Dynamite

1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

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 Faz tempo que queria comentar um livro muito bacana que tenho folheado quase que diariamente, e um feriado chuvoso e frio é perfeito pra isso, ainda mais ao som de Nick Drake. "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer" é um bloco de 960 páginas que resume, de forma esperta e leve, a melhor música da Terra desde o jazz de Miles Davis da década de 1950, até "Neon Bible" do Árcade Fire, de 2007. O editor Robert Dimery e 90 críticos internacionais condensaram o melhor da produção musical do século 20, criando um livro útil, divertido e, em minha opinião, indispensável. Rock, pop, jazz, blues, punk, heavy metal, soul, hip hop, música experimental, eletrônica e muitos outros estilos estão nas páginas do volume.  

                                                                                                          

 

 A divisão do livro é feita por décadas, e cada início de capítulo traz pequenas gotas de contextualização histórica, informando alguns dos principais acontecimentos daqueles anos. Álbuns como "Disraeli Gears", do Cream, 1967, e "Aretha: Lady Soul", de Aretha Franklin, 1968, tornaram-se referências de mudanças em sua época, influenciando no comportamento das pessoas e na forma estética da música. O tratamento gráfico é bem feito, com um designer básico de um guia, privilegiando a sobriedade e a informação. A capa é ilustrada com uma foto de Sid Vicious - ex-baixista morto dos Sex Pistols - e as páginas internas são recheadas por imagens de capas de discos e de artistas.   

                                                                                                                                      

  

Como era de se esperar tem uma overdose - não sem mérito - de Hendrix, Pink Floyd Beatles, Radiohead e David Bowie, e a presença de brasileiros como Caetano Veloso, Elis Regina, Tom Jobim, Vinícius de Morais e Toquinho e Mutantes. A coletânea é coerente e equilibrada, lembrando o trabalho de gente como, por exemplo, Einstürzende Neubaten, (o grupo demonstrava sua obsessão por destruição usando ferramentas elétricas e sucatas junto com guitarras freneticamente distorcidas), "Kollaps", 1981; Nick Drake, "Pink Moon", de 1972, e mais dois, e Missy Elliot, "Under Construction", 2002.                                                                                                                                                                                                         

                                                                                         

 

 "Freak Out", 1966, do Mothers of Invention de Frank Zappa, é descrito como um "demolidor disco de estréia que levou a gravadora ao pânico". O visionário Kraftwerk contabiliza três álbuns na coletânea. Sobre "Autobahn", 1974, por exemplo, o crítico Stephen Dalton (que já trabalhou em veículos como Times, Uncut e NME) diz: "com a colaboração dos percussionistas Wolfgang Flür e Karl Bartos, Hüter e Schneider cristalizaram o som metafórico e a imagem dos quatro elementos que definiram o som do Kraftwerk. O álbum contém peças sublimes e um ambiente pop eletrônico moderno, praticamente inventado pela banda". Entre os ícones digitais dos anos 90 tem Chemical Brothers com "Dig Your Own Hole", 1997 e "Exit Planet Dust", o clássico de 1995. Marvin Gaye, Roxy Music, Genesis, U2, Pixies, Stones, Nico, Arctic Monkeys, B. B. King, John Lennon, Iggy Pop, todos os grandes nomes estão nessa bíblia da música pop. 

              

                                                                                                                                                                                                                                                       
                                                                                                      

17 respostas para “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer ”

