Dynamite

Entries for month: January 2009

Seven Ages of Rock, a partir do dia 7 na VH1

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                                                        hendrix

Imagens inéditas de Jimi Hendrix, o músico mais importante e criativo da história do rock, abrem o primeiro episódio de Seven Ages of Rock, uma co-produção (de 2007) dos canais BBC e VH1, que será exibida no Brasil pelo canal VH1 - canal 89 na NET - a partir do dia 7 de fevereiro. A série - narrada pelo veterano da MTV Mark Goodman - desnuda o gênero musical que é a trilha sonora da cultura pop e definiu cada geração de adolescentes desde a década de 1960. Os sete episódios destrincham a história do rock e são recheados de imagens sensacionais com uma edição dinâmica e feroz. Desde os shows em pequenos clubes até grandiosos espetáculos em estádios de futebol, passando pelos clássicos imortalizados em vinil até à era da Internet, do mp3 e dos dowloads. Depoimentos de grandes músicos, cantores, compositores e produtores explicam o rock como fenômeno musical, cultural e comportamental. Nomes como Al Kooper (Blood, Sweat & Tears), Jack Bruce (Cream), Bryan Ferry (Roxy Music) e Johnny Rotten (Sex Pistols), entre outros, pontuam a trajetória da maravilhosa história do rock and roll.                                                                       

                                              

                                                   syd barret

 Mesmo sem a mesma força artística de antes o rock sobrevive. Fãs vão a shows e festivais rolam pelo mundo, mais que do que nunca. A guitarra ainda é a minha companhia preferida, mas atualmente a maioria das bandas prefere usá-la com parcimônia, infelizmente. Baixei o Torrent do Seven Ages of Rock há cinco meses e apenas consegui terminar de assistir dia 25 de janeiro. O documentário explora a história da música de forma bastante clara e serve de aula para os não rockers. É perfeito para quem confunde peixinho com mosh. Mostra a vitalidade e criatividade do electric blues britânico dos anos 1960/70, ao indie rock contemporâneo, viaja pelo rock psicodélico do fim dos anos 60, clarifica a explosão do punk da década de 70 e a ascensão do grunge nos anos 1990. Contribuições de alguns dos maiores nomes do rock: Rolling Stones, Pink Floyd, David Bowie, Sex Pistols, Black Sabbath, U2, The Smiths e Oasis, entre outras lendas, estão bem colocadas com imagens de shows e depoimentos inéditos. Cada um dos sete episódios mergulha em uma era diferente do rock. A música, as canções clássicas, os bastidores de canções e idéias de composição, as influências das bandas e os mixes sonoros. Tudo bem amarrado no contexto social da época, que influencia a criação da música e molda a cultura pop durante todas essas décadas. Não é perfeito, mas bem feito.                                                                       

                                      

                                              british indie

 7 de fevereiro -  Birth of Rock - 1960-1970

Mostra a revolução iniciada por Jimi Hendrix, o primeiro guitar hero, e os sons impossíveis que até hoje ninguém consegue reproduzir. Os Beatles! No início dos anos 60, uma geração de adolescentes britânicos rebeldes, que cresceu ouvindo o cru blues americano, começou a inventar seu próprio som, carregado de adrenalina e inovação. Bandas como Rolling Stones, Cream e The Who, forneceram a trilha sonora da inconstância daqueles tempos de mudança e introduziram a atitude, o groove, o sexo e o alto volume que formatariam o rock. Bob Dylan, Cream, The Kinks e The Yardbyrds.

Entrevistados: Eric Burdon, Al Kooper, Jack Bruce e. Robbie Robertson.

 

14 de fevereiro - White Light, White Heat -1966-1980

Os experimentos multimídia pop-art de Andy Warhol e do Velvet Underground à elegância do Gênesis de Peter Gabriel, passando pela psicodelia do Pink Floyd e pelas performances carregadas de épicos espaciais de David Bowie. O episódio traça a história de como a expressão teatral e conceitual permeou o rock nos anos 70. O retro futurismo do Roxy Music. Os grupos progressivos e o experimentalismo.

Entrevistados: Bryan Ferry, Roger Waters e Tony Visconti.

