O Led Zeppelin ultrapassou todas as fronteiras da música e, sem dúvida, é considerado um dos nomes mais relevantes da história do rock. Jukebox inicia 2009 homenageando os 40 anos do Led Zeppelin I, álbum de estréia do grupo inglês que revolucionou a música. Uma obra ainda atual, que influenciou gerações de músicos e faz a cabeça de quem gosta de um som real. E pensar que tudo começou do Yardbyrds, outra mitológica banda, de onde surgiram os talentosos guitarristas Jeff Beck e Eric Clapton. Jimmi Page acabou herdando as cinzas do Yardbyrds e a obrigação contratual de lançar mais um disco. Sozinho, chamou o baixista John Paul Jones, o matador baterista John Bonham e o vocalista Robert Plant. Primeiro, mudaram o nome da banda. Depois de apenas 30 horas de estúdio estava pronto, no início de 1969, um dos melhores álbuns de rock de todos os tempos. E isso é uma unanimidade, o que se comprova por continuar a ser bem vendido depois de 40 anos. Era o início do grupo mais influente de heavy blues, e que seria chamado de um dos criadores do heavy metal. A interpretação do blues que o Led criou, incorporou mitologia, misticismo, british folk, R&B, rock, psicodelismo e uma variedade de gêneros, o que fez os ingleses, num primeiro momento, serem incompreendidos pela mídia. Mas, a orientação do disco para o rock pesado, cheio de guitarras poderosas, baterias avassaladoras, um vocalista que dominava sua arte com pose e talento e um baixista dos mais marcantes, conquistaram o público de imediato. Dois meses após lançado, o Led I alcançou o US Top Ten e a primeira turnê americana rolou. Ai, a crítica entendeu a real.
communication breakdown
O álbum foi criado no clima elétrico de um mundo onde reinavam Jimi Hendrix Experience, Cream, Jefferson Airplane, Frank Zappa, Jeff Beck e todo tipo de blues distorcido e pesado ao extremo. Page, cheio de estilo e criatividade, mudou os rumos da guitarra nas canções, "You Shock Me" (um blues de arrastar a cara na sarjeta com uma garrafa de Jack Daniels nas mãos, chorando um amor impossível) e "I Can´t Quit You Baby", ambas de Willie Dixon, já mapeando o futuro do rock dos anos 1970, que ficaria eternizado por uma infinidade de ótimos grupos e artistas diretamente influenciados pelo som do Led. Músicas que continuam sendo as melhores da banda, como a atormentada e eficaz "Dazed and Confuzed" - com uma robusta linha descendente de baixo - e "Communication Breakdown", com um riff de guitarra claro e limpo, cheio de malícia, técnica e sentimento, são eternos clássicos do rock. O Led Zeppelin I é mais do que um disco. É uma obra de arte. Atemporal, preciso, robusto. O álbum, como numa catarse, uniu talentos que produziram o melhor do rock através de décadas, coisa impensável no rock atual, cheio de gafes, fraudes e falta de competência. Muita pose e pouco som. John Paul Jones, em "God times Bad Times", um hard blues elétrico de arrasar o quarteirão, faz tremer o chão com seu baixo bem pontuado. Ele, com John "Bonzo" Bonhan, imortalizou a melhor cozinha do rock, só comparável a do The Who, com Keith Moon e John Entwistle (ambos mortos pelos excessos). Bonzo tornou as músicas do Led mais grandiosas com sua quebradeira e viradas espontâneas, o que se tornou parte da trademark LZ.