  1. Thessa Disse:
    Que livro sensacional..eu quero!!! Uma dica muito legal e que aguça os amantes da música e do rock mais especificamente.
  2. Heitor Castro Disse:
    Tenho o livro e assino embaixo, é indispensável pra quem não vive sem música. Adquiri muita coisa boa me orientando pelos discos indicados.
  3. Laura Disse:
    Esse livro saiu aqui primeiro em portugues da terrinha, o que o tornava chato de ler. Agora me animo pra comprar.
  4. Cris Boka de Morango Disse:
    Já tive a oportunidade de conhecer o livro e indicá-lo no programa, a gente sempre se surpreende qdo pensa que conhece tudo sobre música.
    Dum, a tempos não postava e aproveito pra mais uma vez elogia-lo por sempre ter algo importante a escrever e com um estilo que é só seu!!!
    Good Vibrations...
  5. Alice Campos Disse:
    Livro magnífico para quem gosta de música e de cultura pop, mas faltou Amy Winewhouse com seu Back to Black. Com certeza a próxima edição terá além de Amy, Racounters e o último Radiohead.
  6. Ruy Rocker Disse:
    O blog está ótimo Dum, bem variado com ótimas sugestões, dicas e textos como sempre bem feitos. Essa bíblia é o tipo de livro que daqui há uma década deverá ser desmembrada em dois, três volumes. Me lembro quando saiu a edição portuguesa que vi numa livraria. Era praticamente ilegível para nós brasileiros. Agora com essa em português entendível fica muito melhor.
  7. Humberto Finatti Disse:
    Pois é sr. De Lucca, agora sim vc está fazendo jus à identificação do seu blog: "rock'n'roll & literatura", pois juntou ambos no seu novo post comentando o "1001 discos...", que eu tb tenho.
    O livro é realmente bacana e, embora já tenha saído em edição brasileira há meses (ao contrário do que o "informado" Ruy Rocker imagina), merece ser comentado sim pois, como eu sempre digo, bons livros e discos não têm prazo de validade para serem analisados. Para quem ainda não sabia da existência do dito cujo (será possível?), seu comentário veio bem a calhar. Abrax do colega de site e amigo de longa data.
  8. Tatiana Lessa Disse:
    Um livro completamente necessário para se pirar, se informar e curtir. Mas o mais importante é que documenta os discos mais fodões da história da Cultura pop. Lendo as vezes dá vontade de ouvir e saber mais a respeito das bandas e dos discos e contextualizar, como o livro faz, na época. Porque é visível e quase palpável a influência social na música e vice versa. Bacana você comentar essa obra fantástica que sempre será atual.

    parabéns pelo blog, ganhou uma leitora
  9. Sabrina Duklos Disse:
    O bacana é fazer a informação circular e é sempre ótimo e legal dar ênfase a livros, discos e bandas boas e pertinentes. Gostei muito da matéria do Bukowsky, tanto como as outras, porque é informação consistente e bem feita. Arte é atemporal, como bem escreveu o Finatti, e 1001 Discos é uma dica indispensável, porque são muitos veículos e as dicas variam e precisam mesmo de muitos veículos pra chegar a diferentes públicos.
  10. gabriel mangabeira Disse:
    Pelo tamanho do livro bem que ele poderia ser editado em volumes menores, pelas décadas. Seria até mais fácil de manusear e folhear. Talvez o texto pudesse ter mais exemplos de discos da coletânea, especialmente de metal e bandas mais novas, como Franz.
  11. Martina Disse:
    Jefferson Airplane, Sex Pistolls, Patti Smith, Radiohead, Arctic Monkeys, rock, livros, arte e boas fotos e textos legais e concisos. Queremos mais livros de arte e música e menos musica ruim. A literatura e o rock são ligados pelo cordão umbilical e a Jukebox aborda isso muito bem, parabéns, muito legal.
  12. Catarina Disse:
    Dum, muito boa a resenha básica do livrão. Aqui na rádio ele já está detonado de tanta gente crescer o olho e meter a mão, mas tenho meu meu, off course. Literatura e rock são como vinho e queijo e esse é o diferencial de uma boa vida. Afinal a Joss Stone vem ai, não tão louca como a Amy, mas não tão careta como quem acha que o legal é se drogar. Esse modelo é tão fora de moda que até a Janis não faria, porque era mais inteligente.
  13. Amadeu Disse:
    Poderia ser imitado aqui no Brasil, afinal de contas faz tempo que saiu uma enciclopédia do rock, que é o que mais se aproxima de 1001 discos.

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