Outra personalidade fundamental na história do rock se foi. Morreu dia 15 de setembro, de câncer, aos 65 anos, o tecladista Richard Wright, membro fundador do grupo britânico Pink Floyd. Wright, para quem não sabe, foi um dos principais compositores da banda e chegou a abandonar o grupo durante a gravação de "The Wall" - 1979 - por suas diferenças fatais com Roger Waters, que começou a pirar em sua megalomania e egocentrismo. Quando Waters saiu, ele voltou, e até sua morte fez parte da banda. Da mesma forma que George Harrison, nos Beatles, ele era o terceiro compositor (e eventual vocalista) do Pink Floyd. Mais quieto, de personalidade introspectiva, mas de inegável talento, foi essencial na sonoridade do grupo em que foi o tecladista por quase 40 anos. Participou na composição e arranjos de algumas músicas de álbuns como os excelentes "Meddle" - 1971 - (três), "The Dark Side of the Moon" -1973- (seis - o disco manteve-se no Top 100 Billboard de vendas durante mais de uma década e continua a ser um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos), "Wish You Were Here" - 1975 - (duas) e "Ummagumma" - 1969 (duas). Com suas tramas de teclados, foi um dos mentores da marca registrada do Pink Floyd nos discos mais relevantes, que foram produzidos nos anos 1960/70. Através de suas mãos, e sua criatividade intensa e visual, fluiu a torrente de ambiências de ficção cientifica e psicodelismo que marcaram o Pink Floyd na sua fase áurea, seguindo a mente inquieta e insana de Syd Barret. Nas obras primas "The Piper At The Gates of Dawn" e "A Saucerfull of Secrets", de 1967 e 68, estruturou toda base para as viagens e incursões do genial e louco Barret. Lançou dois discos solos, "Wet Dream" - 1978 - e "Broken China" - 1996. 
Surgido na efervescência do cenário psicodélico londrino dos anos 60, o Pink Floyd é um dos principais grupos da história do rock, conhecido por qualquer garoto de 15 anos, mesmo que superficialmente. Formado em 1966, por Roger Waters, Rick Wright e Nick Mason, na época alunos da Faculdade de Arquitetura de Cambridge, e com a posterior e definitiva entrada de Syd Barret (que foi logo substituido pelo guitarrista David Gilmour), o Floyd trouxe ao rock o conceito de art rock, música inteligente e feita com pesquisa, criatividade, muita variação sonora, timbres, experimentos, ressonâncias e competência. O que foi chamado de rock progressivo. Suas apresentações, no club UFO, em Londres, eram verdadeiros happenings. No início, era cult ver o Floyd com seus shows carregados de atmosferas espaciais e climas de mistério. Apesar de participar ativamente do processo criativo, suas primeiras contribuições ainda não trariam essa assinatura sonora. Canções como "Julia Dream" e "Paintbox", singles lançados apenas em coletâneas, ou "Remember a Day", do segundo álbum, traziam seus teclados como instrumentos mais proeminentes, porém em fraseados simples e sem a textura perceptível nas criações coletivas da época, como "Careful With what Axe, Eugene" ou "Interstellar Ooverdrive".
Com o passar do tempo, a banda tomou de assalto as grandes arenas e produziu shows com forte impacto visual. A única vez que a formação clássica da banda se reuniu, no século 21, foi em 2005 no Live 8, em Londres. Em 2007, os integrantes do Pink Floyd se apresentaram em Londres em um show de tributo ao fundador do grupo, Syd Barrett, morto em 2006, mas o baixista Roger Waters escolheu fazer uma apresentação à parte. Richard Wright deixou como legado uma escola, uma forma de tocar, que influenciou, e continua permeando, vários músicos. Ele, junto com seus companheiros de banda, realizou inovações no rock que até hoje soam como um conceito diferente e explorador, como no Álbum "Ummagumma", ou no "Atom Heart Mother" - 1970. Foi capaz, até seus últimos dias, de lotar estádios e produzir shows magníficos. Quem gosta, vai sempre lembrar daquela figura, no palco, sob as luzes, imprimindo climas e densidades quase que materiais na música, sempre sensível, ás vezes ácido e inquieto. Porém, sempre da melhor qualidade.


