Punk is dead. Punk is not dead! No meio da onda indie pós-punk que persiste até hoje como hype, houve quem acreditasse que o punk rock estivesse por fora. E, de fato, o rock foi invadido por um mainstream repetitivo depois das boas bandas de Seatlle dos anos 1990, e também de alguns grupos legais da Inglaterra da mesma década. Assim, o punk ficou meio de lado. Mas 2008 foi um ótimo ano para o punk rock. Uma prova pode ser as voltas das clássicas Damned e UK Subs, e novos nomes como Jay Reatard, The King Blues e Thee Vicars. Entre as bandas que tenho ouvido destaco a canadense Fucked Up - formada por Pink Eyes, vocal; 10,000 Marbles, guitarra; Gulag, guitarra; Young Governor, guitarra; Mustard Gás, baixo e Mr. Jô, bateria. Seu mais recente disco, "The Chemistry of Common Life", outubro 2008, Matador Records, mostra que ainda existe atitude e ousadia no rock. Afinal, que banda, ainda mais punk, lançaria um single, "Year of the Pig", com cerca de 18 minutos, cheio de guitarras hardcore saturadas misturados com partes de flautas e teclados com um viés progressivo? Nada normal, usual. Mas, afinal, chega de normalidade no rock. A ver algumas bandas que se copiam sem achar um sentido poderoso em sua música. Exemplo: ouvi bastante "Tonight", do Franz Ferdinand, e não vale o hype todo. Esse é um dos motivos que deixei para comentar o lançamento do Fucked Up só agora.
son the father
Formado em Toronto, em 2002, na faculdade, o Fucked Up têm influências de ícones da segunda leva do hardcore como NOFX e Minor Treat. Os canadenses combinam melodias criativas, instrumental feroz e cheio de alternativas a um senso bizarro e teatral. Adoram temas como misticismo, renascimento e religião. Que, apesar de serem aparentemente estranhos para um grupo punk, caem muito bem nesse hardcore cheio de riffs, alternativas sonoras, letras lúcidas e vocais raivosos. "The Chemistry of Common Life" dá um nó. É uma química punk que sintetiza os mistérios do nascimento, da morte e da origem da vida. Um hardcore onde cabem mais de 18 linhas de guitarras em algumas músicas, teclados, vozes femininas, flautas e muita criatividade e ferocidade. A banda detona a igreja e a religião e, ao mesmo tempo, incentiva o budismo. A primeira música, "Son The Father", começa com uma flauta idílica procedida por uma introdução de guitarra que desemboca em pedradas de hardcore. Subindo o volume até que um grito faz explodir o vocal nada comportado. O refrão "é bastante difícil ter nascido em primeiro lugar; quem gostaria de ter nascido de novo?", faz da vigorosa faixa de 6:32 minutos um grande, "bem, aqui estamos nós". Um abuso de vitalidade.
magic world
A banda deixa clara a sua fúria contra a indústria da música, contra as corporações e a repulsa contra o exagero de consumo. "Magic World" vem em seguida com o vocalista Pink Eyes (conjuntivite) urrando sobre uma malha guitarras super noise e um teclado muito diferente, quase obliquo, em loop. Depois vem "Golden Seal", que tem uma introdução de sintetizadores estranhos para o punk. E ai é que reside a graça da coisa. A canção é contemplatória, quase um sussurro. Uma batera marcada apoiada em guitarras saturadas exorciza o pop em "Days of Last", que lembra muito Pink Faires. O Fucked Up não faz uma música bonitinha, cheirosa, muito menos confortável, mas é extremamente honesta e cativante. A banda sai do gueto hardcore e mostra o quanto pedais e teclados podem ser úteis com talento. Em "Crooked Head" existem ecos de Husker Du. São tantas guitarras e timbres e uma solando quase imperceptível na avalanche sonora pura. Pink Eyes consegue ser claro e se fazer entender. Na sequência vem a excelente "No Ephifany" com vocal feminino que brota de um delay para detonar-se em várias matizes, climas, ambiências. Sempre o peso, nem sempre a velocidade.
royal swan
Depois seguem "Royal Swan" e "Looking For God". Músicas que fazem do punk rock do Fucked Up o caminho do meio. A faixa título, "The Chemistry of Common Life", ferveu tudo em um caldeirão. Violões, teclados, vozes, cheiros e guitarras muito distorcidas, muitas guitarras. São 7 minutos de barulho bem feito. O Fucked Up de certo não deseja o mainstream, pois na verdade o odeia. E presta homenagem ao acaso dos processos químicos que criaram a vida neste planeta com seu som esperto, atento, incomum. Embora o Fucked Up seja punk de coração, criaram um grande, estranho e pesado álbum que atravessa o cérebro e a alma com amor. Uma pena que os vídeos não sejam de boa qualidade. Mas, afinal, é um grupo punk.
in nyc

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19 Jan, 2009 às 5:35 PM Essa banda é do caralho mesmo. Esse single com 18 minutos é sensacional.
