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Heroína e Rock`n`Roll, um diário devastador

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                                                    heroin diaries                        

 Nunca gostei de bandas como Mötley Crüe, ou grupos de gênero metal farofa, Poison, Wasp, essas coisas. Porém, lendo "Heroína e Rock'n'Roll: o diário de um ano devastador na vida de uma estrela do rock" lançado pela editora Larousse, com a contribuição do jornalista Ian Gittins, no fim de 2008, fiquei impressionado com a trajetória de Nikki Sixx, baixista do MC e autor do livro.  Angustiante e visceral - a obra que serve de exemplo para profissionais especializados em reabilitação e até junkies - é um relato cru e chocante do ano de 1987 na vida do músico. Só, sem amigos, Nikki Sixx perambulava nu com uma agulha enfiada no braço, debaixo da árvore de Natal em sua mansão em Van Nuys, distrito de Los Angeles. Assim começa a história de um ano com muito sexo, drogas, rock and roll, confusões e excessos. Mas, sobretudo, de uma profunda reflexão e um mergulho nas lembranças da infância e na família desestruturada. Os relatos do diário vêm acompanhados de comentários feitos por gente que fazia parte do círculo de amizade do próprio, durante a época hard do vicío, e após ter se recuperado da cocaína e heroína e organizava o livro.                                                       

                                    

                                          life is beautiful        

O texto se desenrola entre afirmações de adoração às drogas, momentos de profunda paranóia e relacionamentos conturbados, como com Vanity, uma ex-dançarina de Prince que se envolveu com o baixista numa relação tumultuada e hoje virou crente. A alternância entre os momentos de êxtase, ao se aplicar a droga, e os momentos de consciência de suas responsabilidades com a banda, dá um contraponto de como um ser humano pode agüentar a pressão profissional, humana, estando sempre muito louco. No meio dos prazeres e depressões potencializados pela droga, Nikki deixa claro seu amor pela música. Ele explica seu processo criativo, as brigas e relações entre os integrantes do Mötley Crüe, os bastidores da gravação de "Girls, Girls, Girls" e da turnê do disco. Todas as bebedeiras, orgias e badernas em hotéis, comportamento normal em grandes bandas de rock da época, são retratadas com detalhes e arrependimentos. Gastar cinco mil dólares semanais em cocaína era tão natural para ele como ficar uma semana sem tomar banho com a mesma roupa.                                                                 

                                 

                                         pray for me

Fica claro que as anotações dos bastidores da criação do álbum são detalhe em seu mundo envolto na cocaína e heroína. Com a primeira, ficava hiperativo e paranoico, e com a outra, sedado e indiferente. Completamente alucinado, Nikki ficava a maior parte do tempo no closet de sua mansão em Los Angeles, trancado, rodeado de seringas e agulhas, e com uma espingarda calibre 12 na mão a espera de invasores imaginários. As idas e vindas as clínicas de recuperação, as overdoses, a turnê e a convivência com os parceiros de loucura, com quem Sixx consome drogas em clubes de striptease, quartos de hotel e até em uma entrevista ao vivo para uma emissora de rádio canadense. Tommy Lee, seu companheiro de banda e o guitarrista Slash, do Guns n Roses, eram parceiros constantes nas festas regadas a drogas e prostitutas. Nos últimos capítulos ele conta o vício intercalado com períodos de relativa harmonia. Enfim, sobrevivido a um modo de vida em que o limite é o inferno, conseguiu constituir família e produzir mais discos de sucesso.  Em 2008 o Mötley Crüe lançou um disco de músicas inéditas, "Saints of Los Angeles". E, aproveitando o impacto do livro, Nikki, quase tão astuto quanto Gene Simmons na arte de ganhar dinheiro, do Kiss, lançou um Cd - "The Heroin Diaries: A Year in the Life of a Shattered Rock Star" - baseado nas narrativas do livro. Ao contrário do vocalista Anthony Kiedis - Red Hot Chili Peppers - que também narrou em livro sua dependência com drogas e se recuperou definitivamente, ninguém pode dizer se Sixx está longe das drogas.                                                   

                            

                                  tomorrow

 "Não sinto minha alma. Essa escuridão tem sido minha única amiga. Minha nova mania é tomar litros de água antes de injetar coca e, então, vomitar tudo na bacia até minha cabeça explodir. Por quê? Por que não? Estou no ritmo de uma dança da morte nessa casa..."

Heroína e Rock'n' Roll: O diário de um ano devastador na vida de um astro do rock
Nikki Sixx e Ian Gittins
Tradução: Denise S. Rocha da Costa
Larousse
1a. edição, 2008
445 páginas

  

                                                         


19 respostas para “Heroína e Rock`n`Roll, um diário devastador”

