Dynamite

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MySpace exclui a banda Pecadores, cadê a democracia?

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Até onde vai a democracia no tão idolatrado MySpace? Incensado como um meio livre e sem censura onde bandas e artistas podem mostrar e comercializar música, o site revelou uma nova face que estranhamente vai de encontro a tudo o que propõe: Liberdade de expressão em um território no qual praticamente todos andam sem medo, e onde eventualmente se pode impulsionar uma carreira de sucesso. Exemplos existem muitos e praticamente não há um grupo de rock de garagem, ou consagrado, que lá não tenha a sua página, com fotos, perfil, música e contatos. Pois é, o MySpace retirou sem maiores explicações, ou explicações nada convincentes, a página da banda brasileira de Industrial Voodoo, "Pecadores", pouco conhecida aqui mas de boa relevância na Europa, onde são chamados de um grupo Brazil´s Urban Jungle. Ouvindo o Cd "10% for Jesus" não achei nenhum motivo para uma agressão tão forte dos americanos à liberdade de expressão. O som é pesado, com batidas eletrônicas que lembram bandas alemãs como "Einstürzende Neubauten" e "Leibach", só que com uma percussão de macumbaria, afoxé, etc, e letras que exploram a pluralidade religiosa brasileira. Contudo, apesar das letras serem - ainda bem - um tanto críticas e reflexivas, em nenhum momento ofendem qualquer crença ou valor espiritual. Ponto. Aliás, religião e espiritualidade são bem diferentes, dogmas e atitudes limpas parecem distantes quando há alguém dizendo o que se pode ou não fazer, que existe pecado e que dar dinheiro é obrigação. Mesmo que a vontade divina manifestada em tipos como Edir Macedo ou a "bispa" Sonia Hernandes, distribua diplomas assinados por Jesus Cristo, ou as chaves do céu, existem pessoas que ainda pensam por si. Procurado pela banda, intrigado e surpreso, li os e-mails entre os Pecadores e o MySpace e fiz a entrevista. Tentei ouvir o site, mas não obtive resposta.    

                                                             

 

1 - Explique o que rolou entre a banda e o MySpace?

Em primeiro lugar gostaríamos de agradecer o apoio que a imprensa está nos dando. Pois, como a característica principal das bandas que estão no MySpace é o fato de serem independentes, às vezes somos tratados como transparentes e temos pouco poder de contestação, mas felizmente podemos sempre contar com vocês.

O Caso do MySpace foi uma infelicidade, mas quero colocar aqui meu ponto sobre o site que é uma ferramenta incrível, ótima mesmo para que bandas como a nossa possam atravessar os oceanos desse mundo sem depender de uma gravadora para praticamente nada. O problema é que, justamente essa característica que nos dá liberdade causa uma certa dependência, onde habitávamos há mais de 4 anos e tudo ia muito bem. Fazíamos divulgações de shows, colocávamos musicas para o pessoal ouvir, negociávamos com distribuidoras de fora do Brasil, inclusive agendamentos de shows, como a maioria das bandas fazem. No meio de julho o site dos pecadores  (www.myspace.com/pecadoresbrazil) começou a apresentar problemas para entrar, alguns fãs da banda deixaram mensagens no Orkut, ou mesmo nos mandaram e-mails notificando a dificuldade do acesso. Em seguida recebemos um e-mail notificação do MySpace dizendo que havíamos sido banidos por descumprir algumas das regras que temos que aceitar antes de entrar. Bem, acontece que o conteúdo da página do Pecadores era o mesmo do (www.pecadores.net). Colocávamos capa do disco, músicas para ouvir, datas de shows, e tínhamos contatos lá... somente isso.. nada mais, nenhuma imagem pornográfica, ou ofensiva.

