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Neil Young, de novo salvando o rock

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                                               hit the road

                                                         

Neil Young, talvez o músico que melhor expresse a alma e a vitalidade do rock, está de volta com o Cd "Fork In The Road", provando sua incansável capacidade de produção. Young, de forma magnífica e furiosa, reitera sua importância para o mundo da arte com um trabalho que supera quase todos os lançamentos do ano, até agora. Do alto dos seus 64 anos, sempre fez da música um veículo de luta contra as guerras e outras formas de violência. Foi assim nos anos 1960/70 contra a guerra do Vietnã, nos anos 1990 e até hoje gritando contra as invasões no Iraque e Afeganistão, e agora, quando saca sua guitarra contra a crise mundial. Se antes criticava Bush, como em "Living With War" (que recebeu três indicações ao Grammy), de 2006, em "Fork In The Road" fez um Cd onde fala de ecologia, relações humanas e da crise econômica: "A ajuda está chegando, mas não é para você", canta na faixa título, um blues sujo que fala sobre pacote econômico do governo dos EUA de auxílio aos bancos e empresas. Com muita inspiração, o canadense lança um discasso, parecido com seus melhores, os dos anos 70.                                                                   

                                      

                                        when the world collide 

 Lenda do rock, o músico de raízes folk sempre transitou muito bem no rock, e até no hard. Clássicos como "Hey Hey, My My", "Helpless", "Rocking in The Free World", "Harvest Moon" e tantas outras, o colocaram constantemente no alto das listas dos melhores e lhe deram escopo para ser considerado um dos mais relevantes de todos os tempos. Sendo solo, ou nos grupos Buffalo Springfield e Crosby Stills, Nash & Young, moldou seu som de forma sólida, pesada e com conteúdo intimamente ligado ao contexto da época. "Fork In The Road" abre com a suja "When Worlds Collide", uma canção espessa, onde a voz anasalada de Young arregaça sua ira contra os esquemas que apenas favorecem aos ricos. No melhor estilo do rock clássico as guitarras interagem todo tempo. Uma bateria pesada abre "Fuel Line", um rock que espelha o espírito do disco: carros, porque durante a crise da indústria automobilística americana, uma das inspirações foi um projeto chamado LincolnVolt, ao qual Neil Young se dedica há algum tempo e tem o objetivo de transformar seu carro, um Lincoln Continental 1959 movido a gasolina, num carro elétrico.                                                                     

                                                 

                                                rockin in the free world

"Just Singing a Song" é sensacional, emocionante e, como uma autêntica balada youngiana, tem uma guitarra poderosa, que pega no estômago amparada pela letra - "canto as canções para mudar o mundo" - que talvez ele consiga fazer mesmo em doses reduzidas, mas com o coração. A variedade do rock de Neil Young, a forma como ele estrutura suas músicas, é exemplo para uma geração de músicos que parece atualmente perdida. Como bem questionou Humberto Finatti na zap `n`roll, o rock não morreu, mas carece de talentos que pulsem acima da pose e da fama, e se entreguem com amor pela música usando a criatividade. Em "Johnny Magic" a velocidade sobe e o rock come solto com simplicidade e voracidade. Um solo distorcido, uma das características marcantes de Young, arremata a revolta da gana das instituições financeiras e as joga na sarjeta. "Cough Up The Bucks" atesta toda a flexibilidade da grande gama de surpresas que vivem na mente do genial músico. Sincopada e escorada, sempre, em guitarras personificadas, prepara o caminho para "Get Behind The Wheel", um blues matador no melhor estilo Buddy Guy, com aquele andamento gostoso e licks próprios do gênero.

