cyberpunk
Existem 25 cidades perdidas dentro do mundo. São 25 momentos recheados com wodca e canções negras. E R&B e punk rock misturam-se com idéias marxistas e ecológicas, juntam-se artístas de grafite a mentores do conservadorismo intelectual elitista. Vivemos pelos cantos undergrounds da vida. Multipintando muros solitários pelas noites, vendo les enfants terribles sorrindo para a música e a bomba. Dez mil pedaços de bananas e caramelos, tudo pelo ar com champanhe avec fromage. Existem 25 pirâmides nessa selva. Também existem computadores quânticos que se desdobram pelos mantras da Índia num pranto doce e poético. Olhares dispersos pelas ruas do Marais são como o choro e os sussurros das crianças de Bagdá, que apenas conhecem o universo da destruição da guerra. Existem 25 planetas destruidos. Existem muitos sorrisos destroçados por aqueles mesmos que edificaram as moradias da pequena burguesia decadente. Quero mais 25 quilos de amor e sexo, como um astronauta que vê a sua imagem num espelho partido. Falemos de nós como bombas humanas. Existem vários lugares para se detonar lágrimas de consciência e viajar pelo espaço da liberdade e da poesia. Eletricidade exposta.
taarna
Existem 25 gritos silentes. Momentos e diafragmas da vida. Punks solares de Amsterdã me perguntam todos os dias de você. Tomo mais uma e sinto os solos rápidos e crus do punk rock. E admiro as montanhas olhando-as bem no fundo da alma. Transeuropean Express. A dor é para ser sentida, à distância para ser destruída. A minha imagem mental mistura meus sonhos as cores da praça mais louca da cidade. 25 melodias sagradas partem de uma máquina de coca-cola que fabrica comida em pó para cachorros que leram 1984 e ficaram loucos. Como uma overdose de heroína com o evangelho das escrituras sagradas. Não sei o que a lua faz pelo céu se não abriga seus filhos televisivos e discípulos do 25 e do 69. Falemos da pequena centelha de erva que penetra no sexo da mulher, fecundando a mãe louca de um grupo de cyberpunk rock que canta o fim do mundo. Homem digitalizado, pós humano, sexo sem secreções, pós sexo, conhecimento holográfico instantâneo, onde tudo se transforma em poeira e senhas. Amor e energia. Transformo-me à noite, todas as noites, sob o sol da meia noite. Sinto teus olhos distantes penetrando na minha pele, na minha luz, na minha realidade.
serge gainsboug
Existem muitas estradas que podem nos levar a felicidade. Ouço Rádio Ethiopia, dela mesma, solta no ar, viajo com sons etéreos e com o rock feroz. Deserto da faixa de Gaza. Mais uma história de guerra e missionários que beberam dos cogumelos mágicos. Vejo teus pensamentos. Eles me parecem distantes e disformes. Eles me parecem irreais do instante complexo que passa pelo dia a dia europeu. Quero apertar mais um e recolher as palavras e estrelas com um detector de sentimentos verdadeiros. Assim ando numa história real de vida, numa desenfreada corrida contra o tempo, num gesto que não entendo e discordo. Apenas vejo os planetas caminharem para teus olhos grandes e sem cor. Apenas sinto 25 beijos ininterruptos e inconformados. Doce sensação. Como uma suave brisa das praias do Brasil eu bebo uma cerveja de Munich. Percebo a grandeza e a pequeneza. Micro e macro cosmos. Uma energia muito louca e forte que arrebata e possui. Pelos opostos a tecer a emoção. Existe uma vibração para cada profeta. Existem perigosos caminhos para a humanidade porque, principalmente, precisamos ser algo de futuro que contribua para o desenvolvimento da máquina. Que merda cheirosa!
caos
Vejo teus olhos no cair da noite, escrevo poesias, conflitos com les flics. Somos squaters de coração e fé. E deve existir algo mais importante que nossa vida de animais pós-adolescentes. 25 posições diferentes. Magia e incógnitas dos druidas e alquimistas. Gemidos nos nossos olhares sobre os muros proibidos. Existe o momento inevitável quando nos encontramos e produzimos o amor entre nossas mentes e corpos físicos e espirituais. Somos selvagens a procura de amor e de verdades interiores. Somos heróis por muitos dias porque despertamos, cultivamos e preservamos os nossos sentimentos.
Você cria formas que andam e percorrem os lugares dos loucos. Na parede da memória de uma certa estação do metro parisiense. Momentos de tesão total. Você cria formas afrodisíacas, você possui segredos que percorrem a constelação de Órion. Você criou a imagem de Abraxas a grande deusa do universo. Abraxas, a feminina, voltou imersa em fluídos mágicos. Abraxas voltou em sua nave envolta numa enorme bola de fogo. E recriou a importância dos aspargos no asfalto da Zâmbia. Todas as relações voam sobre os campos, atravessando montanhas e o oceano. Sabemos que tudo existe, que tudo é muito evidente. Abraxas é a mulher artes e amor. É o princípio, o meio, o fim, a idéia, a luta e a persistência. O principal elo entre a iniciação e o espaço cósmico. As mudanças, a construção das novas realidades e conceitos de todas as ordens. Arts/rats/póseresia.
spor cyberpunk

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21 May, 2009 às 4:32 PM Sensacional cara, quanta inspiração.