Enfim enviamos e-mails ao MySpace na tentativa de entender o motivo de tal banimento, mas a resposta que chegava era sempre aquela padrão onde você tem certeza que o individuo do outro lado deu um CTR+C escreveu uma introdução qualquer e deu um CTR+V. Apesar de insistirmos no esclarecimento do motivo e do pedido de retorno do site, os e-mails que seguiram não foram muito diferentes do padrão. Eles dizem que não cumprimos alguma regra, mas nós lemos todas elas e temos certeza que não burlamos nenhuma, seria idiotice colocar algum conteúdo ofensivo, de mau gosto que retorne de forma negativa para a banda. Cansamos de questionar e há duas semanas criamos outra página  ( www.myspace.com/pecadoresofficial ) perdemos outras 8 horas reconfigurando, subindo imagens , mp3, não chegamos a adicionar contato algum , e um dia depois?? Surpresa, a página havia saído do ar, e o fatídico e-mail chegou com o texto padrão para variar. Enviamos mais e-mails, dissemos que iríamos procurar a imprensa, o que fizemos, pedimos esclarecimentos e nada... então começamos a divulgar a notícia em sites de música na Alemanha. Só queremos saber o motivo, pois entendemos que é uma grande responsabilidade quando uma empresa coloca um site a sua disposição, para depois que você cria uma certa dependência, ela simplesmente apagar o seu histórico e não lhe dar nenhuma explicação, isso não é legal cara!!!. Por fim, criamos um terceiro perfil, mas ainda  não tivemos coragem de personalizá-lo, por medo de outro e-mail macabro dizendo que fomos guilhotinados uma terceira vez.

 

                                                                  

 

      Leia a comunicação entre a banda e o MySpace                                                       

Dear Sir,

Sorry, butour myspace page wasn´t NO ITEMS BELLOW!

NO spams, no nude, no violent photos, no low age, nothing!

SO, we are sending this messgae to many newspapers in Brazil and music webs and magazines around the world to tell about the discrimination with out music @ MYSPACE.

 

On the last week Pecadores' webpage at Myspace was banned from internet .

After 3 years using that space we were very surprised by the suddenly disappearance of our profile . It was used mostly for professional exchange and as a link of contact with those interested in our work all over the world .

Without any warning or notice our profile was removed . As we never broke the rules of forbidden imagery or any other aspect of violence , abuse or discrimination , we must regard ourselves as victims of prejudice against our thoughts and beliefs .

Myspace seems to have gone against the basic freedom of particular points of view . Everyone in non-theocratic societies is free to believe and worship whatever they wish , including ourselves . Our work , our faith or lack of it is no reason to ban us from anywhere in real or virtual spaces .

As our page used to fit the rules demanded by Myspace , we can be considered victims of prejudice and religious discrimination , there is nothing upon Earth which may put any religious group above us just because we are out of the mainstream beliefs of the greatest religions in the world . By law , a Christian of any sect , a Muslim  or a Jew is worthed as much as a Satanist , an Atheist or Pagan .

 

Faithfully ,

Pecadores members .

www.pecadores.net

 

----- Original Message -----

From: admin@myspace.com

To: info@pecadores.net

Sent: Tuesday, July 28, 2009 1:49 PM

Subject: Account deleted for violation of Terms of Service

 

Your MySpace account has been deleted for violating our Terms of Service. This is usually due to one of the following: * Nude images, sexually suggestive or violent photos * Covering our banner ads with HTML * Harassing other users * You do not meet the minimum age requirement * Spamming the classifieds, forums, bulletins, or other sections of the site * Attempting to artificially inflate scores * Scripting the site Your account cannot be restored. If you choose to return to MySpace, please follow the rules.

                                                             

2 - Qual é o conceito da banda?

O Pecadores é uma banda de industrial, que utiliza como inspiração temas que, de certa forma, são polêmicos, mas tentamos fazer sempre tudo com a maior leveza possível. Temos um som rápido, agressivo e pesado e nossas letras tratam de temas como o das igrejas neo-pentecostais que trocaram a salvação da alma pela salvação do bolso. Padres pedófilos, macumbas e trabalhos que trazem a pessoa amada de volta em três dias, essa mistura de coisas espirituais com dinheiro, que são de certo modo até pornográficas (será que foi por isso que o myspace nos chutou?). Mas veja, nós tentamos colocar humor, pois você há de convir que esse tipo de situação transita do engraçado para o bizarro. Não dá pra levar muito a sério um cara que não tinha nada e no outro dia sem trabalhar, somente perseverando, consegue carro importado, mansão, uma empresa, pára de bater na mulher... são pérolas que vemos todos os dias e adotamos como hobby..

