntese de um guitarrista perfeito. Sola como ninguém, virtuoso, rápido, detona suas notas limpas em profusão avassaladora, constroe harmonias ímpares e é melódico. Sabe ser temático, romântico no blues e poderoso nos hards arrasa quarteirão. Vamos esperar que o filme logo, ao menos, em breve, já esteja disponível em algum site como o mininova ou o arapa rock motor.    

 

                                           

 

 

36 respostas para “O documentário It Might Get Loud mostra Page, White e The Edge”

  1. Catarina Disse:
    Afinal a coluna voltou e com uma excelente matéria. Fora os hackers!!!
  2. Andre Disse:
    Com certeza o Edge não merecia estar no documentário, mas fazer o que se existe também o apelo comercial? Fiquei afim de ver, será que vai passar aqui no Brasil?
  3. Elisa Disse:
    Que coisa tenebrosa esses hackers que não têm mais o que fazer importunando quem quer trabalhar e passar informações preciosas. Senti falta do seu texto e esse está sensacional. Concordo com sua observação sobre o Edge, poderia ser o Satriani, o Vai, enfim, existem muitos mais fodões que ele.
  4. Silvia Disse:
    Muito bom Dum. Li sobre o filme em outros blogs e sites, mas você consegui dar um toque pessoal, como sempre. Será que chega aqui esse filme? Nem o Neil Young veio!!! Um beijo e morte aos hackers!!!
  5. Cris Boka de Morango Disse:
    Hackers...só se fosse pra invadir o cérebro desses excelentes guitarristas e conseguir pelo menos 1% de tanta genialidade, principalmente o Page, meu favorito absoluto (sem contar o unânime Hendrix,claro)estou ansiosa para assistir esse documentário,tomara que chegue aqui em "terras brasilis" para podermos compartilhar dessas informações sempre muito bem vindas para quem curte, ou para quem toca e pretende se tornar um "guitar man", ou uma "guitar woman", por que não? rs...
    Dum...muita inspiração pra vc sempre...a cada mês nos surpreende com aquele às na manga e traz nos seus textos novidades e um estilo único de escrita.
    Positive vibrations
  6. Heitor Castro Disse:
    JimmiPage é o mestre da guitarra e criador de estruturas e solos mais importantes da história do rock. Toca guitarra com arco de violino e introduziu GUITARRA DE DOIS BRAÇOS, tão esquecida hoje pela ineficiência dos enganadores indies. Grande filme, fora o Edge.
  7. Catarina Disse:
    Bacana esse filme, deu muita vontade de ver.
  8. Amadeu Disse:
    Realizar filmes ou documentários de rock, ou músicos, sempre soa meio complicado. A escolha, os méritos, todo contexto social que envolve o tema, como em Woodstock ou The Last Waltz, dois clássicos do gênero. Se não fosse pela credibilidade do diretor David Guggenheim com certeza essa doc. passaria a impressão de oportunista. A escolha de 3 guitarristas de gerações diferentes é um bom viés, mas existem tantos mestres guitarristas que a repulsão a The Edge se justifica. Por trás do arremedo de messias do rock, Bono, Edge inventou sim um jeito de tocar, mas um jeito sem muita criatividade e cheia de clichês, muito restrito e sem caminhos sonoros. Mas também, depois dos anos 80, exceto músicos de metal e os virtuosos Satriani, Vai, Malmestem, não existem bons guitarristas. Ou pelo menos algum que ouse a criar e tocar de forma diferente e com personalidade.

    abraço
  9. Richard Disse:
    Edge não tem criatividade? Piada do ano! Monótono? Outra piada... Ouçam todos os seus cds (inclusive o solo), tenho certeza que mudarão de opinião. Jimmy Page é outro guitarrista genial, único.

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