                                                                

                                              

                                                            fuel line                

 Eu, como um fã de décadas de Neil Young, um artista que faz parte da minha vida, prazerosamente ratifico que o cara é foda.  Lembro do show - o único - que fez aqui na década de 1990, e não entendo porque os promotores de shows não o trazem de novo. A sétima faixa, "Off Road", é uma balada delicada que me leva a paisagens estradeiras dos desertos norte americanos. Paris-Texas. Área 51. A seguinte, "Hit The Road", segue na mesma linha. Uma torrente de classe, bom gosto e qualidade. O melhor em Neil Young é sua versatilidade, desde as freeways até as vicinais, por onde seu rock de verdade voa e metralha sem dó os políticos, banqueiros e aproveitadores.  "Fork In The Road" é um disco bem equilibrado, conceitual, todo tempo. A penúltima faixa - das dez - "Light a Candle", começa com um lindo dedilhar em cordas de um violão acústico, lembra à clássica "Helpless". Young leva seu som até o mais alto degrau do rock com esse refinado blues canção. E, para terminar o Cd de forma a não deixar dúvidas do grande trabalho, a canção título é um roller blues visceral, bem Freddie King, que comprova como o canadense é diferente em tudo de, por exemplo, Alex Kapranos, que já em seu terceiro trabalho a frente do Franz Ferdinand, perdeu o rumo da coisa.  Até agora Neil Young investiu cerca de US$ 120 mil para transformar seu Lincoln Continental em um carro elétrico. Ele acredita que até o final do ano possa dirigir seu automóvel ecologicamente compatível e incentivar seus admiradores a fazer o mesmo.

                                      ouça o disco -     http://www.myspace.com/neilyoung

 

 

 

 

 

26 respostas para “Neil Young, de novo salvando o rock”

  1. Adriana Disse:
    Dum, acabei de receber seu e-mail e não resisti porque é NEIL YOUNG. Já liguei o soulseekkk........ótimo!!!!
  2. Leco Peres Disse:
    Fator honestidade acima de tudo.
    Um cara que faz músicas pra fins nobres. Fala o que quer, cutuca, e não fica disperdisando música só pra falar que quer comer essa ou aquela mina.
    E não é só o Franz Ferdinand que se perdeu no meio do caminho, quase toda essa geração se perdeu...Afinal, tá todo mundo tão perdido que nem sabe mais a direção...
    Abração Dum!
  3. Fatima Disse:
    Mais um trabalho espacial de bom do genial Neil Young. Esse cara é incansável, um produtor de bons discos como Frank Zappa, que também lançava coisas ótimas em quantidade e qualidade. Eu adorei o disco e concordo que é um dos melhores do ano, está na minha lista pessoal.
  4. Dum de Lucca Disse:
    Leco, concordo, ele não desperdiça palavras e tempo com pose, vai direto na ferida.
  5. Leco Peres Disse:
    Pois é, num temos tempo a perder.
    O rock é messiânico, ele te dá a liberdade da alma.
    Desde que honesto, claro.
    Valeu pela dica, vou procurar esse disco na Jardim Elétrico.
    Abraços
  6. Lia Disse:
    Ainda não ouvi o CD. Mas é Neil Young, que de novo vem tentando resgatar uma parte dessa geração que ficou perdida no caminho como disse o Leco.
    Hoje vou ouvir o CD e depois digo mais alguma coisa.
    Beijos
  7. Beatriz Disse:
    Neil Young outra vez demonstra rara consciência e usa sua música para o bem, de forma direta e com talento. Tô com você, Neil Young no Brasil urgente!!
  8. Kike Disse:
    Neil Young significa exatamente o contraponto dos hypes mediocres e sem a mínima consistência que pululam pelo mundo. Grupelhos ruins e sem técnica básica que se perdem, como disse você, no segundo, terceiro trabalho. Hoje existem muitas bandas e quase todas pífias. É nessa hora que comprovamos o grande mérito e qualidade de artístas de verdade, como Neil young, Patti Smith e Iggy Pop, que vem ai com um novo Cd em breve. Concordo com o Opinion, que deixou sua opinião semelhante na zap n roll.