3 - Fale sobre as influências e a história dos Pecadores?

Musicalmente passamos por várias influências, do medieval do "O Quam Tristis" ao splatter death metal do "Carcass", "Kraftwerk", "Leibach", "Das Iich'. Eu particularmente ouço coisas estranhas como "Necrostellar", "Irphan", a excelente banda de Curitiba "Nathaivel", até "Kreator", "Possessed", "Flotsam and Jetsans"... várias coisas. Encontrei o Niwt em um festival em 2004 na Alemanha e, depois de assistirmos alguns shows e nos embriagarmos pra valer, decidimos que faltava um pessoal fazendo algo realmente insano ao vivo, pois os shows sempre são pouco interativos. Então tivemos a idéia de montar o Pecadores, e assim o fizemos em 2005 quando criamos com a ajuda do brother Rogy todo o conceito da banda, as performances ao vivo, onde você além de ir assistir ao show pode participar de outras formas. De alguma coisa o sujeito vai gostar, se não gostar da banda pode tomar uma cachaça dos pecadores. Se não gostar da banda e da cachaça poderá entrar em uma fila para pegar hóstia e purificar seus pecados. Se não gostar da banda, da cachaça ou de hóstia, você poderá ver a sister Mege em cenas picantes. E, se não gostar de nada disso, pode chupar o pirulito do padre que distribuímos também durante o show. Agora, se não gostar de nada mesmo, pelo amor de deus né, nem sai de casa porque aí você morreu, correto? A banda é isso. Os nossos shows são verdadeiros cultos de fé ou da falta dela. Cada um veste a sua carapuça e se diverte. Lançamos um single, "Macumbaria", que se esgotou rapidamente. Em 2007 o CD "10% for Jesus" foi lançado pelo selo alemão Danse Macabre, depois que Bruno KRAM dono da gravadora e front man do "Das Ich", veio ao Brasil fazer um show e nos ouviu. Fomos contratados na hora. O primeiro o CD saiu somente na Alemanha, e alguns meses depois fechamos com a Hellion, que distribui uma outra versão do mesmo álbum com uma capa diferente e algumas bônus tracks.

                                                                 

 

4 - Quem você acha que pode ter influenciado o MySpace a retirar o perfil dos Pecadores?

Nós realmente não sabemos. Mas é fato que nesses anos todos recebemos ameaças de pessoas ligadas a igrejas neo-pentecostais, já fomos insultados e adoramos. Mas as pessoas pararam infelizmente (se vocês estiverem lendo essa matéria eu gostaria de pedir que continuassem, pois perdemos uma grande fonte de inspiração).  Acreditamos que alguém muito obtuso pode ter nos denunciado por pseudo motivo de ofensa, e nós somente usamos nossa liberdade de expressão para dizer o que pensamos. Felizmente o Brasil como nação laica nos permite ter qualquer crença, ou descrença. Nós não ficamos nas ruas tentando convencer as pessoas a terem a religião X ou Y, ou mesmo pagarem dízimo, ou mesmo acreditarem no DEUS A ou B. Nós simplesmente colocamos nosso ponto de vista, e todos vocês poderão ler em letras garrafais no site: Os Pecadores são contra a pedofilia e qualquer tipo de discriminação racial, sexual ou religiosa. Nós simplesmente tentamos mostrar as verdades que a Igreja esconde atrás de seu manto de medo, etc, etc. E é assim mesmo que pensamos, temos nossa opinião. Sabemos e defendemos que existem pessoas muito, mas muito boas em todas as religiões e que fazem seu trabalho com amor e desapego. Só entendemos que falta do outro lado, o entendimento que também lá existem pessoas muito más. e que só estão ali para tirar dinheiro de quem não tem, e vender ilusões, tripudiar em cima da fé verdadeira, etc.