 

21 de fevereiro - Blank Generation - 1973-1980

A história de duas cidades, Londres e Nova Iorque, e as bandas que surgiram do abandono, da perdição e da ira - a "blank generation". Pela destrutiva earth music do Sex Pistols, o episódio desvenda o relacionamento entre a falida Nova Iorque e a Londres dos anos 70, com sua violenta divisão de classes e etnias. 

Entrevistados: Johnny Rotten, Sex Pistols; Buzzcocks, The Clash, The Damned, Patti Smith, Ramones e Television.                                                                   

                                           

                                                        metal

 28 de fevereiro - Never Say Die - 1970- 1991

Tony Iommi explica como o ambiente industrial de Birmingham foi extremamente propício para o surgimento das bandas de hard rock, e como o peso invadiu o rock. Basicamente o capítulo enfoca as grandes bandas inglesas de hard rock como o Deep Purple, o Judas Priest, e a invasão britânica na América. E, como não poderia deixar de ser, relata também os excessos do Sabbath na sua primeira turnê em terras do tio Sam. E, evidentemente, mostra o rock inglês como um raio, com sua linguagem diferente, sobre a América psicodélica. O Iron Maiden, um dos criadores do metal, mostra de forma clara para os jovens que não sabem a diferença entre os dois gêneros (hard e metal). E grupos de metal farofa como Poison e Wasp também têm seu espaço. 

Entrevistados: Tony Iommi, Ian Gillan, Rob Halford, Ozzy Osbourne, Lars Ulrich, e Bruce Dickinson.  

 

7 de março - We are the Champions - 1965-1996

Na metade dos anos 70 o rock invade os grandes estádios com o Led Zeppelin. O Queen, o Kiss e o Led são os nomes que comandaram o assalto aos grandes palcos. O surgimento dos grandes festivais, o Dire Straits, o The Police, a era dos estádios no rock and roll. Só o Zeppelin, em 1973, tocou para 500 mil pessoas na América. As revoltas raciais e a crise do petróleo permearam a música americana, principalmente Bruce Springfield.  

Entrevistados: Gene Simmons, Bruce Springfield, Bob Geldof, Stewart Copeland e Brian May.

 

14 de março - Left of the Dial - 1980-1994 

 O alvorecer do rock alternativo nos EUA. Nirvana e Kurt Cobain comandam a onda conhecida como grunge. Alice in Chains, Mudhoney e Soundgarden. Os punks do Black Flag em contra ponto ao Van Halen e outras bandas do mainstream, já cansadas. A volta do rock as origens garageiras. O REM, com seu som único e um vocalista, Michael Stipes, que aparece ainda cabeludo. O rock se transformava buscando novas formas de estética e expressão. Ao mesmo tempo a MTV se consolidava como um forte veículo de divulgação, e as rádios apostaram no produto rock.

Entrevistados: David Grohl, Henry Rollins, Michael Stipes, Jack Endino e Kurt Cobain.   

                                                             

                                       

                                                alternative rock

   

21 de março - What the world is Waiting - 1980-2007

O início do british indie e o Smiths como seu maior ícone. O ambiente do final dos anos 80 e a consolidação do Oasis como a principal banda pós punk. A cena de Manchester, o The Hacienda. Os bons grupos como New Order, The Stone Roses, The Charlatans, Oasis, todos construindo um novo ambiente que receberia o indie, uma geração que tentou reinventar o rock. O programa Top of Pops, da BBC, que deu visibilidade aos grupos. Era o brit rock, representado também pelo Blur, Jesus and Mary Chain, bem noise, bem diferente, muito barulhento.  Alex Kaprannos, do Franz Ferdinand, falando de Stone Roses, Smiths e Inspiral Carpets como uma energia renovadora que o inspirou. O Happy Mondays. Uma época em que as guitarras soaram mais estridentes e menos técnicas. Cawden Town e a efervescência londrina produzindo o Elastica. Grupos indies flertando com o mainstream.  O The Libertines, com um que de New York Dolls, e Pete Doherty doidão.  E a safra mais nova, como o Arctic Monkeys e o Franz Ferdinand, que provaram também o quanto as gravadoras podem ser descartáveis.  