    abrção
  9. Dum de Lucca Disse:
    Mais uma vez reitero: quem deixar sua opinião, crítica ou grito aqui de forma educada e compreensível será publicado. Porém, emissões de gases sem sentido e paranóias dislexas e psicóticas não terão espaço aqui na Jukebox. Compreendeu, Isabela A?
  10. Catarina Alzugaray Disse:
    Aproveitando o gancho da zap nroll sobre a qualidade do rock, tema que é também muito abordado por você, ai vêm o Neil Young, de novo, com um grande disco. É uma prova da disparidade dos músicos das antigas com os novos, um tanto afetados pelo sucesso e a síndrome de celebridade. Adorei a citação ao Alex Kapranos. No documentário Seven Ages to Rock ele deu depoimento como se fosse um grande músico quando na verdade não é. Acho esse disco do Neil Young uma constatação de quem tem talento e tesão pela arte e pelo rock sem oba oba tem gás até o fim, vide Patti Smith, The Cure e AC/DC.
  11. Wagner Disse:
    Neil Young é sincero com ele mesmo e com seu público, por isso na sua platéia convivem gente dos anos 60 até molecada. Isso é carreira sólida, atuante e fodona.
  12. Joana Disse:
    Ele é foda, fez um disco sobre carros e política...
  13. helen Disse:
    Ele é tudo de bom, o cara que dá a cara pra bater e faz uma música maravilhosa, sem medo de ser feliz. O Cd com certeza vai abocanhar algum prêmio esse ano, é ducacete.
  14. Rafaela Disse:
    Esse é um cara que faz a diferença no mundo assim como Lennon, Billie Hollyday e Kerouac. Pessoas que deram sempre ao de mais de sua alma em prol dos outros, com sinceridade e autenticidade. O disco dos carros, assim será lembrado mais uma obra do cara que põe qualquer bandinha nova no ralo.
  15. isabela Disse:
    hummm que texto fofo! Isabela
  16. sandragp Disse:
    Uma amiga minha me indicou o teu blog muito bem escrito.
    De todas as postagens que li ate agora essa foi a melhor tua. Escreveu com o coração. Equilibrou a razão e fez um belo gol.
  17. Magrão Disse:
    Puta que pariu o NY mandando bala de novo, ele é o melhor...ótimo post Dum.

    abração
  18. Fucker Disse:
    Façamos uma campanha para que algum promotor se shows tenha uma luz divina e traga o Neil Young ao Brasil.
  19. Samm Disse:
    Adorei a música Johnny Magic, onde ele faz uma homenagem ao mecânico que está desenvolvendo o projeto do seu LincolnVolt. O disco mata todos os hypes frouxos, Kapranso não tem vez no mundo do Young
  20. madame Freud Disse:
    Dum eu acho que o Luiz Calanca realmente viajou na maionese achando que voce é o Dru. Coisa q vc nunca faria em relação a ele devido a sua consideração ao mesmo como sabemos muito bem.
    Mas DRU pela linguagem é um profissional fudidaço da musica q começou a navegar pela Dynamite, imagino quem seja pq ele e estrela, mas pra nao passar por louca ficarei em silencio eterno. Afinal o segredo é a alma do negocio.
  21. Dum de Lucca Disse:
    Gil..ihh..Madama Freud, acho que resolvi publicar seu coment porque tenho certeza que o amigo Calanca não viajaria na maionese, confundindo meu nome, mesmo ela sendo feita de LSD. Na verdade você não passa por louca porque, naturalmente, todos que a conhecem tem me falado que você está bem desequilibrada. Indício: "DRU pela linguagem é um profissional fudidaço da musica q começou a navegar pela Dynamite" !!! Que tem a ver?/////////// nothing.. seu texto sem sentido demonstra que você está muito DOENTE precisando de tratamento sério. Siga os conselhos do Finatti e se trata.
  22. Chris Disse:
    Deus do céu caro amigo, maldade freud rides again....nem sabe com quantos Neils Youngs se faz uma boa mágica sonora, muito menos o que é um bom rock, porque afinal ela navega no mundo obscuro do psicopatismo insano, sem saber. Que coisa feia essa maneira torpe de interferir no mundo, acho que ela vai pra segunda dimensão....
  23. Clemer Disse:
    Caro Dum, belo texto sobre um monstro do rock, da música e porque não do soul, porque ele faz com alma sua arte sem igual. É exemplo para musiquecos hypados.
  24. Cristiana Disse:
    Pô de novo os malditos hackers Dum, gente sem ter o que fazer.

    abs

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