                                                               

 

5 - Fique a vontade para considerações

Nós queremos mais uma vez agradecer todo o apoio que recebemos dos fãs, da mídia, de você Dum. Acreditamos que você busca, como nós, apenas uma clareza maior dos fatos, e queremos deixar registrado que em breve estará saindo o novo trabalho do Pecadores. Detalhes no Orkut da banda - Banda Pecadores - pelo site (www.pecadores.net) ou pelo ingrato MySpace,  www.myspace.com/pecadoresofficial , que nos expulsa de vez em quando como quando um pastor expulsa o demônio do corpo de uma criatura. Mas nós voltamos sempre, pois somos espíritos persistentes. Fique com Deus independente de quem seja seu Deus, fuja dos homens de má fé... e lembre-se sempre que Deus também castiga: "Deus é Cruel, Deus é Cruel derrubou a Igreja na Cabeça do FIEL.!!!"

                                                                        

                                                             

 

 

                                                          

                                                                 

 

 

 


  

 

                                              

 

 

O novo Arctic Monkeys e a volta das Girlschools em entrevista exclusiva

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                                           crying lightining

Jukebox manda um post um pouco mais longo do que o normal. Porque, como o esperado terceiro disco do Arctic Monkeys vazou na rede, e uma entrevista exclusiva com as veteranas inglesas do Girlschool já estava pronta, resolvi publicar as duas juntas. Bem, vamos lá. "Humburg", o novo e aguardado Arctic Monkeys é diferente dos dois multi premiados Cds anteriores da banda britânica de Sheffield. Para mim que nunca fui muito chegado às novas bandas por achá-las inconsistentes, os macaquinhos sempre soaram bem, o que ficou comprovado com a ótima apresentação no TIM Festival de 2007, quando deram um pau no horroroso Killers, e foram acima das expectativas. Josh Homme, do "Queens Of The Stone Age", produziu sete faixas, e as outras são de James Ford, o mesmo do premiadíssimo "Favourite Worst Nightmare", de 2007.

                                                                              

 O dedo de Josh fica claro nas guitarras mais cruas e ácidas e na bateria mais pesada. De forma geral gostei do visível amadurecimento do A M.  Eles acertaram ao trabalhar com um produtor de pegada diferente, que deu ao grupo a oportunidade de explorar novas perspectivas músicais. Alex Turner e seus companheiros abrem o novo álbum com "My Propeller", que tem ecos de Blind Faith e mostra porque o baterista Mattew Helders é o melhor músico do Arctic Monkeys, promovendo mudanças e viradas que, como no show, me lembraram - aqui vai uma quase heresia - um pouco o falecido Keith Moon, do The Who. O conhecido AM está presente em "Pretty Visitors", uma faixa com a sonoridade clássica do grupo. E por ai vai "Humburg", um trabalho que pode, e deve, gerar opiniões diversas e variadas. Não que "Humburg" seja um primor, mas o Arctic Monkeys passou bem pela síndrome do segundo ou terceiro disco, o que é um mérito.

 

                                                                  

 

                                               

                                         dangerous animals live

 

                                                            

 

"Dance Little Liar" e " Crying Lithining" achei as melhores do CD.  A primeira muito climática, repleta de variações, bons vocais e uma guitarra metálica e direta. Já CL, que tem o primeiro vídeo oficial do disco, é cheia de malhas de guitarras que funcionam como base para o desdobramento da música.  Nela Turner canta: Your past-times, consisted of the strange; And twisted and deranged; And I love that little game you had called; Crying lightning; And how you like to aggravate the ice-cream man on rainy afternoons. "Humburg" ainda tem "Dangerous Animals", onde Mattew dá viradas precisas e criativas, mudanças de tempo acompanhadas por guitarras bacanas. "Potion Approaching" tem uma guitarra boa na introdução, logo seguida por uma bateria bem pesada e vocais um pouco soturnos. É uma canção cheia e repleta de recursos e elementos; "Fire and the Thud" é um pouco oitentista. Com um vocal entorpecido, clima envolvente e meio lisérgico, paisagens crescentes e a sonoridade quase visível; "Cornerstone" é uma balada gostosa onde Alex Turner revela outra faceta de sua voz, ficou legal mesmo. "The Jeweller´s Hands" é grandiosa porque é rica em elementos musicais, um fator que a grande maioria dos grupos de hoje despreza, ou usa mal.  Claro que fica nítido que "Humburg" é mais calmo que os Cds anteriores, mas, pra mim, isso é positivo, na medida em que a banda não teve medo de fazer algo diferente sem perder sua identidade. E, é óbvio, que ai vai muito de cada um gostar, ou não, o que pode gerar polêmicas na crítica e no público, por causa de um trabalho tão aguardado.                                                                  