you time is gonna come
Os riffs e solos memoráveis de Page, a magia de criar o que nunca antes havia sido feito, fez do guitarrista um dos mais reverenciados do mundo, até hoje. Assim como, as texturas sonoras, as alternâncias de dinâmica e tempos, tornaram o disco um exemplo de como se fazer música inventiva, viva, ainda atual. "Your Time is Gonna Come" é uma balada modelo de hard rock perfeito. "Dazed and Confuzed" é um blues com uma carga de psicodelismo e com um solo de guitarra veloz, violento, técnico e sensacional, que apresenta de forma lúcida a onda proposta pelo Led. Apesar de só ter conhecido o disco depois do Led III, me lembro a primeira vez que ouvi. Foi um impacto muito forte. Porque, apesar dos trabalhos dois e três serem excelentes, ficou claro que aquele era "O" álbum. "Black Mountain Side" tem forte influência de folk music inglesa e "Communication Breakdown" soa como um ataque punk antecipado em uma década. "Good Times Bad Times", a primeira faixa, tem um dos solos mais encorpados e precisos que já se criou. Não é a toa que o álbum foi reeditado cerca de onze vezes. O Led Zeppelin, depois de um longo afastamento - a não ser em apresentações esporádicas- ensaia, para 2009, um volta aos palcos e um disco novo. Claro que seria muito bacana. Contudo, mesmo sendo um fã que ouviu a exaustão todos os trabalhos dos ingleses e assistiu um Page e Plant ao vivo (1994 no Pacaembu/SP), onde 90% do repertório foi Led, não sei e vai dar certo. A não ser, que Page e Jones convençam Plant a aceitar a idéia. Coisa que parece difícil, até agora. Plant continua se recusando a sair em tournê.

plant e page
O maior mérito deles foi transformar o noise quase jazzístico do Cream de Clapton, as experiências psicodélicas de Hendrix e o rock anárquico do The Who, em uma música inovadora. Misturar de maneira tão soberba R&B, rock, blues, folk, jazz, e outros ritmos, fez nascer um gênero, estilo, ou como quer que se chame, nunca antes ouvido e visto. O Led I plantou as sementes do heavy metal intuitivamente. E por mais que muitos os achem um grupo de hard rock, eu prefiro chamá-los de sem igual. O que o LZ fez foi criar o que não existia. Um "dom" que as bandas de hoje parecem não possuir. Até penso sobre essa falta de perspectiva no rock atual. Mas não vale a pena. De forma geral, a música hoje é urgente e descartável. Qual disco produzido esse ano poderá ser lembrado daqui a 40 anos pelo terremoto que causou na arte? Quem viver verá.
you shock me

RSS
4 Jan, 2009 às 5:44 PM Meu, já faz 40 anos dessa maravilha!!!! E ouvindo é muito atual
4 Jan, 2009 às 6:45 PM Com certeza esse disco é referência na história do rock. Grande lembrança.
5 Jan, 2009 às 9:33 AM Com certeza o Led um é um marco no rock e trouxe uma linguagem diferente a música. Um disco que tem tanta longevidade e que direcionou o rock atual é especial. Acho importante sua boa matéria especialmente para apresentar o disco pra quem não conhece. Só mesmo a mágica de grandes músicos, no tempo certo e no lugar certo pode realizar esses milagres da arte. Concordo com você quando pergunta qual banda hoje será lembrada por um disco daqui a 40 anos.
5 Jan, 2009 às 11:29 AM Um disco essencial para quem gosta de rock e serve como dica aos mais novos. Até tirei o meu LP do armário para ouvir, puta sommmmmm....incomparavelmente melhor do que tudo, com exagero sim. Que talento dos caras pra fazer um disco com tamanha abrangência e repercussão. Esse ano também faz 40 anos de Hot Rats, um dos melhores do Zappa. Tá ai uma dica. E concordo completamente quando você diz qual disco de 2009 será lambrado daqui a 40 anos. Seria até bom que alguma banda conseguisse isso, mas duvido.
5 Jan, 2009 às 3:29 PM Esse disco foi a trilha sonora de boa parte da minha vida, me traz lembranças de um tempo onde o rock era rock e não pose. Essa de entender a música atual nem é tão complicado, ela ficou chata e repetitiva.
beijo e ótimo ano
6 Jan, 2009 às 2:07 PM Além da lembrança de um disco que pautou o rock em sua construção, a matéria chama atenção para o que é arte e o que não é. O que é simples diversão e passatempo, o entretenimento, e o que é descartável já em sua concepção. Ai vai uma reflexão. Talvez a maioria das bandas de hoje apenas queiram se divertir sem compromisso em passar uma mensagem interessante. Ninguém é como Bob Dylan, ou Lennon se fosse vivo, que ainda conseguem chamar atençao e serem importantes depois de décadas. O mundo mudou e o rock também. Infelizmente para pior, de forma geral.