Entrevistados: Noel Gallagher, Johnny Marr, Pete Doherty, John Harris, Alex Kaprannos Alex James, Tim Abbot, Bret Anderson, David Haslan e Conor McNicholas.    

                                                                        

                                            

                                                    british indie

 

Fucked Up transforma o punk rock

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Punk is dead. Punk is not dead! No meio da onda indie pós-punk que persiste até hoje como hype, houve quem acreditasse que o punk rock estivesse por fora. E, de fato, o rock foi invadido por um mainstream repetitivo depois das boas bandas de Seatlle dos anos 1990, e também de alguns grupos legais da Inglaterra da mesma década. Assim, o punk ficou meio de lado. Mas 2008 foi um ótimo ano para o punk rock. Uma prova pode ser as voltas das clássicas Damned e UK Subs, e novos nomes como Jay Reatard, The King Blues e Thee Vicars. Entre as bandas que tenho ouvido destaco a canadense Fucked Up - formada por Pink Eyes, vocal; 10,000 Marbles, guitarra; Gulag, guitarra; Young Governor, guitarra; Mustard Gás, baixo e Mr. Jô, bateria. Seu mais recente disco, "The Chemistry of Common Life", outubro 2008, Matador Records, mostra que ainda existe atitude e ousadia no rock. Afinal, que banda, ainda mais punk, lançaria um single, "Year of the Pig", com cerca de 18 minutos, cheio de guitarras hardcore saturadas misturados com partes de flautas e teclados com um viés progressivo? Nada normal, usual. Mas, afinal, chega de normalidade no rock. A ver algumas bandas que se copiam sem achar um sentido poderoso em sua música. Exemplo: ouvi bastante "Tonight", do Franz Ferdinand, e não vale o hype todo. Esse é um dos motivos que deixei para comentar o lançamento do Fucked Up só agora.                                                 

                                                

                                                     son the father

Formado em Toronto, em 2002, na faculdade, o Fucked Up têm influências de ícones da segunda leva do hardcore como NOFX e Minor Treat. Os canadenses combinam melodias criativas, instrumental feroz e cheio de alternativas a um senso bizarro e teatral. Adoram temas como misticismo, renascimento e religião. Que, apesar de serem aparentemente estranhos para um grupo punk, caem muito bem nesse hardcore cheio de riffs, alternativas sonoras, letras lúcidas e vocais raivosos. "The Chemistry of Common Life" dá um nó. É uma química punk que sintetiza os mistérios do nascimento, da morte e da origem da vida. Um hardcore onde cabem mais de 18 linhas de guitarras em algumas músicas, teclados, vozes femininas, flautas e muita criatividade e ferocidade. A banda detona a igreja e a religião e, ao mesmo tempo, incentiva o budismo. A primeira música, "Son The Father", começa com uma flauta idílica procedida por uma introdução de guitarra que desemboca em pedradas de hardcore. Subindo o volume até que um grito faz explodir o vocal nada comportado. O refrão "é bastante difícil ter nascido em primeiro lugar; quem gostaria de ter nascido de novo?", faz da vigorosa faixa de 6:32 minutos um grande, "bem, aqui estamos nós". Um abuso de vitalidade.

                                                                  

                                            

                                                   magic world

A banda deixa clara a sua fúria contra a indústria da música, contra as corporações e a repulsa contra o exagero de consumo. "Magic World" vem em seguida com o vocalista Pink Eyes (conjuntivite) urrando sobre uma malha guitarras super noise e um teclado muito diferente, quase obliquo, em loop. Depois vem "Golden Seal", que tem uma introdução de sintetizadores estranhos para o punk. E ai é que reside a graça da coisa. A canção é contemplatória, quase um sussurro. Uma batera marcada apoiada em guitarras saturadas exorciza o pop em "Days of Last", que lembra muito Pink Faires. O Fucked Up não faz uma música bonitinha, cheirosa, muito menos confortável, mas é extremamente honesta e cativante. A banda sai do gueto hardcore e mostra o quanto pedais e teclados podem ser úteis com talento. Em "Crooked Head" existem ecos de Husker Du. São tantas guitarras e timbres e uma solando quase imperceptível na avalanche sonora pura. Pink Eyes consegue ser claro e se fazer entender. Na sequência vem a excelente "No Ephifany" com vocal feminino que brota de um delay para detonar-se em várias matizes, climas, ambiências. Sempre o peso, nem sempre a velocidade.

