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Nine Inch Nails - ou Trent Reznor - acerta em The Slip

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Assim que o talentoso Trent Reznor disponibilizou, de graça, no site do Nine Inch Nails, o álbum The Slip, no inicio de maio, fiz o dowload do Cd e, depois de ouvir bastante, cheguei à conclusão que o disco é sensacional. Quem quiser baixar do site oficial é só ir em www.nin.com e mandar ver, inclusive com capa e encarte em PDF e dá pra escolher entre mp3, wave, wma, etc. Nas lojas em julho, inclusive em vinil. O trabalho não faz concessões. É exato, sem excessos ou espaços. Formata-se numa estética onde, mesmo nas partes mais calmas, pulsa uma doce construção tensa. É um álbum fácil de entender, apesar de ser artisticamente concebido, porque Reznor se mostra muito confiante em relação ao seu objetivo. Em The Slip, ele, com maestria, conduz seu som facilmente entre a melancolia e o barulho, deixando claro que é um cara inovador e consciente de sua arte. 

Nascido em 1965 na cidade de Mercer, EUA, Trent estudou música clássica, piano e sax, mas foi no rock industrial que achou seu lugar. Ao fundar o Nine Inch Nails, em 1989, percorreu um traço do metal para chegar ao peso exato e letal de hoje. Pode-se afirmar que o NIN é responsável por tornar o rock industrial um pouco mais "popular", conquistando uma grande legião de fãs, inclusive aqui no BR. O cara é a banda e a banda é o cara. Vocalista, produtor e multinstrumentista, posicionou sua música entre a pura desconstrução, e a estruturação melódica calcada em elementos eletrônicos. A principal característica da banda é a batida industrial eletrônica. Bem amparada por um piano quase clássico,  costurado por guitarras noise e vocais soturnos e provocativos. Contudo, por mais árido que possa soar o som do NIN, seu estilo, que explora com destreza a tecnologia, não esconde sua face humana e frágil. É nessa parte que as letras de Reznor aparecem, sempre reflexivas, um pouco obscuras e instintivas. Ao vivo, o crossover, a possessividade avalassadora do poder emanado da arte do músico, soa como um metal triplicado, o que trouxe para o lado da banda um exigente e fiel público.

                                                                     

Além de excelente músico, Trent também é bom em marketing. Após ter lançado "Ghosts I-IV", em março, uma epopéia com 36 músicas instrumentais sem nome, aproveita The Slip, de graça, para alavancar a turnê que começa no outono do hemisfério norte. Bem, The Slip é um trabalho consistente que mistura rock, noise, guitarras ensandecidas, ambiências soturnas e pianos melódicos. A primeira faixa, "999,999", tem 1:25 min e é a introdução industrial. Coladinha, a pesada e rocker "1,000,000", tem guitarras rasgadas e uma em noise que esfaqueia a bateria em fúria. De leve, me lembrou, Soundgarden do começo. Também, muita distorção e pedaleiras. "Letting You" começa com uma bateria sincopada e uma guitarra fervente, logo seguida pelo vocal tenso de Trent. Nessa parte percebo que o disco mixa muito bem o metal setentista com o industrial noise. A letra é clara - "the sky is painted black/the smoke pours out the stack/one hand upon your heart/one hand behind your back - e por ai vai. 

The Slip tem força e personalidade. Mostra que Trent está criando muito. "Discipline" até dá pra tocar em alguma rádio rock. Pena que quase nenhuma tenha essa coragem aqui. A música apoia-se em uma guitarra, tem toques de piano e solos bem colocados e precisos. É uma faixa muito boa e tem até um corinho pra compor a cena. A quarta canção, "Echoplex", é a típica música do NIN. Mas é até engraçado como parece que Trent, apesar da sua personalidade reclusa e misteriosa, captou influências de bandas novas (sem citações) nessa música. Mas, talvez ela precise de um remix. "Lighting in The Sky" é uma balada bem acomodada em um piano, que combina muito com a voz de Trent. Possui um instante de reflexão e beleza - "she´s mostly gone/some other place/i`m getting by/in other ways. Deu pra sentir o clima?. "Head Down" achei envolvente, distorção e vocal desesperado.

                                                                           
the slip  

"Corona Radiata" poderia ser a seqüência de ""Lighting in The Sky", se fosse um disco conceitual. Ela é instrumental e tem uma levada bem pinkfloydiana em sua melhor fase "Ummagguma".  Possui, da mesma forma, um q de Brain Eno e suas idéias espaciais. Canção forte. "The Four of Us are Dying" flerta com o trip hop e é repleta de climas densos e cinematográficos, graças as tramas de teclados enlaçadas por guitarras sutis e cirúrgicas. A faixa que encerra os 44 minutos de The Slip é a poderosa e agressiva  "Demon Seed", um rockão meio "Queen of Stone Age", só que bem melhorado. Nela, a voz de Trent está bem soturna, bem trabalhada por um bizarro tubo de distorção Metasonix. Guitarras em parede, profusão de noise. The Slip é um disco com uma força irresistível no qual  Reznor demonstra toda sua criatividade a serviço do bom rock, aquele que você vai lembra e escutar daqui há alguns anos. Muito diferente de grupos empolados - aqueles de terninhos que fazem um som eloqüente e sonolento - que povoam os hypes passageiros em tempos de consumo imediato.                                                                       

 

                                                     

      

                                                                  
 

  

 

8 respostas para “Nine Inch Nails - ou Trent Reznor - acerta em The Slip”

  1. Lisa Senter Disse:
    Um disco muito bom, o Trent está cada vez mais inspirado e inventivo. Um som bem diferente e dá de dez na maioria que saiu, fora Racounters.
  2. renata Disse:
    Trent Reznor é o cara que sempre faz aquilo em que crê sem dar bola pras modas da mídia e histórias como a melhor banda, ou a salvação do rock. Ele tem toda credibilidade e talento para experimentar e ousar sem abrir as pernas para a lamentável indústria fonográfica. Por isso mesmo é dono de seu nariz e tem um público fiel.
  3. Amadeu Disse:
    Nin é sem palavras, o show aqui no Brasil foi arrasador, uma motoserra. Já estou correndo atrás desse dowload que, baseando nas suas palavras deve ser mesmo duca. Pela amostra dos vídeos adorei a pegada.
  4. gabriel Disse:
    O maior mérito do genial Trent é não se vender as tendências do mercado e ainda incorporar novas tecnologias. Baixei the slip e achei um dos melhores disco do nin, muito bem feito e pesadão. legais os vídeos.
  5. luciana Khalil Disse:
    Dum, lembro do NIN que você me gravou em 2002 quando estive m Sampa. Até hoje ouço e ele me fez comprar outros e adorar a banda, uma das minhas preferidas junto com o Tool. Baixei o CD e é fantástico mesmo. Trent é Trent e terninhos são terninhos e cabelinhos..hehe

    beijo
  6. gabriela docinho Disse:
    NIN é a banda que se destaca no meio de tantas ruinzinhas. Bem que algum festival poderia pensar em traze-la de novo. Já que esse ano pode ser que tenha Racounters, Kaiser Chiefs, Hives, Muse e outras bandas legais. O blog está excelente, assim como todo o site. Parabéns a toda equipe dyna.
  7. colaborador Disse:
    Vários timbre e sons metálicos, guitarras típicas industriais alemãs, uma autêntica motoserra.......esse é o NIN.....uma síntese da desconstrução positiva.

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