                                                

                                                         legacy

                                                         Girlschool

Uma das primeiras bandas de mulheres a se rebelar contra a dominação masculina foi a Girlschool. Formada no sul de Londres, em 1977, primeiro com o nome de Painted Lady, tinha Enid Willians baixo, Kim Maccaulliffe guitarra e vocal, Kelly Johnson guitarras e vocais e Denise Duffort, bateria. Pra mim são o que de melhor - junto com L7 - as garotas fizeram até hoje em termos de rock. Um som rápido, de instrumental pesado, cheio de personalidade e com todas as matizes do hard/heavy rock. Boas canções, guitarras afiadas, um visual bem ao estilo de seus padrinhos, o Motorhead. Depois do single "Take it All Away", que saiu pela City records, e a oportunidade de abrirem a tour do Motorhead, Lemmy adorou e as ajudou a conseguir um contrato. Em 1980 assinam com a Bronze Records. "Demolition", o álbum de estréia, pavimentou um começo do que seria uma carreira de sucesso, amparado por um cover visceral de "Race With the Devil" de Adrian Gurvitz. No segundo álbum, "Hit and' Run", de 1981, com um rock n'roll empolgante e despojado, as meninas conquistaram uma grande quantidade de fãs. Este álbum emplacou as faixas "Hit and Run" e "C'mon Let's Go".

                                                                  

No trabalho de 83, "Play Dirty", mudaram um pouco o visual, meio glam, e a sonoridade ficou mais limpa e leve. Em 84, Kelly Johnson (morta por um câncer em 2007) abandonou a banda para tentar carreira solo, porém não teve bons resultados. A banda se juntou à vocalista Jacqui Bodimead e à guitarrista Chris Nonnaci com quem iriam gravar o clássico "I'm the Leader of the Gang". Cada vez mais glam, na época trabalharam com o andrógino Gary Glitter. "Running Wild" saiu em 85, e em seguida veio "Nightmare At Maple Cross". Para o disco ao vivo, "Take a Bite", de 88, elas tinham mais uma novidade. Tracey Lamb (Ex-Rock Godess) estava tocando baixo. Após uma turnê com o Black Sabbath na Rússia a banda chegou ao fim. Nos anos 1990 foi lançada a coletânea "From The Vaults" que dá uma boa dimensão de toda a carreira das garotas. "Legacy", de 2008, tem a participação de Lemmy, Dio, Tony Iommi, Phil Campbell, Fast Eddie Clarke, Neil Murray, Eddie Ojeda e J.J. French do Twisted Sister. Girlschool, que até hoje escuto com prazer e volume bem alto, é uma autêntica representante do talento feminino para fazer rock. O melhor e mais poderoso grupo feminino do mundo, até hoje. http://www.girlschool.co.uk/index.htm .   Por e-mail, direto de Londres, a baixista Enid Williams concedeu entrevista exclusiva à Jukebox.                                                               

                                                                        

1 - É um prazer entrevistar uma banda que faz parte da minha vida e que coloco ao lado dos melhores grupos de rock. Girlschool sempre fez um rock pesado, visceral e honesto. "Legacy" tem a mesma energia e força que Demolition e Hit & Run, que são excelentes álbuns. Fale sobre a concepção e produção do CD. Ele soa como um grito irado, bem produzido e está claro que foi feito com amor. Qual foi a maior motivação?