                                                                                                                                          

                                                    royal swan

Depois seguem "Royal Swan" e "Looking For God". Músicas que fazem do punk rock do Fucked Up o caminho do meio. A faixa título, "The Chemistry of Common Life", ferveu tudo em um caldeirão. Violões, teclados, vozes, cheiros e guitarras muito distorcidas, muitas guitarras. São 7 minutos de barulho bem feito. O Fucked Up de certo não deseja o mainstream, pois na verdade o odeia. E presta homenagem ao acaso dos processos químicos que criaram a vida neste planeta com seu som esperto, atento, incomum. Embora o Fucked Up seja punk de coração, criaram um grande, estranho e pesado álbum que atravessa o cérebro e a alma com amor. Uma pena que os vídeos não sejam de boa qualidade. Mas, afinal, é um grupo punk.   

                                                              

                                                

                                                               in nyc

 

                                                                   

 

 

 

Motown comemora meio século como uma lenda

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                                                heat wave - martha & the vandelas

Quem gosta de black music, e também de rock and roll, deve quase toda sua vida musical à idéia do produtor e empresário norte-americano Barry Gordy. Com um merrecado empréstimo de U$ 800, o cara, em 1959, fundou em Detroit, a gravadora Tamla - que em dezembro daquele ano viraria a Motown, a mitológica gravadora que lançou boa parte dos melhores talentos da Black Music. A gravadora, chamada assim porque estava na cidade dos carros - Moto Town - foi a responsável por difundir e lançar quase exclusivamente artistas negros - em uma época em que alguns estados dos EUA eram racialmente segregados. Produzindo e gravando, a Motown se tornou uma gravadora negra que adotou como slogan "o som da América jovem".  Muitos dos meus ídolos da música negra americana vieram de lá, como Marvin Gaye, The Temptations, Martha & The Vandellas, Otis Redding, The Commodores, Stevie Wonder, e outros do funk pesado. A criação de uma gravadora voltada essencialmente a músicos e grupos negros, em uma época em que o preconceito racial era explícito, alcançou, em suas devidas proporções, o mesmo impacto que a vitória que Barak Obama para a presidência dos EUA obteve. Aliás, o próprio Barry Gorgy disse que "Obama é um admirador da Motown e gostaria de pensar que algumas das questões filosóficas que ele coloca foram inspiradas pelo mesmo pensamento que animou a Motown".                                                                  

                                              

                                               marvin gaye - let´s get it on

 Em sua história, emplacou 240 hits no top 40 das paradas norte-americanas entre 1962 e 1971. Um dos seus grandes méritos, foi possibilitar a formatação da black music moderna, o que influenciou parte da música pop e do rock, negra ou não, produzida em todo o mundo nas décadas seguintes, e até hoje. A gravadora funcionava como uma linha de produção. Com compositores - como o trio Holland-Dozier-Holland e Smokey Robinson - e uma banda de estúdio - Funk Brothers - produzindo sucessos, enquanto os cantores eram preparados com cursos de dicção, canto e dança. Essa forma de trabalho foi pensada pelo próprio Barry. Em uma entrevista para a BBC disse: "queria que a gravadora fosse moldada pelos princípios que aprendi na linha de produção da Lincoln-Mercury". O fato da Motown funcionar como uma linha de produção de melodias fáceis, românticas, buscando o top nas paradas, e a falta de comprometimento político, renderam sérias críticas ao selo. Mas, mesmo assim, acabou se envolvendo involuntariamente em questões políticas. Como em 1964 quando a música "Dancing in the Streets", de Martha & the Vandellas, tornou-se um dos hinos da luta dos negros pelos direitos civis nos EUA.                                                               

                                                 

