Dynamite

Dinosaur Jr. abusa das guitarras com classe e noise

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                                                  over it

Dinosaur Jr. é uma das maiores e melhores influências de uma grande parte das bandas de rock, desde a década de 1990 em diante. Quando o grupo do talentoso e carismático guitarrista e vocalista Jo Mascis surgiu na cena, em 1983, a new wave e o punk dominavam. As guitarras melódicas e ácidas, tocadas com sentimento e poder, e o noise bem organizado do Dino Jr., junto com o Pixies e o Sonic Youth, injetaram uma nova energia no que quase foi a indie music, hoje perdida e quase sem rumo. Mascis, um cara de raízes punks, soube compor e manter a característica de guitar band sem perder a classe e a pegada. Em 1994, quando o entrevistei por telefone como editor da Revista Top Rock, conheci um pouco desse cara de personalidade forte e que faz canções belas e constroe solos de guitarra que deslizam cheios de amor e ardor. Um dos grandes méritos do Dinosaur Jr. é nunca ter perdido o rumo de sua música, sempre intensa, visceral e compacta. Nela, não existem buracos, mas sim vários detalhes e um repertório repleto de nuances e que, principalmente, tem uma proposta tão bem definida, que fica difícil errar. Por mais que essa proposta não vise inovação ou mudanças radicais, fica claro que a banda não necessita disto. Alguns grupos quando se tornam mitos se perdem, coisa super comum hoje me dia. Vide Coldplay. Os 10 anos entre "Hand It Over", de 1997 e "Beyond", de 2007, fizeram muito bem ao DJ. Voltaram com a formação original, que não era vista desde 88, Mascis, nas guitarras e vocais, Lou Barlow, no baixo e Pat Murphy na batera. E, mais uma vez, não precisaram inventar nada de "novo". Apenas fizeram aquilo que era necessário.

                                                                

"Farm", lançado agora, o nono álbum, é ótimo. Novamente, nada muito além de Dinosaur Jr.e sua essência. Sempre criativo, com muitas guitarras, o vocal sempre orgânico de Mascis e, uma tamanha personalidade que os faz ainda renovados e diferentes da maioria das mesmices sonoras que infectam o mercado. Uma grande banda que, com muita unidade sonora, consegue manter sua personalidade sem se repetir, com grandes riffs, pegadas absurdamente noise e melodias potentes e deliciosas. O Dinosaur Jr. é carismático e toca a minha alma, sempre foi assim minha relação com esse grupo. Às vezes a voz de Mascis parece um lamento blues, uma vez comparei-a a alguém que perdeu um amor e sentou-se na calçado com uma garrafa de Jack Daniels na mão, chapado. O trabalho é uniforme, sólido, um grande disco. É muscular, melódico e maduro, sem dúvida um dos melhores trabalhos do grupo. "Plans", a canção mais pop, é uma autêntica balada dinosauriana, com uma guitarra dedilhada com força e que serve de modelo para os toscos guitarristas das bandas indies que infestam a Inglaterra, hoje.  O épico "I Don't Wanna Go There", de quase nove minutos, sintetiza toda energia do rock, e lembra bastante Neil Young, o mago eterno. Tem um solo arrasa quarteirão, um pedal fuzz vibrante acompanhado por um baixo em linha, como a cereja do bolo. "Over It", primeiro single, e responsável por um dos clipes mais simples e carismáticos do ano, é um genuíno diamante rosa, como um certo chacra, explodindo toda a essência do Dinosaur Jr. A atitude da banda reflete seu estado de espírito, no seu som, desprovido do hype, das páginas eletrônicas do New Music Express, que elege um herói a cada mês, e o grupo dispensa. "Farm", despretensiosamente, conseguiu as notas mais altas nos melhores portais de rock do mundo, inclusive aqui.

                                                                 