21 May, 2009 às 4:52 PM Recriar Dum, sempre assim você foi e continua sendo. Muito a ver ainda hoje em dia. Grandes imagens, ótimas reflexões.
21 May, 2009 às 4:53 PM Caramba Dum, eu diria pós-psicodelia ou e-avatar ou qualquer um desses termos infinitos de um novo patamar de consciência coletivista tecnológica.
Pendente talvez a profundidade do eu cósmico na harmonia que rege o universo, possivelmente em fraternidade a todos os seres...
Abrxx
21 May, 2009 às 6:59 PM Que viagem maravilhosa esse texto. Literatura e desafogo bem loco.
21 May, 2009 às 7:31 PM Uma linguagem fora do comum, quase sem fôlego, avassalador. Foge da mesmice dos blogs sempre iguais e repetitivos, já era bom e ficou melhor amigo.
beijo
22 May, 2009 às 10:07 AM Dum, não sabia do seu lado literário, mas ele também é bem legal. Você consegue escrever de forma diferente, num ritmo alucinante e com imagens belas e reflexões que faz pensar. São suas experiências, ou uma ficção?
22 May, 2009 às 4:21 PM Meio Henry Miller, meio Kerouac; gostei!
Bem pensado.
Bem escrito
Bem dito.
bjs
22 May, 2009 às 4:28 PM Existem 25 formas de ler, refletir, e interpretar...
Poxa Dum!!! Gostei muito do texto, dentre tantos que já escreveu, nunca tinha lido nada igual, tava inspirado!!!
Me sinto muitas vezes uma bomba humana pronta pra detonar em gritos, lágrimas, risos e poesias a realidade obscura que vem a tona quando enxergo o mundo e a minha própria alma de forma consciente. Sem lisergias e fugas a dor parece o fim do mundo...
Muitas frases pareciam sair do meu pensamento...vivo um momento tão louco e mágico. Às vezes não sei se entendo certas mudanças, encontrar formas de amar, e sentir essa energia no meio desse planeta robótico parece mesmo heróico.
Pra isso existe a arte e a liberdade de expressão...pra que não enlouqueça, na insistência de viver as transformações da noite e as surpresas que cada dia nos traz.
23 May, 2009 às 1:36 PM Elaine e Cris, obrigado pelas frases, o que vem do coração e da vida brota mesmo com uma rajada visceral.
Catarina, é meio auto biográfico, meio sensações e experiências sensoriais.
beijos
23 May, 2009 às 5:23 PM Inspirado, metafísico, cheio de vida e talentoso. Muito bom.
24 May, 2009 às 11:07 AM Adorei o texto Dum, feito com muita paixão, espiritualidade e intensidade. Alguns trechos gostaria de ter escrito.
abs
25 May, 2009 às 9:51 AM Tuas influências são muitas e boas, fica claro na sua maravilhosa construção das idéias. Concordo que é meio Henry Miller, muito beat, mas tem a sua cara Dum, bem intenso e perspicaz. Talento puro. Parabéns pela criatividade e habilidade em tratar bem as palavras.
25 May, 2009 às 11:35 AM Fala Dum, beleza?
Queria comentar mais do seu texto aqui.
Me trouxe imagens de gibis, de Frank Miller, dos anos 80 tecnológicos.
Senti uma atmosfera de desarmonia, mas posso estar errado, pode ser por causa das minhas referências anti-tecnológicas.
Me conte mais desse texto, como vc criou isso?
Abração
25 May, 2009 às 12:48 PM Leco, eu costumo dizer que os textos literários que escrevo são bastante cinematográficos, têm muitas imagens, referências e intensidade. Gosto e tenho alguma coisa de Frank Miller,como também Alan Moore, Liberatori, Moebius, HQs em geral. Essa atmosfera que você capta como "em desarmonia" sinto como uma desconstrução do formato, sensações, afirmações, dúvidas e experiências em profusão. Ao contrário de você, tenho várias referências tecnológicas e estou estudando cultura e civilização digital, o pós homem. Simplesmente porque a tecnologia, bem usada, e aliada a consciência cósmica ecológica, está diretamente ligada a existência humana. É possível viver sem um lap top se queremos trabalhar, pesquisar e criar, e nos conectar ao mundo? Até dá, mas em outra esfera de pensamento. E por fim, o texto foi criado como uma meditação. É claro que existe um sentimento que motiva a escrita, mas depois tudo vem como uma torrente. São vivências pessoais, sensações humanas, um pouco de ira, esperança, viagens metafísicas e coisas que nem eu sei. Depois é avaliar, revisar e publicar, ou não.
abração
25 May, 2009 às 4:16 PM Essa crônica me lembra aqueles livros sem pontos e que nos levam a ficar quase sem fôlego. Seria a estação Voltaire Dum, perto do Pere Lachaise?
25 May, 2009 às 6:48 PM Muito legal mesmo Dum! Aguardamos novos capítulos!
27 May, 2009 às 11:29 AM Intensidade e objetividade cativantes, bem conceituado e escrito de forma poderosa. Adorei.
beijo