6 Jan, 2009 às 2:37 PM Simplesmente o melhor disco da melhor banda de rock de todos os milênios do planeta. Merecem todas as homenagens que receberam e continuam a receber e encaro mesmo sem o Plant um show.
7 Jan, 2009 às 10:25 AM Deuses do rock and roll, Plant, o melhor vocalista de rock de todos os tempos.....precisa mais?
7 Jan, 2009 às 10:37 AM Também tive um impacto muito grande com essa porrada sonora. Um disco forte e cheio de riffs sensacionais, uma aula de rock atualíssima. you shock me é mesmo de ralar a cara no asfalto. Bandas de hoje deveriam ter esse disco como um manual de como se fazer música com talento, preciosidade, criatividade e ineditismo.
8 Jan, 2009 às 10:41 AM Grandes discos que fizeram a história do rock devem ser sempre lembrados. Mas quando esse disco é a história do rock, como Sgt. Peppers, Exile on a Main St, Dark Side of The Moon, Abbey Road, Quadrophenia, Roots, (What´s The Story) Morning Glory?, Dookie, Nevermind, e vários, o buraco é mais embaixo.
8 Jan, 2009 às 2:26 PM Led é sempre Led, mas uma tourne sem o plant como parece que vai acontecer parece arriscado em termos de qualidade. Grana vai dar pra caramba. Quem não vai querer ver?
8 Jan, 2009 às 5:11 PM Junior, esse disco novo pode até sair, mas um giro pelo mundo está cada vez mais difícil. Nas últimas 24 horas foi confirmada e desmentida pelo empresário. Fizeram testes com Steve Tyler e outros, mas ninguém deu conta.
9 Jan, 2009 às 3:47 PM Dum, muito legal seu blog. Dei uma olhada geral nas matérias e é acima da média, um dos melhores e mais bem escritos. Pena que o bar do Amadeu fechou!!Vamo que vamo!!
10 Jan, 2009 às 4:07 PM Bem... acho que uma volta do Led sem os vocais de Plant seria uma péssima idéia assim como foi a tal volta do Queen com Paul Rodgers no lugar de Freddie Mercury...
Mas falando sobre o Led Zeppelin I... falar que este álbum é uma obra-prima é o mínimo... continua tão vivo e tão atual quanto muita coisa lançada em 2008...
12 Jan, 2009 às 11:28 AM Acho que já falaram tudo desse mega clássico, mas é do caralhooooo.......agora, voltar sem o Plant não faz sentido, seria um tiro no próprio pé.
12 Jan, 2009 às 2:16 PM Dum,
E em 69 o vinilzão foi o primeiro álbum a vender mais do que e de uma outra bandinha da época chamada The Beatles...
12 Jan, 2009 às 4:48 PM Pois é Saulo. E ainda existem o que incensam os falsos ídolos do supermercado do rock e ignoram a verdade. Abs
13 Jan, 2009 às 11:19 AM Realmente como o "Magrão" já disse, parece mesmo que o rock mudou pra pior. Está mal tocado, com músicos burros e pouco instruídos musicalmente. Parece que o importante é só aparecer e não fazer uma música honesta, criativa e bem tocada. Acho que a partir do LED I e vários outros discos se deu início a fase mais produtiva do rock n roll. Foi uma época onde o clima de criatividade fluía, e sem muitos recursos de estúdio foram produzidas obras primas do rock n roll. O LED I foi o primeiros de muitos discos a serem homenageados. Quanto ao disco em si, sem palavras, todo mundo sabe é unico e pra sempre.
Beijos
Dog
13 Jan, 2009 às 3:15 PM Dum, tristes pelas mortes de nossos amigos. Felizes por esse disco ter feito a diferença. Qual disco lançado esse ano fará? Quem responde, você, eu, ou em 2049 saberemos?
kisses
13 Jan, 2009 às 4:07 PM Música é evolução e depois do punk fora o hip hop e alguma coisa eletrônica boa, tipo Daft Punk, NIN e Prodigy o resto é o resto. Dos mais recentes em quesito qualidade tem o REM e o Oasis, que nem são tão recentes. Dá dó ver Franz Ferdinand, Bloc, e essas coisas tentando sem conseguir nada de respeito. Esses caras não sabem fazer um disco com TODAS as músicas boas. Discos como o Led I e outros clássicos tá ruim de sair né!!!!