Enid Williams - Obrigado! O design é baseado no nosso logo a partir do momento de Demolition. Tim Hamill, que também fez Believe, produziu o CD. Nós todas escrevemos as canções com paixão e chegou-se a diferentes influências. A letra de I Spy, por exemplo, fala de CCTV. Eu estava escrevendo sobre as liberdades civis e Kim sobre câmeras espias, ai juntamos tudo nessa canção. Isso é algo que nos deixa com raiva. Quanto ao álbum em si, ele foi motivado para mostrar que, após 30 anos, podemos ainda fazer um álbum relevante e não apenas viver no passado. Além disso, após todo este tempo, temos fieis seguintes ao redor do mundo. Nós queremos fazer uma declaração: "Nós estivemos lá, desde o  início, e ainda estamos aqui com todo mundo!"

2 - O Motorhead vem quase todos os anos para o Brasil e tem um público fiel e fanático. Lemmy tem um significado especial na história das Girlschool, ele que apresentou a banda para a Bronze Records. Comente sobre a relação entre os grupos e ... venham ao Brasil para mostrar o que uma banda de mulheres pode fazer com guitarras.

Enid Williams - O Motorhead ouviu nosso primeiro single no rádio, em 1978, e Lemmy nos pediu para entrar em turnê com eles. Foi realmente assim a sua ajuda. Depois a gravadora assinou com nós. Foram gravadas as canções Please Don't Touch e Headgirl.  O Motorhead deu-nos um monte de publicidade. Nós excursionamos com eles algumas vezes na década de 80 e para a tour do seu 30 º aniversário, em 2005. Estamos orgulhosas da nossa associação com eles, porque, além da amizade, nos ajudaram a tornar-nos conhecidas quando começamos. Mas tínhamos tocado centenas de shows e gravado um álbum antes de nos conhecermos. E, obviamente, amaremos ir para o Brasil!

3 - Não há dúvida o mérito da Girlschool por abrir as portas para outras meninas agarrarem as guitarras. Não podemos esquecer Lita Ford, Runnaways, Suzy Quatro, Joan Jett (sensacional), outras, mas Girlschool foi / é essencial e única. Depois vieram Breeders, Lunachicks, L7, etc. Hoje temos Donnas, Vivian Girls, citando apenas duas. Grupos de mulheres são diferentes?

Enid Williams - Tem havido muitas mulheres no rock e no metal ao longo dos anos, mas nenhuma outra banda feminina durou mais do que dois ou três álbuns. Quando começamos, eu e Kim em 1975, não havia qualquer banda de meninas tocando fora dos E.U. Tivemos de lutar para sobreviver e temos feito isso em nossos próprios termos, para que nos sintamos orgulhosas de termos chegado tão longe. Hoje existem milhares de meninas tocando e é ótimo quando elas vêm, depois de um show, e dizem que temos sido uma influência. Mas muitas vezes falam que somos a primeira banda feminina que faz a diferença.  Bandas femininas são apenas bandas quando é tudo música!

4 - Ficamos muito tristes aqui no Brasil com a morte de Kelly Johnson. Mais do que ser uma estrela de rock talentosa e dona de uma ótima performance, ela mostrou uma grande força espiritual. Esse fato influenciou na feitura do disco? Qual foi a sensação desse processo na música da Girlschool?

Enid Williams - Foi relevante.  Kelly morreu pouco antes de realizarmos o álbum e estávamos olhando para trás, no nosso passado e no que tínhamos conseguido. Algumas das músicas falam sobre ela. Além disso, quando morre alguém da sua idade, sempre lembra de sua própria mortalidade e que você tem que fazer o melhor na maior parte do tempo que você tem. A morte dela deu à nossa música mais urgência e fogo.