  1. Cecinho Disse:
    Li esse livro Dum, em inglês, e é uma boa surpresa saber que saiu aqui. Bem, é meio nojento às vezes,, mas o cara aguentava pra caramba!!!
  2. Ilana Disse:
    Dum, pela sua descrição deve ser pesado o livro. Dá vontade de ler, mas ao mesmo tempo um certo receio..sei lá..
  3. Invader Disse:
    E o cara tá vivo..acho que ele se drogava com tanto porque sua banda era uma droga..opaa.rss
  4. Lia Disse:
    Também nunca gostei de Motley Crue apesar de gostar de metal farofa, mas depois de ler "The Heroin Diaries" ela passaou a fazer parte da minha vida como muitas outras bandas. Achei que o Nikki Sixx foi tão sincero quanto o Clapton na narrativa do seu delírio. Ele é muito engraçado descrevendo uma overdose em Londres quando é literalmente jogado no lixo por um traficante, nas paranóicas no seu closet com várias armas achando que pessoas estavam querendo entrar. Também revendo seu passado e fazendo um autoanálise que mostra que muita loucura faz com que você permaneça adolescente. O livro é dinâmico e tem um visual lindo, eu não conseguia parar de ler, até que descobri que havia uma trilha sonora e foi ótimo, achei um belo CD (tem um duplo com alguns bônus ao vivo) e agora o Nikki Sixx está sempre presente nos meus dias. ADOREI !!!!!!!!!!
    Beijos
    Lia
  5. Leco Peres Disse:
    Li nesses tempos as aventuras do pirata Keith Richards, aquele "Uma temporada no Inferno"...muito bom, e impressionante como o Keith conseguiu sobreviver e montar a obra-prima Exile on Main st.
    Parece que a heroína dá sentido pras fortunas vindas do rock...Mas no fundo isso é reflexo da aptidão dos artistas para a entrega total, que envolve o excesso, o suicídio...O talento é uma faca de dois gumes, não?
    "Coisas do rock", como diria Luís Domingues...
  6. Dum de Lucca Disse:
    Leco, antes de ler o Nikk Sixx havia lido "Uma temporada no Inferno". Depois da leitura percebi que o artista de verdade supera a tudo para criar uma obra prima como Exile on Main Street...Sweet Virginia. e o Luís, haja baixo pra tanto talento.

    abx
  7. Leco Peres Disse:
    Com certeza, no pacote genialidade vem o saquinho branco junto! Acho que ess atitude suicida está ligada com a sensibilidade do artista...Afinal, não é qualquer ser humano que cria algo como Sweet Virginia!
    O Domingues, além das palhetadas, tem umas tiradas boas também!
  8. ninho Disse:
    Invader to contigo com certeza a banda do cara era uma droga!
    Esse livro tb é uma droga!
  9. Maíra Hirose Disse:
    Como de costume, sempre mandando bem nas matérias abordadas na Jukebox, sem contar os temas, super-atuais, factuais... ler a Jukebox é um privilégio para o leitor que gosta de unir o útil ao agradável: se informar e ao mesmo tempo com um texto bem escrito e fluído!!!

    ;) beijos

    Maíra Hirose
  10. Alan Fontes Disse:
    Entender os conflitos que se passaram na cabeça de Nikk Sixx, a vontade de viver no limite entre a vida e a morte é a chave desse livro. Fácil de ler e com um designer perfeito. Dá de pessoas que julgam o livro uma droga sem ler apenas pelo tema e sua matéria, que deixa claro quanto hard foi 1987 para Nikki Sikk.
  11. Dum Disse:
    Pela política do site comentários sem nexo e agressivos serão deletados sumariamente. Mesmo porque, eles sempre vêm da mesma pessoa com vários nomes fakes diferentes.
  12. Laura Disse:
    O livro é ótimo, deveria servir de exemplo em clínicas de desintoxicação e usuários.
  13. Amadeu Disse:
    Dum não sei se estou errado, mas não valia mais apena publicar um post sobre o livro dos Stones? O Motley Crue não tem relevância pra música como os velhos rockers. Mas vale pelo alerta de um cara que se afundou na lama e se levantou.

    abração
  14. Jatene Jr Disse:
    Dum De Lucca,
    É esse um crack com certeza , em diferentes camadas de baixista ao astro pop , desde queando Henry Rollins era vocalista do Black Flag e Glen Danzig do Misfits, e os dois se uniram para aplicar uma tunda no Motley Crue, banda que ambos detestavam , até essas impressões dramátivas de um usuário.
    Mas para quem leu Crowley e Leary como você , com certeza, essas impressões devem impressionar mais às suas fãs histérico-masoquistas adolescentes ncuráveis que se submetem a curtir suas baladas melosas.
    Penso que a rigor o texto e a tradução foram bem articulados por profissionais tarimbados e talentosos, mas o principal que é o conteúdo não foge ao costumeiro na orbita dos caras ...
  15. Dum de Lucca Disse:
    Jatene, bem dito. Vi um doc. no VH1 no qual Rollins afirma sua ojeriza por bandas tipo Motley Crüe. Não sei se o livro impressiona somente as fãs histéricas porque ele é muito hard. Mas, com certeza, elas gostaram dos Cds - tem uma o vivo - baseado - ops!! - no livro, repletos dessas baladas melosas e entediantes. O livro como objeto é muito bem editado, tanto na tradução como no designer e arte. O conteúdo não foge da já trôpega tríade drogas, sexo e rock and roll.

    abx
  16. Yatã Disse:
    É um livro como poucos, absolutamente devastador mesmo. Nikk tinha um senso de humor e auto piedade estranhos mas sinceros. Merece ser reconhecido por não ser hipócrita e sim corajoso.

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