                                                superstition  - stevie wonder

 Em 1971 a Motown migra para Los Angeles, enquanto sucessos como os álbuns de Marvin Gaye, "What's Going On", de 1971, e de Stevie Wonder, "Talkbook", de 1973, provavam que a gravadora tinha em seu cast músicos de qualidade artística incontestável. Ao mesmo tempo, os hits continuaram com nomes como Jackson Five e a ex-Supremes Diana Ross. Em 1988 Gordy vende a Motown para a gravadora MCA por US$ 61 milhões. Depois de uma série de mudanças no mercado, a Motown acabou sob o controle da Universal, no final de 1998. Ai, infelizmente, a Motown morreu como reveladora de talentos e passou a investir em nomes completamente voltados a grana. Não que isso seja errado, afinal, esse sempre foi uma das características dela, e música é business. Mas a magia se perdeu. Em 2005 surge a Motown Universal Music Group, que inclui entre seus artistas cantoras de R&B como Erykah Badu, rappers como Q-Tip e, pasmem, inclusive a doidona cantora pop e atriz Lindsay Lohan. Outra atriz a se aventurar na música.                                                          

                                                    

                                                   otis redding - the dock of the bay

 Stevie Wonder, Diana Ross, Smokey Robinson e os Temptations ainda são contratados da gravadora. Vários especiais em comemoração aos 50 anos irão ao ar na Inglaterra, França e Alemanha. Em Berlin, o musical "Memories of Motown", com a participação de Martha Reeves & The Vandellas, dos Miracles e dos Contortions, está em cartaz. Gordy, em entrevista ao USA Today, afirmou que "o legado ainda é meu e de todos os artistas, estejam eles ainda aqui ou não. E isso é o que é importante para mim". Mas é um depoimento de Duke Fakir, último dos Four Tops vivo, que resume com nitidez a relevância da Motown: "No ano em que os EUA terão seu primeiro presidente negro, saibam que a Motown ajudou na integração do país. Foi um dos degraus nesta escada, a música da Motown foi uma parte importante no processo de diminuir as tensões. E essa é a parte da qual eu realmente tenho orgulho".   

                                                            

                                                

                                        smokey robinson - the tears os a clown

                                                           

Led Zeppelin I, 40 anos de uma revolução

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 O Led Zeppelin ultrapassou todas as fronteiras da música e, sem dúvida, é considerado um dos nomes mais relevantes da história do rock. Jukebox inicia 2009 homenageando os 40 anos do Led Zeppelin I, álbum de estréia do grupo inglês que revolucionou a música. Uma obra ainda atual, que influenciou gerações de músicos e faz a cabeça de quem gosta de um som real. E pensar que tudo começou do Yardbyrds, outra mitológica banda, de onde surgiram os talentosos guitarristas Jeff Beck e Eric Clapton. Jimmi Page acabou herdando as cinzas do Yardbyrds e a obrigação contratual de lançar mais um disco. Sozinho, chamou o baixista John Paul Jones, o matador baterista John Bonham e o vocalista Robert Plant. Primeiro, mudaram o nome da banda. Depois de apenas 30 horas de estúdio estava pronto, no início de 1969, um dos melhores álbuns de rock de todos os tempos. E isso é uma unanimidade, o que se comprova por continuar a ser bem vendido depois de 40 anos. Era o início do grupo mais influente de heavy blues, e que seria chamado de um dos criadores do heavy metal. A interpretação do blues que o Led criou, incorporou mitologia, misticismo, british folk, R&B, rock, psicodelismo e uma variedade de gêneros, o que fez os ingleses, num primeiro momento, serem incompreendidos pela mídia. Mas, a orientação do disco para o rock pesado, cheio de guitarras poderosas, baterias avassaladoras, um vocalista que dominava sua arte com pose e talento e um baixista dos mais marcantes, conquistaram o público de imediato. Dois meses após lançado, o Led I alcançou o US Top Ten e a primeira turnê americana rolou. Ai, a crítica entendeu a real.