Tudo o que o DJ não quer é ser hype, mas apenas mandar muito bem seu som. Em "Pieces", a faixa de abertura, o tom já sugere um autêntico álbum de um rock de verdade, sem subterfúgios ou guitarras enganosas. Como sempre, com criatividade, a banda mostra a diferença enorme que existe hoje entre o rock americano e inglês. O inglês, um amontoado de hypes sem qualidade, e o americano, formatado na espontaneidade e na raiz do blues. "I Want You to Know" considero a canção que destoa um pouco do CD, que, no geral, mantem uma uniformidade coerente. É um pouco arrastada demais.   Já em "Ocean in The Way", uma linda balada, Mascis, declara seu amor arruinado. O som do Dinosaur Jr. se amplia a cada álbum, e a reunião dos integrantes originais representa uma simbiose perfeita. Na mesma onda, de um trabalho com o selo de qualidade DJ, "Friends", "Said The People" e "There´s no Here", são canções típicas de um power trio, meio Grand Funk Rairoald da primeira fase, muita energia em cada instrumento e um perfeito casamento de performances. Das três, "Said The People" é um quase blues, atormentada e abusivamente bela, ajuda a construção do mito, quando Mascis brada "save me, save me, my last night is true. I can´t help you save me, save me", tudo emoldurado por um grandioso e rico solo de guitarra, cheio de elementos e recursos diferenciados, que não colocam dúvidas na destreza do guitarrista como um cara realmente diferenciado. A abertura de "See You" , insisto, comprova que o Dinosaur Jr. é a autêntica guitar band que optou pelo amor e sentimento. Grandes solos carregados de feeling e coração, paisagens sonoras que tanto podem arrasar os tímpanos e, ao mesmo tempo, aquecer o coração. A última faixa, "Imagination Blind", é um tanto hard rock e também lembra Neil Young, no andamento.  Enfim, mais uma vez Jo Mascis e companhia brindam a música com um disco real, ou seja, feito com o coração e honestidade, coisa rara nos dias dominados por falsos heróis e grupos ruins. O Dinosaur Jr., em grande forma, reassume seu lugar entre as melhores bandas de rock em atividade.  

                       

                                            

                                                    

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15 respostas para “Dinosaur Jr. abusa das guitarras com classe e noise”

  1. Decio Disse:
    É excelente esse cd, perfeito.
  2. Luciana Khalil Disse:
    Concordo com você Dum, o Dinosaur manteve a essência e é uma banda das mais legais e toca muito esse guitarrista.
  3. Regina Sensini Disse:
    O disco é simplesmente maravilhoso, bem feito e tem várias guitarras barulhentas e muita melodia, um dos melhores do ano sim.
  4. Amadeu Disse:
    Não gosto do Dinosaur Jr, acho muito barulhento, nem consigo entender o vocal. Simplesmente confuso e até que melódico é, mas é chato.
  5. GC Disse:
    Até que enfim uma resenha decente desse cd. O melhor é a banda ter voltado ainda melhor, mais constante. Um som mais uniforme e guitarras bem nervosas mesmo, mas como envelheceu o Mascis!!
  6. Fabio Zelenski Disse:
    Muito bom texto. Concordo com tudo que foi dito. Conheci DJ há relativo pouco tempo, e comecei a ouvir pelo Beyond. Aí fui conhecendo os demais álbuns e reparei que a identidade sempre mantida, assim como a qualidade. E não foi diferente com Farm, que me agradou por demais e não sai do meu iPod.

    http://www.zelenskiexperience.blogspot.com/

  7. Kike Disse:
    Uma banda que deveria servir de exemplo para os modismos que a própria mídia cria. Com o Dinosaur Jr. não existe engôdo, fazer tipo, cara de mal e muito menos enganação. O disco é muito bom e vai direto na mente.
  8. Kelson Disse:
    Essa sempre foi um das minhas preferidas, Farm dá uma aula de rock, de dez nos indies. Também não sai do meu Ipod.
  9. Claire Disse:
    Bom texto, elegância.
  10. Rita de Cássia Disse:
    Dum, como sempre mandou muito bem descrevendo uma banda que nunca ouvi falar mas fiquei instigada. Isso é que é saber convencer com palavras..rssss. Textão einn. Não esquece da pauta do Festival.
    beijos
  11. Deborah Disse:
    Mandou super bem na crítica, bem diferente seu jeito de escrever.
  12. Tucatoca Disse:
    Muito legal sua resenha do cd concordo inteiramente com seu ponto de vista especialmente na constância no som do Dinosaur, sem fazer alarde mas produzindo o the best.
  13. Lia Disse:
    Concordo totalmente com o Amadeu, guitarras com um timbre irritante, tem músicas chatas e bobas. Tambem não gosto desta banda.
  14. Carmen Disse:
    Dum assisti a um show desse grupo em Nova Iorque em 1998 por acaso e fiquei fazona. Gostei muito do seu estilo de escrever com personalidade e estilo.
  15. Henrique Disse:
    Li seu texto e fui conferir se o Cd é tudo isso. Viva o mp3 porque depois de ouvir e achar mediado o CD acabei achando outros da banda que achei melhores. Bom porque conheci um som diferente.

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