5 - Como um ouvinte de rock desde 1970 e jornalista de rock, entendo que, agora, com as facilidades tecnológicas para gravar e divulgar - e nem vamos falar das vendas por causa do mp3 na internet - a qualidade das bandas piorou. Esta é a minha percepção. Este panorama dá a oportunidade dos garotos alcançarem seu sonho. Claro, existem boas bandas como o Kooks, Racounters e QOSA, por exemplo. Mas onde estão os solos de guitarra nos novos grupos? É um horror ver um show do Franz Ferdinand ou Bloc Party e ouvir a falta de criatividade e de guitarras, fica uma coisa sem alma. Os Sex Pistols, The MC5, The Stooges e Ramones foram musicalmente simples, mas tinham personalidade. Adoro quando o Deep Purple ou o Motorhead vem ao Brasil para ver um bom show de rock guitarra e ouvir boa música. O que você pensa sobre isso?

Enid Williams - Há mais bandas que nunca, pois você pode gravar um álbum em seu computador e promover e vendê-la na web. É bom porque qualquer pessoa em qualquer parte do mundo pode fazer música, mas é mais fácil diferenciar os bons dos merdas! Fizemos nossas próprias escolhas, e hoje é melhor do que no começo. Temos o nosso próprio website, myspace, e gravamos o álbum como uma empresa. Portanto, temos o apoio de um selo, mas somos muito independentes porque também tocamos na internet como as novas bandas. Realmente temos o melhor dos dois mundos hoje. Mas, o pior, fica muito evidenciado.

6 - Voltando ao Legacy, que celebra os 30 anos da banda e homenageia Kelly Johnson, tem participações significativas. Gostaria que você comentasse as ações de Lemmy, Dio, Tony Iommi e todos os que ajudaram no disco. É impressionante o peso que tem o disco!

Enid Williams - Foi brilhante ter todos esses músicos que admiramos tocando nossas músicas. Isso foi realmente emocionante para nós. Todos eles fizeram o que deveriam fazer e cada canção de forma direta e perfeita.  Realmente o disco está bem pesado, talvez seja o nosso trabalho mais heavy metal.

7 - Hoje em dia, a banda está com uma agenda cheia. Vão ser concertos até novembro (de acordo com o site oficial) e muitos com o Motorhead; Aproveite e combine um giro conjunto ao Brasil em 2010! Entre 1998 e 2004, que foi um período de aparente afastamento, o que você fez?

Enid Williams - Após reunirmos a banda de novo fizemos nosso primeiro show juntas em 2000. Acrescentamos faixas novas para o álbum em 2002 e nos apresentamos em clubes pequenos. Era como se tivéssemos sido esquecidas por um tempo e quando voltamos reconstruímos a banda de novo!

8 - Uma mensagem para os fãs brasileiros?

Enid Williams - Queremos ir e visitar!

9 - Finalmente: Obama, o Iraque, a crise econômica e do aquecimento global. O que pensa a Girlschool?

Enid Williams - Obama - grande; Iraque - errado. Dissemos ao governo e eles não escutam. Crise econômica - Eu sou uma astróloga e estamos entrando numa nova era. Ouça a letra de Spen, Spend, Spend! O aquecimento global - Seja vegetariano!

                                      Girlschool - Legacy -  2008

                                                                

Girlschool é acima de tudo uma banda de rock pesado. Quando surgiu - anos 1980 - ninguém acreditava que quatro mulheres pudessem fazer um hard rock, flertando com o metal, em um nível tão bom.  Coincidentemente ou não, depois de 30 anos de uma carreira bem sucedida, mas que nunca foi mainstream, a banda lançou em 2008 "Legacy". O disco é puro peso. São 15 faixas de real rock feito com alma e qualidade. Guitarras, muitas guitarras, construções musicais que emparedam qualquer indie desavisado e dodói, que adora bobagens e hypes fru fru. Com participações especiais de Lemmy, Tony Iommi, Dio e outros ícones, o Cd pende mais para o heavy metal. Um trabalho uniforme que se equipara aos melhores do grupo, "Demolition" e "Hit and Run". Ou seja, as veteranas que influenciaram várias bandas femininas fizeram um come back grandioso e sem restrições a melhor música.  Recomendado para quem conhece as meninas e recomendadíssimo para quem não conhece.

                                                                 

                                                   

                                                     im spy - com Dio

 

                                                                    

 

 

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