19 Jan, 2009 às 5:50 PM Adorei o som insano da banda. Pura porrada e letras interessantes. Correndo pro Pirata Bay..uhh
20 Jan, 2009 às 9:00 AM O Fucked Up deu uma revitalizada no punk, mas apesar do punk ter ficado meio esquecido ele sempre esteve na ativa. Viva o punk rock...
20 Jan, 2009 às 9:57 AM Na verdade o punk não morreu nunca. O que morreu foi o interesse da mídia e como você disse um mainstreain chato e careta. Punk sempre esteve meio no gueto e mesmo aqui no Brasil rolma várias bandas boas como o Mukeka de Rato, Paranóicos, Genocídio.
20 Jan, 2009 às 1:25 PM Não sou de punk rock mas achei a que a banda tem uma proposta diferente. O Cd é bem mais legal que os vídeos que tem um som bem ruizinho.
abraço
20 Jan, 2009 às 1:58 PM É isso ai, som de verdade, nada de garotos cheirosos e de cabelinho arrumadinho. Esse vocalista pelado é bem loco..
20 Jan, 2009 às 4:21 PM O disco é muito bom. Baixei o mp3 e tive que cuidar pra não estourar os tímpanos, mas com qualidade e diferencial. Só achei o o gordo meio nojento nú, mas afinal é punk. Punk is live!!
21 Jan, 2009 às 11:24 AM Dum, legal destacar uma banda punk nova que faz um som bem noise mesmo, muitas guitarras realmente avassaladoras como disse. Pena que os vídeos não passem toda qualidade do Cd.
21 Jan, 2009 às 1:42 PM O punk nunca fez parte de um mercado grande. Poucas bandas, talvez o Clash, o Pistolls, e poucas outras fizeram grandes shows e venderam muitos discos. O que vale dizer que sempre vão andar pelo underground sem desejarem esse mercado, senão teriam que mudar o som. Aqui temos o Cólera, o Fungos, o 365 e mais algumas antigas que ainda estão tocando às vezes. As novas bandas querem tocar como os indies ingleses, tudo formatadinho num esqueminha sacal. O disco do Franz Ferdinand que você mencionou é muito chato mesmo.
21 Jan, 2009 às 2:01 PM Quem diz (me incluo) que rock n roll não tem mais nada de novo tem que morder a língua e ouvir Fucked Up. Essa banda é do caralho. Tem três belas guitarras metálicas um teclado com a sonoridade de progressivo, punk e por aí vai.Faz tempo que uma banda não traz algo inusitado, uma boa mistura com um som denso e pesado que me surpreendeu logo na primeira música do CD.O mais legal é que o vocalista fica pelado e põe esses fifizinhos moderninhos de gravatinhas e cabelos espetados no chinelo.
FUCKED UP......... Vida longa.............
21 Jan, 2009 às 5:52 PM cara cada dia aprecio, mais o seu blog, diferentemente dos deslumbrados e analfabetos musicalmente como Lucio Ribeiro e outros. Vc tem uma puta sensatez, continue assim cara não nos decepcione e abaixo o hype mediocre.
22 Jan, 2009 às 10:22 AM Não sou muito chegada a punk mas concordo com sua idéia de música, mesmo porque conheço seu blog há mais de ano e sei do seu conhecimento de música em suas raízes. Quem ouviu o que para tocar daquela forma.
22 Jan, 2009 às 2:41 PM Dum, parabéns pelo blog. Só agora pude acessá-lo e constatar a pegada. Rss. Boa sorte.
abraço
22 Jan, 2009 às 4:56 PM Fala ae maluco, blogando eii. Foi o Amadeu que me passou o link e vi que continua na velha forma rocker chutando os meladinhos caretas...com certeza o Fucked Up não deixa pedra sobre pedra.
abração
24 Jan, 2009 às 11:38 AM Meu isso que é som de verdade, punk na veia.
25 Jan, 2009 às 10:41 AM Sem comparações com bandas hypadas e ligadas a cabeças que ouviram pouco e que adoram modas bacaninhas. Aqui nesse blog existe cultura musical, concordo com o Paulo Henrique, a imprensa musical está cheio de analfabetos musicais e você não é um deles.
26 Jan, 2009 às 1:33 PM it´s only punk rock, but this is the best.
27 Jan, 2009 às 9:36 AM Fazer um punk tão barulhento hoje em dia se contrapõe a indústria do indie, tão certinha e inodora. Fucked Up, assim como a volta do Buzzcoks e UK Subs mostram a força da música underground.