                                                     

                                                     communication breakdown

O álbum foi criado no clima elétrico de um mundo onde reinavam Jimi Hendrix Experience, Cream, Jefferson Airplane, Frank Zappa, Jeff Beck e todo tipo de blues distorcido e pesado ao extremo. Page, cheio de estilo e criatividade, mudou os rumos da guitarra nas canções, "You Shock Me" (um blues de arrastar a cara na sarjeta com uma garrafa de Jack Daniels nas mãos, chorando um amor impossível) e "I Can´t Quit You Baby", ambas de Willie Dixon, já mapeando o futuro do rock dos anos 1970, que ficaria eternizado por uma infinidade de ótimos grupos e artistas diretamente influenciados pelo som do Led. Músicas que continuam sendo as melhores da banda, como a atormentada e eficaz "Dazed and Confuzed" - com uma robusta linha descendente de baixo - e "Communication Breakdown", com um riff de guitarra claro e limpo, cheio de malícia, técnica e sentimento, são eternos clássicos do rock.  O Led Zeppelin I é mais do que um disco. É uma obra de arte. Atemporal, preciso, robusto. O álbum, como numa catarse, uniu talentos que produziram o melhor do rock através de décadas, coisa impensável no rock atual, cheio de gafes, fraudes e falta de competência. Muita pose e pouco som. John Paul Jones, em "God times Bad Times", um hard blues elétrico de arrasar o quarteirão, faz tremer o chão com seu baixo bem pontuado. Ele, com John "Bonzo" Bonhan, imortalizou a melhor cozinha do rock, só comparável a do The Who, com Keith Moon e John Entwistle (ambos mortos pelos excessos). Bonzo tornou as músicas do Led mais grandiosas com sua quebradeira e viradas espontâneas, o que se tornou parte da trademark LZ.                                     

                                                                                                     

                                                                                                                                                     you time is gonna come


Os riffs e solos memoráveis de Page, a magia de criar o que nunca antes havia sido feito, fez do guitarrista um dos mais reverenciados do mundo, até hoje. Assim como, as texturas sonoras, as alternâncias de dinâmica e tempos, tornaram o disco um exemplo de como se fazer música inventiva, viva, ainda atual.  "Your Time is Gonna Come" é uma balada modelo de hard rock perfeito. "Dazed and Confuzed" é um blues com uma carga de psicodelismo e com um solo de guitarra veloz, violento, técnico e sensacional, que apresenta de forma lúcida a onda proposta pelo Led. Apesar de só ter conhecido o disco depois do Led III, me lembro a primeira vez que ouvi. Foi um impacto muito forte. Porque, apesar dos trabalhos dois e três serem excelentes, ficou claro que aquele era "O" álbum. "Black Mountain Side" tem forte influência de folk music inglesa e "Communication Breakdown" soa como um ataque punk antecipado em uma década.  "Good Times Bad Times", a primeira faixa, tem um dos solos mais encorpados e precisos que já se criou. Não é a toa que o álbum foi reeditado cerca de onze vezes. O Led Zeppelin, depois de um longo afastamento - a não ser em apresentações esporádicas- ensaia, para 2009, um volta aos palcos e um disco novo. Claro que seria muito bacana. Contudo, mesmo sendo um fã que ouviu a exaustão todos os trabalhos dos ingleses e assistiu um Page e Plant ao vivo (1994 no Pacaembu/SP), onde 90% do repertório foi Led, não sei e vai dar certo. A não ser, que Page e Jones convençam Plant a aceitar a idéia. Coisa que parece difícil, até agora. Plant continua se recusando a sair em tournê. 

                                                                            

                                                             plant e page

O maior mérito deles foi transformar o noise quase jazzístico do Cream de Clapton, as experiências psicodélicas de Hendrix e o rock anárquico do The Who, em uma música inovadora. Misturar de maneira tão soberba R&B, rock, blues, folk, jazz, e outros ritmos, fez nascer um gênero, estilo, ou como quer que se chame, nunca antes ouvido e visto. O Led I plantou as sementes do heavy metal intuitivamente. E por mais que muitos os achem um grupo de hard rock, eu prefiro chamá-los de sem igual. O que o LZ fez foi criar o que não existia. Um "dom" que as bandas de hoje parecem não possuir. Até penso sobre essa falta de perspectiva no rock atual. Mas não vale a pena. De forma geral, a música hoje é urgente e descartável. Qual disco produzido esse ano poderá ser lembrado daqui a 40 anos pelo terremoto que causou na arte?  Quem viver verá.                    

                                                             

                                                                  you shock me

 

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