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17 Sep, 2008 às 10:16 AM Demorou um pouquinho pra dar a notícia Dum, mas tinha certeza de que não ia falta aqui na Jukebox.
beijo
17 Sep, 2008 às 11:23 AM Uma pena a morte dele. Acho que não foi divulgado a doença anteriormente, o que é até estranho, tratando-se de uma celebridade de verdade, não essas pseudo celebridades.
17 Sep, 2008 às 1:59 PM Lendo a matéria a gente não imagina como é importante a figura de um bom tecladista numa banda progressiva e especialmente na fase mais psicodélica. Dá para entender o qus os outros músicos podem fazer quando existem uma boa base. Uma pena a morte dele inesperada e triste. Com certeza todo mundo que gosta de rock bem tocado está um pouco triste e ouvindo dark side esses dias.
17 Sep, 2008 às 2:16 PM Pra quem ainda tinha aquela ilusão de que um dia ainda assistiria ao Pink Floyd...desta vez pode lamentar-se e perder as esperanças por completo, uma grande perda para a música, mas que deixou resgistrado seu grande talento e potencial artístico para que a gente possa mostrar para a nova geração seu incrível trabalho.
Ricky Wright que vc tenha uma vida pós morte muuuuito psicodélica...
17 Sep, 2008 às 2:45 PM uma pena mesmo, tinha um estilo pesado e elegante ao mesmo tempo. RTP
17 Sep, 2008 às 3:01 PM Infelizmente ficamos sem mais um ícone do Rock'n Roll que como keith Moon,John Entwistle,Hendrix,Zappa e outros. Ele tirava do seu instrumento uma sonoridade única ,que no primeiro acorde se diz "Ah,isso é Pink Floyd".
Bem, Bye Bye......................
Beijos
Lia
17 Sep, 2008 às 7:15 PM Mais um héroi da música morto.:(
18 Sep, 2008 às 9:34 AM Como dizia Cazuza naquela canção, nosso ídolos morreram. Um talento sensacional e que na verdade foi o principal por dar aquela sonoridade espacial que caracterizou a carreira do Pink Floyd Com disse a Cris acabaran-se as chances de ver o Pink floyd no Brasil, porque Ricky era a alma da banda. Voltando um pouco no último post, dá até dó do Bloc Party quando percebemos qual é a importância e realidade de um música real e de verdade.
18 Sep, 2008 às 12:39 PM A momentary lapse of reason na vida que se perpetua com sua morte, uma grande festa para a vida e uma grande festa para a morte.
Rest In Peace.
Como os Irmãos Wright , Pioneiros do Ar , ele tem tambem alguma coisa em comum, por ter determinado a criação de um rock espacial entre os progressive.
Pioneiros , ó Pioneiros, Avante pelo Espaço a Epopeia da Raça Humana.
Avaunt Satan!!!
18 Sep, 2008 às 1:46 PM Com certeza a banda de Hendrix, Zappa, Janis, Moon e tantos outros talentos que estão no céu receberam Ricky com um tremendo Festival regado a Jack Daniels, LSD e marijuana. E muito rock and roll. Já estou rolando meu ummagumma sem parar.
18 Sep, 2008 às 3:06 PM Esse cara foi direto para o céu. Quem fez summer 68, cymbaline, echoes e tantos clássicos dá risada até na morte. Uma perda, mas como fazem os hindus vamos fazer uma big festança.
19 Sep, 2008 às 12:31 PM Merece homenagens e reverências. Trouxe inovações a música e ao rock e deu a cara ao Pink Floyd. Como bom inglês, era discreto e na sua. Tretou com o Roger Waters, mas quem não brigou com ele?
21 Sep, 2008 às 12:30 PM Realmente, a importância que o Pink Floyd tem para o rock'n'roll é inquestionável e, como conseqüência, a morte de um dos seus integrantes, Richard Wright, é uma perda muito grande, que o mundo chora e vai chorar por muito tempo!
Você, como sempre, vem com texto muito bem escrito, contextualizado (quanto ao assunto abordado) e embasado! Parabéns... que venham mais e mais textos by Dum de Lucca!